quinta-feira, junho 21, 2007

TOQUEDEPRIMA...

* EUA: brasileiro pega prisão perpétua
A Justiça de Fort Pierce, Flórida, condenou à prisão perpétua o brasileiro Juarez Carlos de Souza, 50, acusado de abuso sexual de uma menina de 11 anos, com quem teria mantido relações sexuais entre março e julho de 2006. Foi acusado também de "assédio obsceno e lascivo", por exibir seus órgãos sexuais à garota, vizinha dele num condomínio. Juarez, denunciado por uma vizinha, nega as acusações. As informações são do site tcpalm.com.

* Contrastes brasileiros em jornal americano
O "Financial Times" revela na edição desta quarta-feira o contraste entre "dois Brasis". O dinâmico setor privado e o estagnado setor público, fortalecido desde que Lula chegou ao poder. "O fim do programa de privatização promovido pelo governo do PT estancou os investimentos em infra-estrutura. Lula optou pelos apagões. O próximo será na área de energia elétrica", diz o Democratas José Carlos Aleluia. Reportagem de seis páginas do "Times" chama o Brasil de "Leopardo do crescimento", em alusão aos "tigres asiáticos". O peso do Estado, que consome 45% do PIB, é uma das principais razões pelas quais o crescimento econômico brasileiro segue muito atrás de outros mercados emergentes, como China, Índia e Rússia, apesar de um setor privado altamente inovador, produtivo e competitivo. "Lula e o PT deixarão não apenas as marcas profundas da corrupção e da degradação das instituições brasileiras, mas o atraso do País na corrida para ingressar no Primeiro Mundo", afirma Aleluia.

* A palavra é ... Babaca
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
A leitora Joelita Araújo manda a seguinte consulta:

Dia desses, depois de ler uma matéria sobre ‘chefes babacas’ na revista ‘Época’, fiquei pensando sobre a palavra ‘babaca’. Acho-a muitíssimo expressiva e específica, mas não tenho idéia de como surgiu. Seria uma simples gíria? Não me lembro de ouvi-la quando era pequena (década de 60), nem exatamente de quando passei a ouvi-la (talvez anos 80, não sei).

Boa pergunta. Ninguém sabe ao certo de onde saiu a palavra “babaca”, embora aquilo que ela nomeie esteja por toda parte. Interessante notar também que nossos principais dicionários não registram seu papel contemporâneo de palavra-ônibus, guarda-chuva em que cabem os sentidos de escroto, mesquinho, vil, vazio, canalha, mal-educado e outros do gênero – o mais perto que chegam disso é a acepção “bobo”.

O diálogo abaixo não é novo, mas, como brinca com boa parte da confusão sobre a origem da palavra, achei que valia a pena buscá-lo em meus arquivos:

– Você acha que a palavra “babaca” vem do latim baburrus, “tolo, palerma”, ou é uma forma reduzida de babaquara, do tupi mbae'be kwa'a ara, "o que nada sabe, mas manda"? Ou não engole nada disso, acha que babaca vem mesmo é do português basbaque, embasbacado?

– Eu sei lá. Larga esse Houaiss.

– Diz que a data pra acepção de “vulva” é 1939. A de “bobo”, veja só, trinta anos depois. A babaquinha vem antes do babacão.

– Rá, rá.

– Chuta aí: latim, tupi ou português?

– Babaquice.

* Foragido cuida da imagem por procuração
Mesmo foragido da polícia, o empresário Fahd Jamil não descuida da "imagem". Seu advogado, Josephino Ujacow, entrou em contato ontem com a redação do Campo Grande News para contestar as informações da Secretaria Nacional Antidrogas, que apreendeu 450 quilos de cocaína próximo a uma fazenda de Fahd, entre Pedro Juan Caballero e Capitán Bado. Apesar de o empresário já ter sido condenado por tráfico de drogas, seu advogado nega que ele seja ligado ao tráfico. O empresário é sócio no Hotel Cassino Amambay, no Paraguai, do ex-deputado Gandi Jamil, também foragido após a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal.

* Justiça: medo de explodir
O Ministério da Justiça comprou, por R$ 2,2 milhões, da empresa americana DefenseLink, cinco conteiners para transporte de explosivos, quatro roupas anti-bomba e cinco robôs para inspeção e neutralização de explosivos.

* Diretor do Dnit deverá devolver dinheiro, diz TCE
Redação Terra
O diretor de Infra-Estrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, citado em conversas telefônicas por um preso na Operação Navalha, teve as contas de sua gestão numa autarquia do Rio Grande do Sul rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e foi condenado a devolver R$ 466,5 mil aos cofres públicos.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, ele dirigiu o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), órgão do governo estadual, durante gestão do petista Olívio Dutra (1999 a 2002), e enfrentou ações pela suspeita de dispensa de licitação para obra rodoviária, nomeações irregulares, prorrogação de contratos sem licitação, pagamento excessivo e em duplicidade de diárias e possível favorecimento a empresas concessionárias de rodovias.

Caron foi descrito por Geraldo Magela Rocha, preso durante a Operação Navalha, como peça fundamental no esquema. "Hideraldo é o básico pra nós. Pra nós, o Hideraldo é tudo", disse Magela, em fala captada por meio de escuta telefônica.

Caron foi condenado pelo TCE gaúcho, em 2001, por não comprovar a necessidade de dispensa de licitação para contratar uma empresa para construir um trecho de rodovia e por contratar serviços por preços acima dos praticados pelo mercado. O TCE aplicou multa de R$ 1,5 mil e determinou a devolução de R$ 23,9 mil aos cofres públicos.

Caron recorreu de todos os processos. Dois deles foram mantidos pelo TCE e um aguarda julgamento de recurso. Ele consta como devedor no cadastro do tribunal.

Cabe à direção do DAER e à Procuradoria-Geral do Estado executarem a cobrança.

* Servidores da PF iniciam nova paralisação
Os servidores administrativos da Polícia Federal (PF) iniciaram ontem uma nova paralisação de 72 horas, prevista no calendário de mobilização da categoria. Serviços como emissão de passaportes deverão ser os mais afetados. Em São Paulo, no entanto, a PF afirma que o atendimento ao público não foi afetado.

Os servidores administrativos da PF exercem serviços internos nos setores de logística e protocolo da instituição, como, por exemplo, serviços de pagamentos, controle de produtos químicos, registro e concessão de portes de armas de fogo, fiscalizações de serviços de segurança privada e tramitação de inquéritos policiais.

O calendário de paralisações foi iniciado em 5 de junho. A categoria promete cruzar os braços por tempo indeterminado caso não tenha a pauta de reivindicações atendida. Os servidores querem, entre outros pontos, a criação de um plano de reestruturação da carreira e reajuste salarial. A PF ainda não estimou o percentual de adesão.

* Para jurista, Brasil está perto da barbárie
Fernando Sampaio
O presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional e membro da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), jurista Flávio Pansieri, se diz espantado com o que chama de omissão da sociedade brasileira em relação aos escândalos e à impunidade que assolam o país. "Espero que o Brasil não chegue à barbárie, mas que estamos muito perto dela, estamos, infelizmente. A razão da barbárie é a ausência de credibilidade nas instituições democráticas do Estado", ressalta. Segundo ele, a impunidade dos envolvidos em escândalos não surpreende mais, porque "o sistema foi feito para não funcionar.

Pansieri critica a falta de um planejamento nas ações de combate ao crime organizado nas fronteiras e diz que a legislação penal brasileira é suficientemente dura para enfrentar os criminosos. O problema, ressalta, é que ela não é aplicada. "O que traz a redução da criminalidade é a certeza da punição, seja por uma pena curta ou por uma pena longa, mas a certeza de que será punido.

Governo dá até 140% para 21 mil comissionados

Destino de muitos afilhados políticos, os cargos comissionados no Poder Executivo, os chamados DAS (Diretora de Assessoramento Superior), ficaram mais atraentes. Ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu, por meio de medida provisória, um reajuste geral nos salários dos 21.563 servidores que ocupam os DAS. Os percentuais de aumento variam de 30,5% a 139,7% e são retroativos a 1 de junho.

O ministro Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o impacto nos cofres públicos será de R$ 277 milhões de junho a dezembro deste ano. Em 2008, a despesa será de R$ 475,6 milhões. "O impacto (neste ano) já está previsto desde a aprovação do projeto orçamentário", afirmou o ministro.

Segundo ele, esse é o primeiro reajuste dado aos cargos DAS desde junho de 2002 e também o primeiro reescalonamento da tabela desde 1998. O governo argumentou que era preciso aproximar as remunerações pagas dentro da própria tabela e também os salários do serviço público aos pagos pela iniciativa privada a pessoas que desempenham funções equivalentes, para evitar a saída de profissionais do setor público.

Os cargos de DAS 5 e 6, que são as faixas salariais mais altas e que passam a ganhar R$ 8,4 mil e R$ 10,4 mil, respectivamente, são chamados de "livre provimento". Essas vagas podem ser totalmente preenchidas por quem não é servidor de carreira e estão destinadas aos secretários nacionais (como da Receita Federal e do Tesouro), assessores especiais e chefes de gabinete dos ministérios.

No governo Lula, a maior parte dessas nomeações foram de afiliados políticos do PT. Para os cofres do partido, o aumento, portanto, deverá significar impacto positivo já que todos os militantes devem recolher um "dízimo" sobre o salário ao partido.

Por determinação legal, entre os cargos de DAS.1, 2 e 3, cujos novos salários serão de R$ 1,9 mil, R$ 2,5 mil e R$ 3,7 mil, um porcentual de 75% das vagas devem ser preenchidas por servidores de carreira e entre os DAS.4, que passam a receber R$ 6,3 mil, a regra é que pelo menos 50% dos cargos sejam destinados a funcionários concursados.

