Adelson Elias Vasconcellos
Nos textos anteriores, do jornal Brasil 247, vemos que o governo decidiu cortar “despesas”. Assim, ele criou uma lei, sob as bênçãos de um congresso pau-mandado, servil e genuflexo aos caprichos de um Executivo sem rumo, que terá o dom de soltar nas ruas cerca de 20% da atual população carcerária do país. A economia, se é que a iluminada ideia representa alguma economia para o país, é para reduzir-se o custo de se manter encarcerado um criminoso, segundo alega o próprio governo, é de R$ 1.800,00, enquanto as tais tornozeleiras penduram uma despesa de R$ 700,00.
Vamos ver direito este papo furado: primeiro, quem levantou o custo por preso? O Ministério da Justiça? O Ministério da Fazenda? Sei não, considerando as precárias, indignas e desumanas condições em que os presos são atirados em celas, fica difícil se imaginar se o custo indicado é real ou não, ou apenas mais um daqueles preços superfaturados que o Poder Público adora pagar.
A pergunta que me faço é se a “economia” apregoada pelo governo, compensa no aumento da insegurança da sociedade? Será que “poupar” R$ 1.100,00 combina no aumento da criminalidade? E a sociedade que, é afinal de contas, quem banca a despesa, concordará que o governo reduza este gasto e solte nas ruas mais de 80 mil criminosos? Se a sociedade pudesse hoje, em nome de conseguir maior segurança, acaso ela não poderia até autorizar um gasto maior do que os R$ 1.800,00 que o governo alega gastar?
Veja que todas estas questões nada tem a ver com a ordem legal ou jurídica. São reflexões de um cidadão que não consegue perceber na tal economia nenhuma vantagem em favor da sociedade, E mais: no domingo, quando tratei deste assunto, deixei aberta outra questão: com a economia que o governo conseguirá, ele nos dará descontos na hora de pagarmos impostos e taxas?
Se é para economizar, por que se reduz nos serviços que o Estado tem por obrigação nos prestar, e não na própria estrutura do Executivo e Legislativo, entupidos de gente sem nenhuma utilidade? Por que não se economiza reduzindo-se os salários e privilégios dos políticos tupiniquins? Santo Deus, já não basta o estado falimentar da saúde, a precariedade da infraestrutura, agora querem aumentar o clima de insegurança que já é alto, para economizarem R$ 1.100,00? Será que neste governo, ou mais especificamente, não havia ninguém de bom senso no Ministério da Justiça capaz de perceber o absurdo desta lei?
Quanto ao fato de se alegar que se tratam de crimes menores é de uma estupidez sem conta. Outra alegação, os presos que aguardam julgamento é que seriam libertados. Pois bem, uma vez soltos, caso sejam condenados, quanto custará aos cofres sua recaptura? E durante este tempo, que segurança terá a sociedade de que este batalhão de 80 mil não voltará a reincidir no crime?
Na verdade, como o país não tem, a rigor, nenhuma política de segurança, e o sistema prisional está simplesmente abandonado, fica-se criando “saídas” para um problema que é do Estado se ocupar, e que ele, simplesmente, quer se desobrigar.
E então para quê Estado? Para que governo? Para que leis? Para que Ministério da Justiça? Se é para liberar geral, então que fechem o boteco e cada um por si, sai mais barato e diminui o número de vigaristas que nos assaltam sob a pecha de “impostos”...
Infelizmente, para o governo, é mais importante a economia de alguns trocados – logo ele, que desperdiça bilhões em inutilidades – do que a segurança da sociedade.