sábado, março 03, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Poupança portuguesa
José Paulo Kupfer, NoMínimo

Em encontro com jornalistas, o presidente Lula, no relato de Luiz Rila, do Estadão, gabou-se dos US$ 100 bilhões das reservas cambiais. “Isso é uma conquista”, disse Lula, enchendo o peito.

Com todo o respeito, só se for conquista de dívidas. Qualquer um pode obter conquista semelhante.
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Basta ir num banco, pegar um empréstimo e aplicá-lo num fundo ou num CDB qualquer. Vai pagar mais de 40% ao ano e ganhar uns 15%. Assim para cada R$ 100 “conquistados” passará a dever R$ 25.

Ninguém nega a capacidade de Lula em transformar sal em açúcar, reproduzindo o que se passa na alma do senso comum. Desta vez, ele transformou uma poupança portuguesa – aquela que o cidadão paga para poupar – em conquista.

A “conquista” está custando mais ou menos 0,8% do PIB por ano aos cofres públicos.

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Sabem o que significa a saída de Bevilaqua do BC? Nada!
Reinaldo Azevedo

O que significa a saída de Afonso Bevilaqua da diretoria de Política Econômica do Banco Central? Nada!
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É só uma desculpa que está deixando o cargo. Explico-me. Nestes quatro últimos anos, sempre que petista queria reclamar do BC ou especificamente do Copom, mandava ver: “É coisa do Bevilaqua”. Não é.
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Gostamos de pensar que a diretoria do BC é “independente” mesmo... Lula tem razão quando diz que a política econômica é sua. Para o bem e para o mal. Ou ele só responde pela distribuição de prebendas, enquanto terceiriza as medidas que causam alguns dissabores? Bevilaqua já estava para sair. Não está sendo empurrado por nada ou ninguém, menos ainda por alguma hostilidade enfrentada no governo.
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Paulo Nogueira Batista, por exemplo, indicado por Guido Mantega (Fazenda) para representar o Brasil numa diretoria do FMI, já lhe dirigiu críticas contundentes. Dá para pensar algo como “Entra Nogueira, sai Bevilaqua”? Não. De resto, nem sai correndo. Fica até a próxima reunião do Copom. Passada a quarentena de quatro meses, volta para o setor privado. Não vai ficar desempregado.

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Violência: a justificativa delinqüente de Lula
De O Globo:

"Se para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "o mal já está feito" na questão da segurança pública e a violência "é uma questão de sobrevivência", para especialistas ouvidos pelo GLOBO o atual governo tem responsabilidade sobre a crise no setor. E tem também a prerrogativa de resolver os impasses que entravam as soluções para diminuir a violência no país. Para o criminalista Luiz Flavio Gomes, ex-promotor e ex-juiz paulista, cabe ao presidente mudar o quadro:

É verdade que o mal já está feito, mas cabe ao próprio presidente mudar isso. A visão dele é conformista — afirmou.

O juiz e ex-secretário nacional antidrogas Walter Maierovitch classificou as declarações do presidente, dadas anteontem, em Pernambuco, de "escapismo". Para ele, Lula não tem proposta para o setor, por isso recorre a frases de efeito.

Isso é escapismo de quem não tem uma política na área segurança pública ou de quem tem medo de agir. O Lula vem com essa história de que nada pode ser feito a curto e médio prazo. O fato é que ele não projeta nada para o futuro — disse Maierovitch.".

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Vigiar e punir
Xico Sá, NoMínimo

O nobre parlamentar Paulo Maluf (PP), o mais votado de SP, que já enfrentou por alguns dias a cadeia –a prisão especial, claro-, aproveitou a onda de revolta contra a violência e fez também o seu projetinho sobre o aumento da pena dos menores infratores. Maluf, vejam só, foi quem mais carregou nas tintas: pediu 20 anos de reclusão, dobrando a proposta dos governadores do Sudeste. E o dotô Paulo, como é tratado na sua corte, quantos anos mereceria pelo conjunto da obra na vida política?

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lembrando que o nobre parlamentar já é infrator “dimaior”, e jamais poderá alegar em sua defesa que “fiz o que fiz porque a sociedade me obrigou” !!!!!!!

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Contra a CPI do apagão aéreo
Da Folha de S.Paulo:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e a deputados aliados que trabalhem para evitarem a instalação de uma CPI do apagão aéreo.

