quinta-feira, junho 13, 2013

O governo perdeu o rumo

José Roberto Mendonça De Barros
O Estado de SPaulo

Uma sucessão de más notícias fez o governo perder o rumo. O PIB do primeiro trimestre foi péssimo, mais do que confirmando nossa análise neste espaço ("2013 não começou bem I e II", publicados respectivamente, em 20/01 e 17/02). Ao mesmo tempo, as pesquisas mostraram claramente que a inflação e especialmente o custo da alimentação entraram firme na vida e na preocupação das famílias, algo grave para um governo, antes de tudo, empenhado na reeleição.

Por outro lado, aceleraram-se os sinais de piora do setor externo, tanto na balança comercial como na conta corrente, o que colocou pressão sobre o real, gerando uma forte tendência de desvalorização.

A menor arrecadação, por seu turno, torna o expansionismo fiscal, mais claro e complicado. Finalmente, o Congresso, pelo menos por um momento, recusou-se a aprovar tudo o que o Executivo queria.

Esses eventos aconteceram em /meio a uma cada vez mais clara recuperação da economia global. Os últimos dados dos EUA (incluindo a divulgação de um volume de emprego bastante decente, gerado no mês de maio), do Japão e de vários emergentes reporiam essa visão. A valorização do dólar (que reforça a pressão para o enfraquecimento do real) e a extrema sensibilidade dos mercados a qualquer sinal, vindo do Fed, de mudanças na política: ; monetária são indicativos da aceitação pela maior parte do mercado que a economia americana está da vez mais próxima de uma fase de crescimento, algo que já tratamos por várias vezes.

Resta ainda, é verdade, o receio de que a economia chinesa possa fraquejar, não conseguindo segurar os 7,5% de crescimento do PIB em 2013. Embora esta seja uma possibilidade, não é nosso cenário base. Nele, o rebalanceamento da economia chinesa na direção de ganhos de salário real, do consumo e de mais investimentos em qualidade da água, do ar e da energia alternativa deverão continuar. A proposta de compra da Smithfield (empresa americana líder na produção de suínos) feita pela Shuanghui é um grande indicador da importância de melhorias substanciais na qualidade da alimentação demandada pela população e tão relevante nesta fase do crescimento chinês,

Em resumo, os problemas e o enfraquecimento do crescimento brasileiro não podem ser debitados ao exterior. São produtos de uma estratégia que fracassou, agravando questões que vêm se acumulando.

De fato, após o vale-tudo que foi a campanha de 2010, os excessos econômicos produziram uma piora na situação macroeconômica que se tornou clara, Com pressões inflacionárias e outros desequilíbrios, que levaram a um crescimento modesto em 2011. A estratégia do governo, então, foi de relançar a economia a partir dos estímulos 110 consumo e da tentativa de avançar investimentos a partir da liderança do Estado, incluindo empresas estatais.

Dezesseis pacotes depois e um crescimento pífio em 2012 (0,9%), pode-se dizer que a estratégia fracassou. A demanda de consumo, ao invés de crescer, desacelerou; as exportações enfraqueceram e as importações seguem ocupando espaços cada vez maiores no mercado; o investimento público pouco avançou, os custos subiram muito e os atrasos são recorrentes (a transposição do São Francisco e a ferrovia Transnordestina são os exemplos mais acabados desses atrasos). A Petrobrás tem vivido um momento difícil com a estagnação da produção; a Eletrobrás está com o seu fluxo de caixa totalmente comprometido e não terá como funcionar direito se o Tesouro não a socorrer. Os ditos campeões nacionais não adicionaram nada de relevante para o crescimento. O PIB de 2011-2013 será um pouco maior que 2% e, por melhor, que seja 2014, a média do governo Dilma será da mesma magnitude.

Hoje, certas coisas estão absolutamente claras. Três anos de crescimento próximo de 2% não representam um evento fortuito, mas uma tendência mais estrutural, passado o efeito dos grandes ganhos de preços de commodities.

Em segundo lugar, nosso problema não está na demanda, mas sim, na falta de competitividade da produção nacional. Alterar essa situação vai exigir um programa estruturai de longo folego e duração. Tal programa ainda não existe. Discursos salvacionistas serão solenemente ignorados pelos fatos.

Em terceiro lugar, a situação macroeconômica está desarranjada, a começar pela inflação que se mantém firme no topo da meta. O IPCA de maio mostrou que 230 dos 365 componentes do índice subiram mais que 10% nos últimos doze meses!

Isto levou o Banco Central a elevar os juros e sinalizar que vem mais por aí. Entretanto, ao mesmo tempo, as autoridades permitiram uma nova desvalorização do real, para a faixa de R$ 2,15 por dólar, o que vai pressionar a inflação, pelo menos, via alimentos. De fato, na semana terminada na última quinta-feira, o milho tinha subido 1,9% e a soja 3,8%. Para completar o quadro, o Tesouro resolveu injetar R$ 15 bilhões na infausta Valec (!!!)

A alta de juros e da inflação, a desvalorização do real e a política fiscal expansionista não se casam.
 Corremos o risco de acabar por piorar um pouco mais o crescimento, a inflação, o setor externo e a dívida do governo.

Mais uma vez, o ativismo e o movimento estão tentando substituir a reflexão, com baixa taxa de sucesso.

Tipo Palocci

Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

Dentro do governo Dilma, virtudes transformam-se em pecados neoliberais. Para ela, economista formada, mudar é mais difícil

A presidente Dilma tem uma saída tão simples quanto eficiente para escapar da confusão em que se meteu: basta chamar o Palocci, nomeá-lo chefão de toda a área econômica e dizer, na posse, que ele tem plena liberdade para aplicar um poderoso ajuste nas contas públicas. Sou capaz de apostar uma garrafa de vinho (selecionada pelo Renato Machado) que o risco Brasil e os juros cairiam no mesmo dia.

Não seria um gesto assim tão fora de propósito. Na verdade, Dilma estaria simplesmente repetindo o que fez seu mentor, Lula, no começo do primeiro mandato, em 2003. Lembram-se? Palocci, então ministro da Fazenda, produziu um superávit primário maior que o obtido no governo de FHC. O Banco Central, com Henrique Meirelles, elevou a taxa básica de juros, tudo isso criando as bases para um bom ambiente macroeconômico.

Verdade que deram uma enorme sorte. O mundo desandou a crescer e a China multiplicou por 40 suas importações do Brasil. Mas se a casa aqui não estivesse em ordem teria sido impossível aproveitar a bonança externa. Como, aliás, a presidente Dilma não aproveitou a enxurrada de capitais e o bom momento dos emergentes nos últimos anos — mamata que está acabando.

Mas sabemos das dificuldades. Começa que a presidente Dilma não admite haver problemas em sua política econômica. Ainda ontem voltou a dizer que está tudo em ordem, inflação controlada, país crescendo e tudo o mais.

Deve ser, entretanto, só da boca para fora. Não é possível que não estejam vendo os dados que mostram PIB para baixo e preços para cima, mais o dólar escalando e o aumento do déficit externo. Não é possível que acreditem mesmo nas lambanças contábeis que fazem as contas públicas parecerem equilibradas.

Notícias de debates dentro do governo têm vazado para os jornalistas. Enfim, é evidente mesmo para os economistas mais próximos do governo que algo precisa ser feito. E algo mais profundo do que, por exemplo, a simples retirada do IOF para aplicações estrangeiras em títulos do governo — estimulando aquilo que antes chamavam de especulação.

Esse algo só pode ser um forte ajuste nas contas públicas — ou seja, corte severo de gastos — anunciado com credibilidade. Daí a necessidade do Palocci. Ele já fez isso, já propôs uma política de longo prazo para zerar o déficit geral do governo e tem a confiança do mercado.

Ocorre que essas virtudes transformam-se, dentro do governo Dilma, em pecados neoliberais. A própria presidente já detonou essas ideias de ajuste. Ela precisaria, portanto, mudar de ponto de vista. Não seria necessário ajoelhar no confessionário, pedir perdão e mudar por convicção. Basta a necessidade, como foi, aliás, no caso de Lula no primeiro mandato. Até hoje ele não gosta de ter assinado a Carta ao Povo Brasileiro, nem de ter deixado Palocci fazer o que fez. Mas foi flexível diante das circunstâncias.

É certo, por outro lado, que Lula nunca foi de ter algo como uma doutrina, um pensamento econômico. Dançava no vai da valsa.

Já Dilma, economista formada, tem convicções — que se mostram equivocadas. Para ela, mudar é mais difícil.

Outro problema é que Palocci está com a reputação abalada. O mercado, os agentes econômicos continuam tendo saudades dele. Já no ambiente político, a rejeição é óbvia.

Mas esse obstáculo também poderia ser driblado. Não pode o Palocci? Pois arranjem um “tipo Palocci”. E já estando com a mão na massa, poderiam buscar também um “tipo Meirelles” para o Banco Central.

Não vamos aqui citar nomes, até para não queimá-los, mas o perfil está dado: experiência, capacidade comprovada na gestão pública, credibilidade no ambiente econômico e a convicção sincera de que a variável-chave no Brasil de hoje é um superávit primário enorme, caminhando para até 5% do PIB, de modo a zerar o déficit público, medido sem truques, é claro.

