Tatiana Farah
O Globo
Presidente afirma que resultado de leilão da rodovia BR 163 é ‘boa notícia’
Tatiana Farah/Ag. O Globo
A presidente Dilma durante obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul (SC)
SÃO FRANCISCO DO SUL (SC) - A presidente Dilma Rousseff anunciou como "boa notícia" nesta quarta-feira o resultado de leilão de concessão o trecho da BR 163, em Mato Grosso, vencido pela Odebrecht. De acordo com Dilma, houve um deságio de 52%, resultando em um corte de R$ 3 no preço do pedágio. Ao entregar a obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, a presidente disse ainda que o país passou 20 anos sem investimentos em infraestrutura e, indagada por repórteres se copiava o modelo de desenvolvimento do PSDB, Dilma respondeu:
— Na hora de se defender, todo mundo tem o direito de falar o que quer. O modelo, meu querido, é meu. Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde — disse ao repórter.
Para os participantes do evento, a presidente já havia "alfinetado" o governo tucano afirmando que o país voltava a investir "depois de uma paralisia de mais de 20 anos no Brasil". Sobre o leilão, Dilma afirmou que o deságio vai ajudar o agronegócio a reduzir custos e ficar mais competitivo, já que a BR 163 é importante para o escoamento de grãos.
— Foi muito importante o tamanho do deságio e isso produziu uma tarifa de pedágio muito competitiva, se não me engano de R$ 2,80 ou R$ 2,60. Em todo o caso, é algo extremamente importante para o Brasil — afirmou a presidente, que informou que o preço mínimo do pedágio para o leilão era de R$ 5,80 por 100 quilômetros.
Acompanhada da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, possível candidata do PT ao governo de Santa Catarina, e dos ministros dos Portos, Trabalho e Desenvolvimento Agrário, Dilma inaugurou a obra do porto de São Francisco do Sul, o sétimo maior do país. A obra consumiu cerca de R$ 34 milhões, a maioria recursos federais. Além do porto, a presidente entregou dez caminhões-caçamba e 59 motoniveladoras para 69 prefeitos da região num custo estimado em R$ 26 milhões. Ao lado do governador Raimundo Colombo (PDT-SC), que deve concorrer à reeleição, Dilma levou cerca de 30 minutos cumprimentando cada um dos prefeitos.
Depois da inauguração, a presidente, os ministros, o governador e outras autoridades participaram de almoço oferecido pelo prefeito de São Francisco do Sul, Luiz Roberto de Oliveira, em um restaurante em um hotel de frente para o mar. Segundo a administração do hotel, 58 pessoas participaram do almoço, em que foram servidos peixes e frutos do mar, a um custo de R$ 95 por pessoa.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Como é triste a gente se deparar com uma pessoa pública que desconhece o sentido da palavra “humildade”. A soberba imperial da senhora Rousseff chega a ser dolorosa.
Primeiro, o tal “modelo” de privatização e concessão nem dela é, apesar da sua afirmação cretina. Durante mais da metade de seu mandato, Dilma insistiu no mesmo modelo de “concessões” que ela, como Chefe da Casa Civil do governo Lula, havia elaborado e, como todos sabem, resultou num fracasso retumbante.
Agora, como vimos, a presidente tentou impor o mesmo padrão preconceituoso e deu com os burros n’água. Somente após as inúmeras tentativas fracassadas, e diante do mico de no leilão feito há cerca de um mês quando não se apresentou uma única proposta, a senhora Rousseff mandou revisar, sob pressão dos empresários, o modelo "dela" e se obrigou em elevar o teto mínimo do pedágio em 70%. Somente com tal alteração é que a licitação da BR-163 pode apresentar o resultado que se observou.
Em segundo lugar, a afirmação “Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde”, além de estúpida, merece resposta sim. Ela quer saber investimento de tamanha envergadura, não é? Pois que peça ao BNDES e a seu ministro da Fazenda um levantamento do que representou em tamanho de investimento a concessão das comunicações. Sem contar os milhares de empregos que o processo originou, a modernização da telefonia, a possibilidade de tornar a internet um canal de comunicação popularizado, em valores foram mais de R$ 200 bilhões em investimentos diretos e in diretos. Nós, que não nos ajoelhamos diante da mentira oficial do petismo anacrônico, é que desejamos que ela exiba em mais de 10 anos de PT investimento de tamanha envergadura? O próprio pré-sal, tão decantado, precisará se arrastar durante 10 anos para atingir tamanho volume.
Quanto a outros itens, que a senhora Rousseff peça um levantamento ao Ministério dos Transportes para avaliar o montante de investimentos das concessões rodoviárias feitas no governo FHC e o estado em que se encontram. Estas concessões a gente sabe bem o resultado. Quero ver como serão as estradas licitadas pelo governo Dilma nos próximos 5 anos, se terão a mesmo padrão de qualidade. Como também, vamos ver a questão custo/benefício, ou seja, em quanto estará sendo cobrado de pedágio ao final do total de investimento projetado. Porque é isto que conta. Pedágio baratinho no Brasil, ao modelo padrão Dilma Rousseff, resultou em estradas ruins, esburacadas, sem serviços e sem manutenção.
Da mesma forma, poderíamos citar aqui casos bastante exemplares de excelente privatização como foram os que ocorreram na metalurgia e siderurgia, inclusive no ramo elétrico que resultaram em por fim ao apagão antes do PT assumir o poder. E o que dizer da Embraer, da Vale? Desconhecer tais verdades, virar as costas para fatos reais, demonstra bem o baixo nível do pensamento político da senhora Rousseff.
Um país não é nem nunca foi propriedade de um partido político. O PSDB no poder cumpriu muito bem seu papel e a história registra seus feitos. Já o PT, além de apenas dar continuidade a obra feita, ainda quer, de forma cafajeste, mudar a história, reescrevendo com as tintas da mistificação.
Deveria a imperial e tola Dilma Rousseff fazer o seu papel e deixar que a história faça as devidas comparações de quem fez mais e de quem menos. Foram períodos históricos totalmente distintos. Fernando Henrique, além de viver um período conturbado da economia mundial, encontrou um país totalmente falido, desarrumado, bagunçado, sem crescimento, uma brutal desigualdade social, inflação nas nuvens. Ao sair, entregou ao senhor Lula um Brasil totalmente diferente e com reais condições de iniciar um processo de crescimento sustentável. E se tal não bastasse, Lula ainda pode desfrutar do mais promissor momento da economia mundial, a quem muito devemos pela expressiva melhora de todos os nossos indicadores.
Negar o passado não apenas é sinal de total ignorância, mas de absoluta má fé. Deveria a senhora Rousseff ter um pouco mais de respeito pela memória nacional, que não se curva a bestiologia e cretinices.