quinta-feira, agosto 02, 2012

O Brasil parou.


Adelson Elias Vasconcellos


No artigo do Celso Ming para o Estadão, ele relata a situação de “quase parando” da economia brasileira. Contudo, a gente percebe que este “quase” já se tornou parou. O país como um todo parou.

Do lado do Poder Público, milhares de servidores, indiferentes às necessidades e momento pelos quais passam o Brasil e o mundo, continuam pressionando o governo Dilma por planos de carreiras, reajustes e outras vantagens, como se não tivessem sido eles próprios os maiores beneficiários da farra fiscal comandada por Lula em seu segundo mandato, e que agora Dilma precisa administrar.

São milhares de servidores de braços cruzados, e instituições vazias e sem prestar os serviços para os quais foram criadas. Neste sentido, o ano letivo dos estudantes universitários já foi para o espaço. Suas formações, conjugando-se a greve deste ano caminhado para setenta dias de paralisação, aos quatro meses de 2011, comprometeram, irremediavelmente, suas formações acadêmicas. E olha que o Brasil precisa mais do que nunca formar novos engenheiros, médicos, geólogos, eletrotécnicos, etc.Mas quem se preocupa com o futuro do país e suas carências e necessidades? 

Do lado do investimento, a coisa vai de mal a pior. Apesar de no balanço do PAC até que tenham tentado transparecer uma situação “ótima”, a verdade é que o investimento em infraestrutura – que é afinal um elefante atravessado no meio da estrada atravacando o desenvolvimento do país, a coisa vai mal. 

Apesar de que os investimentos das estatais sejam independnentes de políticas públicas, tratam de atender as necessidades de cada empresa em seu respectivo ramo de atuação, de sua parte, e já desde Lula, tem estes investimentos incluídos no bolo do PAC, que é  para engordar o IBOPE. Só que, se a gente for pinçar no orçamento da União qual o montante real do investimento público, ele representa cerca de 1/5 ou até menos do que vem sendo anunciado. Os depósitos em caderneta de poupança – portanto, são recursos do povo brasileiro e não do governo -  continuam jogando para o alto os tais índices de execução. Também devemos considerar que “desembolsos” não são obras prontas, executadas, muitas vezes, eles sequer saíram do papel.  


Ontem, 01/08, divulgou-se que a atividade industrial cresceu rizíveis 0,2% em junho em comparação à maio. Bastou para Mantega, do alto de sua sapiência desinformada, decretar que foi o mês da virada, ou  o "ponto de inflexão" como ele próprio denominou. Contudo, o ministro deveria ter visto que  a base de referência já fora ridícula em maio: negativos 1,4%. Ou, sequer conseguimos recuperar o que se perdeu. Estamos em débito, portanto, Mas Mantega vê horizontes coloridos num céu com pesadas e carregadas nuvens prenunciando chuvas e trovoadas. 

No campo político, então, a miséria é total. Paramos por conta da CPI do Cachoeira em que se falou, se coçou, se acusou, se protelou, enfim, armou-se um circo que até agora não resultou em nada. O governo, por sua base de apoio, insiste em não investigar a construtora Delta, a maior beneficiária de obras do PAC.  É ali que mora o inferno da corrupção que vive e mora no interior do governo. O Caso Cachoeira, quando visto pela lógica do bom senso, é peixe pequeno perto do que representaria uma boa devassa nas ações da Delta, nos inumeráveis contratos sem licitação que lhe entregaram de bandeja. 

E, enquanto o Congresso tira suas férias de meio de ano, pelo muito de esforço que precisou fazer para não fazer absolutamente nada no primeiro semestre, o Judiciário começa a dança dos demônios do mensalão. Se a gente quiser saber a diferença entre a imprensa séria e a imprensa abjeta ajoelhada aos pés do poder, com os devidos serviços chapa branca receber  suas trinta moedas da milionária  verba publicitária oficial, é só observar que, enquanto na séria, mensalão é chamado de mensalão, na abjeta é apenas Ação 470. Que bonitinho, né? Eles acham que assim a pecha de corrupção que originou no mensalão não irá perspegar no PT, no Dirceu, em Lula e toda a corja que os circunda.  Eita gente criativa, não é mesmo?

Mas deixando a ironia de lado, é preocupante o quadro que o país está vivendo. E reparem: não seria a crise internacional  capaz de frear o crescimento do país e fazê-lo encostar no acostamento para respirar e apreciar a paisagem. Claro que alguma influência teria, seria inevitável. Porém, outros países também estão no mesmo barco, países até envoltos no olho do furacão. Nem por isso, suas economias estagnaram tanto quanto a nossa. 

Violência continua firme, forte e em alta. A educação, ao contrário, continue torta, desvirtuada e em estadão de desqualificação. O aluno de ensino médio de hoje, sabe menos do que o mesmo aluno há dez anos atrás. Um milhão de crianças está fora das escolas e, ainda no mesmo ensino médio, de cada 100 jovens que nele ingressam, apenas 44 dão continuidade aos seus estudos. Também vimos aqui que mais de 1/3 dos estudantes universitários são analfabetos funcionais. Ora, se diante de tantas mudanças, revoluções, projetos, programas e recursos jogados no ensino nacional, estão dando resultados que, ao invés de melhorarem a qualidade estão fazendo com que ela regrida, será que não está na hora de rever valores, conceitos e caminhos?

Do mesmo modo se pode dizer da economia. Se após tantos pacotes, pacotinhos e pacotaços, a coisa emperrou de vez  e não anda, será que o diagnósitco e, por conseguinte, a prescrição do tratamento não precisa ser revisto?

Do lado do funcionalismo parado, há quantos anos o país todo sofre com contínuas greves que acabam resultando em mais despesas e vantagens para eles e, na contramão, os serviços que eles deveriam prestar à sociedade que lhes paga continuam em permanente degradação,? E, nem por isso, ninguém teve a grandeza de enfrentar os militantes e baderneiros, regulamentando a lei de greve e impondo limites aos abusos. 

E, ainda, em relação às greves, acaso alguém se deu ao trabalho de monitorar ou projetar o tamanho do prejuízo para o país, o quanto de riqueza que se deixou de produzir? Senhores, acreditem, o prejuízo seria maior que o volume de investimentos previstos no PAC para 2012 que foi de R$ 42,0 bilhões! E ainda tem quem se surpreenda com o nosso baixo crescimento quando comparado com outras economias emergentes!!!

Não, senhores, as causas estão todas aqui dentro mesmo. Somos nós os construtores da nossa pequenez, apesar do nosso riquíssimo potencial.  Fizéssemos apenas o feijão com arroz, mas de maneira eficiente e responsável, e nada além seria preciso para nos sustentarmos com crescimentos acima de 6,0% - e não 4,0% como afirmou o presidente do BNDES.  Na situação atual, até estes 4,0% projetados, não passam de uma ilusão, de uma quimera, de uma pretensão descabida. 

O Brasil parou. Estacionou no acostamento e continua apreciando a paisagem de maneira fútil, permitindo que as oportunidades passem em sua frente sem esboçar um gesto para aproveitá-las em seu proveito. 

Os sinais negativos, em todos os quadrantes da vida nacional, estão todos aí, e são escritos e pronunciados diariamente. Só não vê quem quer ou não tem competência. 

Assim, corremos o risco de jogar na lata do lixo todos os avanços dos últimos 20 anos, quando conseguimos sair do atoleiro, avançando tanto no campo econômico quanto social. Só que tais avanços foram insuficientes para nos projetar como nação desenvolvida. O que se fez foi repor apenas parte do prejuízo. Há muito para ser feito, para ser construído, para ser reformulado. Enquanto nos contentarmos com estes poucos avanços, achando que nada mais precisa ser realizado, vamos ficar para trás, de novo. 

Como seria bom ser governado não apenas pela competência, modernidade e visão de futuro: seria ótimo ser governado por quem se preocupasse mais com o país do que com suas carreiras políticas pessoais. Falta-nos, portanto, dirigentes brasileiros governando “O” Brasil "PARA" os brasileiros.

A bronca errada de Dilma


O Estado de S.Paulo

Em mais um surto de mau humor, a presidente Dilma Rousseff prometeu punir empresas beneficiadas com incentivos fiscais e outros favores concedidos pelo governo, se houver corte de pessoal. A ameaça foi feita em Londres, onde a presidente assistiu, na sexta-feira, à abertura dos Jogos Olímpicos. Enquanto prepara mais um pacote de incentivos, o governo manda um recado aos empresários: só terá direito à ajuda federal quem se comprometer a preservar empregos e, em certos casos, a cumprir um programa de investimentos. As cobranças surgiram quando a imprensa noticiou a possível demissão de 1.500 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos. Mas o recado sobre a exigência de contrapartidas vale, em princípio, para todos os setores premiados com as atenções do governo central. É cedo para dizer se essa pressão resultará no efeito prometido pelas autoridades. Mas pode-se fazer com segurança pelo menos uma previsão: novos pacotes produzirão efeitos muito limitados, se forem restritos a alguns setores e insuficientes para afetar a produtividade geral da economia brasileira. Favores a grupos e a segmentos empresariais eleitos pelos governantes são muito diferentes de políticas industriais e de planos de desenvolvimento.

