sexta-feira, março 28, 2008

E agora, Dona Dilma, vai insistir na mentira até quando?

Adelson Elias Vasconcellos

Vocês já devem estar sabendo das “novidades”, não é mesmo. Foi do “braço direito” de dona Dilma que partiu a ação bisbilhoteira de montar um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique, sua esposa, Dona Ruth, e auxiliares e ministros mais próximos. Diante do fato, incontestável, dona Dilma tratou de pôr panos quentes na porcaria montada dentro de sua própria cozinha, onde quem dá as ordens é ela mesma, Sua declaração, patética sob qualquer ângulo que se queira analisar, pode-se dizer que se equilibra entre a delinqüência explícita – para se dizer o mínimo da forma mais generosa possível, e o cinismo, porque não resiste sequer ao bom senso. O que disse dona Dilma, agora confrontada com o conhecimento de que foi sua principal assessora quem montou um dossiê ? Isto:”(...) não foi um dossiê, mas um banco de dados para atender a pedidos legais (...)”. Interessante. Apenas se cuidou da montagem de um “banco de dados” paralelo com as despesas de FHC, deixando de fora as do governo Lula.

O grande problema desta gente é achar que todos somos imbecis, ou que todos no país são feitos aquela turma da claque dos palanques, que aceita quentinha e transporte de graça só para fazer número e bater palmas, feito fantoches de circo, nas solenidades eleitoreiras que Luiz Inácio arma país afora.

Não, dona Dilma Rousseff: seria mais honesto de sua parte admitir a verdade, do que tentar distorcê-la com uma mentira torpe que nem criança em maternal seria capaz de acreditar.

Seu partido, fosse na oposição ou até no poder, sempre foi especialista em montar dossiês para destruir reputações alheias, como forma de chantagem, de extorsão e intimidação. Talvez vossa senhoria não veja mal algum neste tipo de comportamento ordinário, mas, de acordo com as leis vigentes no país, trata-se de um crime. O mais abusivo e torpe dos crimes de um governo que se utiliza do aparelho do Estado para enxovalhar instituições, ou até para apagar as pegadas e digitais que o próprio governo comete.

O histórico de mentiras, falsas versões e desconversas no caso específico, demonstra o quanto de podre foi cometido pelo governo do Luiz Ignácio, e que agora, desesperadamente, tenta esconder da opinião pública e da própria Justiça a quem deveria responder, na tentativa espúria de jogar para o outro lado acusações que pesam contra si mesmo. Ou de empurrar para debaixo do tapete como só ele é capaz de fazer, suas malvadezas...

A farsa caiu de vez, dona Dilma. E neste episódio fica claro das duas uma: ou vossa senhoria foi conivente com a prática do crime, a exemplo do que já fizera Antonio Palocci, de forma covarde e repulsiva, ao quebrar o sigilo de um simples caseiro, e, neste caso, não pode ficar onde está, sendo sustentada com o dinheiro da sociedade, ou vossa senhoria é tão incompetente que não é capaz de cuidar do próprio galinheiro, quanto mais em querer se meter, num primeiro plano, em gerenciar um projeto de desenvolvimento que mentirosamente se divulga estar em curso, quanto mais, ainda, em se habilitar a suceder um presidente da república. E, também neste caso, seu lugar não é aí, e sim, no interior de um Tribunal (ou delegacia) respondendo pelo crime praticado sob seu próprio nariz.

Sem surpresas a divulgação da “bisbilhoteira” da vez, já que o conluio do governo atual e seu partido com o crime, é fato público, notório e antigo.

Resta saber até aonde a oposição será capaz de administrar esta safadeza dentro do atual estado de direito do país. Porém, será inadmissível que “abaixe” a cabeça e saia por aí na doce ilusão de que é isto mesmo, que diante da popularidade do atual presidente não será possível agir. Uma vírgula que não: a lei, e isto vale para qualquer pessoa, seja ela presidente, ministro (ou candidata a qualquer coisa num futuro distante, viu, Ideli), é para todos. Quando Collor fez o que fez, o PT não poupou esforços nem munição para apeá-lo do poder. Da mesma forma, deve ele agora experimentar do mesmo veneno (ou com a mesma espada), a ação que empregou contra os outros.

Ou o país se dá conta de que uma sociedade civilizada e ordeira só se constrói quando todos os seus cidadãos, independente de seus cargos, condições sócio-econômicas, raça, credo religioso ou opção sexual ou política, são submetidos ao mesmo rigor da lei, ou continuaremos meros bárbaros, sempre chutando o progresso e a modernidade.

Mas sobre este assunto, ainda voltaremos durante o dia. Porque, apesar de se terem transcorridos meros seis dias desde que a revista VEJA noticiou a existência do dossiê e o conhecimento de quem o produziu e coordenou sua montagem, no meio do caminho o que não faltou foi mentira. E é bom que se registre para a história as mentiras e seus respectivos personagens. Coisa que aliás nunca faltou para esta gente foi “folha corrida”.

E é bom que fique bem claro, também, para o entendimento de todos: a tal “assessora” sendo chefiada por quem a gente sabe bem como trata seus subordinados, não agiria por conta própria se não contasse com o respaldo da autoridade superior. E tampouco, neste caso, Dilma Rousseff daria curso ao “levantamento e atualização do banco de dados” que, numa palavra, se resume em "dossiê", se “alguém” que lhe é superior não lhe tivesse dado carta branca para a idéia concretizar-se e vingar. Lembrem-se: em 2005, tivemos o mensalão que todos afirmaram ser do conhecimento do “chefão”, apesar dele negar. Em 2006, nas eleições, aloprados da própria cozinha presidencial, que trabalhavam em seu comitê de campanha, já havia produzido igual atitude. Assim, a mentira do "não sabia nada” só acredita quem quer.