sexta-feira, março 28, 2008

Tarso Genro é ministro da justiça ou da empulhação ?

Adelson Elias Vasconcellos

A diferença entre um país sério, civilizado e moderno, para um país bananeiro, atrasado e arcaico, está na justa medida em que no primeiro, todos os cidadãos e instituições públicas estão submetidas ao Estado que é regulado pelo regime de leis que busca, dentre outros primados, estabelecer direitos e deveres para todos, para daí reinar nas relações entre indivíduos, empresas e instituições, a justa harmonia, a paz e o equilíbri0. E, também, para todos os contratos e relações possam dar-se de forma transparente e legítima a partir do regime soberano destas mesmas leis. Contrariamente, no país bananeiro, o estado se confunde com o governo, e a ele fica submetido (e por conseguinte, todas as instituições públicas) sob os caprichos e ao gosto particular e pessoal do governo e seus governantes. As leis aqui são não a razão primeira pela qual nascem contratos, relações e negócios, mas são estes que determinam como as leis devem ser redigidas para “legalizar” a vontade nem sempre social muito menos pública dos governantes.

Claro que este breve enunciado não diagnostica toda a diferença entre um país bananeiro de Estado submisso à vontade do governante, para outro, de natureza séria, onde o regime das leis emanadas do Estado é quem determina as ações possíveis ou não de serem cometidas pelos governantes, bem como pelos demais cidadãos.

O preâmbulo é para ilustrar o comportamento que se pode classificar de leviano do senhor Tarso Genro ao não saber distinguir o que seja o cometimento de crime de uma simples querela política. Tal confusão se torna ainda mais grave quanto mais por tratar-se de um ministro da Justiça que, a rigor, se não possui conhecimento jurídico amplo, deveria ao menos cercar-se de assessores e auxiliares competentes e capazes de lhe transmitir informações pertinentes para, a partir delas, o ministro poder conceder entrevistas aos meios de comunicação sem escorregar na banana da ignorância.

Tanto o ministro sabe, quanto a ministra Dilma o reconhece, houve de fato um vazamento de informações sigilosas de responsabilidade da Casa Civil e concernentes a despesas de presidentes, não importando de qual partido, e para as quais há um decreto assinado pelo presidente atual e que determina serem sigilosos os gastos efetuados pela Presidência da República, estando aí incluída toda a estrutura de que se compõem a Presidência da República, entre as quais ficam mantidos sob sigilo os gastos do presidente e de sua família. Não importa saber se o decreto fere ou não dispositivo constitucional.

Ora, parte destas informações sigilosas vazou para conhecimento externo. Como contraria um dispositivo legal, constitui-se um crime, já que a pessoa que “escorregou na banana” deve ter assinado um termo de compromisso para manter sob sigilo informações com as quais viesse trabalhar, conhecer ou manipular, muito embora isto seja de somenos importância.

Que houve vazamento, lá isto houve. Muito bem, então primeira pergunta: por que razão as despesas do presidente e de seus familiares são mantidos em sigilo ? É que, conforme estabeleceu o decreto que o criou, o sigilo é necessário para salvaguardar a segurança nacional. Então, se alguém, de posse de informações sigilosas que comprometem a segurança nacional, permite que estas informações ou parte delas cheguem ao conhecimento público, o que é ilegal, está ameaçando o quê, com sua atitude? Notem que não estou dizendo ou usando os argumentos que a oposição tem feito uso. Estou me atendo ao fato em si. Continuemos, portanto. Repito a pergunta: se informações sigilosas que são mantidas como tal para se preservar a segurança nacional, são tornadas de conhecimento público, representa dizer que o “responsável” pela bisbilhotice cometeu o quê, um delito? Um crime? Uma prevaricação? Teve uma combustão espontânea?

É disto que se trata, senhor ministro. Alguém deixou de cumprir um decreto presidencial e, assim, colocou em risco a segurança nacional. Ora o culpado não terá cometido um crime, neste caso, senhor ministro?

Portanto, e nem importa sobre o quê e sobre quem tratava a informação que vazou, importa é que alguém a tornou pública e, deste modo, comprometeu toda a segurança nacional.

Reparem que não estou nem tratando das razões da informação ter sido externada, não estou sequer cogitando para que fins tais informações vieram a público, trato unicamente do delito em si.

Neste caso, estando em risco a segurança nacional, a quem caberia investigar o ocorrido? A polícia do senado ? Polícia da Câmara? Ao Exército? Marinha? Aeronáutica? Conselho de Segurança da ONU? Delegacia de polícia mais próxima? Ou seria o caso da investigação ser feita pela OPEP? FMI? Convenhamos, senhor ministro: este nem é o caso, tampouco o momento para fazer cretinices, ou exibir sua ignorância de “competências legais” para a apuração de crimes cometidos no âmbito da esfera federal dentro das dependências da Presidência da República.! Todo o crime cometido em âmbito federal, ainda mais sendo comentido nas dependências do Estado brasileiro, e atentando contra a segurança nacional, é competência exclusiva da Polícia Federal brasileira investigar.