Parte da base governista, insatisfeita com a eleição de Chinaglia e com a demora da reforma ministerial, deu assinaturas suficientes para o requerimento de criação.

Lula teme que a CPI, se instalada, transforme-se em trincheira da oposição e dificulte a aprovação de projetos como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Aliados disseram a Lula que a CPI pode se transformar em nova "CPI do Fim do Mundo", apelido dado à antiga CPI dos Bingos pelo amplo leque de investigações.

Agora, teme-se que a CPI investigue, por exemplo, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula que atuou como advogado da Transbrasil e da Varig."

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PR papão
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo:

"O expansionismo desenfreado do PR, fusão do mensaleiro PL com o Prona, apavora a oposição e impressiona até mesmo as demais siglas da base. O finado PL tinha 34 deputados na legislatura passada.
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Elegeu 23. Ganhou 2 do Prona. Ontem chegou a 35, e na semana que vem deve bater nos 42. O plano é atingir 50. "Vamos ser o terceiro partido da Câmara", prevê o líder Luciano Castro (RR). A série de aquisições será coroada com a filiação do ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), em fase final de negociação.

Do outro lado do fluxo migratório, murcham PFL e PPS. Acuados, oposicionistas lembram que o inchaço de legendas aliadas, entre elas o próprio PL, esteve na gênese do mensalão no primeiro governo Lula."

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Falou e disse:

"Parece estar acontecendo uma deterioração dos costumes eleitorais. O alto custo das campanhas à reeleição sem afastamento do cargo, o assistencialismo substituindo políticas e serviços públicos e a carência da população favorecem a disputa sem regras pelo poder."


Rogério José Bento Soares do Nascimento, procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro.

Deu na Internet...

Rola na internet a seguinte questão: "O frango atravessou a estrada. Por quê?"

Respostas plausíveis

* Da professora primária: "Porque o frango queria chegar ao outro lado da estrada".

* Da criança: "Porque sim".

* De Platão: "Porque buscava alcançar o Bem".

* De Aristóteles: "É da natureza do frango cruzar a estrada".

* De Marx: "O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos capazes de cruzar a estrada".

* De Martin Luther King: "Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos são livres para cruzar a estrada sem que sejam questionados sobre seus motivos".

* De Freud: "A preocupação com o fato de o frango ter cruzado a estrada é um sintoma de insegurança sexual".

* De Darwin: "Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo selecionados de forma natural, de modo que, agora, possuem uma tendência genética a cruzarem as estradas".

* De Einstein: "Se o frango cruzou a estrada ou a estrada se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo".

* Do Maconheiro: "Foi uma viagem..."

* Da senadora Heloísa Helena: "A culpa é das elites dominantes, caucasianas e aristocráticas que usurpam dos frangos a capacidade de luta em defesa dos seus direitos".

* De Severino Cavalcanti: "Desafio alguém que prove que o frango atravessou a estrada. É mentira... É tudo mentira".

* De Roberto Jefferson: "Atravessou! Atravessou e todo mundo sabia que ele atravessaria, todo mundo viu e ninguém fez nada. Eu vi ele atravessar!"

* De feministas: "Para humilhar a franga, num gesto tipicamente machista; provar que, como franga, jamais teria habilidade suficiente para cruzar a estrada".

* De Datena: "É uma pouca vergonha... Uma barbaridade...Põe no ar... Põe no ar aí as imagens do frango atravessando a estrada".

* De Fernando Henrique Cardoso: "Por que ele atravessou a estrada, não vem ao caso. O importante é que, com o Plano Real, o povo está comendo mais frango".

* De Paulo Maluf: "O meu governo foi o que construiu mais passarelas para frangos. Quando for eleito de novo são os galinheiros deste lado da estrada que vou construir. Para o frango não ter mais que atravessar a estrada".

* De Caetano Veloso: "O frango é amaro, é lindo, uma coisa assim amara. Ele atravessou, atravessa e atravessará a estrada porque Narciso, filho de D.Canô, quisera comê-lo ou não!"

* De Galvão Bueno: "Bem amigos da Rede Globo... O frango é brasileiro! É o Brasil atravessando a estrada! Haja coração!!!"

* De Lula: "Porque queria se juntar aos outros mamíferos".

