quinta-feira, novembro 02, 2006

E os ataques se sucedem.

Ataque à imprensa
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O deputado Walter Pinheiro (PT) apresentará um projeto de "democratização dos meios de comunicação".
E na primeira reunião da Executiva Nacional do PT após a vitória de Lula, os petistas também aprovaram uma resolução de três páginas com duras críticas a 'setores' da oposição e da imprensa que estariam interferindo na montagem do novo ministério.
A nota destaca que a eleição de Lula foi uma resposta aos "setores conservadores e golpistas da oposição" e destaca que o PT, chamado a cumprir 'papel crucial' no segundo mandato, fará um 'profundo debate' sobre a crise que o atingiu nos últimos dois anos.
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Fúria petralha!!!
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No site do partido, Angélica Fernandes, integrante do diretório nacional, acusa a apresentadora da Globo de ter usado preto no programa de segunda-feira em sinal de "luto" pela vitória de Lula.
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"Ela e grande parte da imprensa quiseram eleger o presidente no grito", protesta a militante.
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Quem já não viu este filme?
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Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Prosa
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Lendo a coluna de Eliane Cantanhêde, na FSP, uma pergunta me vem à cabeça: quem já não foi xingado por lulistas? O problema, Dona Eliane, é que isto já ocorria muito antes das eleições. Não é novidade. Quando a jornalista diz que os leitores não têm idéia do que eles, jornalistas, recebem de mensagens ofensivas, certamente está equivocada. Temos sim.
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Desde a eclosão do escândalo do Mensalão, em um primeiro e fugaz momento, os petistas, acuados e ainda envergonhados, passaram pouco a pouco a usar a tática de desqualificação dos acusadores, testemunhas das CPIs e da mídia.
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O processo começou na elite petista. Logo o "andar de baixo" do PT, formado por militantes xiitas aparecia, orientado a atacar com mais força e nível menor, em todos os campos.
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A campanha eleitoral só fez crescer a atitude agressiva dos lulistas, aí já estimulados abertamente pelo comando de campanha. Invasões de sites, bloggers, monitoramento de blogs, intervenções em comentários ( sempre ofensivos), emails aos leitores cujas cartas aos jornais indicavam voto não-lulista, propagação de mensagens com vírus, tudo isso aconteceu á farta, sob os olhares complacentes de muitos jornais. A ordem era "dar combate" aos não lulistas.
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Não se tratava de paixão eleitoral. Era o recrudescimento de uma atitude estimulada anteriormente pelo PT. Quem não se lembra de Berzoini convocando a militância para um verdadeiro policiamento na Internet? Paixão eleitoral é diferente, se faz no nível das idéias. Nunca houve necessidade de ofender e xingar, para se discutir política.
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O anonimato de tais mensagens e textos é, ao meu ver, caso pensado. Assim como Lula abusa do sujeito indeterminado, sem dar nome aos bois ("disseram que" é uma frase muito usada por ele), seus seguidores usam do recurso, a fim de fugir da responsabilidade jurídica por tais atos.
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Infelizmente, muitos jornalistas não se deram conta que a sujeira atirada no rosto de alguns, acabaria sendo atirada também sobre eles. Era questão de tempo. Seu próprio silêncio e a falta de condenação a estes atos levariam, fatalmente, à disseminação da prática da calúnia, agressão e difamação.
Talvez por leniência, grande parte da mídia preferiu ignorar os ataques sofridos pelos não-petistas, que já eram prenúncio dos atos autoritários que vimos assistindo. Abateu-se sobre a mídia politicamente correta simpática à Lula a famosa "síndrome do avestruz". Não enxergavam o que nos doía aos olhos.
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Comentário: Nesse caso cairá por terra o melhor trabalho realizado neste governo: a propaganda. Duvido que consigam sobreviver sem ela.
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Contra a democradura
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A denúncia da revista "Veja" de que repórteres foram intimados na Polícia Federal levou os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) a divulgarem nota e pedirem acompanhamento parlamentar do caso ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo.
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Os parlamentares lembram que o ataque à Veja envolve liberdades constitucionais básicas.
Em nota, a Associação Nacional de Jornais também protestou contra o tratamento dado aos repórteres da Veja.
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O ministro Tarso Genro admitiu que há "resíduos de autoritarismo" em militantes do PT que agrediram jornalistas.
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Governo corta propaganda
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Por Cláudio Humberto
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Em reunião nesta quarta, no Planalto, o governo definiu uma “medida de impacto” para reduzir gastos, em 2007, e ao mesmo tempo retaliar a “mídia”, que acusa de tentar prejudicar a campanha petista: não aplicará um só centavo dos R$ 1,2 bilhão previstos para propaganda, conforme esta coluna já havia antecipado. Só manterá a propaganda institucional.
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Se a direita quer corte de gastos, vai ter”, repetiu ontem um ministro ligado a Lula, celebrando com ironia a decisão de não gastar em propaganda.
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A Polícia Federal interroga jornalistas mas não contesta a notícia. Estranho? Não
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por Paulo Moreira Leite,
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Passei 24 horas me perguntando por que a Polícia Federal convocou os jornalistas da VEJA para depor sobre a operação para proteger o amigo de Lula Freud Godoy, envolvido na Operação Tabajara, mas não acionou a revista na Lei de Imprensa.
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Quando uma publicação comete um erro, a forma natural de conseguir uma reparação é acionar a Lei de Imprensa. A Polícia Federal não fez isso. Chamou os repórteres, abriu uma sindicância interna mas não contesta o que a revista publicou. Quer apurar a "Operação Abafa" denunciada pela revista.
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O problema é que você só entra na Lei de Imprensa quando quer e pode demonstrar que houve um erro.
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Impossível que, hoje, a cúpula da PF não saiba exatamente o que aconteceu nos dias iniciais de prisão da turma tabajara, data dos fatos descritos pela revista. Já ouviu todo mundo, apurou e concluiu.
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Se não acionou a Lei de Imprensa, é porque não é capaz de contestar o conteúdo da reportagem -- mas quer apurar como a notícia chegou a revista e perseguir as fontes da matéria. Simples exercício de lógica formal, não?

Plano do PT para "desconcentrar" a mídia

Por Fábio Zanini
da Folha de S.Paulo,
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O PT divulgou ontem, dois dias após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o programa do presidente para "democratizar os meios de comunicação", que inclui mudanças legais para dar mais "equilíbrio e proporção" a eles.
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O texto final, discretamente publicado na página da campanha de Lula na internet, promete medidas "vigorosas" para regulamentar e descentralizar a mídia. A versão preliminar do documento, que a Folha divulgou em 28 de agosto, era algo mais dura.
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Desapareceram algumas idéias polêmicas, que causaram incômodo dentro da campanha do presidente pelo radicalismo, de acordo com o que a Folha apurou.Exemplos do que ficou de fora são a exigência de que outorgas e renovações de concessões de rádio e televisão passem pelo crivo de "conselhos populares" e a proposta de criação de uma Secretaria de Democratização das Comunicações, vinculada à Presidência da República.
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Também foi excluído do texto trecho que pedia mudanças no sistema de contratação de agências de publicidade pelo governo, que geralmente fica concentrado nas mãos de poucos marqueteiros.
DemocratizaçãoO documento, intitulado "Comunicação e Democracia", com 13 páginas, mantém a defesa de um "plano vigoroso e específico de democratização da comunicação social no Brasil". Para o PT, "a democratização dos meios de comunicação deve ser entendida como ponto fundamental para o aprofundamento da democracia".
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Um dos colaboradores é o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, que há anos escreve uma crítica diária da imprensa para o consumo interno do presidente Lula.
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O texto é genérico e não entra em detalhes sobre as mudanças, mas dá pistas do que pode ocorrer nos próximos quatro anos.
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O presidente se compromete a elaborar uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica, com "mecanismos que coíbam a concentração de propriedade [de emissoras de rádio e TV] e de produção de conteúdos e o desequilíbrio concorrencial garantindo, por outro lado, a competitividade, a pluralidade, a diversidade e a concorrência por qualidade dos serviços".
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Haveria o recadastramento das concessões de rádio e televisão no país, com o cancelamento das que não estejam "em conformidade com a lei".
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Quanto à mídia impressa, o presidente Lula deve criar um "programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes".Foi retirada, no entanto, uma expressão da versão preliminar do texto que determinava que esses jornais "não seriam vinculados aos grandes grupos de comunicação".Os incentivos à mídia independente seriam bancados por bancos oficiais e agências de fomento, que deverão orientar suas políticas para "a expansão, a regionalização e a democratização da comunicação".
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Relação problemática
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Durante o primeiro mandato, o presidente teve relação tensa com os meios de comunicação. Deu poucas entrevistas e tomou atitudes como a tentativa de expulsão do país do jornalista Larry Rohter, do "New York Times" --que escreveu uma reportagem sobre um suposto abuso de bebida alcoólica pelo presidente--, e de criar um Conselho Federal de Jornalismo, para regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão.
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Na campanha à reeleição, o contencioso se agravou.
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Petistas reclamaram da cobertura da imprensa sobre o escândalo do dossiê, enxergando uma conspiração para derrotar Lula.
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Anteontem, jornalistas foram hostilizados por militantes petistas em frente ao Palácio do Alvorada. O presidente interino do PT e coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, condenou a agressão, mas pediu que a mídia faça uma "auto-reflexão" sobre seu desempenho.
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O texto final também retirou uma parte em que o PT fazia uma autocrítica sobre sua política de comunicação no primeiro mandato e reconhecia fracassos como o CFJ e a tentativa de criar a Ancinav (Agência Nacional do Audiovisual), para regular a produção de cinema e vídeo.
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Calhordas e fascistas ! Eis um petê!

COMENTANDO A NOTÍCIA: A gente sempre espera um pouco mais de cretinice em se tratando de ações partidas do petê ! Partideco montado no combate xiita às instituições democráticas, intransigência absurda com a liberdade e com a democracia, este é um partideco de acéfalaos que foi parido nas entranhas da ditadura, e pelo que se percebe, guarda uma estranha relação de amor e ódio com o antigo regime, que foi repudiado pelo povo brasileiro. Dizem tratar-se da Síndrome de Estocolmo. Mas, quero crer, que vai até um pouco mais adiante. As raízes do petê viajam no tempo e se confundem com stanilismo, trotiquismo, maoísmo, ou qualquer outra vertente vermelha e sanguinolenta, que arrebata e seduz o povaréu, e depois o despe de patrimônio econômico, intelectual, moral e institucional, e fica esparramando ódios e misérias.

Claro que tem seguidores, filósofos, "intelektuais" que sempre traçam mil elucubrações e justificativas, temas nos quais dissertam e divagam teorias que, hipocritamente, acabam por tentar vingar o seu ideário como aquele que salvará a todos dos açoites do inferno. Mas, antes, para os que se contrapõem, o açoite vermelho já vitimou milhões ao longo da história e por onde quer que este ranço medieval tenha aberto suas asas. Contudo, no fundo, este "ideólogos" de araque, por mais títulos acadêmicos que possam reunir, por mais que escrevam bibliotecas imensas para abençoar o regime do atraso, regra geral, não conseguem reagir de forma civilizada diante da verdade. A verdade para eles, mesmo que sob o grilhão da tortura, do extermínio e do açoite, deve ser varrida da face da Terra. Para eles, imbecis de meia pataca, a verdade não é a que liberta. Mas a que escraviza.