Se quem se apoderou das informações, delas fará uso político ou criminoso, este já é o segundo tempo do jogo, porque se estará cometendo outro crime que talvez seja chantagem, extorsão, e por aí vai.

No caso presente, o que seria querela política, senhor ministro ? Seria a “discussão em termos políticos” que se venha fazer. As ilações do que se pretendia portando tais informações. Aí sim, o nosso FBI tupiniquim nada tem a fazer, contudo, é sua tarefa a preservação da segurança nacional, e no caso, de que ninguém, de posse de informações sigilosas, infrinja decreto presidencial exteriorizando tais informações para fins escusos.

Porém, duvido que Tarso Genro, estando do outro lado, sendo apenas um militante político petista, e tomando conhecimento de que alguém, de dentro da Casa Civil de um outro governante não petista, sobre despesas sigilosas do presidente e sua esposa tenham vazado para a imprensa, já não estivesse pedindo a cabeça do defenestrado, colocam sua polícia de choque nas ruas para tocar tambor e gritar palavras de ordem, e exigindo a renúncia de presidente, ministros e assessores. Aliás, exemplo de como seria se o governante não fosse petista, o próprio Tarso Genro nos deu em janeiro de 1999, quando Fernando Henrique era presidente, e o país precisou adotar o regime de câmbio flutuante que, como provou o tempo, foi decisão justa, acertada e da qual o governo Lula, a partir de 2003, acabou se beneficiando diretamente. O que fez então o senhor Tarso Genro, quando então estava do outro lado do balcão? Simplesmente berrou e exigiu que o presidente Fernando Henrique, reeleito em primeiro turno havia pouco, renunciasse ao mandato presidencial delegado e outorgado pelo povo brasileiro. É dele, do atual ministro da Justiça, senhor Tarso Genro, a emblemática frase montada naquela ocasião; “FORA FHC”.

Que então fique claro ao senhor Genro que, ministro da Justiça é para fazer cumprir as leis do País, e não para adotar discurso evasivo e defensivo de crimes cometidos no âmbito do governo de que participa. Para isto, conforme já disse certa vez, para defesa a União, é que foi criada a AGU – Advocacia Geral da União. Sacou, Tarso, ou vai querer que eu desenhe ?

Luiz Inácio, não julgues os outros por ti mesmo!

Adelson Elias Vasconcellos

Até poderia analisar a fala do Luiz Ignácio hoje em Delmiro Gouveia, Alagoas, tipo cebola, por camadas. Porém, prefiro que o leitor leia um trecho sem cortes, faça sua primeira análise e, depois, leia nosso comentário. Segue:

E estão lá nossos amigos do PSDB, que no primeiro momento trabalharam de forma civilizada. Estão lá nossos amigos do DEM, que tiveram tanta vergonha que mudaram o nome do partido de PFL para DEM. Estão lá destilando ódio. Destilando ódio. Ódio que mesmo eu quando era dirigente sindical não conseguia destilar contra meus adversários. Porque aprendei que na política a gente constrói consenso para beneficiar a sociedade".

”E eles governaram esse país desde que Cabral aqui aportou. Fizeram e desfizeram. Mas ontem. [...] Deus escreve certo por linhas tortas. A pesquisa de ontem deve ter deixado eles incomodados."

Eu sei que não é fácil para uma parte da elite política do país compreender porque é que é um torneiro-mecânico retirante e nordestino está aqui nesta tribuna e não eles."

Vocês não precisam aceitar que as denúncias dos nossos adversários virem verdades absolutas. É preciso saber quem está acusando quem".

"É importante lembrar bom lembrar que meu partido só tem 14 senadores. E o senado tem 81. E para mim aprovar qualquer coisa, preciso ter no mínimo 41 senadores."


Quantas vezes vocês leram aqui durante a semana, quando comentávamos os discursos do Luiz Inácio, em sua caravana palanqueira eleitoral pelo Nordeste, o ódio destilado de suas palavras, o tom exageradamente rancoroso que brotavam em cada uma das palavras, das vírgulas, dos dois pontos, ou ao final de cada parágrafo?

Pois bem, tentando reverter o mal-estar provocado, seja pela reportagem da VEJA sobre a existência de um dossiê anti-FHC, quanto na edição de hoje da Folha de São Paulo mostrando que a gaiata que produziu o dossiê é nada mais nada menos do que o braço direito da Dilma, e sua substituta no comando da Casa Civil em eventuais ausências, o que Lula tratou de fazer ? Tratou de ser ele mesmo, ou seja, tentou mirar os outros olhando-se no próprio espelho.