Segundo o ministério do Planejamento, atualmente existem 4.682 funcionários de "livre provimento" distribuídos em todas as faixas salariais. Paulo Bernardo justificou o aumento afirmando que existia "muita injustiça" em algumas faixas, citando como exemplo a de DAS.3 onde foi dado um porcentual de 139,5% de reajuste, o maior de todos.

Nesses cargos, onde estão técnicos e chefes de divisões administrativas, a remuneração mensal era de pouco mais de R$ 1,5 mil e passou para R$ 3,7 mil e são ocupados por 3,5 mil servidores. O ministro destacou que aí estão pessoas responsáveis por acompanhamento de contratos e condução de licitações públicas e não recebiam salários compatíveis com as responsabilidades. "Era preciso fazer uma readequação disso", completou.

Ainda segundo o ministro, o objetivo do governo é melhorar a remuneração dos servidores públicos de forma a aproximá-la dos salários pagos na iniciativa privada. "Temos vários casos em que temos situação melhor no serviço público, mas não é assim no geral e a medida em que o orçamento nos permitir, vamos fazer essas correções", disse.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Bem, pode ser que agora o PT consiga reduzir ou até zerar seu déficit. Sabe-se que a dívida do Partido é imensa, e que seus militantes não tão têm sido muito generosos com o pagamento pontual dos “dízimos”. Agora não terão mais desculpas. Destes quase 21 mil agraciados por aumentos assim tão bondosos, sabe-se que mais da metade são militantes petistas, alguns ou muitos ligados também às centrais sindicais. Deste modo, o dinheiro do nossos impostos vai é parar no cofre petista.

É uma cretinice aumentos tão abusivos para gente “em trânsito” no governo federal como é o caso dos comissionados ? Sem dúvida que é, ainda mais que se sabe que, antes de sair do governo, Lula dará um jeito de “garantir” e dar estabilidade para as bocas ricas que lá estão e não fazem droga nenhuma, a não ser, é claro, servir-se da Nação. São parte do nosso exército de gigolôs.

Pois bem, hoje Estadão On Line: “O aumento concedido pelo governo a ocupantes de cargos comissionados deve aliviar as contas do PT, que está amarrado em uma dívida de cerca de R$ 45 milhões. Apesar de ainda não saber estimar a receita adicional que entrará nos cofres, o tesoureiro da legenda, Paulo Ferreira, afirmou que o aumento certamente ajudará a amenizar o aperto. 'Ainda não há como quantificar, mas na atual situação qualquer recurso ajuda a melhorar a nossa saúde financeira', afirmou."

É, não seria difícil de se chegar a conclusão inicial. Ainda mais agora que o governo anunciou hoje a criação de 626 novos cargos de “confiança” os quais, logicamente, serão distribuídos conforme o atendimento aos caprichos de um governo sem lei, sem moral, sem autoridade, mas com muito dinheiro, cargos e poder para distribuir. E o que é pior: com muita disposição para fazê-lo ! Haja lama para tanta podridão...

Um racionamento com data marcada

Editorial do Jornal do Brasil

O brasileiro já pode marcar na agenda de 2009 um péssimo compromisso, o de enfrentar um apagão elétrico. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adia indefinidamente os projetos do governo, travando o licenciamento de programas fundamentais para aumentar a produção de energia. Em 2010, a situação estará tão insustentável como em 2001, quando o país se viu obrigado a improvisar um racionamento geral. Tanto mais grave é a dependência ao gás boliviano para abastecer as termelétricas espalhadas pelo país. Como a Bolívia resolveu transformar o gás em cara moeda política, teremos de pagar alto preço pela carência energética até 2009, na hipótese mais otimista da Petrobras.

Caso não seja desmontado o verdadeiro cartório ambiental instalado no Ibama, viveremos de novo a neurose de poupar eletricidade, usando a criatividade para não consumir energia e manter as ruas escuras, deixar os banhos frios, desligar os aparelhos de ar, mudar os horários de cidades inteiras e promover outras alterações traumáticas no mundo do trabalho e da economia.

As previsões não saíram de bolas de cristal de catastrofistas de plantão, mas se tornaram temores reais do governo federal. Alheios aos prognósticos, os ecologistas oficiais entrincheirados no Ibama criaram uma espécie de tribunal de exceção para causas ambientais, proferindo sentenças inapeláveis, mantidas pela dura lei do silêncio burocrático, resistindo mesmo às intervenções diretas da Presidência da República.

A divergência interna na administração federal tornou-se pública em maio, no primeiro balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), quando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi cobrada pela demora em liberar licenças para os projetos de duas hidrelétricas no Rio Madeira, em Rondônia.

As usinas de Jirau e Santo Antônio devem produzir 6.500 MW, suficientes para reduzir o déficit energético previsto. A licitação das obras não começou porque o Ibama sentenciou que as obras exterminarão um determinado tipo de bagre. Depois que a história ativou a impaciência do presidente Lula, a ministra Marina reorganizou o Ministério do Meio Ambiente, limitando o Ibama ao licenciamento e deixando a tarefa de preservação ao recém-criado Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

O Congresso aprovou as modificações, mas o funcionalismo reagiu mal, com uma greve que dura até hoje. Como conseqüência, estão paralisados os licenciamentos de 190 produtoras de energia. Lula mandou cortar o ponto dos grevistas, mas eles persistem no movimento e defendem o poder corporativo de veto.

Ninguém pode apoiar a destruição da natureza - e somos lembrados disso todos os dias, ao respirar o ar das grandes cidades, ao evitar o desperdício de água e ao freqüentar a praia sob risco de poluição. Um dos maiores desafios é a preservação da Amazônia, prioridade nacional e preocupação global, o que não significa que lá não devam ser construídas usinas sob supervisão oficial. Teóricos ingênuos oferecem como alternativas excludentes a produção de eletricidade por biomassa, por cata-vento ou pela luz solar, processos ainda inviáveis em larga escala para aplicação imediata.

São argumentos de fantasia, que apenas alimentam a inflexibilidade dos grevistas e mantêm a obstrução abusiva às novas hidrelétricas. Está na hora de a Presidência da República resolver de vez a questão, que deixou de ser interna e política para se constituir num grande obstáculo ao crescimento econômico.

IBGE: produção industrial se "acomoda"

Os dados regionais da indústria confirmaram uma "acomodação" do setor em abril, inclusive em São Paulo, que responde por cerca de 40% da produção nacional. As principais exceções estão nos vigorosos desempenhos dos Estados da região Sul que, impulsionados pela recuperação do setor agrícola, apresentaram os melhores resultados, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Os Estados da região Sul mostram uma evolução de desempenho em velocidade bem acima da média, como resultado da recuperação do setor agrícola", observou o economista André Macedo, da coordenação de indústria do instituto. O melhor desempenho foi registrado no Rio Grande do Sul, com aumento de 2,9% da produção em abril face ao mês de março (menos 0,1% na média do País), expansão de 16,1% ante abril do ano passado e crescimento de 9,0% no primeiro quadrimestre de 2007 ante igual período de 2006.

Na indústria gaúcha, os impactos mais positivos em abril ante igual mês do ano passado foram dados pela indústria de refino e produção de álcool (32,5%, sob impacto de óleo diesel e nafta para petroquímica), máquinas e equipamentos (38,8%, sob influência de ferramentas hidráulicas de motor não elétrico e semeadores) e alimentos (12,8%, com destaque para carnes e miudezas de aves).

Segundo Macedo, todos esses segmentos têm impacto direto ou indireto do setor agrícola. No caso da indústria do Paraná, apesar da queda (menos 0,3%) observada em abril sobre março, o crescimento de 13,2% apurado ante igual mês de 2006 foi o maior apurado face a igual mês de ano anterior desde junho de 2005. Também neste Estado houve impactos positivos, na comparação com abril do ano passado, de segmentos fornecedores ou vinculados ao setor agrícola, como alimentos (16,6%), outros produtos químicos (51,4%, impulsionados por fertilizantes e máquinas e equipamentos (15,6%, com destaque para tratores agrícolas).

A indústria paraense acumula crescimento de 9,3% no primeiro quadrimestre de 2007. Em Santa Catarina, a produção ficou praticamente estável (0,1%) em abril ante março e cresceu 8,7% ante abril de 2006, no melhor resultado ante igual mês do ano anterior apurado desde fevereiro de 2005. Nessa base de comparação, os destaques de expansão também estiveram vinculados ao setor agrícola: alimentos (14,8%) e máquinas e equipamentos (18,5%). No primeiro quadrimestre, a indústria local acumulou alta de 4,0%.

Na avaliação de Macedo, os dados regionais, sobretudo em São Paulo, confirmam um cenário de acomodação da indústria, sem sinais de reversão da tendência de crescimento. Ele afirma que a indústria paulista (0,1% ante março, enquanto a média nacional foi de menos 0,1%), prossegue com perspectivas positivas, apoiadas sobretudo na produção de bens de capital.

Em São Paulo, a produção cresceu 4,7% em abril ante igual mês de 2006 e acumulou no primeiro quadrimestre de 2007 uma expansão de 3,4%. Na comparação com abril do ano passado, as principais contribuições positivas vieram de máquinas e equipamentos (16,6%), setor associado à produção de bens de capital, máquinas para escritório e equipamentos de informática (51,7%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (14,4%).

A tirania da retidão

por Adriana Vandoni, Blog Diego Casagrande
A história nos conta que no ano 62 a.C., durante os festejos da “boa deusa”, era realizada uma festa com acesso reservado às mulheres. Durante o evento, Pompéia, a jovem mulher de Júlio César foi pega em uma armadilha. Publius Clodius, um jovem rico e audacioso, encantado pela beleza de Pompéia, se vestiu de mulher e entrou na festa com o propósito de se aproximar dela. Porém, a mãe de Julio Cesar descobriu antes que Pompéia tomasse conhecimento do fato. César divorciou-se de Pompéia, que ficou mal falada por toda Roma.

