quinta-feira, janeiro 03, 2013

As promessas de Dilma, dois anos depois


O Globo

Veja um balanço das promessas feitas por Dilma Rousseff, em discursos ou em programa de governo, ao atingir a metade de seu mandato na presidência da República.

Área
Tópico
Promessa
Como está
DEMOCRACIA
Reforma Política
'A reforma política será definida em um amplo diálogo com a sociedade e suas organizações, por meio do Congresso Nacional. Terá como objetivo dar maior consistência à representação popular e aos partidos, eliminando as distorções que ainda cercam os processos eleitorais.'
Em nenhum momento o governo de fato se empenhou em que o Congresso aprovasse mudanças. Um relatório sobre o tema foi feito, mas não passou nem por votação em comissões.
DEMOCRACIA
Reforma do Estado
'A reforma do Estado dará mais transparência e permeabilidade às demandas da sociedade, além de garantir eficácia no combate à corrupção.'
O governo conseguiu aprovar a Lei de Acesso à Informação, mas atuou apenas reativamente no combate à corrupção. As ações mais relevantes na área, como a demissão de ministros, foram feitas apenas após a imprensa veicular denúncias.
ECONOMIA
Crescimento e Inflação
'Será dada continuidade e profundidade a políticas que mantenham e expandam os níveis de crescimento alcançados nos últimos anos. Para tanto, serão ampliados o investimento, a poupança e as conquistas sociais. A política macroeconômica será consistente com o equilíbrio fiscal, com o controle da inflação, com uma baixa vulnerabilidade a choques e com o crescimento mais rápido na renda das camadas mais pobres da população.'
O crescimento da economia nos dois primeiros anos de governo Dilma ficou aquém do esperado. Com 2,7% de crescimento em 2011 e cerca de 1% em 2012, será o pior crescimento nos primeiros dois anos de um governo desde Fernando Collor. A inflação foi mantida dentro dos limites, mas sempre acima do centro da meta. A taxa de investimento também caiu nos dois primeiros anos. Apenas a poupança foi ampliada.
ECONOMIA
Mudanças Tributárias
'Em acordo com estados e municípios, serão complementadas mudanças tributárias que racionalizem e reduzam os efeitos socialmente regressivos da atual estrutura tributária e beneficiem a produção e as exportações.'
No final de novembro, a Receita Federal anunciou que a carga tributária bateu recorde, chegando a 35,31% do PIB. O governo completará seus primeiros dois anos sem aprovar medidas de fundo para uma reforma da estrutura tributária brasileira. A Fazenda vem falando em fazer uma 'reforma fatiada', mas as medidas só serão votadas pelo Congresso a partir do próximo ano.
DESENVOLVIMENTO
Logística
'A mudança da infraestrutura, como vem sendo tratada no Programa de Aceleração do Crescimento - e está prevista no PAC2 -, eliminará os gargalos que limitam nosso crescimento econômico, especialmente no transporte ferroviário e rodoviário, nos portos, aeroportos e nas condições de armazenagem. Será dada especial atenção à infraestrutura urbana, que repercute diretamente nas condições de vida da imensa maioria da população: saneamento básico, transporte, habitação.'
O próprio governo reconhece que os dois primeiros anos foram de baixo ritmo na execução das obras logísticas. As grandes medidas para o setor foram na verdade os anúncios de concessão de rodovias, portos e aeroportos à iniciativa privada.
DESENVOLVIMENTO
Política Energética
'A política energética se antecipará às demandas de um País que vive - e cada vez mais viverá - um longo período de crescimento acelerado. Será dada ênfase à produção de energia renovável e à pesquisa de novas fontes limpas.'
Apesar dos recentes apagões, o país, de fato, têm grandes obras de hidrelétricas em construção, e trabalha na busca de novas fontes para suprir as necessidades do país nos próximos 15 anos, quando o Brasil deverá dobrar a carga de energia necessária. A possibilidade de um novo racionamento, que o governo quer evitar, está afastada no médio prazo. Novas usinas hidrelétricas estão em projeto para serem leiloadas e pesquisas têm sido desenvolvidas para produção de fonte eólica, principalmente. No setor de petróleo, porém, o país ainda não conseguiu se livrar de disputas regulatórias e não fez sequer um leilão de novos campos desde 2008.
DESENVOLVIMENTO
Política Industrial
'A política industrial, fortemente apoiada na inovação, vai compatibilizar o desenvolvimento da grande indústria com o das micro, pequenas e médias empresas, que são responsáveis pela geração da maior parte dos empregos. Para estimular e favorecer o empreendedorismo, serão definidas políticas especiais tributárias, de crédito, ambientais, de suporte tecnológico, qualificação profissional e de ampliação de mercados nacionais e internacionais.'
Por mais que o governo tenha gasto quase R$ 150 bilhões entre 2011 e 2012 em medidas de estímulo à indústria, a expectativa é que este ano a indústria encerre com retração de 2,3%. No início do ano, a expectativa era que houvesse uma expansão de 3,4%. Várias pequenas medidas estão sendo tomadas, com desoneração na folha de pagamento, mudança no formato de cobrança de alguns impostos, mas o Ministério de Micro e Pequenas Empresas, anunciado como prioridade, até agora não saiu do papel. Facilitação do crédito de exportação ainda não aconteceu como prometeram.
