quinta-feira, novembro 28, 2013

Investimento em estádios e entorno supera verba destinada a projetos de mobilidade urbana para a Copa. Cadê o legado?

Zero Hora

Dos 14 projetos de mobilidade retirados da Matriz de Responsabilidades, 10 são de Porto Alegre

Foto: Montagem sobre fotos Divulgação e Lívia Stumpf
Capitais apresentam atraso nas obras de mobilidade para a Copa do Mundo

Consideradas o grande legado de infraestrutura da Copa 2014, as obras de mobilidade urbana receberão menos investimentos que os estádios. Com a atualização da Matriz de Responsabilidades - documento que reúne todas as obras para o Mundial - neste mês de novembro, os gastos com as novas arenas chegaram a mais de R$ 8,02 bilhões. Somado a uma quantia que beira R$ 1 bilhão destinada ao entorno dos estádios, o valor supera os R$ 7,027 bilhões previstos para projetos de mobilidade.

Pela primeira vez desde que a matriz foi criada, os investimentos em estádios e em seus entornos superaram os gastos com as demais obras de mobilidade. Na maioria das sedes, porém, os projetos foram transferidos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ficarão prontos, ainda que depois do Mundial. É o caso das obras que foram retiradas da lista de Porto Alegre. A capital gaúcha é a sede com mais projetos excluídos na última atualização do documento: dez. No Brasil inteiro foram 14.

Em abril de 2012, por exemplo, a previsão era de que os gastos com mobilidade chegassem a quase R$ 11,5 bilhões e fossem cerca de 40% maiores do que os investimentos nos estádios, que, à época, custavam R$ 6,7 bilhões.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como se vê, a megalomania de impor o Brasil como sede da Copa Mundo, acabou não se justificando. Já nem entro no mérito do impacto ruim para os torcedores comuns de futebol, provocado pelas arenas (arre!!!), tendo em vista o encarecimento brutal dos ingressos, que embranqueceu os estádios e afastou o grande público amante do futebol.

Assim, a crítica que sempre fizemos pela teimosia de Lula em trazer a Copa de 2014 para o país, acaba se consumando. Falávamos que gastaríamos fortunas em estádios, dinheiro que faltavam para dar um mínimo de qualidade aos serviços públicos essenciais. As tais obras de mobilidade urbana não precisavam de copa nenhum a para serem implementadas, eram necessárias e urgentes e o governo jamais se preocupou com isto, apesar dos bilionários incentivos concedidos à indústria automobilística que entupiu cidades e estradas, sem que estas estivessem minimamente capacitadas para suportar  o aumento do tráfego.  

Sempre condenamos o desinteresse dos governantes, em todos os seus níveis, pelo transporte público. E, muito embora se exibam algumas obras que tendem a amenizar os graves problemas neste campo, elas não terão o dom de oferecer à população serviços mais dignos. Menos ruins, apenas isso. 

Criticamos também o injustificável atraso para início das obras, o que comprovava que o projeto apresentado pelo governo brasileiro à FIFA não passava de mera peça de marketing que jamais poderia ter sido levado a sério, porque seu objetivo único é o de provocar resultados eleitorais.   

Na medida que o tempo passou, tudo o que de ruim se disse que iria acontecer, está aí, inclusive com abandono de 14 projetos que, mesmo que não fossem concluídos a tempo, mas que fosse levados adiante, teriam impacto positivo em favor do país. Mas quem disse que o governo petista está preocupado em beneficiar o país?   Tudo o que esta faz e pensa tem o interesse exclusivo de se perpetuar no poder. O resto que se dane.