Complementos: uma alta forte na taxa básica de juros para derrubar as expectativas inflacionárias; ampla privatização de infraestrutura; reformas micro para tornar o ambiente de negócios mais favorável ao empreendedor privado. Mas só precisaria anunciar mesmo o tal ajuste fiscal.

Neoliberal! — gritam. Pois é, mas a alternativa desenvolvimentista de Dilma — juros para baixo, dólar para cima e gasto público acelerado — deu em inflação alta e crescimento baixo. Se nada for mudado, daqui a pouco vem mais desemprego e mais inflação, como na Argentina.

A escolha, pois, se dá entre “tipo Cristina” e “tipo Palocci”.

Votando com o bolso

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Quando Clinton decidiu candidatar-se à Presidência americana contra George Bush, os analistas lhe davam poucas chances: vinha de um Estado pequeno, o Arkansas, e seu adversário tinha o prestígio da vitória na Guerra do Golfo, que expulsou os iraquianos do Kuwait. Mas viu uma fraqueza em Bush: a economia crescia pouco, gerando desemprego. Seu assessor James Carville cunhou a frase usada sempre que a campanha se desviava do rumo: "É a economia, estúpido".

E é a economia que explica como Dilma, favorita para 2014, caiu a ponto de tornar o segundo turno quase inevitável. Preços em alta corroem o prestígio dos governantes (o presidente Sarney, o político mais popular do país em 1986, não conseguiu sequer um candidato que aceitasse seu apoio em 1989). Com preços estáveis, tudo é aceitável - até o tumulto da Bolsa Família. Com preços em alta, até demarcação de terras indígenas gera problemas. Com preços estáveis, a presidente é enérgica e mantém os subordinados sob controle; com preços em alta, a presidente é grosseira, interfere em tudo e seu estilo centralizador é ineficiente. 

Dá para mudar. Mas Dilma parece presa a dogmas da juventude, como as virtudes do intervencionismo governamental. Cortar despesas públicas? Não depois de proclamar que cabia ao Governo manter a economia em movimento, não depois de classificar de "rudimentar" a proposta do então ministro Palocci de permitir gastos só até o limite da arrecadação. Reduzir a máquina de Governo e cortar o número de ministérios? Depende dela. E este é o problema: depende dela.

O buraco do dólar
Inflação é grave; mas há outra questão talvez ainda mais grave, que é a degradação de nosso comércio internacional. A conta-corrente (resultado de todas as transações do Brasil com o mundo, em mercadorias, serviços e despesas diversas) estava negativa em US$ 54 bilhões, em dezembro. Nos doze meses que se encerraram em maio, o déficit estava em US$ 70 bilhões. 

O Brasil tem reservas suficientes para aguentar muito mais do que isso, mas a tendência é negativa.

Até um dia, até talvez... 
O ministro Dias Toffoli acredita que o julgamento do Mensalão ainda vai demorar muito - um ano ou dois. Só depois disso os réus teriam de cumprir pena. Os mensaleiros condenados que exercem cargos eletivos ganhariam tempo, até que seus mandatos expirassem (e aquela discussão sobre quem declara a vacância do cargo, se o Supremo ou a Câmara, perderia sentido, já que ninguém precisaria declarar o cargo vago). Toffoli diz que o prazo depende muito do relator do caso, ministro Joaquim Barbosa; mas acredita que o julgamento dos embargos de declaração começa no segundo semestre e vai até a metade de 2014. 

Depois, caso o Supremo os aceite, viriam os embargos infringentes. E o tempo passa.

...até quem sabe
Amanhã, dizia Chico Buarque, vai ser outro dia. Se não houver imprevistos, o ministro Celso de Mello deve se aposentar em 2015, e Marco Aurélio em 2016. Se der para chegar a essas datas, dois ministros que votaram pela condenação dos mensaleiros terão deixado o Supremo. Duas nomeações bem feitinhas trarão a certeza de que a formação de quadrilha ocorreu apenas nas festas juninas.

Cultura inútil
Está completando o primeiro aniversário a pesquisa que o Senado encomendou para saber se o eleitor é favorável ou contrário ao projeto (PLS 181 - 2010) que determina a venda de remédios a preço de custo para aposentados. O resultado foi de 95,4% a favor do benefício. Para que? Para nada: como informa o colunista Aziz Ahmed, de O Povo, do Rio, o projeto continua mofando nas gavetas.

De pai para filho
O Brasil ainda mantém alguns toques de monarquia. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, é filha do ex-governador José Sarney; o senador Lobão Filho, suplente do senador, hoje ministro, antes governador, Édison Lobão, quer disputar em 2018 o Governo maranhense. Renan Filho, filho de Renan Calheiros, foi escolhido pelo PMDB para disputar o Governo de Alagoas; Hélder Barbalho, filho do ex-governador Jáder Barbalho, disputa, também pelo PMDB, o Governo do Pará. O governador do Paraná, o tucano Beto Richa, é filho do ex-governador José Richa. E isso só em cargos executivos; no Legislativo há ainda mais parentes. 

Quem disse que as capitanias hereditárias são coisa do passado?

Juntos, mas separados
O PSD, como disse seu dirigente supremo Gilberto Kassab, não é de esquerda, nem de centro, nem de direita. Também não é oposição nem situação, nem muito pelo contrário. E apoia a reeleição de Dilma, mas nem tanto: em Minas, o PSD marcha com Aécio, do PSDB, contra Dilma; em Santa Catarina, o PSD (que ocupa o Governo do Estado, e é comandado pelo poderoso clã Bornhausen) já anunciou que está com Eduardo Campos, do PSB. Com Dilma, nem pensar. 

Ainda não se sabe qual ala do PSD irá apoiar Marina, mas alguma surgirá. 

Agenda providencial
Passeatas e vandalismo paralisam São Paulo. O prefeito Haddad, PT, e o governador Alckmin, PSDB, estão em Paris, discutindo uma exposição para 2020.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

A chave errada

J.R.Guzzo
Revista VEJA

“Órgãos de imprensa só mudam pela aplicação da força bruta, o que exige a montagem de uma ditadura, ou em troca de dinheiro, caso em que deixam de ter o valor que tinham e passam a não servir para nada.”

Os governos do PT perseguem, há mais de dez anos, duas coisas que não existem e por isso, precisamente, nunca conseguirão nenhuma das duas. A primeira é a fantasia segundo a qual a imprensa livre, que vive expondo seus desastres e conta com a admiração da maior parte do público que acompanha o noticiário, perceba um dia que tem pelo menos três obrigações.

Para começo de conversa, precisa admitir “controles sociais”, aceitando algum tipo de supervisão, ainda não definido, sobre o que escreve, fala ou mostra em imagens, por parte da “sociedade.” Além disso, teria de levar EME consideração, por respeito à vontade do eleitorado, os méritos de governos colocados na Presidência da República há três eleições seguidas.

Enfim, deveria desistir do tiroteio que faz em suas informações e opiniões a respeito da inépcia, da corrupção e da burrice da administração, em reconhecimento aos fenomenais índices de “popularidade” tanto do ex-presidente Lula como da presidente Dilma Rousseff.   

A segunda quimera é que gastando dinheiro público para criar e sustentar uma imprensa “a favor”,  pelo mais variados truques à sua disposição, conseguirá anular a voz dos meios de comunicação independentes e levar o jogo, pelo menos, a um honroso empate. Essa busca, como no samba Ronda, é inútil, mas o PT, Lula e a sua tropa não desistem: ao contrário, insistem em encontrar a chave capaz de abrir uma solução definitiva para seus problemas com a “mídia”, como gostam de dizer. Mas perderam essa chave no quintal, e estão procurando no jardim. Não vão achar. 

Não há registro na história de imprensa que tenha mudado de hábitos ou de conduta por causa dos discursos, “audiências públicas”, passeatas de estudantes e sindicalistas pagos pelo governo, ou, para resumir, “pressões da sociedade”.  Também não se conhecem casos de autocrítica, arrependimento ou remorso que tivessem levado algum meio de comunicação, por sua própria vontade, a mudar de linha na seleção do noticiário que publica ou em suas opiniões.

Órgãos de imprensa só mudam pela aplicação da força bruta, o que exige a montagem de uma ditadura, ou em troca de dinheiro, caso em que deixam de ter o valor que tinham e passam a servir para nada.

Nada disso é um dos três segredos de Fátima. Políticos em primeiro mandato já sabem que a imprensa não se incomoda com ataques verbais., barulho de “setores populares” ou mesmo com o bom e velho empastelamento das máquinas, que hoje se transformou em opção inválida – vá alguém tentar quebrar, no braço, uma impressora Cerutti 7, ou uma Frankenthalp-KBA Comander CL, para ver o que acontece.  Ninguém está ligando, também, para os 101% de popularidade de Lula e Dilma, ou para os boletins do TSE com os resultados das últimas eleições. 

