terça-feira, julho 10, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

LEMBRANDO UM VERSO DE CAZUZA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

No programa de rádio, Café com o Presidente, Lula saiu-se com essa:

- Esse é um debate (a tecnologia brasileira de biocombustíveis ) que o Brasil não tem de ter medo. Nós não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme numa grande nação.

Como em outras centenas de vezes, Lula adota um discurso demonstrativo de uma tremenda ignorância, além é claro, de uma má fé deplorável sob todos os aspectos.

Em primeiro lugar, o Brasil só não é uma potência de primeiro mundo em razão não dos “poderosos” de além mar, mas por culpa dos poderosos daqui mesmo. Não nos desenvolvemos como poderíamos porque fomos incompetentes em governar nosso próprio destino. Bastante que se olhe o presente para se constatar que existe uma categoria, a governista, que atola o país na lama, na corrupção, no desperdício, na malversação, na má gerência de recursos que chega a ser imoral. E, por outro lado, temos uma elite econômica mais preocupada com o casamento de seu cachorrinho de estimação do que em devolver ao país parte de seus ganhos na forma de investimentos em educação e cultura. E o senhor Lula sequer pode desvencilhar-se deste culpa. Vejam: uma das empresas que mais investiu em cultura no país, enquanto todos as demais empresas torciam o nariz para o lado, foi justamente a VARIG. Passou anos a fio recebendo o que lhe era devido pelo governo federal com atrasos e sem correção. Quando resolveu ir à justiça reclamar o prejuízo devido, o que fez o governo Lula? Negou-lhe o direito de receber o que a própria justiça determinou que fosse pago e que continua,até hoje, a recorrer e protelar o pagamento. E não é pouca coisa não: são mais de R$ 4,0 bilhões.

Como contrapartida, o governo Lula patrocinou a falência daquela que era uma referência internacional na excelência dos serviços que prestou ao país e aos brasileiros.

Olhe-se para o próprio presidente Lula: enquanto que equipamentos para serem colocados nas pistas dos aeroportos brasileiros, para permitir pousos e decolagens em condições adversas como nevoeiros e neblinas, com custo estimado em R$ 8,0 milhões são considerados “muito caros”, ele por sua vez autoriza a compra de dois super-helicópteros, a R$ 28,0 milhões, para servir à presidência da República, afora o muito luxo do aero-Lula. Ou seja , nega investir R$ 8,0 milhões para servir a milhares de brasileiros, mas autoriza a despesa de R$ 28,0 milhões para servir apenas a si mesmo ! O que isto representa ?

Ninguém está impedindo o Brasil de crescer. Desde que nos tornamos independentes, uma certa elite governa o país segundo seus particulares interesses e conveniências. O próprio Lula e seu partido, o que fizeram e acrescentaram ao país enquanto estiveram na oposição ? Que outra coisa eles próprios não fizeram além de impedir a governabilidade da república, entravando votações e reformas indispensáveis para o progresso e desenvolvimento pleno para um país rico com um povo desempregado ou sub-empregado, faminto, sem instrução, sem serviços públicos decentes ? Por que, por exemplo, o senhor Lula da Silva gastou todo seu primeiro mandato investindo mais em ensino superior do que em ensino fundamental e básico ? E mais: a depender de Lula e seu partido, sequer o plano real, a lei de responsabilidade fiscal e o equilíbrio das contas públicas teriam sido obtidos no governo FHC em razão de sua oposição analfabeta e irresponsável !

E não vamos esquecer dos quinze anos de ditadura Vargas e mais 21 de ditadura militar ! Nenhum poderoso colocou no poder os presidentes que foram eleitos, às vezes de forma fraudulenta por eles próprios !

O dia em que o Brasil começar a se dar conta de que seu progresso e desenvolvimento dependem fundamentalmente da ação responsável e competente de seus governantes, além de um pensamento devotado ao país pela elite econômica que apenas projeta no poder seu mesquinho interesse, teremos dado a largada nesta corrida maluca rumo ao futuro.

Até lá, enquanto nossos governantes pautarem a justificativa de seus próprios erros e derrapadas no poder a terceiros, e não assumirem com real vergonha na cara sua incompetência e até sua ignorância, enquanto política no país for feita de forma absurdamente imoral e canalha, não precisamos dos poderosos de fora para andarmos abraçados ao atraso e à mediocridade.

Enquanto governantes feitos Lula praticarem maciço investimento apenas para sua própria imagem e popularismo torpe e vagabundo, ou enquanto este mesmo governante se acelera em aumentar em quantidade absurda o gigantismo do Estado em detrimento com o tamanho da riqueza nacional, da qual sugam 45% em impostos sem lhe devolver em serviços pelo menos uma parte de forma decente, não há poderoso no mundo capaz de ser mais competente em nos empurrar para o atraso e para o caos do que este nossos mesmos governantes. Não precisamos sair mundo a fora procurando raposas ou caçando bruxas para culpa-las pelo mundo selvagem em que nos encontramos mergulhados: temos dentro de casa mesmo, alojados nos palácios nababescos de Brasília, construída com o suor, o sacrifício, a pobreza e miséria de nossa gente, os bandidos que mataram nosso crescimento, e impediram nosso desenvolvimento.

Mesmo hoje, com seu reinado cada vez mais farto em gastos dispensáveis, portanto inúteis, que servem apenas para alimentar a luxúria e a vaidade dos nossos príncipes no poder, seria totalmente ridículo querer agora culpar os outros pelos erros históricos que temos cometidos dentro do nosso próprio país. Tivesse Lula um pingo de juízo e respeito à História do país, e serrado compromisso com a verdade, não teria jogado no lixo um primeiro mandato inteiro sem nada produzir a não ser investir em sua própria reeleição, enquanto a infra-estrutura se desmoronava visivelmente. Mais: tivesse ele realmente interesse em dar ao país um rumo de progresso e crescimento, acabaria numa canetada só com os 22,0 mil cargos políticos frutos do apadrinhamento e compadrio que apenas alimentam a roubalheira e a corrupção. Aliás, 22.160, para ser mais preciso, dos quais, reparem bem, mais de 10% ou 2.971 lotados apenas na presidência da República. Trata-se de um recorde sem dúvida, e difícil de ser batido.

