Adelson Elias Vasconcellos
Se antes havia a alternativa de Eduardo Campos, apesar da vice Marina, às candidaturas de PT e PSDB, ou a tal terceira via, com a morte do ex-governador de Pernambuco, esta alternativa desapareceu. Marina, nem que se pinte, conseguirá ser a socialista que Eduardo Campos foi tampouco tem o traquejo que o ex-governador possuía em alto nível.. Aliás, se querem saber, Marina é o contraponto piorado de Dilma. É uma ex-petista que apenas deixou o partido, mas jamais mudou seus conceitos. No fundo de sua alma, ainda brilha uma estrela vermelha.
Eduardo Campos poderia ser, sim, uma alternativa à política tanto econômica quanto social ao atual governo. Aécio, certamente, é outra destas alternativas. Marina, não. Aliás, Marina sempre se posicionou contra o desenvolvimento. Prova? Basta qualquer pessoa pretender abrir uma indústria para saber o calvário que precisará enfrentar para obter as tais licenças ambientais. Na infraestrutura? Basta ver porque os muitos projetos do PAc, em qualquer uma de suas múltiplas versões, sequer conseguiram sair do papel. Tudo porque o Brasil precisa suportar uma legislação ambiental que, no total, soma absurdas 30 mil normas. E adivinhem quem foi a pitonisa deste calvário? Não há país que consiga avançar tendo contra si um emaranhado tão antidesenvolvimento como se tornou a legislação ambiental brasileira.
Muito embora Marina tenha a seu lado o economista Eduardo Gianetti, com boas ideias, conceitos e formação, dado o próprio temperamento centralizador e autoritário da ex-senadora pelo Acre, Gianetti não conseguirá implementar as reformas que o país precisa. Se com Dilma tudo precisava ser filtrado ao estilo imperial da governanta, e por conta disso tudo andava devagar quase parando, com Marina vai parar de vez. Para Marina, uma colônia de pererecas vale muito mais do que uma multidão de seres humanos. Que estes fiquem sem energia elétrica, sem estradas, sem pontes, sem fábricas, desde que a colônia de pererecas seja preservada.
Estes 21% apontados pelo Datafolha para a provável candidata à sucessão presidencial pelo PSB pode até aumentar um pouco mais. Mas não irá muito longe. Este é exatamente o capital político conquistado por Marina na última eleição. São pessoas que aceitam qualquer terceira via, mesmo que seja uma alternativa vazia, ruim para o país em termos de propostas e projetos, e que não consiga dizer A com A, B com B, C com C. O discurso marineiro é confuso, não aponta rumo nenhum, é ideário demais e realista de menos.
É claro que Marina pode até ganhar. Se no país até um desmiolado Fernando Collor já ganhou eleição, se a atual presidente não passava de um poste ancorado na popularidade do padrinho, por que Marina não pode vencer a disputa? Claro que sim. Mas a munição e as armas de Marina são reduzidas para uma campanha com tantos fatores estranhos como esta. E mesmo que ganhe, tendo uma base parlamentar reduzida, vai obrigar-se, goste ou não, a ter de negociar com as velhas raposas do Congresso. E isto é exatamente contrário ao discurso que Marina prega. O Brasil já viveu situação semelhante. Collor também se elegeu como um furacão, mas sem base parlamentar acabou tragado pelos costumes imorais de um Congresso francamente oposicionista. Deu no que deu. Democracia nenhuma se mantém em pé sem a ação política.
Sinceramente, causa apreensão (ou deveria, ao menos, causar) alimentar o desejo de um presidente sem uma base parlamentar com alguma solidez. Quanto mais se o presidente não perde oportunidades de pregar a antipolítica. De certa forma, a presença de Marina na vaga de Eduardo Campos abre a imensa possibilidade de um segundo turno. Mas, neste caso, abre também o enorme temor de que Dilma acabe reeleita. E manter Dilma no poder, é apostar no desastre.
Marina precisará afinar seu discurso em temas polêmicos dos quais sempre se esquivou. Um deles, que propostas têm para recuperar as contas públicas e retomar o crescimento. Noutro campo, quais projetos leva consigo para a área de segurança e requalificação dos serviços públicos. E o sempre espinhoso tema da infraestrutura, afogada nas 30 mil normas ambientais.
A grande esperança de mudança alimentada pelos brasileiros periga transformar-se, em outubro próximo, em uma enorme frustração e um pesadelo sem fim. Alguém disse que a história não se repete? Por certo, era alguém que não conhecia o Brasil.
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