sábado, março 12, 2011

Se dependerem das Centrais Sindicais, os trabalhadores, ó!

Adelson Elias Vasconcellos

Se há uma coisa que se pode classificar como deprimente, é o político ou autoridade pública (qualquer uma) que se vende. Sua chamada ideologia sempre irá contra o interesse da sociedade a quem deveria servir e respeitar.

Falo isso a propósito do comportamento muito além de medíocre por parte das centrais sindicais. Claro, antes mesmo de se iniciarem as negociações entre elas e o governo em torno do reajuste do mínimo, aqui já as acusava de praticar puro jogo de cena. Não iriam contrariar o governo pela simples razão de que o governo do PT, no fundo, é o governo das centrais sindicais.

Quando Lula resolveu doar parte do imposto sindical para as centrais, que dele poderiam dispor a seu bel prazer sem a necessidade de serem fiscalizados pelo uso de dinheiro público, sabia que ali selava em definitivo a compra do seu apoio político às custas do interesse dos trabalhadores. Era o peleguismo na sua mais absoluta essência.

Tanto foi que, resultado das ditas “negociações” de pura hipocrisia e cretinismo tanto de parte das centrais quanto do próprio governo Dilma Presidente, não apenas o salário mínimo teve reposto apenas a inflação de 2010, como ainda, o reajuste da tabela do imposto de renda, em índice inferior ao do salário mínimo, vai confiscar mais um pedaço deste salário. Hoje, com ridículos 2,86 salários mínimos, o trabalhador brasileiro já tem seu salário tributado na fonte. É um acinte, um despropósito descomunal!!!

Ao anunciarem que a Dilma se reuniria com as centrais em torno da correção desta tabela, preventivamente e de forma absolutamente imoral, o governo fez questão de plantar duas notas na imprensa, como a senha velada e direta para o preço a pagar, caso as centrais tentassem confrontar a proposta que iria a mesa. De um lado, se ameaçou flexibilizar a obrigatoriedade na cobrança do imposto sindical. E, de outro, dona Dilma sacou da caneta em uma Medida Provisória canalha, como será bem o estilo de seu governo que neste quesito nada difere de Lula, seu mentor, para dar às centrais sindicais o direito de assento de uma cadeira nos conselhos das estatais. Tal medida estúpida, de cara, criará cerca de 60 novas bocas ricas com salários que variam entre R$ 6 a 10 mil. Sem precisarem de competência, de qualificação, ou prestar concurso, apenas por indicação do Planalto.

Pronto: com tais ações estava garantida a canalhice cometida contra os trabalhadores e até contra a sociedade, já que as estatais terão pessoas das quais não se exigem nada além de serem os capachos a mando do PT, como aliás tendo sido a praxe desde sempre. As centrais se tornaram braço partidário do petismo, assim como muitas entidades sociais e o MST e sua ação criminosa.

Alguém aí tem alguma dúvida de que a sociedade com esta gente continua relegada a um segundo plano, dela se exigindo apenas o respectivo voto na tropa dos gigolôs nomeados pela máfia petista? Faz tempo que o dinheiro público vem sendo usado para cooptar esta turma asquerosa, cujo interesse maior é o poder pelo poder.

Impossível negar que o Brasil parou no tempo e até tem retrocedido ao atraso de cinquenta anos atrás com tal política. Estamos mandando para o espaço imensas e valiosas oportunidades que o presente nos tem oferecido de modernização e crescimento.

O mensalão do primeiro mandato de Lula se tornou fichinha perto do assalto que se comete tanto aos cofres públicos quanto às instituições, com centrais sindicais subjugadas pelo interesse político partidário, e um Congresso posto de joelhos diante das mamatas que o Planalto passou a lhes servir em bandejas de fino trato.

Na negociação deles, o prejuízo é nosso...

Dilma se reuniu com as centrais sindicais para discutirem a correção da tabela do imposto de renda na fonte. Sobrou pra quem?

Mas não pensem que a Dilma Presidente apresentou apenas estatísticas para justificar mais um confisco do governo dito "dos trabalhadores" sobre os trabalhadores de menor renda. Não, claro que não. Ela tinha um saquinho de bondades que serviram como argumento definitivo para centrais darem uma rasteira vergonhosa nos trabalhadores, a quem deveriam representar e cujos interesses deveriam respeitar e defender.

Não bastasse a república sindical já instalada no poder em milhares de bocas ricas, Dilma ainda acenou com novos "favorecimentos" e uma ameaça. Isto bastou para que as centrais se ajoelhassem submissas para dizerem "amém" ao governo. O favor de novos e polpudos cargos associado à chantagem de terminar com a obrigatoriedade do imposto sindical, falaram mais alto aos ouvidos pelegos dos sindicalistas. Azar o nosso.  

Seguem as notícias, ambas publicadas na Folha de São Paulo, sobre os "argumentos" empregados por Dilma, para impor mais um assalto ao bolso de quem realmente trabalha e sustenta este país.

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Fim do imposto sindical gera tensão entre centrais


Representantes das centrais sindicais chegarão hoje ao Palácio do Planalto sob tensão, informa "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete.

Ontem, numa reunião prévia, ficou acertada uma pauta comum que exclui o fim do imposto sindical, defendido apenas pela CUT.

Se a central ligada ao PT mesmo assim trouxer o assunto à baila, estará "oficializando o racha", avaliam sindicalistas de outras correntes.

Depois da reunião com as centrais, hoje, a presidente Dilma Rousseff dará início a uma rodada de encontros com empresários. Jorge Gerdau, que chegou a ser cotado para o governo, deve abrir a série.

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Dilma regulamentará lei que coloca trabalhadores em conselhos

A presidente Dilma Rousseff fará um aceno amanhã às centrais sindicais ao regulamentar a lei que dá um assento aos trabalhadores nos conselhos de administração de empresas públicas, de capital misto e controladas pela União.

O anúncio será feito no primeiro encontro da presidente com representantes das centrais, no Palácio do Planalto.

Dilma pretende ainda iniciar a discussão com as centrais sobre a desoneração da folha de pagamento, vista com cautela pelas entidades.

Depois do embate do valor do salário mínimo no Congresso, em que o Planalto conseguiu emplacar os R$ 545, o governo dará sinal de que quer manter boas relações com as centrais.

A presidente discutiu os detalhes da reunião ontem com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral).

A lei a ser regulamentada foi sancionada e publicada no Diário Oficial no ano passado, pelo ex-presidente Lula.

Outras reivindicações das centrais, entretanto, não têm previsão de apoio do Planalto. O governo já decidiu que a correção da tabela do Imposto de Renda ficará em 4,5% - não nos 6,46% que pedem as centrais. Além disso, o Planalto não pretende se envolver na discussão da redução da jornada de trabalho para 40 horas.

A lei 12353/10, aprovada pelo Congresso, determina que empresas estatais ou sociedades de economia mista, o que inclui Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás, passarão a ter uma vaga em seus conselhos de administração para um representante de empregados.

Segundo a lei, a eleição é direta e o escolhido tem que fazer parte do quadro de funcionários ativos da empresa. A eleição poderá ser organizada pela empresa ou por centrais sindicais.

Cantinho do humor: A Arca de Noé à brasileira

Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:

- ANTES DE 21. 12. 2012 , 6 meses antes farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas.

Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira.

No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.

Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:

- Onde está a arca, Noé?

- Perdoe-me, Senhor, suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas:

Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha de eleição do prefeito.

Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros ...

O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário.

Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens SUAS, mas eles só queriam saber se eu tinha um "Projeto de Reflorestamento " e um tal de "Plano de Manejo ".

Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal.

Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável " e eu acabei tendo que matar o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda.

Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção.

Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano.

Veio em seguida a Receita Federal, falando em " sinais exteriores de riqueza " e também me multou.

Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o " Relatório de Impacto Ambiental " sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil.

Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico!

Sorte que o INSS estava de greve...

Noé terminou o relato chorando, mas notando que o céu clareava perguntou:

- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?

- Não! - respondeu a Voz entre as nuvens.

- Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde! O governo já se encarregou de fazer isso!

A embusteira

Adelson Elias Vasconcellos

O governo Dilma Presidente iniciou seu mandato anunciando aos quatro cantos do país que 2011 seria um ano de dificuldades. Problemas de inflação acelerada e de câmbio foram duas das desculpas esfarrapadas com que o governo anunciou um corte de 50 bilhões no orçamento deste ano.

Levou um tempão para dizer aonde se produziriam os cortes. Porém, seu anúncio não aliviou em nada a tensão do mercado. Comprovou-se tratar-se de corte de “vento”.

Mais adiante, ainda na longa fieira de desculpas, o governo afirmou não ser possível aumentar o salário mínimo além da reposição da inflação. Além da costumeira balela de falta de recursos, justificou sua proposta mínima apresentando um tal acordo firmado com as centrais sindicais antes ainda da crise financeira internacional. Após pagar o devido pedágio aos congressistas para que aprovassem sua proposta anã, declarou não ser possível reajustar a tabela do imposto de renda além do percentual fixado para a meta de inflação deste ano, que é de 4,5%. Ou seja, menor que o reajuste do salário mínimo que configura, sem dúvida, na ampliação do confisco iniciado por Lula em 2003.