Chamado a depor, César, ao perceber que o povo estava contra ele, surpreendeu a todos ao dizer que não sabia de nada entre os dois. Um dos senadores então perguntou: - “Então porque se divorciou da sua mulher?”; e César respondeu: - “À mulher de César não basta ser, terá que parecer”.

Dois mil anos depois a frase de César ainda vale para qualquer situação em que esteja implicada retidão de comportamento e decência de atitudes. Daí vem o clichê que pode parecer piegas, mas não é, de que uma atitude pode ser legal, mas é imoral. Não é piegas, principalmente nos dias de hoje em que o Brasil vive um verdadeiro caos moral, afinal, comportar-se de forma ética é seguir além das regras, é seguir princípios e agir dignamente. A transparência cobrada dos agentes públicos está exatamente no que César cobrava de sua mulher: não basta ser, deve parecer. O gestor deve estar acima de qualquer suspeita e para permanecer assim, deveria partir dele a iniciativa de esclarecer atos que possam comprometer sua honra. É, a honra tem valor!, para uns. E para os que a prezam, esse valor é imensurável.

Esta semana o BNDES aprovou um financiamento de R$ 360 milhões para a construção de um parque gerador de energia elétrica, localizado no rio Juruena, entre os municípios de Sapezal e Campos de Júlio, ambos no Estado de Mato Grosso, conforme encontra-se no seu site. As 5 PCHs - Pequenas Centrais Elétricas, que receberão o reforço financeiro do BNDES são: PCH Cidezal - R$ 63 milhões; PCH Parecis - R$ 62 milhões; PCH Rondon - R$ 51 milhões; PCH Sapezal - R$ 64 milhões; PCH Telegráfica - R$ 120 milhões.
As cinco fazem parte do Consórcio Juruena, que foi composto em dezembro de 2002 pela Linear Participações e Incorporações, pela MCA Engenharia e Barragem e pela Maggi Energia S/A. Esta última, notoriamente, de propriedade do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Segundo consta, o grupo empresarial do governador ainda é partícipe do Consórcio.

As cinco PCHs já possuem, de acordo com o BNDES, “Licença de Instalação. As obras associadas aos programas ambientais relacionados nas licenças contemplam, dentre outros, os programas de monitoramento e controle ambiental, conservação da fauna e flora, preservação do patrimônio arqueológico, comunicação social e gestão ambiental”. Autorizações dadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do estado de MT, do qual um dos empresários interessados é o próprio governador.

Todo o processo pode ser legal, embora sejam conhecidas as dificuldades que outros empresários estão enfrentando para obter essas mesmas licenças ambientais. Os trâmites desse processo que envolve os interesses de Blairo Maggi pode ter corrido normalmente, mas o silêncio como ele tramitou deixará sempre a dúvida de que ocorreu o uso do cargo público em benefício privado.

A questão é que não pode pairar a suspeita de que o empresário Blairo Maggi tomou de assalto o estado de Mato Grosso e o usa para beneficiar seus interesses privados. De que, como governador age seguindo seus interesses empresariais e que como empresário, se vale de ser governador.

Nossa história mostra dezenas, centenas, talvez milhares de casos onde atitudes canalhas foram realizadas por governantes em benefício próprio e em detrimento do povo. Blairo deve, em defesa da sua honra, mostrar que não fez uso pessoal do cargo que hoje ocupa.

Se no Direito cabe à acusação o ônus da prova, na vida pública, pairando suspeitas e desentendidos, recomenda a moral de César que essa imposição se inverta.

TOQUEDEPRIMA...

* Calheiros diz que “renúncia” não existe no seu dicionário
Diante da pressão de membros da oposição e da imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que não vai renunciar sob hipótese alguma ao cargo. Ele disse que a palavra “renúncia” não existe no seu dicionário.O senador declarou que apresentou documentos que comprovam sua inocência nas acusações. "Aqueles que estão pensando que, sem ter um fundamento, sem ter uma agressão, uma denúncia que não seja comprovada por documentos, eu vou deixar a presidência do Senado, está redondamente enganado. Só que não conhece a minha biografia, a minha história [pode fazer essa proposta]", disse.

Calheiros afirmou que “produziu” provas difíceis de serem conseguidas. "Eu consegui produzir provas negativas, as mais difíceis de se produzirem. Estou absolutamente tranqüilo."

* Caracas passa Rio na liderança do crime na América Latina
Segundo o jornal francês Le Monde, o número de homicídios em Caracas ultrapassou os do Rio de Janeiro. De acordo com o Diário, há 105 assassinatos por 100 mil na cidade venezuelana, enquanto que, na capital fluminense, são 40.Nos últimos oito anos foram 85.000 homicídios em Caracas. O ministro do Interior e Justiça, Pedro Carreño, acusou a oposição e a imprensa de estarem fazendo sensacionalismo sobre a gravidade da segurança para “desestabilizar o governo.” Ele rechaçou os números mostrados, lembrando que os roubos diminuíram.

* Lula descumpre a Constituição
Entre as 27 ressalvas do Tribunal de Contas da União às contas do governo Lula em 2006, está o descumprimento de um preceito constitucional: pelo quarto ano consecutivo, não foram aplicados 30% dos recursos destinados ao ensino fundamental na erradicação do analfabetismo. O presidente Lula está sujeito a processo por crime de responsabilidade. Mas Lucas Furtado, procurador junto ao TCU, observa que "a diferença em 2006 foi pequena".

Em 2006, o governo Lula aplicou R$ 16,1 bilhões em desenvolvimento e manutenção do ensino. O México investiu quase R$ 60 bilhões a mais.

* A palavra é... Mangabofobia
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
Esta é uma história triste. Um amigo meu, homem feito, historiador de algum renome, vive o constrangimento e a desonra de, apesar dos apelos lacrimosos da mulher e de suas duas adoráveis filhas pequenas, se recusar a abrir a porta do banheiro onde se trancou num surto de irracionalidade ontem à tarde, depois que viu na televisão o discurso de posse de Mangabeira Unger no ministério. Em sua própria definição de homem culto, embora obviamente confuso, o coitado está sofrendo de “mangabofobia”, neologismo com o qual pretende dar conta não de uma aversão a mangabas, frutos meio antipáticos mas inofensivos da mangabeira, e sim do pânico que lhe inspiram o catedrático de mesmo nome e seu estilo oratório copiado – isso garante meu amigo, estudioso da Segunda Guerra – dos trejeitos de Benito Mussolini: queixo projetado, boca desenhando um U de cabeça para baixo, peito cheio como o de um galo de briga, voz projetada com arrogância e olhos varrendo a audiência, desafiadores, em pequenos arrancos de boneco de mola. Hoje deve chegar o pessoal com a camisa-de-força.

* Longa espera e explicação zero
Anna Luiza Guimarães
Muitos vôos atrasados e nenhuma explicação: esse era o cenário do Aeroporto Internacional Tom Jobim ontem a noite. A médica Silvia Hamesteir, de 69 anos, aguardava no Aeroporto Internacional do Rio, junto com seus dois gatos sedados, desde às 15h para embarcar no vôo da Gol marcado para às 17h, com destino a Curitiba. Por volta das 19h30, Silvia continuava esperando e ainda não tinha nenhuma explicação para o atraso.

- A companhia não diz nada. Só sabemos que estão todos os voôs atrasados - reclama a médica, cuja maior preocupação era com os gatos, que só podem viajar sob o efeito dos sedativos.

- Eles já estão acordando. O efeito vai passar e não sei como farei para viajar com eles assim - explicou a médica aflita.

O técnico da Petrobras Wander Mendes, 38 anos, que embarcaria no vôo das 22h para Belo Horizonte, não quis arriscar.

- Tenho que trabalhar amanhã. Isso aqui está muito confuso. Ninguém explica nada. Achei melhor cancelar meu vôo - conta Wander, que optou não esperar e foi viajar de ônibus para a capital mineira.

Adavilson Krolbauer, 26 anos, de Porto Alegre, estava a passeio no Rio e tentava voltar para casa.

- Meu vôo estava marcado para às 15h20. Já são 20h e continuo aguardando - conta ele, que chegou no aeroporto por volta das 14h e reclamava da falta de informação desde então.

- Por volta das 18h entrei no avião e fiquei aguardando uma hora, quando avisaram que o vôo havia sido cancelado - diz.

Segundo a Infraero, os vôos no Rio foram liberados às 20h35.

* E eles ainda se dizem democráticos... Ministério proíbe protesto de servidores
Pela primeira vez, desde o regime militar, uma manifestação de servidores federais foi proibida em Brasília. O ato estava marcado para o período da manhã. Os funcionários do Ministerio da Saúde queriam protestar pela aprovação do Plano de Carreira, mas foram proibidos pela administração. Eles denunciam coação e até ameaça de prisão de quem ousasse falar aos microfones. O ministério chamou a polícia. Os advogados do sindicato dos servidores precisaram negociar a realização de um ato na parte lateral do edifício-sede.

* O Pan sob ameaça de apagão aéreo
Editorial do Jornal do Brasil
Os cariocas terão de multiplicar a cordialidade e a hospitalidade para com os turistas que virão aos Jogos Pan-Americanos, pois vão desembarcar já estressados de vôos com atraso. A previsão de mais apagão aéreo nos aeroportos é da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), que improvisará medidas para contornar mais um capítulo da interminável e irritante novela do apagão aéreo.

Pelo menos, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Teixeira, não acha que no caso de pane nos aeroportos, os passageiros devam "relaxar e gozar", como aconselhou debochadamente - e depois se arrependeu - a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Apesar de admitir soluções paliativas no curto prazo, o brigadeiro defende a formulação de um Plano Aeroviário Nacional para enfrentar o aumento da demanda. Afinal, o movimento de passageiros cresceu 8,45% de janeiro a abril deste ano. Esse incremento vem de longe.