Veículos de imprensa livre só têm medo, de verdade, de uma coisa: censura prévia. Por via de consequência, como gostava de dizer o ex-vice-presidente   Aureliano Chaves, o PT tem uma única pergunta a se fazer: dá ou não dá para instalar censura prévia à imprensa, televisão e rádio  mo Brasil de hoje, sem falar na internet? Se chegarem a conclusão de que não dá, deveriam desistir de ficar procurando a chave no lugar errado e sair  atrás de alguma outra coisa para fazer. 

Sinais contraditórios

Celso Ming 
O Estado de S.Paulo

Ontem circularam informações de que o governo Dilma está disposto a corrigir sua rota em direção a mais responsabilidade fiscal para ajudar a derrubar a inflação. Se for na linha do que foi anunciado ontem, ou seja, de financiamentos de R$ 18,7 bilhões em recursos públicos a juros subsidiados para a compra de sofás e de máquinas de lavar, então essas boas intenções não devem ser levadas a sério. É mais despesa para mais consumo e menos investimento.

O estouro do teto da meta de inflação em meados de 2013 era fato anunciado há meses. Não pode ter sido inesperado para o governo, como as autoridades têm sugerido. Surpresa foi a reação da sociedade, de grande apreensão e cobradora de ação.

Entre as prioridades da atual administração, nunca esteve entregar a inflação na meta. A ideia era de que, derrubados os juros, estimulado o crédito, garantidos o emprego, o aumento de renda e o consumo, o brasileiro toleraria eventual lambança da inflação.

As coisas não funcionaram assim e, agora, a disparada dos preços se encarrega de corroer a renda do consumidor. Como as adversidades não chegam sozinhas, a inflação sobrevém num momento em que o PIB segue em marcha excessivamente lenta, as contas públicas estão em franca deterioração, o balanço de pagamentos acusa graves avarias preocupantes e o mercado externo de capitais está em maré vazante.

Se nos níveis de 6,5% em 12 meses a inflação já provoca estragos políticos, imagine-se o que pode acontecer nos próximos meses, quando o índice se aproximará perigosamente dos 7%.

É só fazer as contas. Se em junho se confirmar uma evolução do IPCA de 0,32%, como esperada pelo mercado, conforme a Pesquisa Focus do Banco Central, o avanço dos preços em 12 meses atingirá 6,76%. Dificilmente em julho ficará abaixo dos 6,60%. E, se a esticada das cotações do dólar no câmbio interno continuar puxando para cima os preços em reais dos produtos importados, é possível que em agosto a dose se repita.

Além de culparem a crise internacional pelas mazelas da economia, as autoridades da Fazenda até agora vinham repetindo que o refluxo da inflação era questão de tempo e que aconteceria espontaneamente, sem empenho da administração. Repetiam, também, que a alta dos alimentos seria revertida quando as boas safras agrícolas chegassem ao varejo e com a relativa estabilidade das cotações das commodities no mercado internacional. No mais, o governo trataria de acelerar novas concessões, sempre adiadas, de portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e petróleo, providência que puxaria os investimentos e daria a sensação de que o governo não estaria parado.

Foram até aqui a aposta e a receita que acabaram desmoralizadas pelos fatos. A única maneira de virar esse jogo é providenciar um choque fiscal. Seria um pacote de decisões de credibilidade que se encarregassem de reequilibrar as contas públicas, hoje a caminho da desordem.

Os sinais emitidos ontem são em sentido contrário, como dito acima. O risco é de que as novas juras de austeridade não passem de recurso para comprar tempo até as eleições. Se a deterioração dos fundamentos da economia não for atacada com credibilidade, os mercados não esperarão, se anteciparão aos fatos. São reações que tendem a desencadear forças ainda mais desestabilizadoras.

Risco-Brasil sobe quase 40% e volta ao foco dos investidores

Sergio Vieira 
O Globo

Indicador começou a avançar em maio, diante da crise de confiança na economia brasileira

RIO – A recente crise nos mercados, causada pela deterioração na expectativa dos investidores internacionais em relação ao país, trouxe o risco-Brasil de volta ao foco dos investidores. O índice subiu 37% de 1º de maio até agora, de 170 para 233 pontos, voltando ao patamar de setembro de 2011.

O risco-Brasil, como é conhecido o Emerging Markets Bond Index Brazil (Embi+ Br), já foi um dos indicadores mais acompanhados da economia no país. Ele mostra a diferença entre os juros pagos pelos títulos americanos e brasileiros, ou seja, quanto mais alto, pior, porque mostra que os investidores estão desconfiados da capacidade do governo de pagar suas dívidas. Os Estados Unidos são considerados risco zero de calote.

Em 2002, o indicador chegou perto de 2.500 pontos centesimais, diante do nervosismo causado pela então provável eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República. Mas, nos útimos anos, perdeu importância, com o bom desempenho da economia brasileira.

Já os Credit Default Swaps (CDS), outro indicador que mostra desconfiança de investidores estrangeiros, também subiram. Os CDS, geralmente negociados no mercado de renda fixa, são uma espécie de seguro contra calote contratado por investidores. Os papéis com vencimento em cinco anos subiram 70 pontos (de 1 de maio a 11 de junho), saindo de 109,9 para 178,7 pontos centesimais, avanço de 62%. Já os de 10 anos passaram no mesmo período de 153 para 233 pontos, alta de 52%.

Este patamar foi visto pela última vez também em setembro de 2011, quando se aprofundaram as incertezas quanto à expansão da economia dos EUA e da Europa, aponta Daniel Cunha, economista da XP Investimentos.

— Tanto os agentes do mercado financeiro como os agentes da economia real que precisam tomar decisões relevantes olhando para prazos mais longos nunca pararam de olhar estes índices, mas agora estão observando esta escalada com atenção — afirma Daniel. — Trata-se de um aumento bastante expressivo, no qual tanto o movimento quanto o atual nível já podem ser enquadrados em um contexto de forte aversão ao risco, ou em outras palavras, crise de confiança — analisa.

— Como a expectativa é de contração da liquidez internacional, há desequilibrios momentâneos que atravessamos agora. O Embi+ e CDS são constatações dessas movimentações dos agentes — reitera Álvaro Bandeira, economista-chefe da gestora Órama.

A economia brasileira cresceu apenas 0,6% no primeiro trimestre, frente ao último trimestre de 2012, bem menos do que governo e economistas previam. A atual expectativa, a mais positiva, é de que o país terá expansão em torno de 2% este ano. O consumo das famílias e do governo ficou estagnado e os investimentos ainda não decolaram. Se tudo ficar sob controle, a inflação termina o ano por volta de 5,8%. O mau humor do mercado externo em relação ao Brasil já trouxe consequências, com a reavaliação das perspectivas das notas de riscos de crédito.

— Parte dessa alta é explicada por fatores domésticos. Vemos mudanças da política econômica do Brasil e clara intervenção do Estado na economia, com menor comprometimento do governo com as metas de inflação, deixando incerto o regime cambial — diz Rodolfo Oliveira, economista da Tendências Consultoria. 

— A volta dos mercados internacionais em busca dos papeis americanos também explica parte deste movimento.

Por conta deste cenário, a Standard & Poor’s foi a primeira agência de classificação de risco a reduzir a perspectiva positiva da nota de crédito do Brasil, que saiu de “estável” para “negativa”. Há cinco anos, a mesma agência, em abril de 2008, também havia sido a primeira a dar ao país grau de investimento. “É o primeiro passo na direção do rebaixamento da nota de crédito do país, que pode ocorrer nos próximos dois anos”, informou em documento a S&P.

— Como a nota de crédito foi colocada em perspectiva negativa por uma agência internacional de risco de crédito, é possível que as demais internacionais sigam o mesmo caminho — conta Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Ratings.

Reacomodação do mercado global
Outros países também vêem seu risco crescer na esteira da saída de dólares de seus mercados em direção aos Estados Unidos. O mercado, de forma global, está se ajustando a um cenário mais benigno para Estados Unidos e menos favorável para a China, que tende a ser pouco benéfico para economias emergentes, principalmente as dependentes de commodities, como o Brasil.

— É interessante ressaltar que o movimento que se vê no país não está se mostrando isolado, observando o mesmo cenário de abertura do prêmio de risco vindos de outras economias como o México, Colômbia, Chile e Peru — diz Daniel Cunha.

Nesse ajuste de tendência global, os emergentes se encontram em um momento bastante frágil. O Federal Reserve, o banco central dos EUA, já indicou que está prestes a encerrar seus programas de estímulos à economia, o que significa deixar de despejar mensalmente no mercado US$ 85 bilhões em títulos.

— O Brasil recebeu muito investimento nos anos anteriores, então agora é hora de colocar o lucro no bolso e retornar para os EUA num movimento conhecido como “flight to quality” (voo para a qualidade) — reitera Agostini.

Histórico de saltos
É comum que em tempos de crise o risco-país sofra oscilações. Em janeiro de 1999, quando houve a primeira desvalorização do real frente ao dólar, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Embi+ oscilou em quatro dígitos até o fim do mês de março, mas foi na iminência do primeiro governo do PT que o mercado verificou o maior salto do indicador.

Durante a corrida eleitoral de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva estava na dianteira das pesquisas eleitorais, começou a mais alta escalada do indicador em 3 de junho, aos 1.001 pontos, com pico dia 27 de setembro (aos 2.436), finalizando o nível de quatro dígitos apenas em abril de 2003, quatro meses após sua posse, 143% depois.