Claro que o governo Dilma Presidente está proibido de dizer ao contribuinte eleitor que a verdadeira razão para os cortes e para a má vontade em relação aos salários dos trabalhadores da iniciativa privada, que foi, como todos bem sabem, a farra de gastos patrocinada por Lula, principalmente, nos dois últimos anos, carro chefe para a eleição de Dilma. Sequer pode declarar que os tais cortes sejam um ajuste fiscal, expressão odiada por Dilma desde a campanha que a elegeu. Dê ao corte o nome que quiser, porém, no jargão das pessoas decente4s e sérias, o que se pratica agora é o ajuste fiscal necessário para recompor a ordem nas contas públicas que Lula desarranjou para eleger sua sucessora.

Tudo isto seria louvável não fosse...

Não fosse que o tal corte é pura cascata. Quem quer de fato cortar custos, não os faz apenas em reduzir custos com o uso de telefone, suspensão de concursos, adiamento de compra de caças para reequipamento da FAB. Não autoriza, por exemplo, uma injeção de 50 bilhões do Tesouro no caixa do BNDES, para continuar comprando o passe livre dos empresários para o governo socialista e vigarista. Não anuncia por exemplo, um reajuste desproporcional do Bolsa Família em índices que chegarão até 45%.

Como também não autoriza a aquisição, por pura ostentação e exibicionismo, frescurite da senhora dama da Presidência, de compra 30 TVs por R$ 55 mil destinadas à Presidência da República. O Carnaval já passou, no curto prazo não será outro grande evento para ser transmitido, mas a farra, a irresponsabilidade e o descaso com que o governo trata do dinheiro público em coisas absolutamente inúteis, esta parece não ter fim. Este, meus amigos, é apenas um das dezenas de exemplos com que poderia apelidar a senhora presidente de embusteira.

É preciso não ter a menor noção de senso de oportunidade para se praticar imbecilidades de tal tipo. E isto acontece na Presidência, nos Ministérios, no Congresso e no Judiciário. Seria preciso criar um blog exclusivamente dedicado a apontar a falta de seriedade que diariamente se vê de parte de nossas autoridades no trato da coisa pública, principalmente dos recursos públicos, tão escassos em áreas bem mais prioritárias como saúde, educação, segurança, saneamento básico, por exemplo.

É impressionante a desfaçatez de se aplicar garrotes nos assalariados, para bancar esta verdadeira orgia e bacanal que se pratica com os recursos que são tirados da sociedade. Trata-se de um verdadeiro assalto, tendo em vista que os serviços para os quais são arrecadados bilhões em impostos e taxas variadas, estão à deriva, largados a própria sorte, desprezados, em grau de total abandono e indignidade. Por outro lado, não se satisfaz o poder de ter apenas de trabalhar em nome desta sociedade. Precisa encastelar-se no luxo e na vagabundagem ostensiva e luxuriante.

Não é por outra razão que não nos alinhamos aos “analistas” que, de repente, começam ver em Dilma qualidades que ela não demonstrou jamais. Sua competê4ncia sempre foi a de parecer competente. Em termos de gestão, continua a mesma personalidade arrogante de sempre: prefere impor-se pelo berro e cara feia, do que pela razão.

Não, esta senhora ainda não demonstrou um mínimo de resultado capaz de justificar sua eleição. Suas promessas de campanha ficam cada dia mais distantes de se iniciar seu cumprimento. Seus discursos de campanha, como a CPMF e o controle da mídia que se chama em linguagem decente de “censura”, no poder, mudaram de tom e de direção.

Uma das “propaladas” qualidades que os “analistas” boêmios se apressaram em destacar, foi a mudança dos critérios de política externa, que se diz ter agora derivado para a defesa dos direitos humanos. Conversa mole. Vejam abaixo a visita cordial e de pura oferta de favores às custas do erário, feita por Marco Aurélio Top-Top Garcia fez aos tiranos e assassinos irmãos Castro. Como disse ontem aqui, condenar ou criticar Kadaffi e Ahmadinejad, tão distantes, é fácil até demais. Quero ver este governo criticar o regime ditatorial de Cuba. Enquanto tal não for feito, a embusteira continuará enganando aos patetas da hora. Claro que o fã clube das esquerdas, muitos deles ou são intelectuais mamando em boquinhas ricas ou jornalistas também amparados pelo maná das verbas da publicidade oficial, é imenso e fiel. Mas mesmo dentre aqueles que se mostraram muito críticos em relação aos dois mandatos de Lula, há os que se apressaram em destacar e descobrir virtudes em Dilma que ela jamais demonstrou e sequer, como Presidente, teve tempo para comprovar e exibir.

Não marco mês, dois meses, cem dias, para avaliar qualquer governante, seja ele de que nível for. Minha avaliação já disse e repito, se faz no plano exclusivo dos resultados. Não há boa intenção que resista a um governo de resultados catastróficos.

Por enquanto, este governo sem direção e sem vontade própria, não passa de um arremedo em tom de procuração pública do governo anterior. Não se vê um plano de ação, não se conhece nenhuma avaliação sobre os problemas que atingem o país. Levanta-se agora uma inutilidade total chamada reforma política, como se ela pudesse se tornar um apanágio que há de curar nossa mazelas, destacadamente, as que se localizam no campo dos péssimos e vergonhosos serviços públicos. Ao invés de priorizar a gestão de melhor qualidade, quer se tapar os buracos com mais impostos. E para a correção das contas públicas, ao invés de se praticar tolerância zero para com o desperdício e a ostentação, se ampliam o confisco salarial dos mais necessitados.

Portanto, o governo Dilma Presidente não é o governo do país de todos. É o embuste eleitoral praticado em 2010, cujo único objetivo é o de dar prosseguimento ao projeto de poder em favor de um único partido e subjugar a sociedade à tutela do Estado. E isto tem um significado, que não é democracia.

Carrinho de Compras: Presidência compra 30 TVs por R$ 55 mil

Milton Júnior, Do Contas Abertas

O Carnaval chegou e, para quem não pode acompanhar de perto os tradicionais desfiles do país, basta uma telinha, correto?! Bom, para a equipe da Presidência da República, que na última semana empenhou (reservou em orçamento) quase R$ 55 mil para a aquisição de 17 televisões LCDs de 42 polegadas e outros 13 de 42 polegadas, apenas uma telinha não parece ser suficiente. Todos os equipamentos deverão ter tecnologia Full HD e conversor digital integrado. Resta verificar se não vai faltar espaço para que o pessoal possa acompanhar a programação nos telões.

E a alta tecnologia na Presidência não para por aí. Tem também a compra de um “aparelho telefônico celular veicular com tecnologia GSM, incluindo instalação e todos os consumíveis necessários, tais como: antena magnética de para brisa, conectores, cablagem e mão de obra”. Com tantas especificações técnicas, não é de se admirar que o aparelho chegue a quase R$ 1,5 mil, conforme aponta a nota de empenho.

Mas a maior parte das curiosidades da semana ficou por conta dos militares. O gabinete do Comandante da Aeronáutica, por exemplo, comprometeu R$ 56 mil para a confecção de 500 estojos completos da “Medalha Mérito Operacional Brigadeiro Nero Moura”. Cada kit conterá uma caixa de madeira e uma medalha de metal banhada em prata, orlada com faixas verdes e amarelas. Só para constar: por esse preço, daria para comprar 30 novas TVs.

A Prefeitura de Aeronáutica de Brasília, complexo residencial da Força na capital, está nos últimos preparativos para receber o calor que, em breve, não dará trégua à cidade. Por R$ 25,2 mil (valor que poderiam servir para a aquisição de 14 novos televisores) a unidade deverá contratar “serviços de manutenção e limpeza de piscinas de imóveis residenciais, com fornecimento de produtos químicos, equipamentos e mão de obra”.

Enquanto isso, o Batalhão de Guarda Presidencial preferiu renovar os dormitórios dos milicos. A unidade empenhou R$ 24,1 mil para a aquisição de 200 colchões. Já o 38º Batalhão de Infantaria do Exército, no município de Vila Velha (ES), passaria despercebido nesta coluna, não fosse um item. Em um carrinho de compras bastante diversificado, com pelo menos oito tipos diferentes de gêneros alimentícios, um chama a atenção: 12 cervejas de 600 ml, ao custo total de R$ 35. O documento de empenho informa que cada garrafa custou, por meio de pregão, R$ 2,93. Então tá! Saúde!

DNA de negros e pardos do Brasil é 60% a 80% europeu

Comentando a Notícia

Um dos maiores absurdos que as esquerdas tentaram, e ainda tentam emplacar no país, é  a tal política de cotas raciais. Inúmeros foram os artigos que publicamos desmontando a farsa contada por esta “gente progressista”. Deixamos claro, e isto já se observa não apenas na questão racial, mas em outras divisões disseminadas no país sob incentivo do governo Lula, que políticas desta natureza, apesar da bandeira de bons propósito que exibe e com que tenta se justificar, produzem resultados inversos daqueles pretendidos por seus defensores.

No caso brasileiro, gostem ou não, é visível o nascimento de um racialismo imbecil e delirante.

O politicamente correto criou o termo “afrodescendente” como uma espécie de raça superior, como se raças além da humana, ainda pudessem existir.

