Comentando a Notícia
Vocês querem ver como o governo petista não tem prioridade nenhuma para a Educação no Brasil?
Além dos inúmeros artigos que podem ser acessados no arquivo do blog, a eles se junta a reportagem da Revista Veja desta semana, sobre o “método” que está sendo empregado na UnB - Universidade de Brasília, uma das mais tradicionais do país, e que se destacou nas décadas de 70 e 80 pela resistência ao regime militar.
Imaginava-se que a luta daqueles heróis pudesse frutificar em luta pelas liberdades, democracia, estado de direito, etc., estas coisas todas e valores que tornam um país mais justo, mais livre, mais civilizado. Parece que a lição do passado no passado ficou. Hoje, a UnB transformou-se num covil de esquerdistas estúpidos e vagabundos, a sonhar com o outro “mundo possível”, onde, e exemplos tanto do presente quanto do passado não faltam, estas conquistas e valores simplesmente não existem.
Deu um trabalho danado chegar ao texto da Veja, uma vez que a Editora Abril não disponibiliza a reportagem em seu site. Assim, primeiro escaneamos as páginas em arquivo fotográfico que, ampliado, nos permitiu copilar o texto. E por que todo este trabalho? Porque uma reportagem não pode ficar restrita a pequenos círculos, deva ser repercutida onde for possível, para que o país possa se conscientizar que esta turma não só não está para brincadeira como, e talvez o mais importante de tudo, o que está em jogo, em última análise, são exatamente aquelas conquistas todas duramente recuperados e que o regime militar nos negou gozá-las com plenitude.
Porque, no fundo, leitor e leitora, acredito que o Brasil, pela imensa maioria de seu povo, preza muito a liberdade que tem, a democracia, as liberdades e garantias que a Constituição de 1988 nos concede, não por serem favores do Estado, mas por serem direitos inalienáveis de qualquer cidadão. Mesmo que sob o véu da tirania, tais direitos são assegurados, muito embora nas ditaduras estes direitos sejam capados ou negados. Mas lá permanecem até o dia em que o povo oprimido resolva dar seu grito de liberdade e independência.
Já escrevi dois ou três artigos recentes em que chamava a atenção para um processo esquisito que vem ocorrendo no Brasil. Em nome de se acabar com um preconceito, adota-se outro em seu lugar que de sobrepeso recebe ainda uma carga de intolerância. Assim é o que se vê em relação as tais políticas raciais. Não se precisava criar e adotar nenhum estatuto específico, bastava que se cumprisse o que está previsto na Constituição e se punisse de acordo com o Código Penal. Mas se avançou ainda um pouco mais: criou-se um tal regime de cotas raciais que está tendo o dom que criar na sociedade um racialismo que não tínhamos. Do mesmo modo, e seguindo as mesmas orientações e roteiro, vemos que o grito dos gays tenta impor na marra uma patética intolerância e preconceito contra heterossexuais, como se estes é que fossem minoria na sociedade ou sua inclinação natural fosse uma doença grave que precisasse ser extirpada. Qual é?
Pois bem, o relato que segue, reflete não apenas o ambiente que está em voga na UnB, mas, de resto, ele se reproduz na grande maioria das universidades públicas de todo o país. Qual o significado disto tudo? Acreditem que aí nos deparamos com mais um daqueles capítulos grotescos e infelizes de um país em que as esquerdas insistem em fragmentar, muito embora sua bandeira professe um tal nacionalismo mambembe que serve apenas de pretexto para enganar a torcida. Neste caso, o que vemos e a intolerância motivada por conceitos ideológicos de cunho político. O que chega a ser, num ambiente acadêmico, onde deve vigorar o pleno debate de ideias, algo estúpido.
Já denunciei aqui várias vezes – e vou continuar a fazê-lo , não duvidem – que dentro do processo de conquista e manutenção do poder dos petistas, há uma estratégia de divisão da sociedade em pequenos guetos. Assim, eles já dividiram o país em brancos e negros, índios, homo e heterossexuais, norte e sul, pobres e ricos, “nós” e “eles” – o “nós” como sendo o PT no poder, e o “eles” a oposição -, e vão continuar invadindo o país fragmentando aquilo que antes era uma só nação em pequenos lotes províncias, sem limites geográficos, até não resta mais nação nenhuma.
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MADRAÇAL DO PLANALTO
Gustavo Ribeiro, Revista Veja
Um dos símbolos da democracia durante o regime militar, a Universidade de Brasília tornou-se um reduto de intolerância esquerdista.
