terça-feira, outubro 17, 2006

E afinal, cadê o dinheiro das cartilhas

COMENTANDO A NOTICIA: Em 11.09, publicamos um artigo sob o título "UMA CARTILHA MUITO SUSPEITA", sobre um das dezenas de escândalos protagonizados pelo Governo Lula, que tratava de um gasto de 11,0 milhões de reais, na confecção de cartilhas mandadas publicar pela SECOM, sob o comando de Luis Gushiken (ele, de novo!), gasto denunciado pelo Tribunal de Contas da União como totalmente irregular.
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Mais de 30 dias depois, e após decorridos os prazos para apresentação de defesa concedido ao Governo, o assunto parece ter ficado ainda mais nebuloso. Na época, denunciamos que o dinheiro poderia ter sido desviado para cobrir despesas e dívidas do PT, ainda referente à campanha presidencial de 2002. Dentre as "opções" que entendíamos como prováveis, chegamos a apontar que, pela época em que as mesmas foram confeccionadas, e em razão de sua montagem ter sido contratada empresa de Duda Mendonça, poderiam as cartilhas ter servido de pretexto para cobrir dívidas contraídas pelo PT junto ao marqueteiro baiano. O valor poderia indicar aqueles 10,0 milhões que Duda Mendonça, em testemunho à CPI, disse haver recebido em paraíso fiscal. Não que fosse esse o caminho que o dinheiro tomou, mas sim um dos muitos prováveis destinos e possibilidades.
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Na edição desta semana da revista Veja, em reportagem de Julia Duailibi, o assunto voltou à tona, já com uma suspeita bastante fundamentada pelo TCU de que, de fato, o dinheiro das cartilhas poderia ter pago dívidas do PT. Estranhável ? De modo algum ! Em se tratando de governo Lula, todas as trapaças são possíveis, todos os crimes são verossímeis, todas as falcatruas são plenamente realizáveis.
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Abaixo, transcrevemos a reportagem de Veja por entendermos necessário apurar todas as espertezas que este governo comete como prática endêmica de um partido que, antes de ser político, tornou-se o partido do crime organizado na política. Não se nota, em toda a história de administrações petistas, uma ao mesnos desacompanhada de uma coletânea impressionante de falcatruas. Para eles, assaltar os cofres públicos em nome da sua revolução é uma ação plenamente justificável. E quando descobertos, não tratam de negar o crime, tratam de se mostrarem vítimas de perseguição. Gente muito estranha esta. Para eles, o crime sempre é visando o bem comum (dos companheiros do partido, é claro), intolerável é serem investigados pela sociedade. Para quem alardeia não esconder o lixo debaixo do tapete, soa falso e cretina a justificativa petista para a ação criminosa de desviar verbas públicas, praticar a corrupção constante, além do aparelhamento indecente e vergonhoso das instituições. E claro, sempre devidamente protegidos por um criminalista famoso, que trata de apagar-lhes as pegadas e limpar as digitais. Mas não esquecendo que, nestas investigações, estranhamente, a polícia "republicana" sempre atua numa lerdeza de dar dó. Além de retardarem as investigações o máximo que podem, andam sempre no sentido oposto pelo qual os criminosos cruzaram. Quebrar sigilo dos envolvidos, então, só se pede em último caso. Já para prenderem sonegadores, traficantes e contrabandistas aí é fácil e se faz festa. Com direito a entrevista coletiva, algumas até em presença do famoso criminalista que dizem atuar, nas horas vagas, como Ministro da Justiça (será verdade ?).
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Leiam abaixo a reportagem da Veja e observem a repetição das mesmas práticas, o que nos leva a afirmar que sempre que houver petista por perto, se alguém gritar "pega ladrão" não sobra um, meu irmão. Saem todos correndo em desespero (claro que para debaixo das asas do criminalista que os protegerá, e do "padrinho" que lhes dará o carinho e o amparo necessários) . Afinal, por mais "aloprados" que os meninos possam agir, eles são do ninho e cumprem suas tarefas com muito esmero. E, também, o "padrinho" precisa certificar-se de que os "aloprados" criminosos não abrirão o bico para contar inconfidências comprometedoras para seu chefe supremo. Realmente, reconheçamos, esta familia é muito unida ! Muito mesmo ! Tipo assim, como vou dizer ... hummmm... "cosa nostra" !!!
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Ficou ainda pior

