quinta-feira, novembro 28, 2013

A inflação continua alta e fora da meta, e a falta de visão de futuro.

Adelson Elias Vasconcellos

A senhora Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistem em afrontar os fatos quando o tema é inflação. Caminhando agora para o encerramento de seu primeiro mandato,  a presidente conseguirá a proeza de fechar quatro anos sem que a meta que é de 4,5% seja cumprida. Talvez em 2013 cheguemos a 5,8%, na melhor das hipóteses e, em 2014, não ficaremos muito longe disto. E até poderia ser pior, não fosse o governo federal manipular os preços administrados, como combustíveis, por exemplo, além de pressionar governos estaduais e prefeituras a segurarem o quanto podem os preços das tarifas de transporte. Também há jogo manipulador nas contas de energia. 

Em condições normais de temperatura e pressão, a inflação estaria hoje além até do teto da meta, fixada em 6,5%. A inflação dos preços livres já ultrapassou  a casa dos 7% e tende a se manter neste nível elevado.  Portanto, não aceitar que a inflação no país é alta, e mais alta se torna em razão do nosso baixo crescimento, é apostar sempre no azar.

Assim, apesar destes freios  nos preços de  muitos itens, já se vê que há problemas para os quais o governo ainda não acordou. E o que é pior: insiste em administrar a economia com malabarismo de efeitos reduzidos. 

Segurar por tanto tempo o reajuste dos combustíveis vai provocar dois efeitos danosos para o país. De um lado, este prejuízo já vem se refletindo na capacidade de investimento da própria Petrobrás, além da perda sensível de seu valor de mercado, o que provoca redução na sua já reduzida capacidade de endividamento. E bem sabemos o quanto a Petrobrás precisará de oxigênio para enfrentar as batalhas de exploração do óleo nas camadas do pré-sal. 

De outro, o governo ativa verdadeiras bombas relógio de efeito retardado, ao segurar preços através da aplicação de volumosos subsídios, esqueletos que cedo ou tarde deverão ser retirados do armário e comprometerão oi equilíbrio fiscal.

Claro que neste segundo caso, o prejuízo só será sentido no médio e longo prazos. Azar, portanto, de quem vier depois que tanto pode ser a própria Dilma ou outro qualquer que a suceda na presidência. 

O que este governo ainda não conseguiu se convencer é de a condução desta política econômica suicida, está asfixiando o país. Reparem: mesmo com  a elevação constante do dólar, os brasileiros  que podem ir ao exterior, continuam batendo recordes de compras no exterior. A variação cambial não tem sido suficiente para equiparar nossos preços com os praticados lá fora. E não apenas por culpa da nossa estúpida carga tributária. Existem muitos outros fatores que colaboram para que o país tenha se tornado caro demais. 

Reparem que há países que, apesar de baixo crescimento, conseguem sustentar taxas de juros relativamente baixas. Aqui, qualquer redução da Selic acaba não sustentando por muito tempo, que logo a inflação dispara, foge ao controle. 

E tal quadro vem se repetindo ano após ano, sem que as autoridades econômicas consigam compreender que nosso problema é estrutural, que a inflação é muito mais problemas de falta de oferta para uma demanda permanentemente aquecida. Elevar a oferta encontra resistência no custo Brasil, e reduzir a oferta não passa pela cabeça do governo que tem no consumo, uma poderosa arma para alimentar seu discurso político. 

E, deste modo, vamos levando os problemas para adiante, sem enfrentá-los, sem buscar soluções, sem olhar para as questões estruturais.

Além disto, o Estado brasileiro como um todo, em todos os seus níveis e escalões, se tornou oneroso demais para o tamanho da riqueza que conseguimos produzir. Não é à toa que a dívida pública esteja consumindo 50% da arrecadação federal, e a manutenção da máquina público se aproxima perigosamente de igual percentual. A consequência foi o que vimos ontem aqui, no curto período de 10 anos, a dívida pública mais do que dobrou.  Como o governo se tornou problema central deste descompasso, para conseguir investir um  mínimo que seja, precisa de um lado, manter os juros nas alturas para atrair o capital especulativo através do qual ele zere as contas. E, de outro, acaba provocando baixo crescimento em face do custo Brasil.

A forma mais recomendada para sair desta sinuca, seria criar um ambiente de negócios que permitisse ao país atrair investimentos externos tanto produtivos como em infraestrutura. Isto, em parte, aliviaria a pressão sobre o próprio governo, que teria oxigênio para destinar mais verbas para educação, saúde, segurança, saneamento básico, transporte público, etc. Mas qual, quem disse que este governo vê com bons olhos o capital privado, seja ele nacional ou não? 

A consequência é assistirmos esta marcação de passo. Não conseguimos avançar. Ficamos enredados no mesmo modelito de baixa produção, baixo crescimento, carga tributária alta, custo Brasil elevado, infraestrutura precária, serviços públicos deprimentes,   renda per capita média, investimentos em queda, juros elevados, inflação fora da meta, e um governo sem prioridades, e uma elite política que desvia para si a maior parte dos recursos do país. Enquanto isso, a classe pobre do país precisa se rastejar anos a fio com um salário mínimo indigno e bolsas assistencialistas que nada acrescentam ao seu padrão de vida. Deixam de ser miseráveis, mas permanecem cativos do paternalismo estatal.   

No fundo, todo este misere que o governo entrega à sociedade faz parte de um plano, o plano que converge para um projeto de poder hegemônico. Claro que, ao longo do tempo, ele não se sustenta. As pessoas cansam de saírem do lugar. Querem avançar, querem progredir, querem seguir em frente e acaba se cansando destas barreiras que o governo de plantão impõem a todos. Não como segurar este movimento de progresso ad eternum.   

Portanto, mesmo que a senhora venha conseguir se reeleger em 2014, é visível movimentos de imensa insatisfação e contrariedade ao que os petistas tem se  permitido oferecer. Mesmo países em que as esquerdas triunfaram no continente,  a oposição ao modelo defendido está crescendo e começando a se mexer. Isto se percebe na Argentina, Venezuela, Bolívia. Mesmo o regime repressivo de Cuba está se obrigando tem procurado oferecer alguns  anéis para preservar os dedos.  Vale frisar o que sempre afirmamos em relação aos governos de esquerda: seu prazo de validade é bastante curto. Cedo ou tarde as sociedades governadas por eles se cansam da mediocridade. 

Uma última informação: se a inflação está controlada como afirma a senhora Rousseff, a troco do que subir os juros para 10%? Baixar juros no grito, como fez a nossa imperial presidente, resulta em erro, só aplaudido,  no curto prazo, por quem se deixa enganar pela fantasia e discurso vazio. Para baixá-los, precisaria ter criado condições propícias, coisa que não foi feita. E, fechando o cerco: hoje, o Brasil saiu da lista dos 26  países mais promissores do planeta. Não reconhecer o quanto medíocre é o seu governo, é prova inconteste da miopia da atual presidente!

Berlusconi, Genoíno, Donadon  & Outros:
Na Itália, cujo ambiente político não difere muito do brasileiro, o todo poderoso Berlusconi foi cassado pelo Senado por ter sido condenado por fraude fiscal.  

Ora, se o grande Berlusconi, foi cassado,  por que Genoíno, Donadon e outros menos votados, condenados por crimes de corrupção, dentre outros, não podem ser?

Passa da hora do Congresso se preocupar  com sua imagem junto à opinião pública, já atolada na lama, e começar a agir com amadurecimento e moralidade. Não há uma única razão decente que justifique que se mantenha mandato parlamentar, cuja exigência inicial é o gozo pleno de direitos políticos, de pessoas condenadas por crimes contra a administração pública, condenação que também lhes cassou os mesmos direitos políticos, por um determinado números de anos.  

Por outro lado, seria aconselhável que o PT recolhesse o circo que montou contra a condenação de seus cardeais.  Quanto mais barulho fizer, maior fixação na memória do povo destas condenações. Até porque, se eles fizerem uma pesquisa de opinião honesta, vão se dar conta de que, o que o povo mais adora é ver político condenado na justiça e, muito mais ainda, quando este político acaba preso. A população está farta da impunidade eterna de políticos safados.  

LOROTA: 'O modelo é meu', diz Dilma sobre plano de investimentos no país

Tatiana Farah
O Globo

Presidente afirma que resultado de leilão da rodovia BR 163 é ‘boa notícia’

Tatiana Farah/Ag. O Globo 
A presidente Dilma durante obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul (SC)

SÃO FRANCISCO DO SUL (SC) - A presidente Dilma Rousseff anunciou como "boa notícia" nesta quarta-feira o resultado de leilão de concessão o trecho da BR 163, em Mato Grosso, vencido pela Odebrecht. De acordo com Dilma, houve um deságio de 52%, resultando em um corte de R$ 3 no preço do pedágio. Ao entregar a obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, a presidente disse ainda que o país passou 20 anos sem investimentos em infraestrutura e, indagada por repórteres se copiava o modelo de desenvolvimento do PSDB, Dilma respondeu:

— Na hora de se defender, todo mundo tem o direito de falar o que quer. O modelo, meu querido, é meu. Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde — disse ao repórter.