O MEC do governo Lula criou a obrigatoriedade do ensino sobre a história da África, como se ela fosse uma ciência de maior nível de conhecimento do que o contexto de “História Geral” em que de fato ela se insere.

Poderíamos prosseguir nesta análise em outros tantos exemplos de idiotice – ou falta de coisa útil para fazer e se ocupar – dos “letrados” que tentam ceifar o povo brasileiro em sub-raças, estas mais importantes do que o próprio povo delas originado.

Contudo, um estudo coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais, creio ser suficiente para destruir esta estupidez tão ardorosamente defendida pelas esquerdas. Por ele, estudou-se o DNA dos negros e pardos brasileiros e constatou-se exatamente o que o título aponta: 60 a 80% do DNA dos negros e pardos do país é europeu. Não que isso para mim ao menos, tenha alguma importância. Neste país há uma só raça, a humana, e há um só povo, o brasileiro. O resto, é pura perda de tempo dos “racialistas”.

O resultado do estudo acima foi publicado pela Folha de São Paulo. O texto é de Reinaldo José Lopes, editor de Ciência.

Em tempo: o estudo é científico, não se trata, portanto, de pura opinião vagabunda e delirante de quem ainda dorme na idade medieval.

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No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são "africanos". Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz "preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA.

O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme.

"A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava", disse Pena à Folha.

De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.

Editoria de Arte/Folhapress


QUASE MIL
Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul).

Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.

Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de "inserção e deleção"). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA.

Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população --alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.

Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do branqueamento --defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com forte conteúdo racista-- acabou dando certo, diz Pena.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da pessoa.

Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito visível. O trabalho está na revista "PLoS One".

Perigo à vista!!!

Comentando a Notícia

Faz um dez dias que o governo federal vem anunciando que, brevemente, adotará medidas no sentido de conter a valorização do real frente ao dólar. Anúncios deste tipo são péssimos exemplos de incompetência e irresponsabilidade. Medidas cambiais, seja em que situação for, não se anunciam com antecedência para evitar a especulação. Uma vez definida a determinação de se adotar um conjunto delas, elas devem entrar em vigor de imediato.

Sempre que alguém pratica este tipo escandaloso de ameaças, está, mais do que nunca, privilegiando alguns poucos que ganharão fortunas com a especulação. Isto vai muito além, portanto, de simples má gestão.

Seja como for, o fato é que o governo Dilma, que herdou o mesmo ministro da Fazenda de Lula, o senhor Guido Mantega, que, aliás, lá está já há um bom tempo, está levando tempo demais para agir na área do câmbio.

É impressionante assistir esta criminosa omissão, uma vez que o prejuízo para o país e suas empresas é elevado demais para nossas autoridades continuarem em cima do muro. Viu-se no anúncio do PIB de 2010, que um dos fatores para o índice ter sido superior a 7,00%, foi o consumo das famílias. E que este consumo foi sustentado em grande parte, pelo crédito farto de um lado e, de outro, que 80% deste consumo foi bancado pelos produtos importados, consequência direta da valorização excessiva do real.

Nada disto é produto do mercado, é fruto do desgoverno. Alguma vez alguém do governo parou para calcular quantos empregos deixaram de ser gerados por esta política destrambelhada? Alguma autoridade da área econômica em dado momento parou para calcular quanto de divisas deixamos de gerar por conta da perda de mercados no comércio internacional, fruto da perda de competitividade de nossos manufaturados e semimanufaturados em razão direta do desequilíbrio cambial? Garanto que não, estavam e ainda estão mais preocupados em se sustentarem no poder, não importa o prejuízo que causem ao país.

Ontem, a Folha divulgou outro dado aterrador desta política torta, vejam post abaixo, ou até seria melhor dizer, de falta de política. A especulação, apesar de algumas medidas ditas pontuais, mas que sempre o próprio mercado classificou como insuficientes, aumentou absurdamente em 2011. Em apenas dois meses, as entradas de dólares no país, via operações financeiras, já superaram todo o ano de 2010. Tudo insuflado pela maior taxa de juros do planeta praticada pelo Brasil que não encontra espaço para reduzir-se em níveis decentes dado que o governo brasileiro continua gastando muito mais do que arrecada, além de sustentar políticas de incentivo ao consumo muito além do que a capacidade interna de atendimento à demanda é capaz de suportar. Como o dólar continua despencando diante do real, toda esta demanda acaba sendo bancada pelos importados. Dentre as principais economias do mundo, a brasileira foi a teve maior elevação em volume de importados. E aí decorrem toda as consequências funestas para a nossa economia como desindustrialização e desnacionalização, e perda de mercados internacionais para a venda de produtos de maior valor agregado.

Continuamos, portanto, sem uma agenda definida de parte do governo federal para os problemas econômicos que vão se acumulando em velocidade impressionante, e sem que se tomem ações corretivas em favor do país.

Entrada de dólares no Brasil já representa 60% do fluxo em 2010

Folha de São Paulo

A entrada de dólares no país no início de 2011 já supera a saída de moeda estrangeira em US$ 24,4 bilhões, segundo dados do Banco Central até o último dia 4. O valor representa quase 60% do que entrou no país no ano passado.

Depois do recorde registrado em janeiro (US$ 15,5 bilhões), entraram mais US$ 7,4 bilhões em fevereiro. Nos primeiros dias de março, o fluxo já está positivo em US$ 1,4 bilhão.

O resultado está sendo puxado por operações financeiras, principalmente, investimentos estrangeiros de longo prazo no setor produtivo e captações de empresas brasileiras no exterior.

Os dados do BC mostram ainda que, além da forte entrada de recursos, outro fator que pressiona a cotação da moeda é o aumento da especulação dos bancos no mercado de câmbio. As dívidas das instituições no mercado à vista subiram de US$ 11 bilhões em janeiro para US$ 12,7 bilhões, o que significa uma aposta maior na queda do dólar.

As intervenções do BC também aumentaram. Depois de comprar US$ 8 bilhões em janeiro, a instituição adquiriu mais de US$ 9 bilhões em fevereiro, considerando operações à vista (US$ 8,1 bilhões) e a prazo (US$ 973 milhões). Nos primeiros dias de março, já comprou mais US$ 2,7 bilhões.

COMMODITIES
O BC também divulgou nesta quarta-feira o índice de commodities da instituição, que mostra alta de 4,73% em fevereiro, acima dos 3,85% do CRB, principal indicador internacional sobre o preço desses produtos.

Isso significa que o aumento no preço desses produtos afetou mais a inflação no Brasil do que no exterior.

INTERVENÇÕES
Os números divulgados hoje pelo BC confirmam que a autoridade monetária está intervindo de maneira mais intensa no mercado cambial.

Embora o fluxo de divisas tenha caído pela metade entre janeiro e fevereiro, as compras de dólares pelo BC aumentaram no período: de US$ 7,992 bilhões para US$ 8,065 bilhões.

Ao número de fevereiro, deve-se considerar ainda as operações de compra no mercado a termo, que somaram US$ 1,946 bilhão. Nas operações a termo, as trocas de moedas são liquidadas com semanas de diferença, enquanto nas operações à vista, são feitas em dias.

Importado domina aumento no consumo

Folha de São Paulo

Quase 80% do crescimento no consumo de produtos industrializados ocorrido no Brasil no último trimestre de 2010 foi suprido por importações, segundo estudo do banco Credit Suisse, informa reportagem de Érica Fraga para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

A análise da instituição revela que a produção industrial doméstica tem perdido espaço para as importações em meio à crescente demanda de consumidores e empresas por bens, como máquinas, veículos e roupas.

"Enquanto a produção industrial tem desacelerado, a importação de bens industriais segue forte", diz Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse no Brasil.

O cálculo da quantidade de bens industriais consumida no país feito pelo banco inclui tudo o que foi produzido localmente e importado. Do resultado dessa conta é descontada a parcela da produção que foi exportada e, portanto, consumida fora.

Segundo o Credit Suisse, o consumo de produtos industriais aumentou 6,9% no último trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2009.

As importações responderam por 79,2% dessa expansão. A parcela é quase o dobro da contribuição de 40% feita pela produção local. Já as exportações subtraíram 19,2% desse aumento de consumo no período.

Editoria de Arte/Folhapress

Assalto `por dentro`

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Na conta de telefone diz que você paga 33,65% de impostos. Mentira. Você paga 50,71%

Você utiliza serviços de telecomunicações no Rio, no valor de R$ 100,00, sobre os quais incidem impostos (ICMS, estadual, Pis e Cofins, federais) de 33,65%. Logo, sua conta mensal será de R$ 133,65, certo?

Errado.

Aqui não valem nem a matemática tradicional nem o bom senso. Aquela conta, na verdade, será de R$ 150,71. O truque é o seguinte: calcula-se o imposto sobre o preço total do serviço incluindo previamente o imposto. Parece absurdo, e é. Você paga imposto sobre o imposto. Mas é assim que se faz há muito tempo, especialmente com o ICMS.

A questão era a de sempre. Como aumentar a arrecadação para cobrir os gastos crescentes? Detalhe: a alíquota do ICMS é fixada em lei e no Confaz, Conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda. É difícil mudá-la. Foi aí que um talento das contas públicas inventou o “cálculo por dentro”.