Relatório do TCU diz: dinheiro das cartilhas pode ter pago dívida do PT
Reportagem de Julia Duailibi
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Em sua edição de 13 de setembro, VEJA revelou a justificativa dada pelo governo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para o desaparecimento de 2 milhões de encartes e revistas de propaganda institucional pagos com dinheiro público. O governo informou ao TCU que o material, sobre o qual não há registro nas repartições oficiais, havia sido entregue diretamente pelas gráficas ao Partido dos Trabalhadores. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), responsável pela elaboração da propaganda, isso ocorreu porque o PT se dispôs a distribuir os encartes e revistas à população, com o objetivo de baratear os custos para os cofres do Estado. Diante da explicação do governo, o ministro Ubiratan Aguiar, relator do processo que investiga o caso, afirmou, em voto proferido no mês passado, ter havido uma confusão inadmissível entre os interesses do governo e os de um partido político. Ele determinou, ainda, que o ex-ministro Luiz Gushiken, na ocasião à frente da Secom, e outros nove funcionários devolvessem ao Erário o valor gasto com o material supostamente entregue ao PT, além daquele despendido com outros 3 milhões de exemplares efetivamente distribuídos, mas produzidos a preços superfaturados. O total do dinheiro a ser reembolsado alcança 11 milhões de reais.
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Na semana passada, VEJA teve acesso às 32 páginas do relatório técnico do TCU sobre o assunto e descobriu que o caso é bem complicado. Para os auditores do tribunal, há a hipótese de que os 2 milhões de encartes e revistas não tenham sido sequer produzidos e que o dinheiro pago pela Secom às gráficas serviu, na verdade, para remunerar serviços eleitorais feitos por elas ao próprio PT. A versão de que as cartilhas foram entregues ao PT seria, portanto, apenas uma desculpa para encobrir o crime de desvio de dinheiro público. Ao todo, dos 25 pontos fornecidos pela Secom para tentar comprovar a existência do material gráfico e a sua conseqüente distribuição, dezenove foram rechaçados pelos técnicos do tribunal. Os outros seis são compostos apenas de dados acessórios.
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A mixórdia de versões da Secom é grande. De acordo com a secretaria, 1.000 exemplares foram entregues diretamente ao escritório da Presidência da República em São Paulo. Os técnicos do TCU, no entanto, não encontram uma prova consistente disso. A nota fiscal emitida pela gráfica responsável pela confecção desses exemplares estava em branco no campo destinado ao receptor. Há irregularidades mais gritantes. Na suposta entrega para o PT de um lote de 48.000 unidades, a nota fiscal traz valor distinto daquele pago pela Secom para a impressão das cartilhas. A secretaria diz que pagou 2,49 reais por unidade, mas no documento está 1,61 real. No afã de conseguir qualquer documento para comprovar o envio das revistas, a Secom chegou a entregar ao TCU recibos que faziam referência a um material editado em espanhol. Com relação a outros lotes, a secretaria nem sequer se deu ao trabalho de explicar ou anexar documentos que provassem sua confecção e distribuição.
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As agências de publicidade responsáveis por produzir os encartes e revistas têm relação antiga com o PT. Uma delas é a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro próximo ao presidente Lula. A outra é a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário amigo do presidente e marqueteiro das duas primeiras campanhas de Lula ao Planalto, em 1989 e 1994. Não é novidade que, para o PT, não há fronteira entre Estado e partido. Essa confusão foi atestada pelo próprio ministro Ubiratan Aguiar em seu voto. Esperava-se apenas que, após os escândalos que envolveram a Secom no ano passado, como os contratos superfaturados com as empresas do lobista Marcos Valério, o governo promovesse uma limpa nos quadros do órgão. Mas o que se viu foi um desligamento apenas formal de Gushiken e de seu então braço-direito, Marcus Flora. Dos outros oito servidores responsabilizados pelo TCU no caso dos encartes e revistas desaparecidos, seis continuam na secretaria, firmes e fortes, mandando e desmandando. Esse é o governo da companheirada.
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O ESQUEMA-FANTASMA
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O TCU examinou notas fiscais e documentos apresentados pela Secretaria de Comunicação da Presidência para justificar a confecção de milhões de encartes e revistas com propaganda do governo Lula, supostamente distribuídos pelo PT. Conclusão: boa parte do material nem chegou a ser produzida.