Assim, no dia em que Lula primeiro reconhecer como boa a herança de estabilidade que recebeu de seu antecessor além, é claro, de reconhecer que o seu assistencialista Bolsa Família nada mais é do que a continuação do leque de programas sociais criados antes dele, no dia em que o senhor Luiz Inácio apresentar um projeto de país, e não um projeto de personalização de sua própria figura, no dia em que tivermos um presidente devotado em trabalhar apenas pelo Brasil, e não só para os amigos e os filiados do partido, no dia em que no projeto de país for expurgado os apêndices de ideologias retrógradas e atrasadas, então poderemos enfrentar adversidades e poderosos estrangeiros. Por enquanto, nos basta superar o fogo amigo dentro de nossa própria casa. Já seria um progresso e tanto não precisarmos ouvir num programa de rádio, um presidente mentir descaradamente e com tamanha leviandade !

Ou para lembrar Cazuza: “Meus inimigos estão no poder” !

O Senado é hostil aos honestos

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Jarbas Vasconcelos tinha 12 anos quando ouviu do pai a frase que jamais esqueceria: "Nunca volte para casa com marcas de briga nem dizendo que achou dinheiro na rua", disse o rude e reto funcionário público. O menino nascido e criado na Zona da Mata entendeu o recado, mas assimilou a lição pela metade. Agora com 65 anos, o senador Jarbas Vasconcelos foi sempre um homem irretocavelmente honesto. Mas bom de briga também.

Na década de 70, integrante do combativo "grupo autêntico" do velho MDB, o jovem deputado brigava pela restauração da democracia no Brasil. As lembranças da guerra distendem o rosto sempre sóbrio, quase sisudo do senador pernambucano.

- Em muitas cidades, as janelas eram fechadas quando a comitiva aparecia - recorda. - Já discursei num comício sem ninguém na platéia. Ninguém.

Hoje incorporado ao diminuto bloco dos decentes, Jarbas briga pela restauração da moralidade no Senado. Ao ouvir os primeiros mugidos do rebanho suspeitíssimo, entendeu que Renan Calheiros deveria deixar a presidência. A teimosia de Renan transformou o pedido em exigência.

- Quem está sangrando não é o presidente do Senado, mas a instituição, que fede como um corpo em decomposição - repetiu na casa no Recife onde se refugia nos fins de semana, cercado de relíquias da arte popular sertaneja.

Como as coisas não são diferentes na Câmara dos Deputados, Jarbas suspeita de que pode estar no começo o pior quatriênio da história do Congresso.

- Vergonha não sinto, porque luto contra isso abertamente - ressalva. - O que sinto é um profundo desconforto, por ser senador e por pertencer ao PMDB. Sou um dissidente, como o senador Pedro Simon. O partido que ajudei a fundar não existe mais.

Promete seguir brigando no Senado com a mesma determinação dos tempos da ditadura.

- A renúncia de Joaquim Roriz não deixa de ser uma vitória, e Renan não vai resistir muito tempo no cargo - tenta animar-se.

Mas desistiu do PMDB. Acha que o partido não tem jeito. Perdeu de vez a compostura.

Por que continua por lá?

- Porque um político sem partido é um homem sem direção, e ainda não sei para onde ir - lamenta. - Nunca tive formação petista. Nem tenho formação tucana.

Se só lhe restassem esses dois caminhos, provavelmente optaria pelo que leva ao PSDB.

Ali tem muitos amigos, começando pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

- Acho que ele fez um bom governo, principalmente nos primeiros quatro anos - diz. - Não deveria ter permanecido.

Para Jarbas, o segundo mandato é sempre mais difícil.

- Sei disso por ter vivido a experiência - afirma. - O governante está mais desgastado, o entusiasmo diminui. A reeleição foi uma má idéia.

O tom de voz se torna mais agreste quando se refere ao PT.

- O partido sempre se apresentou como um templo da moralidade - registra. - Os petistas tinham soluções para tudo até chegarem ao governo. No poder, têm superado todos os limites da corrupção e da inépcia.

Convidado para figurar como vice-presidente na chapa vitoriosa em outubro passado, Jarbas acha que agiu com sensatez ao recusar a parceria. Incomoda-o particularmente o estilo de Lula.

- Ele nunca tem nada a ver com nenhum problema, só é responsável por êxitos eventuais - espanta-se o senador. - Nos momentos de crise, Lula fala como se fosse o líder da oposição ou um brasileiro comum.

Companheiro de calvário dos flagelados das salas de embarque, Jarbas se declara cada vez mais perplexo com as declarações do presidente sobre o apagão aéreo que já completou nove meses.

- Lula age como um passageiro qualquer - constata. - Critica a inexistência de uma política para o setor, cobra providências urgentes dos ministros, exige respeito das empresas aéreas. Mas é ele o responsável pelo apagão.

Jarbas atribui a programas como o Bolsa-Família o bom desempenho de Lula nas pesquisas.

- O assistencialismo rende votos - admite Jarbas. - Mas piora o Brasil e os brasileiros.

Chantagem com gosto de sadismo

Editorial do Jornal do Brasil

Quarta-feira será um dia marcante. A se confirmar a paralisação dos funcionários dos aeroportos, o país terá chegado ao fundo do poço no que diz respeito ao calvário imposto nesses dez meses aos cidadãos que precisam ou escolhem viajar de avião, seja em rotas internas, seja para o exterior. Mobilizados, os responsáveis pela infra-estrutura dos terminais passaram os últimos dias reunindo e preparando a tropa. Rufam os tambores.

O ataque aos já combalidos passageiros é iminente. A estratégia de deflagrar um movimento com reivindicações salariais neste período de férias escolares e de Jogos Pan-Americanos passa, primeiramente, pela propagação do medo. Quem, diante do cenário que estes funcionários com estabilidade no emprego garantem poder promover, manteria o planejamento de voar?

Reféns da dúvida, muitos certamente seguirão para o embarque, amaldiçoando o dia em que decidiram aproveitar as férias longe de casa. Outros, sem poder suspender compromissos de trabalho, tentarão alternativas capazes de reduzir os prejuízos no horizonte, decorrentes da impossibilidade de honrar o que foi acertado.

É nesse ambiente turvo que se desenrolam as negociações para parar a pedra que rola montanha abaixo, ainda devagar, mas acelerando. Só por terem o poder de semear esse sentimento, os aeroportuários, tanto quanto os controladores, já posam como vitoriosos. Descobriram o calcanhar de Aquiles de um país cujas dimensões continentais tornam a aviação uma questão de sobrevivência. Uma verdade, por sinal, que o governo Lula, insiste em desconhecer, para desespero daqueles que esperam que cumpra o que é de seu ofício: governar.

