Adelson Elias Vasconcellos
No artigo do Celso Ming para o Estadão, ele relata a situação de “quase parando” da economia brasileira. Contudo, a gente percebe que este “quase” já se tornou parou. O país como um todo parou.
Do lado do Poder Público, milhares de servidores, indiferentes às necessidades e momento pelos quais passam o Brasil e o mundo, continuam pressionando o governo Dilma por planos de carreiras, reajustes e outras vantagens, como se não tivessem sido eles próprios os maiores beneficiários da farra fiscal comandada por Lula em seu segundo mandato, e que agora Dilma precisa administrar.
São milhares de servidores de braços cruzados, e instituições vazias e sem prestar os serviços para os quais foram criadas. Neste sentido, o ano letivo dos estudantes universitários já foi para o espaço. Suas formações, conjugando-se a greve deste ano caminhado para setenta dias de paralisação, aos quatro meses de 2011, comprometeram, irremediavelmente, suas formações acadêmicas. E olha que o Brasil precisa mais do que nunca formar novos engenheiros, médicos, geólogos, eletrotécnicos, etc.Mas quem se preocupa com o futuro do país e suas carências e necessidades?
Do lado do investimento, a coisa vai de mal a pior. Apesar de no balanço do PAC até que tenham tentado transparecer uma situação “ótima”, a verdade é que o investimento em infraestrutura – que é afinal um elefante atravessado no meio da estrada atravacando o desenvolvimento do país, a coisa vai mal.
Apesar de que os investimentos das estatais sejam independnentes de políticas públicas, tratam de atender as necessidades de cada empresa em seu respectivo ramo de atuação, de sua parte, e já desde Lula, tem estes investimentos incluídos no bolo do PAC, que é para engordar o IBOPE. Só que, se a gente for pinçar no orçamento da União qual o montante real do investimento público, ele representa cerca de 1/5 ou até menos do que vem sendo anunciado. Os depósitos em caderneta de poupança – portanto, são recursos do povo brasileiro e não do governo - continuam jogando para o alto os tais índices de execução. Também devemos considerar que “desembolsos” não são obras prontas, executadas, muitas vezes, eles sequer saíram do papel.
Ontem, 01/08, divulgou-se que a atividade industrial cresceu rizíveis 0,2% em junho em comparação à maio. Bastou para Mantega, do alto de sua sapiência desinformada, decretar que foi o mês da virada, ou o "ponto de inflexão" como ele próprio denominou. Contudo, o ministro deveria ter visto que a base de referência já fora ridícula em maio: negativos 1,4%. Ou, sequer conseguimos recuperar o que se perdeu. Estamos em débito, portanto, Mas Mantega vê horizontes coloridos num céu com pesadas e carregadas nuvens prenunciando chuvas e trovoadas.
No campo político, então, a miséria é total. Paramos por conta da CPI do Cachoeira em que se falou, se coçou, se acusou, se protelou, enfim, armou-se um circo que até agora não resultou em nada. O governo, por sua base de apoio, insiste em não investigar a construtora Delta, a maior beneficiária de obras do PAC. É ali que mora o inferno da corrupção que vive e mora no interior do governo. O Caso Cachoeira, quando visto pela lógica do bom senso, é peixe pequeno perto do que representaria uma boa devassa nas ações da Delta, nos inumeráveis contratos sem licitação que lhe entregaram de bandeja.
E, enquanto o Congresso tira suas férias de meio de ano, pelo muito de esforço que precisou fazer para não fazer absolutamente nada no primeiro semestre, o Judiciário começa a dança dos demônios do mensalão. Se a gente quiser saber a diferença entre a imprensa séria e a imprensa abjeta ajoelhada aos pés do poder, com os devidos serviços chapa branca receber suas trinta moedas da milionária verba publicitária oficial, é só observar que, enquanto na séria, mensalão é chamado de mensalão, na abjeta é apenas Ação 470. Que bonitinho, né? Eles acham que assim a pecha de corrupção que originou no mensalão não irá perspegar no PT, no Dirceu, em Lula e toda a corja que os circunda. Eita gente criativa, não é mesmo?