Terminará em 31 de agosto o prazo da redução do IPI concedida ao setor automobilístico e aos fabricantes da chamada linha branca. Há expectativa de renovação, segundo fontes empresariais, mas há uma nova incerteza, também, diante das novas cobranças. Governo e indústria poderão discutir se os investimentos já realizados foram satisfatórios, mas o debate será certamente tão inconclusivo quanto inútil, porque o foco estará no ponto errado.

Ao mencionar a apresentação de novas medidas, em agosto e em setembro, a presidente Dilma Rousseff referiu-se à continuação de um "programa contracíclico". O uso dessa expressão é esclarecedor. A presidente e seus ministros econômicos parecem ter alguma dificuldade para estabelecer a distinção entre ações contracíclicas e medidas de política industrial ou, mais amplamente, de política de competitividade. A confusão é evidente no impropriamente chamado Plano Brasil Maior. A maior parte das ações anunciadas a partir do ano passado tem alcance meramente conjuntural. São medidas de efeito muito limitado, tanto por seu alcance meramente setorial quanto por seu caráter provisório.

Os grandes obstáculos ao crescimento econômico brasileiro, no entanto, são de outra natureza. Não são meramente conjunturais nem se resolvem com a mera depreciação cambial. Se for muito ampla, essa depreciação até poderá maquiar algumas ineficiências da economia nacional, mas de nenhum modo as eliminará. Demonstra visão curta quem insiste em calcular a sobrevalorização do real sem levar em conta as deficiências estruturais do País e as mais importantes vantagens competitivas de outras economias (boa formação escolar, infraestrutura mais completa e melhor, mais inovação, tributação mais racional e assim por diante).

A prometida redução de custos da eletricidade é uma das poucas medidas de alcance estrutural prometidas até agora. De fato, é até difícil lembrar de outras, exceto se a "política cambial ativa" e a redução dos juros forem incluídas nessa categoria. Além do mais, o barateamento do crédito terá alcance restrito, se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuar empenhado em financiar prioritariamente grandes empresas - incluída a Petrobrás -, normalmente comprometidas com grandes investimentos e com acesso fácil às fontes internacionais de recursos.

As ações até agora desenvolvidas pelo governo federal têm alcance limitado como políticas contracíclicas, como comprovam a estagnação da indústria e a rápida erosão do saldo comercial. Têm alcance ainda mais limitado como componentes de uma estratégia de modernização e de crescimento. Se percebesse esses fatos, a presidente Dilma Rousseff reservaria suas broncas a seus estrategistas econômicos, antes de dirigir sua braveza ao setor empresarial.

Dilma não pode demitir Mantega. Lula e os banqueiros não deixam. Aliás, os banqueiros já tramam contra a reeleição de Dilma. Eles preferem Lula.


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

A presidente Dilma Rousseff não suporta o ministro Guido Mantega. Só aceitou mantê-lo por imposição do ex-presidente Lula, que fez questão de montar o inistério de sua sucessora. Dilma aceitou a pressão, mas fez questão de nomear um economista de sua confiança para a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda, colocando Nelson Barbosa na equipe de Mantega, para vigiá-lo bem de perto.


Mantega ficou numa posição desconfortável, mas não largou o cargo, continuou agarrado a ele com todas as suas forças. A presidente Dilma sabe que Mantega não merece crédito, porque está a serviço do “sistema financeiro” desde sua desastrosa passagem pela presidência do BNDES, quando determinou que todas as operações do BNDES fossem “intermediadas” pelos bancos, que levam uma comissão de cerca de 4% ao ano, muito maior do que a percentagem do BNDES, que entra com todos os recursos dos financiamentos.

O BNDES recebe como remuneração a chamada TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo, que gira em torno de 6% ao ano. Atualmente, está em 5,5%. Em alguns programas, o banco adiciona uma taxa de risco ou algo assim. Portanto, subtraindo-se a inflação, às vezes o BNDES nem recupera o dinheiro que oferece para financiamento. Mas os bancos “intermediários” têm os 3%, 3,5% ou 4% garantidos, sem investirem um só centavo.

SERÁ QUE DILMA SABE?
Será que a presidente Dilma Rousseff tem conhecimento desse inexplicável privilégio do BNDES aos bancos? Será que ela sabe que esse favorecimento foi cortado por Carlos Lessa em 2003 e depois retomado por Mantega em 2005 e até hoje mantido pelo atual presidente Luciano Coutinho? Pode ser que saiba, mas pode ser até que nem saiba nada disso, vamos lhe conceder o chamado benefício da dúvida.

Mas, com toda certeza, Dilma Rousseff sabe que Mantega é um burocrata a serviço dos banqueiros. Aceitou mantê-lo por pressão de Lula, mas exigiu a saída de Henrique Meirelles do Banco Central. Nomeou Alexandre Tombini para o BC e agora o governo está conseguindo um milagre – começar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic. Contra a vontade dos banqueiros, é claro.

Mantega, óbvio, era contra a redução da Selic, mas Dilma passou por cima dele como um trator. A presidente o humilha, chama a atenção dele por qualquer motivo, trata mal na frente dos outros, mas Mantega se mantém agarrado ao cargo feito um carrapato financeiro, porque acredita que possa haver um revertere, ele conhece o poder incomensurável dos banqueiros.

PARA DERRUBAR DILMA
E esta é justamente a grande guerra que hoje se trava nos bastidores do poder. Os banqueiros agora querem destruir Dilma Rouseff de qualquer maneira, e contam com o apoio total de Guido Mantega. Para os bancos, é melhor repor Lula no Planalto do que continuar suportando o ataque de Dilma Rousseff, que está usando a força do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal contra os bancos privados.

Este é o quadro atual. O câncer de Lula foi curado, mas lhe deixou terríveis seqüelas – ele não consegue caminhar direito, tem dificuldades até mesmo para gravar uma mensagem aos eleitores de São Paulo. Na última vez que tentou, sua voz de vez em quando falhava. Agora reclama do inchaço no pescoço.

Tudo depende de Lula. Se ele se recuperar completamente, os banqueiros vão recolocá-lo no Planalto. O exame que fará no próximo dia 6 (segunda-feira) no Hospital Sírio-Libanês será muito importante. Se ele não tiver condições de fazer campanha para Fernando Haddad, a situação se delineia de uma forma. Mas se Lula estiver bem, os banqueiros soltarão foguetes e tudo farão para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff à  reeleição. Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho no famoso edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”.

Se a gente acreditasse em teoria conspiratória, iria dizer que a onda de greves, agora engrossada pelos caminhoneiros e pelos servidores do Judiciário, já estaria sendo incentivada pelos banqueiros. Mas pode ser apenas uma grande coincidência. De toda maneira, os banqueiros são amorais e capazes de tudo. Representam o que há de pior no capitalismo. Banco é serviço público, devia ser estatal. Simples assim.

Devagar, quase parando


Celso Ming
O Estado de São Paulo

Mais uma vez, o IBGE revela o desempenho decepcionante da indústria nacional e, novamente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisa que falta pouco para a indústria e toda a economia virar esse jogo perdedor.

Em junho, a produção física da indústria cresceu somente 0,2% em relação à de maio. Comparada com a de junho de 2011, foi 5,5% mais baixa. Nos seis primeiros meses deste ano, recuou 3,8% e, no período de 12 meses terminado em junho, também perdeu 2,3%.

(FOTO: ANDRE DUSEK/AE)
Mantega. ‘Vai virar.” Vai mesmo? 

Essa fraqueza operacional do setor industrial não tem nada a ver com falta de demanda. O consumo interno vai crescendo entre 5,0% e 6,0% neste ano. A indústria não consegue dar conta nem do mercado interno e vai sendo quase uma nulidade no mercado externo.

O problema de fundo, todos sabemos qual é: perda crescente de competitividade. O chamado custo Brasil tem avançado e a indústria brasileira vai ficando para trás.

O governo tem respondido a essa ineficiência com ainda mais ineficiência. Vai distribuindo pacotinhos de ação temporária, que inapropriadamente chama de políticas anticíclicas. Não passam de favores tributários com data marcada para acabar, caso também dessa redução de IPI para o segmento automotivo.

As distorções criadas com esses expedientes casuístas são enormes. Eles não criam mercado nem interno nem externo; apenas antecipam vendas internas. Isso significa que o faturamento que ocorreria mais à frente não sairá mais. Eles inibem investimentos não só porque a indústria fica à espera de nova edição de favores, mas também porque essas políticas voluntaristas, altamente dependentes da disposição da autoridade no comando a colocá-las em prática, deterioram o ambiente de estabilidade e de regras estáveis para os negócios.

Diante da nova planilha de números negativos divulgada nesta quarta-feira, o ministro Guido Mantega se sentiu na obrigação de levantar o moral dos empresários com as afirmações que vem repetindo há meses, de que o pior já passou e que vem aí uma virada. Tomara que, desta vez, esteja certo. Mas, por enquanto, esse otimismo não se confirma. E, mesmo que se confirme, não há como garantir que seja sustentável.