Pedido o bloqueio dos bens de Gilberto Carvalho

Veja online

O Ministério Público Estadual pediu o bloqueio dos bens do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, do PT nacional e de outras seis pessoas acusadas de participar de um suposto esquema de corrupção na prefeitura de Santo André, na Grande São Paulo. A ação civil pública contendo o pedido foi distribuída na quinta-feira para a 7.ª Vara Cível do Fórum de Santo André. Os promotores responsáveis pelo processo sustentam que um grupo de empresários e agentes políticos municipais violou a Lei de Improbidade Administrativa.

A ação relata que o então secretário de Serviços Municipais de Santo André, Klinger Luiz de Oliveira Sousa, liderava uma quadrilha que extorquia dinheiro de empresários do setor de transportes da cidade entre 1997 e 2001. Sob pena de sanções, os empresários eram obrigados a pagar mensalmente à quadrilha 500 reais por ônibus que circulava na cidade. Os promotores estimam que em quatro anos a quadrilha extorquiu 5,3 milhões de reais dos empresários.

Segundo as investigações, o dinheiro seria usado para financiar campanhas eleitorais do PT e chegava à direção nacional do partido por meio de Gilberto Carvalho. Na época, ele era secretário de governo de Santo André. Para o Ministério Público, o esquema de corrupção motivou o assassinato do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002. Os promotores alegam que Daniel sabia do esquema, e tentou barrar a ação da quadrilha.

O bloqueio pedido pelo MP é uma forma de garantir o ressarcimento dos 5,3 milhões de reais aos empresários vítimas do suposto esquema, além do pagamento de multa de até três vezes o mesmo valor ao poder público. Por meio de sua assessoria, Gilberto Carvalho disse à reportagem do jornal Folha de S. Paulo que só vai se pronunciar quando tiver conhecimento da ação e que "está com a consciência tranqüila".

A assessoria do PT disse que o partido ainda não tomou conhecimento da ação e ainda vai se reunir para discutir o que será feito. O promotor Roberto Wider explicou que o Ministério Público decidiu instaurar a ação civil por improbidade administrativa porque "a quadrilha agia como um braço da administração municipal para praticar crimes".

O que o PIB de 2006 nos mostra

por Luiz Carlos Mendonça de Barros, na Folha
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A divulgação, pelo IBGE, dos números sobre o PIB de 2006 é uma oportunidade muito rica para olharmos com profundidade para a economia brasileira. É impossível, na era da nossa sociedade midiática, fugir da avaliação superficial que temos hoje na imprensa. O crescimento de 2,9% no último ano do primeiro mandato de Lula, e que será o centro das notícias e opiniões nos próximos dias, é o que menos importa no relatório do IBGE. Outra parte dominante das discussões é a clivagem -bom ou ruim- sobre nossa economia no ano passado. A imagem que passaria ao meu leitor é a de um copo meio cheio, meio vazio. Ela acomoda otimistas e pessimistas ao mesmo tempo.Portanto minhas reflexões de hoje pretendem fugir desse lugar-comum e trazer alguns comentários que auxiliem na compreensão, com mais profundidade, de como anda o pulsar de nossa economia.
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Nesse sentido, a informação mais importante nos números divulgados é a de que a carga tributária aumentou mais uma vez.
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O IBGE divulga dois números relativos ao crescimento em 2006: preços sem impostos e com impostos. No primeiro caso, o PIB cresceu 2,7%, e, no segundo, 2,9%. Ou seja, a parcela do governo no bolo da economia cresceu novamente em 2006. Essa mesma informação, captada por uma instituição privada, está também na imprensa. Segundo o IBPT, os números do IBGE mostram que a carga tributária no Brasil passou, entre 2005 e 2006, de 37,8% para 38,8% do PIB.
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Explico por que, para mim, essa é a informação mais importante e a mais negativa nos números divulgados. A carga tributária e o volume de gastos do governo obrigam o Brasil a ter o sistema tributário mais irracional e antimercado entre as nações do mundo emergente. É esse aleijão o maior limitador para que possamos crescer como nossos competidores. Por isso, a informação que tanto o volume de impostos pagos como o de gastos do governo aumentou mais uma vez assume esse papel tão importante. Se isso é correto, estamos aumentando as restrições ao nosso crescimento mais vigoroso.Outra informação negativa em relação ao crescimento é que o vazamento para fora da demanda interna está se acelerando e chegou a 1,4% do PIB no ano. Colocado em um gráfico trimestral, o crescimento desse vazamento é monotônico, embora os dados de janeiro já disponíveis mostrem uma pequena desaceleração. É evidente que a contrapartida disso é a expansão acelerada do consumo e do investimento, com crescimento de 3,8% e 6,3%, respectivamente. O consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu a taxas superiores a 9%.
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Esse é um sinal claro de que os investimentos em capacidade produtiva estão em progressão, principalmente nos setores que estão se beneficiando do cenário externo favorável e do aumento sustentado do consumo das famílias.
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Mas há o outro lado, que é a incapacidade da oferta local de acompanhar esse crescimento, que nos remete novamente à questão fiscal e do ambiente de negócios hostil.
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Não é por outra razão que a indústria de transformação, nos números do IBGE, cresceu apenas 1,9% em 2006. Já a indústria extrativa mineral, que está se beneficiando de um impressionante aumento de preços internacionais, cresceu sua produção em 5,6%.
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A questão do aumento significativo do coeficiente de importações, principalmente na indústria manufatureira, e seus efeitos sobre a produção passaram a ser um item importante do debate econômico, o que acho muito bom. Nesse sentido, duas estatísticas recém-divulgadas devem jogar mais lenha na fogueira: os dados de fevereiro mostram que o saldo de nosso comércio exterior está acelerando novamente para algo como US$ 47 bilhões anuais, bem acima das projeções para este ano; e as compras de dólar pelo Banco Central continuaram mesmo durante a crise dos últimos dias, levando nossas reservas para mais de US$ 101 bilhões.
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Outro dado que precisa ser acompanhado com cuidado é o comportamento dos estoques do setor produtivo. No último trimestre de 2006, houve um aumento importante, que adicionou 0,5% ao crescimento do PIB no período.
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Não procede, portanto, a teoria de que os estoques estavam contribuindo negativamente para com o crescimento.

