terça-feira, julho 05, 2011

Os menores abandonados do Brasil

Adelson Elias Vasconcellos

Falei aqui na última edição, a partir de reportagem da IstoÉ, sobre o aumento constante que vem ocorrendo desde o governo Lula, de menores que cada vez mais assumem a condição de chefes de família, ao se tornarem os únicos provedores financeiros de seus lares. Afirmei naquele artigo que, dado as inúmeras bolsas que são oferecidas aos menores de 16 anos, e levando-se em conta que 50% deles estão fora do ensino médio e outro tanto , e aí a idade limite vai até 24 anos, estão desempregados, algo de errado está ocorrendo com os programas que atingem esta faixa de idade, em razão de que os resultados que o país vem obtido tem sido contrários a que os ditos programas se propõem alcançar.

Agora, excelente reportagem produzida pelo Portal G1, nos informa que o número de menores que são internados por motivo de crime tem crescido. E a informação é oficial. Vejam o quadro:



Está lá: de um total de 4.245 internações em 1996, este número saltou para 17.703 em 2010, ou seja, um aumento de mais de 400% no período. E uma observação: os números são fornecidos pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Segundo o juiz Renato Ferreira Gonçalves, integrante do programa “Justiça Jovem” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o envolvimento com o tráfico é hoje o principal fator que leva menores a serem apreendidos pela polícia. Se não for por envolvimento com o tráfico, os crimes relacionados, como furtos, roubos, ou latrocínios por causa da droga tem sido os principais moltivos para as internações.

Ora, se os programas direcionados aos jovens fossem corretos, é evidente que este número de internações tenderia a se estabilizar e até mesmo reduzir-se. Tal crescimento, portanto, é preocupante principalmente se levarmos em conta a estabilização da população jovem do país. Se não há mercado de trabalho para receber estes jovens e se os mesmos estão fora das salas de aula, em alguma coisa eles serão aproveitados. E o tráfico está aí para isso mesmo.

Além disto, como a necessidade acaba impondo para um grande número a necessidade de sustentarem a si e seus irmãos menores, o leque de oportunidades acaba se restringindo e oferecendo pouquíssimas alternativas.

Claro que tivesse o país um sistema de ensino de qualidade, onde estes jovens pudessem dedicar-se a atividades como música, artes em geral ou esportes, já seria um bom caminho para um melhor futuro, além do próprio ensino que, por si mesmo, já estaria de bom tamanho se, ao invés do Estado torrar bilhões em inutilidades e ostentação, os aplicasse com melhor cuidado e eficiência num sistema de ensino integral.

De alguma forma, nossos governantes precisam dedicar maior atenção para o problema. Serão estes que, adultos, guiarão e governarão o país dentro de alguns anos, e não podem, portanto, ser esquecidos e nada ser acrescentado à sua formação a não ser a porta colorida do crime.

Mas me preocupa, sobremodo, quais valores queremos que estes jovens cultivem e carreguem vida afora. Olhando-se para o Brasil destes dias, fica difícil imaginar que estejamos fazendo a coisa certa, quando estamos substituindo preconceitos com outros preconceitos, quando alimentamos debates em que valores da civilização cristã ocidental são deixados de lado, esquecendo os “modernosos” que foram justamente estes valores que tiraram o ser humano das trevas, da barbárie e do atraso. É na raiz desta intolerância presente seja na intelectualidade, política, imprensa e até no mundo acadêmico que reside o sentimento de vazio que entorpece nossas atitudes e nos induz a andar sem rumo e sem prumo. Porque, senhores, nem sempre tornar o mundo moderno e melhor significa destruir valores e não colocar nada em seu lugar. Sem a motivação de que ele, jovem, pode se tornar num indivíduo melhor, vivendo num mundo mais justo e mais humano, numa sociedade com menos hipocrisia e licenciosidade, ele não sentirá impelido ao esforço de que necessita para progredir-se em si mesmo.

Enquanto nosso sistema de ensino, e isto vale para todos os níveis em que se realiza, adotara como estratégia que é preciso ideologizar a transmissão de conhecimentos e destruir a base de valores em que se assenta nossa civilização, infelizmente, as estatísticas do crime tendem aumentar, porque pior do que a miséria econômico-financeira, o que realmente nos destrói como indivíduos é a miséria moral que, infelizmente, no nosso país, está esparramada em toda a parte. Quando uma respeitável instituição de ensino como já foi um dia a UnB, (vejam reportagem) é invadida pelas drogas e por uma ideologia partidária estúpida, com a conivência criminosa de sua reitoria, e sabendo-se que a vida pública tornou-se sinônimo de política do crime organizado, onde tudo é permitido, com as escolas entupidas do ranço vigarista de livros que deseducam, fica difícil convencer quem quer seja que, mais tarde, tudo será diferente. Não há idealismo juvenil que resista à miséria moral da realidade.

Portanto, não é apenas a Universidade de Brasília que se tornou um antro de fundamentalistas do comunismo retrógrado, todos devidamente idiotizados a perfeição. De forma geral, esta “política” está sendo implementada, a partir do senhor Fernando Haddad, em todo o sistema de ensino brasileiro. E os números não desfazem o resultado deste desastre: maior número de internações motivadas pelo crime, 50% de evasão escolar no ensino médio e outros 50% de jovens em busca de emprego, e o país ocupando a rabeira dentre as nações em termos de qualidade de ensino, conforme os exames do PISA vem atestando.

Assim, e antes que no futuro se chame nossa atual safra de jovens de “geração perdida,” ainda é tempo de se evitar esta chaga aconteça.