Para os participantes do evento, a presidente já havia "alfinetado" o governo tucano afirmando que o país voltava a investir "depois de uma paralisia de mais de 20 anos no Brasil". Sobre o leilão, Dilma afirmou que o deságio vai ajudar o agronegócio a reduzir custos e ficar mais competitivo, já que a BR 163 é importante para o escoamento de grãos.

— Foi muito importante o tamanho do deságio e isso produziu uma tarifa de pedágio muito competitiva, se não me engano de R$ 2,80 ou R$ 2,60. Em todo o caso, é algo extremamente importante para o Brasil — afirmou a presidente, que informou que o preço mínimo do pedágio para o leilão era de R$ 5,80 por 100 quilômetros.

Acompanhada da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, possível candidata do PT ao governo de Santa Catarina, e dos ministros dos Portos, Trabalho e Desenvolvimento Agrário, Dilma inaugurou a obra do porto de São Francisco do Sul, o sétimo maior do país. A obra consumiu cerca de R$ 34 milhões, a maioria recursos federais. Além do porto, a presidente entregou dez caminhões-caçamba e 59 motoniveladoras para 69 prefeitos da região num custo estimado em R$ 26 milhões. Ao lado do governador Raimundo Colombo (PDT-SC), que deve concorrer à reeleição, Dilma levou cerca de 30 minutos cumprimentando cada um dos prefeitos.

Depois da inauguração, a presidente, os ministros, o governador e outras autoridades participaram de almoço oferecido pelo prefeito de São Francisco do Sul, Luiz Roberto de Oliveira, em um restaurante em um hotel de frente para o mar. Segundo a administração do hotel, 58 pessoas participaram do almoço, em que foram servidos peixes e frutos do mar, a um custo de R$ 95 por pessoa.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como é triste a gente se deparar com uma pessoa pública que desconhece o sentido da palavra “humildade”. A soberba imperial da senhora Rousseff chega a ser dolorosa.

Primeiro, o tal “modelo” de privatização e concessão nem dela é, apesar da sua afirmação cretina. Durante mais da metade de seu mandato, Dilma insistiu no mesmo modelo de “concessões” que ela, como Chefe da Casa Civil do governo Lula, havia elaborado e, como todos sabem, resultou num fracasso retumbante. 

Agora, como vimos, a  presidente tentou impor o mesmo padrão preconceituoso e deu com os burros n’água. Somente após as inúmeras tentativas fracassadas, e diante do mico de no leilão feito há cerca de um mês quando não se apresentou  uma única proposta, a senhora Rousseff mandou revisar, sob pressão dos empresários, o modelo "dela" e se obrigou em elevar o teto mínimo do pedágio em 70%. Somente com tal alteração é que a licitação da BR-163 pode apresentar o resultado que se observou.  

Em segundo lugar,  a afirmação “Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde”,  além de estúpida, merece resposta sim.  Ela quer saber investimento de tamanha envergadura, não é? Pois que peça ao BNDES e a seu ministro da Fazenda um levantamento do que representou em tamanho de investimento a concessão das comunicações. Sem contar os milhares de empregos que o processo originou, a modernização da telefonia, a possibilidade  de tornar a internet um canal de comunicação popularizado, em valores foram mais de R$ 200 bilhões em investimentos diretos e in diretos. Nós, que não nos ajoelhamos diante da mentira oficial do petismo anacrônico, é que desejamos que ela exiba em mais de 10 anos de PT investimento de tamanha envergadura?  O próprio pré-sal, tão decantado, precisará se arrastar durante 10 anos para atingir tamanho volume.

Quanto a outros itens, que  a senhora Rousseff peça um levantamento ao Ministério dos Transportes para avaliar o montante de investimentos das concessões rodoviárias feitas no governo FHC e o estado em que se encontram. Estas concessões a gente sabe bem o resultado. Quero ver como serão as estradas licitadas pelo governo Dilma nos próximos 5 anos, se terão a mesmo padrão de qualidade. Como também, vamos ver a questão custo/benefício, ou seja, em quanto estará sendo cobrado de pedágio ao final do total de investimento projetado. Porque é isto que conta. Pedágio baratinho no Brasil, ao modelo padrão Dilma Rousseff, resultou em estradas ruins, esburacadas, sem serviços e sem manutenção. 

Da mesma forma, poderíamos citar aqui casos bastante exemplares de excelente privatização como foram os que ocorreram na metalurgia e siderurgia, inclusive no ramo elétrico que resultaram em por fim ao apagão antes do PT assumir o poder. E o que dizer da Embraer, da Vale? Desconhecer tais verdades, virar as costas para fatos reais, demonstra bem o baixo nível do pensamento político da senhora Rousseff.

Um país não é nem nunca foi propriedade de um partido político. O PSDB no poder cumpriu muito bem seu papel e a história registra seus feitos. Já o PT, além de apenas dar continuidade a obra feita, ainda  quer, de forma cafajeste, mudar a história, reescrevendo com as tintas da mistificação.

Deveria a imperial e tola Dilma Rousseff fazer o seu papel e deixar que a história faça as devidas comparações de quem fez mais e de quem menos. Foram períodos históricos totalmente distintos. Fernando Henrique, além de viver um período conturbado da economia mundial, encontrou um país totalmente falido, desarrumado, bagunçado, sem crescimento, uma brutal desigualdade social, inflação nas nuvens. Ao sair, entregou ao senhor Lula um Brasil totalmente diferente e com reais condições de iniciar um processo de crescimento sustentável. E se tal não bastasse, Lula ainda pode desfrutar do mais promissor momento da economia mundial, a quem muito devemos pela expressiva melhora de todos os nossos indicadores. 

Negar o passado não apenas é sinal de total ignorância, mas de absoluta má fé.  Deveria a senhora Rousseff ter um pouco mais de respeito pela memória nacional, que não se curva a bestiologia e cretinices.         

BESTEIROL: “cumprir prazos das obras do PAC é prioridade”, afirma Dilma.

Comentando a Notícia


Segundo a presidente, o atraso atrapalha o atendimento às necessidades da população e os compromissos assumidos; "Cumprimento de prazos é algo muito importante quando a gente olha um país como o Brasil que precisa urgente de várias obras", disse, em entrevista a rádios de Fortaleza (CE).

Ok, a notícia que vocês leem abaixo, demonstra o quanto as palavras imperiais da presidente não tem significado nenhum. Praticamente nenhuma das obras incluídas no tal PAC teve ou tem seu cronograma respeitado. 

Aliás, conforme já demonstramos aqui, o próprio PAC é muito mais um instrumento de  marketing do que propriamente um projeto ou programa de desenvolvimento. E não é pelo simples fato de que 95% das obras ali incluídas se encontravam em pleno andamento quando Lula assumiu. Espertamente, interrompeu-as durante bom tempo, e só retomou-as mediante a construção do instrumento de marketing  e, o que é pior, se apresentando como o pai de todas elas. Um exemplo clássico é a Ferrovia Norte-Sul, iniciada ainda no governo José Sarney. 

Assim, o jornal O Estado de São Paulo, reportagem de Rafael Moraes Moura, traz outro exemplo do quanto as palavras imperiais são verdadeiras tolices. Em visita a Santa Catarina, Dilma inaugurou a ampliação do Porto de São Francisco, previsto no tal PAC para ter sido concluído em 2010. Assim, onde está a tal prioridade? Além disto, e conforme o próprio TCU não se cansa de apontar, o que não faltam no PAC são obras irregulares, com erros de projeto e falta deles, superfaturamento, pagamento por serviços não executados ou sequer iniciados. Como também o que não faltam são monumentos ao desperdício e falta de competência. Empreendimentos que sequer saíram da fase de projeto são muitos. 

Portanto, se a tal prioridade em relação a prazos é um fato, por outro, a má gestão indica que falta ao governo a competência necessária para transformar projetos em realidade em defesa do verdadeiro interesse público. 

Segue o texto do Estadão.

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Após falar de prazos, Dilma entrega obra do PAC com três anos e meio de atraso

Ampliação do Porto de São Francisco do Sul (SC) deveria ter sido entregue em 2010, mas revisão do projeto atrasou andamento; no dia anterior, presidente falou sobre 'dor de cabeça' em descumprir datas

SÃO FRANCISCO DO SUL (SC) - A presidente Dilma Rousseff inaugura nesta quarta-feira, 27, em São Francisco do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que devia ter ficado pronta em fevereiro de 2010. Executada pelo Exército, a ampliação do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul custou R$ 35 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram bancados pelo governo federal e o restante, pelo próprio porto. Em entrevista a rádios nessa terça, 26, Dilma disse que uma das maiores "dores de cabeça" do Palácio do Planalto é "justamente cumprimento de prazos".

Divulgação
O Porto de São Francisco do Sul 
é o sétimo do País em movimentação total de cargas

"Cumprimento de prazo é algo muito importante quando a gente olha um país como o Brasil que precisa urgente de várias obras. Então, a gente tem feito um grande esforço nessa direção. Por que a gente fica preocupada com o atraso? Porque o atraso significa você atrasar o atendimento às necessidades da população ou compromissos assumido", afirmou Dilma nessa terça ao falar com repórteres de emissoras de rádio do Ceará.

A ampliação do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul foi tocada pelo 10º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército Brasileiro. Na época em que Dilma ainda era ministra-chefe da Casa Civil, o governo pretendia concluir a obra até 28 de fevereiro de 2010.