No Brasil estes obsoletos homens de letras vermelhas conseguiram se inserir na sociedade sob um cretino manto de sapiência. Um país feito de ignorância e de desinformação, dizer besteiras sob um texto rebuscado , denota conhecimento e recebe aplausos da turba. Bastante que tais textos sejam lidos por quem pode estudar, ler, se desenvolver, se civilizar, se informar, a besteira aflora de forma indiscutível. Por serem ainda minoria em um país de 80% de analfabetos totais, analfabetos informais e semi-analfabetos, onde 90% seguramente tem seu grau de informação moldado nos tele-jornais, portanto sem profundidade, em que apenas 10% lêem regularmente algum livro, jornal ou revista, estas cavalgaduras fazem um tremendo sucesso e ganham espaços. O petê chegou aonde chegou, apostando todas as suas fichas nesta idiopatia verde-amarela. Lula usou e abusou de sua miséria moral para explorar a miséria econômica, social e cultural deste povo faminto. Suas mentiras soam como verdades. Seus crimes parecem ações sociais em benefício das massas. O resto do país que se dane.
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Evidentemente, o povo brasileiro não ficará por muito tempo enfiado na escuridão. Na medida em que as pessoas melhoram sua qualidade de vida, exigirão informação cada vez maior. E antes que tal informação seja usada contra o próprio petê, é preciso condicioná-la, e para os rebeldes que se julgam livres, deve-se satanizá-los para serem desacreditados pela sociedade. E esta é a estratégia que se esconde por detrás desta aventura maluca do petê, seja por Lula, Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro, Ricardo Berzoini, e o zeca de todos os demônios, José Dirceu: não se pode deixar o povo descobrir a verdade. Mãos à obra à desinformação, para plantar confusão, impor o regime do medo e da coação. Para tanto, conta-se com um exército bem aparelhado de miseráveis, muito e bem pagos regiamente com recursos do Tesouro sob a falsa desculpa de "programa de reforma agrária". Além, é claro de um militância idiotizada, que faz qualquer coisa pelo regime. Todos serão agraciados na boca livre das entranhas do poder.
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Não se enganem, não: no Brasil eles tentarão impor a cara de uma Venezuela, do medíocre Hugo Chavez, com alguns temperos tropicais ala cubana do seu ídolo canalha, ditador Fidel Castro. Os ataques recentes à mídia, assim como tentativas anteriores como o caso de Boris Casoy e a censura canhestra a Arnaldo Jabor, são e serão episódios cada vez mais corriqueiros. É o preço que se paga pela liberdade, pela repulsa à imbecilidade socializada de um partideco canalha. A resistência continua e continuará sempre viva na alma de quem é livre, ama a verdade e não se amedronta diante de crápulas e calhordas.
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A seguir, vejam como se faz um partido de fascistas: o ataque ao vestido preto de Ana Brasil Braga (repulsivo) e a perseguição ao inimigo da hora: Carlos Chagas. Claro que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo continuam sendo alvos em tempo integral. Outros serão eleitos e escolhidos para a ação nefasta de ataque à mídia. Leiam o projeto de "democratização" em artigo de Fábio Zanini da Folha de São Paulo. Ah, quase ia esquecendo: tanto se falou em corte de gastos, em desperdício de dinheiro público. Pois bem, a cretinice vermelha agora vai alterar o Orçamento Federal para 2007 cortando gastos. Gastos em publicidade oficial. Claro que isto será feito após as eleições terem cumprido seu papel de reeleger Lula. E claro também que a verba que restar será devidamente empregada como jogo de pressão. Se agir de acordo com o manual vermelho do petê cretino, recebe verba. Se não, bata tolamente às portas do BNDES. E estamos conversados.
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Uma observação final: ao governante não cabe criticar a informação sobre seus atos enquanto estiver investido de mandato. É pago pela sociedade para cumprir o mandato para o qual se candidatou de livre e espontânea vontade. Quem quer o cargo, que aceite os encargos. É sua obrigação prestar contas à nação do destino que dá ao dinheiro do contribuinte. Melhor faria Lula e seus delinqüentes governistas, se ao invés de atacar a Imprensa por esta cumprir o seu papel de informar, se pelo menos governasse o país com mais decência e competência. Para não ser alvo do noticiário crítico, bastaria não dar motivos ao referido noticiário. Da mesma forma, que fica mal na foto o governante que critica a oposição simplesmente por que esta resolve fazer o que lhe cabe: oposição. Ou será que o petê esqueceu de sua própria história ?

É regime de exceção ou exceção ao regime - II

"Estendo as mãos ao entendimento e à concórdia"
Presidente Lula, em discurso, enquanto a PF intimidava jornalistas de Veja
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Boris Casoy vai recorrer de decisão judicial

O jornalista Boris Casoy, 65 anos, vai recorrer da decisão de Justiça que condenou a Record a indenizá-lo pela rescisão de seu contrato. A informação é do colunista Daniel Castro da Folha de S.Paulo.

A Justiça obrigou a Record a pagar a Boris Casoy os salários dos 11 meses que faltavam para o término de seu contrato quando este foi rescindido. O jornalista quer receber a multa do contrato integral de 48 meses.
A emissora tentou entrar em acordo com Borys Casoy para que ele não recorresse, mas não obteve sucesso. "A Record é uma página virada de minha Bíblia", disse o jornalista à Folha.
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Terra
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Por Reinaldo Azevedo

Sessões de Descarrego Ideológico

Lula diz que a “oposição não pode atrapalhar o Brasil”. Ora, nomeiem-se Marco Aurélio e Marxilena Oiapoque para o “CIB”, o Comitê de Atividades Antibrasileiras. E vamos temperar a coisa com pitadas de maoísmo: amarramos jornalistas em praça pública com chapéu de traidores. Aí convocamos as massas para a sessão de descarrego ideológico, com gritaria, cusparadas e sova com mastros da bandeira do partido.
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Controle da mídia: uma conversa do arco da velha
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Um leitor me mandou um trecho, e eu fui lá conferir. É isto mesmo que vai abaixo. Paulo Henrique Amorim, que ainda não deve ter-se recuperado do fato de que já foi um global, entrevista o deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE), ministro até outro dia, interlocutor de Lula e pré-candidato a ser o candidato do presidente em 2010. A entrevista é de segunda, mesmo dia em que repórteres apanhavam de petistas na frente do Palácio da Alvorada e um dia antes de a PF tentar, sem conseguir, intimidar os repórteres de Veja. É claro que sobre isso Amorim não disse nada. Depois volto.
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Paulo Henrique Amorim: Eu gostaria que o senhor aprofundasse, se fosse possível, a questão da mídia e o governo. A questão da mídia no Brasil, na minha modestíssima opinião não é apenas o fato de que a mídia no Brasil é uma mídia de oposição maciçamente, com exceções honrosas, como, por exemplo, a da Carta Capital, mas é também uma mídia que age no processo político e agiu no processo político. E a mídia, na minha opinião, tem se comportando como uma ameaça ao funcionamento do sistema democrático no Brasil. Como o presidente Lula deve reagir diante desse quadro que se agravou no primeiro mandato dele?
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Ciro Gomes: (...) nós precisamos ter clareza de que não temos que ter medo de, assim como na economia – menos adjetivo, mais substantivo – avançar numa questão substantiva que é a questão da democratização dos meios de comunicação no Brasil. Acho isso com clareza, agora sou mandatário, com um conjunto da sociedade brasileira que se reúne aqui no Ceará, e eu vou participar desse debate. Quando a gente discute democratização dos meios de comunicação, os que têm o monopólio disso vão sempre inventar que isso é autoritário, vão sempre querer desqualificar que isso é controle. Não é. É preciso incentivar dramaticamente os meios de comunicação alternativos, fortalecer cooperativa de jornalistas, financiar e, nisso, conceder canais de televisão, e discutir isso depois das eleições. (...)
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É isso aí. Em primeiro lugar, Amorim acha que Carta Capital é exceção “numa mídia maciçamente de oposição”. Huuummm. Nem Mino Carta, seu amigo, definiria a revista tão bem. Amorim é hoje o jornalista mais petista do Brasil. Não sei se é convicção ideológica ou ainda rancor contra a Rede Globo. O que ele diz não tem nem importância nem influência, o que não quer dizer que não revele intenções — afinal, ele é um “deles”.
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No debate da Record, Lula esboçou a intenção de impor algum controle nos meios de comunicação; este que se comporta como porta-voz do poder indaga um governista de quatro costados a respeito do assunto. E o entrevistado não se faz de rogado: fala tanto em “cooperativa de jornalistas” como em financiamento e concessões. Não custa lembrar aqui o que disse o presidente do PT, Marco Aurélio Garcia: a mídia precisa fazer uma autocrítica.A família Lula da Silva pode contar com um player nesse mercado. Afinal de contas, a Gamecorp, de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, já aluga sete horas diárias da grade do antigo Canal 21, do grupo Bandeirantes. O canal até mudou de nome: agora é PlayTV. Já tem até amigos blogueiros que decidiram ser seus leporellos, usando aquele insuportável sotaque da independência e do humor a favor... Independência e humor a favor? Aí já é prestação de serviço, né?Aconteceu, por imprudência dele e minha, de eu debater com Amorim a mídia no Brasil. Foi na Livraria Cultura, em São Paulo, durante o mensalão. Ele disse tantos e tais absurdos — e trato disso aqui porque foi um debate público —, que achei que estava só me provocando para a noite ficar animada. Depois percebi que falava seriamente. E a noite ficou “animadíssima”. Amorim defendeu, então, a blitz que Hugo Chávez promovia na TV venezuelana e recomendava ao presidente Lula que fizesse o mesmo no Brasil. Segundo ele, o petista deveria ocupar o maior tempo possível a rede das TVs Educativas para defender “o governo e o partido”. A livraria deve ter lá o, por assim dizer, “bate-papo” gravado.
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Por Cláudio Humberto
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Tiranete

O deputado Eduardo Sciarra (PFL-PR) que não se surpreendeu com o ataque do governador Roberto Requião à imprensa: “É postura autoritária, arrogante e truculenta que se assemelha a um ditador de republiqueta”.

Fascismo

Pescoço imobilizado e cinco dias de repouso. É o resultado da agressão de petistas à jornalista Roseann Kennedy, da rádio CBN, que tentou entrevistar o presidente Lula, segunda-feira, na Base Aérea de Brasília.

Olho neles

Antes, queriam controlar a imprensa. Ontem, petistas agrediram jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, aos gritos de “Vamos fechar os jornais” e “Prefiro ditadura que a imprensa”. Os camisas pretas de Mussolini também.

Intolerância

O estudante Alan Brito, que no debate da Globo fez uma pergunta que Lula não gostou, é alvo de linchamento no Orkut, com quase 14 mil desaforos de militantes petistas que chegam até a ameaçá-lo e à sua família de morte.
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Confusão na mídia
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Por Jorge Serrão
Publicado no Alerta Total
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Circula na Internet o tiroteio entre o jornalista e filósofo Olavo de Carvalho e a direção do jornal Zero Hora, que censurou um artigo dele no domingo:
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Marcelo Rech, Diretor de Redação do ZH, mandou a seguinte carta a Olavo de Carvalho: “Em razão de sua manifestada incompreensão dos valores éticos que norteiam este jornal, solicito que considere desnecessário o envio de novos artigos para publicação. Os pagamentos pelos artigos anteriores serão efetuados até este domingo”.
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Olavo de Carvalho respondeu no seu site Mídia Sem Máscara:” Já mandei seu jornal à merda ontem. Sua cartinha é desnecessária, assim como o seu dinheiro. Quanto aos seus "valores éticos" o senhor tem toda a razão: não os compreendo. Quanto mais os conheço, menos os compreendo. Eles são um verdadeiro mysterium iniquitatis”.
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Olavo considera que os "Valores éticos" alegadados pelo jornal para não publicar seu artigo foram a desculpa perfeita para evitar a publicação de críticas duras ao partido-estado que vai mandar e desmandar no país por mais quatro anos.