Como bem citou Augusto Nunes, em Sete Dias, ontem, o presidente que patinou nas rodovias - antes de patrocinar uma eleitoreira operação tapa-buraco - agora sobrevoa a crise aérea. Para lidar com o drama interminável, soluços de autoridade. Como não gosta de decidir, Lula mandou a Infraero "resolver o problema". Por outro lado, desautorizou a estatal abrindo o canal de negociação com o ministro do Trabalho. Tal qual ocorreu com os controladores amotinados, se os grevistas não tinham a noção do medo que causam no Planalto, o tamanho da deferência os deve ter deixado encantados.

Se esse movimento efetivamente vingar, a estrutura aérea terá sido totalmente seqüestrada por interesses sindicais movidos por um corporativismo que desconhece limites. Movimentos que só possuem a musculatura que agora exibem por terem sido pacientemente anabolizados pelos sindicalistas agora transformados em síndicos do aparelho de Estado. O problema é que ser governo exige, principalmente contrariar interesses. E falta coragem a esse.

Os aeroportuários já elegeram as principais armas com as quais pretendem subjugar a nação. A maior delas deixa a todos estarrecidos pelo grau de sadismo que contêm. Desligar todos os painéis de informação nos quais se pode ver horários de vôos, portões de embarque e desembarque é uma declaração de guerra ao direito básico de ir e vir. Quem anuncia isso merece ser cobrado judicialmente por ameaça à ordem pública.

Reação mais severa ainda deve recair nos que pretendem deixar de sinalizar as pistas, de fazer a manutenção da iluminação ou de manobrar as aeronaves para o engate ou desengate em segurança. Como tais serviços têm um componente de segurança, é evidente que sua supressão conduz à paralisia do sistema.

Esse quadro deixa claro que o governo Lula entra para a História no vácuo da realização: afinal, pior que o apagão aéreo, só o de autoridade.

ENQUANTO ISSO...

Relatório aponta problemas no setor aéreo
Do G1, com informações do Jornal Nacional

Um relatório do Departamento de Controle de Vôo da Aeronáutica em poder da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do setor aéreo afirma que faltam controladores no Brasil e que o sistema está no limite.

Por causa de documentos apresentados pela Aeronáutica, a sessão foi fechada.

O representante do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) apresentou um documento com o diagnóstico da situação do tráfego aéreo no Brasil. O relatório é do final de 2005. Um plano de desenvolvimento para os anos de 2006 a 2009 e o comando da Aeronáutica acaba reconhecendo algumas críticas dos controladores.

O documento afirma: "os principais problemas enfrentados pelo Decea são devido à rápida obsolescência e à limitação dos equipamentos e sistemas."

Em outro trecho diz que "devido ao aumento na demanda do tráfego aéreo, à redução da separação entre aeronaves, indesejáveis conflitos de tráfego aéreo eventualmente ocorrem."

Ainda sobre segurança do tráfego aéreo, o documento explica que "órgãos dos serviços de tráfego aéreo estão se aproximando do limite de sua capacidade operacional, em termos de equipamentos e pessoal."

Contratação
O comando da Aeronáutica reclama ainda que há anos perde profissionais qualificados. E que precisaria contratar 600 controladores e 800 técnicos.

Mas o diretor do Decea explicou que muitos desses problemas já foram resolvidos e que a questão dos equipamentos obsoletos é que nos próximos anos o controle aéreo passará a ser apenas por satélite.

"O que nós apresentamos é que o sistema de conceito é que está sendo modificado. E não é só do Brasil, o mundo inteiro está mudando. Então, não são equipamentos, mas o conceito é que está obsoleto e vai ser modificado nos próximos dez anos", disse o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea. Para os senadores da CPI, o problema é outro. "Falta principalmente coordenação, porque se a Infraero for fazer uma coisa, a Anac for fazer outra, o comando da Aeronáutica for pra outra direção, o caos vai se instalar de maneira definitiva”, afirmou o relator da CPI, Demostenes Torres (DEM-GO).

COMENTÁRIO:
Crônica de um apagão anunciado
Editorial do Jornal do Brasil

Causa espanto e indignação aos milhares de passageiros que sofreram (e aos que ainda sofrerão) nas filas de embarque dos aeroportos do país a notícia de que o governo já sabia, desde 2005, dos graves problemas do controle de vôo. Relatório sigiloso produzido pela Aeronáutica há dois anos e discutido quarta-feira na CPI do Apagão Aéreo previa, com riqueza de detalhes, o colapso do sistema aéreo nacional.

Constam do documento alertas sobre o desgaste dos sistemas de comunicação e vigilância do espaço aéreo, avisos sobre o aumento da demanda nos aeroportos e recomendações para a melhor capacitação de meteorologistas e cartógrafos da Aeronáutica.

O texto cita também o déficit de pessoal e equipamentos - fato sempre negado pelas autoridades responsáveis pelo gerenciamento do sistema e, com a mesma veemência, sempre confirmado por controladores de vôo, amotinados ou não. A leitura do relatório supostamente reservado evidencia o que até as birutas dos aeródromos do interior já sabiam: a crise não chegou de surpresa; foi previamente anunciada.

Somado aos discursos amalucados e ao deboche do alto escalão do poder para explicar (ou disfarçar) a incompetência na gestão do transporte aéreo, o documento faz crescer o descrédito nos administradores do sistema. Mas aponta o caminho para a solução.


ENQUANTO ISSO...

Novos helicópteros para Lula devem custar R$ 24 milhões
Lisandra Paraguassú, Estadão

Para servirem ao presidente e autoridades, os aparelhos terão que ter revestimento de couro, ar-condicionado, uma mesa para despachos e um mini refrigerador


O comando da Aeronáutica abriu uma concorrência internacional, no início deste mês, para comprar mais dois helicópteros para serem usados no transporte do presidente da República e de ministros. A previsão é de que o governo gaste até US$ 12 milhões (cerca de R$ 24 milhões) na compra dos dois aparelhos com lugar para cinco pessoas, que deverão ser entregues até um ano depois do resultado da licitação.