O extenso prazo só reforça a imprevidência renitente do governo federal com a aviação comercial. Desde que morreram 154 pessoas no acidente com o Boeing da Gol em setembro do ano passado, foram contadas muitas histórias nas Comissões Parlamentares de Inquérito e nas investigações criminais, mas nenhuma explica por que vôos continuam a atrasar.

A expectativa dos hotéis é de que todos os 28 mil quartos oferecidos na cidade sejam ocupados por turistas atraídos pelo Pan. A cidade está mobilizada e vai superar os obstáculos para que os visitantes decolem de volta a seus países com uma boa imagem do Rio de Janeiro. Mas o sucesso dos Jogos depende estrategicamente do governo federal. Este tem de se mobilizar, seja recrutando mais controladores de tráfego aérego, seja empregando energia maior na supervisão dos aeroportos. É preciso evitar a todo custo que um apagão aéreo escureça o brilho do Pan. E, no futuro, das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

NYT: venda de sangue indígena revolta tribos

BBC Brasil

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal americano The New York Times destaca uma polêmica que envolve tribos indígenas amazônicas e institutos de pesquisas estrangeiros que vendem sangue coletado dos nativos nos anos 70 e 90.

Líderes karitiana, suruí e ianomâmi, escutados na reportagem, dizem não ter recebido um só centavo pela venda de seu material genético, vendido a US$ 85 cada amostra por uma firma americana chamada Coriell Cell Repositories, uma entidade sem fins lucrativos baseada em Camden, Nova Jersey.

Segundo a reportagem, os índios estariam revoltados e que "na época que as amostras foram coletadas, tinham pouco ou nenhum entendimento do mundo exterior, muito menos de como funcionava a medicina Ocidental e a economia capitalista moderna".

A reportagem mostra que o material, supostamente obtido sem o consentimento dos índios, foi coletado sem que as autoridades brasileiras soubessem que procedimentos científicos estavam sendo realizados nas tribos protegidos por lei federal.

Biopirataria"Os povos indígenas da Amazônia são ideais para certos tipos de pesquisa genética, porque são populações isoladas e extremamente fechadas, permitindo aos geneticistas a construção de um pedigree mais completo e rastrear a transmissão de uma doença por gerações", explica o artigo.

"Mas a prática de coletar amostras de sangue dos índios da Amazônia tem provocado desconfiança entre os brasileiros, zelosos em relação ao que chamam de biopirataria".

Ouvida pela reportagem, a Coriell disse que as amostras foram obtidas legalmente por meio de um pesquisador, e aprovadas por autoridades americanas. Além disso, a entidade afirmou que "não há lucros" nas suas operações de venda de material genético, e portanto não haveria o quê ser repartido com os indígenas.

Já institutos brasileiros que coletaram sangue dos indígenas devolveram o material após pressões legais exercidas pelas tribos e pela Fundação Nacional do Índio, a Funai, informou o NYT.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, este o Brasil abandonado por um governo irresponsável e negligente. Já disse e repito quantas vezes forem necessárias: a maldita herança que Lula deixará nos custará ainda muita dor de cabeça. Levaremos muitos anos para eliminarmos todos os vírus que espalharam na vida do país.

FT: Brasil é "leopardo do crescimento" encoleirado pelo Estado

O peso do lento Estado brasileiro, que consome 45% do Produto Interno Bruto do País, é uma das principais razões pelas quais o crescimento econômico brasileiro segue muito atrás de outros mercados emergentes, como China, Índia e Rússia, apesar de um setor privado altamente inovador, produtivo e competitivo, na avaliação de uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico Financial Times.

A reportagem, que chama o Brasil em seu título de "Leopardo do crescimento", provavelmente em alusão aos "tigres asiáticos", é parte de um caderno especial de seis páginas totalmente dedicado ao Brasil.

O Financial Times diz que o contraste entre os "dois Brasis", entre "o dinâmico setor privado e o estagnado setor público", se fortaleceu desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder.

Para o jornal, "ao manter as políticas macroeconômicas liberais adotadas nos anos 1990 - meta de inflação, câmbio flutuante e superávits primários grandes o suficiente para abater a dívida - Lula da Silva vem governando em um período de estabilidade e avanços para os pobres sem precedentes".

Porém, alerta a reportagem, "um sistema tributário complexo e pesado, um labirinto de burocracia regressiva, um custoso e injusto sistema de pensões para o setor público e leis trabalhistas extremamente rígidas prejudicam a eficiência econômica e restringem o crescimento a taxas muito abaixo daquelas necessárias para atender às necessidades sociais e melhorar uma infra-estrutura física deficiente".

O jornal observa ainda que "Lula está relutante em iniciar uma reforma politicamente custosa, argumentando em novembro do ano passado que 'o Brasil já fez todos os sacrifícios necessários'".

"Economia é o que importa"
Em outra reportagem do caderno especial, o Financial Times comenta que os recentes escândalos de corrupção tiveram pouco impacto político e diz que "esses eventos apenas demonstram o que todo mundo sabe: que em política, a economia é o que conta".

Para o jornal, "a sobrevivência de Lula em uma série de escândalos de corrupção diz algo sobre os padrões baixos que os brasileiros esperam de seus políticos, mas mais sobre o duradouro poder da baixa inflação e dos programas de transferência de renda, ajudados pelo melhor ambiente econômico para o Brasil na história recente, para dar benefícios econômicos reais para os pobres".

O caderno especial sobre o Brasil traz um total de dez reportagens, que incluem um texto sobre o bom momento vivido pela indústria cinematográfica brasileira, ilustrada com uma grande foto com cena do filme Cidade de Deus.

Outros textos incluem reportagens sobre crédito para o consumo e crédito para empresas, sobre o sucesso da Companhia Vale do Rio Doce, sobre os problemas enfrentados pelo setor agrícola, sobre o boom no setor de construção, sobre mercado de ações e sobre a situação do setor de telecomunicações após as privatizações dos anos 1990.

TRAPOS & FARRAPOS...

APESAR DO DISCURSO, O GOVERNO É CONTRA O BRASIL
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Não pense que você leu errado, não: o título acima está correto. Apesar do discurso, o governo Lula é contra o Brasil. Se fosse uma partida de futebol, poderíamos até afirmar que o governo joga na retranca. Teme o crescimento do país, o desenvolvimento do brasileiro, que, melhor formado e educado, e muito mais bem informado, jogaria no lixo esta porcaria toda que Lula arrota em solenidades e nos palanques. Porque elas se tratam disto mesmo: lixo.

São muito os exemplos que dão solidez a esta afirmação. Vejamos alguns. Um dos temores de Lula é o país enfrentar um novo apagão elétrico. Certo ? Aliás, foi a partir dele que Lula começou a ganhar a eleição em 2002. Afora, claro, toda a demagogia que derramou em cima daquele fato. Como Lula também não colocou para funcionar uma única nova usina, mesmo aquelas que já estavam em construção quando assumiu o poder, bastaria o país crescer em torno de 5,0 % ao ano, nos próximos dois anos, e teríamos de enfrentar, inevitavelmente, um novo apagão. E isto também é fato, e não papo furado. E olhem que 5,0% não é nada pela situação da economia mundial ! Portanto, muito embora até possa desejar um crescimento mais robusto, Lula torce para que isto não provoque sua desmoralização.

Depois, tem aquele famoso tratado que ele assinou na ONU, e que só não está em vigor porque os EUA, com muito mais juízo do que nós, não concordou, da tal autodeterminação dos povos indígenas. Se isto estivesse vigorando, acreditem, em menos de cinco anos, o imenso pais que conhecemos como Brasil estaria fragmentado em pelo menos 10 a 15 novas nações. Seria o preço a pagar pela ignorância do senhor Luiz Inácio.

Seguindo pela avenida, encontramos um governo devotado a acabar com o agro-negócio. Apenas para informar, o setor representa 1/3 das riquezas produzidas pelo país, além de gerar milhões de empregos de norte a sul. Mas bom mesmo para este governo moleque e irresponsável, é o MST. Vagabundos que mamam nas gordas e generosas tetas do Tesouro nacional não plantam coisa alguma e já desmataram muito mais do que qualquer outro movimento rural no país. Claro, os vagabundos ainda por cima, além de não trabalharem por não serem muito chegados a isto, ainda não deixam os outros trabalharem com suas invasões e depredações.

Segue o baile. O governo Lula é chegado em cartilhas. Tanto que disponibilizou na internet, no site do Ministério do Trabalho, e por um bom tempo, a Cartilha da Puta, que ensinava as “meninas” até como abordar clientes. Para um governo que se transformou em um enorme puteiro, nada mais lógico, não é mesmo ?

Depois que Lula deu mostras ao mundo financeiro de que não mudaria uma vírgula na política macro-econômica implantada no governo Fernando Henrique, como que anunciando suas próprias armas, resolveu desonerar o ingresso de dólares no país para financiamento da dívida pública. Claro que ele não disse, mas na verdade estava trocando a dívida externa, mais barata, por outra, a interna, muito cara porque praticada com os nossos juros campeões mundiais. Era importante para o discurso da tal independência junto ao FMI. Mas um desastre quando vista sob a ótica da razão econômica.

Como o ingresso da moeda americana já era muito intenso fruto das exportações, o reflexo da medida se viu rapidamente: a valorização exagerada da nossa moeda frente ao dólar. Conseqüência? Fechamento de fábricas e de empregos nos ramos de calçados, têxteis, brinquedos e artesanato, e ultimamente, no automobilístico. Afora, é claro, a crise na agropecuária, que só continua voando por conta do preço das commodities no mercado internacional pelos volumes de compra da China. Por conta da “política cambial” vemos empresas brasileiras investindo cada vez mais lá fora.