O sistema dois em um

por Dora Kramer, no Estadão
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O presidente Luiz Inácio da Silva mal (nem bem) consegue dar conta de suas atribuições no comando do Poder Executivo e já se propõe também a presidir o Congresso Nacional. Com o beneplácito dos presidentes da Câmara e do Senado, que nada tiveram a opor à proposta do presidente de se reunirem os três, todas as segundas-feiras, para discutir a pauta de votações do Poder Legislativo.E o mais surpreendente é que a tendência geral é achar a idéia não apenas natural, como muito positiva, pois sinalizadora da disposição presidencial de governar com afinco e interesse.
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A fim de subtrair a naturalidade do que não é institucionalmente normal, raciocinemos: e se o presidente da República propusesse uma reunião semanal com o presidente do Supremo Tribunal Federal para tratar dos assuntos em pauta no Judiciário?
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Obviamente, concluiríamos que sua excelência estaria extrapolando, buscando interferir em outro Poder, atuando como fator de desequilíbrio entre as instâncias superiores da República.
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E por que no que tange ao Parlamento a sugestão não soa absurda? Porque o Poder Legislativo há muito se comporta como anexo do Palácio do Planalto: não exerce sua prerrogativa constitucional de examinar a urgência e relevância das medidas provisórias na porta de entrada, aceitando todas e reclamando depois, não toma iniciativas de caráter legislativo, deixando essa função ao Executivo, e condiciona suas posições de voto à distribuição de cargos nos ministérios e empresas públicas.
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Em princípio, não caberia ao presidente do Senado, Renan Calheiros, nem ao da Câmara, Arlindo Chinaglia, impor ao presidente o constrangimento de recusar tal proposta. Uma questão de civilidade e preservação das boas relações institucionais. Caberia, sim, ao presidente da República impor a si mesmo alguma noção de limite e sequer cogitar da idéia de formar com eles um triunvirato a partir do qual emanam decisões que não lhe cabe tomar.
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São 513 os deputados, 81 os senadores e 20 os partidos representados, todos escolhidos para legislar, fiscalizar o Executivo, encaminhar com autonomia as proposições de interesse nacional e não para serem substituídos por uma instância paralela criada pelo chefe da Nação para conduzir os trabalhos.
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Se não é isso o que está em jogo na proposta presidencial, então se trata de uma simulação de atividade para ocupar atenções.
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Mas, vamos que seja fato e tenha substância a idéia, terá vários efeitos imediatos: anulará a importância das bancadas partidárias, esvaziará o papel dos líderes (meros cumpridores das tarefas combinadas no Palácio do Planalto pela junta diretora das segundas-feiras), eliminará a necessidade de um articulador político, pois a função passa definitivamente a ser exercida pelo presidente da República sem anteparos e consolidará a inutilidade do Conselho Político.Conselho este criado para abrigar os representantes dos 11 partidos da coalizão governista para debater, sugerir e acompanhar as ações de governo e também para dar conseqüência e organização à atuação da base de apoio no Parlamento.Se o presidente pretende resolver as questões atinentes à relação Legislativo-Executivo nas reuniões semanais com os presidentes da Câmara e do Senado, convenhamos, sobrará ao conselho o papel de ouvinte subserviente aos monólogos presidenciais.
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Papel, aliás, que nos encontros das segundas os presidentes da Câmara e do Senado se limitariam a cumprir. Ou alguém acredita seriamente que o PT e o PMDB - partidos dos presidentes das duas Casas - compareceriam ao debate da pauta semanal para contrariar o editor-chefe do Diário Oficial?
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Levada adiante a idéia, Lula concentrará ainda mais poder, governando em sistema dois em um.