Os helicópteros serão incorporados à frota que hoje já atende o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros e terão características específicas exigidas pela Aeronáutica. Por serviram autoridades, terão que ter revestimento de couro, ar-condicionado, uma mesa para despachos e um mini refrigerador. Além disso, precisam ter um motor com redução de ruídos.

As empresas candidatas terão que entregar as propostas até o início do próximo mês e a compra será feita pelo menor preço. Ainda foi incluída uma cláusula, comum em licitações internacionais, de incorporação de tecnologia - a empresa ganhadora terá que transferir tecnologia ao parque de material aeronáutico da Aeronáutica.

O governo federal já tem hoje dois helicópteros que servem à Presidência da República, um de uso específico do presidente e outro que serve para as equipes de apoio. Normalmente, os helicópteros acompanham Lula nas viagens nacionais para serem usados em deslocamentos curtos, quando o presidente chega de avião a alguma distância do local do evento em que irá participar. Fora os helicópteros, Lula desloca-se, nas viagens maiores, no Airbus, um jato que custou US$ 56,7 milhões aos cofres públicos.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É preciso dizer ou acrescentar alguma coisa às notícias acima ? É claro que não: fica provado definitivamente com que espécie e tipo de gente estamos lidando, que “mentalidades” medíocres” estão nos desgovernando, e que ainda se jactam de “autoridades responsáveis”, e cantam a maior marra quanto ao país jamais em sua história etecetera e tal...

Olha, registrem isto: enquanto no país vigorar a filosofia do pobrismo, enquanto o pensamento vigorante se escudar nesta bagacerice e estupidez, acreditem, depois desta, haverão outras crises até se esgotarem a moral de uma lado, e a capacidade de se indignar da sociedade. O governo Lula está matando a pau o senso de realidade e de ridículo que ainda havia no país.

Fica claro que este meliante é tudo aquilo que sempre se imaginou, chefe de uma bem montada máquina de delinqüentes e picaretas políticos que não se cansam de roubar da nação para seu proveito próprio. Pior do que o apagão aéreo, é o apagão moral que Lula e seus bandoleiros implantaram na sociedade brasileira.

Pergunta incômoda: Quanto custa o boi?

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

A comissão designada pelo Conselho de Ética do Senado para investigar o presidente do Congresso, Renan Calheiros, começa a listar hoje os quesitos e documentos que faltam para a conclusão do laudo pericial sobre a suposta transação de gado apresentada como origem da pensão informal paga à jornalista Mônica Veloso. Entre os itens a serem esclarecidos está uma pergunta que pode se transformar em novo incômodo para Renan Calheiros: o preço da arroba do boi informado pelo senador para justificar a entrada de R$ 1,9 milhão, entre 2004 e 2006, é compatível com o que se praticava no mercado da carne à época?

- A Polícia Federal vai responder a esse quesito. Os peritos terão toda a documentação para comparar as informações e apontar uma conclusão - disse um dos relatores, o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

Os documentos apresentados por Renan sugerem que o gado vendido à época foi comprado pelos frigoríficos de Alagoas a um preço médio de R$ 60,00 a arroba. As dúvidas surgiram porque os valores praticados pelo mercado estariam bem abaixo e, além disso, o Estado do presidente do Congresso ainda não havia saído de faixa de risco de febre aftosa, detalhe decisivo na definição do preço da carne.

- No Mato Grosso do Sul o preço da arroba do boi caiu uma barbaridade por causa da aftosa. O anormal é subir de valor - acrescenta a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Segundo ela, o relatório a ser produzido deve esclarecer os detalhes das operações de venda alegadas por Renan.

Os três senadores que integram a comissão reúnem-se no fim da tarde de hoje para traçar o roteiro dos documentos que Renan terá de entregar aos peritos para a conclusão do laudo. Já se sabe que serão pedidos as primeiras vias das notas fiscais, recibos, guias de transporte e de vacinação do gado e todos os documentos que expliquem as movimentações financeiras originárias de supostas vendas de gado durante todo o ano de 2004 e que não foram apresentadas. A suspeita, levantada pela revista Veja deste fim de semana, de que Renan possa ter se beneficiado de negócios com a Schincariol - vendendo por R$ 27 milhões uma fábrica que valeria R$ 10 milhões em Alagoas - poderá ser avaliada dentro da perícia sobre a evolução patrimonial do presidente do Senado, outro dado que será analisado pelos peritos. A empresa nega as acusações.

- A verdade é que os documentos de Imposto de Renda apresentados pelo presidente (Renan) ainda não foram analisados. Ele entregou numa manhã pensando que o Conselho votaria à noite e isso não aconteceu porque pedimos vistas - lembra Serrano. - Acredito que ele achou que não haveria uma análise nos papéis - afirma.

A senadora disse que a comissão pretende entregar aos membros do Conselho de Ética um perfil completo das atividades de Renan relacionadas à origem do dinheiro repassado à jornalista Mônica Veloso, com quem o presidente do Congresso tem uma filha fora do casamento. O relatório final terá também uma análise sobre as emendas de Renan sobre obras públicas federais executadas pela Construtora Mendes Júnior, onde trabalha o lobista Cláudio Gontijo. Era ele quem entregava, durante quase dois anos, o dinheiro da pensão à jornalista.

Para o senador Renato Casagrande, o que vai definir o futuro do presidente do Senado será mesmo o laudo da Polícia Federal. A comissão pretende entregar até quinta-feira aos peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) os documentos que faltam para evitar que o recesso parlamentar, que começa no dia 18, atrapalhe o trabalho dos profissionais. O resultado será entregue dentro de 20 dias. A comissão pretende que o relatório seja votado no Conselho de Ética no início de agosto.

TOQUEDEPRIMA...

***** A libertação dos escravos
De Luiza Damé em O Globo

Operação do Ministério do Trabalho, realizada em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho, libertou 1.108 trabalhadores em situação análoga ao trabalho escravo numa fazenda de cana-de-açúcar no Pará, voltada para a produção de etanol. É o maior número de trabalhadores libertados desde 1995, quando foi criado o sistema atual de fiscalização do trabalho em condições semelhantes à escravidão. O total representa cerca de um terço de todos trabalhadores libertados no ano passado — 3.308.