O governo avisa que está tomando providências para reduzir tarifas de energia elétrica. É esse o tipo de ação que vai na direção certa, na medida em que contribui para a redução dos custos de produção e para o aumento da competitividade. O problema é que essa redução vai se limitar a 10%, insuficiente para tirar o quilowatt-hora distribuído no Brasil da posição de um dos mais caros do mundo.

Mas os industriais brasileiros nem sempre colaboram para resgatar a indústria. Como ainda afirmou nesta quarta-feira o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, os dirigentes da indústria brasileira adoram proteção e “zona de conforto”. Acostumados à moleza das reservas de mercado, conformam-se com o impraticável custo Brasil e, em vez de batalhar por reformas, vão aceitando cala-bocas de efeito temporário e perversos a longo prazo. Por exemplo, impostos sobre o faturamento que abrem caminho para outras distorções, como a múltipla tributação.

CONFIRA:

O gráfico mostra o comportamento da produção 
industrial brasileira nos últimos sete meses.

Quando e quanto. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) mostrou nesta quarta que a recuperação da economia dos Estados Unidos continua fraca e lenta demais. E o desemprego não recua. O Fed não prometeu nenhum novo alívio de política monetária, mas avisou que agiria na medida em que viesse a ser necessário. O comunicado deu a entender que já não se discute mais a necessidade de novo afrouxamento. Discute-se apenas quando e quanto.

Derrota na cultura da tutela estatal


Editorial
O Globo

Colonizado pela Coroa portuguesa, sede de império e tornado republicano num movimento em que os militares assumiram papel-chave, o Brasil tem longa tradição no ramo do autoritarismo e da centralização de poderes. Tanto que, passados 24 anos da promulgação da Constituição que restabeleceu os direitos civis, após duas décadas de ditadura militar, a sociedade convive com uma presença opressiva do Estado, inclusive ampliada nos últimos tempos.

Seria apenas bizarro se não refletisse algo muito grave quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, decidiu estabelecer normas sobre a exposição de medicamentos nas gôndolas das farmácias. A iniciativa é exemplar desta tendência de invasão estatal do espaço privado.

É compreensível a preocupação da agência com a automedicação. Em qualquer lugar civilizado do mundo não se pode comprar certos medicamentos sem receita médica. Basta fiscalizar. Mas no Brasil, como há sólida cultura de tutela do Estado sobre o cidadão, a Anvisa extrapolou.

Ao contrário do que pensa o burocrata, o brasileiro não precisa de “proteção” pelo Estado na hora de comprar um analgésico contra dor de cabeça. Na semana passada, três anos depois da exótica resolução, a Anvisa voltou atrás e liberou as farmácias a deixar ao alcance do consumidor remédios sem exigência de prescrição médica. Saudável recuo, mesmo provocado por intensa pressão da indústria farmacêutica. Foram cerca de 70 processos judiciais contra a Anvisa. Além disso, 11 estados, entre eles o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, já haviam aprovado leis locais revogando as regras da agência.

Lembrem-se, ainda, as constantes tentativas da Anvisa de intervir na publicidade de medicamentos, apesar de não ter competência legal para isso, como a própria Advocacia Geral da União (AGU) já reconheceu. A experiência neste setor comprova que a melhor alternativa é sempre a autorregulamentação, em vez do intervencionismo estatal. A atuação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) é exemplar.

Derivam desta mesma cultura invasiva intenções, fermentadas dentro do Estado, de tornar impositiva a classificação etária indicativa na programação de TV, um ato de pura censura prévia, e, portanto, inconstitucional.

Não faltam casos de ingerência estatal indevida. Outro é querer impedir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Ora, que fiscalizem, em vez de transferir ao comércio o ônus do correto combate à mistura de álcool com direção. Solução adequada é a Lei Seca. O poder público assume a vigilância nas ruas, e quem quiser que corra o risco de ser apanhado em blitz.

Apesar de tudo, a Anvisa, enfim, corrigiu o rumo, e ficará provado que nenhum dano ocorrerá ao brasileiro. Como, infelizmente, continuará na mesma o mau atendimento à população em serviços nos quais o Estado deveria ser forte e ativo, mas é fraco e leniente.

No forno, o PAC da Privatização


Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

Dilma com a agenda liberal. Por que demoraram tanto?

Pode parecer provocação, mas, acreditem, é só um comentário: a presidente Dilma lança a partir da próxima semana uma agenda liberal-ortodoxa. Começa com o que se chama, nos gabinetes oficiais, de PAC das concessões. Trata-se de transferir para a iniciativa privada mais de dez mil quilômetros de rodovias e ferrovias, um tipo de política que, na oposição, o PT chamava de privatização. 

E é isso mesmo. Nesse processo, a concessionária não se torna dona da estrada, por exemplo, mas é como se fosse, pois a administra, explora e obtém lucros conforme a lógica da empresa privada. A estrada é efetivamente dela por todo o tempo da concessão. Logo, pode-se dizer que vem aí o PAC das privatizações – no bom sentido. 

Depois, vem o PAC das desonerações. Trata-se de redução de impostos para diversos setores. Finalmente, um PAC especial para a energia elétrica, programa para retirar e/ou reduzir taxas e impostos que tornam a conta de luz brasileira um das mais caras do mundo. 

Essa agenda vem sendo proposta há muitos anos, antes mesmo do então presidente Lula inventar os PACs. A base era e é a seguinte: o Brasil precisa de uma nova onda de investimentos, sobretudo em infraestrutura, e que só podem ser privados. Isso porque o Estado já gasta demais (pelo que é obrigado a cobrar carga pesada de impostos) e gasta mal, muito em custeio e pouco em investimento. E mais: quando se mete a investir, revela uma enorme ineficiência. 

Já o setor privado tem competência (empresas brasileiras fazem obras importantes pelo mundo afora) e capacidade de mobilizar capital. 

Em 2007, quando se discutia o que fazer depois do apagão aéreo, uma CPI no Senado chegou a propor a privatização, perdão, concessão dos 11 maiores aeroportos brasileiros. Ministros do governo Lula contaram que essa medida estava, de fato, em estudos.

Mas não prosperou. Em 19 de julho de 2007, escrevíamos aqui mesmo: “As privatizações (sob forte ataque político) pararam no segundo mandato de FHC e foram banidas pelo governo Lula. Desde então, o que se fez de significativo para a infraestrutura nacional? Pode procurar. Agora, tem o PAC, para recuperar o investimento público. Prevê R$ 3 bilhões, até 2011, para todos os aeroportos nacionais. Não dá nem para uma guaribada”. 

Tanto não funcionou que a presidente Dilma, cinco anos depois, iniciou a privatização de três aeroportos e, parece, colocará outros na nova agenda. Se Dilma pode fazer hoje, por que Lula e Dilma, que estava no governo, não poderiam ter feito lá atrás? 

Ideologias atrasadas custam caro. 

A mesma agenda, digamos, ortodoxa, dizia ainda que o investimento privado dependia de um ambiente de negócios mais favorável. Isso, de sua vez, exigia uma sequência de medidas microeconômicas de modo a facilitar a vida de quem pretende empreender e ganhar dinheiro honestamente. No topo dessa prioridade, a redução estrutural de carga tributária – não o quebra-galho de desonerar um setor aqui, outro ali, compensando com aumento de impostos em outras áreas, tudo resultando em aumento líquido da arrecadação, como tem acontecido. 

Parece que o próximo movimento da presidente Dilma vai na direção de uma redução horizontal de impostos. Mas convém ficar de olho. 

As burocracias, a ideologia estatizante do PT e a fisiologia dos partidos governistas, ávidos por cargos, obras e verbas, continuam formando um poderoso obstáculo. No caso das concessões, por exemplo, existe a tendência de se colocar restrições e exigências exageradas às empresas privadas, nacionais e estrangeiras. Isso reduz a rentabilidade do negócio - e parece que o objetivo oculto é esse mesmo – e afasta as principais companhias do setor, como aconteceu com a recente concessão de aeroportos. 

Além disso, parece que o governo foi para essa agenda na base do desespero, diante da fraca reação da economia a estímulos ao consumo. E falta para a outra perna desse programa: políticas de eficiência para o gasto público, assim como a contenção de despesas de custeio. 

E, o leitor sabe, coisas feitas sem convicção, e pela metade, não funcionam. 

Com um olho no PIB e outro no mensalão, Dilma prepara mês dos pacotes


Naiara Infante Bertão
Veja online

Foco das novas medidas de estímulo serão a desoneração tributária, as obras de infraestrutura e a redução das tarifas de energia elétrica

(Yuri Cortez/AFP) 
Dilma Rousseff: planos para que agosto seja o mês da virada 

Ainda neste mês, uma presidente da República preparada para transmitir otimismo aos brasileiros – sobretudo aos empresários que relutam em investir – virá a publico para divulgar mais um pacote econômico. Ainda que o Palácio do Planalto tenha anunciado diversos deles nos últimos meses, sem colher resultados expressivos, Dilma Rousseff deseja que agosto seja marcado como o mês da virada.