É regime de exceção ou exceção ao regime!

Ato Institucional Nº13

É muito grave o que vem acontecendo com jornalistas. Por enquanto é uma censura camuflada. Primeiro tentam calar os jornalista, invariavelmente pressionando os veículos. E quando não conseguem? Intimam para depor?
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Sobre o episódio de ocorrido ontem em Brasília, quando jornalistas foram agredidos por militantes petistas, o presidente da Federação Nacional dos jornalistas declarou que os “jornalistas provocam”.
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Diante desses pequenos, mas significativos açoites à imprensa e a livre expressão, republico abaixo um texto de 11/08/2004, escrito por mim e publicado no Jornal A Gazeta (Edição Nº. 4710).
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ATO INSTITUCIONAL Nº13
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Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Prosa
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Reacionários, autoritários, contrários à evolução política e social do país. Como já disse em artigos passados e repito, o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder com a alma impregnada de detritos do período ditatorial. O projeto de lei sancionado pelo presidente Lula é intransigente, repleto de interesses escusos travestidos de bem intencionados.

A criação de um órgão para "orientar, disciplinar e fiscalizar" (com poderes "até para cassar o registro profissional"), o exercício da profissão e a atividade jornalística nada mais é que uma forma nefasta de cercear a liberdade de expressão. A justificativa usada chega a ter traços ardilosos quando afirma que "os meios de comunicação adquiriram na sociedade moderna, papel fundamental, influenciando condutas, comportamentos e formando opinião".

Por preocupação com a população brasileira, o governo federal, representado pelo Partido dos Trabalhadores, entende que possíveis "informações inverídicas ou mal apuradas podem promover "linchamento" moral, destruir vidas, provocar falências, entre outros sérios danos às instituições e às pessoas, danos inclusive sob o prisma de saúde, do bem estar físico e psíquico".
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A profissão do jornalista é peculiar e difere de outras justamente pela necessidade de independência ou desvinculação dos poderes públicos. Não pode, de maneira alguma, ser controlada pelo governo federal. É interessante, mas os petistas que tanto se vangloriaram de serem vítimas do regime militar tentam, de todas as maneiras, reduzir sistematicamente toda e qualquer forma de autonomia. Basta recapitular os sinuosos caminhos já percorridos desde que chegaram ao poder.
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O questionamento quanto à autonomia das agências reguladoras dos serviços públicos e o interesse em pegar para si prerrogativas a elas definidas, mostrava os primeiros sintomas de autoritarismo paternal. Ao mostrar interesse na "lei da mordaça" para ter controle sobre o Ministério Público, esclareceu o objetivo real deste governo: diminuir o poder de todos que significam o risco do contraditório. Diminuir a importância de quem a possui e trazer para os seus o controle sobre tudo, bem aos moldes do bolchevismo russo. Como o pré-requisito para isso é limitar a crítica, tenta criar o "Conselho Federal de Jornalismo" apoiando-se na Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) ostensivamente ligada ao PT. Sua presidente Beth Costa admite que este futuro conselho teria os integrantes da comissão provisória indicados pelos representantes da Fenaj. Aterrador!
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Fica claro que, se quando oposição se deliciava em realizar críticas, no poder o PT tem desconforto com elas, ou pior, tenta nos convencer pedindo uma "agenda positiva, porque o cidadão precisa ver o lado positivo das coisas". São pensamentos típicos de mentes moldadas em perturbações, similares às criadoras de "Brasil, ame-o ou deixe-o". Não é à toa que o ministro da Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, discorda da "exploração do contraditório, que fomenta discórdias e conflitos de egos". Para esses pseudodemocratas, democracia subentende subserviência às idéias monárquicas.
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Dessa forma segue o PT, desmerecendo e tentando tolher o cidadão brasileiro de se inteirar da conduta moral e ética dos seus representantes políticos, criando conselhos para se servir deles. Tomando atitudes com viés autoritário, que não imagino tenham partido do presidente, mas de auxiliares com personalidade despótica, corremos o risco, em nossa jovem democracia, de preparar as leis que possibilitarão entregar o país a um futuro presidente com perfil autoritário. Nessa história Lula é apenas o inocente útil.

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NOTA DA FENAPEF À VEJA

Brasília , 01 de Novembro de 2006

Ilustríssimo Senhor Editor Chefe da Revista Veja,

Na qualidade de presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais - FENAPEF -, não poderia me furtar de deixar registrado o posicionamento desta entidade frente aos fatos ocorridos durante o depoimento dos repórteres da Veja. Em primeiro lugar, é preciso registrar que a Polícia federal é a Polícia Judiciária da União, possuindo, portanto, a base legal para ouvir como testemunha qualquer brasileiro para a elucidação de ocorrências tipificadas em leis. Porém, temos o dever cívico de consignar que a forma encontrada para fazer o que lhe é devido legalmente não foi o mais satisfatório e usual. Diante de um fato noticiado como transgressão ou crime, é dever da PF investigar os fatos, mas sempre buscando as mais variadas formas de investigação científica e não tentar “arrancar” de profissionais da imprensa a verdade ou mentiras dos fatos criminosos ocorridos e noticiados. A Constituição Federal que garante a prerrogativa da Polícia Federal para ouvir pessoas é a mesma Constituição que garante o sigilo da fonte para o jornalista poder noticiar o que lhe é narrado por fontes diversas. Se assim não fosse, os grandes escândalos nacionais, que são infinitos e os mais variados possíveis, talvez nunca seriam descobertos, e seus autores estariam usufruindo de uma impunidade infinitamente maior da que já usufruem hoje. Os fatos publicados pela revista que resultaram na convocação dos jornalistas são graves, sim, e precisam ser apurados sem espíritos vingativos ou irascíveis e nunca pressionando os autores da notícia. Portanto, deixo registrado aqui que a maioria esmagadora dos policiais federais do Brasil sabe e entende essas premissas legais, já que a Polícia federal hoje é considerada uma das instituições públicas mais sérias e confiáveis do Brasil. Para que continue a usufruir desse conceito, não podemos aceitar a forma como se deu a oitiva dos repórteres da Veja. Quem Não Quer Que Noticie não Deixe Acontecer. Encerro dizendo que prefiro uma imprensa que publique a notícia sabendo que, se errar, pagará pelos seus erros na forma legal a não ter uma imprensa livre para noticiar . Algumas pessoas precisam entender que a DEMOCRACIA é um regime que traz BÔNUS E ÔNUS, mas, mesmo assim, é e sempre será o melhor regime.
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Francisco Carlos Garisto
Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

Volta da Truculência

Volta da Truculência

Editorial da Folha de S. Paulo

Passada a eleição, grupos governistas ensaiam campanha para intimidar a imprensa livre e coibir o direito à informação CONFIRMA-SE o ceticismo a respeito da brandura que marcou a atitude da campanha de Lula para com a imprensa no segundo turno. Um verniz de humildade substituíra a arrogância, o desapego à prestação de contas e a truculência do petismo governista enquanto interessava ao cálculo eleitoral. Fechadas as urnas, setores da militância do PT puseram em marcha uma campanha que tenta intimidar meios de comunicação independentes.
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Na segunda-feira, um grupo de petistas -muitos dos quais gozando de prebendas no funcionalismo federal- se arrogou o direito de fazer uma "triagem" dos jornalistas que cobriam o primeiro retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio da Alvorada como presidente reeleito. Um repórter foi agredido.Particularmente grave foi o episódio de ontem em que um delegado federal usou um inquérito interno como pretexto para intimidar jornalistas da revista "Veja". Mandou às favas o direito de uma repórter de consultar seu advogado. A intenção do policial era a de, ao feitio das ditaduras, enviar um "recado" aos responsáveis pelo semanário.
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Não surpreende a hostilidade. Durante mais de um ano, lideranças e "intelectuais" do PT, para não mencionar o próprio presidente Lula, acalentaram a farsa de que os flagrantes de corrupção sistêmica em seu governo teriam sido fruto de uma conspiração da mídia.
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Nos incautos que esperavam uma mudança agora, após a refrega do dossiegate, Marco Aurélio Garcia desferiu um choque de realidade. O presidente do PT repudiou a violência de militantes em Brasília, mas não se esqueceu de dar um "conselho" à imprensa. Sugeriu "auto-reflexão" à mídia, afirmando que ela deve ao país a informação de que o mensalão não existiu.
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Às páginas 11 e 12 de denúncia assinada em 30 de março pelo procurador-geral da República, lê-se que uma quadrilha, integrada por membros da cúpula do governo e do PT, agia em plano federal com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos".
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"Auto-reflexão" deveriam ter feito o PT e o governo. As cúpulas de ambos desmoronaram, mas a necessária depuração dos métodos e dos quadros não ocorreu. Sobreveio, como filho da impunidade, o escândalo do dossiê. Mais uma série de cabeças petistas rolou, mas a lição ainda não foi assimilada.
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Lideranças do PT continuam a alimentar a ira de correntes partidárias descompromissadas com a soberania das leis. Envereda pelo mesmo caminho o governador Roberto Requião, conhecido pela boçalidade, que inventou um complô de veículos de comunicação para explicar sua reeleição apertadíssima no Paraná.
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O que essas manifestações de hostilidade ameaçam é muito mais do que a imprensa: é o direito da sociedade de ter livre acesso à informação e à opinião. A pretexto da vitória legítima de Lula, tentam silenciar o jornalismo crítico. As urnas não outorgaram nenhum tipo de anistia para os crimes cometidos pelos companheiros do presidente. Ainda há muito a esclarecer.
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O Alerta Total alerta: "Censura, Nunca Mais". Este tem de ser o lema dos jornalistas e da sociedade brasileira, de agora em diante. Ou os brasileiros conscientes lutam por Soberania, Autodeterminação e Paz Social, ou seremos subjugados pelo poder do Governo do Crime Organizado. Brasil, Acima de Tudo!

Um ataque repudiado: opiniões

A raiva do PT contra a mídia

Por Gilberto Dimenstein

Lula eleito, militantes do PT apontaram, esfuziantes, que os meios de comunicação estavam entre os derrotados; alguns deles chegaram mesmo a hostilizar raivosamente os jornalistas. Refletem as reclamações de Lula e de muitos de seus assessores. Interessante essa manifestação: tantos anos depois de neutralizados os militares, ainda não se tem claro, em vários setores, o papel da imprensa. O que só revela um cacoete autoritário.
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Não vou negar que algumas reportagens e mesmo veículos de comunicação cometeram erros e exageros. Mas, no geral, os jornalistas fizeram o que tinha mesmo de fazer: vasculhar e incomodar o poder. E o fato é que o PT deu sobras de motivos para ser vasculhado na questão ética e administrativa.
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Na oposição, o PT foi um beneficiário dessa atitude dos meios de comunicação. Muitos de seus dirigentes, a começar de Lula, estavam sempre à frente dos ataques contra os deslizes e roubalheiras. O PT cresceu, entre outras razões, por que vendeu a imagem (até certo ponto correta, vamos reconhecer) de limpeza, mas depois, no poder, não soube separar o público do privada.É fundamental que os dirigentes do partido e seus representantes do governo sejam responsáveis e não permitam que se desmoralize ou se afete a importância da liberdade de imprensa.
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Nova ameaça à imprensa