Não, Luiz Inácio, ninguém o odeia tanto quanto você até desejaria que o fosse, para transformar-se em um mártir (era só que faltava), como também se ódio em política brasileira existir, este se caracterizou em seus discursos e ações no tempo em que você era da oposição. Poderia lembra-lo das dezenas de vezes em que, tanto você quanto seu partido, podendo somar, recusaram-se simplesmente em faze-lo. Como também, poderia lhe apontar as dezenas de projetos apresentados pelos governos anteriores e para quais a participação de vossa senhoria como de seu partido eram importantes, ,porém e simplesmente você e seu partido recusaram-se em participar, fosse dos debates, tanto quanto das votações. Questão fechada, e o PT sempre, e inapelavelmente, votaram contra qualquer coisa, para o bem ou para omal. Poderia até trazer dezenas de exemplos em que o País, e não simplesmente os governantes, mas o País, senhor Luiz Inácio, precisou de seu apoio, de suas idéias, de sua colaboração e participação, e você, num arroubo autocrático e arrogante, negou-se em conceder e deu às costas. Repito: você deu às costas ao País e seus milhões de habitantes, e não aos governantes de plantão.

Porém, senhor Luiz Inácio,. acredito que apenas um exemplo é suficientemente forte para demonstrar a verdadeira face deste que hoje, beneficiário político do período mais profícuo de reformas a que este país foi submetido em sua trajetória republicana, que nos devolveu o orgulho de exibirmos uma instituição nacional com valor significativo, que é a nossa moeda, que tirou o país do atraso de 50 anos em que se achava mergulhado, depois da frustração de Sarney e Collor, que se seguiram aos 20 anos de escuridão provocados pela ditadura militar, que soube levar com orgulho o nome do Brasil de volta ao respeito da comunidade internacional, porém sem esquecer a necessária e inadiável implantação de programas sociais para tirar da miséria milhões de brasileiros aflitos e flagelados, e que, não obstante tal herança, jamais teve, de sua parte, um ato de humildade, de grandeza e de dignidade para ser ao menos grato pelo país que lhe foi transmitido, pois bem, o exemplo serve para mostrar o tipo de pessoa rancorosa, egocêntrica, arrogante e, acima de tudo, o péssimo brasileiro que você sempre foi.

Logo após a deposição de Collor da presidência da República, para a qual o PT trabalhou incessante e sofregamente, e tão logo o seu vice-presidente, Itamar Franco assumiu, o político mineiro chamou todos os partidos e pediu-lhes não a submissão, mas o indispensável apoio de todos para a busca de um entendimento nacional, para trazer o país de volta à normalidade, traumatizado pela saída de um presidente legitimamente eleito pela maioria da Nação, e todos se sensibilizaram e se dispuseram a debater a necessidade de se constituir um pacto de entendimento nacional. Todos eu disse ? Não, apenas um, e todos os do seu partido, negaram-se terminantemente em colaborar e em participar: você, Luiz Inácio Lula da Silva, juntou todos os petistas do Congresso e disse um sonoro “N-Ã-O” ao entendimento que a emergência do momento estava a exigir e que Itamar Franco tão humildemente estendeu a mão para pedir. Ou seja, nem no momento mais delicado de nossa ainda incipiente redemocratização, você, Luiz Inácio, se dispôs a colaborar. Queres ação mais anti-brasileira do que esta ? Quem aqui neste país mais destilou ódio, rancor e selvageria política do que você mesmo, Luiz Inácio, contra todos os demais democratas brasileiros? Os arquivos dos jornais não foram destruídos, estão aí como lembranças vivas e históricas daquele malfadado “N-Ã-O”, repulsivamente tão anti-patriótico, tão bárbaro e estupidamente tão anti-brasileiro. Ah, sim: o ex-presidente Itamar Franco ainda vive para testemunhar o quanto você não tem moral para acusar quem quer que seja. E a tal ponto o acuso de anti-patriótico e anti-brasileiro, que o maior exemplo disto é a falta de tua assinatura na Constituição Brasileira de 1988, carta de alforria da nossa redemocratização. Até hoje nunca consegui compreender o por quê da tua recusa em assinar a carta magna do Brasil. Hoje, melhor do que nunca, pude perceber que você não assinou nossa Constituição, da qual, repare bem, você e seus partidários políticos foram constituintes, porque não era democracia que vocês desejavam para o Brasil. O sonho, tantos anos acalentado de todos os petistas, Lula inclusive, era a implantação de um regime de ditadura de esquerda. Como a Constituição restaurava a democracia, você neste fato encontrou as razões para não assiná-la, muito embora, graças ao estado de direito que ela restabeleceu, te foi possível chegar ao poder, sem precisar praticar um golpe de estado.