A diferença é que, desta vez, não será apenas um, mas sim três grandes projetos a serem revelados pelo governo federal. Conforme adiantado pelo redator-chefe de VEJA, Lauro Jardim, os alvos serão mais desoneração tributária para a indústria, estímulos a obras de infraestrutura e diminuição dos encargos do setor elétrico. Tudo para tentar fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) não carregue até o final do ano seu atual (e infame) apelido de “pibinho”. A presidente também vê nesses anúncios, no mínimo, uma oportunidade de desviar as atenções do julgamento do mensalão – onde importantes integrantes de seu partido, o PT, estão no banco dos réus – com um noticiário favorável ao governo.

Segundo fontes ouvidas pelo site de VEJA, em todos os anúncios haverá um ponto comum: o desejo da presidente em reduzir o “custo Brasil” que torna a economia doméstica, sobretudo a indústria, pouco competitiva em relação a seus pares internacionais. Com impostos menores, melhor infraestrutura e tarifas mais módicas de energia elétrica, o intuito do Planalto é tentar fazer com que a produção no país fique mais barata – e, consequentemente, os preços. A expectativa é que um dos “pacotões” seja anunciado já em 12 de agosto e os demais até o fim do mês ou, no mais tardar, em setembro.

Mensalão – 
“O governo tem pressa em apresentar uma agenda positiva por conta do massacre que o julgamento do Mensalão está causando. Assim, amenizaria um pouco a tensão se as medidas saírem até setembro. É uma estratégia política”, disse ao site de VEJA uma fonte da indústria, próxima das negociações, que não quis ser identificada.

Um indício do quão acaloradas estão as discussões nos bastidores do Planalto e da Esplanada dos Ministério foi o adiamento de duas reuniões importantes: uma entre integrantes do governo para tratar do Plano Brasil Maior, que aconteceria nesta quinta-feira (dia 2), e outra com 30 empresários para discutir o atual cenário da economia, prevista para a próxima terça-feira (dia 7). O cancelamento não significa que Dilma desistiu de avançar nestes pontos. Pelo contrário, ela quer planejamento e ação imediata. O governo adiou os encontros para chegar com propostas concretas nas duas.

Os pacotes – 
Um dos pacotes que Dilma e sua equipe devem anunciar em breve é a ampliação da desoneração fiscal do setor industrial, que pode chegar a 30 bilhões de reais. “O interessante é que o governo está pensando agora em algo mais horizontal, isto é, sem optar por um ou outro produto”, revela a fonte da indústria. Em seus dois “Planos Brasil Maior”, lançados em agosto de 2011 e abril deste ano, a equipe econômica concedeu reduções de impostos a produtos e segmentos escolhidos a dedo. Nesta quarta-feira, por exemplo, entrou em vigor a desoneração de folha de pagamentos de onze segmentos.

Fontes ouvidas pelo site de VEJA relatam que o governo fez o diagnóstico de que os planos anteriores falharam num ponto. Ao desonerar produtos específicos, muitas empresas tiveram um trabalho contábil dobrado. É o caso, por exemplo, de indústrias que fabricam diferentes tipos de produtos – desonerados e não –  e que se viram obrigadas a se adaptar a regimes tributários diferentes. Em vez de se beneficiar, a medida acabou gerando mais trabalho e perda de tempo. 

O setor industrial pode também ser beneficiado com a integração do PIS e da Cofins, em análise no Ministério da Fazenda e na Receita. Com a medida, será possível ganhar agilidade na apuração e recolhimento destes impostos e melhoria na recuperação de créditos fiscais.

Setor elétrico – 
A economia brasileira será favorecida também por outro “pacote” a ser divulgado em breve: o que cortará tributos do setor elétrico, de modo a tornar a conta de energia mais barata. “A presidente exigiu que o custo caia, ao menos, em dois dígitos”, afirmou uma fonte do setor em referência a uma redução de 10% ou mais. A ideia em discussão é a eliminação de encargos antigos que oneram as contas e que já teriam perdido sentido. Tem havido divergência, contudo, nos debates sobre a abrangência da medida. O corte ou redução de tributos poderão ser aplicados apenas à energia consumida pelas indústrias – as maiores clientes das distribuidoras – ou ser estendidos a todos os clientes do país, inclusive pessoas físicas.

Privatizações – 
Dilma e sua equipe devem apresentar também um novo pacote para melhorar a infraestrutura logística no país. Segundo fonte ouvida pelo site de VEJA, há alguns projetos bem avançados e outros que passam por uma análise lenta e cuidadosa, como, por exemplo, a concessão de portos à iniciativa privada – hoje gerenciados integralmente pelo setor público. Há 15 dias, o governo federal reuniu representantes da iniciativa privada para discutir a possibilidade de abrir concessões para administração de terminais portuários em todo o território nacional. A aproximação dos empresários é também sintomática de uma conclusão da presidente: a de que o governo federal tem deixado a desejar na hora de investir. 

Entre os projetos mais bem estruturados estão os ligados aos modais rodoviário e ferroviário. Planos para novas concessões de estradas federais – principalmente fora do estado de São Paulo que já possui os melhores índices de qualidade viária do país – e de ferrovias estão a todo vapor. Um que está maduro é o do trem de média velocidade que sairá de São Paulo (SP) e se ramificará em três linhas, chegando a Santos, Sorocaba e Campinas. “Hoje o transporte de passageiros é prioridade na linha férrea. No novo projeto, haverá um arco metropolitano que não interferirá na linha de passageiros e permitirá integrar o literal, a capital e o interior. Não será preciso desviar de São Paulo para se chegar ao litoral”, explica uma fonte do setor. Outro projeto, em Palmas (Tocantins), também está avançado. Além disso, existem propostas para que novos aeroportos passem por processos de concessão, a exemplo do que foi feito com os de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos) e Brasília (JK). 

Mirando a infraestrutura, Dilma estenderá a mão também aos governadores. Ela prepara uma nova rodada de apoio financeiro aos estados para apressar investimentos prioritários, às vésperas das Copas das Confederações e do Mundo, em 2013 e 2014, respectivamente. Conduzido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o apoio aos governos dos estados – principalmente via crédito de longo prazo do banco de fomento – visa também melhorar a integração regional.

Com dois "Planos Brasil Maior", Programas de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2, um Programa de Compras Governamentais e uma taxa básica de juros (Selic) em seu menor patamar histórico (8%), a economia brasileira insiste em crescer pouco, afetada pelo ritmo lento de vendas no varejo e baixa produção industrial. Novos três pacotes virão. Se confirmados, é alentador o conjunto de boas notícias que trarão: o reconhecimento de que o custo Brasil precisa ser enfrentado, de que privatizações não podem ser alvo de eterna negação por puro preconceito político-partidário e de que a iniciativa privada é essencial para o futuro da economia nacional. Seu real efeito sobre o PIB e competitividade brasileira requererá, no entanto, tempo para uma avaliação mais aprofundada.

A lição australiana sobre gastar e poupar


Mariana Segala 
Revista Exame

A Austrália economiza em tempos de bonança, gasta em épocas de crise e, assim, está há 20 anos sem saber o que é uma recessão

Ian Waldie/Getty Images
Sydney: assim como o Brasil, a Austrália possui uma das 
maiores reservas de recursos naturais do mundo

São Paulo - Quem acompanha o noticiário econômico da Austrália pode, às vezes, ter a impressão de estar lendo uma versão em inglês de informações sobre a economia brasileira. Fala-se muito em exportação de commodities para a Ásia e do medo da desaceleração chinesa.

Da valorização da moeda local e do receio de uma devastadora desindustrialização. Da crise de confiança provocada pelos países da zona do euro e da necessidade de reduzir a taxa de juro. É uma pena que a lista de semelhanças pare por aí.

Na Austrália, o governo limitou o crescimento do gasto público a 1% ao ano em termos reais até que o orçamento volte a ter superávit, o que é esperado para 2013. Quando a meta for atingida, o aumento anual dos gastos terá como teto 2%.

Enquanto isso, no Brasil, o governo segue pelo caminho oposto: anuncia compras governamentais das mais variadas (de cadeiras escolares a vagões de trens), que somam 8 bilhões de reais, e novas rodadas de isenção fiscal a setores como o automotivo.

De acordo com os economistas Samuel Pessoa, da FGV, e Mansueto Almeida, do Ipea, o gasto público federal real cresceu, em média, à taxa de 7,3% ao ano de 1999 a 2009. E não há sinal de mudanças à vista. Infelizmente, ninguém no governo brasileiro está prestando atenção na aula que a Austrália tem dado nos últimos anos em termos de política macroeconômica.

Antes do estouro da crise mundial em 2008, o governo australiano teve uma década de superávit nas contas públicas. Veio a freada da economia global e o Ministério das Finanças agiu rapidamente. “Seu mérito foi ser certeiro no timing”, diz Werner Schule, vice-diretor do Fundo Monetário Internacional para o Pacífico.

