sexta-feira, agosto 27, 2010

A farsa vigarista do secretário

Adelson Elias Vasconcellos

Ontem, quando se divulgou que, além do vice-presidente do PSDB e mais três tucanos, também se violara o sigilo fiscal de membros da família do dono das Casas Bahia e da apresentadora Ana Maria Braga, da TV Globo, na hora antevi o truque que se estava tramando: divulgava-se a quebra de sigilo de pessoas nada ligadas à vida política para descaracterizar o crime cometido com propósito eleitoral.

Resolvi aguardar mais 24 horas para ver o desenrolar dos acontecimentos e... NA MOSCA. A turma “descobriu” um jeito de ensaboar o crime, emprestando-lhe outra conotação, mas eliminando qualquer vinculação de natureza política.

Ora, os tais indícios do comércio de venda ilegal de dados que deveriam ser sigilosos já existiam há mais tempo. Eram vendidos a solto no centro de São Paulo. Isto já vinha sendo noticiado pela imprensa.

Contudo, os sigilos dos tucanos, não. São recentes. Tinham e tem, mesmo que a Receita negue, caráter político-eleitoral. E querem saber por que tinham tal característica? Simples, porque eles foram parar justamente no comitê de campanha da dona Dilma Rousseff.

Vamos, num primeiro momento, “acreditar” na versão asquerosa do senhor Cartaxo, a de que havia indícios de compra e venda de dados protegido por sigilo, saídos de dentro da Receita Federal, mas sem conotação política. Muito bem: ocorre, e conforme a própria imprensa já tinha apurado e vinha denunciando, tais dados se prestavam muito mais para uso de marketing, de um lado, e da bandidagem, de outro. Nenhum outro político a não ser os tucanos envolvidos, teve seu sigilo “vendido”. Pois bem, vamos ainda supor que tenha sido apenas uma coincidência o fato de Eduardo Jorge e mais três pessoas ligadas ao seu partido, terem sido incluídas na lista de compra e venda ilegal.

Ora, se havia indícios do tal comércio ilegal, é justo supor que sua existência fosse do conhecimento do submundo do crime, certo? E, neste caso, que alguém do PT dele tivesse tomado conhecimento e tenha encomendado os sigilos dos nomes que lhe interessavam, na tentativa de fraudar a eleição?

Ora, a explicação com que se tenta tirar a mancha que pesa sobre o comitê de campanha da dona Dilma, torna o crime ainda pior. Por que não se vê a quebra de sigilo de gente ligada ao PT? Ou, ainda, de qualquer outro partido?

Sendo assim, “alguém” do comitê sabia da existência de uma quadrilha que quebrava sigilos ilegalmente e, ao invés de denunciar a existência do esquema, resolveu aproveitar a onda para uso político, pedindo justamente informações de tucanos. Ou seja, tornaram-se cúmplices e coniventes com a prática criminosa. Mais: dentre tantos tucanos de quem poderiam ter se apropriado de dados sigilosos, por que justo aqueles, Eduardo Jorge e mais tres? Sabem por quê? Porque isto comprova que se estava, de fato, montando um dossiê contra Serra, porque os nomes não teriam aparecido ao acaso. E esta denúncia já havia sido feita, apesar de todos os desmentidos e negativas de dona Dilma. Eram investigados pela mesma turma que, ontem, aqui, apresentamos testemunhos de pessoas ligadas ao PT e que já os denunciaram pela fabricação de dossiês contra adversários políticos. Esta é a razão pela qual os seus sigilos foram ilegalmente quebrados, mas não acaso, tiveram uma escolha pré-determinada. Conforme o mesmo Cinchetto da reportagem de ontem, tratava-se de informação "requentada", atualização do banco de dados onde se produzem dossiês, contra as mesmas pessoas que vinham sendo "investigadas" desde ...2002.

Em 2006, no caso dos aloprados, a versão que se tentou “vender” à sociedade, teve comportamento mais ou menos semelhante ao de agora. Reparem que coisa curiosa:

a.- Havia a materialidade do crime, já que o dossiê fajuto acabou aparecendo;

b.- Havia a materialidade da propina com que se ia comprar o dossiê, eram 1,7 milhão, cuja foto acabou vazando na imprensa, o que deixou o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, extremamente irritado;

c.- Havia, claro, os aloprados, gente da copa e cozinha tanto de Lula quanto de Aloísio Mercadante;

d.- Sabia-se exatamente quem venderia o tal dossiê, seu nome, endereço, CPF e filiação.

E, mesmo diante de tudo isso, a nossa Polícia Federal encerrou o inquérito inconcluso e ninguém foi punido. Aliás, segundo se mentiu à opinião pública, sequer foi possível descobrir a origem do dinheiro!!! Ah, também naquela ocasião, tanto quanto agora a Receita Federal declarou, as investigações seriam encerradas SOMENTE após as eleições. Mesmo diante de tudo que já se sabe e se sabia !!!??? O tipo de crime pode ser um pouco diferente, os personagens envolvidos também (alguns operários ao menos), mas o objetivo é exatamente igual: fraudar as eleições.
Ora, o que esta gente pensa que somos? Imbecis? Idiotas? Que a oposição nada faça contra o governo do crime organizado que está aí, lá isso é problema deles. Mas não venha a turma do governo tomar o restante da nação por perfeitos dementes, que não são capazes de distinguir a mentira descarada da verdade dos fatos.

E, por fim, uma perguntinha que já na quarta feira deixara no ar: por que, somente após a justiça haver determinado que a Receita permitisse a Eduardo Jorge ter acesso ao inquérito, é que todos estes fatos e evidências vieram a público? E por que o senhor Cartaxo demorou todo este tempo para contar esta versão dos fatos e, mesmo com uma investigação inconclusa, já descartar a motivação política como móvel direto da ação criminosa?

Querem saber de uma coisa: pela quantidade de furos contidos nesta versão do senhor Secretário da Receita Federal, não duvidem que surja uma nova versão, rapidinho, com mais “explicações” e “alternativas” que possam descartar a conotação política na quebra de sigilo dos tucanos. Eis um bom prato para os jornalistas sérios e independentes irem atrás. Tem muito mais chumbo grosso por detrás desta roseira.

E para quem tiver dúvidas do que esta turma é capaz, leia o artigo com que encerramos a edição de ontem “Um partido com longa ficha corrida de crimes. Ou, o lugar do PT é na cadeia, não no governo!”. Aliás, ali, se identifica o método – produção de dossiês contra adversários políticos – e os principais responsáveis pelo comando das operações ilegais. Ah, vejam lá também: tudo é de conhecimento de Lula que sempre autorizou as ações clandestinas deste submundo ilegal. E por que ele autorizaria? Simples: é, diretamente, o único que se beneficia.

Um partido com longa ficha corrida de crimes. Ou , o lugar do PT é na cadeia, não no governo!

Adelson Elias Vasconcellos

Sempre que a turma do PT ou ligado a ele é pega em flagrante cometimento de crimes, o primeiro ato é defenderem-se com um não sei e não sabia de nada. Esta tem sido a praxe.

A fábrica de dossiês montada pelo PT vem de muitos anos atrás. Várias reportagens na imprensa, algumas inclusive aqui reproduzidas, contam detalhes e apontam os protagonistas principais deste método imoral (e muitas vezes ilegal) petista de luta política. É um jogo que frauda eleições e difama adversários.

A novidade nesta eleição é que os adversários alvos do PT passaram a se antecipar para se defenderem. Já há algum tempo rola uma interminável investigação na Receita Federal sobre a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Sabe-se o dia, a hora, o equipamento e a senha que violou um direito constitucional de um cidadão brasileiro. Mas até alguns dias atrás, a investigação da turma da Receita não se definia. Foi preciso que a vítima, Eduardo Jorge, recorresse à Justiça para obrigar a Receita a exibir o processo. De posse da papelada, descobriu-se que o crime era pior do que se imaginava. Não apenas o sigilo de Eduardo Jorge fora quebrado duas vezes, mas também o crime alcançara mais três tucanos, informação até então “preservada” pela Receita Federal. Tanto o crime da quebra ilegal de sigilo de um cidadão é grave, quanto a falta de definição da Receita Federal em investigar o próprio crime.

Não podemos esquecer do que já acontecera com o ex-caseiro Francenildo, que desmentira o então ministro Antonio Palocci, informando de sua presença em uma certa casa em Brasília, onde se reuniam alguns indivíduos para tramarem e urdirem negócios prá lá de suspeitos.

Na campanha presidencial de 2006, gente da copa e cozinha de Lula, acompanhada de integrantes do comitê de campanha de Aloísio Mercadante, fora flagrada no interior de um hotel, com mala contendo 1,7 milhão de reais, para a compra de um dossiê fajuto contra o então candidato ao governo paulista José Serra e que prejudicaria, por tabela, o adversário de Lula, o tucano Geraldo Alckmin.

Nem é preciso dizer que depois de muitas indas e vindas, as “investigações” resultaram em coisa alguma. Ninguém foi punido. E, do mesmo modo como a Receita Federal tem se comportado agora, na época, fora a vez da Polícia Federal seguir o mesmo roteiro.

Ao longo do segundo mandato de Lula, uma nova personagem apareceu no cenário dos dossiês. Dona Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil, agora candidata a sucessão de Lula. Foi de seu gabinete que se produziu um dossiê contra a esposa de Fernando Henrique, a falecida Ruth Cardoso, obrigando inclusive que Lula se desculpasse com o casal. Sempre que indagada, dona Dilma contava uma versão diferente, mas insistindo que se tratava apenas de um banco de dados, e não, como de fato era, de um dossiê com propósitos criminosos.

Esta mesma senhora, mais adiante, foi confrontada pela então secretaria da Receita Federal, senhora Lina Vieira, como lhe tendo pedido para aliviar uma investigação em curso contra a família Sarney, então alvo de enorme pressão por conta de inúmeras pilantragens cometidas com dinheiro público. Dona Dilma, acima como Lula sempre fizera antes, tratou de negar que tivesse tido reunião com Lina Vieira. Porém, o técnico de informática, Demetrius Sampaio Felinto desmentiu dona Dilma, afirmando que o vídeo gravado está no Palácio do Planalto e mostra que a ex-secretária esteve na Casa Civil, tal qual testemunhara.