Em outubro de 2008, quando eclodiu a crise financeira nos Estados Unidos, o risco estava em níveis bem mais baixos (na ordem de 300 pontos), mas registrou forte oscilação: partiu de 337 pontos no dia 1 de outubro para pico de 688 pontos em menos de 23 dias, avanço de 104%.

Essas variações de percepção de risco têm impacto no câmbio e no fluxo de capitais. No atual momento, aponta Rodolfo Oliveira da Tendências Consultoria, e expectativa é que ainda ocorra oscilações nos indicadores de risco-país.

— Deve continuar havendo volatilidade, principalmente porque é um movimento internacional. Os emergentes vão continuar vendo desvalorização de suas moedas — diz.

— Temos vários ajustes estruturais severos para realizar na nossa economia para que essa volte para um equilíbrio mais saudável no médio prazo e a mudança de conjuntura externa vai elevar as dificuldades de realizar estes ajustes — analisa Daniel Cunha.

A bolsa óleo de peroba

Guilherme Fiuza
Revista ÉPOCA

Os defensores do povo deram um show de clareza e convicção. Os grandes líderes são assim mesmo, anteveem as coisas

O senador Jarbas Vasconcelos é um político fora de moda. Pertence ao PMDB, mas pensa por si mesmo. Não entrou na barca nacional do Governo Popular S. A., tampouco trocou de partido seguindo ventos eleitorais. Não faz proselitismo com o oprimido, não se ouvem dele bajulações retóricas às minorias. Trata-se de um dinossauro – expulso do paraíso progressista, proscrito pelo império dos coitados. Num país onde as verdades são retificadas desde 2003 (o ano zero), o que esse senhor pernambucano diz soa estranho, quase ininteligível. Mesmo assim, para os antiquados que ainda compreendem o idioma pré-delubiano, vale prestar atenção ao que Jarbas disse alguns dias atrás.

Como se sabe, o Brasil assistiu a um corre-corre às agências da Caixa Econômica Federal, irrigado por um boato de que o programa Bolsa Família seria extinto. O tumulto ocorreu em metade dos Estados da Federação. Um fato muito grave. Como conceber uma manipulação em massa nesse nível? Quem teria o poder de orquestrar tal onda de aflição e temor, varrendo meio território nacional?

Após um princípio de informações desencontradas e teses variadas sobre que tipo de terrorismo estaria por trás do fato, veio a surpresa. Nas investigações, um único dado se revelou concreto: a Caixa Econômica antecipara, inadvertidamente, o pagamento a parte dos beneficiários do Bolsa Família. A Caixa chegou a informar que a antecipação fora feita, no fim de semana de 18 e 19 de maio, para dar vazão à onda de saques provocada pelos boatos. Depois se descobriu que o dinheiro já estava nas contas no dia 17 – portanto, antes do corre-corre.

A Polícia Federal chegou a informar que o boato partira de uma central de telemarketing no Rio. Não apareceu mais nada sobre os donos da tal central, ou sobre os mandantes da operação, ou mesmo sobre que central seria essa. A tese da orquestração do boato começou a virar fantasma – o boato do boato.

Não se esqueça de Jarbas, o dinossauro. Ele já volta.

Logo que foi noticiado o tumulto nas agências da Caixa, o governo popular reagiu com prontidão, do seu jeito. A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, apontou os desumanos que haviam engendrado o terror. Segundo ela, a “central de notícias da oposição” era a origem provável dos boatos sobre o fim do Bolsa Família. Em seguida, num discurso de palanque em Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff declarou que aqueles boatos eram algo “absurdamente desumano e criminoso”.

Na seqüência da reação humanitária contra os inimigos do governo popular, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ocorrido era vandalismo de gente do mal. O presidente do PT classificou o fato como terrorismo eleitoral.

O caso era nebuloso. Mas os defensores do povo deram um show de clareza e convicção. Os grandes líderes são assim mesmo, anteveem as coisas. Sabem no escuro onde está o inimigo. Aí, o caso foi ficando mais nebuloso ainda, as provas da cruel manipulação começaram a não aparecer (desta vez, parece estar difícil de inventá-las), o Brasil ficou gaguejando e os grandes líderes foram mudando de assunto.

Foi então que Jarbas Vasconcelos subiu à tribuna do Senado. E disse quem estava por trás do tumulto que vitimara os beneficiários do Bolsa Família: Dilma Rousseff. “E a principal responsável pelo sofrimento dessas pessoas”, afirmou. E Jarbas continuou: “Por uma razão ainda não explicada, a Caixa Econômica Federal antecipou o pagamento do Bolsa Família para parte dos beneficiários, e isso criou um boca a boca sobre o fim do programa. O resultado foi aquele que todos conhecemos”. Para Jarbas, o vilão é o mesmo que estoura as contas públicas, que permite a volta da inflação, que usa as instituições para acomodar militantes: o governo da grande gestora. Ele resumiu seu diagnóstico:

- Quem foi o desumano que cometeu esse crime contra os beneficiários do Bolsa Família? Quem foram os vândalos que ofenderam os pobres? A resposta é simples: o governo do PT e seus gestores aloprados.

E como lidar com o vandalismo progressista de Maria do Rosário, Dilma, Lula e companhia, que sempre surgem como faxineiros de suas próprias lambanças? Jarbas tem a solução: “O PT deveria criar o Bolsa Óleo de Peroba, tamanha é sua cara de pau”. Não é preciso dizer mais nada.

O inchaço do PAC

O Estado de S.Paulo

Como de hábito, soa auspicioso o balanço oficial da execução da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também como de hábito, porém, os números grandiosos apresentados pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não revelam a real situação de obras essenciais para melhorar a infraestrutura do País, que é a finalidade principal do PAC, e incluem valores que não significam investimentos. Além de inflado, o balanço da execução até abril é impreciso.

Visto pelos olhos do governo, o PAC vai muito bem. De acordo com o balanço oficial, já foram investidos R$ 557 bilhões desde o início do atual governo. Esse valor corresponde a 56,3% do total de investimentos programados até o fim de 2014, quando termina o mandato da presidente Dilma Rousseff. Não é um número ruim, pois, até o fim de abril, a presidente tinha cumprido 58,3% de seu mandato de 48 meses.

O exame dos valores investidos de acordo com a fonte dos recursos e com a forma de aplicação, no entanto, mostra que eles não resultam apenas do esforço do governo - quase metade dos investimentos é de responsabilidade das empresas estatais (27,4% do total) e do setor privado (20,3%) - nem foram integralmente para obras de infraestrutura.

Como vem ocorrendo há bastante tempo, cerca de um terço dos valores que o governo diz ter executado do PAC não foi aplicado nessas obras. Do balanço divulgado na segunda-feira, R$ 178,8 bilhões, ou 32,1% do total, referem-se a financiamentos habitacionais concedidos do início de 2011 até abril.

Crédito imobiliário, como vêm advertindo especialistas em contas públicas, nada têm a ver com programas de infraestrutura, que implicam investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, infraestrutura urbana, entre outras áreas. Dos investimentos das estatais, por sua vez, a maior parte é de responsabilidade da Petrobrás, que tem um programa próprio de longo prazo, revisto anualmente.

Quanto aos investimentos do governo, de R$ 291,6 bilhões até abril, o balanço contém uma extensa lista de obras, classificadas de acordo com os eixos que compõem o PAC, como transportes, energia, infraestrutura urbana, área social (educação, cultura, saúde, esportes, lazer), habitação, água e energia elétrica.

Da lista fazem parte os grandes projetos anunciados pelo governo, independentemente do estágio das obras. Basta o contrato ter sido assinado para integrar o relatório. Na área de ferrovias, por exemplo, são citadas as obras da Norte-Sul e da Oeste-Leste, que enfrentam dificuldades de execução.

Na área de rodovias, está o asfaltamento da BR-163 na Região Norte - que facilitará o acesso aos portos da região e poderá desafogar os do Sul e do Sudeste -, que deveria ser concluído em 2013, mas só deverá ficar pronto em dezembro de 2015.

Sem investir o que poderia ter investido, o governo petista teve de se render à necessidade de atrair investimentos particulares - aos quais sempre se opôs - para recuperar, modernizar e ampliar a infraestrutura necessária para assegurar o crescimento da economia. Diante da notória degradação da malha rodoviária federal, da escassez de ferrovias, dos custos excessivos e da lentidão das operações portuárias, do risco de novas crises no setor aéreo por causa de aeroportos mal equipados e mal dimensionados, entre outros graves problemas de infraestrutura que não conseguiu resolver, o governo agora tem pressa em atrair o capital privado.

Em setembro, mais de um ano depois de ter anunciado o necessário Programa de Investimentos e Logística, deverão ser realizadas as primeiras licitações de rodovias. Antes tarde do que nunca. Mas, nos últimos meses do ano, haverá uma concentração de leilões, entre os quais o do trem de alta velocidade, dos aeroportos de Confins e do Galeão, de áreas nos portos públicos (inclusive Santos) e do primeiro campo do pré-sal, que vem sendo apontado pelo governo como "o maior leilão do mundo". Haverá capital para tudo isso em tão pouco tempo?