A Universidade de Brasília teve seu campus invadido por forças de repressão, teve estudantes assassinados, professores perseguidos e funcionários demitidos por defender ideias contrárias às do poder dominantes. Isso ocorreu durante os períodos mais duros do regime militar. Naquele tempo, a comunidade da UnB sofria por exigir a volta da democracia ao Brasil. Pois não é que a democracia voltou ao Brasil, mas anda em falta justamente em um dos redutos onde mais se lutou por ela, a UnB? Professores, estudantes e funcionários da Universidade de Brasília tem sido alvo de perseguição da diretoria e de agressões pelo único crime de não pensarem de acordo com a ideologia dominante. A liberdade de expressão sempre foi um valor sagrado nas Universidades, mas na UnB ela foi revogada para quer em seu lugar se instalasse a atitude mais incompatível com o mundo acadêmico: a intolerância. VEJA foi ao campus da UnB apurar as denúncias de que um símbolo da luta democrática do Brasil está se transformando em um madraçal esquerdista em que a doutrinação substituiu as atividades acadêmicas essenciais. Os depoimentos colhidos pela reportagem da revista deixam pouca dúvida de que essa tragédia está em pleno curso. Acompanhem.
A procuradora de Justiça Roberta Kaufmann conta que viveu a maior humilhação de sua vida em um auditória da UnB, instituição em que concluiu seu mestrado. Convidada para participar de um debate sobre a doção de cotas raciais pelas universidades públicas, ela – que é contrária ao projeto – não conseguiu falar. Quando lhe foi dada a palavra, um grupo liderado por professores promoveu um alarido ensurdecedor. Ela foi chamada de racista, ouviu ofensas impublicáveis e só pode deixar a universidade horas depois, acuada, com medo de que algo pior acontecesse. Seu carro foi vandalizado. Nas portas, foi pichada a frase “Loira filha da p...”. Desde então, Roberta nunca mais voltou à UnB sem companhia. Não se trata de um caso isolado. “A UnB se tornou palco das piores cenas de intolerância. Não há espaço para o diálogo. Ou você compartilha do pensamento dominante ou será perseguido e humilhado” diz a procuradora.
Os professores entrevistados relatam que manifestações de intolerância como essas se intensificaram a partir de 2008, depois da eleição do reitor José Geraldo de Sousa Junior, um dos fundadores do PT no Distrito Federal. José Geraldo, cujo único mérito acadêmico evidente deriva de sua militância política, venceu o pleito ao cabo de uma manobra que deu aos votos dos alunos o mesmo peso dos votos do corpo docente e dos funcionários. Segundo a lei, os professores deveriam representar 70% do colégio eleitoral de uma universidade. “Nenhuma universidade de ponta tem esse tipo de sistema eleitoral. Uma instituição controlada por alunos gravita em torno dos pontos mais mesquinhos da pequena política”, diz o historiador Marco Antonio Villa. E existem exemplos dessa contaminação do cotidiano acadêmico pela pequena política. Dois adversários de José Geraldo na eleição para reitor, os professores Márcio Pimentel e Inês Pires de Almeida, foram alvo de retaliação por parte da nova administração, que teria começado logo depois da posse. O crime deles? Terem ousado concorrer ao cargo hoje ocupado pelo militante de mar e guerra, reitor da UnB.
Márcio Pimentel e a esposa, a também professora Concepta McManus, desconfiaram que o trabalho de pesquisa de ambos começou a sofrer boicote – mas tudo de uma maneira sempre muito sutil, indireta. Como nunca havia ocorrido antes, serviços básicos de laboratório, como a limpeza das instalações e a compra de material foram interrompidos. Sem explicação, a carga horária de aulas também foi ampliada de maneira claramente exagerada, para que não lhes sobrasse tempo para o trabalho de pesquisa. “Chegou um momento em que uma disciplina ministrada por um colega com metade das turmas que eu tinha foi passada a mim”, disse Concept McManus a um professor ouvido por VEJA. A perseguição forçou Pimentel a pedir transferência para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No documento de liberação do professor, José Geraldo lamentou protocolarmente que a UnB perdesse um docente da envergadura de Pimentel. “Puro deboche. A saída do Márcio era o sonho da reitoria”, afirma o professor de bioquímica Marcelo Hermes-Lima, que testemunhou a hostilidade oficial ao casal de professores. “A UnB é uma página virada. Não faz mais parte da minha vida”, limitou-se a dizer o geólogo Márcio Pimentel ao ser procurado por VEJA. Contra a professora Pires, a outra candidata derrotada, a retaliação foi mais explícita. Ela perdeu a chefia de um curso e sofreu uma devassa nos projetos de pesquisa que conduzia. “Os analista não requisitaram sequer uma prestação de contas. Foi uma ação com o claro objetivo de tisnar a imagem de uma professora que não pertence ao grupo dominante”.