Mas deixando a ironia de lado, é preocupante o quadro que o país está vivendo. E reparem: não seria a crise internacional capaz de frear o crescimento do país e fazê-lo encostar no acostamento para respirar e apreciar a paisagem. Claro que alguma influência teria, seria inevitável. Porém, outros países também estão no mesmo barco, países até envoltos no olho do furacão. Nem por isso, suas economias estagnaram tanto quanto a nossa.
Violência continua firme, forte e em alta. A educação, ao contrário, continue torta, desvirtuada e em estadão de desqualificação. O aluno de ensino médio de hoje, sabe menos do que o mesmo aluno há dez anos atrás. Um milhão de crianças está fora das escolas e, ainda no mesmo ensino médio, de cada 100 jovens que nele ingressam, apenas 44 dão continuidade aos seus estudos. Também vimos aqui que mais de 1/3 dos estudantes universitários são analfabetos funcionais. Ora, se diante de tantas mudanças, revoluções, projetos, programas e recursos jogados no ensino nacional, estão dando resultados que, ao invés de melhorarem a qualidade estão fazendo com que ela regrida, será que não está na hora de rever valores, conceitos e caminhos?
Do mesmo modo se pode dizer da economia. Se após tantos pacotes, pacotinhos e pacotaços, a coisa emperrou de vez e não anda, será que o diagnósitco e, por conseguinte, a prescrição do tratamento não precisa ser revisto?
Do lado do funcionalismo parado, há quantos anos o país todo sofre com contínuas greves que acabam resultando em mais despesas e vantagens para eles e, na contramão, os serviços que eles deveriam prestar à sociedade que lhes paga continuam em permanente degradação,? E, nem por isso, ninguém teve a grandeza de enfrentar os militantes e baderneiros, regulamentando a lei de greve e impondo limites aos abusos.
E, ainda, em relação às greves, acaso alguém se deu ao trabalho de monitorar ou projetar o tamanho do prejuízo para o país, o quanto de riqueza que se deixou de produzir? Senhores, acreditem, o prejuízo seria maior que o volume de investimentos previstos no PAC para 2012 que foi de R$ 42,0 bilhões! E ainda tem quem se surpreenda com o nosso baixo crescimento quando comparado com outras economias emergentes!!!
Não, senhores, as causas estão todas aqui dentro mesmo. Somos nós os construtores da nossa pequenez, apesar do nosso riquíssimo potencial. Fizéssemos apenas o feijão com arroz, mas de maneira eficiente e responsável, e nada além seria preciso para nos sustentarmos com crescimentos acima de 6,0% - e não 4,0% como afirmou o presidente do BNDES. Na situação atual, até estes 4,0% projetados, não passam de uma ilusão, de uma quimera, de uma pretensão descabida.
O Brasil parou. Estacionou no acostamento e continua apreciando a paisagem de maneira fútil, permitindo que as oportunidades passem em sua frente sem esboçar um gesto para aproveitá-las em seu proveito.
Os sinais negativos, em todos os quadrantes da vida nacional, estão todos aí, e são escritos e pronunciados diariamente. Só não vê quem quer ou não tem competência.
Assim, corremos o risco de jogar na lata do lixo todos os avanços dos últimos 20 anos, quando conseguimos sair do atoleiro, avançando tanto no campo econômico quanto social. Só que tais avanços foram insuficientes para nos projetar como nação desenvolvida. O que se fez foi repor apenas parte do prejuízo. Há muito para ser feito, para ser construído, para ser reformulado. Enquanto nos contentarmos com estes poucos avanços, achando que nada mais precisa ser realizado, vamos ficar para trás, de novo.
Como seria bom ser governado não apenas pela competência, modernidade e visão de futuro: seria ótimo ser governado por quem se preocupasse mais com o país do que com suas carreiras políticas pessoais. Falta-nos, portanto, dirigentes brasileiros governando “O” Brasil "PARA" os brasileiros.
