quinta-feira, julho 12, 2007

TRAPOS & FARRAPOS

SE ATÉ A CHINA PODE, POR QUE NÃO O BRASIL ?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A Engevix é uma empresa que elabora projetos, mas ganhou um mega contrato de R$ 1,350 bilhão na Petrobras para executar o importante projeto Cacimba, no Espírito Santo. O caso poderia apenas ser inscrito no listão de contratos sem licitação, mas a Engevix é uma das empresas citadas no âmbito da Operação Navalha, da Polícia Federal: seu lobista, Sérgio Sá, é suspeito de intermediar negócios no Ministério de Minas e Energia.

A Petrobras dispensa licitação de empresas que aceitem cumprir contratos idênticos a outros, em execução. Chama a isso de "clonagem".

Agora imaginem vocês se uma coisa destas acontecesse num governo sei lá, tucano, ou peemedebista, por exemplo, o barulho que os militantes e políticos do petê fariam seria ensurdecedor. “Onde já viu contrato sem licitação?” “Isto é imoralidade ! Cadeia neles!!!”. Isto, claro, seria o mínimo. Este segmento político esmerou-se enquanto oposição na farsa da moralidade da coisa pública. No poder, e nem precisou ser federal, municipal mesmo a gente percebe, estes paladinos da moral demonstram uma metodologia toda própria de assalto aos cofres públicos – e até privados, a partir de doações pra lá de suspeitas, algumas até ilegais.

Primeiro, trataram de aparelhar o Estado. Privatizaram o Estado em favor do petê. Aliás, a bem da verdade, eles iniciaram este processo já bem antes, através do sindicalismo vagabundo, com a prática cretina de desmontar a autoridade no poder. Pouco a pouco, os sindicatos dos funcionários públicos, foram aceitando as regras e a subserviência aos caparichos da CUT, esta entendida como o braço sindical do petê. Voltando no passado, vamos relembrar de muitos “dossiês” saídos dos órgãos públicos pelas mãos dos “sindicalizados” e "partidarizados” funcionários para as mãos laboriosas dos petistas. No comando, cérebro destas maquinações, José Dirceu, exercendo seu papel de xerife. Além das greves (é, um dia o petê foi a favor delas no funcionalismo público, claro no governo dos outros!).

Tendo chegado ao poder federal, José Dirceu deu seguimento ao movimento de aparelhar totalmente o Estado, claro que sob o conhecimento pleno de Lula, que era colocado no pedestal com total proteção para não ser atingido em caso de alguma coisa dar errado. Ao melhor estilo da máfia, da ‘cosa nostra” a tática deu certo sempre. Tanto, que apesar de todos os escândalos nascidos e paridos dentro do mandato de Lula, nenhum teve o dom de mexer com sua popularidade. Claro que houve outro canal de estratégia com o fim de fortalecer sua blindagem.

Mas voltando ao ponto central do comentário. Reparem que no caso do mensalão por exemplo, havia uma enorme corrente de empresas privadas e estatais embaralhadas nos procedimentos de achaque aos cofres do tesouro. E sempre e invariavelmente, o grosso do butim direcionava-se ao caixa do partido. De uma forma ou de outra, para lá convergiam todas as ações. Hoje, não é diferente, os caminhos é que podem ter mudado em razão de maior fiscalização seja da sociedade, da parte não corrompida desta devemos ressaltar, e do trabalho da imprensa investigativa e não aderida ao movimento de conformismo desencadeado pelo governo. Um parênteses: movimento de conformismo na imprensa, é o processo pelo qual o governo, o maior anunciante publicitário do país em volume de verbas, destina nacos cada vez maiores para emissoras de rádio e tevê além da imprensa escrita, para aqueles que assumam o compromisso de não criticar o governo Lula, enaltecer seus feitos e endeusar sua figura.

Mas o que interessa neste imbróglio é o seguinte: quem tem a chave do cofre e a caneta que autoriza liberações, é o governo federal, hoje totalmente aparelhado pelo sindicalismo vagabundo e pelo petê. Quem autoriza os bilhões de reais que são enviados para ONGs, movimentos sociais, entidades afins e sem fins ? E aqui o absurdo da coisa: sem nenhuma fiscalização, sem nenhum controle, sem nenhum acompanhamento ou qualquer exigência de contrapartida. Ora fica fácil comprar o silêncio de tanta gente faminta pela grana alheia e sem esforço. O Petê sabe disso e explora isto com muita eficácia, a tal ponto que você não viu viva alma destes movimentos todos sair às ruas contra o mensalão, contra as cartilhas, contra sanguessugas, vampiros e outros bichos. Eles bradam contra Bush, a favor de Castro, Chavez e outros ditadores.