Mais recentemente, outra testemunha surgiu no universo da política brasileira declarando ter sido contratado pelo comitê de campanha de Dilma Roussef com o propósito de bisbilhotar adversários e montar dossiês, principalmente contra José Serra.

Hoje, Dilma em entrevista levada ao ar pelo Jornal Nacional, declarou que nada teve a ver com a quebra de sigilo dos tucanos e até afirmou que ingressará com ação contra Serra por calúnia e difamação. Ou seja, eles querem processar a vítima. Gente estranha esta, não ?

Agora, se algum conselho pudesse dar ao PT, eu diria que o melhor que poderiam fazer era não mexer neste vespeiro. Neste submundo lamacento da política, até algum tempo atrás ignorado pelo país, passou a revelar testemunhas bastante ativas em passado recente, e cujas revelações recentes, colocam o PT sob a cruz e a espada.

A seguir, reproduzimos trechos de duas reportagens da revista VEJA, com revelações bombásticas e que de modo algum poderão ser desmentidas pelo PT (como aliás não foram).

Na Edição 2177/11 agosto 2010, reportagem sob o título “ Uma confissão desconcertante”, pg.68, destacamos este trecho:

“(...) Gerardo Xavier Santiago é um arquivo vivo da atuação de um grupo de sindicalistas do PT no comando da PREVI, o maior fundo de pensão do país. Por sete anos, Gerardo foi assessor direto de Sérgio Rosa, o petista que presidiu a Previ até maio deste ano. No cargo, Rosa transformou o órgão em um bunker de espionagem e fabricação de dossiês contra adversários de seu grupo político e do governo Lula. Gerardo era encarregado direto da produção dos dossiês, principalmente, na época da CPI dos Correios, que desvendou o mensalão e quase levou o governo a nocaute. Em várias horas de conversa com VEJA nos últimos meses, ele revelou os detalhes do método petista de enfrentar opositores – que continua funcionando a pleno vapor e produzindo sucessivos escândalos.(...)”

Perguntado se já recebera ordens fazer dossiês contra alguém respondeu:

“(...) A primeira vez foi no governo FHC. Em junho de 2002, o governo federal fez uma intervenção para destituir todos os diretores da Previ. Como essa intervenção nos prejudicaria, foi formado um grupo de petistas para levantar informações que comprometessem a gestão tucana e provassem a ingerência do governo na Previ.(...)”

Mais adiante ele acrescenta:

“(...) Agora dossiês com conteúdo com conteúdo ofensivo, para atingir adversários políticos, só no governo Lula mesmo, na gestão do Sérgio Rosa(...)”..

E confessa:

“(...) Quando o PT chegou a Presidência da República, os dirigentes botaram a Previ para defender o governo, o partido, o sindicato, a CUT. Hoje, a Previ é um braço partidário, é um bunker de um grupo do PT, uma fábrica de dossiês. A Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto.(...)”.

Já na Edição 2178/18 agosto 2010/ pagina 76, sob o título “ Mais uma desconcertante testemunha”, destacamos este trecho:

(...) “Lula sabia e deu autorização”

Wagner Cinchetto atuou na linha de frente da campanha petista de 2002, montou um grupo encarregado de produzir dossiês, que pudesse servir de munição para atacar, constranger e destruir a imagem dos oponentes do presidente Lula. Os sindicalistas recrutados para o trabalho eram todos ligados ao então candidato do PT, que, segundo ele, sabia de tudo.(...)”.

Perguntado sobre qual era a ideia do grupo, respondeu:

“(...) A ideia era atacar primeiro. Eu lembro do momento em que o Ciro Gomes começou a avançar nas pesquisas. Despontava como um dos favoritos. Decidimos, então, fazer um trabalho em cima dele, centrado em seu ponto mais fraco, que era o candidato a vice de sua chapa, o Paulinho da Força. Eu trabalhava para a CUT e já tinha feito um imenso dossiê sobre o deputado. Já tinha levantado documentos que mostravam desvios de dinheiro público, convênios ilegais assinados entre a Força Sindical e o governo e indícios de que ele tinha um patrimônio incompatível com sua renda. O dossiê era um trabalho profissional. (...)”

Perguntado sobre qual a serventia dos dossiês produzidos por eles, respondeu:

“(...) Fotografamos até uma fazenda que o Paulinho comprou no interior de São Paulo, os documentos do cartório, a história verdadeira da transação. Foi preparada uma armadilha para “vender” o dossiê ao Paulinho e registrar o momento da compra, mas ele não caiu. Simultaneamente, ligávamos para o Ciro para ameaçá-lo, tentar desestabilizá-lo emocionalmente. O pessoal dizia que ele perderia o controle. Por fim, fizemos as denúncias chegarem à imprensa. A candidatura Ciro foi sendo minada aos poucos. O mais curioso é que ele achava que isso era coisa dos tucanos, do pessoal do Serra.(...)”

E acrescentou:

“(...) Como os documentos que a gente tinha vinham de processos internos do governo, a relação era mais ou menos óbvia. Também se dizia que o Ciro tirava votos do Serra. Portanto, a conclusão era lógica: o material vinha do governo, os tucanos seriam os mais interessados em detonar o Ciro, logo...No caso da Lunus, que fulminou a candidatura da Roseana, aconteceu a mesma coisa. (...)”

(...) Aquela situação da Roseana caiu como uma luva. Ao mesmo tempo que o PT se livrava de uma adversária de peso, agia para rachar a base aliada dos adversários... Até hoje todo mundo acha que os tucanos planejaram tudo. Mas o PT estava nessa.(...)

Perguntado sobre quem traçava as estratégias, disse:

“(...) O grupo era formado por pessoas que têm uma longa militância política. Todas com experiência neste submundo sindical, principalmente dos bancários e metalúrgicos. Não havia um chefe propriamente dito. Quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini e o Luis Marinho (atual prefeito de São Bernardo do Campo). Basicamente, nos reuníamos e discutíamos estratégias com a premissa de que era preciso sempre atacar antes.(...)”

Sobre se o então candidato Lula sabia alguma sobre a atividade do grupo, afirmou:

“(...) Lula sabia de tudo e deu autorização para o trabalho. Talvez desconhecesse os detalhes, mas sabia do funcionamento do grupo. O Bargas funcionava como elo entre nós e o candidato.(...)” (grifo nosso).

As duas reportagens acima são verdadeiras peças incriminadoras de um método fascista de praticar política. Gente que se presta a empregar tais métodos, se caracteriza muito mais a prática de crime organizado do que a de ser um agente atuante no mundo político de um país que se diz democrático.

De posse das reportagens e com o recolhimento dos testemunhos, é inadmissível ver que a oposição nada fez para acionar na Justiça estes pistoleiros da política brasileira. Gente como essa deveria ser expulsa da vida partidária, deveria ser impedida de atuar em qualquer função pública, quanto mais estar à frente da Presidência da República. Material não falta para uma ação que detone e expurgue estes bando de salafrários do mundo da política nacional.

E que fique claro: nem Lula tampouco Dilma, por mais que neguem, são “inocentes” nos casos que acima apontamos. Há provas e testemunhas suficientes para ambos responderem por ações de impedimento, por não apenas serem co-autores dos crimes, mas, sobretudo, por terem autorizado que os mesmos fossem cometidos.

Enquanto no Brasil este clima lamacento de se fazer política permanecer, jamais qualquer cidadão estará a salvo na preservação de seus direitos. Qualquer um que contestar o governo ou os governantes, poderá ter sua privacidade violada e devassada de forma torpe e ilegal. Gostem ou não, vivemos um clima de estado policial, e neste sentido, nosso regime já deixou de se caracterizar por democrático, passou a ser a de um regime de exceção.

Não se espere coisa melhor em um provável governo Dilma. Até pelo contrário: a desfaçatez com que esta senhora tem se comportado, a maneira cínica e mentirosa como tem atuado nesta campanha, denota estarmos diante de uma pessoa sem caráter, sem escrúpulos, sem moral. Para os quantos que conheceram a forma como se conduziu à frente da Casa Civil, sabe que, terminada a campanha, este lustro marqueteiro feito para esconder seu verdadeira face, ruirá de vez, dando lugar a verdadeira Dilma, aquela capaz de constranger quem lhe está próximo e a desagrade por qualquer motivo, capaz de falsear uma formação acadêmica que nunca teve, e de mentir sem nenhum pejo para reescrever uma história que o Brasil nunca teve.

Se com tanta munição José Serra é incapaz de confrontar não apenas sua adversária nesta eleição, como também o senhor imperial que habita atualmente o Palácio do Planalto, é porque de fato não merece o galardão de presidir o país. Precisamos de gente de caráter, de vergonha na cara, com coragem e iniciativa para defender o país de seus achacadores e usurpadores. O povo brasileiro sabe bem do que precisa, e se não o encontra dentre os atuais candidatos, melhor deixar do jeito que está.

Como já afirmei, oposição que não faz oposição, não ganha eleição. E o que Lula, desde 2003, jamais precisou se preocupar foi enfrentar uma oposição com cara e coragem. A que está aí é mais governista do que a própria base de apoio de Lula.

PT: os escândalos mancham a história da legenda

Revista Veja, Acervo Digital

A campanha ainda nem tinha começado – oficialmente, pelo menos – e um escândalo protagonizado pelo PT ganhou destaque no país. VEJA revelou a existência de um grupo que se reunia dentro do comitê eleitoral do partido, em Brasília, com a missão de espionar adversários e integrantes da próprio legenda. O caso faz lembrar o ano de 2006, quando um grupo de petistas se envolveu numa trama para montar um falso dossiê com acusações contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra.