LEITURAS RECOMENDADAS

Ajuda Lula

Por Carlos Alberto Sardenberg
Publicada pelo O Globo

Não é nada brilhante e está longe das promessas do governo, mas é fato que: a economia está gerando empregos; os salários reais estão em alta; a inflação está no chão; e o crédito concedido às pessoas físicas, este sim, aumentou espetacularmente nos últimos três anos. Resulta daí um óbvio sentimento de conforto econômico. Ou seja, o voto com o bolso vai para o presidente Lula, sobretudo o voto dos mais pobres.
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Tome-se o caso da inflação. Medida pelo IPCA, que mede o custo de vida para famílias com renda de até 40 salários mínimos, a inflação dos 12 meses terminados em agosto último foi de 3,8%, muito baixa. Mas medida pelo INPC (renda de até seis mínimos), foi ainda menor, de apenas 2,8%. Quando caem os preços de alimentos, todos se beneficiam, mas a percepção positiva é maior entre os mais pobres, em cuja renda a alimentação tem um peso maior. Igualmente, o crédito pessoal expandiu-se para as classes C e D.
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A última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostrou que todas as faixas de renda tiveram aumento real em 2005 sobre 2004, com a média de 4,6%. Mas a maior alta beneficiou os 50% mais pobres. O grupo das pessoas colocadas entre os 20% e 30% mais pobres, com renda média de R$ 299,00, teve ganho superior a 10% - efeito do reajuste do salário mínimo.
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Acrescente-se ao cenário a Bolsa Família, para os muito pobres, e se verifica, de novo, que o voto com o bolso vai para Lula.
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Quando se olha o conjunto da economia, entretanto, pode-se perguntar: o pessoal se satisfaz com tão pouco? É que, de fato, a economia cresce a taxas medíocres. Tome-se o caso do emprego. Pelos números do IBGE, 20,5 milhões de pessoas estavam trabalhando em agosto, nas seis principais regiões metropolitanas, contra 19,9 milhões um ano atrás. Portanto, uma geração de 600 mil vagas.
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Ao mesmo tempo, aumentou o número de desempregados, pessoas que procuraram trabalho e não o encontraram. Eram 2,4 milhões em agosto último, contra 2,045 um ano atrás. O que isso significa? Que a economia gerou empregos, mas não na quantidade necessária para atender o crescimento da demanda. Funciona assim: quando pessoas percebem que o mercado está melhorando – um amigo, um parente, o vizinho conseguiu vaga – mais elas se animam a procurar emprego. Com isso cresce a população economicamente ativa e, na sequência, aumentam as taxas de ocupação e de desemprego. Um conforto e uma frustração, mas o pessoal continua animado para procurar.
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Em resumo, a economia não está decolando, não há investimentos suficientes para garantir crescimento futuro, as contas públicas vão criar problema mais à frente (inclusive por causa do forte aumento do salário mínimo) e houve piora na educação, indicada na PNAD. Olhando para o médio prazo, o país não está ganhando a luta pelo crescimento e redução da pobreza. Mas a recuperação da economia de 2004 para cá traz um alívio imediato especialmente para os mais pobres.
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Vai daí que Lula ganhou imunidade completa?
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Não. Em dezembro último, a avaliação do governo Lula estava no negativo: 29% classificavam a administração como ruim/péssima, contra 28% de bom/ótimo.
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O ambiente econômico já era, no essencial, como o de hoje. O rendimento médio real, por exemplo, cresce desde 2004. Idem para o número de pessoas trabalhando. O crédito estava no pico da expansão. Assim, a avaliação negativa só podia ser o efeito da crise do mensalão e seus desdobramentos, incluindo a queda de Antonio Palocci.
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A crise havia sido detonada em junho, com a entrevista de Roberto Jefferson. Portanto, foi um semestre inteiro de escândalos e quedas de ministros do primeiro escalão, que terminaram por abater o governo. Nas pesquisas eleitorais, Serra chegava a bater Lula.
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De lá para cá, o que mudou? O conforto econômico melhorou, com o salário mínimo, por exemplo, e a inflação ainda mais baixa. O presidente foi à luta, com as famosas bondades (salários para o funcionalismo) e uma enorme campanha de propaganda, envolvendo todas as maiores estatais.
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Mas o ponto mais importante esteve na política: a crise desviou-se do presidente e do PT, foi mais para o Congresso. Com a hesitação da oposição, Lula ocupou espaço e avançava para uma vitória sossegada.
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O escândalo da compra do dossiê foi o fato inesperado. E que pode sim derrubar Lula, assim como a primeira crise do mensalão o alcançou. A questão é o tempo que leva para chegar aos eleitores.

LEITURAS RECOMENDADAS

Lula, Freud e dinheiro sujo: tudo a ver
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Por Diogo Mainardi
Para Revista Veja


"Todos os rastros apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto.
Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente.
E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários
que tinham interesse no governo federal."