DESENVOLVIMENTO
Reforma
Agrária
'Dará prosseguimento à reforma agrária em curso, com a ampliação do crédito e do apoio científico e tecnológico de organismos como a Embrapa.'
O ano de 2011 foi o com menor número de assentados desde 1994, apenas 22.021 famílias, e a trajetória tende a se repetir em 2012. Dados de meados de dezembro indicam que cerca de 20.000 famílias foram assentadas. Para efeito de comparação, o pior ano para a reforma agrária no governo Fernando Henrique Cardoso foi 1995, quando 42.912 famílias foram assentadas - quase o dobro do primeiro ano de Dilma.
DESENVOLVIMENTO
Política
 Agrária
'Aprofundará o atendimento das demandas logísticas que garantam o rápido e barato escoamento e o armazenamento da produção agrícola tanto para o mercado interno como para o exterior.'
A falta de políticas que barateiem o escoamento da produção continua sendo o principal clamor do setor. Faltam ferrovias, hidrovias e os portos e rodovias para atender à demanda. O problema impacta diretamente nos custos de produção. O setor estima, por exemplo, que o escoamento da produção de soja em Mato Grosso custe cerca de U$ 100 dólares a mais por tonelada do que a transportada nos Estados Unidos.
MEIO-AMBIENTE
Desmatamento
'Será dada ênfase à continuidade do exitoso programa de combate ao desmatamento, fortalecido no governo Lula, assim como à proteção de nossos biomas, especialmente, a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica.'
O governo conseguiu atingir nos dois primeiros anos do governo Dilma as menores taxas de desmatamento na Amazônia Legal desde 1988. Entre agosto do ano passado e julho deste ano, a taxa de desmatamento foi 27% menor que nos doze meses anteriores.
MEIO-AMBIENTE
Indústria
 Verde
'A política industrial levará em conta critérios ambientais, da mesma forma que as políticas fiscais e de crédito.'
O governo adota critérios ambientais em algumas políticas específicas, como na concessão de crédito para o setor sucro-alcoleiro, mas a adoção de medidas do gênero não é o padrão.
MEIO-AMBIENTE
Cenário Internacional
'O governo brasileiro compromete-se com as metas apresentadas voluntariamente em Copenhague e continuará a defender, nos foros internacionais, políticas que estabeleçam responsabilidades iguais para todos os países, porém diferenciadas.'
O governo brasileiro de fato segue mantendo o compromisso de cumprir as metas apresentadas em Copenhague e vem defendendo nos foros internacionais as responsabilidades comuns, mas diferenciadas, entre os países e continua comprometido com as metas apresentadas em Copenhague.
POBREZA, MISÉRIA
Erradicação da Miséria
'Erradicar a pobreza absoluta e prosseguir reduzindo as desigualdades.'
Após dois anos de governo, a presidente anunciou neste mês que o número de miseráveis estaria reduzido de 19 milhões para 2,5 milhões o número de pessoas cadastradas no Bolsa-Família que se encontram em situação de pobreza extrema. O governo também ampliou medidas de busca para tentar detectar os brasileiros que ainda se encontram na miséria e não são atendidos pelo programa federal.
POBREZA, MISÉRIA
Bolsa-Família para Todos
'O Programa Bolsa Família continuará tendo papel relevante na inclusão social. Esse Programa abrangerá a totalidade da população pobre.'
O governo criou um mecanismo de busca ativa para tentar encontrar os cerca de 700.000 miseráveis que ainda não recebem o benefício. Para a parte da população que se enquadra na faixa de pobreza do programa - até R$ 140 per capita - basta procurar a prefeitura da cidade e se inscrever para receber o benefício.
TRABALHO
Preservação do Emprego e Renda
'Protegerá o emprego e a renda dos trabalhadores.'
Apesar dos ventos ruins da economia, o governo conseguiu reduzir ainda mais o desemprego, atingindo nas principais capitais condição de pleno emprego. Em outubro, o percentual de desempregados nas seis principais regiões metropolitanas era de apenas 5,3%. A renda dos trabalhadores também manteve permanente expansão desde o início do governo Dilma.
TRABALHO
Jovens no Mercado de Trabalho
'Ampliará os programas de apoio à inserção de jovens no mercado de trabalho.'
O governo praticamente interrompeu o investimento em programas de inserção de jovens no mercado de trabalho. Em 2011 e 2012, foram investidos apenas R$ 42 milhões em programas do gênero, contra R$ 518 milhões investidos em 2009 e 2010.
TRABALHO
Diálogo com Sindicatos
'Manterá diálogo permanente com os sindicatos para definir as grandes linhas das políticas trabalhistas.'
As centrais sindicais vêm externando grande descontentamento justamente com a falta de diálogo com o governo. Alguns dirigentes sindicais já deixam clara a saudade de Lula e prometem começar uma série de manifestações em 2013.
TRABALHO
Inserção dos Beneficiários do Bolsa-Família no Mercado
'Alternativas para inserção ocupacional dos beneficiários do Bolsa Família.'