O partido que sempre empunhou a bandeira da lisura com a coisa pública tem se envolvido em um escândalo atrás do outro desde que chegou ao Planalto, em 2002. Nos últimos anos, o PT mostrou imensa destreza em associar política, corrupção e táticas de evasão. Um dos escândalos mais assombrosos protagonizados pela legenda foi revelado em 2005.

Pouco depois de VEJA ter publicado o conteúdo de uma fita em que Maurício Marinho, então chefe de departamento nos Correios, aparece recebendo propina de empresários em nome do presidente do PTB, Roberto Jefferson, o líder da sigla revelou em entrevista a um jornal a existência de um esquema de pagamento de propina a deputados da base aliada, conhecido como mensalão. Foi exposta ali a maior e a mais bem organizada quadrilha já descoberta agindo na estrutura de governo.

Como se sabe, entre os 40 acusados, nove tinham posição de destaque no PT. O deputado José Genoíno, processado por corrupção ativa e formação de quadrilha, era o presidente do partido. Além dele, foram denunciados o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-secretário Silvio Pereira, o ex-ministro Luiz Gushiken, o ex-deputado José Dirceu, Professor Luizinho e João Magno e os deputados João Paulo Cunha e Paulo Rocha.

Um ano mais tarde, o comitê de campanha do presidente Lula estremeceu quando uma investigação da Polícia Federal revelou que a turma do presidente arrecadou quase 2 milhões de reais de origem até hoje ignorada e usou o dinheiro para comprar um conjunto de documentos fajutos de um conhecido estelionatário. A poucas horas do primeiro turno da eleição presidencial de 2006, Lula amargou o dissabor de ver divulgadas as imagens que seus subordinados no governo tão cuidadosamente haviam conseguido esconder por duas semanas: as das pilhas de dólares e reais com que petistas pretendiam comprar o falso dossiê.

Lula conseguiu se reeleger, mas não se livrou dos escândalos. No final de 2006, VEJA mostrou que a Gamecorp, empresa de Fábio Luis da Silva, filho de Lula, recebeu 5,2 milhões de reais da Telemar. Em 2007, o PT seu último adeus à ética justamente para salvar da guilhotina o pescoço do ex-collorido Renan Calheiros, acusado de usar um lobista para pagar suas despesas pessoais. Renan acabou por renunciar à presidência do Senado ameaçado por acusações de crimes de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, exploração de prestígio e sonegação fiscal.

Em 2010, VEJA revelou o esquema de desvio de recursos da Bancoop – que lesou milhares de associados para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002. O rombo provocado pelo desvio de recursos da Cooperativa Habitacional no escândalo que envolve integrantes do PT pode passar dos 100 milhões de reais. Como resultado, milhares de cooperados ficaram sem receber seus apartamentos. O caso segue sob investigação de uma CPI na Câmara Legislativa de São Paulo.

A 'mexicanização' em marcha

Bolívar Lamounier - O Estado de S.Paulo

O processo sucessório presidencial em curso comporta dois cenários marcadamente assimétricos, conforme o vencedor seja José Serra ou Dilma Rousseff. Se for José Serra, não é difícil prever a cerrada oposição que ele sofrerá por parte do PT e dos "movimentos sociais", entidades estudantis e sindicatos controlados por ele - e, provavelmente, do próprio Lula. Se for Dilma Rousseff - como as pesquisas estão indicando -, o cenário provável é a ausência, e não o excesso, de oposição.

Para bem entender esta hipótese convém levar em conta dois fatos adicionais.

Primeiro, o cenário Dilma não se esgota na figura da ex-ministra. Ele inclui, entre os elementos mais relevantes, o controle de ambas as Casas do Congresso Nacional pela dupla PT e PMDB. Inclui também uma entidade institucional inédita, personificada por Lula. Semelhante, neste aspecto, a um aiatolá, atuando de fora para dentro do governo, Lula tentará, como é óbvio, influenciar o conjunto do sistema político no sentido que lhe parecer conveniente ao governo de sua pupila ou a seus próprios interesses. Emitirá juízos positivos ou negativos, em graus variáveis de sutileza, sobre medidas tomadas pelo governo e regulará não só o comportamento da base governista no Congresso, mas também os movimentos de sístole e diástole da "sociedade civil organizada" - entendendo-se por tal os sindicatos, segmentos corporativos e demais organizações sensíveis à sua orientação.

O segundo fato a considerar é a extensão da derrota que Lula terá conseguido impor à oposição. Claro, a eventual derrota será também consequência das ambiguidades, das divisões e dos equívocos da própria oposição, mas o fator determinante será, evidentemente, a ação de Lula e do esquema de forças sob seu comando. Deixo de lado, por óbvio, as condições econômicas extremamente favoráveis, o Bolsa-Família, a popularidade do presidente, etc.

José Serra ficará sem mandato até 2012, pelo menos. No Senado - a menos que sobrevenha alguma reorganização das forças políticas -, Aécio Neves fará parte de uma pequena minoria parlamentar, situação em que ele dificilmente exercerá com desenvoltura as suas habilidades políticas.

Nos Estados, os governadores eventualmente eleitos pelo PSDB, sujeitos ao torniquete financeiro do governo federal, estarão igualmente vulneráveis ao rolo compressor governista. Longe de mim subestimar lideranças novas, como a de Beto Richa, no Paraná, e a de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Mas não é por acaso que Lula já se apresta a batalha por São Paulo, indicando claramente a sua disposição de empregar todo o arsenal necessário a fim de reverter o favoritismo tucano neste Estado.

Resumo da ópera: no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos.

É oportuno lembrar que o esquema de poder ora dominante abriga setores não inteiramente devotados à democracia representativa, adeptos seja do populismo que grassa em países vizinhos, seja de uma nebulosa "democracia direta", que de direta não teria nada, pois seus atores seriam, evidentemente, movimentos radicais e organizações corporativas. Claro indício da presença de tais setores é a famigerada tese do "controle social da mídia", eufemismo para intervenção em empresas jornalísticas e imposição de censura prévia.

Na Primeira República (1889-1930), a "situação" - ou seja, os governantes e seus aliados nos planos federal e estadual - esmagava a oposição. Foram poucas e parciais as exceções a essa regra. Mas a estratégia levada a cabo por Lula está indo muito além. É abrangente, notavelmente sagaz e tem um objetivo bem definido: alvejar em cheio a oposição tucana. Para bem compreendê-la seria mister voltar ao primeiro mandato, ao discurso da "herança maldita", sem precedente em nossa História republicana no que se refere ao envenenamento da imagem do antecessor; à anistia, retoricamente construída, a diversos corruptos e até a indivíduos que se aprestavam a cometer um crime - os "aloprados"; e aos primórdios da estratégia especificamente eleitoral, ao chamado confronto plebiscitário, em nome do qual ele liquidou no nascedouro toda veleidade de autonomia por parte de quantos se dispusessem a concorrer paralelamente a Dilma Rousseff. A Ciro Gomes Lula não concedeu sequer a graça de uma "sublegenda", para evocar um termo do período militar.

Para o bem ou para o mal, a única oposição político-eleitoral potencialmente capaz de fazer frente ao rolo compressor lulista é a aliança PSDB-DEM-PPS. No horizonte de tempo em que estou pensando - digamos, os próximos quatro anos -, não há alternativa. Portanto, a operação a que estamos assistindo, com seu claro intento de esterilizar ou virtualmente aniquilar essa aliança, coloca-nos nas cercanias de um regime autoritário.

Sem a esterilização ou o aniquilamento político-eleitoral da mencionada coalizão, não há como cogitar de um projeto de poder hegemônico, de longo prazo e sem real alternância de poder. A esterilização pode resultar de uma estratégia deliberada por parte do comando político existente em dado momento, de uma conjunção de erros, derrotas e até fraquezas das próprias forças oposicionistas - ou de ambas as coisas.

Sociologicamente falando, não há funcionamento efetivo da democracia, quaisquer que sejam os arranjos constitucionais vigentes, num país onde não exista uma oposição eleitoralmente viável. Haverá, na melhor das hipóteses, um autoritarismo disfarçado, um "chavismo branco" ou, se preferem, um regime mexican style - aquele dominado durante seis décadas pelo PRI, o velho Partido Revolucionário Institucional mexicano.

Isabelita do PT

Sebastião Nery

No jantar de aniversário de um radialista amigo, em São Paulo, em 2002, José Serra, candidato a presidente da Republica pelo PSDB-PF, tenso, pegou pelo braço o deputado e criador da Força Sindical, Luís Antonio Medeiros, e levou-o para a varanda:

- Medeiros, desta vez você vai ficar conosco?

- Não posso, Serra. Sou PL e meu partido deve apoiar o Lula. Pela primeira vez vou ficar com o Lula. Da próxima conte comigo.

- Não haverá a próxima vez, Medeiros. Será agora ou nunca. Estou com 60 anos e sei que minhas energias e chances são agora. Vi o Montoro acabar o governo gagá, aos 70 anos. (Montoro nasceu em 16 de julho de 1916, terminou o governo em 1986, e morreu em 16 de julho de 1999. Serra nasceu em 19 de março de 1942.) Vai ser tudo ou nada, Medeiros. Vou jogar tudo e passar por cima de quem se puser na minha frente.

Serra
No dia seguinte, publiquei a conversa, Medeiros confirmou. Agora, 8 anos depois, novamente candidato a presidente, Serra mostra que estava enganado. Aos 68 anos, ainda tem energia, e muita, para disputar outra vez.

O que falta a Serra não é energia. É campanha, é candidatura. Seu marqueteiro Luiz Gonzalez, com o ar blasé de vendedor de apartamento em Barcelona, quer que Serra seja um sub-Lula. Então o candidato da oposição devia ser Dirceu, Palocci, Genoino, Delubio, e não Serra.

Nunca se viu uma campanha tão necessitada de Vitamina C (“Vitamina Carater”). Serra quer ser o Lula, Marina quer ser a Dilma. Se é assim, deviam ir embora para casa e deixar como está para ver como fica.

A derrocada dos dois na “pesquisa” é um silencioso e humilhante suicídio.

