sexta-feira, outubro 05, 2007

Senado: é possível descer mais ainda ?

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Sob o título “Senadores Simon e Vasconcelos são expulsos da CCJ”, reportagem de Maria Clara Cabral do Portal Terra, segue a matéria. Depois, comentaremos.
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Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) foram expulsos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). Os dois, que são da ala independente do partido, serão substituídos por Almeida Lima (SE) e Paulo Duque (RJ), aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

Vasconcelos atribui a atitude diretamente a Calheiros e diz que o seu partido passou dos limites. "Estou em uma luta que já pressentia. O real PMDB somos nós, estava preparado para o pior. Não posso me surpreender, passaram dos limites", afirmou.

Pedro Simon também se mostrou indignado com a sua expulsão. "A ditadura não conseguiu me cassar, agora me acontece isso", disse.

Já o presidente da CCJ, senador Marco Maciel (Democratas-PE), disse estar surpreso com a manobra e que, em sua opinião, o procedimento não está em harmonia com a Casa. "Fiquei surpreso com a decisão do líder do PMDB de afastar os ilustres e operosos senadores. Minha estranheza é tanto maior quando se sabe que tal procedimento não está em harmonia com as tradições da Casa, caracterizada pelo respeito com as opinião dos parlamentares", afirmou.

O requerimento de destituição dos senadores foi lido em Plenário em nome do líder Raupp. Na semana passada, um grupo de peemedebistas apelidados como rebelados ajudaram a derrubar a medida provisória que criou a Secretaria de Planejamento a Longo Prazo.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: A decisão da cúpula do PMDB, e não apenas de Valdir Raupp é bom que se diga, de afastar os senadores Jarbas Vasconcellos, do Pernambuco, e Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, da Comissão de Constituição e Justiça, é por todos os lados que se analisar, um ato covarde, mesquinho, imoral e tremendamente injusto, pela própria história dos dois senadores dentro do partido. Nem a ditadura militar conseguiu praticar ato tão ignominioso. Claro que os dois pela grandeza de suas personalidades, pelo caráter íntegro e em respeito aos eleitores que os escolheram para representarem seus estados no senado, não agirão em represália ao partido. Os homens são transitórios, passam, o partido é institucional, permanece.

Os que se arvoram como donos da sigla estão dando ao partido, uma face que se coaduna com sua própria face. Assim, ao invés de lutarem para fincarem uma bandeira de decência, de ética, aqueles que ontem se locupletaram em plena ditadura, e só transpuseram o muro quanto sentiram o cheiro da queda eminente do regime militar, hoje posam de democráticos, quando não passam de esbirros covardes lambuzados no regime do arbítrio, da falta de liberdades, do autoritarismo.

Os jáderes, os sarneysistas, os quercistas, os renansistas, representam a podridão em pessoa de um tempo que envergonha o país e macula a instituição que dizem defender. No fundo, tais pilantras defenderam sempre e apenas seu próprio interesse pessoal. Apenas para lembrar, Sarney e Renan representam há muitos anos os estados do Maranhão e de Alagoas, e não por acaso, dois estados com os piores índices de qualidade de vida de suas populações. É gentalha deprimente, enxovalhada, e que não tem 10% de grandeza moral para comparar-se aos perfis biográficos de Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos. São lixo sórdido parido no que de pior este país já produziu no seio de sua classe política. São anões de moral debilóide, que rastejam suas vísceras intestinas na podridão e promiscuidade.

A arrogância do senhor renan (e é assim mesmo que este cretino merece ter seu nome escrito, em minúsculas, do tamanho de sua moral), está tendo como efeito a degradação cada maior de uma casa que deveria respeitar o mandato popular outorgado e conquistado nas urnas legitimamente como legítimas e honradas são e sempre foram suas atuações. Estes anões sórdidos estão convertendo o senado em uma casa de tolerância e promiscuidade. Ao se manter aferrado à cadeira de presidente da casa sem ter condição moral alguma para lá permanecer, não pense este cidadão que esteja mostrando alguma autoridade. O que este camarada está mostrando é estar mais baixo do ordinário, do imoral, donde ele já não pode mais descer. Está engolido pela própria lama que destila de sua alma conspurcado no charco da indecência.

Nesta ação sórdida patrocinado por este senador sem moral, querendo subir mais, desceu ao mais baixo nível que um lacaio trôpego pode descer. E sua leviandade acaba é colocando no pedestal gente que pode estufar o peito e sair de cabeça erguida nas ruas, no meio do povo de qualquer estado do país, e não apenas nos currais e nos antros dos porcos que os expulsam por serem honrados. Simon e Jarbas tem passado, tem presente e sempre terão futuro. Já os canalhas que os traem de forma infame, têm um passado que os condenam, um presente que os desonram e um futuro negro como a cor de suas almas.

E por mais que estes degradados e imbecis atentem contra a ética dos que não admitem chafurdar-se no mesmo charco em que se deliciam, por mais que minta e mistifiquem seus atos nas barganhas do submundo com que se movem, não conseguirão apagar as manchas de um caráter que não possuem, de uma honra que seus atos negam existir, e de uma integridade moral que não conseguirão comprar. A história, no devido tempo, saberá, mais do que os atos imundos com que se banqueteiam no covil de suas pocilgas, mostrar a sordidez das personalidades demoníacas dos traidores da representação popular.