Em janeiro de 2012, uma ata de reunião extraordinária do conselho de autoridade portuária do porto alertou para a demora no cumprimento do cronograma. Um dos conselheiros questionou a "prolongada demora", alegando que o atraso é "muito representativo para a comunidade portuária".

Correção. Procurada pela reportagem, a assessoria do Exército informou que "prima pela correção na execução orçamentária, com licitações bem estruturadas e rigoroso acompanhamento técnico, logístico e administrativo, o que pode gerar, até mesmo, uma economia de recursos na execução das obras".

"O Exército tem conseguido maior permanência nas obras, mesmo com eventuais atrasos por força de problemas técnicos. Se por um lado o tempo tende a se prolongar, por outro há a certeza do término da obra com a solução desses problemas", disse a assessoria. "O que seria um problema de atraso, acaba se transformando em solução para melhor continuidade da obra."

De acordo com o Exército, após a realização de testes de sondagem no Porto de São Francisco do Sul, houve a necessidade da revisão do projeto da obra para melhor a capacidade de suporte de 15 estacadas, "permitindo a conclusão dos trabalhos de modo a propiciar a segurança esperada para esse tipo de empreendimento".

O Porto de São Francisco do Sul é o sétimo do País em movimentação total de cargas. A ampliação do berço 201 deve representar um aumento de 2 milhões de toneladas/ano na capacidade de movimentação do porto.O objetivo das autoridades é aumentar o fluxo de matéria-prima para regiões de produção agrícola nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná.

"O investimento foi necessário para modernizar a infraestrutura e melhorar as condições operacionais do porto", informou a Secretaria de Portos. Segundo o governo, o Porto de São Francisco do Sul "busca aperfeiçoamento para facilitar as manobras dos navios acima de 300 metros de comprimento, atento às tendências mundiais do mercado".

Reeleição. 
O périplo de Dilma por Santa Catarina - além de São Francisco do Sul, a presidente vai a Itajaí e Florianópolis, onde assina contratos entre o governo federal e o estadual - é um afago ao PSD de Gilberto Kassab, que formalizou na semana passada o apoio da sigla à reeleição da presidente.

Em Santa Catarina, no entanto, o PT é crítico feroz do governador Raimundo Colombo (ex-DEM) e o diretório local trabalha para lançar uma candidatura própria.

O diretório catarinense do PT é comandado pelo ex-deputado federal Cláudio Vignatti, adversário interno da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

"Vamos dialogar com todas as forças políticas que querem um projeto alternativo para nosso Estado, capaz de vencer a ausência de gestão e a falta de ligação entre governo e sociedade", afirmou Vignatti, em texto publicado na sua página oficial na internet.

Hotel da Sucessão.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Só quem conhece a história da TV brasileira recorda deste programa de sucesso de 1955, na época da eleição que levou Juscelino Kubitschek ao poder. No hotel se hospedavam os personagens da campanha. Lá circulava não muito discretamente um objeto misterioso que convencia os políticos a mudar de opinião. 

Pois agora, a um ano da eleição, 58 anos depois, outro hotel entra em cena. O ex-ministro José Dirceu pediu ao Supremo que o autorize,como presidiário em regime semiaberto, a trabalhar durante o dia na gerência do Hotel St. Peter, em Brasília. José Dirceu, trabalhando em hotel, sem qualquer experiência no ramo?

Depende do ramo. O proprietário do Hotel St. Peter é Paulo Abreu, empresário de comunicações, de tradicional família de políticos (como os ex-deputados Dorival de Abreu e José de Abreu). É dele a Rede Mundial, que engloba uma série de emissoras de rádio em São Paulo, Supertupi AM e FM, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Terra AM e FM, Atual, com ótima audiência. Mas seu sonho é maior: ressuscitar a TV Excelsior, que já foi a maior rede do país sob o comando de Mário Wallace Simonsen, e destruída pelo regime militar. Paulo Abreu, ao longo dos anos, obteve os direitos da TV Excelsior; e não encontra resistência no Ministério das Comunicações. Só falta um decreto presidencial, que elimine eventuais pendências da velha Excelsior com o Governo Federal e lhe deixe o caminho livre. 

Como dizia José Dirceu, quando ele dava um telefonema "era um telefonema!" Prestar-lhe um favor, tê-lo ao lado todos os dias - que mal faz?

Os mais iguais
O artigo 231 do Estatuto do PT determina a expulsão de petistas condenados "por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado". Nenhum dos condenados com trânsito em julgado no processo do Mensalão foi expulso, ou teve o processo de expulsão iniciado. 

O decreto 4.207/02 determina a cassação de medalhas oficiais de condenados com trânsito em julgado. José Dirceu tem a Medalha da Ordem do Mérito Militar; José Genoíno, a Medalha do Pacificador; Roberto Jefferson, a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar; Valdemar Costa Neto, a Medalha do Pacificador. A Medalha do Pacificador deve ser cassada por ato do comandante do Exército, general Enzo Peri; cabe ainda a ele notificar o Conselho da Ordem do Mérito Militar da situação dos condenados. Mas até agora ninguém se moveu, muito menos ele: essa história de obedecer às normas é para os menos iguais.

Economizar, jamais
A coluna Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), de Cláudio Humberto, faz uma comparação impressionante entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro, tem 4.600 funcionários; a Casa Branca, sede do Governo americano, tem 460 funcionários. O presidente americano mora e trabalha na Casa Branca. O presidente brasileiro trabalha no Palácio do Planalto, mora no Palácio da Alvorada e dispõe da Granja do Torto; tem também à disposição o Palácio Rio Negro, em Petrópolis. 

E a mania de palácios à vontade não é exclusiva dos presidentes, seja qual for seu partido: o governador de São Paulo mora e trabalha no Palácio dos Bandeirantes, tem um palácio no Horto Florestal, em São Paulo, tem outro palácio em Campos do Jordão. Para que? Para nada. 

The British way
O primeiro-ministro britânico mora e trabalha numa casa em Downing Street, 10. A casa foi um presente do rei George 2º a seu principal ministro, Robert Walpole, por bons serviços prestados. Walpole aceitou o presente, desde que não fosse algo pessoal: a casa seria utilizada por quem quer que ocupasse o cargo.

Tudo numa boa
As denúncias sobre fraude em São Paulo no pagamento do Imposto sobre Serviços, ISS, são pesadas. As empresas que pagaram propina dizem ter sido chantageadas, mas os denunciantes afirmam que o pessoal da construção civil era o primeiro a saber quem iria chefiar a fiscalização da Prefeitura e que as empresas procuravam os fiscais para combinar o desconto nos impostos e o valor do suborno.

OK, não é caso de condenar antes de julgar; mas não dá para ficar por isso mesmo por anos a fio. Por que não foi solicitada ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas denunciadas? Aquela lei que pune empresas corruptoras, afastando-as de negócios com o poder público, por onde anda?

Crivella na briga
O ministro e senador Marcello Crivella acha que chegou sua hora: está pronto para disputar o Governo do Rio, na sucessão de Sérgio Cabral, enfrentando nomes como o senador Lindbergh Farias, o vice Pezão, os ex-governadores Anthony Garotinho e César Maia. A legenda de Crivella é o PRB, ligado à Igreja Universal. Ele se atribui grande poder político: segundo disse em entrevista a O Dia, foi quem convenceu o atual governador fluminense Sérgio Cabral a deixar a oposição e aliar-se ao Governo petista. 

Afirma Crivella que Cabral, disputando o segundo turno no Rio contra a juíza Denise Frossard, inclinava-se a apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, contra Lula, mas cedeu a seus argumentos: Crivella só lhe daria apoio se largasse Alckmin e ficasse com Lula. 

carlos@brickmann.com.br 
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Pela tangente

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Não existe uma solução fácil para a Câmara resolver a questão dos mandatos dos deputados condenados no mensalão.

Para José Genoino, tenta-se a saída da aposentadoria por invalidez. Nos casos de Pedro Henry, Valdemar Costa Neto e João Paulo Cunha - os dois primeiros aguardando mandado de prisão e o último o julgamento de embargo infringente - há o desejo corrente na Casa de que eles renunciem.

A aposentadoria de Genoino garantiria a ele o salário de deputado e evitaria que seus pares se vissem diante de um dilema em face de sua condição de saúde: se cassam, podem parecer desumanos; se não cassam, estarão de novo ignorando a incompatibilidade entre uma condenação criminal e a posse de um mandato parlamentar.

Em relação aos outros três, a torcida pelas renúncias busca do mesmo modo resguardar o conforto de suas excelências, que não querem enfrentar o problema. Preferem não cassar ninguém, tampouco querem correr o risco de vexame maior ainda que a absolvição de Natan Donadon.

E já que correndo o bicho pega e ficando o bicho come, a Câmara escolheu sair pela tangente, tentando transferir suas decisões (e mais uma vez abrindo mão de suas prerrogativas) para uma junta médica e para os próprios condenados. A isso se dá o nome de fuga de responsabilidade.

Temporária, é verdade. No caso do mensalão nem aposentadoria nem renúncia anulam um inevitável conflito de posições entre uma das Casas do Poder Legislativo (e não o Poder como um todo, conforme lembrou em artigo recente o professor Walter Ceneviva) e o Supremo, cuja ordem na Ação Penal 470 foi pela perda automática dos mandatos.