Pesquisa
Agora ficou claro porque o Congresso e a Justiça Eleitoral proibiram comícios, cantores, camisetas e foguetes. Nunca houve campanha em pais nenhum sem isso. É para que os recursos de campanha fossem todos canalizados para os marqueteiros da televisão e os institutos de “pesquisa”, associados às redes de TV e grandes jornais. Juntos, manipulam tudo.

É uma catapulta.Antes,as pesquisas eram mensais.Viraram semanais. Cada semana um deles lança seus números a serviço dos candidatos oficiais (nacional ou estaduais). E as televisões e jornalões martelam aqueles “números” a semana inteira, de manhã, de tarde, de noite. As TVs fazem um carnaval, de hora em hora, em dezenas de jornais diários.

No fim de semana, lá vem outro instituto escalado para a nova “pesquisa”. E nova bateria de noticiários, dezenas de vezes ao dia. A primeira “pesquisa” empurra a segunda, a segunda empurra a terceira e assim consecutivamente. Mas havia um, o “Datafolha”, fora da jogada.

Datafolha
Cada mês, uma vez por mês, a “Folha” publicava o “Datafolha”. Sempre mais de 10 mil entrevistados, ouvidos durante uma semana em milhares de municipios de todos os Estados. E daí vinha sua credibilidade.

E a “Folha” resolveu entrar na roda da fortuna, no baú da felicidade

Sábado, surpreendentemente, o “DataFolha”, que havia apresentado sua pesquisa mensal no ultimo dia 13 de agosto, aparece com “nova pesquisa”, uma semana depois. E na primeira pagina confessa o jogo:

- “Esta pesquisa foi realizada com 2.727 entrevistados, em 171 municipios, no dia 20 de agosto (sexta-feira) de 2010”.

TV
Como pode ser? Mais de 2.700 pessoas ouvidas em 171 municipios, em um dia só?Como chegar a tanta gente em um só dia?Nem Chico Xavier.

- “Dilma Dispara, Dobra Vantagem e Venceria Serra no 1º Turno”.

Todas as TVs passaram o sabado inteiro repetindo “ad nauseam”. E com elas todos os “blogs” da Internet e todos os jornalões e jornalecos da poderosa, incomparável e imbatível rede de imprensa do Franklin Martins.

Com uma “maquina de governo” desse poderio, a eleição está liquidada. E vem o parlapatão espanhol e joga Serra na garupa de Lula. Como dizia um velho mestre do Seminário, só não relincham de modéstia.

Marina
A campanha de Serra dizia que, quando o horário eleitoral chegasse à televisão, ele tirava a diferença. Só piorou. A frieza do programa dele transmite uma irreversivel mensagem de derrota. E Dilma, com seu “mestrado de mentira”, diz qualquer coisa, sem compromisso com a ética. O brasileiro tornou-se refém da TV. A TV falou, virou verdade. No “Globo”, Merval Pereira cita a Marina Silva, que denuncia “a infantilização do eleitorado brasileiro”. Não é infantilização. É “imbecilização”. E o grande culpado é precisamente a televisão. Merval sabe disso de casa.

Big Brother
Um povo que paga, e paga caro, mais de 300 mil telefonemas, quase 400 milhões de reais, para votar no “Big Brother”, o “tele-bordel” do Pedro Bial, é um povo que foi imbecilizado. E sobretudo pela TV.

O grande crime de Lula, que um dia o pais vai pagar, é haver “somosado”, “peronizado”, “chavesado”, “mexicanizado” a democracia brasileira. Esperem o governo da Isabelita do PT. Vai logo aparecer um Lopez Rega e tomar conta dela com uma “Triple A”, como na Argentina.

O “PRI” e o “Peronismo” já estão ai: o PT é filho deles. Só falta saber quem será nosso Lopez Rega: Dirceu,Marco Aurélio Garcia, Antonio Palocci, José Eduardo Dutra. Ou um Nelson Jobim de estrela no peito.

Receita acessou dados de dono das Casas Bahia e de Ana Maria Braga

Fernanda Odilla e Leonardo Souza, Folha online

O sigilo fiscal de quatro integrantes da família Klein, dona da rede de lojas Casas Bahia, e da apresentadora Ana Maria Braga, da Rede Globo, foram acessados na mesma na delegacia da Receita Federal em Mauá (SP) que violou os dados de pelo menos quatro pessoas ligadas ao PSDB. Ainda não se sabe, porém, se o acesso foi imotivado.

Tabela montada pela Corregedoria-Geral da Receita Federal lista todos os acessos feitos, entre agosto e dezembro de 2009, nos computadores de três servidoras consideradas suspeitas de violarem os dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.

Além dos CPFs de EJ e de outras pessoas ligadas ao candidato a presidente José Serra (PSDB), estão na lista de contribuintes que tiveram a declaração de renda acessada Ana Maria, Samuel Klein, empresário polonês que fundou as Casas Bahia, Michael Klein, diretor-executivo da rede, Maria Alice Pereira Klein, mulher de Michael, e Rapahel Oscar Klein, neto de Samuel e herdeiro da empresa.

No processo que apura a violação de sigilo, no entanto, a Receita listou sete contribuintes "que despertaram interesse da apuração". Além de Eduardo Jorge, a Receita destacou os nomes de Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do governo FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil na gestão tucana, e Gregório Marin Preciado, casado com uma prima do presidenciável Serra. Outros três nomes, dois deles filiados a partidos políticos, também foram destacados.

As informações ligadas ao vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, foram parar nas mãos de integrantes da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, que nega relação com o vazamento de dados sigilosos.

As servidoras suspeitas também negam a participação no episódio de quebra de sigilo fiscal.

A família Klein tomou conhecimento do assunto pela imprensa e não vai se pronunciar, disse a assessoria das Casas Bahia.

Já a assessoria da apresentadora afirmou que recebeu a notícia com surpresa e disse que irá esperar ser comunicada oficialmente para se pronunciar.

Um país na lama

Sebastião Nery

RIO – A praça cheia esperava o candidato chegar ao palanque. De repente, lá no fundo, a multidão começava a se movimentar, abrindo espaço para um fusca cinza passar com duas pessoas. No volante, camisa esporte, um motorista magro, bigode, cabelos negros desgrenhados e olhos arregalados, apoteoticamente aplaudido. Não ria, não agradecia, passava.

Ao lado dele, um homem alto, elegante, terno cinza, sorriso aberto, saudando o povo. Era o candidato. O fusca parou ao pé da escada, ele saiu do carro, subiu rápido os degraus, pegou o microfone :

- Antes dos oradores, quero agradecer a meu amigo motorista, que me trouxe até aqui e está saindo porque tem outros compromissos.

JANIO
O motorista era Janio Quadros, cassado pelo golpe de 1964 e, sem direitos políticos, proibido de qualquer atividade política. O candidato era o brigadeiro Faria Lima (José Vicente) que, naquele março de 1965, disputava a prefeitura de São Paulo pelo PTB, contra Laudo Natel do PR, Auro de Moura Andrade do PSD, Franco Montoro do PDC , Lino de Matos do PTN e Paulo Egidio Martins da UDN.

Faria Lima derrotou a todos, com 30% dos votos. Com Janio governador, tinha sido presidente da VASP e secretario de Viação e Obras Publicas de São Paulo. Janio presidente, foi para o BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Economico).

Na prefeitura, fez uma administração que o Dicionário da Fundação Getulio Vargas - CPDOC considerou “excepcional”:criou as subprefeituras, fez o Plano Básico Viário, abriu a avenida 23 de Maio, começou o metrô.

FARIA LIMA
Faria Lima sabia a diferença entre uma cidade e um acampamento. No discurso de posse, fez um retrato dramático de São Paulo e do pais :

- Uma cidade, para ser cidade, tem que ter mais de 50% dos serviços públicos. Se não, não é uma cidade, é um acampamento. Infelizmente, fui eleito para ser prefeito não de uma cidade mas de um acampamento.

E mostrou, um a um, os serviços públicos que faltavam à cidade de São Paulo. O discurso dele causou grande impacto. Exilado e clandestino em São Paulo, falso baiano e falso paulista, esperando o Superior Tribunal Militar me absolver, como absolveu, da condenação idiota da Justiça Militar baiana por “subversão e ameaça à segurança nacional”, acompanhei toda a campanha e o primeiro ano da administração de Faria Lima.

CASAS
Essa semana, o “Globo” trouxe duas grandes manchetes :

1.- “Governo Lula não Mudou a Calamidade do Saneamento”.
2. -“Retrato do Saneamento no Brasil”.

É inacreditável que, quase meio século depois da denúncia de Faria Lima, só três Estados brasileiros (Brasília, São Paulo e Minas) tenham “mais de 50% de domicílios atendidos por uma rede geral de esgotos” :

- “Pesquisa do IBGE revela que em 2008, sexto ano do governo Lula, o país ainda enfrentava situação de calamidade no saneamento: nada menos que 32 milhões de domicílios brasileiros (56% do total) ainda não eram atendidos por rede de esgoto, índice de país subdesenvolvido. Em 2000, quando a pesquisa foi feita pela última vez, havia 36 milhões de domicílios sem esgoto (66%), o que mostra que a situação pouco mudou”.

CIDADES
“Nesse período, os municípios sem rede coletora diminuíram apenas de 2.630 para 2.495 – cinco deles no Estado do Rio. O Ministério das Cidades descumpriu prazo para apresentar um plano de orientação dos investimentos em saneamento. O prazo acabou em dezembro de 2008”.