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, ainda não foi firmado o acordo com o Ministério do Trabalho para um plano de inserção ocupacional dos beneficiários do Bolsa-Família.
EDUCAÇÃO
Creches e Quadras
'O Governo Federal assumirá a responsabilidade da criação de 6 mil creches e pré-escolas e de 10 mil quadras esportivas cobertas.'
Até agora, foram entregue apenas 20 das 6.000 creches prometidas. Segundo o governo, há 1.256 em construção, outras 506 em licitação e 1.200 em planejamento. Em relação às quadras cobertas, foram aprovadas 4.245 obras, mas o ministério não informa quantas estão concluídas.
EDUCAÇÃO
Mais Universidades
'Dará continuidade à ampliação e à qualificação da educação superior. Mais universidades públicas, mais campi e extensões universitárias garantirão a ampliação das matrículas.'
Em dois anos, o governo apenas enviou ao Congresso a proposta de criação de quatro universidades, mas até agora nenhuma delas foi sequer aprovada. O foco dos investimentos tem sido na consolidação das universidades já existentes.
EDUCAÇÃO
Institutos de Educação Tecnológica por todo país
'O projeto de construção das Instituições Federais de Educação Tecnológica (IFET) será ampliado. As cidades pólo ou com mais de 50 mil habitantes possuirão, pelo menos, uma escola técnica.'
Apesar de ser uma área em que o governo tem feito esforços, nem todas as cidades com mais de 50.000 habitantes terão os institutos até 2014. De acordo com o Censo 2010, o Brasil tem 608 cidades com mais de 50.000 habitantes. A meta do governo agora é ter 562 institutos construídos até 2014. Para tal, pretende construir 208 novos campi até o fim do mandato, dos quais 75 já estão em funcionamento.
EDUCAÇÃO
Erradicação do Analfabetismo
'Uma ampla mobilização – envolvendo poderes públicos e sociedade civil – terá como objetivo a erradicação do analfabetismo.'
A erradicação do analfabetismo, meta que já havia sido proposta por Lula, ainda vai demorar. O governo incluiu no Plano Nacional de Educação (PNE), que aguarda ser votado no Congresso, a meta de erradicar o analfabetismo entre os maiores de 15 anos apenas na próxima década.
EDUCAÇÃO
Bolsas de Pesquisa
'O governo Dilma expandirá os recursos para Pesquisa e Desenvolvimento. Ampliará substancialmente o número de bolsas de estudos oferecidas pela Capes e pelo CNPq.'
No primeiro ano do governo Dilma, o número de bolsas do CNPQ cresceu 15%. A presidente também criou o programa Ciência sem Fronteiras que já enviou cerca de 20.000 bolsistas para alguns dos principais centros de pesquisa do mundo.
SAÚDE
Ampliação de Programas
'Será dada continuidade às políticas públicas de ampliação do Samu, ao Programa Brasil Sorridente, às Farmácias Populares, à expansão das equipes do Programa Saúde da Família e à implantação das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e policlínicas.'
Dilma Rousseff especificou meta era 500 UPAs e 8.000 Unidades Básicas de Saúde (UBS) em seus quatro anos de mandato. Nos dois primeiros anos de governo, foram abertas 152 UPAs. Outras 196 encontram-se em construção. Já nas UBS, a situação é ainda mais complicada. Até agora, foram abertas 1.238 UBS e para 2013 estão previstas as construções de 1.253 unidades. As equipes de saúde da família cresceram 6% nos dois primeiros anos e as do programa Brasil Sorridente cresceram 9%. Avanço notável ocorreu apenas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que aumentou em 54% o número de unidades; e no programa de farmácias populares, que aumentou em 4,5 vezes o número de beneficiados saltando de 1,2 milhão para 5,4 milhões de pessoas atendidas. Sobre policlínicas, o Ministério da Saúde informa que não cria e nem habilita policlínicas, que competem aos estados.
SAÚDE
Fiscalização
'O governo Dilma terá como preocupação fundamental o aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde e de seus mecanismos de gestão, de fiscalização e de controle de qualidade dos serviços prestados.'
O Ministério da Saúde adotou medidas importantes, como a criação do Índice de Desempenho do SUS (IDSUS 2012), que avalia o acesso e a qualidade dos serviços de saúde no país, a proibição de gestores municipais sacarem em espécie a verba destinada pelo governo e criou a Carta SUS para os usuários avaliarem o atendimento. E implantou em 2011 novas regras para evitar irregularidades nas informações prestadas por profissionais, gestores e unidades de saúde, que levou ao descredenciamento de 632 equipes, número 84% maior que em 2010.
SAÚDE
Doenças mentais e Crack
'Haverá especial atenção aos programas de saúde mental, especialmente no tratamento do alcoolismo, do consumo de crack e de outras drogas que afetam particularmente nossa juventude.'
Apesar de ter criado o programa 'Crack, é possível vencer', o número de leitos e de unidades de acolhimento crescem muito lentamente. Desde então, foram abertas apenas 94 vagas nas enfermarias especializadas de todo o país, quando o plano é abrir 3.508 leitos; e apenas dez novas Unidades de Acolhimento foram feitas, das 574 previstas.
SAÚDE
Remédios gratuitos e Programas Nacionais