Não por acaso, Wayne Swan, ministro das Finanças australiano, foi eleito o mais destacado do mundo em 2011 pela revista Euromoney. Swan lançou o primeiro pacote para reanimar aeconomia em outubro de 2008. Até meados de 2010, gastou o equivalente a 4,3% do PIB australiano com estímulos fiscais, acima da média do G20, que reúne as maiores economias.

Pequenas empresas foram isentas de impostos, investimentos na construção civil tiveram apoio e, em algumas circunstâncias, os trabalhadores chegaram a receber dinheiro para consumir. Ainda que tenha se destacado pela maneira rápida com que aumentou a liquidez, o maior mérito do governo australiano foi retirar os estímulos — tarefa bem menos simpática do que a de distribuir benesses.

Foi um dos primeiros a elevar as taxas de juro em 2009, exatamente um ano depois de começar a cortá-las — recentemente, houve novas quedas. Além disso, logo abriu a cartilha da disciplina fiscal. O governo segue a regra de poupar nas épocas favoráveis para gastar em tempos ruins, estratégia conhecida como anticíclica — tão falada e tão pouco praticada por aqui.

“Assim como foi correto apoiar a demanda quando a situação piorou, é certo dar espaço para o setor privado crescer agora que o ambiente melhorou”, disse Swan, num discurso. “Não dá para ser keynesiano na baixa e deixar de ser na alta”, completou, em referência ao economista britânico John Maynard Keynes, notório defensor de políticas anticíclicas. 

Quando a economia mundial entrou em recessão em 2009, o PIB australiano cresceu 1,4%. Nos últimos cinco anos, a economia cresceu, em média, 2,6%, o que pode parecer pouco na comparação com os países emergentes, mas é um feito para uma economia madura.

Nos últimos dez anos, a fatia australiana no PIB dos países ricos mais que dobrou — saiu de 1,5% para 3,6%. Talvez mais importante seja a resistência da economia australiana: há duas décadas não sofre uma recessão. A sorte dos australianos vai além do fato de terem algumas das maiores reservas de recursos naturais do mundo. Lá o governo faz sua parte.

Produção industrial está bem abaixo de seu histórico


Veja online
Com Agência Estado

Para Mantega, porém, produção industrial está dando uma virada e vai melhorar no segundo semestre
(Daniela Xu) 
Linha de produção de tratores da Randon Veículos

Apesar do crescimento mensal, a produção industrial está bem abaixo de seu histórico, segundo o gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. Durante a apresentação da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), a taxa hoje está 5,6% abaixo do ponto mais alto da série, iniciada em 1991, que foi registrado no fim do primeiro trimestre do ano passado.

Para Macedo, as medidas adotadas pelo governo para incentivar o consumo podem ser sentidas mais nas vendas do que na produção propriamente dita, o que pode ser um indicativo de que o momento é de queima de estoque, mais do que de alta da produção.

"Há uma série de medidas do governo que contribuem, mas quando se olha a produção no ano há um quadro negativo e permanece a entrada de produtos importados. O crescimento de 0,2% é um dado positivo, mas é preciso aguardar para ver como o setor industrial irá se comportar daqui para frente", afirmou o economista do IBGE.

'Ponto de inflexão' - 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira que a produção industrial passa neste momento por um "ponto de inflexão". Segundo o IBGE, a indústria brasileira cresceu 0,2% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, e caiu 5,5% em junho ante igual mês de 2011. 

"A produção industrial está dando uma virada, depois de crescimento negativo por vários meses seguidos", afirmou Mantega. "Daqui para frente, vamos ter resultados melhores", previu, ao chegar à sede do Ministério da Fazenda, após encontro com a presidente Dilma Rousseff.

Incentivos - 
Em sua visita à Londres (Grã-Bretanha), a presidente Dilma Rousseff anunciou que em agosto e setembro irá divulgar novas medidas para promover o crescimento. Uma delas é a redução do chamado "custo Brasil", o que incluiria o custo mais baixo de energia elétrica, políticas de investimento em transporte e uma maior desoneração. 

Segundo informações do Valor Econômico, a presidente Dilma Rousseff quer convencer os governadores a aderirem à redução da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a energia elétrica, assim como já fez com o PIS-Cofins. 

O 'pas de deux' da economia


Rolf Kuntz  
O Estado de S.Paulo

O setor automobilístico está cumprindo sua parte no acordo com o governo, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de uma reunião com o executivo Luiz Moan, diretor da General Motors e presidente interino da Anfavea, a associação nacional das montadoras de veículos. Se o governo está satisfeito, fica difícil entender a exibição de mau humor da presidente Dilma Rousseff, em Londres, quando circularam notícias de possíveis demissões de 1.500 empregados da GM em São José dos Campos. O ministro e o executivo apareceram juntos para a entrevista, mostraram-se igualmente otimistas e reafirmaram a disposição de cooperar, repetindo um velho e bem conhecido pas de deux: o governo concede incentivos e proteção ao setor, em troca de promessas de investimentos e de preservação de empregos; em contrapartida, os empresários agem como querem, garantem seus lucros e os custos são repassados para o resto da economia. Pactos desse tipo, com ou sem compromissos de manutenção de preços, ocorreram várias vezes nas últimas décadas, quase sempre acompanhados de uma alegre aliança entre empresas e sindicatos. Os sindicalistas de São José dos Campos têm criado mais problemas que os de outras regiões, mas nem por isso se deve esquecer o velho costume: nos setores industriais mais poderosos, empregados e empregadores acabam jogando no mesmo time, com as bênçãos de um governo sempre generoso com os grandes grupos.

O desempenho da indústria melhorou nos últimos dois meses, disse o ministro, e o mês de julho deve ter sido "o melhor da história". O programa de estímulo, acrescentou, está sendo muito bem-sucedido. Mantega mencionou também, com aparente otimismo, o novo regime automotivo, com entrada em vigor prevista para janeiro de 2013.

Políticas baseadas em favores fiscais para setores selecionados e muito protecionismo continuam sendo a regra. O governo classifica esse jogo como política industrial. De vez em quando as autoridades, como se cumprissem um ritual, mencionam a busca da competitividade como um de seus objetivos. Mas a prática mostra algo muito diferente. O enfoque setorial continua dominante e a lista dos beneficiados simplesmente se amplia de acordo com o poder de pressão dos vários grupos. As chamadas políticas horizontais - dirigidas para o conjunto da economia - continuam quase totalmente ignoradas. A prometida redução dos custos da eletricidade, a partir do corte de impostos e contribuições federais, pode ser uma exceção.

A presidente Dilma Rousseff tem prometido mais iniciativas desse tipo, mas o governo está despreparado para cumprir essas promessas. Ações para aumentar a eficiência geral da economia poderiam incluir, por exemplo, investimentos muito mais amplos e mais planejados na infraestrutura de transportes. Mas a administração federal continua sem condições de realizar essa tarefa. A mesma limitação é evidente na maior parte do governo central, como comprova, repetidamente, a baixa execução dos investimentos. Apenas R$ 18,6 bilhões foram aplicados no Programa de Aceleração do Crescimento, no primeiro semestre, cerca de 40% do total previsto para o ano, e a maior parte desse dinheiro saiu de "restos a pagar".

Apesar do baixo investimento, o gasto federal continua a crescer, como comprovam os números do primeiro semestre recém-divulgados pelo Tesouro Nacional. Crescerão ainda mais no próximo ano, e a folha de salários e benefícios será mais uma vez inflada por uma nova rodada de aumentos, sem a contrapartida, é claro, de mais eficiência e mais qualidade no serviço público. A presidente Dilma Rousseff prometeu mais de uma vez, pelo menos até o ano passado, cuidar da qualidade da gestão e do gasto do governo. Nada fez para cumprir também essa promessa.

Parcimônia no gasto e melhor uso do dinheiro público são essenciais, no entanto, para políticas de aumento de produtividade geral da economia. São condições fundamentais, também, para a indispensável e sempre adiada reestruturação do sistema tributário. Mas a presidente já renunciou explicitamente a esse objetivo, limitando-se a um compromisso, muito mais modesto, de mudanças parciais nos impostos e contribuições. Mudanças parciais, no entanto, acabam envolvendo benefícios para alguns setores e maiores encargos para outros, como tem ocorrido normalmente.

Tudo indica, portanto, a manutenção do velho e bem conhecido esquema: benefícios fiscais continuarão sendo distribuídos a alguns setores, em geral protegidos também por barreiras comerciais, a conta será paga por outros e a produtividade geral da economia continuará baixa. É esta, por enquanto, a perspectiva de médio prazo para o B do Brics. O pas de deux do governo com o setor automobilístico é mais uma boa indicação dessa tendência.

Indústria sofre tombo de 5,5% em junho, o maior desde 2009


Débora Diniz, 
O GLOBO, Com Agências 

Na comparação com maio, produção teve alta de 0,2% junho, abaixo do esperado

EDITORIA DE ARTE
Veja o desempenho da produção industrial

RIO — A produção industrial brasileira sofreu um tombo de 5,5% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. É o décimo resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais intenso desde setembro de 2009 (-7,6%). Já na passagem de maio para junho, a indústria cresceu 0,2%, a primeira alta mensal após três quedas consecutivas. Mas o avanço veio mais tímido que o esperado.