O Estado de São Paulo

Certamente os petistas que, na segunda feira, se colocaram como 'leões-de-chácara' para fazer a triagem - na base do insulto e da agressão física - dos repórteres que pretendiam entrevistar o recém-reeleito presidente Lula, quando este voltava para o Palácio da Alvorada, não passavam de um bando de boçais, daqueles que sempre envolvem altas autoridades sob o pretexto de 'protegê-las' e muitas vezes externam a truculência ínsita ao próprio temperamento, independentemente de qualquer comando a que tivessem obedecido, neste sentido. É claro que muitos destes poderiam julgar estarem ali defendendo suas sinecuras de 'aspones', visto que, fora da administração aparelhada, talvez tivessem muita dificuldade em manter o padrão do próprio emprego. De qualquer forma, o episódio poderia ser relegado à conta de boçais isolados que, ao tentarem intimidar a imprensa, o máximo que conseguem é ser ridículos.
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A tentativa de intimidar os três jornalistas da revista Veja, no momento em que prestavam depoimento à Polícia Federal (PF), pareceu um claro 'recado' enviado àquele veículo de comunicação - e, por tabela, a todos os demais - quanto à possibilidade de testemunhas poderem ser transformadas em 'suspeitos', dependendo da contundência crítica das matérias publicadas e da disposição, dos jornalistas, de revelar ou não as fontes de suas informações. O desrespeito à liberdade de informar e opinar - conquista consignada em uma das constituições mais anticensórias do mundo, como a nossa, justamente por termos passado pela férrea censura da ditadura militar - ficou mais do que patente, já pelas ameaças usadas pelo interrogador (quando mandou 'recado' aos editores da revista), pelo tolhimento da participação da advogada dos jornalistas e até pela absurda (e ilegal) recusa em dar aos depoentes cópia do que haviam oficialmente alegado.
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De qualquer forma, a vexatória atitude da PF, contra os repórteres Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, por mais que comprometa a instituição policial federal, pode ser atribuída a uma também isolada boçalidade - no caso, a do delegado Moysés Eduardo Pereira. Agora, o que justifica o temor de uma ameaça à liberdade de imprensa, por parte de um governo recém-reeleito (que prometeu, aliás, melhorar seu relacionamento com os veículos de comunicação), é o pronunciamento disparatado e fascistóide de quem exerce a função de presidente do Partido dos Trabalhadores e assessor especial do presidente da República - tendo sido o coordenador final de sua campanha eleitoral.
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Com efeito, Marco Aurélio Garcia - que vai se tornando a figura mais sinistra do staff presidencial -, depois de uma suave condenação à violência praticada pelos boçais da porta do Alvorada, aproveitou para concitar os jornalistas a fazer uma 'auto-reflexão' sobre 'o papel que tiveram nesta campanha eleitoral', pretendendo, em última instância, que os profissionais e veículos de comunicação se retratem, peçam desculpas pelas críticas que fizeram ao governo e seus 'erros'. O atual chefe dos petistas deseja que a imprensa passe a considerar o mensalão uma pura invenção - como se o insuspeito procurador-geral da República (nomeado pelo presidente Lula) não tivesse feito constar em seu relatório, expressamente, que uma sofisticada quadrilha, integrada por membros da cúpula do governo e do PT, agia em plano federal com o objetivo de 'garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos'. Quem foi que 'inventou' isso, então?O pior é que esse tipo de manifestação inequivocamente censória e antidemocrática não pode ser vista como caso isolado, pois há o precedente da tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo do projeto da Fenaj, aprovado por Lula, há o projeto do PT de 'democratizar os meios de comunicação', assim como há, mais recentemente, as declarações do sempre raivoso oligarca de Sobral, Ciro Gomes, sobre a necessidade do governo de 'incentivar' a criação de uma 'imprensa plural'. É claro que a imprensa é (até orgulhosamente) responsável por ter vindo à tona toda essa lama, sobre a qual Marco Aurélio Garcia queria que ela silenciasse. Mas só por má-fé poder-se-ia, no caso em pauta, confundir a origem com o canal de extravasão (da sujeira).

O Ataque do PT à imprensa livre - III

Após agressão a jornalista, petista Garcia ataca mídia
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Por Veja on line
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Poucas horas depois de um grupo de militantes do PT agredir jornalistas diante do Palácio da Alvorada, o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, criticou a imprensa, pedindo uma "auto-reflexão" dos jornalistas sobre a cobertura da campanha. Garcia criticou a agressão aos repórteres e defendeu a liberdade de imprensa, mas afirmou que a mídia deveria "ser avaliada".

Garcia mostrou irritação ao ser questionado sobre o escândalo do "valerioduto" - mesmo admitindo os crimes de seu partido, ao reconhecer que houve esquema irregular de financiamento de campanha, disse que "não houve" mensalão, e que a imprensa precisa dizer isso à população. "Não há nenhuma evidência, e essa é uma das dívidas que parte da imprensa tem com a opinião pública."

Ao falar sobre a cobertura eleitoral, Garcia disse que "a imprensa deve ser avaliada sobre seu desempenho. Caberá em primeiro lugar aos jornalistas fazerem uma auto-reflexão sobre o papel que eles tiveram na campanha eleitoral". O presidente do PT diz que parte da imprensa tem opinião semelhante, mas garantiu que a "autocrítica" vai ser espontânea. "Não é tarefa do governo."

Agressões - Na segunda, militantes petistas reunidos para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram coros contra a imprensa - como a principal revista do país, VEJA, a TV de maior audiência, Rede Globo, e o jornal de maior tiragem, Folha de S. Paulo - e agrediram repórteres que acompanhavam o evento. "Vamos fechar todos os jornais", gritava um dos militantes.
Na chegada de Lula, uma militante bateu com uma bandeira na cabeça de um repórter. Outro jornalista foi cercado. Funcionários da TV Globo tiveram de se trancar em um caminhão da emissora. Garcia disse que o PT condena agressões a jornalistas. "Nós não compartilharemos de forma nenhuma com essas práticas. Muitas vezes nós divergimos com a imprensa, mas não negamos seu papel."

Para OAB, liberdade de imprensa deve ser preservada
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, condenou nesta terça-feira, de forma veemente, a intimidação da Polícia Federal denunciada pelos jornalistas de Veja. "O comportamento do delegado, pelo relato dos jornalistas, foi inaceitável dentro de um Estado democrático e quando estamos saindo de uma eleição. Nós, da OAB, temos denunciado constantemente estes meios truculentos utilizados às vezes pela Polícia Federal contra jornalistas e também contra advogados, enfim, contra os cidadãos brasileiros", criticou Busato em nota no site da entidade.

Ainda segundo a nota, Busato disse esperar que o ministro da Justiça, Marcio thomaz Bastos, apure os fatos denunciados, o que foi prometido em entrevista pelo ministro.

Busato sustentou que "a liberdade de imprensa deve ser preservada, pois esse é um ícone do Estado democrático de Direito e não pode de forma nenhuma ser arranhado". Ele lamentou que o constrangimento praticado contra os jornalistas pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira "venha a macular o clima de festa, quando estamos saindo de uma eleição". "Isso é um absurdo, uma atitude que depõe contra o espírito de conciliação que devemos encontrar daqui para a frente, terminada a disputa eleitoral".

O ataque do PT à imprensa livre - II

A blitzkrieg contra a Veja e a ação em favor da imprensa livre de FHC e Tasso

Por Reinaldo Azevedo

A imprensa está sob ataque. Alertei na edição de ontem e em outro texto hoje de manhã. A Veja, conforme anteciparam ontem os bate-paus do petismo, é o principal alvo.
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Daqui a pouco, a Veja On Line publica o relato da intimidação de que foram vítimas os jornalistas Marcelo Carneiro, Júlia Dualibi e Camila Pereira na Polícia Federal. Eles foram chamados para prestar esclarecimentos sobre o vazamento das fotos do dinheiro, feito pelo delegado Edmilson Bruno, e sobre a reunião de Freud Godoy com Gedimar Passos na Polícia Federal. Uma reunião ilegal. Embora estivessem acompanhados de advogados, este foi impedido de se manifestar. E o "esclarecimento", conduzido por um delegado chamado “Moisés”, evoluiu para a intimidação. Ele queria saber por que as reportagens haviam sido publicadas e quanto Veja havia ganhado por elas. Diante da reclamação dos jornalistas de que já estavam ali havia duas horas, Moisés afirmou que o chefe dos três “ficaria quatro”.
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Ao saber do que estava em curso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, ligaram para o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e ameaçaram ir pessoalmente à Polícia Federal para acompanhar o depoimento dos jornalistas. Só aí, então, o ministro que não sabia de nada, é claro, tomou providências, e os jornalistas foram “libertados”.
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Eis aí a verdadeira “concertação” do governo Lula. Trata-se de uma concertação contra a imprensa livre. Quem são os responsáveis morais por isso? O primeiro deles, pela proximidade temporal com o fato, é Marco Aurélio Garcia, presidente doPT. Vejam na nota que postei nesta madrugada, abaixo, o que ele espera da imprensa.
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Hoje é terça-feira. Lula se reelegeu no domingo. Reparem na escalada contra a imprensa havida em dois miseráveis dias. Escrevi no meu artigo de Veja nesta semana, que está nas bancas desde sábado passado, antes da reeleição de Lula:“Faz 26 anos que os democratas se ocupam de atrair o PT para a civilização. Os tupinambás e caetés, no entanto, resistem e tentam impor o canibalismo como algo doce e decoroso. Antes, tingiam a cara para a guerra e nos propunham o dilema: “Socialismo ou barbárie”. Com o tempo, eles mesmos fizeram a opção sem nem nos dar a chance de escolher: barbárie! Institucional, quando menos. Mas continuamos aqui, firmes no nosso papel de jesuítas, crentes na nossa missão civilizadora, esforçando-nos para catequizá-los, fingindo que são tupis amistosos — tentando, enfim, emprestar-lhes alguma metafísica. (...)(...)Ou o petismo passa a ser visto no curso de uma revolução cultural ou jamais será entendido — e vencido. E o canibalismo será regra. Numa campanha eleitoral sem propostas, sem valores, sem alternativas, sem diferenças de conteúdo, aborrecida a mais não poder, resta, sem dúvida, uma intenção, anunciada por Lula, que faz toda a diferença. No debate da TV Record, deixou entrever a disposição de estudar o que eles chamam “controle social dos meios de comunicação”. Trata-se de um eufemismo e de uma perífrase para “censura”. O PT vê em cada veículo — ou, vá lá, em boa parte deles — um bispo Sardinha dando sopa. Sabe que a imprensa livre é o Evangelho da democracia; que ela guarda seus segredos e seus fundamentos.”

AI-13

O PT quer o AI-13 na mídia. O Ato Institucional nº 13, da ditadura oficiosa, é diferente do AI-5, aquele da ditadura militar. Este será redigido, espiritualmente (por enquanto) e aplicado pelo Moderno Príncipe. A idéia é fazer com que os jornalistas incorporem a censura já desde a observação do fato. De verdade, a coisa já está em curso. O colunismo político já baixou a bola. Nos “debates”, já não se diz uma miserável palavra da campanha mentirosa do PT. Ao contrário, ela é chamada de “competente”. Sob muitos aspectos, estes senhores que se vêem aí abaixo — e também o que ilustra este post — eram competentes. O AI-13 consiste em fazer com que o jornalismo se pergunte: “Será que não estamos exagerando?” Dei uma parada porque havia mais de 400 comentários para postar. Metade era de apoio à Polícia Federal e pedindo o “fechamento da revista Veja”. Trata-se de uma ação “concertada”. Marco Aurélio Garcia disse ontem achar salutar esses movimentos da sociedade civil.
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Não postei o que pensam os vagabundos. Podem ter escapado um ou outro. Vocês me avisam, e eu elimino depois. Mas a intenção dessa gente é óbvia. Vejam abaixo. Ontem, no Blog do Noblat, foi publicado um comentário defendendo que Diogo e eu fôssemos fuzilados. Foi um leitor que me mandou. Blogs afora, em nome da “liberdade de expressão”, os que estão pedindo censura à imprensa e agressão a jornalistas estão tendo suas “opiniões” publicadas. Entenderam a lógica? Em nome da liberdade de expressão, dá-se espaço àqueles que são contra a liberdade de expressão.
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E Lula foi eleito faz apenas dois dias.