A respeito dos demais - mais de 800 processos e ações contra parlamentares no Supremo, segundo levantamento do Estado -, em algum momento o Congresso terá de definir se aprova ou não o fim do voto secreto para cassações e a emenda que dirime a dúvida sobre dois artigos da Constituição e deixa patente que os condenados perdem seus mandatos de imediato.

A protelação adia, mas não resolve o problema que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser enfrentado. Quanto mais cedo, menor o desgaste.

Caldo de galinha. 
Na cabeça dos articuladores da candidatura presidencial do PSDB, o partido deveria negociar o apoio do PSB à reeleição do governador Geraldo Alckmin deixando a vaga de vice na chapa de fora das tratativas.

Se eleito, Alckmin terá de deixar o cargo vago durante meses se quiser concorrer a algum posto eletivo em 2018. Isso significaria abrir espaço para o partido de Eduardo Campos ocupar o Palácio dos Bandeirantes.
A preferência por ora é que o candidato a vice seja um político ligado ao ex-governador José Serra.

Pé ante pé. 
Disposto a manter a candidatura do senador Lindbergh Farias (11% no Ibope) ao governo estadual, o PT do Rio anunciou em outubro que no mês seguinte deixaria os cargos no governo Sérgio Cabral, do PMDB, cujo candidato é o atual vice, Luiz Fernando Pezão (4%).

Pois bem, novembro acabou e os petistas adiaram a entrega dos cargos para dezembro. Fica a dúvida: qual a dificuldade?

Reforma FC. 
A ideia foi lançada na semana passada por Tutty Vasques: o espírito do movimento Bom Senso FC poderia muito bem baixar em Brasília. Se os jogadores se juntam por um futebol melhor, por que políticos, de todos os partidos, interessados na melhoria da política não fazem o mesmo?

De fato, questão de vontade e iniciativa. Se a intenção era fazer piada, Tutty acabou apontando, a sério, um caminho das pedras.

Crise federativa

Merval Pereira
O Globo

O seminário “O estado e a Federação: crise e reformas”, que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado promove hoje — com transmissão on-line pela internet —, terá o tom geral, ao menos por parte dos especialistas, de que a Federação vive duas crises no Brasil.

Uma, a dos governos estaduais, que perdem sua influência à medida que o governo federal faz cada vez mais uma ligação direta com as prefeituras. E, como consequência dessa nova política governamental, a crise da recentralização do poder decisório, mesmo em meio à democracia.

Fernando Rezende, da Ebape/FGV, fará um painel sobre a crise da Federação ao lado de quatro secretários de Fazenda estaduais, representando partidos diferentes.

Historicamente, a Federação brasileira sempre oscilou em ciclos de centralização, nos períodos ditatoriais, e descentralização, nas aberturas democráticas. Hoje, há uma centralização fiscal em plena democracia, o que muda a estratégia para enfrentar o problema.

Os governos estaduais estão ficando para trás na Federação, sem função, o ICMS é um imposto que arrecada cada vez menos, e os estados precisam repensar seu papel. Uma pesquisa que será analisada por Marta Arretche e Rogerio Schlegel, do Centro de Estudos da Metrópole da USP, comparando a Federação brasileira com outras no mundo, mostra que os estados têm pouca autonomia.

Reforçando os dados técnicos que mostram os estados perdendo a importância na Federação brasileira, uma pesquisa de opinião revela que os brasileiros têm a percepção de que os prefeitos têm mais importância que os governadores. Nos estados, quanto mais desenvolvidos, mais importância dão aos prefeitos.

José Roberto Afonso, assessor econômico do Senado, proporá uma reflexão sobre o papel do governo central, que faz cada vez mais o contato direto com os municípios. Até onde esse é um método de ação política partidária, uma espécie de reforma petista, ou já virou algo enraizado na política administrativa brasileira?

Para Fernando Rezende, da FGV, a guerra fiscal é o sintoma do agravamento de uma crise que concorre para a fragilização da posição dos estados em nossa Federação. Ele acha que a Federação foi atropelada pela nova agenda do Estado brasileiro, que privilegiou a convergência social, interrompendo o processo de convergência regional.

Uma nova política de desenvolvimento regional liderada pelo governo federal foi adotada, com incentivos fiscais que substituem benefícios do ICMS. A Federação acumulou fragilidades e desequilíbrios, com forte queda da participação dos estados na repartição do bolo fiscal e consequentes encolhimento e disparidades nas capacidades de atendimento das demandas de suas populações.

Os governantes estaduais suportam o ônus político gerado pela incapacidade de evitar a deterioração da infraestrutura urbana e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Na análise de Fernando Rezende, a Federação perdeu autonomia com a crescente interferência do governo federal nas finanças estaduais e municipais, maiores encargos e menores recursos. Em decorrência, estados sustentam uma disputa fratricida e não conseguem construir uma agenda de mudanças baseada na percepção dos interesses coletivos. Sofrem de aguda miopia. Não enxergam adiante. Perdem-se na busca de socorros emergenciais. Não conseguem encontrar o rumo.

Essa visão mais crítica é atenuada pela análise do assessor econômico do Senado José Roberto Afonso, que mostra que nos últimos anos os estados se aproximaram, embora não tenham conseguido chegar a um consenso para a reforma tributária, porque dependem do governo federal até para tomar decisões.

Ele cita que houve um acordo de 24 estados para acabar com a guerra fiscal, o que já é um avanço, mas é preciso ir além para superar essa crise da Federação brasileira.

O poderoso herdeiro de Lula virou xerife de cadeia e só é candidato a gerente de hotel

Augusto Nunes
Veja online

Em novembro de 2003, com o governo Lula prestes a comemorar o primeiro aniversário, José Dirceu achava que o retrato com a faixa presidencial enfeitando o terno escuro era questão de tempo, algo tão inevitável quanto a mudança das estações. Neste novembro de 2013,  já fotografado de frente e de perfil, o presidiário José Dirceu veste o uniforme branco que identifica os 9 mil detentos da Papuda.

Há dez anos, o superministro era chefe da Casa Civil, capitão do time no poder, supervisor do PT e sucessor natural do comandante supremo. Preso há dez dias por determinação do Supremo Tribunal Federal, é candidato ao cargo de gerente-administrativo do Hotel Saint Peter, um quatro estrelas de Brasília. O salário mensal estipulado pelo contrato é de R$ 20 mil. Enquanto espera a permissão para passar o dia no local do emprego e voltar à gaiola no começo da noite, exerce com muita aplicação as funções de xerife de cadeia.

Um mensalão no meio do caminho transformou o quase setentão que governa a cela S 13 numa caricatura do ainda cinquentão que reinava no quarto andar do Palácio do Planalto. Mas o estilo é o de sempre, constatou no fim de semana uma reportagem do Estadão. ”Acostumado a dar ordens, José Dirceu impõe a disciplina na prisão”, informa um trecho. “Levanta bem cedo, faz ginástica, organiza temas para debate. É ele o mandachuva que passa as tarefas para os companheiros e decreta a hora de fazer exercícios, de ler, de caminhar e jogar conversa fora”.

Não falta serviço para quem administra em tempo integral o espaço de cinco metros quadrados que, sem contar o sentinela voluntário Eduardo Suplicy, abriga outros quatro mensaleiros: José Genoino, Delúbio Soares, Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL, hoje PR) e Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo do PTB mineiro). Mas Dirceu consegue abrir espaço na agenda quando confrontado com imprevistos e emergências. Foi ele, por exemplo, quem ajudou a manter longe do final infeliz o “princípio de enfarte” de Genoino.

Até que o companheiro enfermo fosse transferido para um hospital, Dirceu impediu que o vizinho de beliche esquecesse a hora do remédio, revogasse a dieta receitada pelo cardiologista ou sucumbisse a surtos depressivos. Aparentemente, o enfermeiro aprendiz não fez feio: Genoino foi entregue a médicos de verdade com saúde suficiente para conversar com jornalistas por mais de três horas.

A ausência temporária do deputado presidiário liberou o xerife para melhorar a aparência da cela. “Aficcionado por limpeza”, conta a autora da reportagem, “ele pegou um balde de água, sabão e vassoura e puxou Delúbio para ajudá-lo na faxina”. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), que aprovou o resultado, não se surpreendeu com a performance do pai. “É um guerreiro”, entusiasmou-se depois de mais uma escala na modesta sala de visitas equipada com uma mesa e cadeiras insuficientes para tantos visitantes.

Dirceu resume a fórmula do sucesso: “O importante é manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. No momento, entre uma ordem e uma cobrança, ele se concentra nas páginas de O Capital e suas Metamorfoses, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, outra tentativa de provar que o que Karl Marx escreveu no século 19 é tão atual quanto o Facebook. Essa imersão nas profundezas marxistas combinaria com o papel de “preso político” interpretado pelo mais notório dos políticos presos se o Brasil não estivesse sob o domínio dos órfãos do paraíso soviético.

Lula, que enxerga nos dissidentes encarcerados pelos irmãos Castro gente muito parecida com a que se amontoa nas cadeias de São Paulo, vê no companheiro condenado por corrupção um perseguido por motivos ideológicos. Foi induzido por tais afinidades que, ao saber da captura dos mensaleiros, decidiu consolar o antigo herdeiro com a eliminação por telefone dos mil quilômetros que separam seu escritório em São Paulo do presídio em Brasília. “Estamos juntos”, disse o ex-presidente. Juntos mas não não misturados. O palanque ambulante abre espaço na agenda até para comícios no Chile. Mas ainda não baixou na Papuda.