O jurista Ibsen Noronha, ex-professor voluntário do departamento de direito e um dos maiores especialistas em história do direito brasileiro, deixou a UnB no fim do ano passado. Motivo: sua disciplina desapareceu do currículo. Para ele, no entanto, foi retaliação diante de sua posição extremamente crítica em relação ao polêmico regime de cotas, uma das bandeiras que tem a atual gestão da UnB seus maiores defensores. “É a primeira vez, em trinta anos, que a disciplina, um diferencial do currículo da universidade, não foi oferecida. Eu fui aluno da UnB e tive essa aula. A justificativa que a faculdade apresentou é risível: disseram que a matéria foi suprimida por ser optativa. Mas não me foi apresentada nenhuma outra opção no lugar dela.É lamentável testemunhar a transformação da universidade em um instrumento de domínio ideológico”, afirma Noronha, que se tornou, em fevereiro, o primeiro brasileiro a lecionar na respeitada Universidade de Coimbra, Portugal.
O embate é tal que mesmo críticas sem conotação ideológica ou política podem servir como estopim para retaliações. A professora Tânia Montoro, da Faculdade de Comunicação, conta que foi punida por ter criticado as extravagantes concessões que a atual diretoria faz aos alunos, como a permissão de festas nos prédios onde as aulas são ministradas – que transformaram salas em território livre para o consumo de drogas. No ano passado, a professora e duas de suas alunas foram escolhidas como palestrantes em um seminário realizado em Bogotá. A UnB autorizou o pagamento da viagem das alunas, mas não da professora. Depois de duas negativas, Tânia reclamou, mas seu pedido só foi deferido quando não havia mais tempo para o embarque. “Eu tenho uma história de trinta anos nesta universidade, e sou uma pesquisadora produtiva. Não merecia passar por essa vergonha, diz a professora.
Mesmo em cursos considerados como técnicos, como o de arquitetura, a política tem predominado. O urbanista Frederico Flósculo, há dezenove anos professor da UnB, acusa a atual diretoria de persegui-lo e agir para que seus projetos de pesquisa sejam sistematicamente rejeitados. Diz Flósculo: “Eu fui opositor ferrenho da gestão passada. Quando José Geraldo assumiu, levou para a reitoria a sua corriola. Nos últimos anos, meus projetos de pesquisa têm sido sistematicamente rejeitados. O propósito da universidade deveria ser a busca da excelência. Isso foi substituído pela partidarização do ensino”. O decano da Faculdade de Direito, Ronaldo Poletti, resume o problema: “A universidade foi tomada por um patrulhamento ideológico tácito, orquestrado para funcionar sem ser notado. Quem pensa diferente é relegado ao limbo. Em trinta anos de cátedra, nunca vi a universidade de sua proposta original – a produção livre do conhecimento”. O reitor da UnB nada vê de extraordinário. “Ninguém tem espaço sem esforço. É preciso analisar se não são os professores que, por falta de competência, perderam visibilidade. A Universidade de Brasília nunca foi tão aberta”, afirma José Geraldo.
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, são evidentes os sinais de que algo está deteriorando o ambiente acadêmico do que foi uma das mais respeitadas instituições de ensino do país. Resume Magnoli: “Um campus, por definição, deve ser uma praça de debates onde a diversidade de ideia é o maior valor. É preocupante quando uma universidade adota uma posição ideológica. A UnB vive o processo típico de uma instituição que se tornou um aparelho em prol de uma causa”.
FRASES:
"O propósito de uma universidade deveria ser a excelência. Na UnB, isso foi substituído pela partidarização do ensino”, Frederico Flósculo, Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
“ A UnB se tornou palco das piores cenas de intolerância. Não espaço para o diálogo. Ou você partilha do pensamento dominante, ou será perseguido.” Roberta Kaufmann, procuradora, mestra em direito pela UnB.
“A universidade foi tomado por um patrulhamento ideológico tácito, orquestrado para funcionar sem ser notado. Quem pensa diferente é relegado ao limbo.” Ronaldo Poletti, professor de Direito.
“A UnB deixou de ser uma instituição acadêmica para se tornar um instrumento de domínio ideológico.” Ibsen Noronha, ex-professor voluntário da Faculdade de Direito.
“A UnB vive um processo típico de uma instituição que se tornou um aparelho em prol de uma causa.” Demétrio Magnoli, sociólogo.
“Ninguém tem espaço sem esforço. É preciso analisar se não são os professores que, por uma questão de competência, perderam visibilidade.” José Geraldo Sousa Junior, reitor da Universidade de Brasília.