Em 2006, Evo Morales expropriou ativos da Petrobrás, sem que o governo Lula tivesse demonstrado o menor sinal de reação. Até pelo contrário: sempre justificou como perfeitamente normal e legal a ação do índio. Conseqüência ? O índio boliviano continua chantageando o país, e a usina termelétrica de Cuiabá, movida a gás, já sofreu em um ano pelo menos três paralisações por conta da “bondade” do irmão.

Na semana passada, por duas vezes, Lula criticou a imprensa brasileira por só publicar notícias ruins, e por que os brasileiros só sabem falar mal do Brasil. Lula até nem merecia resposta para sua ignorância, mas ontem aqui, transcrevemos excelente artigo publicado no Jornal do Brasil, de autoria de Jota Alves, fundador do Centro de Promoções Brasileiras e criador do Dia do Brasil em Nova York, sob o título “A Suíça não é aqui”, e que é uma resposta de excelente conteúdo para o senhor Luiz Inácio não mais dizer besteiras como aliás já se tornou costume. Isto é o que dá ser presidente sem ter estudado. E não estudou por absoluta preguiça. Oportunidade e tempo não lhe faltaram. Faltou-lhe isto sim, esforço e interesse pessoal. Se você quiser reler o artigo clique aqui.

Ocorre que não apenas aqui no Brasil os não alinhados ao pensamento esquerdopata ou não vendidos, conseguem ver o mal que representa o governo Lula para o Brasil. Num longo e excelente artigo, o Financial Times, numa reportagem de seis páginas inteiramente dedicadas ao nosso país, faz uma bem consistente análise dos motivos pelos quais nós, com tanto potencial, já tendo atingido a estabilidade econômica e, vá lá, política, vivendo um momento excepcional da economia mundial, não conseguimos alçar vôos maiores no nosso crescimento. E qual foi a conclusão que eles chegaram ? A de que o Estado brasileiro, isto é, o governo Lula, por ser lento, pesado, omisso e negligente, além de perdulário e ineficiente, suga em torno de 40% da riqueza que o país produz todos os anos e não a investe de maneira competente.

No post seguinte, transcreveremos a matéria publicada na BBC Brasil, com um resumo da reportagem do Financial Times. Vale refletir muitas vezes sobre o que vai ali. É um retrato fiel de um governo que é contra o país. Joga na retranca. E em todos os sentidos. Isto, aliás, é bem o retrato de como os povos governados sob o manto da ideologia de esquerda, elas conseguem subjugar as forças produtivas de um país, travando o pensamento liberal e sufocando a crítica dos pensadores que navegam no mar da democracia, do estado de direito, das liberdades e garantias individuais.

O quadro é preocupante, na medida em que estamos jogando fora oportunidades de desenvolvimento que talvez não se reproduzam mais tão cedo. Na área de serviços públicos tais como saúde, educação, segurança, vamos de mal a pior. Na área de infra-estrutura, bem os aeroportos estão na caca que assistimos já há nove meses, trafegar pelas rodovias é uma aventura e tanto, e nos portos, basta que se fale com qualquer importador ou exportador para sabermos do atraso e dos prejuízos que o nosso “sistema” portuário é capaz de provocar. E do ponto de vista institucional, bem, basta lermos os jornais: escândalos e mais escândalos em operações espetaculosas que servem como marketing político, mas que rigorosamente não serviu para deixar nenhum larápio atrás das grades. Ora é no âmbito do Judiciário, frequentemente é no Legislativo, e nem o Executivo escapa, que é, aliás, onde tudo começa. São bilhões de reais sugados da Nação e que simplesmente somem no ralo do desperdício, da corrupção, da incompetência e da falta de respeito ao patrimônio público. A conseqüência ? Um país atrasado em relação aos demais emergentes para ingresso no primeiro mundo, instituições esfaceladas pela corrupção endêmica, e um estado paquidérmico que suga as energias do Brasil que funciona, o privado, e não permite que a economia atue com o dinamismo necessário para sair da estagnação em que se encontra. Convenhamos: trata-se de uma triste herança que nos custará muito caro.

O recordista de mentiras

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é cada vez menos assunto para os comentários dos jornalistas incumbidos de ocupar o espaço das interpretações e análises do jogo do poder. Na medida em que se afunda na histrionice de comportamento bizarro, arranha a imagem de compostura e seriedade que a circunspeção do cargo reclama do responsável pelos destinos do país.

Da gabolice à potoca a distância encurta na progressão do exagero. Se não bateu os recordes de louvação aos seus sucessos, passou do ponto da imprudência na parolagem do seu programa semanal de rádio.

Vale a pena transcrever na íntegra a sentença recordista do elogio em boca própria: "Eu posso dizer ao povo brasileiro, com muita tranqüilidade, mesmo àqueles que são pessimistas ou que querem torcer contra o governo, que o Brasil vive o seu melhor momento desde que a República foi proclamada".

Em que se baseia o presidente para tal fanfarronice? Como nunca foi dado ao hábito da leitura, descarte-se a possibilidade da pesquisa comparativa com os índices estatísticos, desde 15 de novembro de 1889.

Nem era necessário ir tão longe. Bastaria informar-se sobre os badalados louros do milagre econômico da ditadura militar, que se proclamou como Redentora e, quando de 1969, último ano do governo do general-presidente Costa e Silva até o começo do mandato do general-presidente Garrastazu Médici, a média do crescimento real subiu às alturas de 11,9%.

Mas o desempenho de um governo não se avalia apenas pelos números das estatísticas oficiais. E sim pela ampla visão crítica que considere os muitos aspectos da obra, em especial pelos benefícios reais que trespassam a sociedade, em todos os seus níveis. De transparente evidência, como a segurança que tranqüilize a população não só nas suas moradias, mas nas ruas, praças, nos logradouros públicos.

Ainda não é o mais importante. O orgulho que infla o peito e sustenta o patriotismo exige o suporte ético, de amplitude nacional. E se o exemplo vem de cima, o olhar do povo mira, desde o alto, o espelho do comportamento dos três poderes.

É por aí, presidente, que deveria começar a bazófia da enxurrada oratória. Em que hora desastrada o canário do Planalto soltou os seus trinados: no pior momento, quando temos medo de sair de casa e nem trancafiados entre quatro paredes estamos seguros.

Os escândalos brotaram nos adubados canteiros das autarquias, do maior ministério de todos os tempos, com a distribuição de empregos, mordomias, chefias, funções gratificadas, à turma petista, com a gana represada em 20 anos de pregação moralista na áspera fase das lutas sindicais.

Não é preciso ir tão longe. Basta chegar às janelas envidraçadas do Palácio do Planalto e espiar para o outro lado da Praça dos Três Poderes. Ali, salvo embaraço de undécima hora, completa-se a farsa da absolvição a toque de caixa do presidente do Senado, o galante senador Renan Calheiros, do dócil PMDB, que se enrolou em romance extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso, do qual resultou uma filha de 3 anos.

O resto é sabido. Saltou a cerca da privacidade com a denúncia de cabeludas irregularidades no acerto das indenizações entre o pai e a gestante, uma trapalhada com indício de maroteiras no levantamento de recursos reunidos para o resgate de dívidas e pensões mensais.

O escândalo transborda na ignóbil e ostensiva articulação do esquema do governo para rolar uma pedra sobre o caso, com a absolvição sumária do galã da novela do Senado.

Nas arengas da semana, Lula pode comemorar os recordes da roubalheira e da impunidade. Não apenas do período republicano, mas desde a descoberta, em 1500, por Pedro Álvares Cabral.

O Folclore da Corrupção

Elio Gaspari, Jornal O Povo (Fortaleza,CE)
O professor Roberto Mangabeira sabe. Quando um presidente empossa um ministro que dois anos antes chamou o seu governo de "o mais corrupto da história nacional", a turma da ladroagem tem motivo para festejar. Não festejará estimulada pela subjetividade vulgar dos larápios. Fará isso baseada na velha e boa bibliografia acadêmica. É de 1968 o conceito de "folclore da corrupção", enunciado pelo economista sueco Gunnar Myrdal, prêmio Nobel de 1973. Myrdal mostrou que, numa sociedade em mudança, a construção de uma idéia imperfeita e fatalista da extensão das roubalheiras termina por prejudicar a moralidade pública e os esforços de servidores honrados. Outro estudioso do assunto achou um exemplo no interior da Índia. A sabedoria convencional dizia que os funcionários dos serviços de regularização de propriedades fundiárias eram corruptos. Vai daí, os camponeses pagavam propinas a atravessadores, que em nada interferiam na liberação de títulos de terra. Há gente disposta a passar jabaculês para apressar a emissão de carteiras de identidade no Brasil, mesmo em lugares onde esse serviço funciona perfeitamente.

Só um louco diria que em Pindorama a corrupção é um problema folclórico, mas é certo que, sem aquilo que o economista Roberto Campos chamava de "reversão das expectativas", a faxina de um governo é algo inatingível. Se a prisão de um compadre do presidente, de um juiz do Superior Tribunal de Justiça, de desembargadores e juízes é recebida pela sociedade como um indicador de que a roubalheira aumentou, aumentará a roubalheira.

Enquanto viveu na oposição política, na superstição econômica e na treva administrativa, Nosso Guia, como Mangabeira, tocou o bumbo do folclore da corrupção. (Com proveito para ambos). Oito anos antes do enunciado de Myrdal, os brasileiros elegeram para a presidência da República um bufão que tinha uma vassoura como símbolo de campanha. Em 2002, a filha de Jânio Quadros foi à Justiça para rastrear as contas de seu pai em bancos suíços.

Cinco anos de poder foram suficientes para que a nação petista se acomodasse à sabedoria de um velho revolucionário chinês: "Se você combate pouco a corrupção, destrói o país. Se combate muito, destrói o partido". Um presidente que não tolerasse a desonestidade intelectual jamais poderia ter o professor Mangabeira no ministério, nem uma bancada de senadores (noves fora Eduardo Suplicy) associada à ética de Epitácio Cafeteira.