Este é o “retrato do saneamento no Brasil”, de sul a norte, de São Paulo a Rondônia. Uma devastadora realidade mostrando como, apesar de todos os discursos, sobretudo de Lula, os governos brasileiros trabalham mesmo é antes de tudo para os banqueiros, os especuladores, os ricos:

ESTADOS
- “Ranking nacional dos estados com domicílios atendidos por rede geral de esgoto:

Distrito Federal 86,3%,
São Paulo 82,1%,
Minas Gerais 68,9%,
Rio de Janeiro 49,2%,
Paraná 46,3%,
Pernambuco 33,9%,
Goiás 33%,
Bahia 28,8%,
Espírito Santo 28,3%,
Rio Grande do Sul 24,3%,
Ceará 23,9%,
Paraíba 22,9%,
Rio Grande do Norte 17,4%,
Mato Grosso do Sul 17,3%,
Sergipe 15,7%,
Santa Catarina 13,5%,
Tocantins 11,3%,
Roraima 10,9%,
Acre 10,1%,
Alagoas 9,6%,
Maranhão 7,6%,
Mato Grosso 5,4%,
Piauí 4,9%,
Amazonas 4,2%,
Amapá 3,5%,
Pará 1,7%,
Rondônia 1,6%.

Média do Brasil: só 44% com saneamento”.

Não é um pais, é um acampamento.

LAMA
Resumindo: em 2000, o Brasil tinha 36 milhões (66,5%) de “domicílios sem rede de esgoto.” Em 2008 o país ainda tinha 32 milhões (56%) de “domicílios sem rede de esgoto.”

Em termos de municípios, de cidades, é pior ainda. Em 2000 eram 2630 cidades (47,7%) e em 2008 ainda eram 2495 (44,8%) “cidades sem rede de esgoto”. Nem a metade das 5560 cidades do país.

Se eu não tivesse sido um menino bem educado no seminário e fosse um boca suja como o Lula, diria que o Brasil é “um país na merda”.

Não direi. Mas é impossível deixar de dizer que, 510 anos depois de Cabral, em pleno século 21, o Brasil ainda é “um país na lama”.

Crime organizado

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

Quando o presidente Luiz Inácio da Silva ordena que seus correligionários criem "fatos políticos" capazes de inverter a tendência do eleitorado de São Paulo em prol do tucano Geraldo Alckmin para favorecer o petista Aloizio Mercadante, é o caso de se pôr um pé atrás.

A penúltima tentativa oriunda do PT de criar um "fato" para tentar influir na direção da preferência dos eleitores foi em 2006. Um grupo de petistas foi pego pela Polícia Federal em um hotel de São Paulo quando se preparava para comprar um dossiê para ser usado contra o então candidato ao governo do Estado, José Serra.

A última, ainda em execução, a bem-sucedida - não obstante feita ao arrepio da lei - estratégia do presidente Lula de usar a máquina pública durante dois anos para construir uma representação eleitoral que pudesse ocupar o seu lugar no interregno entre mandatos.

Portanto, quando se fala em "fato" convém ouvir com reservas, pois talvez esteja em andamento um truque.

Conjeturava a respeito quando Leandro Colon e Rui Nogueira soltam ontem à tarde a nova no estadão.com.br: investigação da Receita Federal revela que além de Eduardo Jorge Caldas, mais três pessoas ligadas ao PSDB tiveram seus sigilos fiscais violados. No mesmo dia, hora, computador e mediante o uso da mesma senha.

Eduardo Jorge é vice-presidente do PSDB. Os outros são Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações que sucedeu a Sérgio Motta no governo Fernando Henrique; Gregório Preciado, empresário casado com uma prima de José Serra; Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil no governo FH.

Já se localizaram as funcionárias donas da senha e do computador que acionaram as informações das declarações de renda dos quatro tucanos. Ambas negam envolvimento. Faz parte.

Parte dessas informações, aquela relativa a Eduardo Jorge, foi parar nas mãos do grupo de "inteligência" do PT e de lá na redação do jornal Folha de S. Paulo, que divulgou a história.

O dossiê propriamente dito até agora ninguém sabe ninguém viu. E é a isso que o PT se apega para negar participação.

O partido pediu formalmente a abertura de investigações, mas depois disso não fez outra coisa a não ser desqualificar não só a acusação, mas o acontecimento em si.

O governo tampouco se mostra indignado com o fato de cidadãos sob sua proteção terem seus sigilos violados. Silencia e tergiversa, como fez o secretário-geral da Receita quando foi ao Congresso falar sobre o assunto.

Escondeu informações que em seguida seriam descobertas pela imprensa e marcou a divulgação da conclusão do caso para depois das eleições.

Pode ser que as coisas se apressem agora que a Justiça deu a Eduardo Jorge acesso às investigações da Receita e que ficou claro o seguinte: quebras de sigilo não são fatos isolados.

Sede ao pote.
Nesta altura em que Dilma Rousseff fala como "presidenta" eleita, já é possível perceber o que a candidata pensa sobre os melhores critérios para escolha de ministros.

"Não acho que tem (sic) uma área exclusiva para técnico e outra para político. Acho que o político deve combinar competência técnica e capacidade, e que o técnico deve ter jogo de cintura. Não pode ser o técnico frio nem o político sem capacidade, competência e qualificação", diz.

Noves fora, Dilma Rousseff não pensa coisa alguma a respeito. Caso pense não diz nada que possa indicar conhecimento de causa nem vontade de melhorar o modelo de distribuição de cargos mediante crédito partidário e não por mérito pessoal/profissional.

Se não sabe como administrar o Congresso, ou o governante é guiado por alguém que saiba ou é triturado por ele.

O verbo.
Lula diz que poderia ter mandado "emendinha" ao Congresso para ter novo mandato. Não é verdade. Gostaria, mas desistiu porque não conseguiria fazê-la passar pelo Senado nem pelo Supremo.

Banaliza-se a invasão de privacidade

O Globo, Editorial

Relatada do início até o veredicto lavrado terça-feira pelo juiz federal Antonio Claudio Macedo da Silva, a história do vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, é perfeita para enfatizar a necessidade de antídotos contra a crescente onda de invasão de arquivos confidenciais dos cidadãos deixados à guarda do Estado, e exemplar dos riscos que qualquer um corre hoje em dia.

Informações da declaração de imposto de renda de Eduardo Jorge foram retiradas dos computadores da Receita Federal e, segundo a “Folha de S.Paulo”, circularam num bunker eleitoral da candidata Dilma Rousseff, onde iriam alimentar um dossiê de aloprados contra tucanos — mais um.

Os desmentidos e a veemência foram os de praxe, mas, pressionada, a Receita abriu sindicância e revelou que uma funcionária de São Paulo, Aparecida Rodrigues dos Santos Silva, foi quem teve acesso não justificado às informações do tucano.

O caso continua nebuloso, pois Aparecida teria emprestado a senha a colegas de trabalho — seria uma laranja na operação de invasão do arquivo.

Porém, agora, a Justiça, em decisão louvável, determinou que a Receita passe a Eduardo Jorge todas as informações levantadas na morosa investigação.

Com precisão, o juiz comparou o aparato burocrático que não para de alimentar arquivos sobre a vida de cada brasileiro, sem proteger as informações como deveria, com o “big brother” de George Orwell, o estado onisciente e onipresente do livro “1984”, e o estado absolutista do “Leviatã”, de Thomas Hobbes.

Apontou o juiz para a “relação promíscua entre setores da administração pública e setores da imprensa”.

Cabe, aqui, um reparo: o x da questão não está em possíveis relações espúrias entre servidores e a imprensa, pelo menos no caso dos grupos que praticam o jornalismo profissional e independente. Estes se pautam por códigos de ética, protegem a privacidade alheia, a não em ser em casos de interesse público.

O problema se encontra, sim, nas vinculações de partidos e organismos sindicais dentro da máquina burocrática.

Os tentáculos que procuraram atingir o tucano existem porque, no governo Lula, há uma tentativa grave de partidarização de áreas do Estado, com grupos de militantes políticos, alguns com ramificações sindicais, no manejo de instrumentos públicos, usando-os com fins privados.

É um estágio avançado de metástase da conhecida doença brasileira do patrimonialismo, em que se “privatiza” o Estado com finalidades político-eleitorais, pecuniárias ou ambas.

O assunto é mais amplo. Em reportagens publicadas terça-feira e ontem, O GLOBO comprovou como é possível, nas ruas do Centro velho de São Paulo, adquirir arquivos em forma digital com dados do INSS, Receita, Denatran e até de bancos privados, como o Itaú-Unibanco, referentes a milhões de pessoas.

Os arquivos podem ser usados tanto por call centers e em empresas de mailings, como por sequestradores, chantagistas, assaltantes.

O Estado, portanto, virou um queijo suíço dentro do qual agem quadrilhas de toda a espécie, de militantes a ladrões comuns, praticando inomináveis crimes contra o direito à privacidade.

Esta decisão do juiz deveria balizar, daqui para frente, a posição da Justiça ao lado do cidadão, para protegê-lo do “big brother” e do “Leviatã”.

Antes de escolha, a informação

Comentando a Notícia

Dois vídeos abaixo para mostrar aos incautos, o real perigo que nos ronda se a candidata inventada por Lula acabar vencendo a corrida presidencial. Não se trata de terrorismo. Isto lá é método asqueroso do PT.

O propósito é apenas informar, e a informação que os vídeos trazem são verdadeiras. Não se trata de opinião ou de cretinices soltas a esmo. Sempre há os que se deixam levar pelas ondas alheias. Assim, se as escolhas puderem ser feitas a partir da correta informação sobre quem é quem, muito melhor: pelo menos, evitará arrependimentos futuros, quando então já será tarde para mudar de lado.

Dilma Goela Abaixo - A História que o PT não mostrará na TV




As verdades sobre a candidata do PT para presidente: Dilma Rousseff

Pagamos mais caro. E agora?

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S.Paulo

A globalização contemporânea apresenta esta vantagem: amplia a capacidade do consumidor de comparar preços. Os computadores, jogos eletrônicos, celulares, roupas, tênis, perfumes, etc. são os mesmos pelos shoppings mundo afora. Aliás, os shoppings são iguais. Viagens internacionais mais frequentes e baratas e, sobretudo, a internet completam o quadro. Dá para saber o preço de um carro em qualquer país.

O consumidor brasileiro está ligado nisso e já toma consciência de como os mesmos produtos são muito caros por aqui. O artigo da semana passada, mais a reportagem e o comentário no Jornal da Globo de quinta-feira (19/8) trouxeram ampla variedade de e-mails e relatos de experiências diversas.