Agora vai

Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo

Pronto. Saiu o Afonso Bevilaqua do Banco Central. Finalmente o Brasil vai crescer.

Primeiro, a Heloísa Helena disse que o problema era o Lula. Depois, a esquerda pura largou Heloísa Helena e voltou para os braços do PT: nada de radicalismos, vamos embarcar no segundo tempo do governo popular.

Mas ainda havia um cheiro de neoliberalismo no ar. Decretaram, então, o fim da era Palocci. Baixaram o “desenvolvimentismo” na equipe econômica, com os soldadinhos de chumbo Guido Mantega e Julio Gomes de Almeida. Lançaram o PAC – que, como se sabe, é uma revolução juscelinista em pleno século 21 – e conseguiram emplacar até o bravo Paulo Nogueira Batista Jr. no FMI.

Esses neoliberais agora vão ver o que é bom para a tosse.

Continuava, porém, o mal estar. Aí cresceu a patrulha contra a imprensa burguesa, contra o IBGE, contra o Ipea… Meu Deus, a conspiração da direita vem de todos os lados.

Mas permanecia sobre as cabeças da esquerda pura um horrível céu de brigadeiro. Tudo dando certo, vento a favor – e isso é insuportável para um revolucionário, ainda mais quando o vento assobia com sotaque neoliberal. Só restava então reacender a fogueira da inquisição contra um velho “inimigo”: o Banco Central.

Inimigo entre aspas porque foi quem deu a Lula sua reeleição. Foi quem segurou as pontas das bravatas, dos devaneios ideológicos, da politicagem, mantendo uma política econômica coerente – que podendo estar mais ou menos certa, nunca deixou de ser séria.

O diretor do BC Afonso Bevilaqua vinha sendo um dos principais guardiões dessa coerência. Esse foi o seu pecado. Virou vidraça.

As forças que sustentam o lulismo (e vivem dele) são como criança chorando em tarde de domingo: não sabem o que querem, mas querem muito. E quando não se sabe o que construir, escolhe-se algo para destruir. Melhor do que ficar sem fazer nada.
O interessante (a palavra certa seria macabro) é que a cabeça de Bevilaqua rolou exatamente no momento em que a bolsa de Xangai disse ao mundo que pode começar a dar adeuzinho ao seu céu de brigadeiro. Vão pagar caro pela crença cega na exuberância chinesa, para deixarem de ser bobos.

É torcer pela aterrissagem suave. Porque pouso forçado com essa tripulação de soldadinhos de chumbo em Brasília vai ser filme catástrofe.

Lula x FHC

Carlos Sardenberg , G1
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Como o presidente Lula gosta, eis uma comparação entre o seu primeiro governo (2003/06) e o primeiro mandato de FHC (1995/98). Ambos apresentaram a mesma taxa média de crescimento do PIB, 2,6% ao ano.
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Mas os períodos são muito diferentes. No de FHC, o cenário internacional foi desastroso. Vários países emergentes importantes quebraram. Houve a crise do México de 95, a crise da Coréia de 97, que levou quase todos os países asiáticos, e depois a crise da Rússia, de 98. E ainda em 98 teve a quebradeira dos fundos de investimento em Nova York – tudo isso causando instabilidade, falta de investimentos e juros muito elevados no mercado internacional.
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Em contrapartida, a partir de 2003 – que é o início do governo Lula – a economia mundial entrou no melhor momento em décadas. Para falar a verdade, o cenário mundial está simplesmente brilhante: todas as regiões crescendo, muito investimento, muitos negócios, dinheiro sobrando, juros baixos no mundo inteiro.
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No governo Fernando Henrique, foi remar contra o vento. Além do cenário externo desfavorável, o ambiente interno era difícil. A estabilidade estava sendo construída, não tinha Lei de Responsabilidade Fiscal, não tinha sido feito o saneamento dos bancos, não havia regime de metas de inflação, nem superávit primário – tudo que Lula então criticava e que agora sustenta como seu.