Isso mesmo, uma fórmula matemática que faz o milagre: acrescenta ao preço “líquido” do produto (ou serviço) o valor do imposto e recalcula o imposto sobre o preço total (*). O passo seguinte foi conseguir interpretações dos tribunais dizendo que esse cálculo é legal.

Não passa no teste da boa lógica ou do simples bom senso. O imposto incide sobre o valor da mercadoria – e ponto final. Está na cara que colocar o imposto no preço e recalcular é um truque para cobrar duas vezes. O resultado é que se cobra uma alíquota acima do estipulado na lei.

Eis um exemplo, apanhado numa conta de telefone celular de S.Paulo, onde o ICMS é de 25% - e já pedindo desculpas ao leitor pelo excesso de números. Na nota fiscal está escrito que o valor do ICMS é de R$ 98,22 – que são 25% sobre uma base de cálculo, ali referida, de R$ 392,88, valor total a ser pago pelo usuário.

Ora, retirando-se desse total o valor do imposto, dá o preço líquido do serviço, certo? Temos então: preço líquido do serviço, R$ 294,66 valor do imposto, R$ 98,22. Portanto, o imposto efetivamente cobrado representa 33,33% - uma alíquota ilegal.

Como é que isso passa nos parlamentos e nos tribunais? Porque estão todos – deputados, senadores, juízes e mais o Executivo – sempre em busca de dinheiro dos contribuintes para gastar mais.

E por que essas alíquotas turbinadas se aplicam preferencialmente sobre telecomunicações? Porque é dinheiro certo. É fácil arrecadar. O governo não faz nada.

A concessionária, uma operadora, calcula a conta, o imposto, cobra, recebe, separa a parte do governo e manda uma TED para a Receita. São meia dúzia de operadoras, de modo que é fácil fiscalizar.

A mesma situação ocorre na distribuição de energia elétrica. Imposto alto e turbinado.

Resultado: custo Brasil elevado em setores cruciais para a produtividade da atividade econômica, sem contar o peso no orçamento das famílias. Há uma reclamação constante – inclusive feita por gente do governo – que telefones, internet e banda larga no Brasil são muito caros. Verdade. Mas é preciso acrescentar: os impostos estão entre os mais altos do mundo. Não por acaso, telecomunicações representam nada menos que 12% da arrecadação de ICMS. Incluindo energia elétrica e combustíveis, vai a 50%. Ou seja, os governos estaduais vivem de impostos que encarecem a atividade econômica e o custo de vida.

O SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras privadas, observa que os impostos sobre telecomunicações são maiores do que aqueles cobrados sobre cigarros, bebidas e cosméticos. Considerando-se o ICMS e as contribuições federais, Pis e Cofins, a tributação efetiva (“por dentro”) paga pelo usuário de telecomunicações varia de 40 a 50%. Em Rondônia chega a 63%, mas é caso único.

O governo Dilma, nisto seguindo o governo Lula, avança com os planos de implantar a banda larga estatal, para atingir as populações mais pobres. Estas seriam excluídas pelas operadoras privadas porque não poderiam pagar tarifas que dessem lucro.

Ora, não precisa de estatal. Basta reduzir os impostos. Aliás, não há como oferecer tarifas acessíveis sem essa redução. Se a estatal da banda larga não precisar recolher impostos, então será um subsídio e uma concorrência desleal.

De todo modo, é para todo o país que a carga tributária é um peso descomunal, por qualquer ângulo que se observe. E é difícil acreditar quando a presidente e membros do governo falam em reduzir impostos, ao mesmo tempo que se comprometem com gastos maiores.

O passo mais importante, inicial, seria estabelecer um programa de longo prazo de redução do tamanho do setor público. Estabelecer, por exemplo, a regra de que o gasto público crescerá sempre abaixo do ritmo de expansão da economia. Aí sim, se poderia falar da necessária redução de impostos.

Nossa política externa mudou seu tom? Sim, pero no mucho...

Comentando a Notícia

Em entrevista concedida ao Estadão recentemente, Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz e opositora ferrenha de Ahmadinejad, vê guinada na posição do País após Lula, mas disse esperar que o discurso por direitos humanos não seja apenas estratégia política.

Bem, a iraniana parece não conhecer bem nossos governantes petistas. Esta tropa é boa de discurso e propaganda, mas ruim de serviço. Entre o que dizem e a ação propriamente, a diferença é de muitos anos-luz. Aliás, o próprio Estadão, em um de seus editoriais, andou proclamando as venturas de uma nova era.

Porém, guardei o devido silêncio quanto as primeiras impressões e discurso. Com o PT é sempre preferível avaliar mais suas ações do que suas palavras.

Ontem, aqui mesmo, fiz esta ressalva: somente será possível aplaudir uma mudança – urgente e necessária – em nossa política externa, se e quando o governo da Dilma Presidente se pronunciar de forma crítica em relação ao regime cubano. É fácil meter a ripa em gente como Kaddafi e Mahmoud Ahmadinejad. Coisa diferente, porém, é se aplicar a mesma régua sobre Chavez e os irmãos Castro.

Li muitos elogios a posição brasileira em recente sessão da ONU, na qual o país condenou a intolerância religiosa, num recado de desacordo ao que se pratica por exemplo no Irã. Entre os pontos citados, está a discriminação contra a fé Bahai, cujos membros são perseguidos no Irã.

A declaração oficial, lida na sessão principal do dia no Conselho de Direitos Humanos e obtida pelo site de VEJA, diz: “O Brasil deplora veementemente todas as ações de discriminação e incitação ao ódio religioso que vêm ocorrendo em várias partes do mundo. Muitas vidas inocentes foram perdidas por causa da intolerância e da ignorância”.

O documento afirma que o Brasil está preocupado com a situação dos seguidores de certas religiões que são alvos de discriminação em diversas partes do mundo, como as crenças de origem africana e a fé Bahai, um dos maiores grupos não muçulmanos, perseguido no Irã. “O Brasil reitera seu compromisso de assegurar uma sociedade plural, tolerante e livre. A liberdade de religião e de crenças é um direito fundamental garantido pela Constituição do país”.

O texto é uma das ações mais representativas do Brasil em um importante fórum internacional nos últimos anos. Além de pontuar aspectos claros – o que cria dentro da ONU a necessidade de se obter respostas -, o documento mostra que o Brasil está dando mais importância aos direitos humanos. A ação é, portanto, um novo sinal de que o país vai condenar violações a estes direitos em países como o Irã. Vai?

Não acredito. Pode até condenar um e outro tirano assassino espalhado lá pela Ásia ou África. Mas dentro da América Latina, a posição sempre será de absoluta leniência, como são os casos dos regimes que vigoram na Venezuela e em Cuba. Querem outro exemplo? Qual o passo dado pelo atual governo para reconhecer o legítimo e democrático presidente eleito de Honduras? Não tentem pesquisar, perderão tempo. Dilma mantém o mesmo distanciamento que seu antecessor.

Mais um exemplo desta empulhação praticada e que a todos encanta, mas que a poucos engana, é a notícia a seguir.

Observem o cidadão da foto abaixo. Reconhecem-no? Pois é, trata-se do sargento Garcia em visita oficial à ... Cuba. Vocês acham que ele foi lá pedir que os irmãos Castro devolvam democracia à Cuba? Ou lá está para pedir absolvição e liberdade aos presos políticos? Nada. Conforme nota oficial, Garcia visitou a dupla assassina cubana onde “...abordou-se o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil...”, além de “outros temas da atualidade internacional. É preciso dizer mais alguma coisa?

Bem, neste caso, leiam a notícia postada no blog do Josias de Souza, Folha.com e tire suas conclusões. De minha parte, se mudança houve ela se concentrou apenas no discurso, que se tornou mais hipócrita. Sendo, para efeitos externos, a mudança aconteceu apenas nas palavras, pero no mucho como Garcia acabou atestando.


Em visita oficial a Cuba desde segunda (7), o grão-petê Marco Aurélio Garcia virou “notícia” no Granma, diário estatal cubano.

O texto não esclarece o que faz o assessor internacional da Presidência brasileira em Havana. Limita-se a reproduzir uma nota oficial.

A peça anota que Marco Aurélio foi recebido, nesta quarta (9), pelo ditador cubano Raúl Castro. Conversaram sobre o quê?

“Durante o encontro abordou-se o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil...”, além de “outros temas da atualidade internacional”.

Afora o irmão de Fidel Castro, participaram da conversa com Marco Aurélio uma tróica de ministros cubanos.

Lá estavam o chanceler Bruno Rodríguez e os “companheiros” Rodrigo Malmierca (Comércio e Investimento Estrangeiro) e Abel Prieto (Cultura).

O Granma não diz, mas “o excelente estado das relações entre Cuba e Brasil” inclui um empréstimo do bom e velho BNDES a Havana. Coisa de US$ 300 milhões.

Prometida sob Lula, a verba vem sendo borrifada no borderô das obras do Porto de Mariel, a 50 quilômetros da capital cubana.

O próprio Lula visitou o canteiro da obra em fevereiro do ano passado. Chegou no dia da morte do dissidente cubano Orlando Zapata.

