
COMENTANDO A NOTICIA apresentará a seguir dois textos que entendemos oportuna não apenas sua leitura, como também a reflexão sobre o que ambos tentam repassar. O recente índice de crescimento do 2° trimestre de 2006 em pífios 0,5% dizem, acendeu uma luz vermelha para o governo federal. Mesmo de Lula insista, mentirosamente, em afirmar que o Brasil nunca viveu em sua história momento como este com tantos fatores positivos em sua economia, o crescimento ridículo coloca a questão obrigatória do porquê não crescemos, o que precisamos fazer para permitir este crescimentoque poderíamos produzir e no mesmo patamar dos demais países emergentes.
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Bem dizer-se que Lula é um mentiroso crônico já tornou-se lugar comum para designar um homem despreparado e desqualificado para dirigir um país com as dificuldades e contrastes como o Brasil. O difícil é saber quando o presidente fala a verdade. Mistificação é sua característica mais destacada, e dada sua ignorância e da qual se gaba a todo instante, não é difícil perceber-se que Lula fala de uma coisa que não entende e mais, tenta justificar o injustificável.
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O Brasil iniciou uma intensa e bem orquestrada plataforma de reformas a partir de Fernando Henrique, ainda como Ministro de Relações Exteriores do governo Itamar Franco. Ali, foi convidado a ser Ministro da Fazenda, e procurou cercar-se com que havia de melhor em pensamento econômico. E pode-se ter, pela primeira vez na nossa história, um projeto de governo e que se seguiu com extrema eficiência já com FHC como presidente e ao longo de dois mandatos sucessivos. Houve uma continuidade e o resultado foi a modernização do estado brasileiro, criando as bases necessárias para garantir estabilidade econômica, e decorrente dela, garantir crescimento sustentado e em níveis compatíveis com o restante do mundo.
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Pois bem, não se contava, e isto não foi culpa de FHC e sua equipe, com cinco crises internacionais de liquidez, o que nos prejudicou muito e nos fez andar bem menos do que se havia planejado. Mas, o que ninguém pode contestar, é o fato do Brasil ter redesenhado um estado moderno e mais eficiente, claro que distante do que seria o ideal. Só que o ideal não será possível se outras reformas e ações governamentais não forem executadas com urgência. À diferença de Lula, Fernando Henrique não vendeu seu trabalho politicamente. Fez o que era necessário fazer, assumindo sua obrigação porque candidatou-se ao cargo, portanto aceitava os encargos do exercício da presidência.
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Uma das primeiras providências foram as privatizações. Dizem que ele entregou o estado brasileiro. Mentira. O governo brasileiro ser dono de hotel se justificou em que lugar do mundo ? Na China, em Cuba, na antiga URSS ? E mais: o governo tem que cumprir outro papel, o de ser indutor das atividades privadas, proporcionando segurança ao capital para tornar-se produtivo, gerando emprego, renda, riquezas e bem estar social. Não se justifica o estado abrigar empresas em sua grossa maioria onerosas, deficitárias porque mal geridas, e que serviram durante décadas para abrigar apadrinhados ao dispendioso custo econômico e com perda de eficiência. Acusa-se FHC de dilapidar o patrimônio do país. Mentira de novo. Empresa não é patrimônio da nação, é patrimônio da iniciativa privada empresarial. O que muitos não queriam era perder a mamata ou a possibilidade de a ela se agarrar para sugarem o máximo que pudessem, com o mínimo de esforço possível, e sem nada devolver à nação. E mais: a oposição, na época o PT e seus militantes, venderam o quanto puderam a mentira escabrosa de que as privatizações foram fraudulentas. Quando provaram isto ? E se fraudes houvessem, e não se está afirmando que num ou noutro caso não pudessem ter ocorrido, mas onde isto ficou contestado e restou provado, na massa encefálica dos utópicos ? Ora se até hoje não se produziu um só relatório apontando algum crime lesa pátria, dolo ou favorecimento ilícito fruto do processo, somos levados a crer, que estamos diante do discurso mentiroso e falacioso. E mesmo depois de tantos anos, sem que ninguém tenha encontrado coisa alguma, porque se tivessem encontrado não se furtariam a grande chance da denúncia, o melhor é que os profetas apocalípticos da desgraça calem a boca e parem de enganar e ludibriar a opinião pública.