Assim, fica evidenciado que você, Luiz Inácio Lula da Silva, não têm legitimidade moral e competência de caráter para julgar quem quer que seja, porque o ódio que incendeia tua alma, o faz cego de arrogância e, de tal forma tal sentimento se impregnou e se incrustou na tua personalidade que, nem quando 199 vítimas morreram no acidente fatídico do airbus da TAM em São Paulo, você sequer se fez presente, como agora, com 54 mortes de infectados pela dengue, no Rio de Janeiro, na maioria crianças, muitas das quais morreram não pela picada do mosquito mas pela falta de atendimento médico na rede pública hospitalar, você preferiu fazer campanha política no Nordeste, do que, de forma humana e desprendida, levar sua solidariedade às vítimas. Quem se omite em momentos como esse, com medo de “sofrer prejuízo a sua imagem política”, é indigno de consideração e respeito, e não tem sequer hombridade para dar sua parcela de colaboração no sentimento de fraternidade tão necessário para os que sofrem. E registre-se: tanto num flagelo quanto no outro, muito mais se deve à omissão e incompetência das ações do teu governo.

Fica claro que odiosa é a alma que se omite em participar, porque sua arrogância só lhe permite olhar para o próprio umbigo. É a mente devotada ao crime, ao acusatório, à omissão, a deliberada e vergonhosa ausência de princípios morais e escrúpulos, porque se imagina inimputável, acima de Deus, quando não vai além do mentiroso empedernido que, diante da adversidade política, sua única ação é a de macular a biografia alheia através de dossiês cafajestes montados no submundo da devassidão.

Não, não são os “adversários” que destilam ódio contra você, Luiz Inácio Lula Silva, até porque você entende de destilados muito mais do que qualquer outro neste país. Na verdade, não apenas de ódio a tua alma se reveste, ali juntam-se num único sentimento, impossível até de mensurar, ódio, inveja, rancor e recalque contra aqueles que contigo não se igualam e, que por esforço próprio pessoal, conseguiram sem enlamear-se serem pessoas superiores e que conquistaram respeito sem precisaram apelar ao arsenal de maldades com os quais, e somente por intermédio de tais artifícios, você consegue se fazer notar. Berre, esbraveje e destile o fel que mal consegues conter. Isto não conseguirá fazer de você uma pessoa pior do que a que você, ao longo da vida, acabou se tornando. Para julgares quem quer que seja, o primeiro passo básico é sair de frente do espelho.

A lembrar os versos do poeta que diz: É triste saber que para subir, você precisou descer tanto...

As omissões que matam.

Adelson Elias Vasconcellos

Dentro do perfil do Ministro da Saúde do Mosquito, há uma historinha que nos conta o Cláudio Humberto:

"Após demitir o então secretário de Saúde Sérgio Arouca, em 2002, e seu auxiliar José Gomes Temporão, o prefeito César Maia descobriu mais de 9 mil processos empilhados na secretaria. A dupla só acreditava em prevenção, por isso negligenciou doentes e doenças a serem tratados."

Se a história procede ou não, isto é circunstancial. O que importa é ver o resultado. Em sua coluna na Tribuna da Imprensa de hoje, o jornalista Hélio Fernandes nos lembra um fato que foi noticiado também nesta semana, mas que, em razão da gravidade da epidemia da dengue que assola o Rio de Janeiro, ficou quase relegado a um segundo plano. Segue:

Denúncia gravíssima da Folha, em manchete: "54 mil pessoas esperam radioterapia no País". Querem saber apenas o DIAGNÓSTICO, todos recomendam: "Prevenir é a melhor coisa". Como prevenir se ninguém é atendido?

A dengue que é muito mais fácil de descobrir e combater virou epidemia. Que República.

Se a gente quiser fazer um retrospecto da passagem do senhor Temporão pelo Ministério da Saúde, não dá para se carimbá-lo como “eficiente”.

Em 2007, por exemplo, o país voltou a se assustar com a propagação da febre amarela, do mesmo modo como assusta a tuberculose, que há poucos dias noticiamos aqui.

Para quem chegou determinado a impor aborto e descriminalização das drogas, faltou no mínimo, ao ministro, a sensibilidade necessária para administrar coisas bem mais rotineiras, e que fazem o inferno na vida dos brasileiros.

Na questão da dengue mesmo, informamos que o governo em 2007 só investiu cerca de 54% do que estava previsto para a prevenção da doença. Porém, isto é só uma pequena ponta do flagelo que matou cerca de 54pessoas, pelo menos a metade crianças, e sobre a qual há suspeitas de pelo menos mais 50 óbitos provocados. Acredito até que as ‘suspeitas” já se confirmaram, porém só não se divulgou para não colocar a população em pânico maior ainda.

Contudo, em se tratando de saúde pública, é preciso ver qual a real importância lhe dá o governo do Luiz Inácio, uma vez que, se ela não for eficiente, quem padecerá, evidentemente, será a população mais carente do país.

No post abaixo deste, Leandro Kleber do site Contas Abertas no mostra o histórico de como o governo Lula se importa com o problema: nos últimos três anos aplicou-se apenas metade do total previsto para prevenção. Aliás, em comparação com o passado, é justo concluir que o investido real é apenas a metade no governo anterior. Ou seja, de cada R$ 10,00 previstos em orçamento para programas de prevenção, o governo federal fez uso de apenas R$ 5,00, quando comparado a si mesmo, e de apenas R$ 2,50 quando comparado ao governo FHC. E o resto ? Bem o resto é discurso para enconbrir a incompetência além, é claro, da desimportância com que trata a questão da saúde dos brasileiros. Afinal, o que importa são os votos nas urnas...