Ao serem eleitos para os seus atuais mandatos, não lhes foi outorgada procuração nem para delinqüir nem para agirem feito canalhas, e que por serem o tanto que são, não merecerão nenhuma condescendência. Para Simon e Jarbas, o amanhã saberá sorrir na devida justeza de suas honras. Para os que os traíram, a história mostrará os canalhas que são e o quanto são.

Fábrica do racismo

Demétrio Magnoli (*), Estadão

"A nação é um plebiscito cotidiano" Ernest Renan, 1823-1892

Rita de Cássia Camisolão, coordenadora do "Programa de Educação Anti-Racista" da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que utilizará pela primeira vez um sistema de cotas no seu vestibular, reuniu-se há pouco com estudantes de escolas públicas para prestar esclarecimentos sobre as regras do sistema. Confrontada com a questão de saber como devem proceder os jovens com "fenótipo pardo", mas certidões de nascimento que os identificam como "brancos", fulminou: "O documento comprovatório da opção do cotista é a autodeclaração, não a certidão. O que importa é a aparência."

Está claro? Mais ou menos, pois nada é o que parece quando se trata de atribuir rótulos raciais às pessoas. Na Universidade de Brasília (UnB), também é a "aparência" que importa - mas uma aparência interpretada por sábios acadêmicos e militantes de movimentos negros, congregados em tribunais raciais que até há pouco se dedicavam à análise de fotografias dos candidatos, mas agora preferem apenas submetê-los a "entrevistas identitárias". Na UFRGS, ao contrário, a aparência do candidato é definida pelo próprio candidato, o que implica uma "fluidez racial" muito maior: "negros" da UFRGS podem bem ser "brancos" da UnB.

Na UFRGS, separaram-se 30% das vagas para egressos de escolas públicas, sendo metade delas (15% do total) reservadas para "negros". Segundo dados do IBGE, baseados no critério da autodeclaração, 7% dos habitantes do Rio Grande do Sul são "pardos" e 4% são "pretos" - ou seja, na novilíngua da reinvenção das raças, os "afrodescendentes" representam 11% da população do Estado. Eis o motivo pelo qual a UFRGS optou pela "fluidez racial": os fanáticos da raça pretendem "retificar" o perfil demográfico rio-grandense, fabricando "afrodescendentes" nas consciências e nas estatísticas. Pode-se apostar sem risco na expansão da parcela de "pardos" e "pretos" nos próximos censos, especialmente entre jovens em idade pré-universitária.

Raças humanas não existem, a não ser como construções políticas e sociais, "uma das formas de identificar as pessoas em nossa própria mente" (Thomas Sowell). Sem a intervenção do Estado, os brasileiros tendem a borrar o conceito de raça, tanto na prática da mestiçagem quanto no imaginário da identidade, o que se verifica pela expansão estatística dos "pardos" (de 21% em 1940 para 43% em 2006) e pela retração dos "brancos" (63% para 49%) e dos "pretos" (15% para 7%). Os nossos fanáticos da raça - que são, como tantos antecessores, fanáticos da "pureza racial" - projetam reverter essa tendência e fabricar um País polarizado entre "brancos" ("eurodescendentes", na sua linguagem abominável) e "negros" ou "afrodescendentes".

Produzir a bipartição racial da nação - essa é a função das cotas raciais nas universidades. Seus promotores a ocultam sob o pretexto de promoção da inclusão social, um objetivo que figura quase como consenso nacional, mas não têm nenhum interesse em políticas de qualificação do ensino público e repudiam as medidas transitórias adotadas por universidades que oferecem oportunidades especiais para candidatos provenientes de escolas públicas, sem distinção de cor.

Na UnB, dínamo principal da fábrica das raças, o sentido das coisas é cada vez mais evidente. Diante da desmoralização do método fotográfico de certificação racial, a Reitoria decidiu investir todas as fichas nas entrevistas. O método equivale a um tribunal racial político e psicológico. A comissão de entrevistadores se compõe de professores e representantes de ONGs do movimento negro. As perguntas abrangem temas como a percepção de discriminação do candidato, sua atitude diante da questão racial e suas relações com o movimento negro. A "negritude" passa a ser definida pelo potencial de alinhamento ideológico do jovem estudante com o programa racialista dos donos das chaves de entrada na universidade. (Mas, claro, nem tudo é perfeito e os cursinhos saberão preparar os candidatos para oferecerem respostas "certas" aos comissários raciais.)

No limiar das universidades, a mestiçagem real e imaginária dos brasileiros pode ser abolida pelas regras em permanente mutação dos fabricantes de raças. Mas como fazê-lo na escala da nação? O IBGE anuncia um experimento de campo para a introdução de uma "nova classificação de cor" no próximo censo. Aventa-se incluir uma variável de "origem étnica" nos questionários - algo que soa estranho quando já se conhece, por meio da investigação científica, a ancestralidade genética da população. A finalidade, mal ocultada, é fazer surgir, por uma mágica que ainda se busca, uma nação repartida em "brancos" e "afrodescendentes". O mágico presuntivo é José Luís Petruccelli, responsável pelo experimento, que abriu o jogo. "Nós não vamos direto ao assunto, como era feito: vai ter uma introdução." Petruccelli é um intelectual engajado na fabricação de raças. Seus pesquisadores saberão persuadir os entrevistados a formular respostas "certas", isto é, adaptadas ao dogma oficial.