'A universalização da saúde dar-se-á também pela oferta gratuita de remédios contra a hipertensão e o diabetes e pelo desenvolvimento de programas nacionais de prevenção do câncer, de reabilitação de pessoas com deficiência e de atenção aos idosos.'
Desde fevereiro de 2011, 11 medicamentos para hipertensão e diabetes são oferecidos gratuitamente nas farmácias populares. Desde o lançamento do programa, houve crescimento de 435% do acesso aos medicamentos para essas doenças. Só em novembro, 4,7 milhões de pessoas foram beneficiadas. Os investimentos em prevenção do câncer também foram ampliados. Este ano, por exemplo, 2.139.238 mamografias foram realizadas, contra 1.667.272 em 2010, um aumento de 28%.
SAÚDE
Produção de Fármacos
'Em consonância com a política de Ciência e Tecnologia, haverá o desenvolvimento do complexo produtivo da saúde para avançar em direção à autossuficiência científica e tecnológica na produção de fármacos e na ampliação da fabricação de genéricos.'
Em 2011, aumentou em 25% o número de genéricos vendidos e em 73% o número de registros desses medicamentos. Na busca pela autossuficiência, o Ministério da Saúde tem incentivado parcerias para a transferência de tecnologia entre laboratórios públicos e privados. Há em vigor 55 delas, para a produção de 47 medicamentos, cinco vacinas, um contraceptivo DIU e um teste rápido. Pelos acordos, os laboratórios estrangeiros transferem aos laboratórios brasileiros a tecnologia para a produção local do medicamento e, em contrapartida, o governo compra durante cinco anos esse produto do laboratório estrangeiro com exclusividade.
CIDADES
Minha Casa, Minha Vida
'Terá particular relevância no governo Dilma o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de mais dois milhões de moradias.'
O programa tornou-se a menina dos olhos do governo Dilma. Em dois anos de governo, 1,13 milhão de moradias foram contratadas e até a meta de construção já foi ampliada, de 2 milhões para 2,4 milhões de casas até 2014.
CIDADES
Mobilidade urbana
'Será dada continuidade, sobretudo, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, ao programa que objetiva dotar as cidades de transporte coletivo eficiente, com especial ênfase para a continuidade da expansão de metrôs nas principais aglomerações urbanas.'
Apesar de ter anunciado grandes projetos com verbas bilionárias, as propostas de obras para cidades médias ainda estão em fase de seleção e as das grandes cidades, em fase de contratação. Ou seja, o governo federal ainda não gastou um real sequer. Mesmo em relação às obras de mobilidade para a Copa do Mundo, de acordo com o Portal da Transparência, das 42 obras contratadas, apenas 18 já receberam algum repasse. Do total de R$ 4, 9 bilhões previstos, apenas 18%, ou R$ 891 milhões, foram pagos.
CIDADES
Prevenção de Desastres
'Um programa nacional de defesa urbana terá como objetivo prevenir desastres ambientais.'
Com a tragédia da Serra fluminense em janeiro de 2011, logo no primeiro mês de mandato de Dilma, o governo de fato focou na prevenção de desastres. Foi criada uma Força Nacional do SUS e o governo federal tem deixado equipes para pronto emprego sempre que se intensificam as chuvas em áreas de risco. Este ano foram efetivamente pagos R$ 3,9 bilhões em ações emergenciais e preventivas de Defesa Civil, obras de drenagem e encostas e novas unidades Minha Casa Minha Vida para população atingida.
CIDADES
Redução de Acidentes
'Será fundamental também a redução dos acidentes de trânsito, que produzem anualmente dezenas de milhares de mortos, incapacitados e elevados prejuízos materiais.'
As operações para reduzir o número de mortes no trânsito durante as férias e os feriados têm obtido resultados. Na primeira edição da Operação Rodovia, por exemplo, entre de dezembro de 2011 a março de 2012, foi registrada uma redução de 15,2% do número de feridos e de 16,3% das mortes nas estradas federais em relação ao ano anterior, se considerado o aumento da frota.
CULTURA
Vale-Cultura
'Será implantado o Vale Cultura.'
O Vale Cultura foi aprovado no Congresso e aguarda sanção presidencial. Tão logo ocorra, o Poder Executivo terá 60 dias para regulamentar a Lei e se iniciam os trâmites de implantação.
CULTURA
Pontos de Cultura
'Serão ampliados os pontos de cultura e outros equipamentos.'
Entre 2010 e 2011, o número de pontos de cultura cresceu 9%. Mas entre 2011 e 2012 não houve mais qualquer avanço.
CULTURA
Audiovisual
'O Ministério da Cultura proporá iniciativas para fortalecer a indústria do audiovisual nacional e regional em articulação com outros países, sobretudo do Sul.'
O setor audiovisual foi fortemente beneficiado pela aprovação da nova lei que aumentou o espaço das produções nacionais nos canais de TV a cabo.
CULTURA
Financiamento da Cultura
'Em diálogo com artistas, produtores e comunidades culturais, serão aperfeiçoados os mecanismos de financiamento da cultura.'
O ministério apenas acompanha o andamento do projeto do Procultura, apresentado pelo Executivo em janeiro de 2010.
SEGURANÇA
Fronteiras
'A Polícia Federal e as Forças Armadas intensificarão o controle e defesa de nossas fronteiras para impedir o tráfico de drogas e de armas.'