Os trabalhadores, contratados pela Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S/A) em Ulianópolis, a 250 quilômetros de Belém, eram mantidos em condições degradantes. A empresa, da família Zancaner, instalou-se no Pará na década de 60 e produz cerca de 40 milhões de litros de álcool por ano. Num acordo com os trabalhadores, mediado pelos fiscais, as indenizações — de aproximadamente R$ 1,8 milhão no total — começarão a ser pagas hoje e devem ser quitadas até o fim da semana, ao procurador do Trabalho Luís Antônio Fernandes, que participa da operação.

***** Jucá, o grande articulador

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi o grande operador da ação que culminou ontem na devolução para a Mesa Diretora da representação contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), não apareceu no Senado. Coube a Jucá anunciar a iniciativa do colega de partido ao deixar o gabinete de Renan, após uma reunião de mais de duas horas.

Como vem ocorrendo desde o início da apuração contra Renan, a decisão de levar à estaca zero o processo contra o presidente do Senado contou com a participação direta de funcionários do alto escalão da Casa. Na reunião com Jucá e Renan, estavam presentes o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, e a secretária-geral da Mesa, Cláudia Lyra.

Cascais foi autor de um dos pareceres que apontaram vícios na representação contra o presidente do Senado no Conselho de Ética. Ele defendeu o retorno da ação à Mesa, o que acabou acontecendo por determinação de Quintanilha. Enquanto os senadores de oposição exigiam reunião do colegiado para hoje, a fim de protestar contra a atitude unilateral de Quintanilha, a assessoria do peemedebista não sabia dizer se o encontro previsto para as 18h30 estava confirmado.

***** Quase 150 policiais da Força Nacional já pediram dispensa

Desde janeiro, 145 policiais da Força Nacional de Segurança Pública enviados ao Rio para reforçar o policiamento já pediram dispensa da tarefa e voltaram para seus Estados de origem. A maioria alega inadaptação. O Ministério da Justiça, a quem a Força Nacional é subordinada, disse atender aos pedidos de dispensa porque o alistamento ao serviço é voluntário. Integram a Força Nacional policiais militares de todos os Estados.

De acordo com o ministério, os 145 dispensados integram o grupo de cerca de 3.000 profissionais que começaram ao chegar ao Rio no início do ano. Com a proximidade do Pan, o efetivo vem aumentando gradativamente. Até a semana passada, já estariam na cidade cerca de 2.000 policiais da Força.

Mais mil chegaram nos últimos sete dias. Até o início do evento, no próximo dia 13, deverão estar no Rio cerca de 6.000 integrantes da Força. O Ministério da Justiça anunciou que os profissionais que estão pedindo dispensa vêm sendo substituídos por outros indicados pelos governos dos estados.

***** Suplente é suspeito de ser mediador de transação

O advogado paulista Gim Argello, de 44 anos, vice-presidente nacional do PTB e ex-deputado distrital, foi a razão da demora para o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) anunciar a renúncia ao mandato. Argello é o primeiro suplente de Roriz e, com a desistência do senador, tem o direito de assumir a vaga pelo sete anos restantes de mandato. O terceiro suplente de Roriz, é o suposto lobista de Brasília Marcos de Almeida Castro, irmão do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como "Kakay".

O senador do PMDB do Distrito Federal pressionava ontem o advogado paulista a acompanhá-lo no abandono do cargo para tentar arrefecer as investigações em torno do cheque de R$ 2,2 milhões do empresário Nenê Constantino. Argello argumentava que uma renúncia desse jeito equivaleria a uma confissão antecipada de que ele cometera alguma irregularidade com o cheque.

Roriz mandou um emissário lembrar ao advogado que ele é, sim, o principal intermediário da operação com o cheque por ser amigo íntimo de Nenê Constantino e estar diretamente envolvido numa operação imobiliária feita na capital no valor de R$ 47 milhões, dos quais R$ 37,1 milhões foram pagos.

O senador do PMDB avalia que a posse de Argello no Senado será apenas o capitulo seguinte de mais uma cassação de mandato - ou renúncia. Com ele sob investigação, Roriz diz que também continuará no olho do furacão investigativo, mesmo depois de ter renunciado ao mandato.

O senador alertou Argello para o fato de que os procuradores e o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), estão perto de provar a suspeita de o cheque de R$ 2,2 milhões era a comissão pela venda de um terreno na transação imobiliária que envolve também o empresário Wigberto Tartuce. Apesar dos apelos, o vice-presidente nacional do PTB mantinha ontem à noite a decisão de assumir a cadeira no Senado.

***** Pará poderá ser dividido em dois Estados
Redação Terra

O Estado do Pará, na região norte, poderá transformar-se em dois. A proposta é do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética da Casa. De acordo com a Folha de S.Paulo, a idéia é que, ao sul do Pará, seja criado o Estado de Carajás. A Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado já aprovou a proposta de realização de plebiscito sobre o assunto.

Quintanilha justifica a idéia argumentando que, dessa maneira, eleitores poderiam ficar mais próximos de seus governantes - o que considera inviável hoje, dado o tamanho do Pará.

Carajás teria 38 municípios em uma área equivalente à do Rio Grande do Sul. O novo Estado teria 1,4 milhão de habitantes e a capital seria Marabá (568 km de Belém).

O projeto ainda precisa passar pelo Plenário do Senado, pela Câmara e depende de aprovação presidencial.

***** Caos aéreo: tempo de escalas pode aumentar
Redação Terra

Para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a ampliação do tempo de escalas entre os vôos pode ser uma saída para a crise aérea. O objetivo é evitar que os atrasos se multipliquem e afetem toda a malha aérea. O plano evitaria o corte de vôos, cogitado na última semana como solução. As informações são de O Estado de S.Paulo. O projeto deverá ficar pronto no final do mês.

Hoje, as companhias aéreas levam, em média, 40 minutos para desembarcar os passageiros de um vôo e preparar a aeronave para uma nova decolagem. Se há algum atraso em algum dos trechos, a seqüência toda fica comprometida.

Pela proposta da Anac, após um certo número de trechos - fala-se em três, mas eles podem variar conforme a rota -, a aeronave permaneceria no solo por mais tempo - de uma hora a uma hora e meia.

Friboi é investigado por formação de cartel

Jornal do Brasil, Com agências

O frigorífico Friboi, que deve receber apoio financeiro bilionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está entre as empresas investigadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em um processo por formação de cartel na compra de carne.