Todos os dias, a nação se refaz pela decisão tácita de cada indivíduo de continuar a viver sob o princípio da igualdade política e jurídica inscrito no pacto republicano. A fábrica das raças e do racismo oferece a proposta de se responder "não" a esse "plebiscito cotidiano". Seus gerentes estão dizendo que há duas nações no Brasil - e que no lugar do princípio da igualdade podemos, no máximo, conviver sob um frágil arranjo diplomático de distribuição de benesses e privilégios entre "nações étnicas" separadas pelo abismo da cultura.Timothy Mulholland, o reitor da UnB, alerta: "Criamos um sistema para jovens negros que, às vezes, é visto por alguns alunos como brincadeira." Ele está certo. Não se brinca com raça ou etnia e as provas disso estão por toda parte - da África do Sul a Ruanda e da antiga Iugoslávia à Malásia.
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* Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

De Platão a Mangabeira

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

Depois que os brasileiros tiraram o último lugar entre estudantes secundários de 32 nacionalidades, os progressos da ignorância pátria não cessaram de assombrar o mundo. O "Índice Global de Talentos" das consultorias Economist Intelligence Unit e Heidrick & Struggles mostra que o Brasil é um dos países com menor capacidade de criar ou atrair mentes brilhantes. Num total de 30 concorrentes, estamos em 23º lugar.

Não me venham com as explicações econômicas de sempre. "Nêfte paíf", recordista mundial de professores universitários per capita (um para cada oito alunos), a classe dos intelectuais subsidiados prospera dia-a-dia desde que a USP chegou ao poder com Fernando Henrique e nunca mais saiu de cima de nós. Os dois fatores estão interligados.

À progressiva míngua de talentos corresponde o vigoroso crescimento da máfia intelectual ativista. "Ativista" não quer dizer mentalmente ativo, mas "politicamente participante", isto é, o sujeito que tem a generosidade de ocupar quantos cargos públicos lhe ofereçam, de embolsar todas as verbas estatais disponíveis e de assinar todos os manifestos que se publiquem em favor de pessoas envolvidas solidariamente nas duas tarefas anteriores.

Desde o tempo de O imbecil coletivo, já documentei tão amplamente a inépcia grotesca das figuras mais badaladas da intelectualidade nacional, que oferecer novas provas seria redundância. Mas não resisto a apontar o exemplo do professor Roberto Mangabeira Unger, que de certo modo condensa na sua desengonçada pessoa todo esse fenômeno sociológico.

Outro dia, rememorando Platão, escrevi que filósofo é o indivíduo que tenta encontrar um princípio de ordem na sua própria alma e então - só então - diagnosticar ou mesmo tentar curar a desordem do mundo. Com essa idéia na cabeça, tomei um susto quando li a declaração do supracitado Mangabeira: "Para ajudar a transformar o Brasil, em primeiro lugar tenho que transformar a mim mesmo".

Será que o Mangabeira virou filósofo após tê-lo parecido tão bem?, perguntei. Na continuação, porém, o iluminado esclarecia o sentido da transformação interior a que almejava: "Sou um homem sem charme num país de charmosos. Isso é uma séria complicação. Eu preciso aprender a ter charme".

Platão, logo após seu fracasso político juvenil, descobriu que não estaria apto a orientar governantes enquanto não encontrasse dentro de si a raiz que o ligava ao fundamento último da existência. Tal foi a meta a que dirigiu seus esforços de uma vida inteira. O guru presidencial, em contraste, sente que para o desempenho de suas altas responsabilidades não lhe falta senão o que pode haver de mais exterior e efêmero. Sem querer, ele enuncia aí o princípio supremo da pedagogia filosófica nacional, que Machado de Assis já havia resumido na "Teoria do Medalhão": o ser é nada, o parecer é tudo. Tal é a distância que separa Atenas de Brasília.

Guiada por tipos que não são nem mesmo o Mangabeira Unger mas aspiram a sê-lo quando crescerem, a inteligência brasileira entrou em parafuso, veio ao solo e, rompendo-lhe a superfície, mergulhou na treva infernal da estupidez auto-satisfeita. Desde então nossas universidades, sustentadas pelo dinheiro público, despejam anualmente no mercado milhões de imbecis qualificados para a devoção a Che, o consumo de drogas e o culto emocionado da sua própria superioridade moral, medida pela raiva assassina que sentem do restante da espécie humana. Nessas condições, a educação nacional, hoje em dia, só se distingue do crime organizado porque o crime é organizado.

Vendo chifres em cabeça de cavalo...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O ex-deputado federal, e ex-ministro todo poderoso do tempo da ditadura militar, é bom que se diga para não cair no esquecimento, publicou na Folha um artigo intitulado “Malthusianismo”, em que tenta mostrar ao mundo que todos os críticos aos programas de bio-combustíveis, quando fazem alerta para a possibilidade de que a expansão do programa pode reduzir a plantação de alimentos estão errados, e somente os apóstolos do bem, sentados em cima de imensos canaviais, estão certos.