O fechamento do segundo trimestre de 2012 também aponta queda frente a 2011, de 4,5%. Em relação ao primeiro trimestre, a queda é de 1,1%. No semestre, o setor acumula uma contração de 3,8%. Nos últimos 12 meses, o resultado é -2,3%.

— O resultado mostra uma clara predominância de resultados negativos para o setor industrial no primeiro semestre. O crescimento de 0,2% verificado entre maio e junho representa uma interrupção da série negativa, mas ainda não é possível dizer que seja uma tendência de reversão — analisa André Luiz Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

De acordo com pesquisa da agência de notícias Reuters, os analistas do mercado financeiro esperavam que a atividade cresceria 0,8% na passagem de maio para junho. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a expectativa também foi mais otimista que a realidade: os economistas esperavam um recuo de 4,3%.

Segundo o IBGE, 12 das 27 atividades pesquisadas mostraram crescimento na produção em junho, com destaque para os setores de outros equipamentos de transporte (12,5%, depois de recuar 0,6% em maio), farmacêutico (8,6%) e de veículos automotores (3%).

Entre as categorias de uso, na comparação com o mês imediatamente anterior, o maior avanço ocorreu em bens de consumo duráveis (4,8 por cento), bens de consumo semi e não duráveis (1,8%) e de bens de capital (1,4%). O IBGE destacou que, na ponta oposta, o segmento de bens intermediários recuou 0,9 por cento em junho, o quarto resultado negativo consecutivo.

Estoques caem, mas não impulsionam a produção de automóveis, diz IBGE


Fernanda Nunes 
Agência Estado

Alta de 3% do setor em junho ocorreu sobre uma base depreciada e não permite relação com IPI menor

RIO - A indústria automobilística começa a reduzir os seus estoques, mas não o suficiente para aumentar significativamente a produção de automóveis. A atividade apresentou alta de 3% na passagem de maio para junho, após queda de 3,2% em maio ante abril. Esse desempenho influenciou diretamente o resultado de bens de consumo duráveis, cuja produção cresceu 4,8% na margem e caiu 6% em relação a junho de 2011.

"Utilizando dados de estoque da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), observamos que as vendas em junho se deram em um porcentual elevado. A produção não avançou na mesma magnitude do licenciamento porque os estoques estavam mais elevados, mas houve algum tipo de crescimento", afirmou o gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo.

Ele ressaltou que a base de comparação é favorável. "É claro que houve uma mudança de comportamento, mas esse crescimento se dá sobre uma base que tinha se depreciado em meses anteriores. Precisamos relativizar se há transferência direta da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a produção do mês seguinte."

Para Macedo, ainda não há um aumento significativo da produção que permita relação direta com a redução do IPI. "Certamente, reduzindo os estoques, é retomada a produção. Com o estoque regulado, a produção pode seguir o seu rumo. Mas, não necessariamente é o que vai acontecer. Temos que ficar de olho no que acontecerá nos próximos meses", destacou.

Para Mantega, produção industrial está dando uma virada. Só se for negativa, ministro!


Célia Froufe
Agência Estado

Ministro da Fazenda diz que resultados serão melhores 'daqui para frente'

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quarta-feira que a produção industrial passa neste momento por um "ponto de inflexão". Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira cresceu 0,2% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, e caiu 5,5% em junho ante igual mês de 2011.

"A produção industrial está dando uma virada, depois de crescimento negativo por vários meses seguidos", afirmou Mantega. "Daqui para frente, vamos ter resultados melhores", previu, ao chegar à sede do Ministério da Fazenda, após encontro com a presidente Dilma Rousseff.

Resultado frustrante da indústria reforça pessimismo, dizem analistas


Maria Regina Silva e Denise Abarca
Agência Estado

Produção industrial cresceu 0,2% em junho ante maio e teve queda de 5,5% em relação a junho de 2011, segundo IBGE 

SÃO PAULO - O resultado da produção industrial em junho, sobretudo na margem, foi decepcionante e as expectativas para o setor nos próximos meses não são animadoras, na avaliação dos analistas do mercado financeiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve crescimento de 0,20% em junho ante maio e queda de 5,50% em relação a junho de 2011. Pesquisa realizada pelo AE Projeções mostrava que o intervalo das estimativas para o dado na comparação mensal ia de avanço de 0,30% a 1,70%, com mediana de 0,80%. No confronto com o sexto mês do ano passado, as previsões apontavam uma queda de 3,20% a 5,30%, com mediana negativa de 4,50%.

"A produção industrial decepcionou mais uma vez e aponta para um segundo trimestre fraco da economia. Indica que a retomada ainda não aconteceu e que teremos um crescimento próximo do visto no primeiro trimestre", avaliou em entrevista à Agência Estado o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno, que esperava um avanço de 0,90% na margem e um recuo de 4,30% na comparação com junho de 2011. Entre os meses de janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB) teve expansão de 0,20%, de acordo com o IBGE.

Rostagno observou que não é apenas o setor automotivo que está impedindo a atividade de deslanchar, apesar de ter esboçado uma recuperação em junho. Segundo o IBGE, a produção de veículos automotores teve alta de 3% na margem. Em contrapartida, bens intermediários tiveram queda de 0,90% frente a maio. "O setor de bens intermediários acabou por comprometer o resultado de junho, indicando que o fraco momento da indústria está mais disseminado. Não é só o setor automotivo que está com dificuldade de se recuperar, mas outros também estão", disse.

O economista afirmou não estar muito otimista quanto a uma recuperação significativa da atividade no segundo semestre. "Se a retomada acontecer, será gradual", disse. De acordo com ele, como a situação difícil está "disseminada", fica mais complicado atacar o problema. "Percebemos que está se instaurando um cenário mais pessimista na indústria, desencadeado com o setor automotivo", avaliou.

Os dados da produção industrial, segundo Rostagno, reforçam a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá promover mais um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa de juro básico (Selic) na reunião de agosto, com a taxa passando para 7,50%. Depois, disse, as decisões ficarão na dependência do ambiente internacional. "O cenário externo é chave nesse contexto", afirmou.

O estrategista do WestLB também disse que, se o Banco Central Europeu (BCE)) e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) trouxerem boas notícias, como uma nova rodada de afrouxamento quantitativo, no caso do Fed, e medidas para conter a crise na Europa, caso do BCE, os mercados ficarão otimistas, o que deve favorecer uma retomada um pouco mais rápida da atividade doméstica. "E o governo poderá ficar mais seguro de que a indústria vai se recuperar no segundo semestre. Por enquanto, sem esse sinal, pode ser que o BC não decida interromper o ciclo de baixa dos juros", estimou.

O resultado bem mais fraco que o esperado da indústria mostra que as medidas de estímulo que o governo tem adotado nos últimos meses não têm surtido o efeito desejado, avalia a economista-chefe da Mapfre Investimentos, Helena Veronese, que previa crescimento de 0,6% para a produção na margem. "Mesmo com as medidas de estímulo, a produção não se fortaleceu e o resultado deste mês foi positivo (ainda que pouco) basicamente por conta da produção de veículos", disse. Segundo o IBGE, a produção de veículos avançou 3,0% em junho.

De acordo com Helena, a principal explicação para a indústria não estar reagindo às medidas - entre elas os incentivos fiscais e a queda da Selic - "é o fato de a população estar mais endividada hoje do que estava, por exemplo, em 2008, quando medidas parecidas foram tomadas". "Por um lado, temos medidas de incentivo ao consumo, por outro, temos uma população endividada e alavancada", afirmou.

Para julho, a economista ainda não fechou seus números, mas já adianta que as expectativas não são das melhores. "A tendência nos próximos meses é um pouco parecida com junho. A produção crescendo pouco, por conta das medidas de estímulo e do real desvalorizado, mas em termos estruturais (que no longo prazo é o que importa) a indústria segue muito fraca", disse, lembrando que o espaço para medidas adicionais de estímulo está cada vez menor, uma vez que podem começar a colocar em risco a disciplina fiscal. "O problema da indústria é estrutural", afirmou.

Na avaliação do Banco ABC Brasil, o setor industrial apresenta pouco dinamismo e não valida um crescimento econômico sustentável, mesmo apresentando expansão positiva após redução de atividade industrial em três meses consecutivos. "A média móvel trimestral, além do dado acumulado em 12 meses, apresenta queda acentuada na produção, sem tendência à reversão", afirmou a economista Mariana Hauer, em relatório enviado à imprensa e a clientes. Segundo o IBGE, a média móvel trimestral teve queda de 0,4% em junho ante maio, enquanto a produção industrial acumulada em 12 meses até junho recuou 2,3%.

