terça-feira, outubro 17, 2006

E afinal, cadê o dinheiro das cartilhas

COMENTANDO A NOTICIA: Em 11.09, publicamos um artigo sob o título "UMA CARTILHA MUITO SUSPEITA", sobre um das dezenas de escândalos protagonizados pelo Governo Lula, que tratava de um gasto de 11,0 milhões de reais, na confecção de cartilhas mandadas publicar pela SECOM, sob o comando de Luis Gushiken (ele, de novo!), gasto denunciado pelo Tribunal de Contas da União como totalmente irregular.
.
Mais de 30 dias depois, e após decorridos os prazos para apresentação de defesa concedido ao Governo, o assunto parece ter ficado ainda mais nebuloso. Na época, denunciamos que o dinheiro poderia ter sido desviado para cobrir despesas e dívidas do PT, ainda referente à campanha presidencial de 2002. Dentre as "opções" que entendíamos como prováveis, chegamos a apontar que, pela época em que as mesmas foram confeccionadas, e em razão de sua montagem ter sido contratada empresa de Duda Mendonça, poderiam as cartilhas ter servido de pretexto para cobrir dívidas contraídas pelo PT junto ao marqueteiro baiano. O valor poderia indicar aqueles 10,0 milhões que Duda Mendonça, em testemunho à CPI, disse haver recebido em paraíso fiscal. Não que fosse esse o caminho que o dinheiro tomou, mas sim um dos muitos prováveis destinos e possibilidades.
.
Na edição desta semana da revista Veja, em reportagem de Julia Duailibi, o assunto voltou à tona, já com uma suspeita bastante fundamentada pelo TCU de que, de fato, o dinheiro das cartilhas poderia ter pago dívidas do PT. Estranhável ? De modo algum ! Em se tratando de governo Lula, todas as trapaças são possíveis, todos os crimes são verossímeis, todas as falcatruas são plenamente realizáveis.
.
Abaixo, transcrevemos a reportagem de Veja por entendermos necessário apurar todas as espertezas que este governo comete como prática endêmica de um partido que, antes de ser político, tornou-se o partido do crime organizado na política. Não se nota, em toda a história de administrações petistas, uma ao mesnos desacompanhada de uma coletânea impressionante de falcatruas. Para eles, assaltar os cofres públicos em nome da sua revolução é uma ação plenamente justificável. E quando descobertos, não tratam de negar o crime, tratam de se mostrarem vítimas de perseguição. Gente muito estranha esta. Para eles, o crime sempre é visando o bem comum (dos companheiros do partido, é claro), intolerável é serem investigados pela sociedade. Para quem alardeia não esconder o lixo debaixo do tapete, soa falso e cretina a justificativa petista para a ação criminosa de desviar verbas públicas, praticar a corrupção constante, além do aparelhamento indecente e vergonhoso das instituições. E claro, sempre devidamente protegidos por um criminalista famoso, que trata de apagar-lhes as pegadas e limpar as digitais. Mas não esquecendo que, nestas investigações, estranhamente, a polícia "republicana" sempre atua numa lerdeza de dar dó. Além de retardarem as investigações o máximo que podem, andam sempre no sentido oposto pelo qual os criminosos cruzaram. Quebrar sigilo dos envolvidos, então, só se pede em último caso. Já para prenderem sonegadores, traficantes e contrabandistas aí é fácil e se faz festa. Com direito a entrevista coletiva, algumas até em presença do famoso criminalista que dizem atuar, nas horas vagas, como Ministro da Justiça (será verdade ?).
.
Leiam abaixo a reportagem da Veja e observem a repetição das mesmas práticas, o que nos leva a afirmar que sempre que houver petista por perto, se alguém gritar "pega ladrão" não sobra um, meu irmão. Saem todos correndo em desespero (claro que para debaixo das asas do criminalista que os protegerá, e do "padrinho" que lhes dará o carinho e o amparo necessários) . Afinal, por mais "aloprados" que os meninos possam agir, eles são do ninho e cumprem suas tarefas com muito esmero. E, também, o "padrinho" precisa certificar-se de que os "aloprados" criminosos não abrirão o bico para contar inconfidências comprometedoras para seu chefe supremo. Realmente, reconheçamos, esta familia é muito unida ! Muito mesmo ! Tipo assim, como vou dizer ... hummmm... "cosa nostra" !!!
.
**************
.
Ficou ainda pior