Ao tempo em que Delfim mandava e desmandava, dava as cartas para um governo inteiro, ele adorava brincar com estatísticas. Como somente ele tinha acesso aos dados, se punha a despejar aos ouvidos de seus interlocutores, uma montanha de números que tinham o dom de aquietar os críticos. Mas neste tempo, é bom lembrar, o país vivia o império da censura. Portanto, não se podia contrariar os “números oficiais’ sob pena e risco de não se ter uma segunda chance. Ou se concordava, ou se concordava. Nada além disso.

Hoje, com o advento tanto da redemocratização do país e o fim da censura, como as maravilhas que a internet nos permite em relação `pesquisa de dados, fica mais difícil para os embromões despejarem suas teorias sem base alguma. Hoje, já podemos contestar números falsos, mesmo que eles sejam apresentados pelo mago Delfim.

No seu artigo ele se coloca contrariado com os críticos do etanol, principalmente aqueles que teimam em dizer que a expansão do combustível derivado da cana de açúcar, reduzirá o volume de alimentos plantados, sejam em quantidade seja em área plantada. E lá se3 põe Delfim a desfiar uma infinidade de números. Contudo, ontem mesmo suas ‘informações” foram desmentidas pelo excelente publicado na mesma Folha, e que aqui reproduzimos, escrito por Aparecida de Moraes e Silva, demonstrando claramente que já está ocorrendo redução nas áreas plantadas e destinadas à produção de alimentos. A conseqüência, nem é difícil de se chegar até ela, será, em futuro breve, que os preços dos alimentos tenderão a subir, isto se o tempo ajudar e não vier provocar, além da elevação dos preços, a escassez, aumentando ainda mais o custo ao consumidor.

Além disso, o que se lê nos alertas feitos por especialistas e ambientalistas não são previsões apocalípticas. Tratam-se apenas de alertas para uma possibilidade real. Se de parte de alguns o viés ideológico pode pautar a opinião deste ou daquele, isto em nada invalidade que outros estudiosos possam prever uma possibilidade bastante concreta sim de que a expansão no uso de bio-combustíveis por inúmeras razões de mercado, de lucratividade, de ocupação de espaço, e até pelos inúmeros incentivos como forma de atração tem sido lançados no mundo todo, tudo isto pode reduzir a oferta de alimentos, com conseqüente redução de área plantada. O que, conforme vimos acima, e também no excelente artigo de Aparecida de Moraes já ficou evidenciado.

Deste modo, seria oportuno que Delfim Neto, antes tão cuidadoso em suas análises, parasse de ver chifres em cabeça de cavalo, e até procurasse melhor se informar a respeito. Ficaria surpreso em ver que o “viés ideológico” que ele imagina, tem cores muito mais de realidade do que de ficção.

Além disso, seria importante que o ex-deputado se inteirasse melhor e se detivesse em analisar o caso dos bio-combustíveis no campo da pesquisa. Ficará surpreso em constatar que já estamos ficando para trás. Neste campo está faltando investimento. E ele é importante já que é a tecnologia que permite reais ganhos numa atividade em que os produtores historicamente é quem menos recebe compensação por sua atividade.

A seguir o artigo do Delfim.

Malthusianismo

Uma grave ameaça pesa sobre a produção dos biocombustíveis. Movimentos sociais com objetivos ideológicos, ambientalistas honestos, mas desinformados, analistas bem-informados, mas com viés malthusiano, chefes de governo prisioneiros de sua situação e até a ONU insistem na falsa idéia de que eles vão reduzir a oferta de alimentos. No caso brasileiro, a ameaça é claramente falsa. A área total do Brasil é de 851 milhões de hectares, dos quais 463 milhões (54%) são ocupados por áreas preservadas (inclusive a floresta amazônica); 220 milhões (26%) são ocupados por pastagens; 72 milhões (9%) são áreas cultivadas (6 milhões de hectares pela cana) e 96 milhões (11%) são potencialmente cultiváveis.

É preciso enxergar um fato importante: a agricultura é o único setor da economia onde milhões de produtores, individualistas e desorganizados, enfrentam uma estrutura oligopolista de compra, o que significa que transferem potencialmente para os consumidores todos os seus ganhos de produtividade. Isso explica a secular redução dos preços agrícolas com relação aos preços industriais. Apenas potencialmente porque, por outro lado, a estrutura oligopolista enfrenta milhões de consumidores, o que lhe dá um enorme poder na formação dos preços.

Os ganhos de produtividade do setor agrícola são o resultado do desenvolvimento da seleção genética, dos transgênicos, das técnicas de cultivo e da eficiência dos fertilizantes, e não há menor sinal de que tais avanços vão arrefecer. Pelo contrário, em alguns setores, como o do etanol e do biodiesel, os avanços genéticos que aumentam a produtividade por área e os avanços dos processos químicos e biológicos para o aproveitamento de toda a biomassa na extração de combustível estão à vista.

É claro que o aparecimento de um novo "produto" tende a alterar todos os preços relativos. Isso aconteceu, por exemplo, quando o ex-presidente do Banco do Brasil Nestor Jost, em 1968, convenceu o governo de que o feijão-soja tinha futuro. É ridículo imaginar que, num mercado livre, a alteração dos preços relativos possa ser a causa da inflação (que exige preços crescendo). Os ganhos de produtividade por área na agricultura e na pecuária vão liberar terra sobre a qual avançarão as novas culturas. Concretamente: o Brasil usa hoje 1/3 da terra que usava há 30 anos para produzir a mesma quantidade de álcool. Daqui a 30 anos, usará, provavelmente, menos de 1/9...