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O governo cometeu um erro estratégico que foi não ter cuidado do perigo iminente do apagão. E aí pagou um preço político horroroso. Mas nem por isso, aqueles 10 anos devem ser desprezados, até pelo contrário. É graças a eles que vivemos sem o dragão inflacionário chegando a atingir os incríveis 2.500% num ano, com estabilidade monetária, com melhoria nos índices de melhor distribuição de renda e de minoramento dos índices de pobreza e miséria, além de melhorado e aumentado a eficiência do estado e permitido receber maciços investimentos produtivos, e que hoje Lula sequer menciona em seu discurso: o seu tão propalado espetáculo do crescimento além de ridículo, conseguiu a proesa de reduzir em 50% o total em investimentos em atividades econômicas sob seu governo imbecil . Além disso, FHC deixou prontinho e em andamento pleno uma rede de programas de benefícios sociais sobre os quais Lula gaba-se agora como se ele tivesse sido o descobridor da pólvora. E mais: engana-se quem acredita na balela de que Lula recebeu uma herança maldita, porque os sustos que o segundo semestre de 2002 ocorreram na economia brasileira, foram fruto da possibilidade de Lula eleger-se e em decorrência ao discurso "revolucionário" do então candidato ao longo de 25 anos. E tanto não era herança maldita que o anta manteve e aprofundou a política de FHC. Lula, em tudo, é um mero continuador de FHC. Só que uma cópia borrada e porca porque incendiou o governo com uma corrupção e promiscuidade inéditos na nossa história, além de estar contribuindo para a depreciação acelerada do equilíbrio fiscal, fechamento de empresas, aumento do desemprego (FHC ao deixar o governo este nível estava em 9,4%) para 10,7%. Claro que isto é escamoteado de modo muito bem engendrado pela máquina petista, mas já começam todas as verdades a aparecer e demonstrar o quanto Lula retardou o processo de crescimento país. E a que custo !!!! E cá entre nós, herança maldita é a que ele herdará de si mesmo caso seja reeleito. Vamos ver que desculpas fajutas ele conseguirá arranjar.
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Não ficasse o tempo todo tentando desfazer do governo que recebera, e imputando-lhe culpas que nunca teve, e Lula poderia ter feito seu dever de casa que seria aprofundar as reformas de que precisávamos. Abaixo inserimos um link para que o leitor possa recordar as promessas e o comprometimento de Lula em seu discurso de posse do qual destacamos, no plano das reformas, um pacto social para implementar as reformas da previdência, tributária, política e da reforma agrária, além de ter prometido agir com energia extraordinária para implementar a ética na política, mostrando um novo estilo de governar com total transparência, combatendo a cultura da impunidade e da corrupção, concluindo que ser honesto é mais do que não roubar e deixar roubar, é combater o desperdício. Como se vê, Lula agiu ao longo de 45 meses de governo na justa contramão de seu próprio discurso de posse. Que credibilidade tem agora para pedir mais quatro anos ? Provavelmente, por entender que ainda terá no estoque muito mais incompetência para nos "proporcionar" e por ser partidário do miséria pouca é bobagem !