O ataque do PT à imprensa livre

Por Reinaldo Azevedo

Fascistas

- O fascismo começa cassando o humor;
- O fascismo começa cassando a crítica;
- O fascismo começa cassando a individualidade;
- O fascismo começa cassando a inteligência;
- O fascismo começa cassando a imprensa livre;
- O fascismo começa em nome das maiorias;
- O fascismo termina pendurado de cabeça para baixo, surrado.

É questão de tempo. E de haver quem resista.
Vocês saberão mais.

Fascistas 2

Mussolini e Hitler: os dois foram conduzidos ao poder "pelas massas", com "a culpa do povo". O rolha de poço começou sua carreira ligado, de fato, a um partido que "socialista". O pintor de paredes era o teórico do "nacional-socialismo". No poder, o primeiro alvo foi a imprensa. Inclusive com a ajuda do jornalismo vagabundo.

Blitzkrieg

Ao longo de quatro anos, cansei de ouvir que minhas críticas ao PT eram um tanto exageradas. Afinal, o partido havia aderido à economia de mercado etc e tal. Bem, vocês conhecem essa tese aborrecida. Há uma certa incapacidade no país de se enxergarem os fatos como eventos senão subordinados, ao menos coordenados, dentro de uma certa cadeia que integra uma lógica. Prefere-se pensar o mundo como uma coleção de fragmentos. E, no entanto, não é assim.

Faz miseráveis dois dias que Lula foi reeleito, e já temos uma coleção de eventos interessantes.

A Bolívia deu o prometido beiço na Petrobras — nem disfarçou: enquanto a eleição, de resultado certo, acontecia, oficializava-se o confisco da receita da empresa, contra o que diz o contrato. Nota: isso já estava decidido havia tempos. E foi feito com a concordância de Lula, sob a inspiração de Hugo Chávez e execução de Evo Morales. Todos eles integram o Foro de São Paulo, que quase toda a imprensa considera uma invenção de paranóicos. Menos o PT. Por que os jornalistas não vão perguntar a Marco Aurélio Garcia o que é o Foro? Ele certamente vai defendê-lo. É um dos de seus fundadores. As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) também estão no grupo. O confisco só foi adiado porque houve segundo turno. Era para ter acontecido imediatamente após o primeiro. Ouviram-se protestos ruidosos das oposições, certo? Nada! Nem um miserável pio. Imaginem se algum país tomasse uma unidade da Petrobras quando FHC estava no governo... O PT arrumaria alguns mártires para atear fogo às vestes. Como se sabe, é um partido que não aceita privatizar a empresa. Confiscá-la pode.

O segundo evento interessante é a agressão de que jornalistas foram vítimas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Já no aeroporto, o clima era de franca hostilidade. Na lista dos tupinambás, estavam a Veja, a TV Globo e a Folha. Algumas dessas figuras simpáticas são funcionárias comissionadas da Presidência da República. Os canibais estão com fome.

O terceiro evento, ligado diretamente ao segundo, é a crítica que Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, fez à imprensa, de quem cobra um exame de consciência e, acreditem!, uma desmentido: quer que seja noticiado que o mensalão nunca existiu. O argumento deveria ser examinado pelo agora “advogado” e “consultor” José Dirceu: não há provas de que o dinheiro pagava votações no Congresso. Em suas reflexões tortas, este Marco Aurélio quer-nos fazer crer que o mensalão só se provaria contra recibo: votou, recebeu. Mas foi mais adiante: disse ver com simpatia movimentos de supostos leitores que cancelam assinaturas de veículos de imprensa. Ou seja: ele está dando a senha: quer uma blitzkrieg petista contra os jornais e revistas. Menos aquelas que funcionam como cartilhas, é claro.

E o quarto evento interessante, que aos incautos parecerá descolado dos outros três — e até contraditório —, mas que, com eles, se combina perfeitamente, é a ofensiva que Lula vai fazer para atrair as oposições em nome da governabilidade — enquanto, para usar uma imagem ao gosto desses democratas, a sujeira do dossiê é varrida para debaixo do tapete. A síntese é mais ou menos assim: “A gente ganha as eleições, governa, reparte os cargos, faz o quer; a vocês, oposicionistas, cabe responder pela governabilidade”. Ou, nas palavras de Lula em entrevista ao Jornal Nacional: “É preciso distinguir o que é oposição do que é atrapalhar o Brasil”.
Eis o partido. Estende a sua mão visível a uma mímica de institucionalidade e usa a invisível para tentar submeter a República a seu projeto de poder. Não me venham dizer que está sendo ineficiente. Seu projeto não deixa de ser bem sucedido: nunca antes “nestepaiz” gente tão suspeita teve direito a uma segunda chance.

Collor perdeu o único mandato que tinha por muito menos. Lula está levando o segundo por muito mais

A sequência de ataques

Militantes do PT hostilizam imprensa

Na Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Militantes do PT que foram saudar a chegada do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva à cidade hostilizaram a imprensa pelo que chamaram de "cobertura tendenciosa" durante o processo eleitoral. Enquanto Lula comentava a vitória nas urnas diante das câmeras, em frente ao Palácio da Alvorada, os petistas gritavam em coro: "Eu, eu, eu, a Rede Globo se f..."

Na briga para se aproximar dele, os militantes gritaram para os seguranças: "Tira a imprensa, tira a imprensa." Parte dos militantes era gente com cargo comissionado no governo, alguns usavam até crachá funcional.

Os petistas e funcionários públicos comissionados mais exaltados diziam ter saudade do regime militar (1964-1985). "A ditadura matava com baionetas, a imprensa hoje mata com a língua", afirmou um militante petista. "Prefiro a ditadura, vamos fechar todos os jornais", disse outro. Um repórter foi chamado de "almofadinha" da "imprensa marrom" e até foi agredido com uma bandeirada na cabeça.

Já uma petista deixou claro que não toleraria perguntas "provocativas" a Lula, como questões ligadas ao escândalo da tentativa de suposta compra do dossiê Vedoin por petistas para implicar políticos tucanos na máfia dos sanguessugas: "Se perguntarem sobre dossiê, vão levar um dossiê na cara." Outro militante da legenda avisou: "Nada de pergunta sobre 'mensalão'."
Receberam vaias de repórteres que resolveram responder às agressões. O presidente e a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, no entanto, não demonstravam ira ou rancor. Na conversa de ontem com os jornalistas, Lula não voltou a comentar os "ataques" da imprensa, como se refere à divulgação dos escândalos do mandato.

O presidente deixou o Alvorada no início da tarde para despachar no Palácio do Planalto. Ao chegar à garagem do palácio, 200 petistas com cargos na administração federal cantaram músicas de campanha e empunharam bandeiras. Lula e os militantes rezaram o Pai-Nosso.


Governador critica imprensa e jornalistas

Na Tribuna da Imprensa

CURITIBA - O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), reeleito para o terceiro mandato à frente do Executivo, aproveitou uma entrevista coletiva, na tarde de ontem, no Palácio Iguaçu, para destilar a ira contra veículos de comunicação e jornalistas regionais e nacionais que, no entender dele, trabalham para denegrir sua imagem e a do Estado.

Com tiradas irônicas, ataques mais fortes e, às vezes, até bate-boca, ele provocou aplausos de assessores e militantes de sua campanha que foram fazer volume na entrevista. "O programa de governo foi confirmado, a aprovação do governo é de 75%", afirmou, apesar de as urnas terem lhe dado a vitória com 50,1% dos votos válidos. "O que houve foi um bombardeio contra a imagem pessoal do governador, com a colaboração da Rede Paranaense de Comunicação - RPC (jornal Gazeta do Povo e a retransmissora regional da Globo), dos jornalões, da CBN, que quase nos derrotou."

Por decisão da assessoria do governo, a cada órgão de imprensa cabia uma pergunta. Na resposta, Requião atacava o órgão ao qual o jornalista pertence. Ao ser perguntado pela repórter da "Gazeta do Povo" se faria alguma mudança no governo, em razão da diferença por pouco mais de 10 mil votos, Requião foi sarcástico: "Vou convidar o Francisco Cunha Pereira (sócio do jornal) para ser secretário de Estado." Segundo ele, o jornal, que é o principal do Estado, foi "uma espécie de diário oficial da oposição". "Não fui a uma entrevista na Gazeta do Povo e a Gazeta publicou as perguntas, sórdidas, perguntas canalhas, perguntas sem ética e sem moral", atacou.

Segundo ele, a atuação do jornal e da RPC "em determinado momento nos derrubou uma liderança de mais de 20 pontos". Sobrou, inclusive, para a comentarista Miriam Leitão e para o repórter Pedro Bial, ambos da TV Globo, quando falava do Porto de Paranaguá. Com a agressividade em alta, o governador até se confundiu dizendo que "o porto será mantido privado", quando queria dizer "público".

Segundo ele, o Porto de Paranaguá é "exemplo para o Brasil". "Mas não foi por isso, por exemplo, que a Miriam Leitão, deixou de dizer num famoso jornal da Globo que a insistência do governo em classificar produtos e não exportar porcaria tinha ocasionado a perda de 176 milhões de toneladas de soja pelo Porto de Paranaguá. Irresponsabilidade igual à dos jornalões que reproduziram sem crítica, sem confirmação e sem o contraditório as mentiras da campanha do Osmar Dias (seu adversário). Porque o Brasil, meu irmão, não produz mais que 53 milhões de toneladas de soja", afirmou.

Com a mesma ânsia de mostrar que todos estavam contra ele e seu governo, Requião disse que "não foi por acaso" que o repórter Pedro Bial esteve em Paraná. "E ele foi ao Porto de Paranaguá e me apresenta um congestionamento em cima de um terminal. E diz que o porto tem que ser privatizado porque estava havendo congestionamento. O porto não tem congestionamento. O congestionamento era sabotagem da estrutura privada. E o Bial filmou o terminal privado da Cargill", acusou. "Como vocês vêem há muito pouca compostura nesse processo e uma guerra ideológica contra o Estado do Paraná, que foi vencida nesta eleição."

Segundo o governador, os "jornalões do Brasil reproduziram as canalhices locais com a pior ética possível, mostrando facciosismo absolutamente insuportável para um Estado democrático".

À pergunta de uma repórter da rádio CBN, o governador reagiu: "Quero cumprimentar a CBN pela boca-de-urna que fez pelo meu adversário desde as 8 horas da manhã, botando o Álvaro Dias, o Rubens Bueno, o pessoal todo despudoradamente pedindo votos para a coligação do grande capital".

Depois, respondendo a outra repórter sobre se tem planos de disputar a Presidência da República, ele ironizou: "Estou pensando em comprar a CBN e transformar em rádio cívica, debates limpos, vou virar radialista".

O clima pesado atingiu os jornalistas. Um deles perguntou a Requião o que mudaria no segundo governo, além de sua postura, que era mais cordial com os jornalistas durante a campanha. O repórter aproveitou e defendeu o jornalista Francisco Cunha Pereira, que está doente. "O mundo é bom e você também vai ser feliz", respondeu Requião. "E não precisa puxar o saco de patrão aqui."

Ao final, uma jornalista foi ao microfone e, quando começava a perguntar, foi interrompida. "Acho que nós tínhamos estabelecido que tinha uma pergunta para cada órgão de comunicação", disse Requião. A repórter retrucou que tinha sido autorizada pela assessoria. "Então está desautorizada por mim", encerrou, sob aplausos.