Eis alguns exemplos:

Luiz Brandão chama a atenção para os remédios. Conta que um medicamento produzido pela AstraZeneca, chamado Nexium esomeprazol, custa na Argentina a metade do preço praticado no Brasil.

André Blau, de São Paulo, contou: “Minha esposa me comprou de presente um pulôver sem mangas, pelo qual ela pagou R$ 240. A peça não passou na primeira lavagem. Saiu com aparência feia e cheia de bolinhas. Aí, entrei na internet e comprei da Inglaterra malhas feitas de Cashmere misturada com lã merinos. Paguei cerca de R$ 60, inclusive com despacho. Paga-se com cartão de crédito. Na alfândega brasileira, passa sem pagar imposto todo pacote que tem até três ou quatro malhas.”

Antonio Carlos Reis, de Piracicaba, contou sobre a diferença de preços entre uma mesma pick-up aqui e em Buenos Aires. E pergunta: “Minha mulher e eu podemos, num fim de semana, voar para Buenos Aires para um passeio romântico e de lá voltar na desejada pick-up? Pelo que sei sobre comércio exterior na esfera do Mercosul, não há imposto de importação.”

Edson Pinto, que ajudou um filho a montar uma loja em shopping, conta dos custos elevadíssimos para fazer negócios no Brasil. São custos públicos, digamos assim, como os impostos e as infinitas taxas. Lá pelas tantas, relata, “entra o Ecad e exige o pagamento de taxas pela música que o caixa ouve no computador da loja; a prefeitura exige que a vitrine tenha faixas para evitar que os clientes desatentos batam a cabeça no vidro; o Procon passa e multa porque um determinado produto entre dezenas na vitrine não traz o preço”. E há custos privados, ou seja, aqueles cobrados pelos administradores dos shoppings. Tudo somado, diz nosso leitor, o empresário tende a colocar margens brutas muito elevadas, que lhe parecem a melhor saída para enfrentar os custos atuais e possíveis no futuro. Resultado: “Vira um jogo de malandragem necessária em que a lei da oferta e da procura clássica só se sustenta a curto prazo. Claro que poucos comprarão. Talvez se venda em quantidade suficiente para ganhar algum. Se não, parte-se para outro produto e a roda-viva continua até que o pequeno comércio, sonhado pelos jovens que acreditam inocentemente no País, vá se incorporar à estatística tenebrosa da mortalidade precoce de novos negócios no Brasil.”

Tudo considerado, há cinco classes de problemas:

Impostos: não a há a menor dúvida, a carga tributária impõe custos elevados ao consumidor. O caso dos remédios é dramático: num medicamento de R$ 10 o governo pega R$ 3,50, mesmo para produtos de uso contínuo. Em produtos eletrônicos a carga pode chegar à metade do preço final.

O custo de fazer negócios no Brasil: uma pesquisa nacional da Firjan mostra que a abertura de uma empresa exige de seis a oito etapas burocráticas, pagamento de 12 a 16 taxas, tudo com 43 documentos (alvarás, licenças, etc.). Abrir uma empresa pequena no Rio, no ramo da alimentação, sai por mais de R$ 5 mil. Há Estados em que os bombeiros cobram R$ 2.500 para darem um alvará. Em Santa Catarina, a OAB local tabelou em R$ 2.681 o trabalho do advogado de assinar o contrato de abertura de empresa, em geral um contrato-padrão. Um estudo da Fiesp calcula que as empresas brasileiras gastam anualmente cerca de R$ 45 bilhões com a burocracia. Uma enormidade, equivalem a 1,5% do PIB. Incluem-se aqui custos trabalhistas e o dinheiro e a energia aplicados pelas empresas nas relações com o Fisco.

Custo da infraestrutura: fretes elevados e demorados, taxas e tempo perdido nos aeroportos, portos, etc.

Ineficiências: o trabalhador brasileiro, com educação comprometida, produz menos e absorve de maneira limitada as novas tecnologias.

Margens elevadas: ou porque o mercado é protegido ou porque, como diz Edson Pinto, é a defesa que o empresário, especialmente o menor, encontra para se manter à tona.

Soluções? Obviamente, é preciso reduzir a carga tributária. Não é simples, porém. O governo arrecada muito porque gasta muito. Logo, sem uma redução do gasto público, sem uma limitação no tamanho do Estado, não haverá como diminuir impostos.

Mas é possível adotar desde já algumas medidas emergenciais, como retirar a carga de produtos essenciais, como medicamentos.

Outras soluções foram indicadas pelos leitores: abertura dos mercados. Se, por exemplo, fosse possível ir a Buenos Aires, comprar o carro e trazê-lo para cá, essa competição pressionaria os preços brasileiros. (O leitor Reis pode passear na Argentina, mas não conseguirá comprar a pick-up nem circular com ela por aqui.)

André Blau conseguiu uma boa saída via internet. Há muitos sites confiáveis, mas isso é limitado a compras pequenas. E nem é bom falar muito, porque daqui a pouco vão tentar cortar essa onda.

Facilidades maiores nas compras de quem vem do exterior são limitadíssimas. E injustas. Beneficiam a parte da população que tem dinheiro para viajar. Impostos menores e abertura às importações beneficiariam a todos.

Reduzir burocracias e o custo de fazer negócios no País é muito possível. São mudanças no nível microeconômico, que podem ser feitas por prefeituras, por exemplo. Infelizmente, não temos visto esses temas na campanha eleitoral. Mas a consciência dos consumidores é cada vez maior. Um bom começo.

Falha da oposição

Míriam Leitão , O Globo

Baixo saneamento tem a ver com saúde e meio ambiente. Aumenta a incidência de doenças e a deterioração ambiental urbana. Dados do IBGE mostram que oito anos de governo Lula não reduziram a calamidade dos indicadores. José Serra, candidato da saúde; Marina Silva, da sustentabilidade, falam pouco do assunto e lutam para sair na foto ao lado de Lula.

O mais relevante numa eleição da perspectiva de um candidato é, evidentemente, ganhar a eleição. Mas da perspectiva do eleitor, o melhor é que se aproveite o momento para discutir os problemas e tirar dos candidatos compromissos para superá-los. A oposição tem a obrigação de falar tudo o que não está funcionando, apontar o dedo para todas as feridas. Para isso é oposição. Esse debate influenciará as políticas públicas independentemente de quem for eleito. Se a oposição se amedronta com os índices de popularidade do governante e não pode fazer seu papel, o país é que sai prejudicado.

Marina Silva, nas brigas dentro do governo por políticas públicas de proteção ambiental, encontrou uma sistemática e implacável adversária: Dilma Rousseff. Foi a ex-ministra das Minas e Energia e ex-chefe da Casa Civil que disse não a projetos de sustentabilidade, afastou Marina das decisões de projetos na Amazônia, engavetou a criação de áreas de proteção, revogou conquistas na luta pelo equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente. Marina sabe disso. Sabe porque viveu. No dia do lançamento do primeiro PAC, enquanto o laser pointer de Dilma Rousseff cortava a Amazônia sem cerimônia, Marina se encolhia derrotada, longe do palco e perto da saída do governo. Mas até agora não disse isso ao eleitor. Não contou o que sabe e viveu. Não mostrou o risco para o meio ambiente que representa a vitória das ideias defendidas pela sua adversária. Se for resumir tudo o que ela disse nas entrevistas, debates e programa eleitoral não se consegue saber exatamente o que a fez sair do governo.

José Serra é líder de um partido, o PSDB, que já governou o Brasil por oito anos. Sabe onde foi que o governo atual errou e erra. Fala pouco desses erros. Prefere tentar o impossível: disputar com Dilma a sombra do presidente Lula. Ora, Lula fez sua escolha, sua candidata é Dilma Rousseff. Cabe aos outros fazerem oposição. Marina acerta quando ataca Serra, como fez ao apontar os erros da gestão tucana em São Paulo, no debate da Folha Uol. Esse é seu papel como alternativa aos dois grupos que já governaram o Brasil. Erra quando poupa Dilma, sabendo tudo o que sabe. E erra porque está sonegando uma informação relevante ao eleitor. Marina nunca exibiria divergências de forma agressiva. Não é de sua natureza, nem aconselhável. Mas ser direta, clara e sincera sobre os riscos ambientais que o país corre, ela deveria ser, preservando o seu estilo elegante.

O Brasil está pegando fogo literalmente. O aumento dos focos de incêndio em todos os biomas não é coincidência. Há uma licença para queimar. Os riscos ambientais estão subindo assustadoramente. O Imazon divulgou um estudo mostrando que 29 áreas protegidas da Amazônia foram reduzidas ou extintas, entre 2008 e 2009, expondo à destruição um território quase do tamanho do Rio Grande do Norte. Coincide com o período em que o governo Lula afastou Marina Silva e deu maiores poderes a Dilma Rousseff. O estrago só não é maior porque por incompetência gerencial, a maior parte do PAC não saiu do papel, é só fumaça dos efeitos especiais para a campanha eleitoral.

Em saneamento, tucanos e petistas fizeram pouco, como tenho repetido neste espaço. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso e nos quase oito do governo petista, os investimentos em saneamento básico foram baixíssimos. O Brasil tem dados vergonhosos para provar isso, como o IBGE acaba de divulgar: quase metade do país sem esgoto. A diferença entre os dois grupos políticos é que o governo Lula fabrica números falsos de investimento, e Dilma, confrontada com os dados verdadeiros, garante que os próximos indicadores serão bons. Aposta no mercado futuro de ilusões. Para aceitar como boa sua explicação é preciso acreditar que em 2009, ano de crise, o país deu um salto ornamental em saneamento básico, fazendo o que o governo Lula não fez em 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008.

Nos últimos dois anos elevaram-se assustadoramente as ameaças ao projeto econômico que nos trouxe a estabilidade monetária. O risco não vem do Banco Central, mas sim da ampliação de gastos de custeio, da criação de estatais, da intervenção política nas estatais existentes, da atuação desordenada do BNDES. Nunca o patrimônio da estabilização, herdado pelo governo Lula, esteve tão ameaçado. José Serra, do partido que venceu a inflação no Brasil, é incapaz de alertar para esses riscos.