A Escolha da Política Econômica

Júlio Gomes de Almeida 
Brasil Econômico

É muito difícil fazer escolhas na política econômica em um momento de valorização intensa da moeda americana e, portanto, de desvalorização das moedas de muitos de nossos concorrentes comerciais.

Não fazer nada e deixar o real se desvalorizar tão somente preservaria a nossa competitividade relativamente a essas economias. Ou seja, uma cotação do dólar para além de R$ 2,10 pura e simplesmente conferiria ao setor produtivo brasileiro a mesma capacidade de concorrer anterior ao processo de valorização do dólar, o que é insuficiente.

Prova disso é que nos primeiros meses de 2013 nossas exportações industriais caíram 5%, afetando até mesmo os produtos de maior conteúdo tecnológico (-12%). 

Mas, o governo tem dado mostras que não aceitará passivamente uma desvalorização significativa da moeda. O aumento da taxa de juros foi ampliado, o Banco Central voltou a atuar no mercado de câmbio e foi eliminado o IOF na entrada de capitais para aplicações em renda fixa.

A opção da política econômica é acertada do nosso ponto de vista, mas se tiver êxito deixará para depois o acerto do câmbio que se faz muito necessário para neutralizar as tendências pronunciadas de agravamento do déficit externo.

O temor da política econômica é que uma maior desvalorização aumente uma inflação que já é alta e deprima um crescimento econômico que já é baixo. Como teremos eleições em 2014 e as campanhas de alguns dos candidatos foram antecipadas para este ano, apresenta-se também um risco político que o comando econômico não está disposto a correr.

A política econômica conta com efeitos positivos de medidas adotadas nos últimos tempos e com alguns sinais recentes do setor produtivo para sustentar que o quadro de pessimismo dessa primeira metade do ano irá se dissipar.

Se o cenário é de que o pior do agravamento do processo inflacionário está passando devido ao refluxo dos preços dos alimentos, não teremos mais o impacto que jogou para baixo o crescimento do comércio varejista e de certos ramos relevantes da indústria, como alimentos, bebidas, indústria farmacêutica e cosméticos. 

Com menor inflação esses setores voltam a crescer (em alguns deles isto já ocorre), o que amplifica uma evolução da atividade econômica e do investimento que a nosso ver já está ocorrendo. Os números da indústria e do investimento estão vindo fortes nos últimos meses em parte em função de causas pontuais.

Por exemplo, o aumento da produção industrial em abril relativamente a março não seria tão expressivo (1,8%) se a produção de veículos não crescesse a uma taxa formidável em função dos incentivos fiscais.

A expansão do investimento no primeiro trimestre também não teria sido tão intensa (4,6%) sem a retomada da compra de caminhões, que em 2012 ficara virtualmente paralisada. Mas, há uma indubitável reação positiva da indústria pelo segundo mês consecutivo e a trajetória do investimento é inegavelmente de recuperação.

Dois outros eventos podem favorecer o crescimento, sobretudo em 2014: o leilão para a área do pré-sal e o projeto de concessões de obras de infraestrutura ao setor privado. Em suma, a orientação da política econômica do governo não quer arriscar o melhor momento que vive a agropecuária, a indústria e possivelmente o comércio e procura proteger o que considera importante para alavancar as expectativas favoráveis ao investimento.

A marcha dos oprimidos

Rodrigo Constantino
O Globo

Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata

Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas.

Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso!

Dividir para conquistar, eis nossa meta. Separamos o mundo entre aqueles que estão conosco, e nossos inimigos mortais. Estes são representados pela ONG Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados (Brocha). São nossos arquiinimigos na retórica, e ao mesmo tempo nossos melhores amigos na prática. É que precisamos deles para que paguem a conta de nossos privilégios.

Conseguimos isso por meio de chantagem emocional, incutindo culpa nas “elites”. A bilionária Fundação Ford é ótimo exemplo, sempre do nosso lado. É verdade que o mundo teve escravidão desde sempre, que até Zumbi tinha escravos, que os próprios africanos escravizaram outros africanos, e que foi o Ocidente que colocou um fim nessa prática nefasta. Não importa! Vamos dizer que todo negro é vítima e que os brancos precisam pagar.

Alguns negros, como Thomas Sowell, condenam isso? Simples: chamamos eles de traidores da raça. Funcionava com Lênin e os demais comunistas. Lembrem-se: existem apenas dois grupos. Por isso podemos fazer como o ex-presidente Lula e culpar os “brancos de olhos azuis” pela crise de 2008, mesmo que o CEO de um dos maiores bancos envolvidos na confusão fosse negro.

Por falar em Lula, eis outra grande vítima: nordestino e metalúrgico. Não importa que ele não trabalhe em um chão de fábrica há décadas, ou que receba duzentos mil por palestra, ou que só ande em jatinho particular, ou que seja aliado de todos os velhos caciques da política. Lula sempre será um ícone das minorias oprimidas!

O mais importante é vender a idéia de que somos vítimas, e que os brancos são responsáveis por todos os males do mundo. Sabemos que os negros e “chicanos” americanos gozam de muito mais liberdade e prosperidade do que seus pares africanos e latino-americanos. Não importa! Eles são vítimas, mesmo que o homem mais poderoso do mundo seja negro. Eternas vítimas.

Somos herdeiros de Foucault, o sadomasoquista que falava da forma mais cruel de tirania: a “hegemonia” oculta. Esqueça Coréia do Norte, Irã ou Cuba. A verdadeira ditadura está nos Estados Unidos! Sabemos que os gays correm risco de vida nos regimes comunistas ou islâmicos, mas o que importa isso? São os gays em São Francisco e Ipanema as verdadeiras vítimas. É que tem de ser muito macho para ser ativista em Cuba ou no Irã.

Somos filhos de Paulo Freire, e também acreditamos na “pedagogia dos oprimidos”. As escolas e faculdades não podem ser máquinas de formação de engenheiros e cientistas para ajudar na hegemonia capitalista. Precisamos de ainda mais professores marxistas, engajados nas causas das minorias, doutrinando nas áreas humanas. Viva Gramsci!

Vamos criar várias nações dentro do Brasil. A nação negra, a nação gay, a nação indígena, e por aí vai. Nada de ver todos apenas como brasileiros. Cada um desses grupos vai receber sua legítima cota, e vai direto para ótimos cargos públicos ou dar aulas nas faculdades. Merecemos essa vantagem, nada mais do que uma reparação pelo domínio dos brancos ao longo dos séculos.

E podemos ficar tranquilos: o povo da Brocha costuma aceitar calado nossas demandas. Nada como uma “elite” culpada, mesmo que de classe média. Basta acusarmos eles de “homofóbicos”, “racistas”, “reacionários”, ou “preconceituosos” que eles logo se intimidam e recuam. Sempre funciona acusar alguém que não é nada disso dessas coisas feias. O verdadeiro homofóbico ou racista não liga, mas a turma da Brocha entra em pânico.

Eis nosso grito revolucionário: minorias do mundo todo, uni-vos! Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata. Alguns podem estranhar eu ser homem e branco. Mas Chico Buarque é branco, com olhos claros, rico e heterossexual, e é aclamado pela Mula. Somos nós contra eles. Só há identidade no grupo. Abaixo o indivíduo! Socialismo ou morte! A morte dos que discordam, claro.

União instável

Dora Kramer 
 Estado de S.Paulo

A queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff, associada à piora da sensação de bem-estar em decorrência da redução do poder de compra devido ao aumento da inflação, mostra o quanto se ilude quem acreditar que o casamento do eleitorado com governos do PT é por amor.

Não há expectativa de bom comportamento, coerência nem identificação ideológica envolvida nessa relação. Prova disso é a indiferença dos votantes à viravolta moral e doutrinária de um partido que chegou à Presidência da República prometendo ética na política e mudanças radicais na economia.

Se a geladeira nova está garantida, se o farnel mensal inclui itens antes proibitivos, se dá para viajar de avião, entrar numa agência com R$ 1.000 e sair de lá de carro zero, pouco importa que a mula manque aqui e ali. No terreno das malfeitorias os critérios de aceitação não são rígidos.

Mas quando o bicho começa a claudicar na seara das benfeitorias a coisa muda de figura. Dinheiro não aguenta desaforo e eleitor evita levar prejuízo para casa.

Posto assim, de maneira um tanto rude, é o que se tem como pano de fundo da pesquisa do Instituto Datafolha que no último fim de semana registrou redução de oito pontos nos quesitos "ótimo e bom" na avaliação do governo federal, confirmando outras pesquisas. Oficialmente não registradas, mas ultimamente destrinchadas em gabinetes palacianos e saletas oposicionistas.

Trata-se de um contrato pragmático, como são todos os assinados de tempos em tempos entre governados e governantes. A união não é estável, o que não quer dizer que esteja em via de dissolução. Longe disso. Apenas significa que nada há de especial, de místico ou de inexplicável nessa relação até então resistente às tempestades.