Nem vai baixar: se é que pensou na ideia de dar as caras por lá, desistiu de vez ao saber que o regulamento em vigor na cela S 13 inclui o tópico especialmente apavorante: a hora da leitura. Por que correr o risco de chegar bem no começo do suplício? Qualquer livro, como se sabe, está para Lula como a luz do sol para um vampiro. Lido em voz alta por Dirceu, com aquele sotaque, um único e escasso parágrafo bastaria para produzir na cabeça do visitante efeitos tão devastadores quanto a mais selvagem sessão de tortura. Melhor esperar que o guerrilheiro de festim vire gerente de hotel e marcar um encontro no restaurante.

Perdido

Alexandre Schwartsman
Folha de S. Paulo

O descontrole fiscal está na raiz dos dois desequilíbrios do país: a inflação alta e o elevado deficit externo

O deficit externo brasileiro atingiu quase US$ 68 bilhões de janeiro a outubro deste ano, US$ 28 bilhões acima do registrado no mesmo período do ano passado, caminhando para ultrapassar com folga US$ 80 bilhões (pouco menos que 4% do PIB) neste ano, bem acima da previsão mais recente do BC, que ainda sugere um número na casa dos US$ 75 bilhões.

A maior parte desse aumento reflete a queda abrupta do saldo comercial, que passou de US$ 17,4 bilhões positivos nos dez primeiros meses do ano passado para US$ 1,8 bilhão negativo em 2013.

É, como sempre, difícil apontar uma única causa por trás do fenômeno. Vários fatores contribuíram para o resultado, da queda dos preços de commodities à contabilização tardia das importações de petróleo realizadas no ano passado, passando pela continuidade de incentivos à demanda interna, mesmo em face de indicações cada vez mais claras de que a economia opera muito mais próxima à sua capacidade máxima do que supõe a vã imaginação dos nossos gestores de política econômica.

Os dados, porém, sugerem que a piora dos preços externos desempenhou papel de menor peso na redução do saldo comercial.

Estimo que, caso os preços dos produtos exportados tivessem se mantido inalterados, as exportações aumentariam pouco mais de US$ 3 bilhões entre janeiro e setembro, ao invés de cair US$ 3 bilhões, como de fato ocorreu, uma diferença de US$ 6 bilhões. Por outro lado, sob as mesmas condições, as importações cresceriam US$ 17 bilhões no ano, cerca de US$ 2,5 bilhões a mais do que o efetivamente observado.

A diferença de preços, portanto, explica a queda de US$ 3,5 bilhões do saldo até setembro, um valor nada desprezível, mas bem menor que a redução de US$ 17 bilhões observada na balança comercial do período.
Dois problemas, contudo, complicam os cálculos. Um é a contabilização de importações de petróleo realizadas no ano passado, mas registradas apenas em 2013. Caso todo o aumento observado se deves- se a isso, haveria uma superestimação das importações da ordem de US$ 5 bilhões até setembro.

Por outro lado, a Petrobras realizou exportações fictas de plataformas de exploração de petróleo (foram vendidas e alugadas de volta) de cerca de US$ 3 bilhões no mesmo período, de forma que o resultado líquido das operações extraordinárias fica ao redor de US$ 2 bilhões.

Há, portanto, uma redução da ordem de US$ 12 bilhões no saldo comercial que não pode ser atribuída nem à alteração de preços nem a fatores pontuais tais quais os mencionados acima. Resta, assim, analisar o descompasso entre demanda e oferta domésticas.

Como tenho insistido aqui, quando a produção, principalmente de manufaturados, sofre constrangimentos à sua expansão, seja por força do encarecimento da mão de obra, seja pelos gargalos de infraestrutura, a tendência é que as importações cresçam à frente das exportações para atender a demanda interna em expansão. Já nos setores em que as importações não têm papel relevante a desempenhar, são os preços que reagem, o que explica, por exemplo, a elevada inflação de serviços.

Isso resulta, em larga margem, da política deliberada de aumento da demanda doméstica por meio do gasto público, incluindo a expansão do crédito oficial. O descontrole fiscal está, portanto, na raiz dos dois desequilíbrios observados no país: a inflação alta e o elevado (e crescente) deficit externo.

A contabilidade criativa pode mostrar o que o governo quiser, mas não muda a natureza do fenômeno. Da mesma forma, de nada serve o governo comparar seus números (criativos) aos de outros países. Lá o problema é tipicamente insuficiência de demanda interna; aqui sofremos com gargalos de oferta.

Enquanto a natureza distinta do problema não for compreendida, continuaremos à busca de desculpas, mas sem uma ideia clara de como tratar os desequilíbrios visíveis da economia brasileira.

Mantega e a solidez imaginária

O Estado de S.Paulo

Fundamentos sólidos são uma das condições para um crescimento econômico sustentável nos próximos anos, disse à imprensa o ministro da Fazenda, Guido Mantega, num aparente arroubo de realismo. Essa foi uma de suas poucas afirmações incontestáveis na entrevista concedida em Brasília na terça-feira, depois de uma reunião na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Bons fundamentos incluem finanças públicas em ordem, inflação sob controle e segurança nas contas externas. O ministro parece acreditar na existência dessas condições. Nisso coincide com sua chefe, a presidente Dilma Rousseff, mas essa crença conflita com os dados e a maior parte dos analistas independentes sabe disso. O aparente realismo durou pouco. Segundo Mantega, o Brasil está bem na foto - ele se referia ao cenário global - e cresce mais que outros países. Essa foto só deve ser visível em sua mesa. O crescimento brasileiro é de fato maior que o de vários países avançados, mais envolvidos na crise global, mas tem sido e continua sendo bem menor que o de muitas economias emergentes e em desenvolvimento, incluídas aquelas mais dinâmicas e mais arrumadinhas da América do Sul.

A situação fiscal, disse o ministro, deve continuar na "trajetória de solidez", mesmo com resultados, "em alguns momentos", inferiores às metas oficiais. Faltou mostrar, no entanto, essa "trajetória de solidez". Na melhor hipótese mencionada na entrevista, o superávit primário do setor público, destinado ao pagamento de juros, deverá chegar a uns R$ 99 bilhões e ficar muito longe da meta de R$ 111 bilhões. Mas isso dependerá do desempenho fiscal de Estados e municípios, porque o governo central só se compromete com R$ 73 bilhões, objetivo definido como seu no planejamento das contas públicas.

A referência a "alguns momentos" também revela notável autocomplacência. A política de receitas e despesas tem sido expansionista há vários anos e em 2012 o balanço final foi uma exibição escandalosa de contabilidade criativa. Mesmo o fraco resultado previsto para 2013 depende de abatimentos de gastos e de receitas extraordinárias, como indicou a quinta revisão bimestral da execução orçamentária.

As desonerações tributárias, comentou o ministro, foram benéficas para a indústria, mas será preciso tomar medidas para recompor a arrecadação. Mas o efeito real das desonerações foi muito menor do que as autoridades admitem. Alguns segmentos da indústria aumentaram as vendas e seus lucros, mas o conjunto do setor industrial continuou estagnado, incapaz de competir internacionalmente e com baixo nível de investimento, como têm comprovado relatórios tanto oficiais quanto das entidades privadas.

A inflação, segundo o ministro, jamais deixou de estar sob controle e a taxa acumulada neste ano deverá ser parecida com a do ano passado. De fato, as projeções apontam para algo próximo de 5,8% em 2013 e para um resultado muito próximo - talvez um pouco maior - em 2014. Nem o Banco Central, embora muitas vezes alinhado com o discurso da presidente, prevê a convergência para a meta, de 4,5%, antes de meados de 2015.

O ministro ainda condiciona seu otimismo a um cenário sem choque de oferta, como se a alta de preços, nos últimos tempos, fosse atribuível principalmente a esse fator. Se essa explicação fosse verdadeira, a inflação teria sido muito mais alta, principalmente no ano passado, em outros países emergentes ou em desenvolvimento. Por que os preços, no Brasil, seriam tão mais sensíveis à alta das cotações internacionais? Além do mais, muitos desses preços caíram ou se acomodaram, mas o resultado final da inflação, como admitiu Mantega, deve repetir o de 2012, mesmo com os truques adotados pelo governo.

Só a Conta de Desenvolvimento Energético deve consumir cerca de R$ 15 bilhões - um custo fiscal considerável. Esse gasto foi destinado principalmente a conter a alta das tarifas para maquiar o índice de inflação. O controle de preços de combustíveis, outro dos truques, impôs perdas importantes à Petrobrás, mas o governo ainda hesita em permitir o reajuste de preços. E ainda se fala em trajetória de estabilidade?

O significado da dívida pública de R$ 2 trilhões

Editorial
O Globo

Endividamento dobrou em nove anos, e não vale o argumento de que países desenvolvidos foram pelo mesmo caminho, pois eles têm mais condições de reverter o quadro

Na ditadura militar, quando o modelo se lastreava em endividamento externo, o mantra oficial era que “dívida não se paga, rola-se”. O desfecho foi trágico. Com o segundo choque do petróleo, na virada da década de 70 para 80, e a drástica elevação dos juros americanos pelo Fed, o mantra foi dessacralizado, e o Brasil mais uma vez quebrou. Como em outras vezes, aportou no Fundo Monetário e a moeda se desvalorizou, num novo impulso à inflação, que chegou à estratosfera.

