quinta-feira, agosto 02, 2012

Inep lança guia sobre correção da redação do Enem


Rafael Moraes Moura, 
Agência Estado, com Estadão.edu

Guia tem análises do tema do ano passado e de textos que tiveram nota máxima

BRASÍLIA - O Ministério da Educação (MEC) lançou na tarde desta segunda-feira, 30, um manual que explica como funciona a correção da redação do Enem. Na publicação, de 48 páginas, os estudantes encontram detalhes sobre as competências avaliadas na prova, além de análises sobre o tema cobrado no ano passado e textos que tiveram a nota máxima.

A redação no Enem 2012 – Guia do Participante terá tiragem inicial de 1,7 milhão de cópias, a serem distribuídas para alunos e professores das escolas públicas de todo o País até setembro. A versão digital do documento já pode ser acessada no site do Inep.

Redações que receberam a nota máxima (1.000 pontos) no Enem 2011 e aparecem no guia com comentários. A anáise considera que esses estudantes "desenvolveram o tema de acordo com as exigências do texto dissertativo-argumentativo" e demonstraram "domínio da norma culta de língua escrita".

“Procure escrever sua redação com letra legível, para evitar dúvidas no momento da avaliação” e “A cópia parcial dos textos motivadores ou de questões objetivas do caderno de prova acarretará a desconsideração do número de linhas copiadas” são algumas das dicas apresentadas.

“Agora está público e transparente o que se espera de cada competência, onde é avaliado, onde pode perder pontos, tanto o corretor quanto aluno sabem antecipadamente os parâmetros”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Segundo o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, o objetivo do guia é "tornar o mais transparente possível a metodologia de correção da redação, além de explicar o que se espera do participante em cada uma das competências avaliadas". "Queremos que o guia contribua para aperfeiçoar o estudo, exemplificar os critérios e mostrar como se faz uma boa redação."

O manual foi elaborado pela equipe da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep, em parceria com especialistas em língua portuguesa.

A partir deste ano, um acordo firmado com o Ministério Público Federal (MPF) permitirá que os estudantes tenham acesso às redações corrigidas apenas para fins pedagógicos. “O que estamos discutindo são os procedimentos de segurança para que tenham acesso. É um direito individual e isso tem de ser preservado, estamos construindo como vão ser os procedimentos”, afirmou Mercadante.

“Não é uma operação simples, é por isso que precisamos de um tempo pra concluir a nota da redação e a partir daí disponibilizar.”

Correção. Em maio, o MEC anunciou mudanças na forma de correção da redação do Enem - a principal delas foi a redução da nota de discrepância de 300 para 200 pontos, o que vai levar a um aumento do número de textos que serão revisados.

A pasta também instituiu uma nota de discrepância dentro de cada uma das cinco competências da redação - superior a 80 pontos. Ou seja: mesmo que um estudante, por exemplo, tire 640 pontos de um primeiro corretor e 480 pontos de um segundo (diferença inferior a 200 pontos, a discrepância da nota total), se em uma das competências receber 160 pontos do primeiro e 40 pontos do segundo (diferença superior a 80 pontos, a discrepância das competências), a redação será submetida a uma terceira análise.

O Enem está marcado para os dias 3 e 4 de novembro.

Edital. 
Além de lançar o guia da redação, o Inep publicou uma chamada pública convocando instituições de ensino superior a fazerem estudos e pesquisas em avaliação educacional e psicometria relacionados às provas aplicadas. O objetivo do edital é subsidiar diagnósticos mais precisos e induzir mudanças nas práticas de gestão e ensino, por meio de melhorias nos sistemas de avaliação escolar. O valor total do edital é de R$ 2 milhões.