Tudo muito simples: a população começa a se sentir insegura naquilo que para ela é primordial e deixa o desconforto patente nas pesquisas. Há a alta da inflação, mas houve também o episódio do programa Bolsa Família, que levou ao eleitorado mais fiel aos governos petistas a percepção de que a gerência do País não é assim tão competente quanto reza a propaganda.

A queda na popularidade atingiu todas as regiões do País, todas as idades, todos os extratos de renda, todas as faixas de escolaridade, ambos os sexos. O dado não é irrelevante como por dever de ofício avaliaram porta-vozes oficiais.

O abalo é expressivo, principalmente para governo que vem se desgastando no quesito credibilidade e sustenta-se no pilar da popularidade que, por sua vez, tem seu alicerce mais forte na sensação de que o Brasil chegou ao paraíso nas asas do monopólio da sensibilidade social do qual o PT se presume detentor.

Como isso é uma ilusão, mais cedo ou mais tarde as pessoas iriam começar a cair na real. Espaço para recuperação de popularidade Dilma Rousseff tem de sobra. A questão é como atuará daqui em diante para recuperar confiabilidade. Tarefa muito mais difícil, principalmente em ambiente de aflição eleitoral - péssimo conselheiro quando as circunstâncias restringem a margem de manobras para bondades.

A perda na avaliação do governo refletiu-se, por óbvio, nas intenções de voto. Era de 58% dos votos o patrimônio de Dilma em março e hoje é de 51%. Ótimo ainda. Naquele critério de que "se a eleição fosse hoje", ganharia no primeiro turno.

Uma ficção, em verdade, pois equivaleria a acreditar que os oponentes não conquistariam nenhum eleitor quando a campanha efetivamente começar. É possível que se comece a falar de novo na hipótese da candidatura do ex-presidente Lula.

Convém, no entanto, prestar atenção aos números: se Dilma tem 51% no melhor cenário, na hipótese mais favorável Lula aparece com 55%, o que não projeta garantia de salvação da lavoura. 

O Ponto e a Curva

Almir Pazzianotto Pinto*
Brickmann & Associados Comunicação

Não me pareceu apropriada discreta censura feita ao acórdão proferido no processo conhecido como "mensalão", qualificado como duro e, curiosamente, apontado como "um ponto fora da curva". Não foi a avaliação feita, de maneira geral, madura e eloquente, pela população, desde as camadas populares.

Não foi a avaliação feita, de maneira geral, madura e eloquente, pelo população, desde as camadas populares.

São incomuns casos como o do Ministro do Supremo Tribunal Federal, o Dr. Luís Alberto Barroso, titular de esplêndida carreira enquanto advogado, professor emérito, jurista de renome. Sabatinado pelo Senado, S. Exa. correspondeu às expectativas satisfazendo, como era de se esperar, as exigências constitucionais de reputação ilibada e notável saber jurídico.

S. Exa. tomará assento na mais Alta Corte saudado pela Ordem dos Advogados, integrantes do Poder Judiciário, membros do Ministério Público, jornalistas e políticos. Trata-se de rara aprovação unânime, sobretudo porquê, à espera do novo Magistrado, estará a Ação Penal nº 470-MG , de excepcional relevância na longa história do STF. 
Ligado há mais de cinquenta anos ao mundo do direito, formo entre aqueles que entendem que a Justiça e, portanto, todos os brasileiros que nela conservam fé, se enriquece com a presença do Dr. Roberto Barroso.

Algo, todavia, nas primeiras declarações feitas por S. Exa. à imprensa, me desperta pequena dose de preocupação. Não me pareceu apropriada discreta censura feita ao acórdão proferido no processo conhecido como "mensalão", qualificado como duro e, curiosamente, apontado como "um ponto fora da curva".

Não foi a avaliação feita, de maneira geral, madura e eloquente, pela população, desde as camadas populares. Não; durante longos meses manteve-se colada a aparelhos de televisão e rádio, às revistas e jornais, para aplaudir, e até se surpreender, com a independência e coragem dos votos pela condenação, e em manifesta discordância daqueles que absolviam.

De súbito, o relator do feito, Ministro Joaquim Barbosa, se fez conhecido e elogiado como raro exemplo de desassombro e dignidade. Homem genuinamente simples, que se alçou à posição que ocupa graças à força de vontade e trabalho, S. Exa. pertence ao reduzido número daqueles que se conservam fiéis às origens, e dá repetidas demonstrações de que se empenha em satisfazer os anseios de justiça para todos.

Dir-se-á que o povo não deve opinar a respeito de fórmulas e filigranas processuais, por ser leigo e ignorante. Discordo. Ninguém melhor do que ele, sofrido e indefeso, está apto a diferenciar o certo do errado, o justo do injusto, a honestidade da corrupção. 

O mensalão - palavra incorporada ao léxico e, em breve, dicionarizada - foi julgado em foro privilegiado, essa anomalia do Estado Democrático de direito, criada para favorecer elites políticas que se recusam a ser julgadas por modesto juiz de primeira instância.

Os réus, salvo, talvez, uma ou duas exceções, são defendidos por renomados criminalistas. Se algo não houve, no decorrer do processo, foi preocupação com celeridade. Tudo se fez com vagar. Os recursos previstos foram livremente utilizados, sustentações orais se estenderam, requerimentos, mesmo esdrúxulos, tolerados, exatamente para que não se pudesse alegar impedimento de defesa. Não bastasse, cerebrina interpretação dos textos faculta aos condenados permanecer em liberdade, e desenvolver campanhas destinadas a arrebanhar massas em favor da absolvição.

O Supremo não endureceu. Em ocasiões semelhantes é que procedeu de forma leniente. Afinal, a corrupção está apenas nos municípios? Quantas proeminentes figuras do Executivo, Legislativo, e Judiciário, foram condenadas e cumprem pena?

Na história recente do Tribunal não se registra decisão mais questionável do que a proferida no caso Cesare Batistti? O terrorista italiano, condenado à prisão perpétua em seu País, pelo assassinato de inocentes, ganhou liberdade e vive tranquilamente entre nós, embora não possa regressar à pátria. 

Já se manifestam os primeiros sinais de desconfiança, imaginando-se que algo se prepara para colocar em liberdade os réus, restabelecer-lhes os direitos políticos, permitir-lhes disputar eleições em 2014.

João Mangabeira, referindo-se ao procedimento do Supremo na Velha República, no livro "Ruy - O Estadista da República", afirmou, e ninguém ousou desmenti-lo: "O órgão que, desde 92 até 937, mais falhou à República, não foi o Congresso. Foi o Supremo Tribunal".

Ao julgar o "mensalão", iniciado sob a presidência do Ministro Ayres Brito, o Supremo emitiu claro aviso de mudança, para dizer ao povo que fará valer o princípio da igualdade de todos perante a lei. Privilégio de foro não pode se traduzir em julgamento privilegiado. 

(*) Almir Pazzianotto Pinto - é advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do TST.

Não deixem o BC sozinho

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

Em entrevista publicada no Estadão de sábado, o ex-ministro Delfim Netto advertiu para a inadiável necessidade de arrumar as contas públicas. Sem ajuda da política fiscal, disse ele, o Banco Central será obrigado a puxar os juros básicos para dois dígitos.

A condução da política fiscal (receitas e despesas do governo) está em deterioração. É o que o Banco Central vem denunciando há meses quando escreve em seus documentos que "a política fiscal é expansionista".

No final de 2012, a Fazenda recorreu a truques contábeis para fingir que cumpriu suas metas e, neste ano, além de aumentar as despesas mais do que o avanço do PIB, vai antecipando artificialmente as receitas e adiando o que pode as despesas. Além disso, o Tesouro assume compromissos de impacto pouco transparentes sobre as contas públicas como a derrubada dos juros cobrados nas generosas e pouco explicadas transferências ao BNDES.

Por declarações do secretário do Tesouro, Arno Augustin, já sabemos que o governo não se sente obrigado a cumprir à risca a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Está determinado a operar o fole do Tesouro supostamente como instrumento de políticas anticíclicas, que nunca vão nas duas direções, mas sempre na de maiores despesas.

A combinação de políticas econômicas do governo Dilma fracassou. Produziu um crescimento econômico pífio, uma inflação que agora vai perfurando o teto dos 6,5% em doze meses, um rombo crescente nas contas externas e uma indústria cada vez mais atacada pela osteoporose econômica.

Para uma decisiva correção de rumos, não basta a reconversão do Banco Central a sua função original de guardião da moeda, da qual estava afastado. Seus dirigentes acreditaram nas juras das autoridades do Ministério da Fazenda de que praticariam uma política fiscal responsável capaz de garantir um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 3,1% do PIB, ou de R$ 155,9 bilhões neste ano. Vai ser preciso que o Tesouro faça a sua parte.

Quanto mais austeridade obtiver na condução de sua política fiscal, mais autonomia o governo reconquistará para cumprir seus objetivos. Terá mais fôlego para conduzir sua política social; terá mais espaço para reduzir os juros (ou não aumentá-los); mais recursos sobrarão para o investimento público; e mais folga terá para conduzir uma política cambial mais adequada para os interesses do sistema produtivo.