Estou todo embananado. Lula. Freud Godoy. Naji Nahas. Daniel Dantas. Telecom Italia. Telemig. Marcos Valério. Duda Mendonça. Delfim Netto. O que une um ao outro? O que é verdade? O que é mentira?
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Ordenando os fatos:
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1. A CPI dos Sanguessugas quer descobrir se Naji Nahas depositou 396.000 reais na conta da empresa do gorila particular de Lula, Freud Godoy.
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2. Isso teria ocorrido em 5 de setembro, poucos dias antes de o comando da campanha de Lula ter sido flagrado tentando comprar o dossiê contra os tucanos.
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3. O dinheiro que Naji Nahas teria repassado a Freud Godoy estava aplicado em cotas acionárias da Telemig. Até recentemente a empresa era controlada por Daniel Dantas.
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4. A Telemig foi uma das maiores pagadoras de Marcos Valério.
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5. Marcos Valério deu dinheiro a Freud Godoy.
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6. Duda Mendonça tinha a conta de publicidade da Brasil Telecom, outra empresa controlada por Daniel Dantas.
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7. Duda Mendonça também deu dinheiro a Freud Godoy. E recebeu ainda mais de Marcos Valério, lá fora.
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8. Daniel Dantas e Naji Nahas trabalham juntos. Naji Nahas é o plenipotenciário da Telecom Italia no Brasil. Ele intermediou o acordo entre os italianos e Daniel Dantas.
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9. VEJA noticiou que, em maio de 2003, a Telecom Italia deu 3 200 000 reais em dinheiro vivo a Naji Nahas. O dinheiro foi entregue a deputados da base lulista, segundo fontes da própria Telecom Italia.
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10. Aqui na coluna contei que Naji Nahas, em 2002, arrecadou dinheiro ilegal para a campanha de Lula. Na época, defini Naji Nahas como a figura mais extravagante do lulismo.
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11. A ponte entre Naji Nahas e Lula era Delfim Netto. O mesmo Delfim Netto que, como declarou Lula na última terça-feira, não foi eleito por "vingança de um conjunto de elitistas, porque defendia a nossa política".
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Perdeu-se? Eu também me perdi. Muitas perguntas precisam ser respondidas pela CPI dos Sanguessugas. O dinheiro que Naji Nahas supostamente entregou a Freud Godoy seria usado para comprar o dossiê? Quem era o dono do dinheiro? O próprio Naji Nahas ou um de seus empregadores? Qual é o elo com o valerioduto? Por que Freud Godoy recebe dinheiro de tanta gente?
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Estou embananado. Mas todos os rastros, de 1 a 11, apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal.
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Lula disse: "Esse menino não tem nada a ver com isso". O menino, no caso, era Freud Godoy. Se Lula disse, uma certeza a gente pode ter: é mentira. O menino tem tudo a ver com isso.
A tendência é gastar mais, não menos
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Por Fernando Canzian
Publicado na Folha Online
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Como esperado, a forte transferência de renda promovida pelo setor público via programas sociais para os mais pobres rendeu dividendos eleitorais proporcionais para o presidente Lula e pode garantir sua reeleição no final do mês.Comparando regionalmente a penetração do Bolsa Família e a incidência do salário mínimo (reajustado em 25% acima da inflação por Lula) com os votos válidos recebidos pelo presidente no primeiro turno, tem-se um correlação quase perfeita entre "quanto mais benefícios, mais votos".
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Segundo cálculos do especialista em contas públicas Raul Velloso, o Brasil paga hoje cerca de 30 milhões de contracheques em benefícios totalmente subsidiados (como o Bolsa Família) ou parcialmente subsidiados (caso de aposentadorias rurais e outros onde o beneficiário não contribuiu proporcionalmente à Previdência).
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O Bolsa Família consome cerca de R$ 8,5 bilhões/ano, ou cerca de 0,5% do PIB. Embora seja alvo de muitas críticas de quem acha que é dinheiro mal gasto ou esmola, o montante é proporcionalmente pequeno. Já os outros benefícios assistenciais vinculados à Previdência consomem mais de R$ 70 bilhões/ano. E é estranho que os críticos do Bolsa Família nunca falem desse segundo grupo, um "direito adquirido" de quem recebe e cujos valores aumentaram fortemente a reboque do salário mínimo nos três últimos anos.
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O outro lado dessa história é como continuar sustentando esses gastos. Como o governo não cria praticamente nenhuma riqueza, na prática ele está simplesmente tirando de quem produz para dar a quem não produz, cobrando imposto de quem tem para distribuir a quem não tem.
Esse "Robin Hood" tropical não foi inventado por Lula e está entre nós desde a Constituição "cidadã" de 1988, que criou uma série de deveres e obrigações financeiras para o Estado sem se preocupar com a questão básica da vida: quem vai pagar a conta?
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Nos últimos dez anos, ela foi paga com um aumento de cerca de dez pontos na carga tributária e com taxas medíocres de crescimento do PIB. Nos próximos, é muito provável que o governo tenha uma economia importante com o processo de redução da taxa de juros.
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Como comparação, os cerca de R$ 80 bilhões/ano pagos em benefícios totalmente ou parcialmente subsidiados pelo governo correspondem a cerca da metade do que o setor público consome em juros.Nesse processo de redução dos juros e aumento do "espaço" para outras despesas, o maior risco que o país corre agora é o de abandonar no meio a atual discussão sobre a qualidade dos gastos e onde seria possível economizar. Mantida a tendência dos últimos 18 anos, esse é o caminho mais provável do próximo governo.

Quem conhece, foge !