Neste altura do campeonato, em que se contabilizam além dos mortos, mais de 45 mil casos, em menos de três meses, em que muitos dos que morreram, mais do que a picada do mosquito, a razão do falecimento foi muito mais por falta de atendimento hospitalar, é bom que não se politize a questão, como primeiro pediu Lula e depois seu ministro da Saúde. É lógico que, a politização neste caso, só poderia ser feita se e quando a notícia lhe fosse favorável, porém é justo lembrar que em 2002, não poupou de críticas ao ministro Serra com menor número de casos e mortes comparado com o governo atual, em discurso lá na Mangueira, no período eleitoral! Esqueceu-se quem primeiro politizou, senhor Luiz Ignácio?

Epidemia de dengue no governo dos outros é festa, né ? Ai “pooode” fazer uso político, principalmente quando se está em campanha eleitoral ! Interessante, como o destino consegue ser tão irônico, às vezes...

Mas, o triste é que se a situação atual já é assustadora, o que se dirá se ela puder piorar ? Ah, vocês acham que pior do que está, não vai ficar? Pior é que pode, sim. No post dois abaixo deste, reportagem do Jornal do Brasil nos informa de que a dengue do tipo 4 já chegou ao Brasil, e que ela pode chegar também ao Rio.

O que é lamentável, mais do que até a própria omissão do governo federal que contribuiu diretamente para a situação chegar ao descalabro atual, é que, durante este tormento, o Luiz Ignácio promoveu sua caravana eleitoreira no Nordeste, criticando os governos anteriores, fazendo festa e bancando a babá para o aprendiz de ditador Hugo Chavez a quem teve a desfaçatez de alcunhar como “pacificador” na questão Equador-Colômbia, esquecendo que o pacifista deu financiamento e abrigo para terrorista em seu próprio território, além de deslocar tropas e força aérea para a fronteira com a Colômbia.

Pois bem: não se dignou o “vossa excelência”, uma única vez sequer, de se dirigir ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto ações públicas de atendimentos às vítimas da epidemia, bem como as medidas necessárias para combate à dengue. Ação covarde e omissa da mesma “pequenez política” que o Luiz Inácio assumiu quando da queda do avião Airbus da TAM com o resultado de 199 mortes.

Neste semana, em artigo do Josias de Souza aqui reproduzido, comprovamos que o governo atual já superou, em cinco anos, o número de mortes por dengue dos oito anos do governo anterior. E ele ainda quer comparar-se! Ridículo.

Chefe de governo só para os momentos de festa, é a única coisa de que o país não precisa. Fico imaginando este cidadão se tivesse sido ele, e não FHC, o sucessor de Itamar Franco, e tido de enfrentar um país economicamente esfacelado, com déficits públicos fugindo ao controle, com hiper-inflação, contas públicas em descalabro, com déficits consecutivos na balança comercial e de pagamentos, além da dívida externa de curto prazo sem dinheiro em caixa para pagar, sem plano Real e sem programas sociais já implementados, e diante deste quadro dos horrores, e ainda precisando enfrentar cinco graves crises internacionais em países emergentes !!!

Se, com todos os ventos a favor, eles conseguem com seus apagões da segurança, aéreo e da saúde, matarem mais do que os americanos mortos em guerra no Iraque durante cinco anos, bem melhor a gente nem pensar no que teria sido o governo deste cidadão diante da turbulência de 1994!!!

Fica patente o estigma que a história irá registrar: este é um governo cuja omissão e incompetência matam muito mais do que qualquer guerra mundo afora. E o Brasil está em paz e sem ameaça terrorista !

Dengue: Gastos federais com programa de prevenção caíram pela metade nos últimos três anos

Leandro Kleber, Do Contas Abertas

A crise da dengue que assola a cidade do Rio de Janeiro - o número de casos registrado nesses três primeiro meses do ano já superaram o total de 2007 – preocupa especialistas, autoridades e população. No entanto, é provável que a situação não estivesse no patamar atual caso os recursos da União destinados ao setor não tivessem sido reduzidos nos últimos anos. O único programa federal, espeficamente, voltado à vigilância, prevenção e controle da malária e da dengue teve a sua verba minguada nos últimos três anos. Em 2005, foram gastos R$ 83,2 milhões com as ações do programa - que inclui gastos com a própria gestão do programa, com combate à malária e a dengue e com publicidade de utilidade pública - enquanto no ano passado foram desembolsados apenas R$ 39,6 milhões, ou seja, menos da metade da quantia

O corte foi ainda maior na verba gasta, no mesmo período, com a ação do programa especificamente voltada ao combate à dengue. Em 2005, foram aplicados R$ 24,4 milhões nas atividades de “vigilância, prevenção e controle da dengue”, enquanto no ano passado foram gastos somente R$ 7,1 milhões, isto é, redução de pouco mais de 300% em três anos. Além disso, apenas 31% dos recursos autorizados em orçamento destinados à ação foram efetivamente pagos (incluindo dívidas de anos anteriores – restos a pagar) no ano passado, de uma quantia prevista de R$ 22,8 milhões