Uma das razões pelas quais a agência de classificação de risco Standard & Poor's avisou que o Brasil está para perder o grau de investimento para seus títulos é essa deterioração da administração fiscal. E a perda do grau de investimento implica alta dos juros cobrados não só pelos títulos públicos, mas também pelas dívidas do setor privado.

O voluntarista governo Dilma não está levando a sério os princípios republicanos que pedem austeridade e, sobretudo, transparência na condução dos recursos que são de toda a Nação e não instrumento de experimentação dos governantes da hora. A forte perda de apoio político que a presidente Dilma vai amargando tem a ver com tudo isso.

A liberdade de Magda

Octávio Costa 
Brasil Econômico

Em pouco mais de seis meses, o jornalismo econômico perdeu três de seus decanos. Em novembro, partiu Joelmir Beting aos 75 anos, o homem que tornou acessível aos leitores os meandros da economia.

Em maio, veio a despedida de Alberto Tamer, um dos pioneiros da cobertura especializada na grande imprensa. Fez parte da famosa equipe do Estadão liderada pelo austríaco Frederico Heller, da qual também participou Robert Appy, que morreu na última sexta-feira, aos 87 anos.

De origem francesa, Appy chamava atenção nos eventos importantes, quando dialogava com autoridades e ministros de Estado, com seu inseparável cachimbo na mão. Nós, bem mais jovens, aprendemos a olhar para o trio com respeito e admiração.

Antes de ampliar o espaço nos veículos de grande circulação entre anos 60 e 70, a cobertura de economia já existia em órgãos tradicionais como o centenário Jornal do Commercio, no Rio de Janeiro, e a Gazeta Mercantil em São Paulo.

Dessas redações, saiu a fornada de profissionais que ajudou a consolidar as novas editorias no Correio da Manhã, no Jornal do Brasil, no Globo, na Folha e no Estadão.

Conta-se que jornalistas especializados em política também foram atraídos para os fatos econômicos. Em plena ditadura militar, com a imprensa sob forte censura, não fazia muito sentido dedicar o tempo à caça de notícias que não podiam ser publicadas.

Repórteres e redatores tarimbados decidiram, então, mudar de ares e se especializar em macroeconomia e finanças.

Enquanto as editorias recém-criadas se dedicavam a textos técnicos sobre Bolsas de Valores, open market e o mundo dos negócios, não havia maiores problemas com os censores.

Mas à medida que a área passou a debater os equívocos da política econômica, o cerco apertou. Não escapou sequer o conservador Jornal do Commercio, onde a equipe de censores era comandada pelo major Nilton Cerqueira, que se vangloriava de ter matado Carlos Lamarca.

Eram proibidos temas como concentração de renda, dívida externa, inflação e crises do sistema bancário. A economia ia bem, o resto era intriga de inimigos do regime autoritário. Uma das autoridades que se esmerou em pedir cabeça de jornalistas foi o então ministro da Fazenda, Delfim Netto, hoje curiosamente reverenciado por quadros importantes do PT.

A blindagem da ditadura militar não se restringia à macroeconomia. Censuravam-se também as notícias de negócios, principalmente as que envolviam empresas estatais como Vale e Petrobras.

A respeito dessas duas, não se podia ir além dos comunicados oficiais. Os repórteres que se atreviam eram processados ou tinham de se apresentar à 5ª Sessão do Exército, no Comando Militar do Leste, para dar explicações.

Os generais consideravam, por exemplo, crime contra a segurança nacional revelar os principais países fornecedores de petróleo para o Brasil e o valor das importações da Petrobras. Quando esses números vazam, faziam pressão contra os autores das reportagens.

Tudo isso vai longe. Hoje, com a liberdade de imprensa, nada impede que se escreva sobre as reservas de petróleo e os desafios da Petrobras. Por isso, a entrevista da presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Magda Chambriard, ao Brasil Econômico, chega a surpreender pela total transparência. Mas é o que se espera das autoridades na plenitude democrática.

Real tem 5.ª maior desvalorização do mundo desde o início de maio

Fernando Nakagawa
Agência Estado

Entre 30 moedas pesquisadas, HSBC aponta que a brasileira perdeu 6% de seu valor 

LONDRES - Entre as 30 moedas mais importantes do planeta, o real brasileiro é a quinta que mais se desvalorizou ante o dólar norte-americano desde 1º de maio. A constatação é de uma pesquisa do banco britânico HSBC. Nesse período, a divisa brasileira perdeu mais de 6% do valor, segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira na capital britânica. A África do Sul é o país que amargou a maior queda no período e o rand já acumula recuo de 12% ante a moeda dos Estados Unidos.

O HSBC acompanhou a variação de 30 moedas nas últimas semanas. Nesse grupo, países exportadores de commodities e emergentes foram os principais prejudicados pelo movimento do mercado global de câmbio. Além da desvalorização da divisa sul-africana na casa de dois dígitos nos últimos dias, o levantamento mostra que o dólar australiano, a rupia indiana, o dólar neozelandês e o real brasileiro compõem a lista das cinco moedas com maior perda de valor desde 1º de maio.

O banco britânico atribuiu o movimento especialmente aos Estados Unidos. "A linha que une o trauma dos mercados emergentes tem origem nos EUA. É uma combinação de fatores que inclui a preocupação com a redução do relaxamento quantitativo, o que pode significar menor fluxo para os emergentes, e a possibilidade de aumento dos rendimentos nos EUA", dizem os economistas do banco com sede em Londres. Há, ainda, preocupação com o Japão. "Também pode haver algum mal-estar com o programa de estímulos do Japão que pode não ter mais o aumento esperado", dizem os economistas em relatório.

Os economistas da casa reconhecem que alguns fatores locais potencializam o movimento em alguns países. O HSBC cita como exemplo o quadro político na Turquia e África do Sul e a deterioração das contas externas em outros mercados, sem citar nomes. Apesar disso, a instituição afirma que o principal motivo dessa desvalorização está mesmo nos efeitos da retomada da economia norte-americana.

"Diante de um dólar mais forte, mercados emergentes poderiam ter uma ajuda de competitividade para exportar, mas a possibilidade de ganho crescente em dólar gera preocupação sobre uma desaceleração na entrada de capitais nesses mercados", diz o documento, que avalia que esse ganho de competitividade dos emergentes no comércio exterior acabaria sendo anulado pela preocupação com a menor oferta de financiamento externo.

Das 30 moedas acompanhadas, apenas seis registraram valorização na comparação com o dólar desde 1º de maio: libra esterlina, coroa norueguesa, florim húngaro, yuan chinês, euro e, na liderança, a coroa checa, com valorização de cerca de 1% nas últimas semanas.

Dólar rouba lucro de empresas

Roberta Scrivano, João Sorima Neto, Gabriela Valente e Martha Beck 
O Globo

Alta da moeda eleva dívidas em R$ 5,69 bi, equivalente a um quarto dos ganhos corporativos

SÃO PAULO e BRASÍLIA - A forte oscilação do dólar — que ontem obrigou o Banco Central a intervir duas vezes no mercado para segurar as cotações — ameaça fazer estragos no caixa das empresas que dependem de financiamento externo ou de equipamentos importados. Levantamento feita pela consultoria Economatica com 195 companhias com ações negociadas em Bolsa indica um aumento potencial de R$ 5,690 bilhões na parcela das dívidas em moeda estrangeira entre o fim do primeiro trimestre e o último dia 10. O valor equivale a pouco mais de um quarto do lucro líquido acumulado pelas mesmas empresas entre janeiro e março, de R$ 20,1 bilhões. Para fazer a projeção, a Economatica considerou que não houve mudanças no valor total dos débitos no período.

Ontem, o dólar atingiu a máxima de R$ 2,167. O BC fez dois leilões de swap cambial, operações que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro. Desta vez, a autoridade monetária vendeu US$ 2,237 bilhões nos dois leilões, mas ainda assim a moeda americana manteve a trajetória de alta frente ao real durante a manhã. Só no meio da tarde, com a expectativa de que o governo pudesse anunciar medidas para atrair capital externo para o país, a cotação passou a ceder e fechou a R$ 2,136 na venda, uma queda de 0,55%.

A notícia de uma reunião entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, alimentou rumores entre as mesas de operação de câmbio de que o assunto dólar estaria na pauta. Entre as medidas esperadas, está a extinção da alíquota de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide sobre posições vendidas de dólar no mercado futuro.

A Economatica aponta os setores de alimentos, têxteis, supermercadista e de energia elétrica como os principais prejudicados com o aumento dos níveis de endividamento. Sem contar a Petrobras, única do setor de petróleo na listagem e que, sozinha, viu seu endividamento em moeda estrangeira subir R$ 2,63 bilhões desde o fim do primeiro trimestre.

Para se proteger das fortes oscilações, as empresas costumam recorrer a operações de hedge, que através de operações no mercado futuro servem para compensar a volatilidade da moeda. Exportadores (com receita em dólar) também contam com uma proteção “natural”. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), explica que em seu setor o hedge das empresas é feito no próprio caixa, com as exportações.

— Precisamos de estabilização. A oscilação violenta como a que estamos vendo é muito prejudicial às empresas — defendeu ele, lembrando que a última vez que seu setor registrou superávit na balança comercial foi em 2005, quando o dólar valia R$ 2,43.