Preso político, Zapata feneceu após 82 dias de greve fome. Ouvido na época, Lula lamentou que prisioneiros cubanos “se deixem morrer” de fome.

Ao lado de Lula, Raúl também falou aos repórteres. Disse que, em "meio século", ninguém foi assassinado pela ditadura de Cuba.

"Aqui não temos uma máxima liberdade de expressão, é certo”, reconheceu o companheiro-ditador antes de rogar aos entrevistadores:

“Deixem-nos tranquilos, deixem-nos quietos, deixem-nos desenvolver normalmente nossas atividades [...]. Essa é a realidade, o resto é história”.

Primeira autoridade brasileira a visitar Cuba desde a posse de Dilma, Marco Aurélio não teve a desventura de chegar nas pegadas da morte.

Melhor assim. A platéia foi poupada de novas declarações constrangedoras. Resta agora aguardar pelo retorno do assessor.

Ao anunciar o corte orçamentário de R$ 50 bilhões, o governo prometera restringir ao mínimo necessário as viagens, sobretudo as internacionais.

Assim, espera-se que, de volta, Marco Aurélio explique ao contribuinte que lhe pagou bilhetes aéreos, estadia e alimentação o que diabos foi fazer em Cuba.

Ainda a fragilidade da oposição: reflexões adicionais sobre o tema

Bolívar Lamounier, Exame.com

Vou lhes confessar uma coisa, aliás duas. A primeira é que eu gosto de escrever no meu blog. Faço-o no meu ritmo, sem obrigação de correr atrás de tudo o que acontece e sem pressão para ser “menos acadêmico”, como temia quando comecei.

A segunda é que o texto de ontem me deu um prazer especial. A quem não tiver tido oportunidade de o ler, informo que foi sobre a fraqueza atual da oposição, com alguma ênfase na situação do PSDB.

O texto suscitou uma reação cordial, como sempre, mas acalorada, densa e instigante. Tanto que até senti as limitações da comunicação virtual. Em torno de uma mesa com todas as pessoas que me mandaram mensagens, acho que ficaria discutindo por bastante tempo.

Isso é impossível, mas peço licença para martelar mais um pouco o assunto, e para fazê-lo sob a forma de breves reflexões sobre três dos temas levantados.

Primeiro, o sentimento de urgência. Neste aspecto, fiquei com a impressão de que os comentários variaram de A a Z. Há, numa ponta, pessoas preocupadas com a possível, eventual ou provável lentidão do PSDB em equacionar seus desacordos internos e em se unir em torno de uma plataforma de oposição. Teme-se que outros 8 anos de marasmo não só o afundem de vez, mas o incapacitem para evitar problemas graves que o Brasil pode vir a atravessar. Tendências político-econômicas autoritárias e, num prazo mais curto, até uma possível crise econômica.

Na ponta contrária, vejo pessoas que se preocupam com a oposição por ela ser parte essencial da democracia, mas não por se apresentar neste momento como uma questão de urgência urgentíssima. E existe o risco da precipitação, eventualmente tão maléfica quanto a demora. Afinal, o governo Dilma Rousseff está apenas começando e não parece feito de um pano só. Por que não esperar que ele se decante para então se avaliar o que deve e o que não deve ser objeto de crítica?

Pode parecer inconsequente e logicamente absurdo, mas eu compartilho as duas posições. Gostaria de conciliá-las. Para mim a oposição, no Brasil ou em qualquer país, deve ser forte e estar pronta para atuar desde o primeiro dia. Governo empossado, oposição a postos, como um shadow cabinet . Isto me parece ser um requisito da democracia como regime.Mas regime é uma coisa, governo é outra. Um governo recém empossado deve ter condições de dizer a que veio. Uma oposição que aja com veemência contra este princípio fica devendo em lealdade – agora sim, ao regime democrático, e evidentemente aos cidadãos que elegeram o referido governo.

O segundo tema eu vou comentar com brevidade, não por o ver menos importante, mas porque espero tratar dele muitas vezes no correr deste ano. É uma questão clássica. Tem a ver com a agenda eleitoral e a agenda substantiva, estratégica, de longo prazo.

Todo partido precisa se comunicar com o povo, vale dizer, com a grande massa eleitoral. Para isso precisa escolher e formatar seus temas com vistas a maximizar sua ressonância. Por outro lado, um partido que se preze precisa também ter um programa de médio e longo prazo: uma agenda estratégica, baseada numa visão aprofundada dos problemas do país.

Também aqui, os dois pontos de vista me parecem certíssimos. Mas há um óbvio dilema ;para um partido de oposição, uma dificuldade realmente muito séria. Em certas conjunturas, os dois lados grudam um no outro sem maiores dificuldades. Foi o caso a partir de 1974, quando a população urbana começou a se cansar do regime militar. Mas há conjunturas em que isso não acontece; aliás, como regra geral, eu diria que não acontece.

Sem “maneirar” na crítica ao desempenho da oposição e do PSDB nos últimos 8 anos, acho exagerado pensar que as dificuldades deste momento se devam a uma suposta falta de ânimo, disposição ou coragem. Ou ao qüiproquó Serra X Aécio. Ou mesmo às três derrotas eleitorais.

A falta de ressonância popular do PSDB não é a causa das dificuldades, é um sintoma delas. O partido nasceu com um perfil bem delineado (democrático, pela distribuição de renda, contra a corrupção, contra o patrimonialismo etc) e personificou uma agenda estratégica consonante com ele. Estas duas coisas – perfil e estratégia – deram no governo Fernando Henrique e promoveram uma transformação econômico-social de dimensões históricas.

Com inegável habilidade, o PT e Lula se enrolaram nessa bandeira e dessa forma ocultaram o fato de não terem uma bandeira alternativa sequer remotamente comparável em consistência. Com os predicados pessoais e um modo de agir que eu não preciso rememorar, Lula conseguiu ao mesmo tempo granjear um enorme apoio popular para o seu Erzatz de programa e travar a recuperação eleitoral do PSDB, do DEM e do PPS. Daí me parecer que a oposição não se limita a criticar o rei (Lula), ela critica também o reinado (patrimonialismo, populismo, políticas públicas de má qualidade). É certo que no momento as coisas estão difíceis, mas não há como compreender tal dificuldade sem um recuo temporal adequado.

Com isto eu chego ao meu terceiro ponto, e prometo ser breve. Pode soar estranho, mas um partido com várias lideranças importantes causa certo incômodo. Mas a realidade é esta: o PSDB tem rivalidades internas porque não é e nunca foi partido com “dono”. Sim, rivalidades muitas vezes atrapalham, mas a solução qual é? Um partido que em três décadas produziu só um líder de verdadeira expressão nacional? Aliás nem isso, porque Lula não foi “produzido” pelo PT, foi produzido pela luta contra o regime militar, muito mais ampla, e juntou-se ao PT em 1979, quando da criação deste.

Minha querida amiga Luzia Herrmann observa, com carradas de razão, que eu fui injusto com muita gente no meu post de ontem. Falei da falta de tradição oposicionista no Brasil sem me lembrar de Rui Barbosa, San Thiago Dantas, Tancredo Neves, Montoro, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso e tantos outros. É óbvio que me expressei mal.

O que entortou meu texto foi o meu afã de enfatizar simultânea a duas coisas. Primeiro, a idéia de oposição de fato coletiva, ou seja, organizada como partido, e não só individual; por aí Rui Barbosa precisa sair da lista.

Segundo, uma oposição nítida tanto na questão política (a democracia) quanto na econômica (controle da inflação, combate ao patrimonialismo, reforma do Estado). Foi aqui que eu escorreguei. É claro que a geração de Tancredo e tutti quanti também atuou como oposição na área econômica ; quanto a este ponto, basta lembrar que o refrão contra as “obras faraônicas” do general Geisel quem criou foi o Montoro. Mas o epicentro daquela conjuntura, do ponto de vista da oposição, estava na área política. Eis o que eu quis dizer.

Mesmo depois de consumada a transição, as forças (aqui não estou me referindo aos líderes acima citados) que antes integravam a frente de oposição aos militares soavam como uma torre de Babel, como se viu na Constituinte. Uma ação efetiva contra a inflação galopante, já quase virando hiper-inflação, só teve início em 1993.

Bom, mas nem tanto

Merval Pereira, O Globo

Fez bem a presidente Dilma Rousseff em não comemorar excessivamente o crescimento de 7,5% no ano passado do PIB brasileiro, anunciado ontem pelo IBGE, já que seu governo está justamente empenhado em reduzir esse crescimento para conter a inflação. Um crescimento indiano — média de cerca de 6% nos últimos 30 anos — ainda é uma miragem para o Brasil, e qualquer comparação com Índia e China ainda nos deixa muito longe da imagem idealizada de potência global.

E nem precisa ser a comparação com o I e o C dos Brics. Embora tenha ficado no ano passado 2,5 pontos acima da média mundial, superando o crescimento de países desenvolvidos e dos Estados Unidos, o crescimento médio anual do PIB do país no governo Lula foi de 4%, abaixo da média (4,4%) do painel mundial, segundo estudos do economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ.