O governo lançou um Plano de Fronteiras que resultou em um aumento expressivo nas apreensões de armas e drogas. Entre junho do ano passado, quando o plano entrou em vigor, e novembro deste ano o volume de drogas apreendida foi quatro vezes maior que nos período anterior e número de armas apreendidas foi quase seis vezes maior.
SEGURANÇA
Relação Federativa e Bolsa-Formação
'Seguirá aprofundando a nova relação federativa nesta área, articulando ações conjuntas com estados e municípios, integrando as polícias estaduais em um amplo programa de capacitação, fortalecendo o Bolsa-formação e um novo modelo de policiamento.'
O governo vem tentando articular ações conjuntas com vários estados. Um bom exemplo foi o projeto piloto Brasil Mais Seguro, criado este ano em Alagoas, que resultou na redução de mais de 20% no número de homicídios no estado e 83% dos inquéritos foram elucidados. A ideia agora é ampliar o projeto para a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Apesar desse avanço, no primeiro ano do governo Dilma houve uma queda de 23% no número de bolsas concedidas pelo programa Bolsa-Formação.
SEGURANÇA
Territórios pela Paz, UPPs e Urbanização de Áreas de Conflito
'Ampliará, assim, os Territórios de Paz e as UPPs com a polícia de proximidade, projetos de urbanização de áreas de maior conflito.'
As ações ainda são pontuais. No Rio de Janeiro, a Força Nacional colabora na UPP do morro de Santo Amaro, mas não há uma política de expansão desse modelo pelo país.
SEGURANÇA
Sistema Integrado de Segurança
'Integrará os sistemas de informação da segurança, profissionalizando a gestão com desenvolvimento de inteligência policial e alta tecnologia.'
O governo aprovou neste ano o projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O sistema terá a função de dirimir a falta de comunicação entre as bases de dados dos sistemas de segurança dos estados para assegurar informações padronizadas e confiáveis.
SEGURANÇA
Legislação Penal e Reforma do Sistema Carcerário
'Prosseguirá nos esforços de mudança nas leis processuais penais e em uma reforma radical do sistema penitenciário.'
Apesar do déficit de cerca de 170.000 vagas no sistema carcerário, o governo federal ajudou nesses dois primeiros anos na criação de apenas 7.193 vagas. O proprio ministro da Justiça, há dois anos no cargo, admitiu que as condições são medievais. O Ministério da Justiça se distanciou do debate sobre o novo Código de Processo Penal mas atuou para aprovar uma legislação para utilização de punições alternativas, coibir lavagem de dinheiro, lei de organizações criminosas.
SEGURANÇA
Polícia Federal e Força Nacional
'A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança Pública serão fortalecidas para combater o crime organizado, dando especial atenção ao combate à lavagem de dinheiro.'
A Polícia Federal e a Força Nacional tiveram seus orçamentos ampliados, mas não há um foco específico no combate à lavagem de dinheiro.
INTERNACIONAL
Relações Sul-Sul
'A política externa do governo Dilma dará ênfase especial aos processos de integração sul-americana e latino-americana, à cooperação Sul-Sul (Bric, Ibas) e à solidariedade com os países pobres e em desenvolvimento.'
No discurso, a presidente e a chancelaria brasileira continuam falando em privilégio à relações Sul-Sul, mas na prática Dilma Rousseff vem se dedicando de forma semelhante aos países ricos e pobres. Este ano, por exemplo, a agenda foi equilibrada entre visitas a países ricos - França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha - com países pobres e em desenvolvimento - Rússia, Índia, Argentina, Colômbia, Haiti e Cuba.
INTERNACIONAL
Não-Intervenção
'O Brasil permanecerá fiel aos princípios de não intervenção, de defesa dos Direitos Humanos, de luta pela paz mundial e pelo desarmamento.'
O Brasil manteve durante as Revoltas Árabes que atingiram Tunísia, Egito, Líbia e agora a Síria a defesa de que não houvesse intervenção militar externa e que toda solução fosse negociada.
INTERNACIONAL
Democratização de Organismos Multilaterais
'Continuará defendendo a construção de um mundo multilateral e a democratização de organismos internacionais como a ONU, o FMI e o Banco Mundial.''
Apesar de em tese o discurso continuar sendo o mesmo, a ênfase pela democratização dos organismos internacionais não é mais a mesma. Enquanto o ex-presidente Lula fazia dessa pauta um mantra, Dilma a cita apenas pontualmente.
INTERNACIONAL
Política de Defesa
'A consolidação e a implementação da nova política de defesa, nos termos da Estratégia Nacional, aprovada em 2009, será acompanhada do reequipamento das Forças Armadas e da plena implantação do Ministério da Defesa iniciada no governo Lula.'
Apesar de os caças da aeronáutica ainda não terem sido comprados, as Forças Armadas vem se sentindo bem aquinhoadas nos dois primeiros anos do governo Dilma. A presidente deu andamento ao projeto de fabricação dos submarinos para a Marinha, destinou financiamentos do BNDES para a indústria bélica e concedeu um reajuste para as Forças mais generoso que para as demais categorias do funcionalismo.