O que é ameaçador nas eleições de 2010 não é a vitória do governo. O eleitor brasileiro é que tem o poder de, coletivamente, decidir quem é o vencedor, e por esse poder, que emana do povo, se bateram os verdadeiros democratas. O ameaçador é consolidar políticas imprudentes. Por isso, a oposição tem que fazer seu papel, sem temer a popularidade do presidente Lula. Esse tipo de consagração vem e passa. O país fica.

As tarifas do pedágio das estradas federais não incluem o preço cobrado em vidas

Augusto Nunes, Veja online

São Paulo seria melhor se fosse parecido com os demais Estados? O Brasil seria pior se os demais Estados ficassem parecidos com São Paulo? Números colhidos ao acaso informam que só podem responder afirmativamente às duas perguntas os cretinos fundamentais, os cegos por opção, os doidos de hospício e os obtusos irrecuperáveis de modo geral. Esses agem assim por idiotia. Mas há os que assim agem movidos pela esperteza. É o caso dos camelôs de palanque, tribo que tem como pajé o presidente da República.

Até Lula sabe que, apesar de também afetado por carências que castigam todas as regiões, o território paulista é o mais desenvolvido do país. O PIB estadual, por exemplo, representa 35% do PIB brasileiro ─ e desde o dia da posse de Lula a taxa de crescimento anual permanece 2 pontos percentuais acima do índice nacional. Apenas 55,2% dos municípios do Brasil-Maravilha de Lula são alcançados por redes coletoras de esgoto. Circunscrito ao Estado, o índice sobe para 99,8% ─ e contribui para tornar um pouco menos apavorante a taxa nacional. A taxa de analfabetismo soma quase 10% da população brasileira, mais que o dobro da registrada em São Paulo.

Se tais descompassos se repetem em todos os setores, Lula deveria ao menos desconfiar de que a malha rodoviária paulista é coisa de europeu se confrontada com a teia de estradas federais. Um recente levantamento da Confederação Nacional do Transporte qualificou de “ótimas” ou “boas” 75% das rodovias paulistas. Todas têm pista dupla (ou tripla), pavimentação cinco estrelas, serviço de atendimento aos motoristas em tempo integral e sistema de vigilância eficaz. As similares administradas pela União têm pista única, crateras lunares, sinalização indigente, barreiras prestes a desabar, nenhuma fiscalização e, quando há, pavimentação de padrão africano.

Graças à imensa malha de vicinais asfaltadas, que ligam todos os municípios e distritos paulistas, os caminhos de terra sobrevivem nas grandes propriedades rurais. Em contrapartida, só 12,42% das estradas federais são pavimentadas. Nos últimos oito anos, com pouca ou nenhuma ajuda da União, o governo estadual construiu o Rodoanel, duplicou várias rodovias, manteve todas em excelente estado. O governo Lula não foi além de uma Operação Tapa-Buracos tão ruidosa quanto bisonha. Com exceção de São Paulo, todos os Estados têm a sua “rodovia da morte”. Todas são federais.

Mas há o problema do pedágio, animou-se o presidente que, desde sempre convencido de que a maior obra de um governante é eleger o sucessor, resolveu agora que o serviço não ficará completo sem a entrega do Palácio dos Bandeirantes a um Aloízio Mercadante. Com tempo de sobra por ter abandonado o emprego em Brasília, acampou em São Paulo, inaugurou a filial da fábrica de mentiras instalada no Planalto e entrou no saloon eleitoral chutando a porta.

“O pedágio em São Paulo é um roubo”, afirmou no sábado o padroeiro dos bandidos companheiros. Levou nesta segunda-feira o inesperado e merecidíssimo troco. “Nesse caso, todo pedágio do governo federal é um latrocínio, que é o roubo seguido de morte”, retrucou o governador Alberto Goldman. O presidente deveria ficar menos tempo a bordo do Aerolula e viajar mais pela terra firme. Com algumas incursões por São Paulo, talvez aprendesse que, diferentemente do que acontece com os impostos federais, a maior parte do dinheiro arrecadado pelo pedágio é investida na malha rodoviária paulista. É um dos raríssimos tributos cuja destinação pode ser vista a olho nu.

Lula não inaugurou uma única rodovia importante, não cumpriu sequer a promessa de pavimentar a estrada que liga a antiga capital do Fome Zero, Guaribas, ao resto do mundo. Dilma Rousseff não transferiu do PAC para o Brasil real uma só das muitas oitavas maravilhas de papel. No ocaso da Era Lula, a dupla quer convencer os paulistas de que a linha mais curta entre o presente e o futuro é traçada pela régua do atraso. É tarde.

Sempre que criticar os caminhos de São Paulo, Lula deve ser convidado a cuidar das estradas que abandonou. Sempre que disser que o pedágio federal é mais barato, o presidente do país do faz-de-conta precisa ouvir que as tarifas não incluem o preço cobrado em desastres, lágrimas e vidas.

TOQUEDEPRIMA...

***** Mônica Serra alerta para risco de ditadura

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

Mulher do candidato tucano se assombrou ao saber que mais três pessoas estavam envolvidos no caso de violação de sigilos

"Estamos em uma democracia e essas coisas não podem acontecer, se nada for feito estamos em uma ditadura", reagiu nesta quinta-feira,26, a mulher do candidato à Presidência da República José Serra (PSDB), Mônica Serra, à informação de que outras três pessoas, além do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, tiveram seus sigilos violados dentro da Receita Federal.

"Teve mais gente? Só estava sabendo do Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros)" se assombrou ela, que, em extensa agenda de visita a cidades nordestinas ainda não havia tomado conhecimento do fato divulgado com exclusividade pelo portal do Estadão. "Quando isso acontece sistematicamente é uma questão muito mais séria, porque é uma questão do direito, de como ele está funcionando".

***** Marina critica pedido de Lula para que brasileiros votem em Dilma

A candidata à Presidência, Marina Silva (PV) afirmou nesta quinta (26) em Curitiba, onde inaugura mais uma "Casa de Marina", que o presidente Lula não está sendo democrático ao pedir votos para sua candidata, Dilma Rousseff (PT). “Lula não pode pegar uma pessoa e dizer: está aqui Brasil, é nesta que vocês devem votar. Estamos numa democracia para que todos tenham direito de escolher livremente seus candidatos”. Para Marina, a eleição não está definida. “Aqui no Paraná estou com 19%. No Rio, estou com 20%. Então, o que estou sentindo nas ruas não é o que estamos vendo nas pesquisas”, afirmou.

***** Deus nos proteja
Cláudio Humberto

O caseiro assassino e estuprador condenado em 2004 a 61 anos pela morte cruel de Maria Cláudia Del’Isola, em Brasília, terá “progressão de pena”. Tomara que ele não mude de nome, como já fez antes, para pedir emprego aos criadores desse “benefício”, após sair da cadeia

***** Mandou, sumiu

Encomenda despachada por Sedex de São Paulo para Dourados (MS) no dia 13, com data máxima de entrega prevista para ontem (25), foi parar... em Fortaleza, exatos 3.625 quilômetros adiante.

***** Marina: 'tenho coragem de fazer o que o PSDB não faz: dar crédito ao FHC'

A candidata à Presidência, Marina Silva (PV), criticou nesta quarta (24) a campanha de José Serra (PSDB) por exibir o presidente Lula e omitir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Tenho respeito e admiração pelo presidente Lula, mas tenho a coragem de não ficar utilizando a imagem dele de forma oportunista para minha candidatura. Tenho a coragem de fazer o que nem as lideranças do PSDB são capazes de fazer: dar o crédito da política econômica ao Fernando Henrique, mesmo ele não sendo assim tão popular." A crítica foi feita antes de um almoço entre Marina e empresários gaúchos na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre

***** Gestão motiva intervenção no porto de Rio Grande

A decisão do governo federal de intervir na administração de portos estaduais no país foi recebida com desconfiança por representantes do setor produtivo. Um dos motivos é que boa parte do setor e dos usuários sempre reivindicou uma gestão mais profissionalizada, de preferência comandada pela iniciativa privada ou por um conselho misto.

No caso do porto de Rio Grande, a alegação é que a União decidiu interferir, por meio da Secretaria Especial de Portos (SEP), por questionar a gestão do Estado. A União investiu cerca de R$ 800 milhões nos últimos cinco anos no terminal, em preparação para ser um concentrador de cargas do Mercosul.

Conforme a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o terminal gaúcho apresenta problemas, tanto que em abril foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com prazo de 36 meses, com a superintendência do porto. As inadequações teriam sido notificadas há pelo menos um ano.

Um dos principais pontos questionados é a gerência sobre a receita portuária (R$ 100 milhões em 2010), que deveria ser reinvestida pela própria autarquia, mas estaria sendo administrada pelo governo gaúcho. Esse destino do recurso é negado pelo governo do Estado. Segundo o superintendente do porto gaúcho, Jayme Ramis, há quatro anos a receita do porto não iria mais para o caixa único.

Antaq e SEP exigem que o porto elabore um plano de desenvolvimento e tenha autonomia sobre a receita, reinvestindo os recursos no próprio complexo. Fonte ligada ao Conselho de Autoridade Portuária, responsável pela fiscalização dos portos, afirma que, na prática, o Piratini determina o destino dos recursos, o que é negado pela administração em Rio Grande. (fonte: Zero Hora)

***** Lula defende reforma política e diz que discutirá tema assim que deixar Presidência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira a reforma política e afirmou que irá discutir o tema com o PT e os partidos aliados assim que deixar a Presidência.

"A reforma política é uma questão que envolve os partidos e não o presidente", disse Lula em evento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) com empresários, no Hotel Transamérica, em São Paulo.

"A partir de 1º de janeiro, não serei mais presidente. Vou envolver o PT e os partidos aliados e vamos fazer uma reforma política de verdade", reiterou.