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Das leituras a seguir será fácil compreender porque andamos para trás. Primeiro a constatação inequívoca de que estamos estagnados economicamente, e com muitas atividades em alta velocidade de desacelaração. E a segunda, em artigo produzido pela revista Exame, o enfoque principal do que se precisa com urgência empreender em nivel federal para sairmos da pasmaceira lulista, que precisa rapidamente descer do palanque e governar o Brasil. Chega de discurso, de salto alto, de arrogância e de engodos. Já desperdiçou tres anos e meio, e em meio a bonança da economia mundial que viveu seu melhor momento nos últimos 30 anos. Tivesse Lula senso de realidade e responsabilidade como o executivo maior da entidade chamada Brasil, e ao invés de perder tempo com populismos anacrônicos e ultrapassados, carregando nas bagagens do aerolula e nos palanques que permanentemente se sustenta, ranço, prepotância, mentiras, mistificação, falsidade, hipocresia e conversa fiada, quem sabe fosse mais produtivo e justificasse o voto recebido. Pode reeeleger-se mas nunca será pelo péssimo conjunto da obra, mas sim como produto de marketing eleitoreiro num total e criminososo desperdício de dinheiro jogado no lixo da publicidade oficialesca, porque não reverte em benefício para o país. A não ser é claro para seu próprio deleite, sustentando um bando de energúmenos com acentos em 40,0 mil cargos de confiança, sugando a energia da nação sem nada devolver-lhe em troca, a não ser corrupção, desvio de dinheiro público e desperdício . Mas para os que ainda sonham com a mamata não se assustem: para 2007 ele prevê contratar mais 46,0 funcionários, além dos 28,0 mil que serão contratados até o final de 2006 como terceirizados. Já que estrangulou a economia, tenta agorra ver cumprida a meta dos 10,0 milhões de empregos prometidos em campanha, inflando irresponsavelmente a máquina. pública. Em seu projeto, não se prevê redução de gastos correntes, o que representa dizer que continuaremos gastando muito e mal, praticando o fisiologismo chupa-cabras da riqueza produtiva do país, praticando a mais elevada carga tributária dentre os países emergentes, e sem que a sociedade nada receba em troca, uma vez que os serviços que são obrigações do estado, são verdadeiras catervas, indignos e que deprimem qualquer cidadão que deles necessitar. Até ontem, tanto Lula quanto sua equipe econômica insistiam na balela de que o país crescerá até o final de 2006 pelo menos 4,0%, apesar de que no discurso no início do ano, Lula apregoava 5,0%. Pois bem, o IPEA-Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas já reduzia a mentira delirante para 3,2, se não ocorrem acidentes de percurso. A Lula o recado que se deve dar é o de parar de mentir e trabalhar. Pelo menos foi para isso que foi eleito.
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Mas recomendamos a atenta leitura dos textos a seguir para que o leitor fique a par daquilo que realmente interessa e possa cobrar de nossos governantes menos discursos e mais trabalho competente e responsável que realmente beneficie a todos, que é de permitir que resolvamos nossos problemas maiores e impeditivos de crescermos dentro das nossas necessidades e potencialidades.
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A seguir, a matéria a matéria da Revista Exame e abaixo o link do discurso de posse para que você, leitor e eleitor, possa julgar por si próprio, o quanto o Governo Lula no discurso é totalmente diverso do Brasil Real. Anote quantas reformas foram prometidas e quais realmente foram realizadas, e hilário, após tantos escândalos, observem como se prometeu combater a corrupção e tornar a ética uma filosofia governamental, sendo que agora a filosofia que vigora na esfera federal é a de que não se governa sem sujar as mãos. Triste ironia. Total inversão de valores: combate-se a ética e a filosofia corrente é a da corrupção. Justamente o contrário do que se prometeu e que conduziu Lula ao poder, e que agora é a sua marca mais retumbante, ou seja, dane-se a ética.