PF transformada em polícia política

Abusos, ameaças e constrangimentos a jornalistas de VEJA

Publicado em Veja on line

A pretexto de obter informações para uma investigação interna da corregedoria sobre delitos funcionais de seus agentes e delegados, a Polícia Federal intimou cinco jornalistas de VEJA a prestar depoimentos. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da Republica, da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo. Três dos cinco jornalistas intimados – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro – foram ouvidos na tarde de terça-feira pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.

Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial. Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição.

Ao tomar o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira indagou os motivos pelos quais ela escrevera "essa falácia". A repórter da VEJA, então, perguntou ao delegado Moysés qual era o sentido de seu depoimento, uma vez que ele já chegara à conclusão antecipada de que as informações publicadas pela revista eram "falácias". Ao ditar esse trecho do depoimento para o escrivão, o delegado atribuiu a palavra à repórter, no que foi logo advertido pela representante do Ministério Público Federal, a procuradora Elizabeth Kobayashi. A procuradora pediu ao delegado que retirasse tal palavra do depoimento porque tratava-se de um juízo de valor dele próprio e que a repórter nunca admitira que escrevera falácias.

Embora a jornalista de VEJA estivesse depondo na condição de testemunha num inquérito sem nenhuma relação com a divulgação das fotos do dinheiro do dossiê, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre reportagem anterior, assinada por ela, que tratava do tema. O delegado exigiu, então, da repórter que revelasse quem lhe dera um CD com as fotos. A repórter se recusou a revelar sua fonte.

Durante todo o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre o que ele dizia ser uma operação de VEJA para "fabricar" notícias contra a Polícia Federal. Disse que a matéria fora preconcebida pelos editores da revista e quis saber quem fora o editor responsável pela expressão "Operação Abafa".

O delegado disse que as acusações contra o diretor-executivo da Superintendência da PF, Severino Alexandre, eram muito graves. E perguntou "Foi você quem as fez? Como vieram parar aqui?". Referindo-se à duração do depoimento, o delegado Moysés Eduardo Ferreira disse: "Se você ficou duas horas, seu chefe vai ficar quatro"

Indagada sobre sua participação na matéria, a repórter Camila Pereira disse ter-se limitado a redigir uma arte explicativa, a partir de entrevistas com advogados, sobre como a revelação da origem do dinheiro poderia ameaçar a candidatura e/ou um eventual segundo mandato do presidente Lula. O delegado perguntou quais advogados foram ouvidos. A repórter respondeu que seus nomes haviam sido publicados no próprio quadro. O delegado, então, perguntou se VEJA pagara pela colaboração dos advogados. Diante da resposta negativa, o delegado ditou para o escrevente que a repórter respondera que "normalmente a revista não paga por esse tipo de colaboração". A repórter, então, o corrigiu, dizendo que a revista nunca paga para suas fontes.

Embora os repórteres de VEJA tenham sido convocados como testemunhas, o delegado Moysés Eduardo Ferreira impediu que eles se consultassem com a advogada que os acompanhava, Ana Dutra. Todo e qualquer aparte de Ana Dutra era considerado pelo delegado Ferreira como uma intervenção indevida. Em determinado momento, Ferreira ameaçou transformar a advogada em depoente. Ele também negou aos jornalistas de VEJA o direito a cópias de suas próprias declarações, alegando que tais depoimentos eram sigilosos. A repórter Júlia Duailibi foi impedida de conversar com o repórter Marcelo Carneiro.

A estranheza dos fatos é potencializada pela crescente hostilidade ideológica aos meios de comunicação independentes, pelas agressões de militantes pagos pelo governo contra jornalistas em exercício de suas funções e, em especial, pela leniência com que esses fatos foram tratados pelas autoridades. Quando a imprensa torna-se alvo de uma força política no exercício do poder deve-se acender o sinal de alerta de modo que a faísca seja apagada antes que se torne um incêndio. Nunca é demais lembrar: "Pior do que estar submetido à ditadura de uma minoria é estar submetido a uma ditadura da maioria."

Imprensando a imprensa

Por Guilherme Fiúza
Publicado na coluna Política & Cia / Em NoMínimo

A massa esperava excitada a chegada do presidente reeleito ao Palácio da Alvorada. De repente, avistou o inimigo. Passou então a insultá-lo em coro, intimidá-lo com empurrões, ameaçar linchá-lo.

O inimigo, armado de câmeras e bloquinhos de papel, era a imprensa. A massa, composta em sua maioria de militantes do PT e funcionários públicos, certamente ecoava as palavras de Lula no discurso da vitória. O presidente estava exuberante e foi claro: confraternizava-se com o povo, ou melhor, com o povo que aprovara o que ele fizera nos últimos quatro anos – apesar de ‘instado’ a se voltar contra o governo.

De um só golpe (talvez fosse melhor evitar esta palavra), Lula abria duas feridas: de um lado, trocando o estadista pelo militante, dividiu o eleitorado entre ‘nós’ e ‘eles’; de outro denunciava uma conspiração dos que ‘instaram’ o povo contra ele – ou seja, a mídia.

Na Venezuela, a guerra e o governo populista e a imprensa golpista aniquilou a opinião pública. A circulação da informação passou a ter tanto valor quanto a troca de pedradas na Faixa de Gaza. Ou seja: na sociedade não há mais massa crítica, apenas massa de manobra.

No auge do mensalão, Lula disse que no Brasil, como na Venezuela, o governo popular estava sendo sabotado pela direita. Uma comparação equivocada e perigosa, com a qual o presidente parece sonhar.

No início desta segunda etapa da Era Lula (quantas serão?), enquanto o noticiário se distrai com esta conversa renitente e inútil do crescimento, a grande batalha que se impõe é a da informação. Lula já mostrou que continuará o bombardeio de versões, como quando declara que seu governo estabilizou a economia. Já a oposição indica que vai insistir na ladainha dos juros, tentando passar a impressão de que a culpa é de Lula. Já já, a informação vai estar valendo tanto quanto uma pedrada.

Lula afaga o povão, não fala mais de um minuto sem pronunciar a palavra ‘pobres’ e repete o mantra hipnótico da tal reforma política. Ingredientes perfeitos para convocação de plebiscito e mudanças de regra da democracia. O espírito de Hugo Chávez paira sobre Brasília.

No final de seu discurso, Lula falou em governar para todos (depois de distinguir seus eleitores dos demais). Anunciou também que passará a dar entrevistas coletivas, mudando a relação com a imprensa. Por outro lado, não para de falar em ‘democratização dos meios de comunicação’, eufemismo que neste contexto, como se sabe, significa controle da mídia – segundo o famoso manual de Dirceu, Gushiken e Tarso Genro.

O Brasil ainda não é uma Venezuela. Mas simpatizantes do presidente já agridem jornalistas a céu aberto. Ou seja, estamos chegando lá.

A mordaça no direito de expressão

Durante muito tempo, estamos alinhados aos democratas que têm percebido sinais de alerta, nas ações, palavras, gestos e até programas e projetos do governo Lula em sua tentativa de calar as vozes mais representativas da nação e que representam a total defesa – até diria intransigente defesa – das instituições democráticas do País.

De uma certa forma, os delinqüentes hoje instalados no poder, tem até obtido sucesso no seu intento de impor à sociedade brasileira o seu defenestrado projeto de poder socialista, ou esquerdista, ou seja lá a droga de nome que se queira dar ao sistema político ditatorial, em que o Estado é subjugado por um partido político, e todas as forças da sociedade são submetidas à vontade deste partido, que passa a ditar até de que forma devemos comprar o pão nosso de cada dia na padaria da esquina.

Lula quando surgiu para a vida política nacional foi tratado como a via alternativa para combate à ditadura militar. Inicialmente à frente de sindicatos, depois já como líder político da facção vermelha que o PT representa, e nela se juntam todos os ranços anarquistas que o mundo conheceu e varreu da face da Terra no século passado, aliou-se à outra fieira de pensadores e políticos no objetivo comum de redemocratizar o Brasil.

E esta é a única coisa em comum que os dois lados conseguem manter na história: derrubar o regime militar. Daí para frente, um tenta construir um país moderno e liberal, outro tenta sabotar qualquer tentativa de construção, desde que não seja sua própria política.

Reparem que, de 1985 para cá, sempre que houve agitação na sociedade para indispor o governo com o povo, o PT esteve na linha de frente. Mas quando chamado a unir esforços para reconstrução, o PT deu às costas para o país e disse “não”. E não se contentou apenas em ser sempre do contra: o PT, e diga-se Lula e seus miquinhos delinqüentes, por exemplo, sequer assinou a Constituição de 1988, aquela cidadã de Ulysses Guimarães, que sacramentou a retomada do estado de direito democrático. Como também, depois de derrubar Collor, e por razões até infantis se comparada com a lista telefônica de más ações cometidas pelo PT hoje no Poder, chamado por Itamar Franco, o vice que se tornou titular, disse simplesmente “não”. Sempre na oposição, já no governo de FHC, Lula várias vezes foi chamado para compor uma agenda de interesses comuns para votar nas indispensáveis reformas de modernização do país. Sempre dizia “não” e votava “contra”.

Hoje, o mote que Lula usa de “deixe o homem trabalhar”, talvez seja porque em função de décadas de ociosidade, Lula resolver trabalhar. Mas contra quem Lula trabalha? Contra o país, é claro. E não venham com a conversa mole de que ele trabalha para construir porque disso Lula e o PT não sabem. Não está em seu DNA. Sempre foram oposição ao país, sempre trabalharam contra, sempre anarquistas e desconstrutores, não se espere desta turma rancorosa e preconceituosa, algum ato de bondade. A menos para seus iguais. Ah, estes são abençoados pelo “padrinho”. Até quando cometem crimes. Ah, mas quem não erra ? Esta a diferença: para o PT, crimes de seus aloprados miquinhos, são erros. Dos outros, paredão e cadeia!
Pois bem, nem bem passaram-se 2 dois dias de sua reeleição, e de seu discurso de bom-mocismo, quando prometeu mudar sua relação com imprensa, eis o velho e bom Lula e seu partideco retrógrado em ação: descendo o pau na mídia, na imprensa, por seus militantes imbecis, agredindo com sarrafo, constrangimento pela PF (que deveria ser republicana, mas está se tornando um regimento do partido), e até pelo boçal presidente do partido, Marco Aurélio Garcia, e vejam aí, o “democrático porra” loca Ciro Gomes também dando seu palpiteco infeliz contra a imprensa. Ah estes governantes com perfil de caudilho ? Ainda não aprenderam a viver num verdadeiro regime democrático, alguns ainda cultivam o espírito do coronelismo nordestino de que parecia nos livrarmos. Que nada ! Mudaram os nomes e as moscas, mas o cheiro de m. ainda é mesmo, do mesmo modo como a ação truculenta não se desfaz nas personalidades dementadas de seus novos personagens!

Vejam que a cronologia deste desgoverno na sua relação com a imprensa é algo para psicanalista: começou com a expulsão do repórter do NYT, porque cometeu o impropério de dizer a verdade que todos no país já sabiam, ou seja, que nosso “presimente” é chegado num goro !!! Que absurdo destes gringos ficarem de picuinha com a “branquinha” verde-amarela do “presimente” ! Puro preconceito !!!

Depois, passados mais de três anos e meio de governo nosso “estadista” somou “uma” entrevista coletiva com os meios de comunicação, como se o imperador pomposo não tivesse obrigação de prestar contas de seus atos e de sua administração !!!

Depois, por duas vezes, precisou recuar de sua ação de “regulamentar” as atividades de jornalistas, que nada mais eram do que tentar amordaçar a imprensa e acabar com “este” maluco das democracias de haver liberdade de expressão ! Onde já viu tamanho privilégio !!!

