Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo
Pronto. Saiu o Afonso Bevilaqua do Banco Central. Finalmente o Brasil vai crescer.
Primeiro, a Heloísa Helena disse que o problema era o Lula. Depois, a esquerda pura largou Heloísa Helena e voltou para os braços do PT: nada de radicalismos, vamos embarcar no segundo tempo do governo popular.
Mas ainda havia um cheiro de neoliberalismo no ar. Decretaram, então, o fim da era Palocci. Baixaram o “desenvolvimentismo” na equipe econômica, com os soldadinhos de chumbo Guido Mantega e Julio Gomes de Almeida. Lançaram o PAC – que, como se sabe, é uma revolução juscelinista em pleno século 21 – e conseguiram emplacar até o bravo Paulo Nogueira Batista Jr. no FMI.
Esses neoliberais agora vão ver o que é bom para a tosse.
Continuava, porém, o mal estar. Aí cresceu a patrulha contra a imprensa burguesa, contra o IBGE, contra o Ipea… Meu Deus, a conspiração da direita vem de todos os lados.
Mas permanecia sobre as cabeças da esquerda pura um horrível céu de brigadeiro. Tudo dando certo, vento a favor – e isso é insuportável para um revolucionário, ainda mais quando o vento assobia com sotaque neoliberal. Só restava então reacender a fogueira da inquisição contra um velho “inimigo”: o Banco Central.
Inimigo entre aspas porque foi quem deu a Lula sua reeleição. Foi quem segurou as pontas das bravatas, dos devaneios ideológicos, da politicagem, mantendo uma política econômica coerente – que podendo estar mais ou menos certa, nunca deixou de ser séria.
O diretor do BC Afonso Bevilaqua vinha sendo um dos principais guardiões dessa coerência. Esse foi o seu pecado. Virou vidraça.
As forças que sustentam o lulismo (e vivem dele) são como criança chorando em tarde de domingo: não sabem o que querem, mas querem muito. E quando não se sabe o que construir, escolhe-se algo para destruir. Melhor do que ficar sem fazer nada.
O interessante (a palavra certa seria macabro) é que a cabeça de Bevilaqua rolou exatamente no momento em que a bolsa de Xangai disse ao mundo que pode começar a dar adeuzinho ao seu céu de brigadeiro. Vão pagar caro pela crença cega na exuberância chinesa, para deixarem de ser bobos.
É torcer pela aterrissagem suave. Porque pouso forçado com essa tripulação de soldadinhos de chumbo em Brasília vai ser filme catástrofe.
Pronto. Saiu o Afonso Bevilaqua do Banco Central. Finalmente o Brasil vai crescer.
Primeiro, a Heloísa Helena disse que o problema era o Lula. Depois, a esquerda pura largou Heloísa Helena e voltou para os braços do PT: nada de radicalismos, vamos embarcar no segundo tempo do governo popular.
Mas ainda havia um cheiro de neoliberalismo no ar. Decretaram, então, o fim da era Palocci. Baixaram o “desenvolvimentismo” na equipe econômica, com os soldadinhos de chumbo Guido Mantega e Julio Gomes de Almeida. Lançaram o PAC – que, como se sabe, é uma revolução juscelinista em pleno século 21 – e conseguiram emplacar até o bravo Paulo Nogueira Batista Jr. no FMI.
Esses neoliberais agora vão ver o que é bom para a tosse.
Continuava, porém, o mal estar. Aí cresceu a patrulha contra a imprensa burguesa, contra o IBGE, contra o Ipea… Meu Deus, a conspiração da direita vem de todos os lados.
Mas permanecia sobre as cabeças da esquerda pura um horrível céu de brigadeiro. Tudo dando certo, vento a favor – e isso é insuportável para um revolucionário, ainda mais quando o vento assobia com sotaque neoliberal. Só restava então reacender a fogueira da inquisição contra um velho “inimigo”: o Banco Central.
Inimigo entre aspas porque foi quem deu a Lula sua reeleição. Foi quem segurou as pontas das bravatas, dos devaneios ideológicos, da politicagem, mantendo uma política econômica coerente – que podendo estar mais ou menos certa, nunca deixou de ser séria.
O diretor do BC Afonso Bevilaqua vinha sendo um dos principais guardiões dessa coerência. Esse foi o seu pecado. Virou vidraça.
As forças que sustentam o lulismo (e vivem dele) são como criança chorando em tarde de domingo: não sabem o que querem, mas querem muito. E quando não se sabe o que construir, escolhe-se algo para destruir. Melhor do que ficar sem fazer nada.
O interessante (a palavra certa seria macabro) é que a cabeça de Bevilaqua rolou exatamente no momento em que a bolsa de Xangai disse ao mundo que pode começar a dar adeuzinho ao seu céu de brigadeiro. Vão pagar caro pela crença cega na exuberância chinesa, para deixarem de ser bobos.
É torcer pela aterrissagem suave. Porque pouso forçado com essa tripulação de soldadinhos de chumbo em Brasília vai ser filme catástrofe.