Na semana passada, o BNDES confirmou que dará apoio ao grupo JBS, controlador do Friboi, na operação de compra da empresa americana Swift. Com essa operação, o grupo formará a maior empresa do setor de carnes do mundo.

O processo que inclui o Friboi está sendo analisado pelo conselheiro Luís Fernando Schuartz, que deverá preparar o relatório e enviar para votação no plenário do Cade. Em maio deste ano, o Ministério Público Federal pediu a condenação de oito frigoríficos por prática de cartel. O pedido foi feito pelo procurador regional da República José Elaeres, representante do MPF no Cade.

A denúncia, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é que os proprietários dos frigoríficos realizaram uma reunião para uniformizar os critérios praticados na compra de gado bovino. A partir dessa denúncia, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) investigou o caso e encaminhou ao Cade o parecer favorável à condenação dos frigoríficos por formação de cartel, com base na Lei de Defesa da Concorrência. A Procuradoria do Cade seguiu a mesma posição da SDE.

O Friboi afirma que não fez nem tentou praticar formação de cartel. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa diz que não há possibilidade de formação de cartel neste setor, pois o mercado é "extremamente pulverizado, competitivo, aberto e sem nenhuma barreira de entrada". Segundo o Friboi, a formação de cartel é considerada impraticável, pois as empresas citadas no processo do Cade representam apenas 15% do mercado de compra de bovinos no país.

Apesar da convicção de inocência no processo, a empresa informa que está aberta a um acordo com o Cade, procurando encerrar o processo de maneira amigável. Segundo a assessoria, a área jurídica da empresa já foi orientada a iniciar as negociações para um possível acordo.

A assessoria de imprensa do Cade afirma que, até agora, não foi recebida qualquer proposta de acordo por parte dos representados no processo administrativo que investiga a possível formação de cartel no setor de frigoríficos.

De acordo com a assessoria de imprensa do BNDES, não cabe ao banco analisar se uma empresa está sendo processada pelo Cade para decidir se aprova ou não a realização de uma operação financeira. Segundo o banco, o frigorífico Friboi cumpriu todas as exigências feitas pelo BNDES para que o apoio fosse concretizado.

Para o presidente do Friboi, Joesley Mendonça Batista, o Brasil deve repensar a legislação para o setor de negócios.

- No caso do Cade, o Brasil segue uma legislação totalmente dissociada da realidade brasileira. O Congresso poderia avaliar uma reforma na legislação para contribuir com o crescimento das empresas e internacionalização - afirmou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: É interessante destacar dois aspectos nesta questão da FRIBOI. A primeira diz respeito ao tipo de defesa que os empresários fazem quando apanhados em ações similares. Logo apelam para a necessidade de se “adequar” a legislação brasileira. Ocorre que a legislação brasileira, no caso da formação de cartel, é até muito branda. Portanto, o que vale para um deve valer para todos. Não se pode adequar a legislação ao gosto de cada empresa em particular.

A segunda, é a desculpa esfarrapado do BNDES de que não avalia se a empresa está sendo acionada pelo CADE. Fosse o BNDES um banco privado, tudo bem. Eventuais prejuízos correriam à conta e risco de seus diretores. Porém, sendo uma instituição que trata de dinheiro público, deve levar em conta não apenas possíveis ações contra empresa no CADE, mas também sua regularidade quanto ao pagamento de impostos, taxas e se está adimplente com outras instituições públicas da rede bancária.

É inadmissível o BNDES conceder financiamentos especiais para empresa que praticam cartelização de preços. Seria o mesmo que um banco conceder empréstimo para traficantes. Um trafica droga, o outro, influência, e à custa dos contribuintes, que se tornam duplamente atingidos: pelo jogo ilegal dos preços e por ainda bancar o financiamento para a expansão dos negócios de grupos econômicos que não conseguem se limitar a restrita obediência às leis.

As ONGs e a corrupção

Mauro Santayana, Jornal do Brasil

Se a amostragem corresponder ao universo das ONGs que atuam no Brasil, mais de 50% dos recursos públicos que lhes são destinados se desviam para outros fins. O Tribunal de Contas da União examinou o comportamento de 28 dessas entidades e encontrou desvio de recursos públicos em 15 delas. Segundo a análise, só o governo da União entregou-lhes mais de 3 bilhões de reais, no ano passado. Essa quantia representa 25% de todas as transferências da administração federal aos Estados e Municípios, nelas incluídas as dos royalties. Como é de se supor que apenas as 4.500 organizações reconhecidas pelo Ministério da Justiça, os subsídios federais se aproximam da média de R$ 700 mil para cada uma. Segundo se informa, há 200 mil atuando no Brasil, e a maioria é dirigida do estrangeiro e por estrangeiros.

Nascidas do Consenso de Washington, sob o pretexto de que os estados nacionais eram incompetentes para cuidar da promoção social das populações, as novas ONGs tinham como objetivo substituir o Estado, e aplicar soluções de mercado a problemas como os da educação, da segurança pública, da saúde e da terceira idade. O fato é que, depois delas, agravaram-se as desigualdades no mundo inteiro. Um exemplo é o da Índia, com mais de um milhão de ongs e que só agora, com o retorno do Estado ao fomento das atividades econômicas nacionais, a situação dos mais pobres começou a aliviar-se.

Controladas e administradas por quem lhes envia recursos (85% delas recebem financiamento externo), as ongs se distribuem por todo o território brasileiro, com preferência pela Amazônia. Agem ali com total liberdade, muitas proibindo aos brasileiros o acesso às áreas em que atuam, conforme as exaustivas matérias sobre o assunto, publicadas por este mesmo Jornal do Brasil.

Há ONGs importantes para o mundo. Uma delas é a Cruz Vermelha Internacio nal, criada no século 19, para socorrer os combatentes feridos dos dois lados das trincheiras. Outras, a ela assemelhadas, são a Caritas Internationalis, de inspiração católica, e a Christian Aid, de inspiração protestante. A Caritas surgiu na Alemanha, em 1897, para socorrer os pobres, e a Christian Aid na Inglaterra, em 1945, com o propósito de trabalhar pela reconciliação dos cristãos na Europa. A partir de 1949, incumbiu-se da missão de ajudar os pobres do mundo inteiro, sem levar em conta a sua fé religiosa. Uma organização brasileira da mesma respeitabilidade é a Pastoral da Criança, dirigida por Zilda Arns.