Mais legislação eleitoreira


Rubens Branco (*) 
Jornal do Brasil

Tramita no Congresso Nacional a proposta de Emenda Constitucional nº 478/10, que amplia os direitos das empregadas domésticas e deverá ser votada em breve pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados. A nova lei, se aprovada pelo Congresso Nacional, garante às domésticas direitos semelhantes aos trabalhadores do setor privado, ou seja,  jornada de 44 horas semanais, direito a hora extra, adicional por trabalho noturno, FGTS, salário-família e auxílio-creche. Nada melhor num ano de eleição os candidatos usarem a referida proposta para vender o “vote em mim” na campanha.

Estas novas regras, se aprovadas, pesarão enormemente no bolso de seus empregadores e irão causar aos pretensos beneficiários um enorme desemprego, pois a pessoa física empregadora não terá condições de arcar com os custos fiscais daí decorrentes.

Apenas para relembrar: se a empregada doméstica trabalhar horas extras, por exemplo, receberá as horas e os seus reflexos sobre as demais verbas, como 13º salário, férias, entre outros. Além disso, o custo aumentará em 8% ao mês por conta do recolhimento de FGTS. Sem contar a multa em caso de despedida sem justa causa de 40% também sobre os depósitos de 8% efetuados. Ou seja, como  aumentará enormemente o custo, haverá comprometimento da renda familiar e um consequente aumento na informalidade

No Brasil há cerca de 7,2 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais 2 milhões não têm carteira assinada. Se esta legislação passar como proposta, provavelmente passaremos a ter uns 5 milhões sem carteira assinada, o que só contribui para o nível de balbúrdia da nossa economia causada por projetos de lei “boazinhos”, que enganam a população trabalhadora.

Referido aumento no custo dos empregados domésticos só se justificará de alguma forma se a pessoa física empregadora puder deduzir não só o salário mas todos os seus encargos adicionais do cálculo de seu imposto de renda anual da mesma forma que podem fazer as pessoas jurídicas. Mas duvido que isto irá algum dia constar da referida proposta de emenda constitucional.

Nada contra os trabalhadores domésticos, mas este tipo de enganação legislativa (que é vendido à população como um benefício) é benefício para muito poucos, pois a grande maioria deste pessoal que exerce hoje estas funções tem grande dificuldade de conseguir outras colocações no mercado de trabalho, que cada vez mais exige especialização e boa formação acadêmica.

Logo, se uma família tiver de arcar com o dobro do custo do salário mensal (agora incluído os benefícios e encargos sociais) para ter um trabalhador doméstico, muito provavelmente ou irá para a informalidade ou o trabalhador ficará desempregado.

Só arcarão mesmo com este custo adicional as famílias mais ricas ficando a grande maioria da população que hoje utiliza um trabalhador doméstico sem o seu funcionário e o mesmo desempregado nas ruas. Por mais que se fale e se discuta o peso da nossa enorme carga tributária e os custos da folha de pagamentos, os políticos continuam com a sua tendência de vender ilusões a um povo que ainda acredita em Papai Noel.

É o que um apresentador de televisão costuma dizer: isto é uma vergonha!


(*)  Rubens Branco é sócio da Branco Consultores Tributários. 

Reduzir as tarifas sem populismo


Adriano Pires e Abel Holtz
O Estado de S. Paulo

A eliminação dos encargos setoriais é muito bem-vinda

Nos últimos meses as cobranças quanto à adequação do preço da energia elétrica ao consumidor brasileiro têm se intensificado, e parece que agora o governo vai apresentar uma solução. As opiniões e reivindicações sobre o tema são férteis e antagônicas muitas vezes. Agentes, associações, consumidores e políticos, além de membros do governo, têm externado suas percepções. O tema é complexo e politicamente árduo. Em busca de um consenso que deverá envolver nas negociações o Legislativo, o mercado, o governo federal e os governos estaduais, parlamentares defendem a necessidade de mobilização imediata a favor da redução tarifária em se tratando de um ano eleitoral.

O peso da energia no orçamento familiar dos consumidores domiciliares vai muito além do gasto com a conta paga todo mês pelas famílias. A energia elétrica está presente em tudo o que uma família consome e usa, desde alimentos até eletrodomésticos e cabeleireiro. Daí a necessidade de corrigir esse impacto nas famílias em geral. A própria presidente está sendo instada a interferir e tem cobrado ações para efetivar a desoneração da energia elétrica quer pela extinção ou redução de encargos setoriais componentes no preço final, quer pela alteração das alíquotas do PIS e da Cofins e, ainda, da alíquota do ICMS. A expectativa dos consumidores industriais aponta para a necessidade de uma queda de cerca de 20% no preço final da energia para esse setor.

O preço da energia, além do preço de produção nas usinas, embute custos de transmissão e de distribuição. Estes são custos do produto energia. Agora, por cima desses custos há a incidência de encargos, nomeadamente, RGR, CCC, TFSEE, CDE, ESS, Proinfa e P&D, que o governo promete extinguir, e ainda restam as contribuições para o ONS e Aneel e os tributos PIS-Cofins, CSLL, IRPJ, PIS-Pasep. E, no seu somatório, incide o ICMS.

A eliminação dos encargos setoriais é muito bem-vinda. Também é bem-vindo transferir os que continuarem existindo para a conta do Tesouro Nacional. Dessa forma, será o contribuinte e não o consumidor a pagar esses subsídios. Isso dará maior transparência para a sociedade sobre o que ela está subsidiando no segmento de energia elétrica, com a parcela que paga de tributos. Ninguém pode ser contra subsídios, desde que sejam discutidos pela sociedade, por meio do Legislativo, e que constem de forma clara no orçamento da União.

Cabe relembrar que, de 1999 a 2008, três dos seis tributos federais na tarifa de energia, como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o PIS-Cofins e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), praticamente dobraram. Quanto ao ICMS, ele abastece o orçamento dos Estados onde as despesas têm crescido nos últimos anos. O ICMS varia de 12% no Amapá a 35% em Minas Gerais. Com o crescimento de gastos vinculados e sem receita nova, o ICMS sobre a energia elétrica e sobre telecomunicações são os dois itens com maior peso na arrecadação dos Estados e quando somados aos tributos sobre combustíveis representam mais de 50% da receita das unidades federativas. Outra providência anunciada pelo governo para reduzir as tarifas é por meio do processo de renovações das concessões. Nesse ponto é preciso tomar bastante cuidado para que não se promova o malfadado populismo tarifário. 

O segmento de geração de energia elétrica, ao contrário do de transmissão e distribuição, se caracteriza pelo fato de ser um mercado competitivo, o que faz com que não necessite de tarifas reguladas pelo governo. Portanto, na renovação das concessões não se pode e não se deve transformar um mercado competitivo em um mercado regulado. A meta de reduzir as tarifas é válida e deve ser perseguida no processo de renovação das concessões. Porém, sem promover a desvalorização das empresas geradoras, sem comprometer os seus investimentos futuros, bem como não prejudicar o funcionamento e o crescimento do mercado livre.

Exportações caem quase 10% em julho


Veja online
com Agência Estado

Vendas de manufaturados, semimanufaturados e básicos recuaram no mês ante igual período de 2011. Ainda assim, balança teve superávit de US$ 2,8 bi

 (Ivan Pacheco) 
Greve da Receita Federal afetou os resultados

A balança comercial brasileira registrou um superávit de 2,879 bilhões de dólares em julho, resultado de exportações de 21,005 bilhões de dólares e importações de 18,126 bilhões de dólares. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O saldo comercial é 8,3% menor que o de julho de 2011, quando somou 3,138 bilhões de dólares.

O declínio do superávit decorreu principalmente da retração nas vendas externas. Nos embarques ao exterior, a média diária foi de 954,8 milhões de dólares, o que representa uma queda de 9,9% em relação ao quinto mês do ano passado. Já a média diária das importações foi de 823,9 milhões de dólares, com queda de 9,5% na mesma base de comparação.

Categorias – 
As exportações brasileiras registraram diminuição, aliás, nas três categorias de produtos nos cinco primeiros meses deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2011, as vendas externas de manufaturados caíram 2% e as de produtos básicos, 2,9%. A retração nas exportações de semimanufaturados no acumulado de 2012 foi ainda maior: 7,5%.

As vendas brasileiras caíram 18,4% para a Argentina e 7% para a Europa. Por outro lado, as exportações do Brasil para os Estados Unidos cresceram 14,4% de janeiro a julho quando comparado com os sete primeiros meses de 2011. Os dados foram divulgados há pouco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Greve da Receita – 
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, explicou que o resultado da balança em julho foi afetado pela greve da Receita Federal e da Anvisa. "Os resultados deste mês precisam levar em conta estes aspectos", afirmou em entrevista. Ela acredita que a média diária do comércio exterior deve melhorar no próximo mês, ao final da greve. No entanto, Tatiana não espera melhora expressiva nos dados globais, já que o cenário externo tem levado à retração dos mercados.

De acordo com a secretária, tem ocorrido embarques sem regularização, como de minério de ferro e outras commodities. Tatiana explicou que a averbação do registro das exportações é feita pela Receita e somente após esse processo é que o embarque passa a ser contabilizado na estatística de comércio exterior.