Relatório do TCU diz: dinheiro das cartilhas pode ter pago dívida do PT
Reportagem de Julia Duailibi
.
.
Em sua edição de 13 de setembro, VEJA revelou a justificativa dada pelo governo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para o desaparecimento de 2 milhões de encartes e revistas de propaganda institucional pagos com dinheiro público. O governo informou ao TCU que o material, sobre o qual não há registro nas repartições oficiais, havia sido entregue diretamente pelas gráficas ao Partido dos Trabalhadores. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), responsável pela elaboração da propaganda, isso ocorreu porque o PT se dispôs a distribuir os encartes e revistas à população, com o objetivo de baratear os custos para os cofres do Estado. Diante da explicação do governo, o ministro Ubiratan Aguiar, relator do processo que investiga o caso, afirmou, em voto proferido no mês passado, ter havido uma confusão inadmissível entre os interesses do governo e os de um partido político. Ele determinou, ainda, que o ex-ministro Luiz Gushiken, na ocasião à frente da Secom, e outros nove funcionários devolvessem ao Erário o valor gasto com o material supostamente entregue ao PT, além daquele despendido com outros 3 milhões de exemplares efetivamente distribuídos, mas produzidos a preços superfaturados. O total do dinheiro a ser reembolsado alcança 11 milhões de reais.
.
Na semana passada, VEJA teve acesso às 32 páginas do relatório técnico do TCU sobre o assunto e descobriu que o caso é bem complicado. Para os auditores do tribunal, há a hipótese de que os 2 milhões de encartes e revistas não tenham sido sequer produzidos e que o dinheiro pago pela Secom às gráficas serviu, na verdade, para remunerar serviços eleitorais feitos por elas ao próprio PT. A versão de que as cartilhas foram entregues ao PT seria, portanto, apenas uma desculpa para encobrir o crime de desvio de dinheiro público. Ao todo, dos 25 pontos fornecidos pela Secom para tentar comprovar a existência do material gráfico e a sua conseqüente distribuição, dezenove foram rechaçados pelos técnicos do tribunal. Os outros seis são compostos apenas de dados acessórios.
.
A mixórdia de versões da Secom é grande. De acordo com a secretaria, 1.000 exemplares foram entregues diretamente ao escritório da Presidência da República em São Paulo. Os técnicos do TCU, no entanto, não encontram uma prova consistente disso. A nota fiscal emitida pela gráfica responsável pela confecção desses exemplares estava em branco no campo destinado ao receptor. Há irregularidades mais gritantes. Na suposta entrega para o PT de um lote de 48.000 unidades, a nota fiscal traz valor distinto daquele pago pela Secom para a impressão das cartilhas. A secretaria diz que pagou 2,49 reais por unidade, mas no documento está 1,61 real. No afã de conseguir qualquer documento para comprovar o envio das revistas, a Secom chegou a entregar ao TCU recibos que faziam referência a um material editado em espanhol. Com relação a outros lotes, a secretaria nem sequer se deu ao trabalho de explicar ou anexar documentos que provassem sua confecção e distribuição.
.
As agências de publicidade responsáveis por produzir os encartes e revistas têm relação antiga com o PT. Uma delas é a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro próximo ao presidente Lula. A outra é a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário amigo do presidente e marqueteiro das duas primeiras campanhas de Lula ao Planalto, em 1989 e 1994. Não é novidade que, para o PT, não há fronteira entre Estado e partido. Essa confusão foi atestada pelo próprio ministro Ubiratan Aguiar em seu voto. Esperava-se apenas que, após os escândalos que envolveram a Secom no ano passado, como os contratos superfaturados com as empresas do lobista Marcos Valério, o governo promovesse uma limpa nos quadros do órgão. Mas o que se viu foi um desligamento apenas formal de Gushiken e de seu então braço-direito, Marcus Flora. Dos outros oito servidores responsabilizados pelo TCU no caso dos encartes e revistas desaparecidos, seis continuam na secretaria, firmes e fortes, mandando e desmandando. Esse é o governo da companheirada.
.
.
.
O ESQUEMA-FANTASMA
.
O TCU examinou notas fiscais e documentos apresentados pela Secretaria de Comunicação da Presidência para justificar a confecção de milhões de encartes e revistas com propaganda do governo Lula, supostamente distribuídos pelo PT. Conclusão: boa parte do material nem chegou a ser produzida.