Lula criticou a paralisia das reformas no país e pediu aos empresários que tomem cuidado ao financiarem campanhas nas eleições. "Se não melhorar o nível dos eleitos, teremos problemas. Depois a gente não vai poder reclamar. Então, o momento é agora." (fonte: Folha)

***** Fichas-sujas invadem a corrida eleitoral

Candidatos com ficha policial ou cassados pela Justiça Eleitoral afrontam a Lei da Ficha Limpa e fazem campanha, confiantes de que serão eleitos. Há casos emblemáticos em vários Estados envolvendo nomes notórios, como ex-governadores, um dirigente de futebol e até um bicheiro.

No Rio de Janeiro, o ex-presidente do Vasco e ex-deputado federal Eurico Miranda (PP) tenta voltar à Câmara dos Deputados apresentando-se como "candidato ficha limpa". Ele é réu de processos em varas criminais da Justiça Federal, alvo de inquéritos em andamento e um dos denunciados pela CPI do Futebol do Senado, finalizada em 2001.

Eurico nunca foi condenado em decisões colegiadas - o que o deixa de fora das inelegibilidades previstas pela Lei da Ficha Limpa. "Sou ficha limpíssima", afirma o dirigente esportivo. "Foi justamente essa lei que me motivou a fazer campanha".

Na semana passada, o TRE do Rio deferiu a candidatura de Eurico. Ele apresentou 15 certidões criminais negando condenação. Em 2007, ele foi condenado a 10 anos de prisão por crimes tributários pela 4ª Vara Federal Criminal do Rio. O STJ, porém, anulou a sentença. Duas ações tramitam em varas federais e um inquérito na Justiça estadual.

"São questões que envolvem recolhimento de INSS. Esse não é mais um problema meu. É problema do Vasco", alegou Eurico.

Em Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa, cujo pedido de candidatura ao governo pelo PDT foi impugnado pelo TRE, foi orientado pelo advogado a ignorar a decisão da Justiça e continuar em campanha.

Para Lessa, a decisão do TRE-AL foi política e será revertida pelo TSE. Ele não se considera um ficha-suja, apesar de condenado por um colegiado, acusado de abuso de poder político e eleitoral, nas eleições de 2004.

"Os verdadeiros bandidos permanecem impunes, enquanto eu estou sendo punido por ter dado aumento aos servidores da Educação", afirma.

Cassado pelo TSE por corrupção eleitoral em fevereiro do ano passado e barrado pelo TRE da Paraíba com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador Cássio Cunha Lima está em plena campanha para o Senado pelo PSDB.

Ele aguarda que o TSE julgue recurso contra decisão do TRE que manteve a impugnação de sua candidatura. No programa eleitoral, se apresenta como "injustiçado" que acatou a decisão da Justiça. Nas primeiras aparições, disse que já foi punido e não vai desistir da candidatura ao Senado. (fonte: Estadão)

***** Correção dos planos: decisão do STJ cria desigualdade
Míriam Leitão, O Globo 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu ontem que quem entrou com ação individual antes de 20 anos depois de cada plano econômico tem direito de receber uma correção. Mas no caso da ação coletiva, só se os correntistas entraram no prazo de cinco anos.

Os planos são Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2. Este último completa 20 anos em março de 2011, então, quem tinha uma caderneta de poupança e se sente prejudicado, pode entrar com uma ação. Tem que ir ao banco para ver quanto tinha; à época, vale lembrar, eram duas moedas, então, é preciso fazer cálculos de quanto significa nos valores atuais.

O problema todo é que, geralmente, entra com ação coletiva quem não tem dinheiro para pagar advogado. A decisão, portanto, cria desigualdades entre poupadores.

Ela é cheia de controvérsias. Quarenta milhões de brasileiros entraram com ações coletivas num período posterior a cinco anos, então, não teriam direito, o que cria muita confusão. Por isso, as instituições de defesa do consumidor vão recorrer ao Supremo para entender exatamente o que aconteceu.

Os bancos argumentam, com razão, que só cumpriram as ordens que o governo baixou. Não podiam decidir remunerar, em vez de 20%, por 46%. Parece que o maior dos perdedores, no caso de prevalecer essa decisão, é o Banco do Brasil, porque tem grande ação coletiva que entrou no prazo. Então, os bancos também devem recorrer.

Ou seja, todo mundo vai recorrer, porque ninguém está satisfeito. No Brasil, o passado nunca morre.

***** Por que não pensar duas vezes? - pergunta Marina

De Marina Silva, candidata do PV à presidência da República:

- Numa eleição em dois turnos, a população tem a oportunidade de pensar duas vezes antes de entregar o futuro do nosso país, para os próximos quatro anos, na mão de quem quer que seja. Se nós podemos pensar duas vezes quando vamos fazer uma escolha importante para as nossas vidas, por que não pensar duas vezes quando se trata da vida de todos os brasileiros?

Pois, é!

Coluna de quarta-feira, 25 de agosto

Carlos Brickmann, Blog Dito e Feito (M.Helena R..de Souza)


"Terra de samba e pandeiro"

1 - Já se sabe que o sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, foi violado. Sabe-se o dia e a hora em que ocorreu a violação. Sabe-se de quem é a senha que permitiu a quebra do sigilo. Sabe-se de quem é o computador que foi usado. Mas as investigações não avançam por falta de informações.

2 - Ouvido na propaganda de rádio de Ciro Moura, candidato ao Senado por São Paulo: "Para uma mudança de 360 graus, vote em Ciro". Nada mais correto: quem muda 360 graus volta exatamente ao ponto de partida.

3 - Dilma faltou ao debate da rede católica de TV alegando problema de agenda. Mas esqueceu que Plínio de Arruda Sampaio está alerta. Ele pegou no twitter de Dilma, bem na hora do debate, a frase: "Olha que interessante, o Pato Fu interpretando músicas de sucesso usando instrumentos de brinquedo".

4 - O senador Eduardo Suplicy, do PT, recomenda o voto na Mulher Pera (afinal, ela apoia os mesmos candidatos de Suplicy - Dilma, Mercadante, Marta e Netinho de Paula). Difícil acreditar?

5 - Mas é maldade demais dizer que o goiaba defende a companheira fruta.

6 - Tiririca também é candidato a deputado federal pela coligação governista. Apoia Lula, Dilma, Mercadante, Marta e Netinho. Seu slogan: "Vote no Tiririca. Pior do que está não fica". E esta é a opinião de quem está no grupo que governa.

7 - Alexandre Herchcovitch entra na campanha, como estilista de Dilma. Herchcovitch ficou famoso colocando caveiras nas roupas que produz.

Plínio batendo
No debate da rede católica de televisão, liderada pela TV Canção Nova, Plínio bateu duro em Dilma, por não comparecer (e, a julgar por suas mensagens via twitter, por ter preferido assistir ao Pato Fu). Disse o candidato do PSOL:

"Tinha uma mulher que tinha muito que estar aqui porque todos aqui sabem quem é o Serra, quem é a Marina e quem sou eu, mas ninguém sabe quem é esta senhora que foi inventada pelo Lula."

Esta coluna, rebatendo
Claro, existe gente que sabe quem é Dilma. O problema é que não conta.

O japonês do sorriso
Conhece David Matsumoto? Pois bem: David Matsumoto é um especialista americano em "linguagem não-verbal", e foi trazido ao Brasil para analisar o comportamento dos candidatos. Sua primeira análise foi de que o sorriso de Serra é artificial. E precisava importar um especialista para constatar o óbvio?

Verdade nua...
Serra não sabe sorrir. Não dança, exceto em campanha. Diz que é palmeirense, mas na TV não soube dizer quem foram alguns dos ídolos do time. Achava que Luiz Felipe Scolari não entendia de bola, e queria afastá-lo do Palmeiras.

...e crua
Dilma, como Serra, sorri só em eleições. Não dança, exceto em campanha. Diz que é mestra e doutora, mas não é. Declara-se petista, mas era do PDT e só virou petista para manter seu cargo. É provável que jamais tenha ouvido falar de Fernanda Takai e do Pato Fu. A bobagem do twitter deve ser coisa de assessor.

Luta em família
O vice-presidente José Alencar insiste naquela posição insustentável: não admite que seja o pai de uma senhora que se diz sua filha (e que ganhou na Justiça o direito de usar seu nome), mas também não admite fazer o exame de DNA, que resolveria a questão. Já chamou a mãe da senhora, com quem teve um relacionamento há muitos anos, quando ambos eram solteiros, de prostituta; agora acusa a filha (é filha, de acordo com decisão judicial) de chantageá-lo. E recorre contra a decisão. Uma dúvida: se não tem nada com o caso, por que temer o DNA?

Quando se relacionou com a mãe, certamente era "meu bem" para cá, "meu bem" para lá. Por que, agora, pensar só em termos de "meus bens"?

Guerra à imprensa
Este país é uma democracia e a Constituição proíbe a censura prévia. Mas um Sarney é um Sarney. Para não publicar os documentos que obteve de uma investigação da Polícia Federal sobre o império econômico da família Sarney, dirigida por Fernando, filho do senador, O Estado de S.Paulo está há mais de um ano sob censura (e, embora a Justiça tenha anulado parte do material recolhido pela Polícia Federal, outra parte continua válida, e o Estadão continua proibido de publicá-la). Oposição também é permitida - desde que não atinja Roseana, governadora do Maranhão, candidata à reeleição e filha preferida do senador. O Jornal Pequeno, único jornal de oposição no Estado, foi obrigado pela Justiça a retirar de seu blog duas reportagens críticas a Roseana e a seu programa de Governo. Opor-se a qualquer candidato é legal - desde que não seja da família Sarney.

Bom livro
Contos e crônicas de leitura agradável: é Bucareste, de Alexandru Solomon, nascido na Romênia e profundo conhecedor do país e de sua capital. Coquetel de lançamento (deve ser bom, é patrocinado pelo Bradesco): hoje mesmo, a partir das 19h, na Saraiva Mega Store do Shopping Pátio Higienópolis, São Paulo.