O senador Heráclito Fortes propôs a constituição de uma CPI para investigar as ONGs no Brasil. Espera-se que ela não se destine apenas a devassar as ongs de origem na esquerda - que também as há, boas e más - mas também para identificar aquelas que atuam no Brasil a serviço da CIA e do Departamento de Estado dos EUA e que recebem dinheiro diretamente do governo daquele país, além de recursos das grandes multinacionais. Recente estudo de Jenny Pearce, destaca que elas começam a ser vistas como bandos de charlatães, ou simplesmente grupos de espiões a serviço de Washington. E que as maiores agências privadas de ajuda ao estrangeiro "já são negócios internacionais". Tornaram-se empresas muito lucrativas para os seus executivos.

Ao financiar as ongs em nosso país, o governo está dando empregos a pessoas sem concurso público, e prejudicando os milhares de brasileiros que, pelo seu mérito, poderiam estar servindo à República. As ONGs são "não governamentais": devem ser fiscalizadas com rigor pelo Estado e dele não receber recursos. O dinheiro do Estado é dos cidadãos, recolhido em impostos, e só pode ser usado nas atividades do Estado.

TCU: metade da verba destinada a ONGs é desviada

João Domingos , Estadão

Estimativa é de que irregularidades levaram perto de R$ 1,5 bilhão dos R$ 3 bilhões reservados para essas entidades

O governo federal destinou R$ 3 bilhões a organizações não-governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips) no ano passado, segundo dados do Ministério do Planejamento. O valor corresponde a 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB). Do total, técnicos do governo, do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) calculam que quase a metade - perto de R$ 1,5 bilhão - tenha sido desviada da finalidade original dos convênios ou encontrado algum ralo que represente a perda do dinheiro público.

Como exemplos disso, o Jornal da Tarde e o Estado vêm publicando desde a semana passada uma série de reportagens apontando irregularidades no Programa Brasil Alfabetizado, em que ONGs desviam recursos repassados pelo Ministério da Educação. Turmas fantasmas, professores sem receber e alfabetizadores cadastrados à revelia foram alguns dos problemas revelados. Umas dessas entidades, a Associação Amigos do Jardim Aracati, em São Paulo, até apareceu em propaganda do Brasil Alfabetizado na TV, mas não iniciou aulas até agora.

Os R$ 3 bilhões destinados às ONGs significam um valor astronômico, se comparado aos R$ 11,7 bilhões (5,04% do PIB) transferidos também em 2006 pela União aos 27 Estados e Distrito Federal e aos 5.561 municípios pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), royalties pela exploração do petróleo e do gás natural, compensações financeiras devidas pela utilização de recursos hídricos e minerais e os valores pagos pela Itaipu Binacional.

NúmerosEm 2002, o País tinha 22 mil ONGs; em 2006, esse número pulou para 260 mil; em 2007, calcula-se que tenham alcançado a casa das 300 mil, de acordo com informações do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), autor do requerimento que cria a CPI das ONGs, a ser instalada em agosto. Num depoimento prestado ao Congresso, em maio, o general Maynard Marques Santa Rosa, secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, informou que só na Amazônia atuam 100 mil ONGs, grande parte de origem estrangeira. Do total de 300 mil, somente 4,5 mil estão legalmente registradas no Ministério da Justiça. Toda essa enormidade de ONGs e Oscips é fiscalizada por apenas 12 funcionários da Justiça. Não é possível um controle efetivo das atividades delas.Com esse extraordinário crescimento, não é à toa que em todo escândalo recente envolvendo repasse de verba da União e de outros órgãos públicos se encontre uma ONG ou Oscip. Houve desvio de R$ 50 milhões no Banco de Brasília (BRB), descoberto pela Operação Aquarela, que resultou na renúncia do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) na semana que passou. Tem ONG por lá.Nesse caso do BRB, são três ONGs, todas ligadas a um dos principais suspeitos, Juarez Lopes Cançado. Uma é a Caminhar, que fornecia os cartões corporativos para saques na boca do caixa por conta de pagamento de pesquisas fraudadas, feitas em casa mesmo. Havia, ainda, o Projeto Conviver e o Instituto Êxito.

RegrasA situação é tão grave que o Ministério do Planejamento resolveu criar duras regras para a assinatura dos convênios. 'Desde o escândalo dos sanguessugas vimos que não dava para continuar do jeito atual. Então, fizemos várias reuniões com o Tribunal de Contas da União (TCU), que tem um trabalho de fiscalização muito bom a respeito dos convênios das ONGs, e com a Controladoria-Geral da União. O resultado foi a elaboração de um decreto com regras que visam a inibir as irregularidades', informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. (Descoberto em maio de 2006 pela Polícia Federal, o escândalo dos sanguessugas revelou uma rede de empresários, prefeitos, governadores e parlamentares que se apropriavam de verbas da União a partir da venda de ambulâncias superfaturadas.)

'É comum que a emenda do parlamentar ao Orçamento já venha com a indicação da ONG que vai prestar o serviço. O Executivo transforma-se apenas um repassador de verbas. É necessário que seja feita uma fiscalização eficiente, porque a proliferação de ONGs que se envolvem em irregularidades acaba por comprometer todas as outras', diz o ministro Marcos Bemquerer, do TCU, relator de um processo que fiscalizou 28 convênios com ONGs, encontrou irregularidades em 15 e descobriu que dos R$ 150 milhões repassados, R$ 82 milhões foram desviados.

Nos convênios examinados, o TCU enumerou diversas irregularidades nas ONGs. Descobriu que entre os problemas estavam a falta de qualificação técnica e administrativa, inexperiência para receber recursos, metas vagas e prestação de contas confusas. Algumas foram criadas três meses antes da assinatura do convênio, sintoma de que seu objetivo era só pegar o dinheiro da União. Resultado: o desvio do dinheiro foi de 54,6%, superior à metade dos recursos empregados.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Cabe apenas uma perguntinha: cadê a CPI das ONG's ? Medo de quê?