Por outro lado, um dia depois de o ex-presidente Lula, na estreia de sua atividade de palestrante internacional a R$ 200 mil por apresentação, ter rebatido as críticas que recebeu por ter dito que a crise financeira internacional seria “uma marolinha” no Brasil, os dados econômicos mostram que, ao contrário, o Brasil foi dos países mais afetados pela crise em todo o mundo.

O mesmo trabalho de Reinaldo Gonçalves mostra que, no painel mundial, o Brasil ocupa a 85ª posição nessa questão específica.

Dividindo este painel em quatro grupos, verifica-se que o país está no segundo grupo dos mais atingidos. A frágil posição brasileira, que teve uma queda do PIB de 0,6% em 2010, é evidenciada, segundo os dados do economista, quando se leva em conta que a taxa média de variação do PIB do painel é de 0,1%.

Na análise de Reinaldo Gonçalves, o Brasil é um país marcado por forte vulnerabilidade externa estrutural. O passivo externo bruto ultrapassou US$ 1,292 bilhão no final de 2010.

No período 2003-10, houve reprimarização da economia brasileira, inclusive com significativo aumento do peso relativo das commodities nas exportações brasileiras.

Também o professor André Nassif, da Universidade Federal Fluminense e do BNDES, acaba de publicar em livro da Unctad (United Nations Conference on Trade and Development) um trabalho onde avalia os impactos e respostas imediatos da crise de 2008 no Brasil e na Índia, em perspectiva comparada.

Ao contrário do que repete o ex-presidente Lula, foi na Índia, e não no Brasil, que a crise virou uma “marolinha”. O economista defende “com veemência” o uso da política fiscal no início da crise, mas considera que, passada a crise, o ajuste deveria retornar.

A tese do trabalho é que, para prevenir a recessão em um país, a rapidez e a intensidade das políticas fiscal e monetária são fundamentais.

A resposta contracíclica mais rápida e mais agressiva à crise global na Índia do que no Brasil explicaria por que a economia indiana foi capaz de evitar a recessão em 2009.

Na Índia, apesar do alto crescimento do PIB antes da crise, a economia vinha sendo desacelerada desde 2006 com a prioridade do Banco Central indiano de reduzir a inflação.

Entretanto, desde setembro de 2008 o governo mudou radicalmente sua prioridade com o objetivo de preservar o crescimento da economia.

A Índia não apenas teve sucesso em prevenir a recessão, mas também colocaram a economia em condições de retomar o crescimento.

Diferentemente do Brasil, que caiu em recessão em 2009, a Índia foi o segundo país menos afetado pela crise internacional, atrás apenas da China.

O economista André Nassif vê três razões principais para essa resiliência indiana. A Índia ainda seria um país com restrições a investimentos externos, apesar de ser relativamente aberto no mercado de ações.

Além disso, o Banco Central reduziu com rapidez e intensidade as taxas de juros, um essencial sinal para os mercados de que a prioridade era impedir uma redução das atividades

econômicas.

E, por fim, os estímulos fiscais foram adotados mais rapidamente, e também mais radicalmente, do que no Brasil. Segundo o economista, ficou claro que o governo indiano não aceitaria se desviar de uma trajetória de crescimento dos últimos 30 anos para ter um ano de recessão.

Tudo indica, diz o estudo, que os condutores da economia da Índia aprenderam que dar prioridade ao crescimento não é incompatível com a administração responsável de outras variáveis econômicas que preservem o equilíbrio.

Segundo André Nassif, os atuais condutores da economia brasileira parecem convencidos de que esse é o melhor caminho.

No estudo do economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, no entanto, há a demonstração de que foi fraco o desempenho econômico da era Lula pelos padrões históricos do país.

O crescimento médio anual do PIB na era Lula foi de 4%, mais especificamente, 3,5% em 2003-06 e 4,5% em 2007-10. Mesmo no segundo mandato, a taxa alcançada não supera a média secular do país, que, de 1890 a 2010, no período republicano, foi de 4,5%.

Outra conclusão do estudo de Gonçalves é que houve um “retrocesso relativo”. No período de 2003 a 2010, Gonçalves pinçou três indicadores.

O primeiro é a participação do Brasil no PIB mundial. Usando os dados de paridade de poder de compra, verifica-se que não houve alteração, a participação média do Brasil em 2001 a 2002 manteve-se a mesma em 2009-10 (2,9%).

O segundo indicador é a posição relativa do Brasil no ranking da economia mundial, quando se considera a taxa de variação real do PIB no período 2003-10.

O Brasil ocupa a 96ª posição no painel de 181 países. Ou seja, dividindo este conjunto em quatro grupos, o Brasil está no terceiro grupo.

O terceiro indicador é o PIB per capita medido pelo poder de compra. Este indicador de renda para o Brasil aumentou de US$ 7.457 em 2001-02 para US$ 10.894 em 2009-10.

Entretanto, a posição do país no ranking mundial piorou. O país passou da 66a- posição para a 71a- posição. Ou seja, houve retrocesso relativo.

Lula, Fernando Henrique e o carnaval de números

Guilherme Fiuza, Revista Época

Leitores desta coluna se manifestam de variadas formas, que vão da exaltação ao insulto. Na ala dos descontentes, a crítica mais frequente é que este signatário persegue Lula, Dilma e o PT: os mais suaves chamam o colunista de mal-humorado; os mais aguerridos acusam-no de estar a serviço da oposição. A coluna anterior apontava promiscuidade num encontro do ex-presidente Lula com o presidente do IBGE e um importante economista da Fundação Getulio Vargas. O economista da FGV, Marcelo Néri, não gostou do que leu e contestou o colunista.

Em homenagem à ala dos leitores que também não gostam do que leem aqui, vamos à resposta do economista – motivada especialmente pela seguinte frase da coluna anterior: “A redução da pobreza começou com o Plano Real, em 1994, mas os cortes da FGV não acham muita graça na pré-história do lulismo”.

Marcelo Néri escreveu: “Suas considerações são injustas e infundadas. Estou de pleno acordo com o ponto de que a pobreza começou a cair depois do Real. Na verdade, eu fui o primeiro pesquisador a detectar essa tendência”. Néri ressalta que foi recebido pelo então presidente, Fernando Henrique, para mostrar essas evidências, não vendo problema em ser recebido por Lula (não faz referência ao fato de Lula ser ex-presidente).

“Você me critica por demonstrar a queda da miséria dos últimos anos a partir de dados objetivos”, afirma Néri. “Eu acredito que, para qualquer um, especialmente no caso de um jornalista, a realidade, seja boa ou ruim, é para ser revelada.”

Entre outros dados, Néri destaca que seu grupo na FGV mostrou, em 2004, “não só a deterioração social ocorrida no primeiro ano da gestão Lula (2003), como a queda da miséria ocorrida em 2002 ao apagar das luzes do governo do Fernando Henrique. Nenhuma outra instituição teve a coragem de informar isto”.

Ele acrescenta que foi o primeiro a demonstrar, em 2005, a queda da desigualdade social de 2004 – tendência que se firmou nos anos seguintes.

Prezado Marcelo Néri:

Você sabe melhor do que eu o que se passa hoje na opinião pública brasileira quanto à percepção das administrações FHC e Lula. A campanha eleitoral foi toda pautada nisto: comparação entre indicadores dos dois governos. Como você disse, os números têm de ser mostrados. Mas, se não forem contextualizados, eles mentem, sim.

Pode não ser a sua intenção, mas a exibição dos dados de pobreza, emprego, renda, PIB etc. da Era Lula sustenta um projeto de hegemonia partidária por meios intelectualmente desonestos. Sem a devida contextualização, os números sugerem que Lula é competente e humano, e Fernando Henrique é incompetente e elitista. Você bem sabe que há um grave mal-entendido histórico hoje no Brasil sobre esse processo de recuperação econômica e sobre os méritos de cada projeto político nos resultados alcançados.

As bases estruturais de política econômica que sustentam todo o processo de redução da pobreza sumiram do mapa, aos olhos da opinião pública. A imensa maioria das pessoas (não só os pobres) acha que a vida melhorou porque Lula distribuiu Bolsa Família, crédito, PAC etc., uma série de premissas precárias – quando sabemos que, sem a reestruturação monetária e fiscal, feita no governo anterior, não haveria sequer orçamento para Bolsa Família.

Onde estão os estudos que evidenciem as origens macroeconômicas da redução da pobreza? Não te incomoda a percepção distorcida do eleitorado na comparação dos indicadores de FHC (ruína) e Lula (fartura)? Você consegue apresentar estatísticas que reforçam involuntariamente esse mal-entendido sem se sentir, pelo menos um pouco, responsável pelo esclarecimento dele?

Quanto ao seu encontro com Lula, sinceramente, em seu lugar eu não iria.

Crescimento e poupança

Sergio Vale, Brasil Econômico

Foi o PIB mais alto em 24 anos. Em 1986, havia o Plano Cruzado para impulsionar o crescimento. Desta vez, não houve planos mirabolantes, apenas uma condução mais agressiva das políticas monetária e fiscal.

Mas, da mesma forma que nos perguntávamos na década de 80 sobre a sustentabilidade desse crescimento, novamente essa discussão permanece. Ainda temos dificuldade em aumentar o patamar do PIB para números como os 7,5% de 2010. Há inúmeras razões para isso.