Uma coisa é sofrer as manipulações dos senadores em benefício de Renan Calheiros. Dói, mas não mata. Outra é olhar para o que estão fazendo e concluir que todos os parlamentares, políticos e servidores públicos são ou virão a ser bandidos. Esse comportamento parece que não dói, mas mata a fé do cidadão no Estado de Direito. O folclore da corrupção é um grande negócio, para os corruptos.

• Serviço: Quase todas as idéias deste artigo saíram do livro "Corruption by Design - Building clean government in mainland China and Hong Kong" (Corrupção como projeto - Construindo governos limpos na China e em Hong Kong), da professora Melanie Manion. Para conforto de Mangabeira, a editora é a Harvard University Press.

Ministro da Nasa

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Professor, administrador de empresas, presidente do Banco da Amazônia, Nelson Ribeiro era um quadro da Igreja no Pará, cuja Ação Católica presidiu. Escolhido presidente da República, Tancredo Neves resolveu criar o Ministério da Reforma Agrária e pediu um nome à Igreja.

Indicaram Nelson Ribeiro. Tancredo lhe encomendou um projeto para o novo ministério. Ribeiro convocou técnicos, preparou o programa, levou para Tancredo : "Ministério Extraordinário para Assuntos Fundiários" (MEAF).

Tancredo aprovou, convidou Ribeiro para ministro.

Morre Tancredo, quando Sarney assumiu pediu a Ribeiro que mudasse o nome do ministério. Queria que falasse explicitamente em Reforma Agrária. Ribeiro levou o novo nome para Sarney :
- "Ministério Extraordinário da Reforma e do Desenvolvimento Agrário". Sarney gostou, mas começou a rir:

- Ministro, é exatamente isso que eu quero: Reforma e Desenvolvimento Agrário. Mas, infelizmente esse nome não pode ser.Veja a sigla: "MERDA". Virou "Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário"("MIRAD")

Mangabeira
O consagrado filósofo baiano Mangabeira Unger, decano da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos,que no ano passado escreveu na "Folha" que "o governo Lula é o mais corrupto da história do País", convidado agora pelo presidente para ser um ministro da Nasa e comandar um ministério estratosférico, propôs a criação da "Secretaria de Ações de Longo Prazo".

Lula não gostou da sigla: - "SEALOPRA". De "aloprados" já bastam os dossieiros paulistas de Berzoini e Mercadante, na campanha do ano passado.

Mangabeira sugeriu novo nome : "Ministério do Futuro". Lula gostou menos ainda. Viu logo a sigla : "MIFU". "Mim" só, não. Todos nós. Hoje, se José Dirceu, inimigo de Daniel Dantas, o patrão de Mangabeira, permitir, o dono do segundo pior português do País (o primeiro é o rabino gravateiro Henry Sobel) assumirá a "Secretaria de Planejamento Estratégico" ("SPE).

PRB
Na solenidade, estará presente todo, absolutamente todo o seu partido, o PRB (Partido Republicano do Brasil), o menor do mundo. Tem só cinco e fortes membros : o vice José Alencar, o senador Crivella (RJ), o deputado federal Leo Vivas (RJ), o professor Mangabeira e o proprietário Edir Macedo.

O partido todo pode ir em um fusca. Quando o velho e sabio Otavio Mangabeira, avô do Unger, era governador da Bahia, o diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) anunciou que um ônibus de correligionários iria ao aeroporto receber o presidente nacional João Mangabeira, o maior e melhor dos Mangabeiras. O irmão Otavio zombou: - Para que um ônibus? O partido do João cabe todo numa kombi. E era muitíssimo maior do que o partido do neto.

Frei Betto
1 - "A palavra mais forte do discurso de posse do primeiro mandato (de Lula) foi mudança. E as mudanças não ocorreram".

2 - "Não vou dizer que as coisas andaram para trás. Têm melhorado. Há maior insatisfação com esse processo de globo-colonização".

3 - "O Fome Zero foi engolido pelo Bolsa Família. Durante todo o primeiro mandato, o Fome Zero foi considerado a principal política. Mas o próprio governo, que criou uma política social que virou grife, o que é fato inédito na história política deste País, tratou de enterrar o Fome Zero, para fazer uma política de dependência dos beneficiários ao poder público".

4 - "Até hoje o Bolsa Família não tem porta de saída. O governo sabe qual é, mas não tem coragem : é a reforma agrária, a única maneira de 11 milhões de famílias passarem a produzir a própria renda e ficarem independentes, emancipados do poder público. Você não pode fazer política social para manter as pessoas sob uma esmola permanente. Nem por isso considero o Bolsa Família negativo. O problema é que não pode se perenizar".

Frei Betto virou o profeta Isaias de Lula, bradando contra as traições.

Epitáfio
Sarney e a filha Roseana andavam irritados porque Lula vinha tratando o senador Renan como o principal interlocutor do PMDB e era Renan quem fazia a maioria das nomeações do partido. Agora, quando Renan está à beira do precipício, os dois lhe deram uma diabólica pernada. Indicaram o matusalém Cafeteira para relator do Conselho de Ética e desapareceram. A pressa de Cafeteira em enterrar o processo já lhe mudou o nome. Não é mais Epitácio. No Senado, agora, só o chamam de "Epitáfio".

"Listados"
O PT está mais dividido do que nunca por causa do projeto de eleição com listas. Um deputado do partido diz, indignado e desolado: - No fim, serão os "listrados" que vão escolher os "listados". ("Listrados"são os mensaleiros,sanguessugas e dossieiros denunciados).

Vavá
Na internet, a juventude se vinga:

- "Coitado de Lula. Mais uma vez foi traído. Disse: - "Fui traído. Me apunhalaram pelas costas. Eu não sabia que o Vavá era meu irmão".

A vaca do Renan no Flor do Lavradio

Fritz Utzeri, Jornal do Brasil

- Eu quero a vaca do Renan!

Apolônio, o indignado, entrou berrando no Flor do Lavradio, para espanto do Seu Manuel que cortava uns limões no balcão, de Rosalvo, o despreocupado, que saboreava uns risoles de camarão da Otília, de Fefeu, o Filósofo, e de Harald Magnussen, Magu, o jornalista sueco que faz do botequim o seu escritório. Ninguem entendeu.

- Vem cá, Apolônio, você está se referindo à "gestante"? - perguntou Fefeu.

- Que "gestante" que nada, estou me referindo a gado mesmo. O Renan é um gênio da pecuária, ele vende gado em Alagoas por um preço muito acima do conseguido pelos pecuaristas paulistas e, além disso, inventou a vaca fria, todos os recibos de venda são gelados. É melhor que plataforma de petróleo! E como se não bastasse, 86% de suas vacas emprenharam e pariram 751 bezerros em um ano, uma façanha, um recorde não alcançado nem mesmo por ranchos do Texas, usando inseminação artificial e alta tecnologia...

- Ué, mas há alguns dias o administrador não disse aos jornalistas que o gado do Renan não cobria nem as despesas da fazenda? - lembrou Fefeu.

- Vai ver o Renan tem um monte de "gestantes", o homem é uma fera, não usa camisinha e por R$ 16 mil a cada "bezerro", haja vaca... Mais um chope aqui, Seu Manuel - emendou Rosalvo, com ar malicioso.

- Pois é, e o homem quer ser absolvido e arquivado sem qualquer exame das acusações, apesar de ter as suas despesas de pensão com a "gestante" pagas por um lobista da Mendes Júnior, de ter ligações com o cleptobudista Zuleido Veras e de ter fazendas em nome de laranjas, acusação que nega com a mesma cara-de-pau do Maluf quando diz que não tem contas no exterior. Os seus "juízes", Tumão, Sibá e Cafeteira, já deixaram claro que amam Renan de paixão e farão o impossível para evitar que a vaca dele vá pro brejo... - disse Apolônio.

- Tudo mui amigo... - brincou Rosalvo.

- Aliás, em matéria de amigo, esse pessoal do governo tem amigos, ah!, isso tem! Vejam o Paulo Okamoto, que pagou uma dívida de R$ 29 mil do presidente e nem pensou em cobrar; agora é o ex-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, acusado por Ricardo Murad, de morar num apartamento de padrão superior a seus rendimentos e que teria sido reformado por R$ 800 mil. Murad, o acusador, vem a ser cunhado da Roseana e irmão daquele outro que vendia casas na planta e exigia pagamento cash e sem recibo, juntando uma montanha de dinheiro em seu escritório, lembram? - continuou Apolônio.

- Sim... escândalo velho esse, mas o que tem a ver com amigos? - perguntou Fefeu.

- É que o Zé Reinaldo garante que o apartamento não é dele, é de um amigo de infância, Mauro Fecury, que mandou restaurar e mobiliar de forma luxuosa apenas para emprestá-lo ao amigo sem cobrar nada, aliás o próprio Luiz Inácio não morava, de graça, no apê de um compadre? - explicou e perguntou Apolônio.

- Puxa, que bonito, que despreendimento, estou quase às lágrimas, ninguém me arranja um amigo do peito assim - queixou-se Rosalvo, fazendo cara de choro.

- Aliás, não faltam "amigos dos amigos" nessa história toda - emendou Fefeu - uma mão lava a outra.

- E todos riem da gente, até quando? - perguntou Apolônio, zangado.

- Relaxa e goza, meurmão - gozou Rosalvo.

- E por que ninguém apela para a Justiça? - interveio Magu, que até ali estivera calado, com ar abobalhado e parecia não estar entendendo nada do que ouvia.

Nem o Seu Manuel conseguiu segurar a gargalhada estrondosa em que o botequim explodiu...

TOQUEDEPRIMA...