O único risco real que corre o projeto de Lula é a ameaça do seu próprio governo, se não se entender que há um claro conflito de interesse entre a Petrobras e os biocombustíveis.

Exército pode retirar arrozeiros da Raposa Serra do Sol

Agência Brasil

O Exército brasileiro poderá participar da retirada dos arrozeiros que ainda permanecem na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A avaliação é do general Augusto Heleno Pereira, responsável pelo Comando Militar da Amazônia (CMA).

O general disse que o Exército poderá entrar em ação se for acionado pelo governo federal. Isso porque, segundo o general, o caso representa uma operação de segurança pública.

- A questão da retirada dos arrozeiros da reserva já está em nível de governo federal e, como tal, não temos mais o que discutir sobre a decisão. O que nos compete, do ponto de vista legal, é proporcionar apoio logístico para a operação, que ainda não teve data nem definição quanto ao que vai precisar do CMA. É uma operação de segurança pública e, portanto, afeta aos órgãos responsáveis pela segurança pública, e, dependendo dos meios que nos forem solicitados, teremos condições ou não de apoiar - avaliou o general.

Apesar da declaração de que não há mais prazo para permanência dos arrozeiros na área em Roraima, feita pelo comitê gestor responsável pela desocupação, a Polícia Federal (PF) no estado afirma que ainda não recebeu nenhuma ordem para retirada dos não-índios do local.

De acordo com a assessoria de comunicação da PF no estado, não está programada nenhuma ação específica dos policiais no momento. Segundo a assessoria, para uma ação mais rígida para retirada dos não-índios do local precisaria existir uma ordem do Ministério da Justiça, ao qual o órgão federal em Roraima está subordinado.

A briga entre arrozeiros e indígenas pela posse de terras no norte de Roraima, onde foi homologada a reserva, já dura mais de dois anos. Teve início quando a demarcação foi oficializada pelo decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2005. A lei determina que a posse dos quase 2 milhões de hectares da reserva seja dos 18 mil indígenas que vivem na região.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o processo de reassentamento dos não-índios da reserva vem sendo realizado desde o ano passado e, para permitir a continuidade dos trabalhos dos rizicultores em outras terras, uma área de 24 mil hectares estará à disposição desses produtores.

Senado brasileiro homenageará o “porco fedorento”.

Faz todo sentido !
Reinaldo Azevedo

Acreditem!
No próximo dia 23, o Senado brasileiro prestará uma homenagem ao porco fedorento. Isto mesmo: haverá uma sessão especial em memória do assassino Che Guevara. Parece-me ok. Muitos senadores ficariam melhor num chiqueiro imundo. O autor da proposta, aprovada celeremente por Tião Viana (PT-AC), que presidia a Mesa, é José Nery, do PSOL (PA).

Informa, erradamente, o site do Senado: “No dia 8 deste mês, o assassinato de ‘El Che’ pelo exército boliviano, com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, completa 40 anos.” Ele foi capturado no dia 8, mas executado no dia 9. O senador “psoliano” não teve dúvida e não perdeu a chance de dizer uma estupidez: “Tratava-se de cumprir uma missão planejada, ao arrepio da soberania boliviana, por uma potência intolerante obcecada pela idéia de derrotar a revolução cubana e de impor aos países latino-americanos regimes políticos absolutamente servis aos seus interesses estratégicos”.

Não! É o contrário. Os EUA colaboravam com o governo legal da Bolívia. Quem se intrometia nos assuntos internos do país, com dinheiro de Cuba — satélite da URSS —, era Che. Como sempre, a verdade é o contrário do que diz um esquerdista.

Não! Não direi que isso prova — ao contrário do que dizem os boquirrotos — a inexistência de direita no Senado e no Congresso. Nem exijo tanto. A provação dessa homenagem evidencia que a própria cultura democrática ainda não está devidamente entronizada no Parlamento brasileiro. Mesmo os que sabem que Guevara foi um assassino asqueroso silenciam. No dia 23, ouvir-se-ão as apologias, e posso antever que não se levantará uma única voz para lastimar a biografia de um vagabundo que torturou, mandou matar e matou a sangue frio.

Cuba, que vive a “utopia” que Guevara ajudou a criar, executa prisioneiros sem julgamento, prende jornalistas e artistas e reprime qualquer forma de oposição. A democracia e o pluripartidarismo brasileiros, que permitem a existência, no Brasil, de um PSOL, inexistem na ilha.

Alguns tolos dirão: “Que importância tem isso? Quem liga pra isso? Só mesmo um direitista como você!” Pois é. Que digam. Mas eu asseguro que a homenagem a Che é um símbolo e remete à raiz de nossos problemas. O PT é caudatário da crença de que, se o sujeito luta “por justiça” (ainda que isso seja mentira), então tudo lhe é permitido. No caso de Che e de outros esquerdistas, era-lhes facultado matar em nome da convicção. No caso dos nossos esquerdistas, mais espertos e menos “idealistas”, é-lhes facultado mentir, trapacear e roubar.

Edital proíbe propaganda...