Primeiro, o mais velho dos problemas, é a taxa de investimento ainda baixa, em torno de 20% do PIB. Em países maduros, já com elevado estoque de capital, é natural que a taxa de investimento seja baixa, até porque o crescimento padrão desses países também tende a ser menor.

Exemplo maior é os EUA, que possuem uma taxa de investimento abaixo de 15% para manter um crescimento potencial de 2,5% ao ano, suficiente para sua economia.

Economias jovens precisam aumentar seu estoque de capital, levando a taxas de crescimento mais fortes, como a China. Hoje queremos crescer a taxas de chinesas com padrão de investimento americano. Não funciona e gera mais inflação.

O próprio padrão de crescimento escolhido também repercute na condição de sustentabilidade. Um crescimento com grande peso em consumo e menos em investimento pode levar a mais pressões inflacionárias, já que não se adiciona capacidade produtiva de forma adequada na economia, fazendo com que o banco central tenha que ser mais cuidadoso na política monetária.

É um pouco do dilema chinês hoje, que busca mudar seu padrão de crescimento baseado mais em consumo e menos em investimento e exportação.

Há também a capacidade de investimento tecnológico e em educação, duas áreas em que a China tem se destacado e o Brasil pouco avançado. A Ásia virou atrator de estudantes, até para áreas nobres da administração, como MBAs, e há muito tempo passou os EUA em patentes aprovadas.

Devemos lembrar que o Brasil também não é mais um país tão jovem economicamente. Já passamos pelo processo de urbanização mais intenso das décadas de 50 a 70. Processo esse que ajuda em muito o crescimento da oferta de mão de obra na China, o que tem permitido certo controle dos salários.

Esse padrão está mudando, já que a política de um filho por casal levou a uma queda na taxa de natalidade naquele país e hoje significa que a tendência da oferta de trabalho é crescer menos nos próximos anos.

No Brasil, além do grosso da população já estar nas cidades, também vemos desde 2006 uma queda na quantidade de pessoas entre 18 e 24 anos ao mesmo tempo que a demanda por elas cresce. Ou seja, os salários tendem a aumentar num ritmo acima do potencial.

É verdade que ainda passamos pelo bônus demográfico, mas ele termina em cerca de dez anos, sem termos aproveitado devidamente.

Com isso, crescer sistematicamente 7,5% não será possível, talvez nem no longo prazo. Mas se conseguirmos fazer o dever de casa, principalmente na parte fiscal, poderemos ter espaço para um PIB de 5%, o que será de bom tamanho.

Desleixo e impunidade

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog do Noblat

Lendo o editorial de O Globo de ontem parei no primeiro parágrafo e fiquei um bocado de tempo imóvel, sem conseguir prosseguir na leitura:

“Se um Boeing lotado de passageiros tivesse caído, sem deixar sobreviventes, em algum ponto do Brasil entre sábado e a Terça-Feira Gorda, o país estaria a esta hora chorando uma tragédia. O acidente aéreo não aconteceu, mas nesse mesmo período as estradas brasileiras foram palco de uma tragédia de igual dimensão”.

A verdade, quando vem assim seca, sem enfeites, tem o mau costume de nos assaltar.

213 mortos e 2441 feridos certamente não impediriam o carnaval de fluir pelos sambódromos, ruas e praças do país, mas quero crer que salpicassem de amargor a folia.

Os jornais dividiriam, ainda que a contragosto, suas capas com fotos da alegria e da dor. Assim é a vida, dirão os mais céticos.

A notícia não foi escamoteada; os números citados copiei de reportagens e análises lidas nos grandes portais e jornais: Para especialistas, chuva e aumento da frota não explicam número de mortes nas estradas ou Estradas têm o carnaval mais violento da história: quase 50% mais mortes .

Mas o que não houve foi a tal da comoção nacional. Que teria havido se essas mortes tivessem ocorrido de um só golpe.

Quem já perdeu uma pessoa amada numa estrada mal conservada ou mal policiada, não pode compreender o justo esparrame que se faz sobre um desastre aéreo, comparado ao silêncio das autoridades a respeito das mortes nas estradas.

E, no entanto, nosso chão é muito mais cruzado que nossos céus...

Excesso de velocidade, embriaguês, cansaço, desrespeito, abusos de toda sorte, tudo isso é culpa do motorista.

Estradas mal sinalizadas, sem acostamento, com a “pista” toda esburacada, sem fiscalização rigorosa, isso não é culpa do motorista.

Na BR-460, MG, um carro caiu numa cratera formada há quatro (4) meses! Não havia sinalização nessa BR que não cruza nenhum rincão muito ermo: vai dar em Lambari, cidade turística daquele estado.

Não entraram nessa conta macabra as rodovias estaduais ou vicinais– as estatísticas são da Polícia Rodoviária Federal.

Andam ansiosos pela criação da Comissão da Verdade, não é? Pois peço que incluam a seguinte verdade: do Recife a Brasília, por Salgueiro e Petrolina, cortando o interior das imensas Bahia e Minas, em direção a Belo Horizonte, Brasília, depois Rio e de volta ao Recife passando por Salvador, Aracaju e Maceió, percorremos, meu marido e eu, em 1971, uma das mais perfeitas estradas em que já viajei.

Governar era abrir estradas. Conservá-las, será o quê?

Sem surpresa: Brasil fora de ranking mundial de universidades

Jornal O Globo

País foi o único dos Brics a não figurar em lista de cem instituições com melhor reputação

O Brasil não tem nenhuma instituição entre as cem universidades com melhor reputação no mundo, segundo ranking elaborado pela organização britânica Times Higher Education, referência na área.

A Universidade de São Paulo (USP) só aparece na 232 posição, e acabou representando todas as instituições da América do Sul. O país foi o único dos Brics — grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China — a não figurar entre as cem melhores do ranking, que colocou a Universidade de Harvard no topo, com pontuação máxima em todos os critérios.

O ranking foi feito com base numa pesquisa com mais de 13 mil professores de 131 países. O resultado reforça a posição dominante das instituições americanas — sete das dez primeiras da lista são dos Estados Unidos —, do Reino Unido e do Japão.

Entre os Brics, a Rússia aparece com a Universidade Lomonosov de Moscou (em 33). A China com as universidades Tsinghua (em 35), Hong Kong (em 42) e Pequim (em 43). O Instituto de Ciência da Índia está entre as dez últimas da lista.

A pesquisa pediu aos acadêmicos para destacar o que eles acreditavam ser o mais forte das universidades para o ensino e a pesquisa em seus próprios campos. Harvard obteve cem pontos.

As outras cinco melhores classificadas foram: Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA); Universidade de Cambridge (Reino Unido); Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA); Universidade de Stanford (EUA) e Universidade de Oxford (Reino Unido).

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Há um comercial mentiroso do MEC na mídia, engando a torcida brasileira sobre as conquistas e avanços da educação no Brasil a partir do governo Lula. Para efeito de publicidade interna, e absolutamente eleitoreiro, a mentira até pode pegar e enganar os incautos.

Porém, quando subimos para o patamar da seriedade, a coisa se complica um pouco. O resultado acima, por exemplo, para quem conhece bem os caboclos desta Terra de Santa Cruz, não surpreende. O ensino brasileiro, em todos os seus diferentes graus, é uma vergonha só. E, quando confrontado com os de outros países, que nem precisam ser do Primeiro Mundo, a situação é constrangedora para aquele que agora quer se alvorotar como potência mundial.

Pura empulhação. Não existe país desenvolvido com povo analfabeto, pobre e mal educado. Engana-se quem quer! Aliás, o país da propaganda socialista, nunca é de sombra sequer parecido com o assombroso mundo real.

Marcha de quarta-feira de cinzas

Carlos Brickmann

Foi bonita a festa, pá!, como cantava Chico Buarque. Mas hoje é o dia de lembrar das cinzas. O Brasil acolheu no Rio, como convidado especial, retribuindo a uma visita do presidente Lula a seu país, o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogogo, que está no poder há 32 anos (reelegendo-se periodicamente com porcentagens de pesquisas lulistas - a última, 97,1%). Na Guiné Equatorial, rica em petróleo, com a segunda renda per capita da África, 20% das crianças morrem por falta de comida ou tratamento médico. A taxa de mortalidade infantil beira os 85 por mil - bem mais que o triplo do Brasil, onde o índice já é muito ruim. Metade da população desconhece o saneamento básico. Mas Nguema conhece o lado bom da vida. Tem uma casa de US$ 35 milhões em Malibu, na California; seu filho, também Teodoro, ministro da Agricultura, encomendou um iate de US$ 350 milhões na Alemanha.

Para um governante como este, nada é suficientemente bom. Reservaram-lhe para o desfile das Escolas de Samba dois camarotes, que foram revestidos de tecido vermelho, e penduraram numa parede um retrato dele, gigantesco. Seus 50 convidados foram recebidos com champagne e caldinho de feijão, fora as bebidas importadas, salgadinhos, jantar, ceia e sobremesas habituais nesse tipo de evento. Uma poltrona especial, de couro branco, acomodou Sua Excelência.

Nguema já foi acusado até de canibalismo, mas tudo indica que é lenda. Para ele, parece suficiente devorar os bens, a fortuna e a esperança de seu povo.