O Brasil de 2013 é muito diferente. A dívida externa deixou de ser problema, fato inédito na História — com reservas acima de US$ 350 bilhões, o país, ao contrário, é credor externo, inclusive do FMI. Convém prestar atenção aos déficits nas transações correntes do balanço de pagamentos — acima de 3,5% do PIB. Sempre é preciso cuidado no acompanhamento dos números do intercâmbio comercial e financeiro com o mundo, mas o Brasil está longe de entrar em um quadro de emergência neste aspecto.

Na dívida pública, o quadro é diferente. Ela atingiu, no mês passado, o recorde de R$ 2,022 trilhões, embora, pela ótica oficial, não haja qualquer risco. Não é bem assim, até porque os gastos em custeio continuam em alta velocidade. Em nove anos, a partir de 2004, segundo ano do primeiro governo Lula, ela dobrou. O grande salto ocorreu em 2009, quando o esforço do governo para criar anteparos contra efeitos internos da crise mundial fez o endividamento público aumentar em R$ 100 bilhões. Era compreensível. Mas a ciranda continuou até chegar-se aos R$ 2 trilhões de outubro. Por trás da cifra está a ideologia “desenvolvimentista” cultivada por muita gente em Brasília e que tem o Estado como locomotiva.

Contidos no primeiro mandato de Lula, os “desenvolvimentistas” souberam usar o pretexto da crise mundial para multiplicar os gastos públicos. Como não há folga no Orçamento, apelou-se à larga para o endividamento. E desta forma foram despejados R$ 300 bilhões só no BNDES, para ele financiar investimentos. A Caixa Econômica e o Banco do Brasil também passaram a receber recursos provenientes de endividamento, e por isso não surpreende que o débito público tenha dobrado em nove anos. Mas assusta. E, pior, o crescimento não veio, porque o governo não soube conquistar a confiança dos investidores e continuou a apostar numa saída pelo consumo das famílias. 

A presidente Dilma demonstra ter feito autocrítica, mas os efeitos do erro estão postos. Nada que antecipe uma catástrofe. Mas uma dívida de 60% do PIB (ou 68%, segundo o FMI) é o dobro do índice de economias emergentes, equiparadas à brasileira. Não vale argumentar que países desenvolvidos explodiram suas dívidas na luta contra a crise mundial, pois têm mais condições estruturais — e vontade política — para reverter o quadro. Os EUA, por exemplo, já tiveram déficit anual de estrondosos 10% do PIB. Hoje, ele está em 4%. No caso do Brasil, não há grave crise à vista, mas é preciso cuidado.

Brasil cai 26 posições e deixa lista de países promissores

João Pedro Caleiro
Exame.com

Novo relatório da empresa de gestão de risco Maplecroft deixa Brasil e Rússia de fora dos 30 mercados líderes em crescimento

Germano Lüders/EXAME.com 
Vista da Avenida Paulista, em São Paulo: Brasil saiu do top 30 da Maplecroft

São Paulo - A empresa de gestão de risco Maplecroft lança nesta quarta-feira o seu Atlas de Oportunidades de Crescimento (GOA, na sigla em inglês), que avalia 173 países de acordo com suas perspectivas nos próximos 20 anos.

Para o Brasil e a Rússia, más notícias: ambos saíram do time dos 30 mercados que são líderes de expansão. 

O Brasil, que foi do 6o para o 32o lugar, e Rússia, que caiu do 41o para o 52o, "falharam em promover reformas econômicas e estruturais na última década e direcionaram receitas do governo para o consumo ao invés de investir no crescimento de longo prazo".

Enquanto isso, a Índia ganhou o topo da lista e despachou a China para a vice-liderança. A Indonésia aparece no terceiro lugar, seguida de Malásia e Bangladesh.

Em sexto, a Arábia Saudita é a única nação não-asiática no top 10.

Turquia e Nigéria, no 13o e 18o lugar, são alguns dos destaques. Os dois países foram incluídos recentemente no MINT, quarteto promissor de países de acordo com Jim O'Neill, criador do termo BRICS.

Mas nem só de emergentes é feito o top 30. Estados Unidos (16o lugar), Australia (28o) e Alemanha (29o) aparecem após terem subido 15, 11 e 9 posições, respectivamente, desde o último relatório. 

Fazia sentido

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Se a mudança do indexador da poupança foi inconstitucional, então todas as outras alterações também o foram

O Plano Cruzado, de 28 de fevereiro de 1986, foi o primeiro de uma série de cinco fracassos na tentativa de eliminar a superinflação brasileira. Além desse destino infeliz, todos tiveram outra característica comum: o de serem lançados da noite para o dia, como uma bomba monetária que subitamente mudava todos os padrões da economia, da moeda aos contratos.

Entendia-se, então, que o efeito surpresa era condição necessária para qualquer plano desse tipo. Se fosse previamente anunciado, argumentava-se, isso provocaria dois efeitos indesejados: a paralisação da economia e uma enorme desorganização, porque todo mundo correria às cegas em busca de posições defensivas. Nesse ambiente, seria impossível introduzir um novo sistema monetário.

A magnífica construção do Plano Real, em etapas, tudo pré-anunciado, mostrou que essa teoria do choque era falsa. Mas foram oito anos até se provar isso.

Os cinco planos na base do choque — Cruzado, Bresser (1987), Verão (89) Collor 1 (90) e Collor 2 (91) — tiveram que contornar, digamos assim, um enorme problema legal. Na preparação do Cruzado, durante o governo Sarney, os economistas quase mataram de susto o então consultor-geral da República, Saulo Ramos, quando lhe contaram que pretendiam mudar a moeda, os preços e todos os contratos, tudo por decreto-lei assinado pelo presidente.

“Vocês estão querendo uma bruta coisa maluca”, comentou Ramos, conforme, aliás, conto em meu livro “Aventura e agonia nos bastidores do cruzado”, Companhia das Letras, 1987.

O problema é que a alternativa, enviar projetos de lei ao Congresso, obviamente não existia. Seguiu-se, então, nos bastidores uma discussão sobre a constitucionalidade do plano via decreto-lei. E, apesar de suas restrições iniciais, foi o próprio consultor quem encontrou outra argumentação. Para resumir: como a hiperinflação estava levando a economia ao caos, então esse era um caso de ameaça à segurança nacional, situação em que o presidente da República poderia legislar por decreto-lei.

Vendo a história de hoje, parece uma interpretação forçada. Mas, na hora, em meio a uma grave situação, com a economia em frangalhos e a política em crise, caiu como uma solução salvadora.

De certo modo, os outros quatro planos seguiam essa mesma lógica. Tudo na base do decreto (depois medidas provisórias) lançado na calada da noite, quando bancos e mercados já estavam fechados.

Essa é a origem das tantas contestações judiciais que estão por aí, especialmente essa que chegou à pauta do Supremo Tribunal Federal, pela qual poupadores pedem a aplicação de outro índice de correção para as cadernetas existentes nos momentos dos planos Bresser, Verão e Collor 1 e 2.

Pela lógica econômica, os indexadores precisavam ser alterados. O objetivo era introduzir a moeda nova e impedir que a inflação passada fosse reproduzida no novo regime.

Se os preços e todos os ativos e passivos expressos na moeda antiga fossem corrigidos pelos indexadores vigentes no mês anterior à introdução do novo padrão monetário, isso contaminaria a nova moeda e tornaria o plano inútil.

Por isso, a preocupação, desde o Cruzado, foi fazer uma mudança neutra: eliminar e/ou alterar os indexadores, de tal modo que isso não provocasse ganhos nem perdas. Daí a correção de ativos e passivos pelo mesmo critério. No caso da poupança, as cadernetas e as dívidas imobiliárias, financiadas pelo dinheiro da poupança, foram corrigidas da mesma maneira.

Assim, não houve ganhadores nem perdedores. Credores e devedores, poupadores e devedores da casa própria, clientes, bancos e governo, todos tiveram a mesma correção.

Tudo isso para dizer o seguinte: se a mudança do indexador da poupança foi inconstitucional, então todas as outras alterações também o foram. Ou seja, o STF teria que declarar nulos, por inconstitucionais, todos os planos e restabelecer a moeda, os contratos, as regras e indexadores vigentes anteriormente.

Mas anteriormente quando? No velho cruzeiro? No cruzado novo pré-Bresser?

Não faz o menor sentido, não tantos anos depois. O STF poderia ter derrubado tudo logo após cada plano. Isso não aconteceu, a vida seguiu. Como se dizia, os fatos impuseram a constitucionalidade. Hoje, declarar inconstitucional apenas a regra de correção da poupança será uma decisão que distribuirá riqueza do nada. Quer dizer, do nada, não. A conta vai direto para o governo — pois foi o governo que baixou decretos, medidas provisórias e demais normas, impondo o modo de correção. E, se vai para o governo, vai para o contribuinte, atual e futuro.

Os planos fizeram sentido na época e pelo menos evitaram explosões de hiperinflação. O Real resultou também desse aprendizado. Mudar um pedacinho do passado e impor enorme prejuízo à economia de hoje não faz sentido.