O Ministério da Saúde alega que a maior parte das ações de combate à dengue é desenvolvida pelos estados e municípios com recursos oriundos não do programa, mas do Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS), que é transferido todo mês diretamente do Fundo Nacional de Saúde. No entanto, o governo federal aumentou em apenas R$ 2,9 milhões os repasses por meio do teto para o estado do Rio de Janeiro nos últimos três anos, enquanto o gasto federal no Brasil com a ação específica de combate a dengue do “programa de vigilância, prevenção e controle da malária e da dengue” caiu R$ 17,3 milhões no mesmo período.

O dinheiro do TFVS serve para desenvolver ações que visam o combate de diversas doenças epidemiológicas. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 70% dos recursos do Teto atendem atividades de controle da dengue em todo o país, com exceção do Norte, onde a população está mais vulnerável à malária. Essa estimativa baseia-se em reuniões entre representantes do ministério, de municípios e de estados que abordam o grande contingente de técnicos de saúde e de visitas feitas casa a casa. O intuito é fiscalizar e orientar os cidadãos quanto às formas de combate ao mosquito transmissor da doença.

Para o epidemiologista da Universidade de Brasília Pedro Tauil a descentralização dos recursos destinados ao combate à doença dificulta a realização de uma campanha mais eficaz em todos os estados brasileiros. “Da maneira como está sendo distribuída a verba, acaba que alguns municípios trabalham bem e outros não. Cada local tem uma demanda diferenciada. Além disso, há localidades que não oferecem o devido treinamento aos seus agentes e, também, não sabem como administrar bem as campanhas”, explica o especialista em medicina tropical.

Dengue transmitida por vírus tipo 4 volta a infectar brasileiros e pode chegar ao Rio de Janeiro

JB Online

MANAUS - A epidemia de dengue que assusta os cariocas pode piorar com a chegada do vírus tipo 4 da dengue no país, possivelmente da Venezuela. De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4) voltou a infectar pacientes da região, depois de 25 anos sem registros do vírus no Brasil.

O artigo, publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O mais alarmante é que as pessoas que já contraíram qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não estão imunes ao tipo 4 - e ainda estão mais vulneráveis à dengue hemorrágica.

O primeiro caso do vírus DENV-4 foi detectado no Estado de Roraima, em 1982. Desde lá, nenhum outro caso foi registrado. Os registros do vírus devem estar relacionados à proximidade do Amazonas a outros países endêmicos: Venezuela e Colômbia.

O estudo teve início em janeiro de 2005, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, e foram analisados pacientes que tinham sintomas semelhantes ao da malária. Os três exames positivos para o DENV-4 foram obtidos de pacientes que vivem e trabalham em Manaus e haviam viajado cerca de 15 dias antes de apresentarem os sintomas. Os resultados foram obtidos durante a pesquisa, que identificou outros 62 resultados positivos para a dengue.

A pesquisa foi realizada de janeiro de 2005 até junho de 2007 em 14 cidades do Amazonas. Foram constatados também 24 casos de dengue tipo 2 e 35 de dengue tipo 3.

Dengue transmitida por vírus tipo 4 pode chegar ao Rio
Se o Rio de Janeiro não consegue conviver com a epidemia de dengue provocada pelos tipos 1, 2 e 3 da doença - que já causou 55 mortes - mais uma ameaça ronda o Estado: o vírus do tipo 4, que já infectou pessoas no Brasil, pode chegar ao Rio a qualquer momento e agravar a epidemia. Esta é a opinião do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migowiski.

- O vírus tipo 4 já circula na região do Caribe e Venezuela há tempos, e pode chegar ao Rio a qualquer hora. Não há barreiras sanitárias que impeçam as pessoas de ir e vir. O vírus pode chegar tanto através dos infectados quanto do mosquito, que vem dentro de caixas e containeres, ou ainda na forma de ovos de mosquito – explicou o especialista.

O mais alarmante é que quem já contraiu qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não está imune ao tipo 4 - e ficará mais vulnerável à dengue hemorrágica. De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4)vem da Venezuela e voltou a infectar pacientes da região, após 25 anos sem registros do vírus no Brasil. Um artigo publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O primeiro caso do vírus DENV-4 foi detectado no Estado de Roraima, em 1982. Desde lá, nenhum outro caso foi registrado.

Segundo Migowiski há explicação científica para os 25 anos de 'trégua' do vírus tipo 4:

- Como não é possível contrair o mesmo tipo de vírus duas vezes, as pessoas que foram infectadas com a dengue tipo 4 ficaram imunes à doença, mas o vírus voltou a atacar as novas populações. No caso do Rio, o vírus tipo 2, que havia feito vítimas na última epidemia, em 2002, voltou a atacar as novas gerações, o que explica o grande número de crianças e adolescentes doentes - comentou o especialista.