"Aide-memoire"
É sempre bom registrar esses acontecimentos. Se mais tarde o tirano for derrubado, com a consequente revelação completa de suas atividades no poder, não haverá neste país nenhuma autoridade que se recorde de sua visita.

Assim é...
O vídeo em que a deputada federal brasiliense Jacqueline Roriz, do PMN, aparentemente recebe propina é de 2006, e só agora foi divulgado. É estranha essa demora: se o vídeo aparece em tempo, a filha do ex-governador de Brasília provavelmente nem conseguiria ser candidata, atingida pela Lei da Ficha Limpa.

...se lhe parece
Às vezes, este colunista tem sonhos a respeito do noticiário. Sonhou, por exemplo, com a possibilidade de o vídeo com Jacqueline Roriz ter aparecido agora para tumultuar o processo dos acusados no DEMsalão, o Mensalão de Brasília. Como deputada federal, o Supremo Tribunal Federal é o foro adequado para que seja julgada, se for o caso. Todos os demais acusados no caso do DEMsalão ganham, portanto, o direito de acompanhar Jacqueline Roriz no Supremo. Tudo o que foi feito até agora terá de ser refeito. E o tempo passa.

Sassaricando
Mas, por enquanto, tudo não passa de imaginação. Afinal, embora as imagens mostrem a deputada federal Jacqueline Roriz recebendo algum de Durval Barbosa, o da delação premiada, o presidente da Câmara, Marcos Maia, do PT gaúcho, ainda não tomou nenhuma providência - sequer enviou a denúncia à Corregedoria. Maia disse que pretende pedir informações ao Ministério Público.

Maia é um sábio, conhece a Casa que preside: se encaminhasse a denúncia justo no Carnaval, quem é que estaria trabalhando para recebê-la?

O país que o Governo vê
É preciso acompanhar a vida brasileira em tempo real para fazer um bom Governo. Talvez por isso a Presidência da República tenha reservado R$ 55 mil para comprar 30 aparelhos de televisão, com tela de cristal líquido, tecnologia Full HD e conversor digital integrado. As eliminatórias da Copa estão garantidas.

Esquerda sem Nobel
O padre belga François Houtart, 84 anos, o "Papa da Antiglobalização", ou "Papa Vermelho", candidato da Teologia da Libertação ao Prêmio Nobel da Paz, é descrito por Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à Presidência nas eleições vencidas por Dilma, como "sacerdote cristão e marxista", cuja contribuição "para unificar duas forças que combatem pela justiça social" já seria suficiente "para merecer o prêmio", e ainda por cima amigo pessoal de Fidel Castro e grande animador do Fórum Social Mundial. Houtart confirmou ter desistido definitivamente de se candidatar ao Nobel. Motivo: foi descoberto que abusou sexualmente de uma criança - um garoto de oito anos, ainda por cima seu primo. Pior: estava hospedado na casa dos tios quando aproveitou a oportunidade. O padre Houtart diz que se arrepende muito do que fez - mas só se manifestou depois que a irmã do garoto violado fez publicamente a denúncia.

A devassa certinha
Sandy, a musa dos certinhos, certamente não é um símbolo da marca Devassa. Mas, exatamente por isso, a cervejaria conseguiu gratuitamente um volume de propaganda que seria impossível obter por outros meios. De qualquer forma, entretanto, não faz sentido discutir se Sandy pode ou não ser A Devassa. A discussão é outra: esperar que a cervejaria escolha como símbolo da cerveja os tantos devassos que ocupam cargos públicos - e ainda com nosso dinheiro.

Quem está certo?

João Mellão Neto - O Estado de São Paulo

A principal foto de propaganda do governo de Juscelino Kubitschek (JK) era uma em que ele, o presidente, aparecia, impávido, sobre diversas toras cerradas. O local, se não me engano, era o canteiro de obras da Rodovia Belém-Brasília. Simbolizava o triunfo do homem sobre a natureza. Um novo país que nascia, desbravando as matas, lutando contra a inércia e o fatalismo, dois estigmas desde sempre presentes em nossa cultura ibérica. Não existem determinismos, JK parecia dizer. Não desanimem! Tudo é possível aos homens que creem...

Bem, essa foto nunca mais foi vista. Não pegaria bem, atualmente, em tempos de ecologia e preservação do meio ambiente. O tempora, o mores!, já resmungava Cícero, alguns anos antes do nascimento de Cristo. Oh tempos, oh costumes! Traduzindo para o português. Não adianta reclamar. A cada época, a cada lugar, correspondem valores e costumes próprios. A verdade absoluta não é alcançável. Ao menos não pela razão. Então, o que é mais correto? Lutar para construir um novo mundo ou tratar de cuidar deste que já temos?

É curioso observar que, no Brasil, hoje em dia, as duas ideias se confundem. Os preservacionistas do meio ambiente mais exaltados são os mesmos que, exacerbados, pretendem construir um novo mundo para a humanidade. São defensores radicais do conservadorismo e do progressismo, ao mesmo tempo. Para eles a natureza física não pode ser mexida. Já a natureza humana, pode.

José de Alencar - mais conhecido entre nós como escritor - era também um político influente nos tempos do Segundo Império. De acordo com ele - que era conservador - ambas as forças têm de existir na política: a conservadora, que busca preservar os costumes e as instituições, e a progressista, que entende ser possível aperfeiçoá-los. Sem a segunda, os governos seriam "autômatos". Sem a primeira, a Nação caminharia para o precipício.

Ele estava certo. Há que se aceitar - e defender - que existam as duas. São esses os "freios e contrapesos" que nos garantem a prevalência da democracia. Sempre que se tentou eliminar uma delas, o resultado foi o despotismo. Às vezes ambas se manifestam na mesma pessoa, como é o caso acima mencionado... O problema é que ambas - a força conservadora e a força "progressista" - têm fortes argumentos para se justificar.

Comecemos pela segunda:

Quem acredita no "progresso" e no aperfeiçoamento da natureza humana afirma que os avanços de alguns séculos para cá são evidentes. Foi a partir do "Iluminismo" - quando os homens resolveram pensar de forma independente, deixando os mandamentos da Igreja de lado - que se tornou possível o florescimento da ciência e, por meio dela, o raciocínio dito científico. Racional, por assim dizer. O "século das luzes" foi o 18 da era cristã.

Teria sido graças a essa nova forma de pensar o mundo que se tornou possível a revolução industrial e, por meio dela, todos os confortos da vida contemporânea. Aliás, a palavra "revolução", no sentido de revolver a ordem existente, entrou de vez no vocabulário político a partir daí. Se a razão humana foi capaz de criar maravilhas no campo científico e tecnológico, por que o mesmo não seria possível no que tange às relações humanas e à vida em sociedade?

Se nós, homens, não acreditássemos na possibilidade de nos aperfeiçoarmos, ninguém jamais ousaria nada. E estaríamos até hoje caçando ursos e morando em cavernas. Esse, em suma, é o pensamento dos progressistas.

Já para o pensamento conservador esse "culto ao progresso" tem limites. Para os modernos ambientalistas, esses limites são dados pela própria natureza. Para os conservadores políticos, os limites são dados pelos usos e costumes da sociedade.

Argumentam estes últimos que as leis, a moral e os valores sociais atualmente existentes são o resultado de milênios e milênios de tentativas e erros. Seria muita pretensão acreditar que nós, hoje, somos mais inteligentes do que todos os nossos ancestrais juntos.

Não haveria nada de novo sob o sol, dizem eles. Tudo já foi pensado e experimentado através dos tempos. E não existe filtro que depure com mais eficiência do que a História. Nada de modismos. Se a sociedade é assim, é porque não haveria outra maneira melhor de ser.

Como se percebe, os argumentos de ambas as partes são convincentes.

Em razão dos avanços tecnológicos, nós todos estamos acostumados a viver num ambiente de mudanças constantes. E também a nutrir a crença de que o "novo" é sempre melhor do que o "velho". Mas será que isso vale também para a sociedade? Os progressistas acham que sim, os conservadores dizem que não.

Entenda-se por progressistas todos aqueles que acreditam ser possível uma reengenharia do homem e da sociedade. O predomínio da razão sobre a natureza humana. São eles os marxistas, os positivistas e os revolucionários de todas as bandeiras. Todos eles tentaram transplantar o raciocínio científico para o âmbito das relações humanas. Alguns com sucesso. Outros não.

Com quem estaria a verdade? Será que existe, em termos políticos, alguma verdade?

Posicionar-se de um lado ou de outro, assim, se torna uma questão de escolha. Cada um de nós se guia de acordo com as próprias convicções.

Aliás, quem primeiro se sabe que idealizou uma sociedade perfeita foi o grego Platão. Apesar de ter vivido em Atenas, em seu apogeu, ele - como todos os revolucionários - não tinha lá muito amor pela democracia. Quem disse que o melhor para governar seria aquele que sabe amealhar mais votos?

Conta a História que o rei Dionísio, de Siracusa, impressionado com as suas ideias, o teria convidado para implantá-las no seu reino. Platão, entusiasmado, mudou-se para lá. Não deu certo. Tanto que, poucos anos depois, só restou ao rei mandar prendê-lo.