COMENTANDO A NOTICIA: Na Tribuna da Imprensa foi publicada uma reportagem com Jachson Ignácio da Silva, irmão de Lula. Este o conhece bem ! E a tal ponto o conhece que virou eleitor de ... Alckmin. Se alguém tão próximo, com um mínimo de decência prefere trocar o criminoso pelo honesto e decente, então devemos pelo menos rever nossas convicções, se ela hoje apontar o voto em Lula. Ao irmão Lula não pode enganar. Por isso dele não terá voto. A seguir o eleitor Jachson Ignácio da Silva, para ler e refletir.
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Irmão de Lula vira eleitor de Alckmin
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Jornal A TRIBUNA
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“Nunca mais voto no PT’’. A frase, dita por um mestre-de-obras de 52 anos, enquanto tentava pela quarta vez um atendimento médico para a esposa no Hospital Municipal de Mongaguá, poderia passar desapercebida, não fosse um fato peculiar. A crítica partiu de Jachson Ignácio da Silva que, além de ser irmão do presidente da República e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, Luiz Ignácio Lula da Silva, foi um ativo defensor da legenda desde sua fundação, há 25 anos.
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Com as mãos sujas de cimento, como de costume, o irmão do presidente repetiu ontem, já em casa, todo o discurso que fez durante os quatro dias que passou na porta da unidade de saúde (entre o domingo da eleição e a quarta-feira da semana passada) tentando agendar uma consulta para a mulher, Lusenilde Albuquerque da Silva.
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Ao criticar o irmão para cada pessoa com quem conversava na frente do hospital, mostrando-se indignado com a política social adotada pelo PT e com as denúncias de corrupção que pipocaram durante a gestão de Lula, Jachson acabou fazendo uma campanha indireta ao candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, em quem votou no primeiro turno. ‘‘Mas o meu motivo de não votar no PT, que está aí, no presidente, é porque sou contra a reeleição,’’ justificou-se.
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O irmão de Lula assegurou que esta posição contrária à reeleição sempre esteve na boca dos petistas. ‘‘Mas quando chegam no poder, não querem sair mais. São contra o reinado, mas parece que viram rei,’’ condenou. O mestre-de-obras reforçou que, mesmo que o irmão estivesse fazendo um governo nota 10, não votaria nele. ‘‘Sou contra o continuísmo,’’ disse Jachson, ‘‘deveríamos experimentar coisa nova. Na minha opinião, democracia é isso’’.
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Uma das razões que ele citou para justificar tal posição é o uso da máquina administrativa em campanhas. ‘‘Você vê o dinheirão do Governo que ele (Lula) está gastando para estar voando, fazer comício? Às minhas custas! Avião presidencial é para uso do presidente, em serviço da Presidência da República, não de candidato’’.
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Para ele, o correto seria o irmão se afastar do cargo antes do início das disputas. ‘‘E vá trabalhar com o seu dinheiro e não com o dinheiro do povo,’’ afirmou.
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Compra de votos
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Jachson vê no Bolsa-família uma compra indireta de voto. ‘‘A maioria da classe pobre, que está numa pindaíba há muitos anos e continua no Governo do PT, ele conseguiu prender pelo Bolsa-família e pelo vale-gás. O pessoal está com medo do Geraldo (Alckmin) entrar e acabar com isso’’. Com uma visão segura de que tais benefícios continuarão existindo, independentemente do resultado das urnas, o mestre-de-obras reclamou do fato do irmão não deixar isso mais claro para o povo. ‘‘Ele deveria falar que, qualquer um que entrar, não vai acabar (com o Bolsa-família)’’.
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Ao revelar ter votado em Geraldo Alckmin no primeiro turno, Jachson disse que não votou em candidatos do PT para os demais cargos porque entende que ‘‘os que não roubaram, foram coniventes’’. Como exemplo dos petistas que seriam idôneos, mas que erraram por terem compactuado com os demais, citou Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante.
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‘‘O PT antigamente só jogava pedra. Desta vez, os que foram contra alguma coisa, eles põem pra fora’’, completou, destacando Heloísa Helena e Cristóvam Buarque.
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Membro do diretório do PT em Mongaguá, Jachson — que já disputou, inclusive, duas eleições para vereador na Cidade — salientou que, para ele, ‘‘o PT está riscado’’. Disse estar entristecido com os rumos do partido, onde enxergava políticos diferentes.
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‘‘Hoje, vejo que é tudo igual e não quero mais saber do PT’’. Sobre as afirmações feitas pelo irmão, de que nada foi escondido e tudo, apurado, ele rebateu dizendo que ‘‘se não fosse a imprensa, nós jamais saberíamos dessas coisas. Felizmente, ela ainda é independente’’.
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Jachson lamentou ainda que nomes envolvidos em escândalos tenham sido eleitos. ‘‘A maioria perdeu, mas alguns estão na Câmara Federal e vamos ver a cara deles de novo no ano que vem. Espero que a Justiça continue apurando e processando eles’’.

De quem será a responsabilidade ?