* Base aliada consegue barrar CPI da Navalha
Quatro deputados da base aliada do governo retiraram suas assinaturas do requerimento que pede a criação da CPI da Navalha. Eram necessárias 171 assinaturas para a instalação da comissão, e após a ação restaram 167. Retiraram os nomes Clodovil Hernandes (PTC-SP), Edigar Mão Branca (PV-BA), Ribamar Alves (PSB-MA) e Vinícius Carvalho (PT do B-RJ).

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos principais defensores da criação da CPI que investigaria a máfia das obras, já admite que não há mais chances de instalar a comissão com a participação da Câmara.

O objetivo era abrir uma CPI mista, uma vez que o grupo conseguiu 30 assinaturas no Senado (eram necessárias 27), mas a possibilidade está descartada.

* Roraima: território estrangeiro
Em reserva indígena em Roraima, missionários estrangeiros são tratados como autoridades. Já autoridade brasileira é recebida a facão. O deputado e jornalista Márcio Junqueira (DEM-RR) denunciou à Polícia Federal a tentativa de homicídio, quando fazia reportagem sobre a situação fundiária na reserva Raposa Terra do Sol. Ele conseguiu se esquivar do facão do líder macuxi, que acabou atingindo a câmera do cinegrafista da equipe. A homologação de terras indígenas em Roraima se arrasta, enquanto índios e brancos disputam uma área coalhada de reservas indígenas e ambientais. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, ligou para o ministro Tarso Genro (Justiça) e pediu providências tão logo soube do ataque ao deputado.

* “Político hoje é sinônimo de ladrão, bandido, salafrário”
A frase acima é de autoria do Senador Almeida Lima (PMDB-SE), reclamando da imagem do Congresso.

E de quem é a culpa senador ? Dos eleitores que votaram em gente que não m merecia uma vírgula de confiança ? Da Imprensa, que apenas cumpre o seu papel de informar, independente da notícia ser boa ou ruim ? Da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União, ou do Ministério Público, instituições todas que apenas fazem cumprir seu mandato constitucional de investigar a vida pública do país para que os larápios e as ratasanas do esgoto da corrupção não continuem a corroer os cofres públicos apenas para seu proveito pessoal? Ou será a culpa da má imagem fruto das ações digamos pouco ou nada honradas de vossas excelências no cumprimento ou no exercício de seus mandatos parlamentares ? Na profusão de benefícios, regalias, privilégios tudo com pouco apego ao trabalho que deveriam realizar ? A má imagem, senador, é fruto daquilo que a sociedade observa, fruto do descalabro de uma instituição mais preocupada com os cargos que possam obter na gorda e porca relação promíscua com o Poder Executivo, de quem o Congresso se tornou mero despachante, mero atendente de caprichos correlacionados ou não ao interesse maior do país ? Há bons e honestos parlamentares ? Por certo, eles existem, mas não são tão poucos que não chega a ser suficiente para encobrir o cheiro de podridão exalado da maioria. Dê-nos motivos para nos orgulharmos do Congresso e por certo o Brasil sairá ganhando, e muito da degradação moral a que chegou a instituição será varrida. Mas enquanto perdurarem os costumes, ou melhor, os maus costumes, não nos peça para sermos condescendentes. O mandato deve ser honrado para justificar a confiança que o povo nele deposita. Enquanto, contudo, for enxovalhado pela desfaçatez e falta de moralidade, vossas excelências deverão se acostumar a serem execrados pela opinião pública, que aliás, diga-se de passagem, é a real dona do mandato, e ela não está nada contente com a forma como os ilustres parlamentares tem se comportado. Daí porque, político, no Brasil, virou sinônimo de ladrão, bandido e salafrário.

* BA: revista com críticas é recolhida pela Justiça
Portal Terra
A juíza Silvia Lúcia Bonifácio Andrade Carvalho, da 2ª Vara Cível de Salvador, determinou na última quarta-feira, atendendo solicitação do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), o recolhimento de todos os exemplares da revista Metrópole e proibiu a rádio Metrópole FM, responsável pela publicação, de fazer qualquer alusão e referências explícitas ou implícitas, depreciativas ao nome, à honra, ao caráter, à intimidade, à vida privada e à imagem do administrador. A revista irá recorrer.

Sob o título A cidade no buraco - Salvador afunda em dívidas, lixo e bagunça, a revista trouxe, na semana passada, em sua primeira edição, uma reportagem com críticas à prefeitura.

Um dia antes do lançamento da revista, cinco outdoors foram retirados de pontos estratégicos da cidade. Os anúncios, que reproduziam a capa da revista, revelavam a caricatura de um homem com nariz de palhaço - o desenho lembrava a fisionomia do prefeito.

Em sua ação, Carneiro disse que tem sofrido constantes ataques da rádio Metrópole. Segundo o prefeito, as pessoas que leram a revista ou ouvem a rádio associam a sua figura à de uma pessoa tola, um bufão, um palhaço e uma besta.

* Obras paralisadas teriam consumido R$ 2 bi, diz TCU
Portal Terra
Entre pagamentos diretos da União a empreiteiras e transferências a Estados e municípios, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 400 obras paralisadas no país que teriam consumido R$ 2 bilhões.

A maior parte das obras inacabadas é em rodovias ou em projetos de saneamento e de infra-estrutura urbana.

A lista preparada pelos auditores deverá integrar um cadastro de obras do governo, segundo determinação ao Ministério do Planejamento aprovada ontem pelo tribunal. Até o fechamento desta edição, o ministério não havia se manifestado.

O número de obras inacabadas listadas agora é menor do que o primeiro inventário desse tipo que se conhece, feito em 1995. Na época, uma comissão temporária do Senado identificou 2.214 obras paralisadas, onde teriam sido gastos R$ 15 bilhões de verbas federais.

* Democratas contesta no TSE “contribuição” aos partidos
O partido Democratas contestou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a cobrança de doações de funcionários comissionados no governo para partidos políticos. A sigla alerta para a possibilidade de uma legenda promover uma “festa” de nomeações de filiados para cargos públicos para aumentar a arrecadação partidária.

Se o TSE agir, o partido que corre maior risco é o PT, que criou 660 novos cargos somente nesta semana, através de medida provisória do governo Lula. A administração petista ainda aumentou os salários dos comissionados entre 30,57% e 139,75%, o que custará ao Tesouro mais de R$ 300 milhões em 2007.A lei em vigor diz que “autoridades ou órgãos públicos, autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos podem repassar recursos de qualquer espécie a partidos políticos.”

Estima-se que desde o início do governo, Lula já apadrinhou mais de 40 mil militantes com cargos no Planalto, sendo 21.563 em cargos de confiança.

* “Lula e o fim das privatizações estagnaram o Brasil”, diz Financial Times
Uma reportagem do jornal norte-americano Financial Times afirmou que o fim das privatizações promovidas pelo governo Lula e o PT nos governos estaduais estagnaram o Brasil em infra-estrutura e serviços.

O jornal destacou os apagões no setor aéreo e energético, e disse que há “dois Brasis.” Um Brasil seria o do setor privado, que é eficiente, e o outro Brasil é o do setor público, que emperra na burocracia e na corrupção.

* Nacionalismo caro
A empresa Wintec ganhou licitação do Banco do Brasil para vender bobinas de papel de caixas eletrônicos. A proposta, de R$ 1 milhão/mês, foi possível porque o papel é importado, mais barato. Mas o BB exige papel nacional, só produzido pela Votorantin. Que custa por ano R$ 9 milhões a mais.

Aliados já admitem perda do mandato

O grupo mais próximo do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), avalia que a situação política dele se agravou a tal ponto que ele corre o risco concreto de perder o mandato parlamentar. Diante deste cenário, cinco senadores tiveram uma conversa reservada com Renan e um deles tentou convencê-lo, a todo custo, a abrir mão da presidência do Congresso para salvar o mandato de senador. Em vão.

Renan rebateu, fortemente, qualquer conselho neste sentido e, com o apoio e a experiência do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que se afastou da presidência do Senado e ainda assim foi cassado, fez prevalecer a tese em contrário.

O presidente do Congresso entende que só a cadeira de presidente lhe confere a "blindagem institucional" de que necessitava para manter os votos dos governistas que ameaçam desertar da base de apoio a cada instante. "Não renuncio. Estou tranqüilo e estou pronto para qualquer coisa, inclusive para enfrentar o processo no plenário", repetiu, a mais de um interlocutor, ontem.

Mas, apesar da renitência em permanecer no posto e em apressar a votação do caso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, as primeiras negociações em torno da sucessão começaram. Àquela altura, estava descartada a saída jurídica que o senador José Sarney (PMDB-AP) trabalhara junto ao PT na tentativa de tirar o caso do âmbito do Senado, transferindo-o para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Sarney lembrara que, por causa de uma votação apertada no processo disciplinar contra o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) no Conselho de Ética, a Mesa Diretora da Casa teria tomado a iniciativa de remeter o caso ao STF para dirimir qualquer dúvida.

A conclusão, no entanto, foi de que uma providência semelhante agora não resolveria o caso porque, como se tratava de instâncias distintas e poderes independentes, os senadores não conseguiriam se ver livres do processo no Senado.

Renan foi advertido de que a insistência em imprimir um rito sumário ao processo havia piorado o clima político na Casa, gerando polêmica em partidos aliados e de oposição e lhe criando um ambiente desfavorável. Não se convenceu. Ao contrário.

Insistiu que o tempo conspirava contra ele e lembrou que, de sexta-feira para cá, a contabilidade apontava um voto a menos. Por isso mesmo, concluiu, era preciso manter de pé a votação do caso a qualquer custo. A partir daí, os companheiros do grupo mais próximo ao presidente do Senado passaram a defender, de público, a tese de que tinham margem de dois votos para vencer no Conselho de Ética e Decoro.