Até o fim do ano passado, dado mais recente do Banco Central, o setor privado acumulava nada menos que US$ 327 bilhões em dívidas com bancos, organismos internacionais e empréstimos entre companhias. Trata-se do patamar mais alto de endividamento privado em dólares desde que o BC começou a registrar os dados, em 1972.

Em julho de 2008, no auge da crise financeira internacional, as empresas deviam US$ 211,9 bilhões. Na época, a disparada do dólar por causa das turbulências provocou prejuízos milionários de grandes exportadoras que apostaram suas fichas na valorização do real.

Agora, a dívida se aproxima do nível de reservas internacionais do país. Hoje, o Brasil acumula uma poupança de US$ 375,4 bilhões. Esse estoque de dólares no cofre do BC protege o país contra as turbulências financeiras internacionais. Em 2008, a autoridade monetária usou parte desse dinheiro para prover liquidez ao mercado e aos exportadores e, assim, evitar um efeito ainda maior da crise na economia.

Para o especialista em câmbio Sidnei Nehme, não há risco de o país reviver os graves problemas daquela época porque as companhias estão mais cautelosas e fazem contratos no mercado futuro para se proteger da variação cambial:

— Só que agora pagam mais para fazer hedge e se proteger — disse.

Mesmo assim, analistas apostam na retirada do IOF sobre derivativos para atrair capital especulativo para o país e suprir a necessidade de dólares no mercado. Desde 31 de maio, o BC já fez seis leilões de swap cambial injetando no mercado US$ 6,640 bilhões, mas a moeda segue em tendência de alta. Especialistas dizem que os leilões não têm força para deter a valorização da divisa americana.

— O cenário continua de alta para o dólar, por aqui e no exterior, e enquanto o BC continuar fazendo esses leilões de lotes pequenos a uma taxa que não interessa ao mercado, a moeda vai subir. A divisa mudou de patamar e chega fácil aos R$ 2,16 — disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

A valorização do dólar pressionou os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), já que esse movimento alimenta a inflação, obrigando o BC a realizar uma política monetária mais restritiva. A perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode reduzir o programa de estímulo à economia e que o BC japonês não tome medidas de incentivo no curto prazo também fizeram com que investidores locais e estrangeiros saíssem da renda fixa no Brasil. O contrato com vencimento em janeiro de 2014 subiu de 8,64% para 8,70%.

Sob pressão do câmbio, governo retira IOF de operações de derivativos

Eduardo Campos, Leandra Peres e Lucas Marchesini
Valor


BRASÍLIA  -  Depois da recente valorização do dólar perante o real, o governo brasileiro anunciou na noite desta quarta-feira uma medida de flexibilização das regras de controle cambial. Foi retirada a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a ampliação de posição líquida vendida no mercado de câmbio, decisão válida a partir de amanhã.

Essa cobrança foi instituída em 27 de julho de 2011, época em que a posição vendida (aposta contra o dólar) dos estrangeiros na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) marcou recorde histórico acima dos US$ 24,6 bilhões. Na ocasião, foi fixado um IOF de 1% sobre a ampliação líquida de posição superior a 1%. Foi a medida de maior efeito no mercado - ao longo dos meses seguintes essa “aposta” foi zerada, passando para posição comprada (aposta no dólar) no começo de outubro.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsável pela divulgação, hoje o cenário mudou e “temos, ao invés de uma desvalorização do dólar, uma valorização da moeda. Então, não faz sentido manter esse empecilho”. A nova conjuntura, lembrou ele, é provocada pela acomodação do mercado cambial mundial e pelas novas diretrizes do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que pode começar a apertar sua política monetária. Ao retirar essa cobrança de IOF, Mantega espera que aumente a oferta de dólares no mercado futuro, com a consequente redução da pressão sobre o real.

A medida já era esperada ontem pelo mercado, mas a demora no anúncio e a ausência do Banco Central nas operações do dia fizeram o dólar encerrar o pregão de hoje com alta de 0,84% em relação ao real, a R$ 2,1540, a maior cotação desde 30 de abril de 2009.

Mercado cogita novas ações do governo para frear alta do dólar

Veja online

Uma delas é o fim do IOF para investimento estrangeiro em derivativos. Moeda americana bateu 2,16 reais nesta segunda-feira, mesmo com duas intervenções do BC para impedir o avanço da moeda

(Divulgação)
Dólar: moeda bate 2,16 reais nesta segunda-feira 

O dólar fechou cotado a 2,14 reais nesta segunda-feira, depois de bater 2,16, a maior cotação desde abril de 2009, mesmo após dois leilões de venda da moeda americana pelo Banco Central do Brasil. A subida corrobora a tendência de alta do dólar ante a expectativa de mudança da política monetária dos Estados Unidos - o Federal Reserve cogita reduzir seu programa de recompra de títulos públicos e tal movimento poderá reduzir a liquidez no mercado financeiro global. Diante de tal cenário, não só o real, mas grande parte das divisas do mundo têm perdido valor ante a moeda americana. Nesta segunda, todas as moedas latino-americanas perderam valor ante o dólar. A moeda americana se valorizou 1,5% em relação ao iene e fechou estável em relação ao euro.

Segundo o jornal The Wall Street Journal, o fortalecimento da moeda americana poderá pressionar ainda mais o governo brasileiro para que as travas que impedem a entrada de capital externo no país, via mercado financeiro, sejam retiradas. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou o fim do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa no país. A alíquota anterior era de 6%. O movimento de retirada das travas remonta ao final de 2012, quando teve início a trajetória de desvalorização do real.  

Apesar da recente queda do imposto, ainda há uma alíquota de 1% que incide sobre operações no mercado de derivativos feitas por investidores estrangeiros. Na última semana, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, se reuniu com o ministro Mantega para discutir, entre outros pontos, a questão do IOF. Na saída do Ministério, falou a jornalistas que a retirada do imposto sobre investimentos em derivativos "seria positiva para o mercado". Contudo, Pinto evitou se indispor com o governo e afirmou que o ministro sabia o que fazia.

Na avaliação do economista da Gradual Corretora, André Perfeito, o governo pode até retirar novas travas do mercado cambial, mas elas surtirão pouco efeito. "Há motivos domésticos e externos para o real se depreciar. No caso interno, o que mais contribui é a piora da economia. No cenário externo, a expectativa do fim do quantative easing nos EUA. Isso significaria aumento da taxa de juros nos Estados Unidos e pode levar o capital para lá", afirmou Perfeito.

O economista, contudo, acredita que, devido à imprevisibilidade da atuação do governo, a queda do IOF não será uma surpresa - mas poderá ser "queima de cartucho". "Como o cenário interno fraco e o exterior esperando fim dos estímulos dos EUA, o dólar deve se manter alto. Mexer no câmbio agora é cedo", diz.

Emprego fraco revela as dificuldades na indústria

O Estado de S.Paulo

Entre abril de 2012 e abril deste ano, o emprego no setor industrial caiu 0,5%, e 1,3% em relação aos 12 meses anteriores, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do IBGE. Além disso, não cresceu entre março e abril últimos. Os números são tão fracos que os especialistas se esforçam para mostrar que a Pimes também trouxe sinais menos desalentadores.

Por exemplo, os técnicos do IBGE enfatizam que o número de horas pagas pela indústria - após queda durante 19 meses consecutivos, até março - aumentou 1% entre março e abril e 0,1% em relação a abril de 2012. Mas, entre os primeiros quadrimestres de 2012 e 2013, houve queda de 1,3% e, nos últimos 12 meses, comparativamente aos 12 meses anteriores, declinou 1,8%.

Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), "o emprego industrial não está acompanhando a produção industrial". Mas, como há sinais - modestos, segundo o boletim Análise Iedi - de retomada desde março, é possível esperar que "o emprego comece a reagir após a produção apresentar uma trajetória de crescimento mais consistente".

Entre janeiro e abril, a queda do emprego industrial em relação ao mesmo período do ano passado atingiu 4,6% na Região Nordeste (em Pernambuco, foi de 8,6% e na Bahia, 4,7%), chegou a 2,6% no Rio Grande do Sul, mas se limitou a 0,5% em São Paulo. Quedas substanciais foram observadas no item vestuário (-5,5%), calçados e couro (-5,3%), produtos têxteis (-4,6%), outros produtos da indústria de transformação (-4,2%) e madeira (-5,4%).

Os produtos de consumo de massa não essenciais foram mais afetados. Ou seja, a indústria local não pode competir com os importados ou é atingida pela falta de encomendas do comércio, dada a perda de poder aquisitivo da população.

A avaliação do emprego deve ser confrontada com a produtividade - que é baixa, no Brasil. E, nos últimos 40 meses, a folha de pagamento real da indústria aumentou, comparativamente a igual período do ano anterior. A recuperação da indústria, se ocorrer, parece depender de um aumento da produtividade. Mas poderá haver consequências negativas para os trabalhadores - a redução ou, na melhor hipótese, a estabilização do emprego industrial.

O controle de custos é determinante da retomada do investimento. Mas esta depende do que é mais difícil: boa regulação, competição assegurada e eficiência.