GUIA SAÚDE:


COMENTANDO A NOTÍCIA abriu um espaço em que reproduziremos  artigos sobre estudos  e pesquisas acerca dos avanços da medicina, com orientações sobre alimentação saudável, exercícios e questões básicas pertinentes à saúde e bem estar das pessoas. Basta clicar na guia superior “Saúde” para o leitor ter acesso ao material que iremos reproduzir. 

Nesta primeira edição, editamos as seguintes matérias: 

Caminhe para uma boa digestão
Andar a pé é uma maneira simples de ajudar a digestão e chega a reduzir o desconforto de sentir a barriga inchada, de gases ou da azia

Rússia limita venda de cerveja para combater alcoolismo
A venda da bebida ficará proibida no país entre 11 horas da noite e 8 horas da manhã a partir desta terça-feira

Brasileiros bebem em média 6,9 litros de álcool por ano
Pesquisa indica que consumo anual de álcool no Brasil é inferior ao registrado na Europa, 13 litros, e nos Estados Unidos, 9,8 litros

Cirurgia de ponte de safena fica menos agressiva
Com o novo método, a veia passa a ser retirada por via endoscópica, reduzindo o corte no membro inferior para uma única incisão de no máximo dois centímetros

Pesquisa busca nova proteção para os probióticos
Cápsulas recobertas com proteína do soro do leite podem proteger lactobacilos da acidez do sistema digestivo, melhorando o aproveitamento por quem os ingere

CFM quer impor idade máxima para mulher se submeter à reprodução assistida
Órgão prevê que o limite não passe dos 55 anos. Médicos também vão revisar questões como doações de óvulos e reprodução entre casais homossexuais

ANS vai testar indicadores de qualidade dos hospitais privados
Saúde. O objetivo da medida, que entra em vigor neste mês, é dar ao usuário de plano de saúde um novo instrumento, com critérios objetivos, para conhecer o desempenho do produto; fase inicial testará 42 unidades voluntárias em todas as regiões do País

Médicos discutem medidas para aumentar a segurança de cirurgia plástica
Em encontro, representantes de entidade médica defenderam que somente profissionais com especialização adequada possam realizar o procedimento

Baclofeno é eficaz para tratar alcoolismo, mostra estudo
A molécula, inicialmente prescrita na neurologia, mostrou eficácia no tratamento a longo prazo

Retrospectiva: Em poucos minutos, as imagens que marcaram 2012

BBC Brasil

Eleições para a Casa Branca, mudança de governantes na China e na Coreia do Norte, violência na Síria e ataque a um consulado americano na Líbia.

2012 foi um ano movimentado na política internacional. Também houve episódios de violência em uma escola e em um cinema nos Estados Unidos, e em uma cidade do interior da França.

Mas o ano será lembrado por outros momentos, como as Olimpíadas de Londres e o homem que saltou do espaço.

Confira algumas das principais imagens do ano neste vídeo de retrospectiva de 2012 da BBC Brasil.


Entre os votos de feliz 2013 e a realidade


Editorial
O Globo

Missão estratégica de Ano Novo para o governo deve ser uma autocrítica para entender por que não consegue levar o empresariado a investir

Em um balanço de fim de ano, o ministro da Secretaria Geral da presidência, Gilberto Carvalho, ponte entre o PT lulista e a presidente Dilma, confessou que o governo ficou “perplexo” com o baixo crescimento da economia em 2012. Na entrevista, concedida ao programa “É Notícia”, da Rede TV, Gilberto Carvalho disse, ainda, na tentativa de contrabalançar a frustração com o resultado ruim da política econômica no ano passado, que talvez a metodologia de cálculo do PIB seguida pelo IBGE não tenha captado todos os movimentos da produção. E que, por isso, o assunto estará em pauta no governo, para se saber se a anêmica evolução do país em 2012 foi mesmo “real”.