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Agora falta o estado Emagrecer
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Por Roberta Paduan
Publicado na Revista Exame em 01.09.2006
Publicado na Revista Exame em 01.09.2006
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O paquiderme estatal é um dos maiores obstáculos ao crescimento do país
O paquiderme estatal é um dos maiores obstáculos ao crescimento do país
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Na última década, o Brasil deixou para trás o caos macroeconômico e hoje começa a colher bons frutos: a inflação está controlada, as exportações batem sucessivos recordes e o risco-país segue em queda. Esse ambiente de relativa tranqüilidade pode levar à conclusão de que a tarefa de recolocar a economia nos trilhos já está finalizada -- agora bastaria relaxar e aproveitar. Engano. Apesar de todos os avanços registrados, o sistema econômico brasileiro ainda representa uma importante barreira ao crescimento do país. Essa barreira manifesta-se principalmente pelo patamar atual dos juros, ainda os mais estratosféricos do planeta, e pela estarrecedora carga de impostos. São essas algumas das principais conclusões de um extenso estudo realizado pela McKinsey, uma das mais importantes consultorias do mundo, sobre os obstáculos ao desenvolvimento do Brasil. No estudo, que EXAME publica com exclusividade, os técnicos da McKinsey compararam as economias de Estados Unidos e Brasil e identificaram os fatores que explicam a fantástica distância entre elas. As deficiências macroeconômicas do Brasil surgem como um dos elementos principais nessa explicação (outras duas barreiras ao crescimento brasileiro, insegurança jurídica e infra-estrutura precária, serão objeto de reportagens nas duas próximas edições de EXAME). "O brasileiro acrescentaria 4 000 dólares à sua renda média anual se colocasse a economia em ordem", diz Heinz-Peter Elstrodt, sócio-diretor da McKinsey no Brasil. "Isso equivaleria a somar 230 bilhões de dólares ao PIB nacional." É como se o Brasil jogasse fora a cada ano um PIB da Suíça por sua incapacidade de concluir a arrumação no sistema econômico.
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O que significa terminar esse ajuste? O principal passo consiste em atacar, afinal, a doença crônica que acometeu o Estado brasileiro -- a obesidade mórbida. A cada ano, o paquiderme estatal engorda um pouco mais. Os gastos do governo quase dobraram desde 1991 -- e nada indica que tenham parado de crescer. Tanta gastança obriga o governo a aumentar constantemente o aperto tributário. A carga de impostos, de 28% do PIB em 1995, já beira a faixa de 40%. Apesar de a arrecadação bater recordes seguidos, a dívida líquida do setor público subiu de 30% para quase 50% do PIB de 1995 para cá. Fecha-se, assim, o círculo que aprisiona o país: para saldar suas dívidas, o governo investe menos e aumenta impostos, o que drena a capacidade de investimento da iniciativa privada. "É por isso que o Brasil está se convertendo num exemplo mundial de crescimento medíocre", afirma o economista Fabio Giambiagi, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O que significa terminar esse ajuste? O principal passo consiste em atacar, afinal, a doença crônica que acometeu o Estado brasileiro -- a obesidade mórbida. A cada ano, o paquiderme estatal engorda um pouco mais. Os gastos do governo quase dobraram desde 1991 -- e nada indica que tenham parado de crescer. Tanta gastança obriga o governo a aumentar constantemente o aperto tributário. A carga de impostos, de 28% do PIB em 1995, já beira a faixa de 40%. Apesar de a arrecadação bater recordes seguidos, a dívida líquida do setor público subiu de 30% para quase 50% do PIB de 1995 para cá. Fecha-se, assim, o círculo que aprisiona o país: para saldar suas dívidas, o governo investe menos e aumenta impostos, o que drena a capacidade de investimento da iniciativa privada. "É por isso que o Brasil está se convertendo num exemplo mundial de crescimento medíocre", afirma o economista Fabio Giambiagi, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
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Qualquer programa sério de controle de gastos tem necessariamente de atacar o problema da Previdência Social, uma conta cujo rombo cada dia assusta mais. Os benefícios pagos pelo INSS são, de longe, a maior despesa do governo -- representam 41% dos gastos da União. O INSS deve fechar o ano com déficit de 43 bilhões de reais, que será o 11o rombo consecutivo. Algumas alternativas deveriam estar sendo formuladas pelas equipes econômicas dos candidatos à Presidência. Uma saída relativamente simples -- embora custosa em termos políticos -- é quebrar a vinculação existente hoje entre os benefícios pagos pelo INSS e o valor do salário mínimo. Nos 12 últimos anos, o mínimo subiu mais de 90% em termos reais. Como duas em cada três pensões são atreladas ao salário mínimo, o resultado foi um aumento brutal de gastos com aposentadorias. A desvinculação faria com que futuros aumentos do mínimo deixassem de pesar nos cofres da Previdência. "Uma coisa é proteger nossos pais e avós do efeito corrosivo da inflação. Outra é dar aumentos acima da inflação, que acabam comprometendo a saúde do próprio sistema de previdência", diz Giambiagi.