COMENTANDO A NOTÍCIA: Seguidamente, temos lido nos últimos meses alguns testemunhos de pessoas que tentam convencer outras a não votarem em Lula, dada não apenas a lista telefônica de corrupção produzida, patrocinada e comandada pelo Governo Lula, mas pela falta de um projeto claro de governo. Vemos o quanto se demonstra que as jóias da coroa do imperial governo Lula, nada mais são do que continuidade do que seu antecessor, Fernando Henrique, já implantara, mas que a esperteza da publicidade oficial transformou como obras de Lula. Razão pela qual o chamamos de vigarista de obra pronta !
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Com raríssimas excessões, a maior parte das pessoas que irão votar em Lula estão tão embevecidas e amortecidas, que não há lógica ou bom senso que as faça parar de apostarem no canalha mor. De nada vale mostrar a estas pessoas os males que Lula está produzindo na sociedade brasileira, do ódio e preconceito que tem disseminado no seio da nação, fragmentando-a em pequenos feudos nos quais ele consegue dançar conforme a música.
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Lula se reeleito, chega ao segundo mandato com um eleitorado totalmente dividido, entre dois blocos distintos: os que o aprovam, e os que o odeiam. Não há meio termo. O banditismo que ele comandou foi absorvido não apenas pela propaganda oficial, mas por políticas direcionadas justamente para este fim: dividir. Por enquanto tem dado certo, porque sabiamente ao invés de um Ministro Justiça, ele se cercou de um reconhecido advogado criminalista. De um lado, prende com facilidade ladrões e sonegadores, traficantes e contrabandistas, tudo com muita divulgação, festa e requinte. Comparados aos bandoleiros com que Lula se cerca, não passam de meros ladrões de galinha. De outro lado, o tal ministro consegue livrar a camarilha de companheiros enredados em facaltruas e crimes diversos, fazendo-as vítimas, vítimas do preconceito, da fúria da elite, da inveja dos adversários, da má vontade da imprensa. Mas, imediatamente, vemos Lula investindo 20 bilhões em programas sociais e doando 800 bilhões para os banqueiros. Nesta direção, ele quebra com a agropecuária nacional, mas doa mais de 800 milhões para CUT, UNE, MST, e as ONG's da companheirada para ficarem quietos e não reclamarem. E não adianta ele ter um patrimônio superior em 20% ao de Alckimin: o tucano é elitista, Lula, o pai dos pobres, apesar da fortuna que torra em cartões corporativos apenas em "despesas" vagabundas da presidência. às nossas custas, é claro.
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Enquanto a Polícia Federal faz mais de duzentas operações, isto é festa: mas não se vê um companheiro petista preso pela corrupção que praticou. Ele diz que combate a corrupção e corta na própria carne: mentira, ele apenas afasta o companheiro pego em flagrante. Condenar e prender é outra história. Perdeu votações no Congresso para tentar barrar CPI's, mas diz que sempre agiu com transparência e deu curso às investigações. Mentira: as CPI's só ocorreram por força ou de aliados delatores, ou por força da pressão no parlamento.
É pouco ? Mexam neste baú e vocês ainda encontrarão muitos outros horrores capazes de condenar à prisão perpétua em qualquer país decente do mundo, um degenerado governante que comanda um puteiro de canalhas que vivem para se servirem de forma criminosa de um país que deveria ser de todos, mas que feito tolos, seguem sem direção para sustentarem uma cambada de energúmenos e delinquentes.
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Há muito tempo que COMENTANDO A NOTICIA tem reservado uma transcrição de reportagem feita pela Revista Veja, sobre um breve relato dos crimes de Lula e seus asseclas. Porém, vejam vocês, apesar da reportagem ser relativamente recente, 24 de maio deste ano, ela já está superada. De lá para cá, já tivemos o escândalo dos sanguessugas, o das cartilhas e do tal dossiê. Neste tres episódios a turma de Lula mais uma vez foram pegos em crime, aumentou substancialmente o número de petistas "desonrados". Só no último, o dossiê, além dos oito envolvidos, e somente gente do PT, militantes históricos, teve como efeito final a queda de mais um presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini. No das cartilhas, a mão de Luis Gushiken se fez presente de novo. Há outras histórias que ainda renderão novos escândalos, como uma certa ONG, denominada Sociedade Amigos de Plutão na qual tem-se as digitais do Lorenzetti enlameada com uma filha rebelde do presidente ou comandante supremo do crime político organizado. Poderíamos citar a questão dos cartões, mas este é um escândalo que já corre algum tempo, mas que Lula lacrou todas as portas de informações pelas quais poderíamos descobrir no que foram jogados no lixo da presidência da república ocupada por Lula milhões e milhões de reais. Puro desperdício, anos luzes à frente do que qualquer outro presidente já tenha feito. Nem no tempo da ditadura militar se viu tanta falta de transparência com o dinheiro público em total desrespeito ao contribuinte como nesse governo.