Por que não dá certo?

Luiz Werneck Vianna  
O Estado de S.Paulo

Qualquer observador da cena brasileira não se recusará a afirmar o papel do Estado como categoria crucial da sua História, a começar por uma de suas marcas mais distintivas, qual seja a da conquista da unidade territorial, quando as circunstâncias, logo após a Independência, pareciam prometer um destino semelhante à fragmentação que veio a ser dominante no mundo hispano-americano. De igual modo, será obrigado a reconhecer sua presença na modernização econômica do País, em que não só estabeleceu as bases de sua industrialização, como também criou uma complexa legislação com a qual nacionalizou o mercado de trabalho e difundiu uma ética valorizadora do trabalhador, em que pese o regime de tutela a que foram submetidas as atividades da sua vida associativa.

Seu último grande feito na modelagem do capitalismo brasileiro foi de estilo fáustico, com a incorporação do oeste e da Região Amazônica à sua estratégia - inscrita no seu DNA - de expansão do poder nacional, tarefa que envolveu várias gerações, conduzida como política de Estado nos anos estado-novistas por uma agência criada para esses fins, a Fundação Brasil Central, processos bem estudados por Robert Wegner (A Conquista do Oeste, Belo Horizonte, UFMG, 2000) e João Maia (Estado, Território e Imaginação Espacial, Rio de Janeiro, FGV, 2012), além dos já clássicos ensaios de José Souza Martins sobre o tema. O empreendimento estatal na conquista desse vasto território para a ocupação econômica foi coroado pela construção de Brasília e, duas décadas mais tarde, pela rede de rodovias criada pelo regime militar, entre as quais a Transamazônica.

Mas esse capitalismo politicamente orientado, ilustração exemplar da categoria cunhada por Weber, fora surtos passageiros a que foram acometidas algumas de suas elites políticas - não apenas as de direita -, sempre conservou no seu horizonte a perspectiva de que sua missão, ao lado de maximizar o poder nacional, era a de fortalecer o mercado e tornar viável seu movimento expansivo. Não à toa a ida aos sertões do nosso hinterland, iniciada sob o signo da aventura, deixou em sua esteira o agronegócio, hoje um carro-chefe do capitalismo brasileiro e que, ademais disso, consolida nossas fronteiras nacionais e as tensiona no sentido de projetá-las à frente.

Antes, pois, do mercado sempre esteve o Estado, ao qual se deve atribuir a juvenilização do capitalismo brasileiro com o agronegócio, que se instalou em lugares dados como perdidos para os grandes empreendimentos mercantis. O mesmo movimento, como notório, presidiu a industrialização do País, com a mesma antecedência da ação norteadora do Estado quanto ao mercado, tanto no Estado Novo, no governo Juscelino Kubitschek e no regime militar, que os governos do PT, embora sem a força de empuxe dos anteriores, tentam reiterar. Andará mal informado, portanto, o mesmo observador se não atentar para a força do mercado na cena contemporânea brasileira, que tem atrás de si como guardiã e desbravadora de caminhos novos a força política de um Estado cada vez mais bem equipado para intervir em seu favor em busca de novas oportunidades de expansão.

A presença incisiva da dimensão do mercado entre nós se faz estampar no espaço que todas as mídias lhe dedicam, com noticiários e colunistas especializados na interpretação do seu movimento e, em alguns casos, numa ação pedagógica dirigida ao grande público a fim de aconselhá-lo a extrair proveito de oportunidades de ganhos econômicos. De outra parte, expandem-se os cursos de formação de especialistas, nas universidades e fora delas, dedicados às suas práticas, afora o fato, bem conhecido, de que economistas de várias tendências doutrinárias se alinham, hoje, entre as principais personalidades intelectuais do País.

A capilaridade da sua influência cultural tem sido de tal monta que encontrou formas expressivas no terreno da religião, em geral refratárias ao mercado, como se nota na Teologia da Prosperidade que viceja em cultos pentecostais. Mais recentemente, o processo de irradiação de sua influência encontrou uma forma nova de massificação com o fenômeno do empreendedorismo, para cuja sustentação concorrem políticas públicas estatais e ações da vida associativa empresarial, para não falar no papel das mídias que o estimulam.

Nosso observador a esta altura se volta para a dimensão da sociedade civil e se aturde com a multiplicidade de suas ricas formas. Confronta-se com um sindicalismo pujante, dotado de mídia própria e equipamentos sofisticados, com um associativismo empresarial robusto à frente do Sistema S e seus cursos de formação de mão de obra especializada. Ao deitar os olhos para a vida popular, tem diante de si uma malha incontável de associações de bairro, a organização do carnaval e seus milhares de dirigentes e operadores sociais - a trama densa da esfera pública dos seres subalternos. Nas grandes corporações profissionais reitera-se o cenário, a que não falta a SBPC com o núcleo Ciência Hoje dedicado à divulgação científica e à massificação da ciência para um público juvenil.

Nosso observador se confunde. O que falta para que este país dê certo, se conta com Estado, mercado e sociedade civil como dimensões fortes e bem aparelhadas? A resposta não está à mão, mas ele se esforça e descobre: falta a política como atividade aberta à prática de todos, que, aqui, se tornou atividade sob monopólio dos dirigentes do poder político, apenas ele dotado de autonomia para pensar e agir, vício antigo também instalado no nosso DNA. Talvez por isso, ao contrário do Chile, que acaba de renovar suas lideranças políticas a partir de movimentos sociais recentes, aqui, onde esses movimentos foram de maior porte, não há muito o que esperar das jornadas de junho.

Dilma, um governo vazio e medíocre

Jorge Oliveira
Diário do Poder

Vitória – Com exceção das privatizações – que os petistas insistem em chamar de concessões – o governo da Dilma chega ao seu terceiro ano na estaca zero. Não se conhece uma obra com a sua digital. A economia está em frangalhos, as obras de infraestrutura do PAC paralisadas, a inflação indomável, a violência se alastra e o crack destrói uma geração inteira, apesar da Dilma prometer na campanha de 2010 que iria combater a epidemia dessa droga no país. Três anos depois, nada mudou. O governo não move uma palha para impedir que os bolivianos abasteçam o país com todo tipo de entorpecente. As fronteiras estão escancaradas, porque o governo do PT entendeu que Evo Morales – que acumula as funções de presidente da Bolívia e a da Associação dos Cocaleiros – é um grande amigo do Brasil, mesmo depois de desapropriar a Petrobrás e ameaçar cortar o gás que abastece a maioria das indústrias paulistas.

O Brasil nunca esteve tão exposto as oscilações econômicas externas e a bagunça interna. Não existe comando nem  liderança no país. Mais de 70% dos ministérios já sofreram intervenção da Polícia Federal que, invariavelmente, deixa os gabinetes com alguém algemado ou com provas irrefutáveis da corrupção. A bandidagem bateu às portas do Ministério da Fazenda e comprometeu dois altos funcionários do Guido Mantega com recebimento de propinas. As previsões do ministro são furadas, o PIB não se confirma e a produção industrial cai. Para piorar, a máquina do estado inchou e a folha de pagamento deu um pulo de 75 para 212 bilhões de reais nos últimos dez anos.

Na política externa, a presidente hostiliza os Estados Unidos, acusando o país de arapongagem, mas não consegue responder a espionagem da ABIN contra embaixadas em Brasília. Num lance propagandístico, ela vai aos EUA e evita falar com Barack Obama, principal parceiro econômico do Brasil, mas se permite uma audiência pública com Bill Clinton, um dos maiores lobistas do mundo, agora no Brasil para embolsar uma fortuna como intermediário de negócios.

A promiscuidade bate em todas as portas. Dentro do gabinete da Ministra Gleise Holfmann, a Polícia Federal arranca de lá um pedófilo, acusado de abuso sexual de dezenas de crianças, cabo eleitoral, protegido dela. A poucos metros do seu gabinete, outra ministra, Ideli Salvatti, é acusada de usar helicóptero para fins eleitorais em Santa Catarina enquanto pessoas acidentadas nas estradas morriam por falta de socorro médico. Quando esteve à frente do Ministério da Pesca, essa mesma ministra envolveu-se no escândalo da compra de lanchas hoje sucateadas. Outro ministro, Fernando Pimentel, foi acusado de receber milhões da Federação da Indústria de Minas Gerais sem comprovar que prestou os serviços.

Na Esplanada, a Polícia Federal invade o Ministério do Trabalho e encontra ali uma quadrilha que surrupiou mais de 200 milhões de reais. Algema vários funcionários, mas deixa solto o chefe da quadrilha, o ex-ministro Carlos Lupi, que continua dando as cartas no MT e no partido. No governo da Dilma nada é feito mais às escuras. A corrupção é visível porque falta comando, o governo, sem pulso, não impede as falcatruas. A própria presidente usa o expediente de mandar os corruptos para a Comissão de Ética, onde os notáveis normalmente os absolvem.

O governo vive dentro de uma ratoeira, onde os ratos se alimentam fartamente do queijo sem que a ratoeira dispare. Apenas uma vez ela capturou um deles. Para não ficar sangrando, o deputado Roberto Jeferson entregou a quadrilha da qual participava. Só assim, o Brasil conheceu os malfeitores da república, ladrões do dinheiro público. O resultado da deduragem do parlamentar petebista culminou com a prisão de vários mensaleiros. O Brasil precisa de mais Jéfersons arrependidos. Se isso ocorrer, dificilmente escapará um rato do braço mecânico da ratoeira para contar o final da história.