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Também é unânime entre os especialistas a necessidade de definir uma idade mínima para a aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada. Atualmente, um quarto dos gastos do governo com aposentadorias vai para o pagamento de pessoas com menos de 55 anos, as aposentadorias precoces. Como a população brasileira está envelhecendo rapidamente, os pensionistas recebem benefícios por décadas. A recomendação de um estudo recente do Ipea é que o Brasil implante com urgência um limite mínimo de aposentadoria de 60 anos para os homens e de 55 para as mulheres. Num segundo passo, essas idades mudariam progressivamente até 65 anos para homens e 63 para mulheres. Para Hélio Zylberstajn, especialista em previdência, além dessas medidas, é preciso buscar outras formas de financiamento da seguridade social. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderia ser essa fonte. Ele só deveria ser sacado em caso de desemprego. O restante deveria ser destinado ao fundo de aposentadoria. "Hoje, em vez de cobrir os benefícios previdenciários, que formam um problema estrutural do país, o FGTS serve para financiar a casa própria da classe média", diz Zylberstajn.
Também é unânime entre os especialistas a necessidade de definir uma idade mínima para a aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada. Atualmente, um quarto dos gastos do governo com aposentadorias vai para o pagamento de pessoas com menos de 55 anos, as aposentadorias precoces. Como a população brasileira está envelhecendo rapidamente, os pensionistas recebem benefícios por décadas. A recomendação de um estudo recente do Ipea é que o Brasil implante com urgência um limite mínimo de aposentadoria de 60 anos para os homens e de 55 para as mulheres. Num segundo passo, essas idades mudariam progressivamente até 65 anos para homens e 63 para mulheres. Para Hélio Zylberstajn, especialista em previdência, além dessas medidas, é preciso buscar outras formas de financiamento da seguridade social. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderia ser essa fonte. Ele só deveria ser sacado em caso de desemprego. O restante deveria ser destinado ao fundo de aposentadoria. "Hoje, em vez de cobrir os benefícios previdenciários, que formam um problema estrutural do país, o FGTS serve para financiar a casa própria da classe média", diz Zylberstajn.
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A questão previdenciária não é um obstáculo exclusivo do Brasil. Atualmente, muitos países estão aumentando a idade mínima de aposentadoria. Na Espanha, quem se aposenta antes dos 65 anos vê sua pensão sofrer descontos pesados. Já a Suécia preferiu mudar a fórmula de cálculo da aposentadoria -- em vez de pagar uma média sobre os salários dos últimos anos de contribuição, geralmente os mais altos da carreira, como acontece no Brasil, os benefícios são estabelecidos por uma média de todo o tempo de contribuição. Mas foi o vizinho Chile que adotou a reforma mais radical. O então presidente, general Augusto Pinochet, privatizou todo o sistema em 1981. Os trabalhadores passaram a depositar 10% do salário bruto em fundos de pensão privados. As empresas deixaram de arcar com a parte que lhes cabia na contribuição em troca de um aumento salarial negociado na época. Como resultado da mudança, os gastos públicos declinaram de 34% do PIB, em 1984, para 22% em 1990. A medida tentava contornar o período sombrio de hiperinflação e desemprego, que chegou à casa dos 30% durante os anos 80. O ajuste ajudou mais que dobrar o crescimento anual da renda per capita chilena e fazer do país uma ilha de prosperidade na América Latina. No ano passado, o Chile fechou suas contas com superávit nominal de 5% do PIB (no Brasil, houve déficit de 2,5%). "A reforma previdenciária foi fundamental para a virada da economia chilena", afirma Oscar Landerretche, professor da Universidade do Chile.