Naquele momento, a estratégia a ser seguida pelo novo relator do caso, Wellington Salgado (PMDB-MG), na tentativa de ganhar o voto dos conselheiros, estava montada. O argumento era o de que não havia prova para condenar Renan no caso da suspeita de ele ter pagado despesa pessoal com recursos do suposto lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, ou da própria empresa. Qualquer dúvida sobre a autenticidade dos documentos que atestam as operações de compra e venda de gado, dizia ontem Salgado, não eram objeto da representação do PSOL.

Tucanos
Sendo assim, poderiam ser investigadas apenas no caso de uma nova denúncia contra Renan, que qualquer senador ou legenda poderia formular em qualquer tempo. Quem melhor traduziu para o presidente da Casa as reais dificuldades políticas no Conselho de Ética foi o PSDB, que reuniu os 13 senadores para discutir o caso.

Durante quase duas horas de conversa no início da tarde de ontem, o presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder da agremiação no Senado, Arthur Virgílio (AM), o advertiram da gravidade da situação. O primeiro alerta foi dado por Jereissati, sem hesitação: "O risco de você perder a votação no conselho hoje (ontem) é muito grande. Ninguém concorda em votar hoje (ontem) e, se você insistir, o PSDB fica contra."

Desde a véspera, os tucanos, que têm dois dos 16 votos do órgão, discutiam o caso nos corredores, na bancada e até na executiva nacional. Os deputados tucanos que participam da direção partidária cobraram muito dos senadores que ao menos afastassem Renan da presidência.

Coube a Virgílio a difícil tarefa de convencer os deputados de que, se não havia como inocentar o senador do PMDB de Alagoas, também não havia uma prova definitiva para incriminá-lo e tirá-lo da presidência.

DEM
A situação de Renan no DEM não diferia muito da do PSDB. Com a presença do ex-presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen, que veio a Brasília, especialmente, para discutir o caso, eles se reuniram ontem e decidiram não votar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no colegiado. Com base na perícia da Polícia Federal (PF) sobre os papéis da defesa do senador do PMDB, argumentaram que precisavam de mais tempo para aprofundar as investigações e apresentar um resultado conclusivo.

Os democratas, no entanto, se apegaram a uma questão regimental para tomar posição. Se o voto contrário ao relatório que recomenda o arquivamento da representação contra Renan significasse uma condenação, eles votariam na abstenção. Já no caso da derrubada do parecer significar apenas uma permissão para dar prosseguimento ao processo e à investigação, os quatro democratas do Conselho ficariam liberados para votar em bloco contra Renan.
"O ideal é que seja sobrestada a representação para que se possa fazer uma investigação fundamentada. A própria PF diz que precisaria de mais 30 dias de apuração para uma perícia conclusiva", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

No meio da tarde, emissários do senador peemedebista mandaram um recado duro aos antigos aliados que ameaçavam abandoná-lo. O comentário nos bastidores do Senado era o de que muitos "vestais" que se apressavam em condenar Renan também tinham relações suspeitas com empreiteiras, que financiavam as campanhas, e relacionamentos secretos fora do casamento.

Perícia da PF desmonta defesa de Renan

A perícia do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal (PF), sobre os documentos apresentados ao Conselho de Ética pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desmontou a defesa do senador para justificar a renda de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos, com a venda de gado.

O laudo mostra, por exemplo, que não foram apresentados notas fiscais sobre a venda de gado ocorrida em 2004, mediante as quais ele teria recebido R$ 236.144,32, identificados como "rendimento da atividade rural". Renan afirma que pagou as despesas da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos, com esses recursos.

O laudo engrossa as suspeitas sobre a origem do dinheiro depositado nas suas contas, ao mostrar uma série de contradições nos dados da defesa de Renan. Segundo os peritos, "algumas" das Guias de Trânsito Animal (GTAs) supostamente de gado das fazendas de Renan, estão em nome de "outros vendedores", como sua mãe Ivanilda Calheiros, a quem caberiam "29 GTAs, correspondente a 508 animais", e a seu irmão Remi Calheiros, para quem há "uma GTA, por 20 animais".

A perícia do INC deixa claro, também, que o senador tentou fechar um pacote de venda de gado na última hora, quando já tinha sido instalado o processo contra ele. Foi constatado que somente no dia 13 último, ou seja, na semana passada, é que uma das "compradoras" de gado de Renan, a Stop-Comercial de Carnes e Derivados Ltda, se tornou "habilitada" no estado a proceder à venda de carne.

Outra compradora, a GF da Silva Costa, está desde 16 de agosto de 2005 em situação cadastral "não inabilitada, constando a observação de inativo - cancelado". Os peritos constataram que "grande parte do gado vendido, cujos nomes constam das GTAs, não coincide com aqueles informados nas notas fiscais de venda apresentadas".

Outra divergência é a nota fiscal sobre uma das propriedades do senador, a Fazenda Santa Rosa. A perícia mostra que a nota fiscal sobre a venda de 80 animais vendidos em 2006, não bate com as guias que indicam, no mesmo ano, a venda de 340 animais.

"Desconsiderando o nome da fazenda de origem dos animais, não há vínculo das informações constantes das GTAs, a título de data e quantidade de animais, com as especificadas nas notas fiscais", afirma o laudo. Outro dado, reforça a suspeita de se tratar de uma manobra sobre uma suposta comercialização, ao revelar que "as datas de saída do gado constantes das notas fiscais, são as mesmas de emissão do documento fiscal".

Laranjas
O documento da Polícia Federal aumenta a suspeita quanto à existência de "laranjas" no esquema de defesa do presidente do Senado, diante da constatação de que "em relação às pessoas físicas, após verificação em sistemas da Secretaria da Receita Federal, verificou-se não serem possuidoras de empresas ou fazerem parte do quadro societário de pessoas jurídicas".

No caso, fica a indagação de motivos que levariam pessoas que não possuem fazendas ou açougues a comprarem grande quantidade de gado. A perícia frisa, igualmente, que "tendo em vista a ausência de documentação hábil, bem como o prazo exíguo para conclusão do trabalho", não foi possível analisar se as pessoas envolvidas nas operações (de compra de gado) apresentavam situação econômico-financeira compatível para a realização das transações à época.

Mostra, ainda, que do ponto de vista "ideológico" (do conteúdo dos documentos), "não foi possível concluir pela autenticidade das notas fiscais, uma vez que, com base na documentação enviada a exame", não dá para afirmar que "as transações comerciais descritas (entrega do gado) efetivamente ocorreram".

ENQUANTO ISSO...

Vice do PT diz que são “ridículas” as críticas ao reajuste dos CCs

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e vice-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, chamou de “ridículas” as declarações da oposição criticando o governo federal por conceder aumento de 139,75% para cargos de confiança. O petista ainda rebateu as afirmações de que parte do dinheiro seria usada para financiar o partido, através do pagamento de dízimos.

“Isso é uma observação absolutamente ridícula. Sinceramente, acho penoso ter que ouvir esse tipo de argumento da parte da oposição. É uma coisa ridícula. Eu dou meu dinheiro para quem eu quiser e dou muito alegremente o meu dinheiro ao meu partido, para que o meu partido não receba dinheiro de outras origens. Se outros partidos têm outro tipo de financiamento, é problema deles, o financiamento no PT é feito por seus militantes. Se o cargo comissionado é do partido, ele (militante) tem que contribuir. É a forma pela qual ele garante a sua cidadania partidária”, afirmou Marco Aurélio.Na última terça, o tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, admitiu o reajuste dado CCs vai ajudar ao partido, que passa por dificuldades financeiras.


ENQUANTO ISSO...

Redecker diz que cargos são apenas para enriquecer PT

O líder da minora na Câmara, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), afirmou que os cargos de confiança criados pelo governo Lula só servem para enriquecer o caixa do PT. “A lógica é muito simples. Quanto mais cargos de confiança, mais dinheiro para o caixa do PT", definiu o parlamentar.

O tucano declarou que o tesoureiro do PT está fazendo as contas. “O tesoureiro afirmou à Imprensa que ainda não há como quantificar, mas na atual situação qualquer recurso ajuda a melhorar a nossa saúde financeira. Sem considerar o reajuste, os comissionados respondem por 15% da receita de R$ 2 milhões contabilizada a cada mês pelo PT. São quase R$ 4 milhões por ano, se for incluído o 13º salário.”

Redecker lembrou que Lula é o campeão das medidas provisórias. “Nenhuma novidade no uso de Medida Provisória para mais esse aumento salarial. O presidente Lula já é campeão absoluto no uso de MP. Contudo, há uma particularidade muito curiosa nesse aumento. Os índices aplicados, variam de forma crescente na direção dos DAS de nível mais baixo porque nessas posições é que estão alojados os companheiros”, disse o deputado.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na verdade, Garcia está tentando enganar a torcida, porque no fundo o aumento para os DAS, seja da forma como foi feita, seja pelo montante do aumento concedido, beneficia quem ? Ora, o partido que congrega a maior legião de nomeados em cargos de confiança, no caso, petistas. Como o partido tem uma brutal dívida para pagar, elevando as faixas de recolhimento provoca-se aumento na arrecadação do partido. Ou haverá outro partido que não o PT com maior legião de nomeados e afilhados políticos ? Não tem. E agora este contingente receberá um reforço de 626 novos nomeados.

O que Garcia não entende é que há de duas semanas atrás, o próprios partido estavam reclamando de seus militantes o pagamento dos dízimos para fazer frente ao seu déficit. E aí, caindo do céu, como feliz coincidência, o governo Lula resolve conceder um aumento desproporcional para os afilhados ? Ora, só um imbecil para crer que tudo não passa de uma “coincidência”. E quer Garcia goste ou não, é esta a impressão que fica. Ou8 seja, a de que o governo está usando recursos públicos para benefício partidário de mão única. Ponto final.