Investimento em estádios e entorno supera verba destinada a projetos de mobilidade urbana para a Copa. Cadê o legado?

Zero Hora

Dos 14 projetos de mobilidade retirados da Matriz de Responsabilidades, 10 são de Porto Alegre

Foto: Montagem sobre fotos Divulgação e Lívia Stumpf
Capitais apresentam atraso nas obras de mobilidade para a Copa do Mundo

Consideradas o grande legado de infraestrutura da Copa 2014, as obras de mobilidade urbana receberão menos investimentos que os estádios. Com a atualização da Matriz de Responsabilidades - documento que reúne todas as obras para o Mundial - neste mês de novembro, os gastos com as novas arenas chegaram a mais de R$ 8,02 bilhões. Somado a uma quantia que beira R$ 1 bilhão destinada ao entorno dos estádios, o valor supera os R$ 7,027 bilhões previstos para projetos de mobilidade.

Pela primeira vez desde que a matriz foi criada, os investimentos em estádios e em seus entornos superaram os gastos com as demais obras de mobilidade. Na maioria das sedes, porém, os projetos foram transferidos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ficarão prontos, ainda que depois do Mundial. É o caso das obras que foram retiradas da lista de Porto Alegre. A capital gaúcha é a sede com mais projetos excluídos na última atualização do documento: dez. No Brasil inteiro foram 14.

Em abril de 2012, por exemplo, a previsão era de que os gastos com mobilidade chegassem a quase R$ 11,5 bilhões e fossem cerca de 40% maiores do que os investimentos nos estádios, que, à época, custavam R$ 6,7 bilhões.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como se vê, a megalomania de impor o Brasil como sede da Copa Mundo, acabou não se justificando. Já nem entro no mérito do impacto ruim para os torcedores comuns de futebol, provocado pelas arenas (arre!!!), tendo em vista o encarecimento brutal dos ingressos, que embranqueceu os estádios e afastou o grande público amante do futebol.

Assim, a crítica que sempre fizemos pela teimosia de Lula em trazer a Copa de 2014 para o país, acaba se consumando. Falávamos que gastaríamos fortunas em estádios, dinheiro que faltavam para dar um mínimo de qualidade aos serviços públicos essenciais. As tais obras de mobilidade urbana não precisavam de copa nenhum a para serem implementadas, eram necessárias e urgentes e o governo jamais se preocupou com isto, apesar dos bilionários incentivos concedidos à indústria automobilística que entupiu cidades e estradas, sem que estas estivessem minimamente capacitadas para suportar  o aumento do tráfego.  

Sempre condenamos o desinteresse dos governantes, em todos os seus níveis, pelo transporte público. E, muito embora se exibam algumas obras que tendem a amenizar os graves problemas neste campo, elas não terão o dom de oferecer à população serviços mais dignos. Menos ruins, apenas isso. 

Criticamos também o injustificável atraso para início das obras, o que comprovava que o projeto apresentado pelo governo brasileiro à FIFA não passava de mera peça de marketing que jamais poderia ter sido levado a sério, porque seu objetivo único é o de provocar resultados eleitorais.   

Na medida que o tempo passou, tudo o que de ruim se disse que iria acontecer, está aí, inclusive com abandono de 14 projetos que, mesmo que não fossem concluídos a tempo, mas que fosse levados adiante, teriam impacto positivo em favor do país. Mas quem disse que o governo petista está preocupado em beneficiar o país?   Tudo o que esta faz e pensa tem o interesse exclusivo de se perpetuar no poder. O resto que se dane. 

PROMESSAS, PROMESSAS E MAIS PROMESSAS: Governo vai lançar pacote bilionário de obras rodoviárias

Mauro Zanatta 
O Estado de S.Paulo

Minas Gerais, Pernambuco e Bahia recebem maior parte das obras do Dnit, que incluem ainda editais para licitação de quatro pontes

BRASÍLIA - Superada a greve que paralisou boa parte de suas atividades por 74 dias, e após a revisão de projetos e a resolução de entraves em licenciamentos, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) lança nos próximos dias um amplo pacote bilionário de obras rodoviárias em Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, além da publicação dos editais para a licitação de quatro pontes no Paraná, Rondônia e Pará.

Depois das recentes concessões à iniciativa privada, o Dnit realizará, agora, a maior parte das obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo Regime Diferenciado de Contratações (RDC). "Vamos encurtar prazos e acelerar a entrega das obras", informou o diretor-geral do Dnit, general Jorge Fraxe, ao Estado.    


A mais vistosa é o chamado Arco Metropolitano do Recife, contorno rodoviário de quase 80 quilômetros. A obra, ainda no anteprojeto, tenta desafogar o pesado tráfego na BR-101, que atravessa uma zona urbana densamente habitada. Quando pronta, ligará o município de Igarassu, ao norte, até o complexo industrial do Porto de Suape, ao sul do Recife.

"Vai ser uma obra maravilhosa", diz o general Fraxe. A obra, informou, deve custar "algo em torno" de R$ 1 bilhão. "Um pouco mais, um pouco menos." Isso porque o RDC não prevê a divulgação dos valores exatos do orçamento. A definição do vencedor ocorre pelo menor preço via propostas e ofertas públicas, normalmente com deságio.

Disputa. 
A obra na BR-101 foi pivô de uma disputa de bastidores entre a presidente Dilma Rousseff e o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB). Em 2011, Campos anunciou o arco como Parceria Público-Privada (PPP), encomendou estudos e chegou a desapropriar 900 hectares na região. A Fiat apostou na obra ao instalar-se no município de Goiana, quase na divisa norte com a Paraíba. Em março, Dilma avisou que o governo federal faria o contorno estratégico para a região metropolitana da capital.

Ambos venderam a história como um entendimento entre União e Estado para fazê-la como obra pública. As obras na BR-408, que dá acesso à Arena Pernambuco, foram lançadas e vão terminar, segundo Fraxe.

Rodovia da morte. 
O Dnit relançará, até dezembro, a licitação para a duplicação de quatro trechos da BR-381, a chamada "rodovia da morte", que liga Belo Horizonte a Governador Valadares, no norte de Minas. Até aqui, o custo somou R$ 1,4 bilhão. Esses percursos não licitados registraram preço acima do máximo calculado pelo Dnit. Como não houve negociação, ficaram para uma segunda oferta.

A obra é licitada no sistema RDC Integrado, que prevê desde a elaboração dos projetos até a execução final. Assim, as empreiteiras têm de arcar com eventuais aumentos de custos por erros no projeto e atrasos na entrega, algo comum em licitações públicas até aqui.

Os lotes que vão ao pregão são dois trechos entre Sabará e Santa Luzia e dois trechos curtos próximos aos municípios de Jaguaraçu e Ribeirão Prainha, compostos por vários túneis. A licitação de 7 dos 11 lotes foi concluída "há um mês", segundo o diretor do Dnit. "Agora, vamos lançar os quatro que faltaram."

Na Bahia, o Dnit prevê a licitação da duplicação da BR-101, cujas obras se aproximam da divisa com Sergipe. E também o lançamento da duplicação do anel rodoviário da BR-116 em Feira de Santana.

Pontes. 
O pacote de obras também englobará a licitação de quatro pontes em regiões diferentes do País. A primeira será a segunda ponte internacional em Foz do Iguaçu. Outra ponte internacional ligará Guajará-Mirim à cidade boliviana de Guayaramerin. As demais ficam na Região Norte do País.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Nem a NASA é tão pródiga em lançamentos como os governos petistas. O que eles lançam de programas é um espanto! Então, qual é o problema?

O problema é que um programa é sempre a intenção de fazer alguma coisa, e o “fazer” deste governo é ruim prá danar. Nada anda, nada funciona, tudo fica pelo meio do caminho. 

Os tais anúncios sempre são precedidos de pomposas, caras e inúteis solenidades. Dão IBOPE, ilustram a propaganda oficial. Vejam o caso do Mais Médicos: já no dia seguinte ao lançamento do programa, antes mesmo que chegasse ao Brasil um único cubano, antes até do próprio Congresso aprovar a Medida Provisória,   a gente já era abalroado por um ator global, cantando as glórias do programa. 

É o caso clássico do tal PAC, bom de propaganda, péssimo em execução. 

Um detalhe: seria bom verificar se as obras que serão lançadas no "programa", não são café requentado das que constam dos PAc's, versões  1,2,3, X,Y,Z...Petista é muito bom em praticar estes truques, em reinaugurar duas a três vezes as mesmas obras, etc.E o pior: antes de serem concluídas, eles somam duas ou três vezes os mesmos valores, da mesma obra lançada e relançada,  para engordar o "investimento público".

Ora, um governo que precisa suspender os serviços de fiscalização da Receita Federal por falta de dinheiro (absurdo!), vai tirar dinheiro de onde, para bancar mais um pacote de “realizações”? Os petistas estão aí há mais dez anos enrolando o país inteiro com milhares de promessas, e zero de realização destas promessas! 

Ou será que pretendem dar continuidade ao seu processo de endividamento do país, que já passa de históricos R$ 2,0 TRILHÕES?