A questão previdenciária não é um obstáculo exclusivo do Brasil. Atualmente, muitos países estão aumentando a idade mínima de aposentadoria. Na Espanha, quem se aposenta antes dos 65 anos vê sua pensão sofrer descontos pesados. Já a Suécia preferiu mudar a fórmula de cálculo da aposentadoria -- em vez de pagar uma média sobre os salários dos últimos anos de contribuição, geralmente os mais altos da carreira, como acontece no Brasil, os benefícios são estabelecidos por uma média de todo o tempo de contribuição. Mas foi o vizinho Chile que adotou a reforma mais radical. O então presidente, general Augusto Pinochet, privatizou todo o sistema em 1981. Os trabalhadores passaram a depositar 10% do salário bruto em fundos de pensão privados. As empresas deixaram de arcar com a parte que lhes cabia na contribuição em troca de um aumento salarial negociado na época. Como resultado da mudança, os gastos públicos declinaram de 34% do PIB, em 1984, para 22% em 1990. A medida tentava contornar o período sombrio de hiperinflação e desemprego, que chegou à casa dos 30% durante os anos 80. O ajuste ajudou mais que dobrar o crescimento anual da renda per capita chilena e fazer do país uma ilha de prosperidade na América Latina. No ano passado, o Chile fechou suas contas com superávit nominal de 5% do PIB (no Brasil, houve déficit de 2,5%). "A reforma previdenciária foi fundamental para a virada da economia chilena", afirma Oscar Landerretche, professor da Universidade do Chile.
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Reformar a Previdência é um passo fundamental para melhorar o ambiente econômico do país. Deveria estar na agenda de prioridades de qualquer governante com o mínimo de visão de longo prazo. Outra medida defendida no estudo da McKinsey é a adoção de um choque de gestão no setor público. Não faltam exemplos de países que transformaram setores públicos paquidérmicos e perdulários em Estados sadios. A Nova Zelândia é um dos casos mais revolucionários desse tipo de transformação. O país conseguiu superar um cenário de enormes dificuldades após implementar reforma norteada pelo rígido controle dos gastos públicos e da gestão estatal. Sua economia passou a patinar nos anos 80, após perder espaço comercial em seu mercado mais importante, a Inglaterra, que reduziu as importações da ex-colônia ao ingressar na Comunidade Européia. Sufocado por gastos públicos equivalentes a 54% do PIB, o país entrou em recessão. A reação começou em meados dos anos 80, quando foi implantado um rigoroso plano de redução gradual do tamanho do Estado. Em 2002, os gastos públicos já tinham caído a 37% do PIB, patamar ainda alto, mas 17 pontos percentuais abaixo do pico. Como resultado, o país voltou a crescer -- a taxa média de expansão passou de 1,5% entre 1984 e 1994 para 3,4% de 1994 a 2004. "O mais surpreendente é constatar que um Estado pode realmente trabalhar com critérios de gestão próximos aos do setor privado", afirma André Rebelo, gerente de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que participou de uma missão à Nova Zelândia para estudar o ajuste realizado no país.
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Uma das principais lições do exemplo neozelandês é o chamado sistema de "administração por resultados". Lá, as verbas só são liberadas para qualquer órgão público se o gasto for parte de um projeto com metas preestabelecidas. De nada vale o Ministério da Saúde requerer recursos para contratar enfermeiros sem ter uma meta específica -- ela pode ser, por exemplo, diminuir 10% a mortalidade infantil. Caso o projeto seja aprovado, o ciclo só se fecha quando entra em cena o Audit Office, órgão independente de auditoria ligado ao Parlamento. O auditor não verifica apenas se os funcionários foram contratados, mas também se a mortalidade infantil realmente caiu 10%.