Duas impropriedades nas percepções ministeriais. Uma delas, a que, diante da febre alta, passa-se a culpar o termômetro, conhecido cacoete de governantes diante de más notícias. A suspeita sobre os métodos de aferição do “pibinho” calculado pelo IBGE, nascida no Ministério da Fazenda, pode até fazer sentido técnico — só saberemos disso nas revisões periódicas que o IBGE faz de seus indicadores —, mas causa temores de que se possa pensar em seguir o desastroso caminho argentino de intervir politicamente na aferição de índices. Numa visão otimista, estimulada pelo clima de Ano Novo, estamos a léguas de distância deste desastre — devido à sensatez do Planalto e ao merecido respeito técnico ao IBGE. Esperamos.

Outra impropriedade é a perplexidade revelada pelo ministro. Ora, ela não faz sentido, pois há meses analistas alertam que a política de incentivo ao consumo havia se esgotado. Os cortes de IPI para vários bens (veículos, linha branca) já tinham antecipado o consumo ao limite, e o endividamento das famílias atingira o teto. A hora era, portanto, mais do que nunca, de estímulo ao investimento. E continua a ser.

Não que o governo rejeite estimular os investimentos na ampliação da capacidade produtiva e numa depauperada infraestrutura. Ele dá sinais é de não saber como fazê-lo. O importante dever de casa do corte dos juros está feito ou quase. Mas não basta. Se bastasse, os Estados Unidos, há tempos com os juros básicos quase zero, já ostentariam grande vitalidade econômica.

Este ano, o governo precisa, mais uma vez, aprender fazendo. Projeta-se um crescimento de 3%, nada mal diante do cerca de 1% de 2012. Mas, até por efeito estatístico — a base de comparação é baixa —, não deve ser difícil chegar a este nível.

A questão é como elevar a poupança (19% do PIB) e, por tabela, a ínfima taxa de investimento (18,7%). O Planalto não tem despertado o “espírito animal”, termo de Keynes, do empresariado, para levá-lo a assumir riscos. Este aconselhável exercício oficial de autocrítica deveria passar, no mínimo, pelas ações estabanadas de intervenção em mercados e nos maus agouros que trazem o fato de, mesmo com um “pibinho”, a inflação se aproximar dos 6%, um ponto e meio acima do centro da meta. Esta mistura sempre foi indigesta.

País rico é assim mesmo


Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa

Assentada a poeira das festas de Natal e Ano Novo, não se dirá estarmos retomando hoje o ritmo da normalidade funcional. Pelo menos a sociedade das instituições formais mantém-se na inércia. A presidente da República permanece de férias, na Bahia, com o Congresso e o Judiciário em recesso. Ainda que Dilma Rousseff possa estar de volta a qualquer momento, deputados e senadores, bem como juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores, só em fevereiro. País rico é assim mesmo, já que a paralisia dos poderes da União e dos Estados contamina as estruturas civis.

A imprensa circula por obrigação, sem grandes notícias. Os advogados viajam ou ficam em casa, por falta de mecanismos para exercer suas funções. A indústria carece de diretores e de altos executivos, também contaminados pela ausência de energia nas estruturas oficiais. O comércio conta o lucro aumentado no período natalino, mas lamenta a falta de movimento em seus estabelecimentos. Os serviços seguem a corrente, com o trânsito até facilitado pela diáspora de veículos e as redes sociais limitadas a balanços redundantes e a votos de feliz Ano Novo.

O sol contribui para a lotação das praias e a classe média carrega suas baterias na areia ou à sombra, fora do litoral. As massas estão presentes na rotina do dia-a-dia, ainda que aproveitando a oportunidade para também relaxar. Com as escolas e universidades fechadas, alunos e professores entregam-se ao não fazer nada com empenho redobrado.

Não se trata apenas de duas semanas meio perdidas, nem da projeção de que o mês de janeiro seguirá no mesmo diapasão. Revela-se, mais uma vez, uma sociedade que, tendo reduzido ao mínimo seu potencial de ação, sofrerá por algum tempo os efeitos da inércia. Com boa parte esperando o Carnaval. Enfim, país rico é assim mesmo.

QUEM QUISER QUE ACREDITE
No último dia de 2012, José Sarney não perdeu a mania de moldar o futuro de acordo com suas conveniências do presente, esquecendo o passado sempre que necessário. Declarou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que os ex-presidentes da República, uma vez cumpridos seus mandatos, deveriam ser proibidos de candidatar-se a quaisquer outros cargos eletivos. Ficariam, no máximo, à disposição do país para missões extra-rotineiras, sempre que acionados. Claro que com o poder público garantindo-lhes condições para exercer a singular profissão de ex-presidentes, com pensão, escritório, viagens e segurança permanente.

Nos Estados Unidos é assim, mas no Brasil de José Sarney não foi. Por temer incerta perseguição do sucessor ou por incapacidade de permanecer ao sol e ao sereno, desde que deixou o poder vem se elegendo senador. Como ficou difícil no Maranhão, manobrou para tornar-se representante do Amapá, onde nunca havia estado e não está, exceção do mês anterior às campanhas eleitorais. Tivesse aplicado na prática sua atual teoria e o Senado não aproveitaria sua experiência por tantos anos, desde 1990.