MAS MEC MANTÉM LIVRO DE HISTÓRIA QUE FALA DO FOME ZERO


Artigo de Demétrio Weber, em O Globo online, leiam, em seguida comentaremos.

O Ministério da Educação (MEC) proíbe que livros didáticos distribuídos pelo governo às escolas públicas façam propaganda político-partidária, mas, como mostrou artigo do jornalista Ali Kamel na terça-feira no GLOBO, o livro "Projeto Araribá - História - Ensino Fundamental - 8", para estudantes da 8ª série, que será distribuído a escolas públicas, reproduz texto do Instituto de Cidadania, do PT, sobre o Fome Zero - um programa que nem vingou. Para a comissão de avaliadores que orienta as compras do MEC, a obra não está nessa situação.

A proibição de propaganda partidária em obras didáticas consta no edital do Programa Nacional do Livro Didático de 2008, que definiu regras para a compra de 128 milhões de exemplares pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, do MEC, um investimento de R$ 746 milhões em 2007.

Nas páginas 254 e 255 da edição destinada às escolas públicas, num subcapítulo sobre fome, o livro trata do Fome Zero, lançado pelo presidente Lula em 2003. E apresenta quatro parágrafos do documento "Projeto Fome Zero - Uma proposta de política e segurança alimentar para o Brasil", informando que se trata de texto com "propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001".

" Não li e não opino (Ministro da Educação, Fernando Haddad) "

O ministro Fernando Haddad, porém, não quis entrar na polêmica:

- Não li o livro e não vou opinar. Por questão ética, não podemos induzir a escolha do livro didático.

Haddad destacou que os avaliadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, contratada para analisar obras que serão distribuídas em 2008, não viram problema na reprodução do texto sobre o Fome Zero e aprovaram a inclusão da obra no Guia do Livro Didático 2008. O catálogo é enviado às escolas para que os professores e o diretor escolham os títulos que receberão no ano seguinte. A pedido de 13 mil diretores, o MEC adquiriu 1,1 milhão de exemplares, ao custo de R$ 5,6 milhões.

Haddad defendeu o processo de avaliação, que disse ser impessoal. Segundo o ministro, esse modelo garante imparcialidade e evita censuras.

- A tutela do Estado é ante-sala do arbítrio - afirmou.
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A fala do ministro Haddad afirmando que “não li e não comento” é de imbecilidade dolorosa. Quanto mais ainda, se considerarmos que Haddad é ministro da Educação. Ora, se alguém levanta suspeitas sobre um livro pago pelo MEC, a pasta de Haddad, e de que tal livro contém texto de propaganda partidária, o mínimo que a responsabilidade impõem é informar-se da veracidade do que a crítica está apontando ou não. Não é simplesmente dar as costas e dizer “isto não é comigo”. Ora convenhamos, faz o quê então o senhor Haddad, figuração ? Teatro mambembe? Isto, meu caro, em qualquer lugar sério do mundo, é uma atitude omissa e irresponsável da parte de alguém pago pela sociedade para cumprir uma função pública, e se omite diante de suspeitas de irregularidades igualmente bancadas com dinheiro público.

Aliás, demonstramos aqui ontem em depoimentos de professores da rede pública, que o critério que o ministro afirma ser o empregado pelo MEC para o “patrocínio” de livros didáticos não é verdadeiro. Diz Haddad que “não podemos induzir a escolha do livro didático”. Pois, então, meu senhor, poderia fazer a gentileza de ao menos fiscalizar para não se empurrar porcaria com selo de qualidade para os alunos das escolas públicas ?

Quanto a afirmação de que a “tutela é a ante-sala do arbítrio”, melhor seria aplicá-la a si mesmo, quando permite que livro didático seja distribuído com conteúdo mentiroso e mistificador, manipulador de fatos históricos, inclusive reconhecido pelo próprio editor, e mais, com descarada propagando político-partidária. Isto sim é arbítrio puro e genuíno, por que nem na ante-sala se encontra.
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E saiba o senhor Haddad que, com arrogância, não conseguirá infiltrar um processo de imbecilização e idiotia no pensamento dos nossos filhos. Estamos vigilantes porque, afinal, é o nosso dinheiro que está bancando esta farra e esta “esperteza” depravada e indecorosa

Por que o Brasil de Lula não pode dar certo

por Paulo Moura, cientista político, site Diego Casagrande
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Se a próxima eleição para presidente da República fosse hoje, e Lula fosse candidato a mais um mandato, o petismo se reelegeria. O PT aposta no que há de mais atrasado na sociedade brasileira e se dá bem. Num cenário de instabilidades permanentes, instauradas pelas transformações de uma sociedade que se globaliza e atropela as estruturas de sustentação da sociedade do passado recente, o medo do novo aterroriza quem não entende o que se passa e não está preparado para se libertar das amarras escravizantes do paternalismo estatal. O Brasil patrimonialista preserva a cultura do Estado-pai desde os tempos do mercantilismo vigente quando da sua descoberta pelos portugueses, no início do século XVI.