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Medidas como as implementadas na Nova Zelândia serviriam para otimizar o uso do dinheiro público. Outra frente de atuação sugerida pela McKinsey é que o governo passe a rachar parte de suas despesas em infra-estrutura com a iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), recurso já testado em vários países. "É uma maneira de contornar a escassez de recursos públicos sem descuidar das necessidades mais prementes de infra-estrutura", diz William Jones, da McKinsey. O país mais experiente no assunto é a Inglaterra, que assinou mais de 600 projetos nos últimos dez anos, entre eles a modernização do metrô de Londres. Selada em 2003, no valor de quase 16 bilhões de libras, a reforma do metrô londrino terá 25% do custo pago pela iniciativa privada, 60% pelo governo e os 15% restantes pela receita obtida dos passageiros. No Brasil, estima-se que as PPPs do governo federal tenham capacidade de injetar 35 bilhões de reais em novos investimentos em cinco anos. Por ora, embora o governo tenha aprovado há mais de um ano e meio a lei que institui as PPPs no Brasil, nenhum projeto da União saiu do papel. O mais avançado é o do metrô de São Paulo, que finalizou há poucas semanas a licitação do consórcio que operará uma das linhas. Um dos efeitos imediatos foi uma absurda greve dos funcionários do metrô, que se manifestaram contra a PPP.
Medidas como as implementadas na Nova Zelândia serviriam para otimizar o uso do dinheiro público. Outra frente de atuação sugerida pela McKinsey é que o governo passe a rachar parte de suas despesas em infra-estrutura com a iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), recurso já testado em vários países. "É uma maneira de contornar a escassez de recursos públicos sem descuidar das necessidades mais prementes de infra-estrutura", diz William Jones, da McKinsey. O país mais experiente no assunto é a Inglaterra, que assinou mais de 600 projetos nos últimos dez anos, entre eles a modernização do metrô de Londres. Selada em 2003, no valor de quase 16 bilhões de libras, a reforma do metrô londrino terá 25% do custo pago pela iniciativa privada, 60% pelo governo e os 15% restantes pela receita obtida dos passageiros. No Brasil, estima-se que as PPPs do governo federal tenham capacidade de injetar 35 bilhões de reais em novos investimentos em cinco anos. Por ora, embora o governo tenha aprovado há mais de um ano e meio a lei que institui as PPPs no Brasil, nenhum projeto da União saiu do papel. O mais avançado é o do metrô de São Paulo, que finalizou há poucas semanas a licitação do consórcio que operará uma das linhas. Um dos efeitos imediatos foi uma absurda greve dos funcionários do metrô, que se manifestaram contra a PPP.
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Tais recomendações, contidas no estudo, abririam espaço para uma real modernização do setor público. Isso possibilitaria, por sua vez, reduzir mais fortemente a taxa de juro -- o que também traria efeito positivo para as contas públicas. O importante é a constatação de que não haverá crescimento sustentado enquanto o país não enfrentar o paquiderme. "Ou o setor público começa a encolher ou vamos ter problemas sérios, já que não é possível aumentar a carga tributária indefinidamente ou reduzir investimentos que já estão no fundo do poço", afirma o economista Raul Velloso. "O Brasil melhorou nos últimos anos, mas os avanços precisam ser consolidados. A hora é agora."
Tais recomendações, contidas no estudo, abririam espaço para uma real modernização do setor público. Isso possibilitaria, por sua vez, reduzir mais fortemente a taxa de juro -- o que também traria efeito positivo para as contas públicas. O importante é a constatação de que não haverá crescimento sustentado enquanto o país não enfrentar o paquiderme. "Ou o setor público começa a encolher ou vamos ter problemas sérios, já que não é possível aumentar a carga tributária indefinidamente ou reduzir investimentos que já estão no fundo do poço", afirma o economista Raul Velloso. "O Brasil melhorou nos últimos anos, mas os avanços precisam ser consolidados. A hora é agora."
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Assista aqui o discurso de posse de Lula, ou um playlist de mentiras.