A prevenção da doença está sendo discutida em todas as esferas públicas. Nesta quinta-feira, em audiência realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiros, Oscar Berro, secretário de Saúde de Duque de Caxias - um dos municípios com vários casos da doença -, disse que a gestão de combate à dengue no Estado é 'hospitalocêntrica', e que o governo estaria tomando apenas medidas emergenciais e hospitalares, sem focar na prevenção à doença. O infectologista Edmilson Migowiski concorda, e alerta:

- O problema é que quando essa epidemia for resolvida, governo e população vão esquecer o problema. Se o combate à dengue não for feito todo dia, initerruptamente, teremos ainda muitas epidemias no país - explicou Migowiski. E continuou : O governo não pode se vangloriar com a queda do número de casos da doença registrados, até porque o número de infectados é muito maior que o divulgado, já que 1/3 da população não apresenta sintomas da doença. O combate só poderá ser comemorado quando diminuir o número de vetores.
Em seu Ex-blog, publicado nesta sexta-feira, o prefeito Cesar cita a entrada do vírus no páis ano passado, e elogia o trabalho do Ministério da Saúde:

- Em 2007, no programa coordenado pelo ministério da saúde PAN SEM DENGUE, no Rio quando distribuiu faixas, folders, outdoors, anúncios na TV e rádios, sobre epidemias e surtos de dengue que varavam o país, um ponto se manteve ainda interno. Dengue Tipo 4 que existia na Venezuela deveria ser acompanhado com rigor junto à delegação venezuelana, pois ainda não se tinha conhecimento dos elementos de combate. Não veio pelo PAN, mas veio por Roraima. Desta vez o ministério da saúde atuou rápida e corretamente, informando a todos, o que permitirá - estudos e análises - com vistas a definirem-se procedimentos - disse o prefeito.

'Economist' destaca epidemia de dengue e fala de omissão das autoridades

JB Online

RIO - A revista britânica The Economist , uma das mais conceituadas revistas de economia do mundo, publica na edição que chega às bancas nesta sexta-feira, uma reportagem sobre a epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Segundo a revista, o mosquito e a doença se alastram "sem controle" por causa da lentidão das autoridades em enfrentar uma ameaça conhecida há pelo menos um ano.

A reportagem, que conta um pouco da história das sucessivas onda de casos de dengue principalmente no Rio, lembra que a doença atinge me cheio os cariocas como nunca, de acordo com muitos especialistas.

A publicação cita que, até 1980, a dengue era relativamente rara na América Latina e a versão hemorrágica potencialmente fatal ainda menos freqüente porque autoridades de saúde haviam praticamente eliminado o mosquito Aedes aegypti, que transmite tanto a dengue como a febre amarela.

-Mas a vitória foi declarada prematuramente: o compromisso e os recursos desapareceram, enquanto as cidades continuaram a crescer. Enquanto surgia a impressão de que a o país estava livre dos mosquitos, muitos (mosquitos) encontraram novas “casas” nas favelas. Pneus velhos, piscinas descuidadas, tanques ou potes de plantas se transformaram em encubadoras dos mosquitos- diz a Economist.

A revista lembra que há um ano o que chamaram de "especialistas do ministro da Saúde para baixo" já admitiam o risco de a dengue sair de controle. Eles (os especialistas) temiam a proliferação dos mosquitos, além do retorno – após longa ausência - do tipo 2 de dengue, a que muitos jovens brasileiros não estão imunes. Mas, desde então, os oficiais teriam se perdido em um debate vazio sobre se o mosquito da dengue, e portanto a responsabilidade sobre o seu controle, é "municipal, estadual ou federal".

A Economist diz que a gravidade da crise só foi reconhecida no dia 24 de março, quando, com o número de vítimas subindo, "autoridades nacionais e locais convocaram um gabinete de crise".

- Infelizmente, retórica inflamada e burocracia interminável não são sintomas novos da política do corpo-a-corpo brasileira - avalia a revista. - Será preciso mais do que isso para esmagar o mosquito - completa a reportagem.

E agora, Dona Dilma, vai insistir na mentira até quando?

Adelson Elias Vasconcellos

Vocês já devem estar sabendo das “novidades”, não é mesmo. Foi do “braço direito” de dona Dilma que partiu a ação bisbilhoteira de montar um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique, sua esposa, Dona Ruth, e auxiliares e ministros mais próximos. Diante do fato, incontestável, dona Dilma tratou de pôr panos quentes na porcaria montada dentro de sua própria cozinha, onde quem dá as ordens é ela mesma, Sua declaração, patética sob qualquer ângulo que se queira analisar, pode-se dizer que se equilibra entre a delinqüência explícita – para se dizer o mínimo da forma mais generosa possível, e o cinismo, porque não resiste sequer ao bom senso. O que disse dona Dilma, agora confrontada com o conhecimento de que foi sua principal assessora quem montou um dossiê ? Isto:”(...) não foi um dossiê, mas um banco de dados para atender a pedidos legais (...)”. Interessante. Apenas se cuidou da montagem de um “banco de dados” paralelo com as despesas de FHC, deixando de fora as do governo Lula.