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Mas, apesar deste novos casos, o breve relato da VEJA é já uma imensa folha corrida criminal que bem caracteriza este governo de m. comandado por um ordinário e farsante. Ler caso a caso, nos faz pensar e levantar uma questão importante: se foram tantos crimes, se tem sido tamanho o prejuízo para o país além do alto custo que a sociedade brasileira tem arcado e que ainda lhe custará muito mais, por que Lula tem tantas possibilidades de ser reeleito ? E se reeleito, e como se pode perceber por seu "programa", além do que se sabe de investigações em curso que acabarão por eclodir em novos escândalos, a quem deveremos responsabilizar daqui quatro anos pelo descalabro que o desgoverno de Lula irá provocar ? Ao povo que o elegeu ? Nem tanto, a maioria sequer tem condições de comprar comida, quanto mais de comprar jornais para manter-se informado. Ao judiciário que se omitiu diante dos crimes de Lula, sejam na administração pública quanto na campanha eleitoral ? Para parte da imprensa dita "socialista", que prefere sempre achar uma "justificativa" cretina para Lula fazer assim ou assado ? Ou deveremos imputar a culpa ao próprio Lula que vendeu-se falsammente como um produto de veneração, e não passa de um sub-produto criminoso, falsificado e cretino ? Claro que a responsabilidade caberá a todos eles, menos ao povo que cravará sua opção em Lula. Este "povo" não conhece de Lula a metade do canalha que ele é de fato.
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Lula e os petistas tem sido extremamente competentes na ação de iludir a todos com uma atuação impecável: as virtudes e o que de bom acontece no País, tudo obra do cafageste. Mas se alguma coisa der errada, culpe-se FHC, as elites, a imprensa, os neoliberais e pronto. Todo mundo engole a mentira que depois será consagrada através duma propaganda mentirosa. Portanto, a todos os que tiverem alguma participação mínima que seja por reconduzir Lula por mais quatro anos de promiscuidade, que se assuma agora e daqui quatro anos. A parcela da população que já identificou o salafrário que Lula sempre foi, irá cobrar e apontar na direção dos verdadeiros culpados pelo descalabro com que se conduzirá o país ladeira abaixo. Estamos ficando na rabeira do grupo de países emergentes. Estamos perdendo vitalidade de crescimento, enquanto os demais seguem a todo vapor. Estamos perdendo competitividade, investimentos, tornando-nos cada vez mais corruptos, e mais quatro anos de Lula representará o atraso e o caos. Sair deste abismo, acreditem, significará fragmentar ainda mais a sociedade brasileira. O custo social ? Será doloroso, sem dúvida, mas quem se preocupa com isso se hoje pode contar com a miséria de 75 reais de esmola que compra votos e consciências ? Ou dos favorecidos pela riqueza de um Tesouro milionário capaz de enriquecer sindicalistas vagabundos e ignorantes, bafejados pela sorte de pertencerem ao sagrado e seleto grupo dos amigos do rei, podendo agir impunente em dilapidarem e sugarem as energias do esforço de 180,0 milhões de otários a serviço dos donatários republicanos ? Ralé bastarda que corrompe as instituições democráticas para encherem suas burras ilicitamente, porque do modo honesto de estudar, trabalhar e progredir são incompetentes por consegui-lo !
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Leiam a seguir a folha corrida criminal de um governo cafageste na essência máxima que a degradação humana pode permitir que se mantenha entre nós. Se puderem porque a indignação lhes atinje de pleno a alma verde-amarela, espalhem, retransmitam aos vossos amigos, familiares, vizinhos e conhecidos. Além desta leitura, há muito material para provar o malefício que representa reconduzir Lula à presidência em relação ao futuro do Brasil. Não sejam nem coniventes nem tampouco cúmplices. Esta casa, cedo ou tarde, cairá. Façam suas escolhas e opções pela saída honrosa e decente. Não se iludam, Lula reeleito representa o pior, e seu provável segundo mandato nascerá condenado ao padecimento. Ninguém está imune em ter que resgastar os crimes que houver praticado. Não há poder corrompido que sustente a farsa o tempo todo. Para os iludidos, um dia chega a hora da máscara do hipócrita ser arrancada para exibir sua verdadeira face e a maldade que se aninha em sua alma. Saibam que não há vigarista que consiga ter êxito pleno em todos os seus golpes: às vezes um simples e infantil erro ou ato falho é suficiente para que se desenrole o novelo todo. Lula não está muito longe deste dia lhe acontecer. A vitória representa muitas vezes o início de sua queda. Quem semeou o tempo todo o ódio, a divisão entre as pessoas, praticou e permitiu que se praticasse toda a sorete de crimes contra um povo inteiro, que mentiu e mente assodadamente para dilapidar honras alheias de forma vil e infame, por certo este "semeador" terá uma colheita em igual intensidade.