Ah, mas Lula e seus miquinhos delinqüentes não são de entregarem os pontos ! Conseguiram desempregar Boris Casoy e mantê-lo longe do trabalho apenas porque o Boris criticava o governo Lula ! Quanta imoralidade seu Boris ! Será que você não reparou nos santinhos que nos desgovernam !

Em todas as entrevistas de Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia, Dilma Rousseff, Marta Suplício, quer dizer, Suplicy, Lula, Berzoini quando ainda era, e todos os demais petistas de carteirinha, observem que sempre há uma pedrada sendo endereçada à imprensa. “Maldita imprensa que noticia nossos crimes. Acabem com ela !”

Assim, censuraram Arnaldo Jabor, e por um artigo que, convenhamos, nada tinha que justificasse a censura. Durante toda a campanha eleitoral deste ano, o que mais se viu foram ações e mais ações censurando a imprensa por que esta ...vejam vocês, noticiava. Pode ? Agora, militantes agridem e perseguem jornalistas. Quais militantes ? Aqueles com assento em emprego do governo, pagos com o nosso dinheiro ! E, para culminar, a Polícia Federal do PT, intima jornalistas da Veja e os constrange e os ameaça ! Vocês pensam que acabou ? Não, vem aí, e está no programa de Lula para este segundo desastre de quatro anos, um projeto espetacular. Por ele, o petismo delinqüente quer amordaçar definitivamente a imprensa que tem a mania de noticiar a verdade. Para eles, a imprensa deve ser livre para noticiar as notas oficiais do partido, notícias agradáveis do governo, vender nas bancas da esquina mais próxima, versões mentirosas de um governo cafajeste dirigido por imorais. Ainda trataremos deste projeto imoral em artigo próprio.

A seguir, alguns artigos e notícias sobre a onda de ataques à imprensa livre deste país, para que vocês reflitam nas mãos de que espécie de gente o Brasil está entregue. E também para que cada um, tanto quanto possa, não se calem e não se acovardam para a ação criminosa de uma quadrilha que se delega poderes além daqueles que a constituição prevê. Não podemos permitir que a conquista da liberdade, fruto da luta de 21 anos, seja anulada por uma bando larápios e decadentes esquerdistas, que ainda não se convenceram de que o mundo mudou e de sua ideologia foi sepultada no esgoto em foi gerada.

Assim, Guilherme Fiúza, Reinaldo Azevedo, Cláudio Humberto, apenas para citar alguns, juntos com repórteres da Folha, da Revista Veja, Tribuna da Imprensa, solidários e intransigentes defensores da liberdade de expressão, conquista inarredável da democracia, desfilarão neste espaço seu pensamento e suas notas sobre o que está em curso no Brasil. Leiam, reflitam e reajam. O que está em jogo é a própria liberdade do cidadão brasileiro. E dela não podemos e não devemos abrir. Seja sob pretexto for. Já que seremos desgovernados por estes bandoleiros por mais quatro anos, que ao menos o seja sob o pleno estado de direito. Tanto quanto se saiba, urna não é anistia para criminosos e vigaristas agirem impunemente com os interesses maiores da sociedade.

O apagão dos aeroportos!

Por Flávio Freitas Faria (*)
Publicado no Alerta Brasil

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Ainda está viva na memória dos brasileiros a ocorrência do "apagão", quando a incúria das autoridades colocou sob risco o fornecimento de energia elétrica, impondo restrições aos cidadãos e às empresas. A sociedade brasileira sofre agora as conseqüências do caos que se instalou nos aeroportos, em novo espetáculo de fracasso do poder público federal na prestação de serviço sob sua responsabilidade.
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Tal qual havia ocorrido em 2001, no apagão da energia elétrica, as autoridades aeronáuticas e aeroportuárias recorrem a explicações e justificativas absolutamente inaceitáveis para ocultar sua omissão. Não podendo atribuir a culpa a São Pedro, como naquela ocasião haviam tentado os responsáveis pelo setor elétrico, as autoridades civis e militares que deveriam zelar pela gestão eficiente da navegação aérea buscam agora escamotear sua negligência com argumentos que ofendem a inteligência do cidadão brasileiro.
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Uma dessas autoridades teve o atrevimento de atribuir o "apagão" dos aeroportos, em especial o de Brasília, ao excesso de pousos e decolagens em decorrência das eleições. Feliz seria o Brasil se tantos cidadãos possuíssem aviões a ponto de congestionar os céus por ocasião dos pleitos eleitorais. Esqueceu-se, porém, ao inventar tal disparate, que algumas semanas atrás vivemos uma eleição de primeiro turno sem que nada de anormal ocorresse nos aeroportos do País.
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Um outro veio em seguida dizer que o Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, havia subitamente chegado ao limite de saturação. Tivesse consultado a página da própria Infraero na Internet e teria evitado a gafe. De janeiro até o final de setembro de 2006, o movimento de aeronaves na capital federal havia somado 93.250 pousos e decolagens, contra um total de 97.872 operações realizadas no mesmo período de 2005. O movimento diminuiu, portanto. E não se pode esquecer que uma segunda pista havia sido há poucos meses inaugurada no aeroporto brasiliense, o que permite supor uma melhoria em suas condições operacionais.
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O que as autoridades teimam em negar, é o que todos já perceberam. Os controladores de vôo, civis e militares, estão realizando uma ação coletiva e deliberada de retardamento dos pousos e decolagens. Chame-se a isto operação tartaruga, procedimento padrão, greve branca, ou que outro nome se deseje inventar: é incontestável que os vôos estão sofrendo atrasos sistemáticos em razão de alteração das rotinas até então adotadas, sem que houvesse qualquer ordem superior para tal. Vá lá que o Comando da Aeronáutica prefira não enxergar tal atitude como indisciplina, para evitar o incômodo da apuração de responsabilidades e da aplicação de punições. Não se pode pretender, porém, que os usuários dos aeroportos, já suficientemente incomodados pelos atrasos de seus vôos, sejam compelidos a aceitar explicações tão destituídas de fundamento.
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Muitos devem estar, com toda razão, condenando a categoria dos controladores de vôo pelo aproveitamento político da comoção pública subseqüente ao acidente com o jato da Gol. No entanto, é inegável que o salário de um controlador de vôo é ínfimo perante a responsabilidade colocada em suas mãos. A falta de sensibilidade revelada pela categoria não isenta seus superiores hierárquicos, a quem competia agir para remediar-lhes o salário iníquo.Irregularidades no cumprimento de escalas de trabalho e respectivos períodos de descanso também devem ser atribuídas às autoridades aeronáuticas. Se o cumprimento estrito das normas exigia a ampliação do contingente de controladores de vôo, por que não foram tomadas as providências necessárias para tal?
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O colapso do controle de nosso espaço aéreo não resulta de fatores imponderáveis, ou de um excesso de tráfego aéreo contra o qual seja impossível reagir. Se assim fosse, os cidadãos americanos, europeus e asiáticos já viriam experimentando há décadas o tumulto que ora assola nossos aeroportos. Qualquer um dos quatro mais movimentados aeroportos americanos (Atlanta, Chicago, Los Angeles e Dallas-Fort Worth) suporta sozinho mais pousos e decolagens anuais do que a soma de nossos quatro aeroportos de maior movimento (Congonhas, Guarulhos, Brasília e Galeão). É evidente que, para tanto, dispõem de recursos materiais e humanos muito superiores aos nossos. Cabe, porém, àquelas mesmas autoridades prever a expansão do tráfego aéreo e tomar as providências para enfrentar tal crescimento. Se não o fizeram a tempo, falharam em sua missão.
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Não há mistério no que está ocorrendo. Falhou o governo agora, assim como falhou o governo anterior ao não agir para evitar a crise do setor elétrico. O "apagão" dos aeroportos, assim como o "apagão" do setor elétrico, poderia ter sido evitado.
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(*) Flávio Freitas Faria é engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e consultor legislativo da Câmara dos Deputados

O apagão aéreo que assassinou 154 pessoas

Por Reinaldo Azevedo

Acabou a farsa. Sabem aquela saída: “culpem os americanos?” Não funcionou. Alguns cretinos acusaram um verdadeiro complô na Rede Globo, que teria subestimado o acidente com o Boeing da Gol para dar destaque às fotos do dossiê. Agora, o que há para dizer? A sorte de Lula é que a eleição não é daqui a duas semanas... O “apagão da energia elétrica do governo FHC” — escrevo assim, entre aspas, que é como o PT chamava e chama a crise de energia de 2001 — não matou ninguém. O “apagão da aviação do governo Lula” fez 154 vítimas fatais. Os familiares já têm a quem acionar: a União. Reportagem de Eliane Cantanhêde, na Folha de hoje, informa: a caixa-preta do Legacy revela que a torre de São José dos Campos errou e autorizou os pilotos Joe Lopore e Jean Paladino a voar a 37 mil pés, na contramão do avião da Gol. O resto já se sabe.Quando o acidente aconteceu, no dia 29 de setembro, a operação-padrão dos controladores de vôo ainda não estava em curso, é verdade. Mas já estavam em vigência as péssimas condições em que eles trabalham “nestepaiz”, o que é atestado por organismos internacionais. Quando isso foi noticiado no The New York Times, o governo reagiu com sua honra verde-amarela ferida. Os passaportes dos pilotos foram apreendidos. Eles só fizeram o que lhes mandaram fazer, contrariando o plano de vôo que tinham.
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A reportagem de Canhanhêde lista, sim, outros problemas, incluindo a falha no transponder. Mas leiam o texto. Nada explica que não se tenha alertado o avião da Gol para o que era, quando menos, um alto risco de colisão. Acidentes acontecem? Acontecem. Em qualquer parte do mundo. O que cobre o nosso de ridículo é a patetice das autoridades e a versão de que “os gringos” foram acusados sem haver qualquer prova material. Waldir Pires, ministro da Defesa, com uma longa folha de desserviços prestados ao Ministério da Previdência e ao governo da Bahia, afirmou anteontem que o problema dos controladores “é mais de fundo emocional”. Não é. Eles decidiram operar segundo as normas internacionais de segurança. Deu no caos que estamos vendo.Não sei como anda o transporte marítimo. O terrestre, com exceção das estradas paulistas até onde sei, é o caos na forma de buracos. O dos céus vive uma situação de calamidade. Não obstante, o governo “como nunca houve nestepaiz”, no horário eleitoral gratuito, satanizou as privatizações, aquelas mesmas que fazem das estradas de São Paulo as mais seguras do país. Com pedágio, é verdade. Quem as quer como são sem pagar acredita em almoço grátis; está querendo um Bolsa Automóvel.
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Mas ninguém gosta de privatização por aqui, como se viu pelo resultado das urnas. A gente prefere mesmo é o Estado assassino. Espero que a indenização às famílias seja paga em “conys”. “Cony” é a moeda que uso para reparação àqueles que são vítimas do Estado. Se quem perdeu um cargo de jornalista merece 1,5 milhão de conys mais 20 mil conys por mês, quanto deve receber a família de quem perdeu a vida porque a infra-estrutura do Brasil é um lixo?
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Que este seja o país do Aerolula é só a ironia que definitivamente nos cobre de ridículo. Alguns leitores observam que escrevo, às vezes, textos furiosos. Pois é. Eu acho mesmo que nos falta um pouco de fúria. Aquela que todo indivíduo deve ter contra o Estado e o governo se não quer ser um escravo moral.

TOQUEDEPRIMA...

A grave crise nos aeroportos do país - II.