O grande problema desta gente é achar que todos somos imbecis, ou que todos no país são feitos aquela turma da claque dos palanques, que aceita quentinha e transporte de graça só para fazer número e bater palmas, feito fantoches de circo, nas solenidades eleitoreiras que Luiz Inácio arma país afora.

Não, dona Dilma Rousseff: seria mais honesto de sua parte admitir a verdade, do que tentar distorcê-la com uma mentira torpe que nem criança em maternal seria capaz de acreditar.

Seu partido, fosse na oposição ou até no poder, sempre foi especialista em montar dossiês para destruir reputações alheias, como forma de chantagem, de extorsão e intimidação. Talvez vossa senhoria não veja mal algum neste tipo de comportamento ordinário, mas, de acordo com as leis vigentes no país, trata-se de um crime. O mais abusivo e torpe dos crimes de um governo que se utiliza do aparelho do Estado para enxovalhar instituições, ou até para apagar as pegadas e digitais que o próprio governo comete.

O histórico de mentiras, falsas versões e desconversas no caso específico, demonstra o quanto de podre foi cometido pelo governo do Luiz Ignácio, e que agora, desesperadamente, tenta esconder da opinião pública e da própria Justiça a quem deveria responder, na tentativa espúria de jogar para o outro lado acusações que pesam contra si mesmo. Ou de empurrar para debaixo do tapete como só ele é capaz de fazer, suas malvadezas...

A farsa caiu de vez, dona Dilma. E neste episódio fica claro das duas uma: ou vossa senhoria foi conivente com a prática do crime, a exemplo do que já fizera Antonio Palocci, de forma covarde e repulsiva, ao quebrar o sigilo de um simples caseiro, e, neste caso, não pode ficar onde está, sendo sustentada com o dinheiro da sociedade, ou vossa senhoria é tão incompetente que não é capaz de cuidar do próprio galinheiro, quanto mais em querer se meter, num primeiro plano, em gerenciar um projeto de desenvolvimento que mentirosamente se divulga estar em curso, quanto mais, ainda, em se habilitar a suceder um presidente da república. E, também neste caso, seu lugar não é aí, e sim, no interior de um Tribunal (ou delegacia) respondendo pelo crime praticado sob seu próprio nariz.

Sem surpresas a divulgação da “bisbilhoteira” da vez, já que o conluio do governo atual e seu partido com o crime, é fato público, notório e antigo.

Resta saber até aonde a oposição será capaz de administrar esta safadeza dentro do atual estado de direito do país. Porém, será inadmissível que “abaixe” a cabeça e saia por aí na doce ilusão de que é isto mesmo, que diante da popularidade do atual presidente não será possível agir. Uma vírgula que não: a lei, e isto vale para qualquer pessoa, seja ela presidente, ministro (ou candidata a qualquer coisa num futuro distante, viu, Ideli), é para todos. Quando Collor fez o que fez, o PT não poupou esforços nem munição para apeá-lo do poder. Da mesma forma, deve ele agora experimentar do mesmo veneno (ou com a mesma espada), a ação que empregou contra os outros.

Ou o país se dá conta de que uma sociedade civilizada e ordeira só se constrói quando todos os seus cidadãos, independente de seus cargos, condições sócio-econômicas, raça, credo religioso ou opção sexual ou política, são submetidos ao mesmo rigor da lei, ou continuaremos meros bárbaros, sempre chutando o progresso e a modernidade.

Mas sobre este assunto, ainda voltaremos durante o dia. Porque, apesar de se terem transcorridos meros seis dias desde que a revista VEJA noticiou a existência do dossiê e o conhecimento de quem o produziu e coordenou sua montagem, no meio do caminho o que não faltou foi mentira. E é bom que se registre para a história as mentiras e seus respectivos personagens. Coisa que aliás nunca faltou para esta gente foi “folha corrida”.

E é bom que fique bem claro, também, para o entendimento de todos: a tal “assessora” sendo chefiada por quem a gente sabe bem como trata seus subordinados, não agiria por conta própria se não contasse com o respaldo da autoridade superior. E tampouco, neste caso, Dilma Rousseff daria curso ao “levantamento e atualização do banco de dados” que, numa palavra, se resume em "dossiê", se “alguém” que lhe é superior não lhe tivesse dado carta branca para a idéia concretizar-se e vingar. Lembrem-se: em 2005, tivemos o mensalão que todos afirmaram ser do conhecimento do “chefão”, apesar dele negar. Em 2006, nas eleições, aloprados da própria cozinha presidencial, que trabalhavam em seu comitê de campanha, já havia produzido igual atitude. Assim, a mentira do "não sabia nada” só acredita quem quer.