O ex-presidente também se disse adversário das medidas provisórias, primeiro a utilizá-las a partir da Constituição de 1988: “Sem elas seria impossível governar, mas com elas a democracia jamais se aprofundará e as instituições jamais se consolidarão”. Foi graças à sua inflexibilidade que o parlamentarismo deixou de ser implantado pelos constituintes, mas agora atribui a maioria dos males nacionais ao presidencialismo do qual não abriu mão .

Por essas e outras vamos deixar na geladeira a decisão por ele anunciada, de não se candidatar outra vez em 2014. Quem quiser que acredite…

2013, o ano que já terminou


Guilherme Fiuza
Revista ÉPOCA

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma também

O ano de 2012 se encerrou de forma absolutamente normal no Congresso Nacional. Em sua última sessão, o Senado aprovou um trem da alegria para os Três Poderes, com a criação de milhares de cargos numa só canetada. É normal porque a caneta era de José Sarney, companheiro de Dilma Rousseff, uma aliança que, todos sabem, serve ao Brasil de todos – todos os que fizeram as amizades certas. Se você está fora dessa, terá de cumprir em 2013 o destino trágico dos reles mortais, esses infelizes que não têm uma Rosemary para chamar de sua – e que ainda fazem uma coisa primária que os companheiros revolucionários não precisam mais fazer: trabalhar.

Mas não se desespere. A vida dos excluídos (do banquete petista) tem lá suas compensações. É bem verdade que você nunca verá um filho seu ficar famoso da noite para o dia por ter arranjado uma boquinha na Anac ou no Senado. Nunca o convidarão, também, para uma reunião com José Dirceu para “reforçar o Marco Maia”.

Enfim, você não tem a menor importância na República do Oprimido, mas nem tudo são espinhos. Ninguém lhe pedirá para cantar “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” em desagravo ao filho do Brasil – o que já é um vidão.
Para consolar os excluídos, os que vivem miseravelmente sem acesso a uma única teta do Estado brasileiro, uma ponderação: o Brasil se tornou um país previsível, de rumo firme. Isso torna possível antecipar o que acontecerá em 2013. Isso jamais seria possível antes do Descobrimento (em 2003) – portanto, não reclame de barriga cheia.

Em março, Dilma Rousseff convocará a primeira cadeia nacional de rádio e TV da série 2013. Fará um pronunciamento à nação pelo Dia Internacional da Mulher. Falará com a voz embargada, sobre um fundo de violinos, e, se a iluminação do estúdio estiver correta, parecerá ter os olhos molhados. Encherá os brasileiros de orgulho por ser governados por uma “presidenta” – palavra que seus assessores saberão encaixar no discurso – e anunciará algum programa social novo, tipo Brasil Caridoso, Brasil Sem Tristeza ou Brasil Fofo. Apresentará uma estatística impressionante, encomendada ao Ipea e à FGV, mostrando que nos anos Fernando Henrique lugar de mulher era na cozinha.

Em 2013, o Brasil sofrerá novos apagões, provocados por raios neoliberais e elitistas. A tarifa populista de energia será implantada, ajudando a sucatear as empresas do setor, que por isso investirão menos ainda em manutenção – mas os blecautes não terão nada a ver com isso. O ministro Edison Lobão explicará que nosso sistema é um dos melhores do mundo e que essa mania de ter luz o tempo todo é coisa de burguesia consumista. Sarney ficará orgulhoso de seu afilhado – e pedirá a Roseana, com jeito, que deixe Lobão governar um pouquinho o Maranhão (“Filha, agora descansa e deixa seu colega brincar também.”).

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma também. Explica-se o paradoxo: a principal causa da subida dos preços será um novo aumento explosivo dos gastos públicos, incluindo a distribuição de mais dinheiro de graça para a população – através dos programas carinhosos, o Bolsa Tudo. É a “destruição invisível” da economia nacional, que em 2013 será caprichada, porque em 2014 tem eleição. Os simpatizantes do governo popular ficarão felizes com a farta distribuição de bolsas, cargos, convênios a granel para os ministérios parasitários, e Dilma marchará tranquila para a reeleição. Aécio Neves assistirá a tudo escondido nas Alterosas e rezando para que Eduardo Campos o ultrapasse na corrida para não chegar.

Joaquim Barbosa, o redentor, fará muitos comícios sociais na presidência do Supremo, deixando pela primeira vez os brasileiros na dúvida: talvez exista outro ser tão bonzinho quanto Lula da Silva. Barbosa evidentemente será mordido pela mosca azul, mas o eleitor acabará ficando mesmo com o pacote Lula/Dilma, para não arriscar a mesada (o mensalão popular).

Rosemary não entregará seu chefe. Terá um ano sofrido, sem passaporte diplomático, mas ficará firme. Afinal, Lula não sabia (dona Marisa muito menos), e o amor sempre vence.

Como se vê, 2013 já foi. Se quiser uma passagem direta para 2014, passe no caixa da revolução, que o pessoal da Rose na Anac arranja para você.