Diante da pressão de membros da oposição e da imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que não vai renunciar sob hipótese alguma ao cargo. Ele disse que a palavra “renúncia” não existe no seu dicionário.O senador declarou que apresentou documentos que comprovam sua inocência nas acusações. "Aqueles que estão pensando que, sem ter um fundamento, sem ter uma agressão, uma denúncia que não seja comprovada por documentos, eu vou deixar a presidência do Senado, está redondamente enganado. Só que não conhece a minha biografia, a minha história [pode fazer essa proposta]", disse.
Calheiros afirmou que “produziu” provas difíceis de serem conseguidas. "Eu consegui produzir provas negativas, as mais difíceis de se produzirem. Estou absolutamente tranqüilo."
* Caracas passa Rio na liderança do crime na América Latina
Segundo o jornal francês Le Monde, o número de homicídios em Caracas ultrapassou os do Rio de Janeiro. De acordo com o Diário, há 105 assassinatos por 100 mil na cidade venezuelana, enquanto que, na capital fluminense, são 40.Nos últimos oito anos foram 85.000 homicídios em Caracas. O ministro do Interior e Justiça, Pedro Carreño, acusou a oposição e a imprensa de estarem fazendo sensacionalismo sobre a gravidade da segurança para “desestabilizar o governo.” Ele rechaçou os números mostrados, lembrando que os roubos diminuíram.
* Lula descumpre a Constituição
Entre as 27 ressalvas do Tribunal de Contas da União às contas do governo Lula em 2006, está o descumprimento de um preceito constitucional: pelo quarto ano consecutivo, não foram aplicados 30% dos recursos destinados ao ensino fundamental na erradicação do analfabetismo. O presidente Lula está sujeito a processo por crime de responsabilidade. Mas Lucas Furtado, procurador junto ao TCU, observa que "a diferença em 2006 foi pequena".
Em 2006, o governo Lula aplicou R$ 16,1 bilhões em desenvolvimento e manutenção do ensino. O México investiu quase R$ 60 bilhões a mais.
* A palavra é... Mangabofobia
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
Esta é uma história triste. Um amigo meu, homem feito, historiador de algum renome, vive o constrangimento e a desonra de, apesar dos apelos lacrimosos da mulher e de suas duas adoráveis filhas pequenas, se recusar a abrir a porta do banheiro onde se trancou num surto de irracionalidade ontem à tarde, depois que viu na televisão o discurso de posse de Mangabeira Unger no ministério. Em sua própria definição de homem culto, embora obviamente confuso, o coitado está sofrendo de “mangabofobia”, neologismo com o qual pretende dar conta não de uma aversão a mangabas, frutos meio antipáticos mas inofensivos da mangabeira, e sim do pânico que lhe inspiram o catedrático de mesmo nome e seu estilo oratório copiado – isso garante meu amigo, estudioso da Segunda Guerra – dos trejeitos de Benito Mussolini: queixo projetado, boca desenhando um U de cabeça para baixo, peito cheio como o de um galo de briga, voz projetada com arrogância e olhos varrendo a audiência, desafiadores, em pequenos arrancos de boneco de mola. Hoje deve chegar o pessoal com a camisa-de-força.
* Longa espera e explicação zero
Anna Luiza Guimarães
Muitos vôos atrasados e nenhuma explicação: esse era o cenário do Aeroporto Internacional Tom Jobim ontem a noite. A médica Silvia Hamesteir, de 69 anos, aguardava no Aeroporto Internacional do Rio, junto com seus dois gatos sedados, desde às 15h para embarcar no vôo da Gol marcado para às 17h, com destino a Curitiba. Por volta das 19h30, Silvia continuava esperando e ainda não tinha nenhuma explicação para o atraso.
- A companhia não diz nada. Só sabemos que estão todos os voôs atrasados - reclama a médica, cuja maior preocupação era com os gatos, que só podem viajar sob o efeito dos sedativos.
- Eles já estão acordando. O efeito vai passar e não sei como farei para viajar com eles assim - explicou a médica aflita.
O técnico da Petrobras Wander Mendes, 38 anos, que embarcaria no vôo das 22h para Belo Horizonte, não quis arriscar.
- Tenho que trabalhar amanhã. Isso aqui está muito confuso. Ninguém explica nada. Achei melhor cancelar meu vôo - conta Wander, que optou não esperar e foi viajar de ônibus para a capital mineira.
Adavilson Krolbauer, 26 anos, de Porto Alegre, estava a passeio no Rio e tentava voltar para casa.
- Meu vôo estava marcado para às 15h20. Já são 20h e continuo aguardando - conta ele, que chegou no aeroporto por volta das 14h e reclamava da falta de informação desde então.
- Por volta das 18h entrei no avião e fiquei aguardando uma hora, quando avisaram que o vôo havia sido cancelado - diz.
Segundo a Infraero, os vôos no Rio foram liberados às 20h35.
* E eles ainda se dizem democráticos... Ministério proíbe protesto de servidores
Pela primeira vez, desde o regime militar, uma manifestação de servidores federais foi proibida em Brasília. O ato estava marcado para o período da manhã. Os funcionários do Ministerio da Saúde queriam protestar pela aprovação do Plano de Carreira, mas foram proibidos pela administração. Eles denunciam coação e até ameaça de prisão de quem ousasse falar aos microfones. O ministério chamou a polícia. Os advogados do sindicato dos servidores precisaram negociar a realização de um ato na parte lateral do edifício-sede.
* O Pan sob ameaça de apagão aéreo
Editorial do Jornal do Brasil
Os cariocas terão de multiplicar a cordialidade e a hospitalidade para com os turistas que virão aos Jogos Pan-Americanos, pois vão desembarcar já estressados de vôos com atraso. A previsão de mais apagão aéreo nos aeroportos é da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), que improvisará medidas para contornar mais um capítulo da interminável e irritante novela do apagão aéreo.
Pelo menos, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Teixeira, não acha que no caso de pane nos aeroportos, os passageiros devam "relaxar e gozar", como aconselhou debochadamente - e depois se arrependeu - a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Apesar de admitir soluções paliativas no curto prazo, o brigadeiro defende a formulação de um Plano Aeroviário Nacional para enfrentar o aumento da demanda. Afinal, o movimento de passageiros cresceu 8,45% de janeiro a abril deste ano. Esse incremento vem de longe.
O extenso prazo só reforça a imprevidência renitente do governo federal com a aviação comercial. Desde que morreram 154 pessoas no acidente com o Boeing da Gol em setembro do ano passado, foram contadas muitas histórias nas Comissões Parlamentares de Inquérito e nas investigações criminais, mas nenhuma explica por que vôos continuam a atrasar.
A expectativa dos hotéis é de que todos os 28 mil quartos oferecidos na cidade sejam ocupados por turistas atraídos pelo Pan. A cidade está mobilizada e vai superar os obstáculos para que os visitantes decolem de volta a seus países com uma boa imagem do Rio de Janeiro. Mas o sucesso dos Jogos depende estrategicamente do governo federal. Este tem de se mobilizar, seja recrutando mais controladores de tráfego aérego, seja empregando energia maior na supervisão dos aeroportos. É preciso evitar a todo custo que um apagão aéreo escureça o brilho do Pan. E, no futuro, das Olimpíadas e da Copa do Mundo.