O secretário executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, disse que a paralisação afeta o registro tanto de embarques quanto de desembarques. Segundo ele, no entanto, é difícil mensurar o impacto. "Se reduziu muito ou pouco, se as importações foram mais atingidas do que exportações, não dá pra dizer e separar o efeito", afirmou, embora admita que as compras externas possam ser as mais atingidas.

Na semana passada, a Receita disse que não haveria impacto nas exportações. Teixeira afirmou que o MDIC irá esperar o fim da greve para avaliar se terá que rever, para baixo, a metade exportações para este ano.

Saldo anual – 
De janeiro a julho, a balança comercial acumulou um saldo positivo de 9,949 bilhões de dólares, o que representa uma queda de 38,2% em relação ao mesmo período de 2011. As exportações no período somaram 138,219 bilhões de dólares, com média diária de 940,3 milhões de dólares. Conforme os dados divulgados pelo MDIC, as vendas externas tiveram queda de 1,7% em valores absolutos em relação aos sete primeiros meses de 2011 e de 3% pela média diária. 

Nas importações, o valor registrado no acumulado de 2012 é de 128,270 bilhões de dólares, um aumento de 3,1% sobre o mesmo intervalo de 2011 – recorde histórico para o período. A média diária das importações do ano está em 872,6 milhões de dólares, o que significa uma alta de 1,7% ante o mesmo período do ano passado.

Investimento em infraestrutura cresce apenas 2%


Renée Pereira
O Estado de S. Paulo

Levantamento da Abdib mostra que o setor recebeu R$ 173 bi em 2011; previsão é que valor chegue a R$ 194 bi este ano

SÃO PAULO - Os investimentos no setor de infraestrutura continuam tropeçando, apesar das inúmeras oportunidades de negócios em várias áreas. No ano passado, o volume de recursos aplicados em transportes, eletricidade, petróleo e gás, telecomunicação e saneamento básico teve crescimento real de apenas 2% em relação a 2010, de R$ 170 bilhões para R$ 173 bilhões, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Para este ano, a expectativa é que os investimentos tenham desempenho um pouco melhor e alcancem R$ 194 bilhões - aumento real na casa de 6%. Mas é muito pouco diante das necessidades do País, já que a economia tem crescido numa velocidade maior que os investimentos em infraestrutura. Enquanto o Brasil investe cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor, os concorrentes China e Índia aplicam algo próximo de 13% e 6%, respectivamente.

Oportunidades não faltam, garante o presidente da Abdib, Paulo Godoy. Mas, na avaliação dele, o poder público precisa acelerar as concessões de serviços públicos para atrair os investidores, nacionais e estrangeiros. "O governo já percebeu que o desempenho do setor está fraco. Por isso, deverá anunciar o pacote de concessões rodoviárias e ferroviárias (a expectativa é que o PAC das concessões seja lançado até o fim do mês)."

Água e esgoto. Por outro lado, o executivo avalia que houve retrocesso na área de saneamento básico, com o adiamento dos prazos para regularização dos contratos entre municípios e companhias de saneamento dos Estados. Em 2007, quando foi criada a lei do setor, a previsão era que até dezembro de 2010 tudo estaria adaptado. Mas o prazo foi estendido para 2013 e agora para dezembro de 2016 - ou seja, quase dez anos depois do marco regulatório do setor. Sem a regularização, os municípios não conseguem ter acesso aos financiamentos para execução das obras.

O resultado de tanta instabilidade está na lentidão dos negócios do setor, que lidera a lista de maior carência do País. De acordo com os dados da Abdib, os investimentos - já insuficientes para universalizar os serviços - recuaram no ano passado, de R$ 8,7 bilhões para R$ 7,9 bilhões. Enquanto isso, quase 60% das residências de todo território nacional continuam sem rede de esgoto e 15% sem água tratada.

O setor de petróleo e gás, responsável por 43% de todos os investimentos do setor, também teve ligeiro recuo nos recursos aplicados, de R$ 78,1 bilhões para R$ 73,3 bilhões. Nos projetos de transportes, o volume de investimentos se manteve estável em R$ 30 bilhões. Apenas os setores de energia elétrica e telecomunicações apresentaram evolução em 2011: cresceram 18,9% e 13,54%, respectivamente. Para Godoy, apesar da crise internacional elevar a aversão ao risco, bons projetos sempre estarão na mira dos investidores.

Segundo a Abdib, ao contrário dos anos 80, quando o esgotamento do modelo de investimento vigente foi reflexo da falta de recursos, agora o esgotamento do modelo parece ser por falta de capacidade de gestão e execução no ritmo adequado de obras. Basta verificar o andamento dos projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Boa parte deles está com o cronograma atrasado por uma série de questões, como dificuldades de desapropriação, licenciamento ambiental e indícios de irregularidades.

A manipulação política da Petrobras


Adriano Pires 
O Globo 

Na divulgação do Plano de Negócios da Petrobras para o período 2012-2016, chamou atenção a ênfase dada, pela nova diretoria, ao descumprimento das metas de produção de petróleo, fato responsável pelas grandes perdas na receita da empresa nos últimos anos. Além da frustração com as metas de produção, foram apontados problemas relativos à gestão de projetos, o que levou a diretoria da estatal a deixar sob avaliação alguns deles, em particular, os das novas refinarias.

O caso mais emblemático é o da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, que, ainda, é uma parceira entre Brasil e Venezuela. Segundo a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, “a RNEST é uma história a ser aprendida, escrita e lida pela companhia, de forma que não seja repetida”.

A refinaria estava prevista para entrar em operação em 2010, mas teve sua conclusão seguidamente adiada, sendo a nova data definida para o final de 2014. Ao longo da construção, o custo previsto do projeto se multiplicou por dez, de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões. A estatal PDVSA não contribuiu com sequer um dólar, porque o BNDES não aceitou suas garantias financeiras, até então. No entanto, a parceria ainda não foi descartada. Na verdade, o projeto da refinaria é mais um custo Lula, que nasceu sem objetivos empresariais, sendo parte de um projeto político do ex-presidente Lula com o presidente Hugo Chávez. A aposta do mercado é que a Petrobras não terá a estatal venezuelana como sócia. Seria boa notícia.

Na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), os problemas parecem se repetir. O projeto, que concebe duas refinarias e um polo petroquímico, tinha a entrada em operação da primeira refinaria prevista para 2011, mas foi adiada sucessivamente, ficando para abril de 2015. O segundo trem de refino está sob avaliação, com conclusão estimada para janeiro de 2018. Além do tradicional aumento de custos e dos atrasos, o projeto, ainda, esbarra na falta de logística. A empresa comprou cinco reatores italianos, que chegaram ao Brasil em agosto de 2011, mas continuam no Porto do Rio. Cada um deles pesa entre 1.000 e 1.200 toneladas, fato que inviabiliza o transporte rodoviário ou marítimo, primeiro por não existir infraestrutura que suporte o peso e, depois, pela falta de um Porto com calado suficiente, próximo ao Comperj. A construção de um Porto, em São Gonçalo, e de uma Via de Acesso para Equipamentos Especiais está em fase de licenciamento ambiental junto ao Instituto Estadual do Ambiente. Mesmo com esses projetos aprovados, será longo o tempo para a construção do futuro Porto de São Gonçalo, devido à necessidade de dragagem na Baía de Guanabara e da construção da nova via de acesso.

Outro investimento foi a aquisição de uma refinaria em Pasadena, nos EUA. Após longa batalha judicial, a Petrobras pagou US$ 1,18 bilhão, em duas etapas, para comprar essa refinaria que, há sete anos, custou US$ 42,5 milhões à sua agora ex-sócia belga, ou seja, 2.700% a mais. Esse é um dos ativos que a empresa pretende ofertar. 

Os problemas não se limitam à construção das refinarias. A Transpetro encomendou ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS) 14 petroleiros Suezmax e 8 Aframax, com prazo de entrega para 2015. O primeiro destes navios, o petroleiro João Candido, foi inaugurado em maio de 2010, mas voltou ao estaleiro, devido a erros de projeto, e só entrou em operação em maio de 2012, com exatos 2 anos de atraso. Ainda, há dúvidas sobre a capacidade do estaleiro de construir os demais navios e, até mesmo, as sondas, visto que o seu sócio estratégico, a coreana Samsung Heavy Industries, abandonou a parceria em março último, e ainda, não tem substituto. 

Depois de tantos desmandos e interferências de partidos políticos na gestão da Petrobras, ainda ha quem defenda a tese de que seria normal o prevalecimento dos interesses do acionista majoritário nas decisões de investimento. Existem aí, dois graves equívocos e uma intenção oculta. O primeiro equívoco é que nenhum acionista majoritário induziria seus executivos a tomarem decisões que, a priori, causariam prejuízos à empresa. Segundo, uma empresa com o controle acionário do Estado, não pertence ao governo de plantão, não devendo ser usada para atingir projetos políticos, em detrimento dos interesses da sociedade. Os defensores dessa tese tratam a empresa como 100% estatal. O problema é que não é. E a sociedade brasileira, com certeza, não deseja e nem quer ver a Petrobras transformada em uma PDVSA. Portanto, o desafio é cuidar da Petrobras.