Do zero ao topo do ranking

Camila Antunes, Revista VEJA

A história dos cinco jovens que venceram a miséria, entraram na universidade e estão hoje entre os melhores alunos do país

A gaúcha Theilis Pereira, 25 anos, chamou atenção em sua estréia na universidade. Enquanto os colegas carregavam livros e mochilas, a jovem trazia nas costas um colchonete. Sua única chance de seguir com os estudos seria morar no campus. Theilis ouviu de um funcionário que o alojamento estava lotado e, até que surgisse uma vaga, passou um mês acampada em uma sala de aula vazia. Filha de um mestre-de-obras e de uma empregada doméstica, ambos semi-analfabetos, Theilis concluiu, com louvor, no ano passado o curso de arquivologia na Universidade Federal de Santa Maria, a 100 quilômetros de Caçapava do Sul, sua cidade natal. De acordo com o novo Enade, prova aplicada aos universitários pelo Ministério da Educação (MEC), a jovem gaúcha é uma das melhores estudantes do país e aparece em primeiro lugar em sua área: tirou nota 8,3 – num exame cuja média geral não ultrapassou 4,5. Dos vinte campeões no ranking oficial, outros quatro, além de Theilis, surpreendem por contrariar uma velha lógica: enquanto a maioria dos bons universitários vem de famílias mais escolarizadas e de renda mais alta, esses estudantes se destacaram em meio à escassez absoluta.

Antes de chegarem em primeiro lugar na prova do MEC, os cinco campeões mais pobres venceram uma peneira ainda pior. Todo ano, dos 2 milhões de estudantes egressos de escolas públicas, como eles, apenas 100 000 chegam à universidade. Isso mesmo: 1,9 milhão, ou 95% dos jovens brasileiros, ficam longe das salas de aula por volta dos 18 anos. Theilis e o restante do grupo abriram mão de programas noturnos e vararam madrugadas sobre os livros (muitas vezes com uma lanterna na mão para não incomodar os irmãos) na tentativa de superar a má formação escolar – e passar no vestibular. A desvantagem dos campeões não era pequena: com base em dados do MEC, sabe-se que alunos de escola pública registram, em média, atraso de quatro anos nas matérias. Foi essa lacuna que eles venceram, em primeiro lugar. Depreende-se ainda um segundo fato em comum ao grupo: apesar de virem de famílias cujos pais não têm estudo e vivem com dois salários mínimos por mês, esses estudantes receberam toda espécie de incentivo para não desistir da escola nem da universidade. "A vida inteira foi assim: o trocado que sobrava no bolso ia para a compra de livros e jornais", conta o aposentado Antônio Santos, pai de três filhos que chegaram à universidade. Um deles, Alessandro, surgiu na lista do MEC como o melhor do país em relações públicas, notícia que fez Antônio encher-se de emoção – e vaidade. "Tenho dificuldade em ler, mas sempre soube que investir em estudo era o certo na vida."

Nos últimos quatro anos, Antônio, que ganha 500 reais por mês, rachou com o filho as mensalidades da faculdade, enquanto a irmã mais velha lhe financiou as passagens de ônibus. Até tomar a decisão de ingressar numa instituição particular, a Cásper Líbero, o jovem Alessandro, morador de Taboão da Serra, cidade na periferia da capital paulista, havia amargado dois fracassos no vestibular da Universidade de São Paulo (USP). É o que ocorre com 96% dos jovens de estratos de renda mais baixos quando tentam entrar na USP. A maioria desiste do sonho universitário. Alessandro, por sua vez, empregou-se como caixa de supermercado na rede Wal-Mart para bancar os estudos numa faculdade particular. "Varro o chão, empacoto a comida e, quando dá tempo, leio João Cabral de Melo Neto." Sua rotina, semelhante à dos estudantes mais pobres que sobressaíram no ranking oficial, de novo enfatiza a idéia de que o esforço pode, sim, neutralizar um ponto de partida ruim nos estudos. Alessandro acorda todos os dias às 6 horas, volta para casa depois da meia-noite e estuda com disciplina nos raros intervalos. Com olheiras, mas animado, começou a colher os resultados. Na semana passada, foi avisado de que receberá uma promoção no supermercado, com chance de atuar, afinal, na área em que se graduou.

O jovem de Taboão da Serra e seus colegas em destaque no Enade experimentam aquilo que os teóricos não se cansam de repetir – e quantificar: quanto mais se estuda, maiores são as oportunidades de um bom emprego. Quem conclui a universidade tem salários, em média, 168% superiores aos daqueles que não passam do ensino médio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sem o diploma, Juliano de Andrade estava estacionado em um salário de 1.000 reais, que recebia havia dez anos numa firma de contabilidade de Curitiba. Filho de uma família pobre, tinha até então passado de office-boy a contador por puro esforço, mas se deu conta de que precisava estudar mais para subir na empresa. Aos 28 anos, fez cursinho (onde cultivou fama de aluno exemplar) e passou – em primeiro lugar – em ciências contábeis na Universidade Federal do Paraná, feito que repetiu, agora, com o Enade. O diploma ajudou. O salário de Juliano logo dobrou e, aos 33 anos, ele ganhou um cargo de chefia e novo ânimo para os estudos: "Vou até o doutorado".

Ao jogar luz sobre histórias como as de Juliano, Alessandro e Theilis, o MEC não só enfatiza uma idéia simples, de que empenho fora do comum traz ótimos resultados, como também põe em prática algo raro no país: uma política de estímulo ao mérito. Os vinte campeões do Enade serão premiados com uma vaga de mestrado numa universidade a sua escolha, com ajuda financeira incluída. Para a brasiliense Natalina Pinheiro, 22 anos – a filha de caseiros que foi alfabetizada na roça pela irmã mais velha –, é muito além do que havia planejado na infância. "Peguei muito livro emprestado sonhando um dia pelo menos chegar à universidade", diz a moça, hoje formada em biblioteconomia pela Universidade de Brasília. Para jovens como ela, ter o talento – e o esforço – reconhecido já é, por si só, um incentivo para que estudem mais. A divulgação do ranking do MEC também deu a esses estudantes nova dimensão em suas respectivas vizinhanças: eles se tornaram uma espécie de celebridade local. A melhor estudante do país no curso normal (de ensino superior), Fabiana Vicente, 26 anos, não pode sair à rua que esbarra com uma fila de pessoas lhe dando abraços e parabéns. Em Pedro Leopoldo, município a 45 minutos de Belo Horizonte, há pelo menos dez faixas em homenagem a ela. Diz a pragmática filha de um mecânico e de uma ex-empregada doméstica: "Estudei muito, sim. Quem quer melhorar de vida não tem tempo a perder".