Clientes da TAM: desrespeito e correria

O domínio da TAM no mercado nacional de aviação civil e a falta de punição dos órgãos regulares, como a Agência Nacional de Aviação Civil, continuam gerando situações desagradáveis. Os passageiros do vôo 3566 da TAM que saíram de Brasília para Salvador na quarta-feira (25) passaram maus momentos. Por falta de teto no aeroporto da capital baiana, o piloto teve que pousar em Aracaju. Os cinqüenta passageiros que viajam no Airbus foram colocados na sala de espera até o final da tarde. O avião seguiu para Recife. Após horas de espera na capital sergipana, pousou um Fokker 100. No entanto, havia apenas vinte vagas disponíveis. Como não houve consenso para saber quem iria embarcar o jeito foi cada um pegar as suas bolsas e sacolas e sair correndo pela pista. Quem chegou primeiro na escada do avião conseguiu embarcar. Os demais voltaram para a sala de espera. O jeito foi dormir em Aracaju.


Aeroportos podem enfrentar colapso até 2015, prevê ITA

Filas nos balcões de check-in, atrasos dos vôos e congestionamento de aeronaves nas pistas e nos pátios. O aumento da procura por passagens aéreas tem feito com que os aeroportos do país operem quase no limite. Estudo do ITA mostra que alguns deles poderão entrar em colapso até 2015.


Vôos atrasam e polícia tem que conter passageiros revoltados

A média de atrasos nos principais aeroportos do País ultrapassa três horas nesta manhã. Alguns vôos que decolariam na noite de ontem e na madrugada ainda não têm horário previsto. Os atrasos provocam irritação dos passageiros e vários tumultos já foram registrados nos aeroportos de Guarulhos (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).

No Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica), na Grande São Paulo, cerca de 500 pessoas aguardavam, por volta das 5h30 de hoje, uma posição das companhias aéreas após horas de atraso de seus vôos. Em meio à situação tensa, alguns passageiros que ficaram esperando durante horas chegaram a invadir o guichê da companhia aérea. A polícia, que está de plantão no local devido aos ânimos exaltados, teve de intervir.

No Rio de Janeiro, no Aeroporto Antônio Carlos Jobim (Galeão), alguns passageiros invadiram o balcão de informações da Gol e começaram a quebrar o local, durante esta madrugada. Segundo relato de clientes da companhia, a polícia foi acionada para deter os passageiros. Pelo menos 28 vôos nacionais e internacional já foram cancelando desde a meia noite desta quinta-feira.

No Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, em Salvador, a polícia também foi chamada para conter passageiros revoltados com os atrasos e cancelamentos. Alguns passageiros ameaçaram invadir a pista. Segundo a Polícia Militar, duas mil pessoas aguardavam no aeroporto nesta manhã,.

Em Porto Alegre, um grupo que iria para Montevidéu, no Uruguai, passou a noite no Aeroporto Salgado Filho. Nesta manhã, indignados com o atraso, um dos passageiros chegou a agredir um funcionários da companhia aérea Gol, responsável pelo vôo. O grupo passou a impedir o check-in de outros passageiros e a empresa teve de improvisar um outro balcão.
Este é o sétimo dia seguido de atrasos e cancelamentos de vôos nos principais aeroportos do País. Os problemas são causados por uma operação padrão dos controladores de vôo, que alegam sobrecarga de trabalho.

Redação Terra

Atrasos e cancelamentos de vôos no Aeroporto de Recife

Do início da madrugada desta quinta-feira (2) até o momento, já foram cancelados dois vôos e confirmados atrasos em outros cinco, no Aeroporto dos Guararapes, em Recife.

A jornalista Jaqueline Araújo, que planejou passar férias com o marido Sérgio Romeiro, nos Estados Unidos, chegou hoje às 5 horas da madrugada ao aeroporto, ainda não embarcou.

Jaqueline disse que a situação é angustiante. "A gente planejou a viagem com um ano de antecedência e não tem certeza se vai poder mesmo embarcar. É preciso paciência para esperar. Procuramos matar o tempo lendo, conversando, mas ficamos sempre naquela incerteza", declarou.

O administrador de empresas, Thomas Souto, contou que precisou esperar nove horas no saguão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, para embarcar para o Recife, de onde seguiu até a praia de Porto de Galinhas. Ele disse que encontrou muita gente desanimada e revoltada e defendeu que a venda de passagens seja suspensa até que a situação nos aeroportos do país se normalize.

"Vim para relaxar, mas vi que a coisa complicou. Não sei como será a volta, estou me preparando para enfrentar situação pior", observou.

Agência Brasil

Passageiro critica PF em aeroporto de Brasília

Luis Roberto Cerejo, passageiro que aguarda embarque desde às 19h30 de ontem no aeroporto de Brasília, criticou a atuação da Polícia Federal na madrugada desta quinta-feira, em uma suposta confusão envolvendo passageiros e a companhia Gol.

Segundo a rádio CBN, um grupo de passageiros ameaçou invadir um avião da companhia. Cerejo, entretanto, negou qualquer tipo de confusão por parte dos passageiros.

"Fomos chamados para conversar com o controlador do tráfego aéreo do aeroporto. Estávamos reunidos no restaurante, porque estamos aqui desde as 19h30. A conversa estava sendo amistosa, não houve em momento algum nenhum tipo de ameaça às instalações ou a funcionários da empresa", afirmou à Globonews.

"Fomos surpreendidos pela chegada de um contingente da Policia Federal, em uma atitude totalmente hostil", completou Cerejo.

O passageiro criticou também o tratamento da companhia que, segundo ele, não passa informações corretas sobre a situação do vôo.

Redação Terra

TOQUEDEPRIMA...

A grave crise nos aeroportos do país - I

A confusão está no ar e na terra
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Da Folha de S.Paulo

"No dia em que o atraso e cancelamento de vôos e os transtornos de passageiros atingiram todos os principais aeroportos do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem as principais autoridades do setor. Ao final do encontro, o governo divulgou apenas que "tem esperanças" de que a situação volte ao normal nas próximas semanas.
Mais algumas medidas foram tomadas para tentar reverter a crise: mudança de rotas para evitar o congestionamento na área do radar de Brasília -o que poderá aumentar o tempo desses vôos-, suspensão das férias e abertura de concurso para controladores de vôo e a criação de uma "cooperativa" com representantes de empresas aéreas, controladores de radar e funcionários da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Caberá a essa cooperativa decidir em tempo real as prioridades de decolagens e eventuais fusões de vôos para diminuir o tráfego.
Segundo o presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), George Ermakoff, "a qualquer sinal de problemas, as empresas aéreas poderão se antecipar aos fatos."

‘Greve’ é insubordinação


A “operação padrão” dos controladores de vôo, que provoca o caos nos aeroportos, não passa de insubordinação militar, segundo fonte destacada da Aeronáutica. São sargentos, estimulados por superiores imediatos, que reclamam do excesso de trabalho, da suspeita de culpa no acidente da Gol e de decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que proibiu uma espécie de “passe livre” que lhes garantia passagens aéreas de graça

Prejuízo


Segundo o militar, controladores “seguram” aviões em cabeceiras de pista, com turbinas ligadas, mostrando que passagem de graça é prejuízo menor.

Exceção

Aviões da TAM são menos penalizados pela “greve” dos controladores porque – diz a fonte da Aeronáutica – ainda lhes dá passagens aéreas.

Perplexidade

A Aeronáutica não sabe como lidar com a insubordinação dos militares controladores de vôo. Inventou vários pretextos, antes de admitir a greve.

A Aeronáutica alegou que o caos era devido a um “sistema novo” de controle de vôo, depois “excesso de aviões” etc. Mas era só uma greve.

O tenente-brigadeiro Paulo Roberto Vilarinho, do controle do espaço aéreo, deve ser a primeira vítima da crise dos controladores de vôo: o comando da Aeronáutica cogita substituí-lo pelo brigadeiro Antonio Pinto Macedo.

Quem manda

Diante da alegação da diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, de que tem mandato até 2010 e não arreda-pé, entre amigos a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) exclamou: “Eu desmandato!...”

No aeroporto de Brasília, xingamentos a Lula

Ontem, na noite de horror no aeroporto de Brasília, provocada pela "greve branca" dos controladores de vôo, os passageiros da Gol do vôo 1716, que deveriam ter embarcado às 21h30 com destino a Salvador e Aracaju só conseguiram viajar por volta das 2h20 da manhã desta quarta-feira. Após quatro horas de atraso e muita discussão com os passageiros exigindo alimentaçao, a Gol resolveu anunciar que iria fornecer lanche na praça de alimentação, no lado externo e distante do salão de embarque. Mesmo com fome, os passageiros revoltados começaram a gritar palavras de ordem contra o presidente Lula, a Infraero e até às companhias aéreas. "Não quero pão, quero avião"; "Vamos invadir" e até ironizando o slogan de campanha para a reeleição do presidente da República: "Deixe o homem trabalhar. Ele quer é viajar" e "Queremos viajar no aerolula".


Avião arremete periogosamente em Guarulhos


Um avião da Aerosul arremeteu hoje à tarde, ao tentar aterrissar em Guarulhos. Para azar do piloto e da companhia, a bordo viajava um jornalista de um importante jornal de São Paulo, que na edição de amanhã promete narrar a perigosa manobra que assustou os pasageiros.

OAB defende a demissão imediata de ministro

O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Octávio Gomes, defendeu hoje a imediata demissão do ministro Waldir Pires (Defesa), em virtude da grave crise pela qual vem passando o transporte aéreo nacional. "A crise do tráfego aéreo no Brasil tem se agravado a cada dia, com prejuízos incalculáveis a milhares de cidadãos, e o ministro da Defesa tem dado demonstração de absoluta incompetência para resolvê-la, razão pela qual a sociedade clama por sua substituição por alguém com aptidão para solucionar o problema", disse o presidente da OAB-RJ. Para Octávio Gomes, a greve branca dos controladores de tráfego aéreo no País é apenas mais um dado nessa crise que se iniciou com o acidente fatal da Gol. "Acidente sobre o qual a população brasileira até hoje não conhece as verdadeiras causas, o que também revela a in incompetência do ministro Waldir Pires, que tem tergiversado sobre os verdadeiros fatos que levram àquele drama - se é que os conhece".

Apagão aéreo
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O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) é um dos quase 200 passageiros que se amontoam neste momento no aeroporto de Brasília à espera da partida para lá de atrasado.
Jungmann espera desde às 16 horas que decole o seu. E não faz a mínima idéia de quando ele decolará.
- O novo governo Lula começou com o apagão aéreo - comenta, irritado, o deputado.

Desastre previsto

LAMENTÁVEL! O governo federal sabia desde 2003 do risco de colapso no sistema de controle do tráfego aéreo

Do Estadão

O governo federal sabia desde 2003 do risco de colapso no sistema de controle do tráfego aéreo. Documento do Conselho de Aviação Civil (Conac) de outubro daquele ano e assinado pelo então ministro da Defesa, José Viegas Filho, alertava para a retenção de investimentos no setor, que poderia obrigar a Aeronáutica a adotar medidas radicais de restrição de vôos, com efeitos semelhantes ao da operação-padrão realizada há cinco dias pelos controladores. Ontem a operação provocou pelo menos 381 atrasos de vôos nos principais aeroportos.
O colapso do sistema estava previsto num item do texto que tratava das diretrizes para a gestão dos recursos do Fundo Aeronáutico e do Fundo Aeroviário. 'A diminuição dos recursos aplicados nessa atividade pode obrigar o Comando da Aeronáutica, por medida de segurança, a adotar um controle de tráfego aéreo nos níveis convencionais existentes no passado.'

Comentário do Argumento & Prosa:

Seríamos precipitados se desconfiássemos que, na verdade, a causa do trágico acidente com o vôo da Gol foi a reles falta de investimentos neste setor?