Uma folha corrida criminal de respeito !

Revista Veja , Edição 1957 . 24 de maio de 2006

Banditismo e podridão

Ao atacar VEJA, Lula usou adjetivos que seriam mais
indicados para qualificar o seu governo
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Na semana passada, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desferiu contra VEJA o pior ataque já feito por uma autoridade pública a um órgão de imprensa desde a redemocratização do país. Ao comentar a reportagem da revista sobre o arsenal de informações contra o governo estocado pelo banqueiro Daniel Dantas, Lula atacou o mensageiro e não a mensagem. O presidente disse que: 1) VEJA atingira "o limite da podridão"; 2) o autor do texto era "bandido, mau-caráter, malfeitor, mentiroso"; e 3) na redação da revista não havia ninguém com "10% da dignidade" dele próprio – como se dignidade pudesse ser medida em porcentagem, assim como as propinas dos petistas. Em seguida, Lula afirmou que não havia lido a reportagem contra a qual vociferara. Típico.
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Desde 2005, quando VEJA revelou o escândalo da corrupção nos Correios, Lula, seus ministros e aliados se esforçam para negar todas as revelações feitas pela revista. Foi assim com o valerioduto, a empresa de Lulinha, os sacadores do mensalão, os dólares de Cuba, a quebra do sigilo do caseiro, e por aí vai. Nestas páginas, VEJA apresenta uma lista dos principais escândalos da era Lula – escândalos que só vieram à tona graças ao trabalho da imprensa. Chama atenção o fato de que, quando eles eclodiram, o presidente jamais utilizou contra seus protagonistas – estes, sim, malfeitores – os termos empregados em relação à reportagem exemplar de VEJA. Mas os fatos estão aí, ainda que Lula tente ignorá-los. Se ele quiser estender-se sobre "banditismo" e "podridão", é preciso que olhe para seu próprio governo.
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CORRUPÇÃO NOS CORREIOS
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O banditismo: em maio de 2005, VEJA publicou reportagem sobre Maurício Marinho, um funcionário dos Correios flagrado em vídeo embolsando propina de 3 000 reais. A revista informou que Marinho fazia parte de uma rede de corrupção que arrecadava recursos para o PTB, de Roberto Jefferson, com o aval do PT. Outros órgãos federais, como o IRB, também estavam no esquema.
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A podridão: o ex-ministro José Dirceu classificou a reportagem como "golpismo das elites", afirmou que o governo Lula "não rouba nem deixa roubar" e garantiu que a corrupção nos Correios era "um caso isolado". O PT tentou impedir o Congresso de investigar o caso.
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O desfecho: funcionários das empresas confirmaram as denúncias. Todos os diretores dos Correios e do IRB foram afastados.
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VALERIODUTO
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O banditismo: em junho de 2005, VEJA informou que Marcos Valério havia montado um grande esquema de lavagem de dinheiro a pedido do PT. Segundo a reportagem, Valério distribuía dinheiro a políticos de vários partidos para garantir apoio a Lula no Congresso. No mês seguinte, a revista mostrou que Valério e os petistas José Genoino e Delúbio Soares haviam firmado contratos milionários de empréstimos nos bancos Rural e BMG.
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A podridão: antes de VEJA publicar cópias de contratos assinados por Valério, Genoino e Delúbio, os três refutaram as afirmações da revista. Valério afirmou que todas as acusações eram mentirosas. Delúbio garantiu que nunca havia transgredido os "limites da ética política". Genoino disse "nunca ter assinado" nenhum empréstimo.
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O desfecho: a análise da contabilidade de Valério comprovou todas as denúncias e revelou a existência do mensalão, esquema descrito por Roberto Jefferson em entrevista à Folha de S.Paulo.
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LULINHA E A GAMECORP
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O banditismo: Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula, montou uma empresa no segundo ano do governo do pai, a Gamecorp. Logo em seguida, ficou sócio da gigante Telemar e levou 5 milhões de reais no negócio. A operação não foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários, como determina a lei. A história foi revelada na edição de VEJA de 13 de julho de 2005.
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A podridão: o presidente Lula se recusou a investigar o caso. Em um discurso indignado, disse ser alvo de um "golpe baixo" da imprensa destinado a "invadir sua vida privada".
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O desfecho: a reportagem de VEJA foi inteiramente confirmada, mas o governo não tomou nenhuma providência sobre o caso.
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DINHEIRO NA CUECA
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O banditismo: em julho de 2005, José Adalberto Vieira da Silva foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com 100 000 dólares e 200 000 reais escondidos na cueca. Ele era assessor do deputado cearense José Nobre Guimarães, irmão de José Genoino, ex-presidente do PT.
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A podridão: Adalberto tentou dizer que o dinheiro havia sido obtido com a venda de "legumes e verduras". Genoino não se manifestou sobre o caso. Guimarães foi poupado de dar explicações. Sua única punição foi ser expulso da executiva do partido no Ceará.
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O desfecho: apesar de ter sido apanhado em flagrante, José Adalberto teve a prisão relaxada logo em seguida. Ninguém foi preso nem punido pelo episódio.
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CASO BOB MARQUES
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O banditismo: em 3 de agosto de 2005, VEJA trazia uma informação que afetava diretamente o ex-ministro José Dirceu. A CPI dos Correios havia encontrado uma autorização de saque no valerioduto no valor de 50 000 reais em nome de Roberto Marques, conhecido como Bob, secretário particular de Dirceu.
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A podridão: José Dirceu disse que quem aparecia na lista era um homônimo do seu secretário. O ex-ministro se esforçou para esconder o nome de Bob Marques porque sabia que a autorização de saque em nome de seu assessor era a prova cabal de sua ligação com o dinheiro sujo do valerioduto.
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O desfecho: apesar de tentar ocultar suas relações com Marcos Valério, Dirceu foi cassado pela Câmara em novembro do ano passado e não poderá se candidatar a nenhum cargo público até 2015.
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PALOCCI E OS LOBISTAS
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O banditismo: no fim de agosto, a revista informou que Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, mantinha perigosas relações com um grupo de lobistas. Na semana seguinte, revelou que eles se encontravam em uma luxuosa mansão no Lago Sul de Brasília.
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A podridão: Antonio Palocci convocou uma entrevista coletiva naquele fim de semana para refutar todas as afirmações da revista. Também disse que não se encontrava com os lobistas e que, se tivesse ido à tal casa, deixaria seu cargo no governo.
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O desfecho: Palocci foi desmentido por Rogério Buratti, seu ex-assessor, e por Francenildo Costa, o caseiro da mansão.
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OS DÓLARES CUBANOS
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O banditismo: Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci, transportou dólares vindos de Cuba em um jatinho particular no ano de 2002. Poleto levou o dinheiro de Brasília para um escritório do PT em São Paulo. VEJA revelou os bastidores do transporte de dinheiro em novembro de 2005.
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A podridão: o PT pressionou Poleto a desmentir o conteúdo da reportagem durante seu depoimento à CPI dos Bingos. Ele negou ter dado as informações a VEJA e alegou até que, se havia dito alguma coisa, era porque estava alcoolizado.
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O desfecho: Poleto saiu da CPI desmoralizado, pois sua entrevista havia sido gravada. E ele estava sóbrio.
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MARKETING BANDIDO
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O banditismo: em janeiro deste ano, VEJA revelou que Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, que já havia admitido ter recebido dinheiro do caixa dois petista nas Bahamas, também tinha outra conta secreta em Miami e estava envolvido com remessas ilegais de dinheiro para o exterior, desvio de verbas de órgãos públicos, sonegação de impostos e crimes eleitorais.
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A podridão: Duda atacou duramente a revista em notas publicadas nos maiores jornais do país. Lula, apesar das revelações, permitiu que Duda continuasse sendo o titular da milionária conta publicitária da Petrobras.
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O desfecho: as outras contas de Duda no exterior vieram à tona e ele foi citado pela Procuradoria-Geral da República como um dos quarenta membros da "organização criminosa" petista.
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O SIGILO DO CASEIRO
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O banditismo: em abril, VEJA publicou reportagem em que revelava que o ministro Antonio Palocci havia sido o mandante da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
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A podridão: o governo tentou montar uma farsa para preservar a imagem de Palocci diante da opinião pública. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ajudou na tentativa de criar uma versão que eximisse Palocci de responsabilidade.
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O desfecho: o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso confessou ter recebido ordem de Palocci para quebrar o sigilo do caseiro. O ministro foi demitido.