Café da manhã com leite azedo.

Lula descarta disputar um terceiro mandato seguido. Mas quem acredita no mentiroso ?

Durante café da manhã no Palácio do Planalto, Lula conversou com um grupo de jornalistas. Trechos principais do que ele batraquiou, seguido de nossos comentários:

- Coloquem que é impossível (tentar se eleger presidente pela terceira vez consecutiva). Seria brincar com a democracia. Não tem hipótese. Disputei dentro das regras e vou respeitar as regras.

COMENTANDO A NOTICIA: Tempo ao tempo, senhor Lula. Você era contra a reeleição, disse que não faria uso dela. E acabou se candidatando a ela. E de mentiras presidenciais, temos pilhas e pilhas colecionadas ao longo de quatro anos.

- A área econômica está blindada pelo sucesso dela.

COMENTANDO A NOTICIA: Errado. Está blindada pelo momento da economia mundial. Fosse sucesso dela, por que crescemos tão pouco enquanto os outros como menos economia, sem tantas “virtudes” cresceram muito mais?

- Desde a proclamação da República, os fundamentos da economia não estavam tão sólidos.

COMENTANDO A NOTICIA: Se com tanta solidez o país mal consegue crescer melhor do que Haiti, prefiro a falta de solidez que fazia o país crescer muito mais. E se os fundamentos são sólidos tal solidez foi conquistada no governo anterior. Neste, em que o mundo vem empurrando o Brasil, a falta de ação governamental, as mentiras e as palhaçadas, as molecagens, desvios e corrupção é que estão travando o país, que continua com um presidente deitado na rede, sem trabalhar, e de forma esbanjadora vem vivendo às custas do Tesouro, sem cumprir com a missão de trabalhar. É fácil alardear mentiras e demagogia rasteira e barata num povo sem acesso à informação, escravo de um governo criminoso, demagogo e mistificador.

- Eles podem pedir o que quiserem (sobre a reforma ministerial), mas sabem que a última palavra tem que ser do presidente, com base no interesse do País.
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COMENTANDO A NOTICIA: Interesse no país, é, Lula? Ou no seu interesse pessoal de poder ? Deixe de lado esta mistificação vergonhosa e moleque e comece a governar o país tem fato. E no ministério, quem manda são os conchavos partidários. E cadê as reformas do "interesse" do país?

- O que custa para a Volkswagen, por exemplo, contratar 50 jovens? O que custa para o Grupo Gerdau contratar dez jovens em cada uma de suas unidades? Nada.

COMENTANDO A NOTICIA: Custa sim, custa salário, custa treinamento, custa encargos sociais. Na Volks é preciso competência para ser admitido. Ao contrário do governo Lula, onde basta ser amigo do rei para gozar do conforto de uma cargo vagabundo. E na Volks, se a empresa não der lucro, ela quebra e fecha as portas. E deve prestar contas aos seus acionistas. E ela não vive nas mamatas das obrigações acessórias com a qual o governo pode viver e conviver. Apenas um canalha imbecil, que não precisa produzir droga e vive às custas do povo feito cafetão ou gigolô, é capaz de dizer tamanha sandice. A Volks é uma empresa. Não é nem entidade de caridade, nem o governo vagabundo que o PT desempenha.

- Os EUA cometeram o erro histórico de, durante muito tempo, não darem atenção à América Latina.(...) E o Brasil cometeu o erro de ser subserviente durante décadas. Nenhum interlocutor respeita a subserviência.
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COMENTANDO A NOTICIA: É interessante que o camarada que se propõem a mentir que o Brasil livrou-se da subserviência, é o mesmo que não consegue resistir às chantagens de Paraguai, Uruguai, Bolívia e Venezuela, e enterra na lama a dignidade da política externa brasileira, que sempre foi respeitada pelo mundo inteiro. E mais: se é escolher subserviência, prefiro ser dependente de um país como os EUA, do que ficar arrastando o rabo para Fidel Castro, Hugo Chavez e Evo Morales.