A força do Estado brasileiro decorre das circunstâncias que marcaram a chegada dos portugueses aqui. Um imenso território quase desabitado e cheio de riquezas naturais oferecia enormes oportunidades para o saque e o enriquecimento rápido de indivíduos que, por força da abundância de matérias primas em estado bruto, não precisavam manufaturar e agregar valor ao que extraíam da natureza para enriquecer. Bastava-lhes saquear e revender na Europa as riquezas aqui abstraídas. A população nativa da América tropical também padecia desse mal e não se desenvolveu como as culturas andinas, pois não havia frio que lhes ameaçasse a subsistência fácil com base na coleta, na caça e na pesca, apenas. Herdeiros dessas facilidades, permanecemos deitados eternamente em berço esplêndido ao som do mar e sob o azul do céu profundo, a espera de que a prosperidade nos seja concedida como benesse, por um Deus que pensamos ser brasileiro, apesar de as escrituras sagradas dizerem que o povo escolhido é outro.
Sem espírito empreendedor e vivendo do extrativismo, o Brasil nasce como empreendimento do Império mercantilista português, que dá início pela fundação do Estado à estruturação de uma sociedade no território recém descoberto e não desbravado. Assim nasce, também, a cultura do menor esforço que, até hoje, atrasa o desenvolvimento nacional. Ocupar posições no Estado colonial era – e é até hoje - atalho para o enriquecimento rápido. As elites econômicas e políticas nacionais nascem do vício e não da virtude. E a plebe também. Para que trabalhar se podemos coletar, caçar e pescar uma bolsa esmola e um seguro desemprego?

A permissividade com esse tipo de conduta está arraigada na mentalidade do brasileiro de tal forma, que a ruptura com a cultura mercantilista é empreitada hercúlea. Uma teia de interesses compartilhados pela elite e pela plebe se articula para preservar a teta que lhes sustenta à custa de quem escolhe a liberdade e busca a prosperidade pelo trabalho. Transitamos das origens agrárias e extrativistas do período colonial para um modelo urbano e industrial patrocinados pela ditadura do Estado Novo fundado pelo "pai dos pobres", Getúlio Vargas, em quem Lula se espelha com orgulho e soberba. JK e os militares de 1964 deram novo impulso e atualidade ao modelo perene, que Lula se encarrega de recauchutar para a sobrevida no mundo da economia globalizada, aberta e competitiva.

O novo paradigma de produção e comunicação subjacente às transformações da sociedade contemporânea é incompatível com o capitalismo tardio e de perfil mercantilista e patrimonialista vigente e revigorado pelo poder sindical petista. Tal como na Alemanha da transição do século XIX para o século XX, no Brasil, não é a "burguesia" que comanda os destinos políticos da nação, segundo prescrevia o fracassado engodo marxista. Aqui é a corporação burocrática do setor público quem comanda a sociedade e o mercado a partir do Estado.

A lógica comportamental das corporações burocráticas está presente em todas as organizações originadas no modelo de gestão nascido com o trabalho especializado da era industrial, geridas por complexos organogramas cheios de escaninhos comandados por especialistas em intermediação. Max Weber, criador do conceito de patrimonialismo, preocupado com o poder da burocracia prussiana que comandava a sociedade alemã de seu tempo, desenvolveu uma Teoria da Burocracia na qual mapeou as distorções e danos que esse modelo pode causar à sociedade. Ao longo do século XX as corporações burocráticas expandiram seus tentáculos em direção ao controle das organizações públicas e privadas. O nazismo, o fascismo e o comunismo foram expressões do poder estatal total e totalitário das corporações burocráticas sobre a sociedade industrial moderna.

Essa matriz sistêmica é incompatível com os modelos de gestão das organizações contemporâneas. A lógica que rege o funcionamento dos sistemas tecnológicos de produção e comunicação não se coaduna aos organogramas e fluxogramas burocráticos. A compressão da relação tempo-espaço provocada pela comunicação em tempo real, acelera a circulação das informações no sistema. A alta capacidade de armazenamento e processamento dos computadores aumenta exponencialmente o volume das informações em circulação.

Com isso, a competição pelo poder e pela riqueza transferiu-se das mãos de quem tem matérias primas baratas e mão-de-obra inculta, para as mãos de quem pesquisa e descobre conhecimentos novos e corre na frente para vendê-los. Criatividade, velocidade para inovar a responder demandas e flexibilidade para adaptação a uma realidade cambiante e veloz são imprescindíveis à competição pelo poder e pela riqueza sob essa realidade.

Desconcentrar e distribuir poder, eliminar a distância e os obstáculos entre os decidem e os que fazem, conferir autonomia aos nodos das redes de produção e comunicação cobrando-lhes criatividade e conhecimento tornou-se regra nas organizações privadas. Cabe ao Estado adaptar-se a essas mudanças. Aliás, a incapacidade dos regimes socialistas acompanharem essa mudança é uma das principais causas do seu fracasso.

O "programa de governo" que Lula aprofunda nesse segundo mandato caminha a passos largos e em ritmo acelerado na contramão dessas mudanças. Mas os beneficiários de curto prazo da compra generalizada de apoios que Lula patrocina junto à maioria ignorante que o apóia, e a burrice de outros tantos membros da elite empresarial, impede-os de perceber o prejuízo de médio e longo prazo dessa escolha errada.

Equador amplia participação nos lucros das petroleiras

BBC Brasil
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O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou nesta quinta-feira a ampliação da participação do Estado nos lucros das petroleiras estrangeiras em operação no país.

Um decreto assinado pelo presidente obriga essas empresas - entre elas a brasileira Petrobras - a repassar ao governo equatoriano 99% dos lucros acima de um valor pré-determinado em contrato. Pela lei atual, em vigor desde o ano passado, as empresas repassam 50% ao governo.

"O governo da revolução cidadã considera que é insuficiente que o Estado equatoriano receba 50% das receitas extraordinárias dos contratos de participação como ocorria em anos anteriores", disse o presidente equatoriano, na cerimônia de assinatura do decreto.

Correa disse que no próximo dia 15, o ministro de Minas e Petróleo, Galo Chiriboga, deverá se reunir com as companhias afetadas "para estabelecer a nova política petroleira do país".

"(A nova política) que começa ratificando que o petróleo é de todos os equatorianos e que jamais voltaremos a permitir perder a propriedade do mesmo", disse Correa.

Surpresa
Segundo o correspondente da BBC Daniel Schweimler, o anúncio pegou as empresas de surpresa.

Críticos do governo de Correa acusam o presidente de copiar medidas "radicais" promovidas pelo líder da Venezuela, Hugo Chávez.

Em maio, o governo venezuelano assumiu o controle acionário e operativo das empresas transnacionais que operam na faixa do rio Orinoco, considerada uma das maiores reservas petrolíferas do mundo.

O governo equatoriano, no entanto, nega que pretenda nacionalizar as petroleiras que atuam em seu território.

A produção de petróleo no Equador é de mais de 500 mil barris diários.

Além da Petrobras, operam no Equador as companhias Repsol-YPF, Perenco, Andes Petroleum e City Oriente.

ENQUANTO ISSO...

Grupo ligado à Funasa é feito refém por índios em Roraima
da Agência Folha

Um grupo de 11 prestadores de serviço para a área de saúde da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) foi feito refém em uma aldeia dentro da terra indígena ianomâmi, em Roraima. Duas aeronaves que transportavam os funcionários foram impedidas de deixar a área.

Segundo a fundação, o grupo estava a bordo de duas aeronaves na região de Alto Alegre (86 km de Boa Vista) quando foi impedido por índios ianomâmis de deixar o local.

Os funcionários, segundo nota da Funasa, foram impedidos de sair por causa de atraso na liberação de recursos para convênio com a Fundação Universidade de Brasília.

De acordo com a nota, "a liberação dos recursos referentes à parcela 12ª do convênio firmado pela Funasa com a Fundação Universidade de Brasília para a prestação de serviços de assistência à saúde na área ianomâmi ocorreu hoje [ontem]. O valor total repassado é de R$ 2,8 milhões".

A fundação, por meio da assessoria de imprensa em Brasília, informou que por volta das 19h40 (horário de Brasília) os funcionários foram liberados.


Enquanto isso...

Índios são presos em Rondônia com 24 pedras preciosas
da Agência Folha

Dois índios foram presos ontem em Porto Velho (RO) com 24 pedras preciosas com características de diamantes. O material foi extraído da reserva indígena Roosevelt, onde, em 2004, 29 garimpeiros foram mortos por índios cinta-largas em razão de disputas por jazidas de diamantes.

Os dois índios --Vanderley Assiry, da etnia mequém, e Raimundo Cinta-Larga-- foram detidos quando negociavam as pedras com dois compradores em um hotel próximo à rodoviária da capital do Estado, informou a Polícia Federal.

Os quatro foram indiciados por crimes de exploração de matéria-prima pertencente à União sem autorização legal, que prevê pena de detenção de um a cinco anos e multa, e pelo crime de extração de recursos minerais sem autorização. Após pagamento de fiança eles foram liberados.

As prisões ocorreram após informações repassadas pela Base Operacional da Polícia Federal na reserva Roosevetl.

Em junho, uma policial rodoviária federal foi presa na região de Pimenta Bueno (515 km de Porto Velho) transportando ilegalmente 102 diamantes.


*** COMENTANDO A NOTÍCIA; Os índios não praticam apenas este tipo de contrabando. Se a Polícia Federal intensificar suas buscas, encontrará todo o santo alguma tribo contrabandeando de tudo, da madeira nobre no meio da floresta, à minerais nobres extraídos do sub-solo. Apesar da imensidão exagerada de terras que já foram doadas aos povos indígenas, todo o dia os jornais noticiam a morte de índios por desnutrição. Ou seja, eles não usam as extensas propriedades doadas pelo Estado brasileiro para plantar e tirar seu sustento. Usam-nas para piratearem e contrabandearem riquezas do país. E ainda assim, conforme noticiamos nesta edição, vocês vão ler notícia dando conta da operação que o governo está ordenando ao Exército para desocupação de agricultores na Reserva Raposo do Sol, que foi criada, é bom que se diga, depois que estes agricultores lá já se encontravam há dezenas de nos, e num estado que não existem livres mais do que 12% de área útil disponível ao homem branco comum para morar, viver e trabalhar. Um dia ainda o país se arrependerá amargamente destes privilégios exagerados que estão sendo concedidos aos povos indígenas. Até porque, como se vê, além de praticarem seqüestros com a manutenção de pessoas em cárcere privado, além da chantagem que usualmente empregam para arrancarem indevidamente outros tantos privilégios, a preocupação deles é arranjarem dinheiro para viver por outros métodos que não o trabalho como os demais brasileiros são obrigados.