Estourar um escândalo na Petrobrás é até pouco. Este empresa há muito tempo requer uma auditoria independente para se avaliar melhor os critérios de suas contratações sem licitações, além dos tais critérios “técnicos” com que distribui verbas para produções ditas “artísticas”. A coincidência das coincidências é que todo o bolo sobre o qual recaem suspeitas, é em sua grande maioria, direcionado para amigos petistas, militantes, seguidores, simpatizantes e afins. Projetos culturais são invariavelmente alocados em municípios onde a administração municipal esteja em mãos do partido. Nesta semana, noticiou-se que grande parte das liberações de verbas relativas a emendas parlamentares beneficiou petistas e o grande PMDB(sempre ele). Nas liberações de verbas do PAC adivinhem quais municípios mais tem sido agraciados ? Pois então, imaginem que se fossem outros partidos no poder, a gritaria que esta brava gente hospedeira promoveria ? Daí porque sua oposição barulhenta, sabe-se hoje, derivava não de um sentimento de moralidade, mas sim de inveja e ciúme, e a gana de dizerem-se melhores era no sentido de, na prática do ilícito, ninguém mais tem sido tão altaneiro quanto eles.

Vejam na notícia do Estadão sobre como eles tratam dos bilhões liberados para as milhares de ONGs. Nenhuma surpresa, portanto, o comportamento ora revelado em ações da Petrobrás. O dia em que abrirem aquela imensa caixa preta, vai balançar a república toda. Mas fica claro que a Petrobrás é apenas um canal, existem vários outros. Vocês lerão a seguir a questão dos tais corporativos que, desde o ano passado, estamos denunciando como uma das maiores promiscuidades praticadas em administração pública desonesta já feita no país. E como reage este partido outrora defensor irascível da moral pública ? Com transparência ? Ora, de jeito nenhum: senta em cima da informação alegando tratar-se de segurança nacional (santo Deus!), e não presta contas de jeito nenhum do que faz com o dinheiro que, por sinal, não lhe pertence. E não se vê um movimento de reação do Poder Judiciário para por esta gentalha em seu devido lugar !

Sempre que houver uma obra pública ou um programa no qual se invistam milhões e bilhões de reais, estejam certos: de alguma forma desonesta, se tratará de desviar dinheiro público. E isto se dá não apenas no governo do senhor Luiz Inácio, tem sido prática corriqueira desde que o país é independente. Até quando era colônia de Portugal: o quinto de ouro cobrado nas minas para a Coroa Portuguesa sempre teve desvio e sonegação. Nossa história criminal, portanto, vem de muito longe. Mas não se tente justificar com isso a falta de ações para moralização da administração pública. Muito já se avançou nos últimos quinze anos. Mas ainda é pouco. Precisamos criar um sentimento nacional de “basta” ou de “tolerância zero” com a corrupção a exemplo do que já fez a Itália com sua Operação Mãos Limpas, ou do que se irá fazer agora na China. Se até a China pode, por que não poderíamos nós, também ?

Os chantagistas ameaçaram o PAN

Elio Gaspari, Jornal O Povo (Fortalza/CE)

Nosso Guia deve parar de empulhar a patuléia e anunciar ao País o seu projeto de enquadramento dos servidores públicos que fazem greve à custa do bem-estar dos contribuintes. Diante da chantagem dos policiais do Rio de Janeiro e dos funcionários dos aeroportos, que ameaçaram detonar o PAN se o governo não lhes desse aumentos, não há outro caminho senão o confronto com esse aparelho sindicalista. Confronto com direito a perda salarial, desemprego e, dentro da lei, cadeia.

Há greves e greves. No Metrô de São Paulo, só neste ano, houve duas. Uma prejudicou mais de 500 mil pessoas, foi acionada por poucas dezenas de militantes aparelhados e destinava-se a defender o veto de Lula à Emenda 3. É caso de polícia. A outra resultava de uma reivindicação salarial que o governo de São Paulo preferia ignorar. Realizada a paralisação, o governo cedeu e os metroviários venceram.

Num caso, houve simulacro. No outro, deu-se a beleza do predomínio do trabalhador que cruza os braços diante de patrões prepotentes. Desde março, Nosso Guia vem fingindo regulamentar o direito de greve dos servidores. Fala, mas não faz. Neste ano, já houve greve de controladores de vôo, policiais piauienses, servidores alagoanos e professores da USP. Tudo sob a magnífica bandeira do pagamento dos dias parados. Essa foi uma tática esquecida por Lênin. O melhor negócio para os proletários de todo o mundo seria uma greve geral até a vitória final, com o pagamento dos dias parados.

Toda greve de servidor público ricocheteia nos contribuintes que lhes pagam os salários. Se os trabalhadores da Fiat fazem greve, ninguém é diretamente prejudicado. Quando a Polícia Federal adiciona uma paralisação ao seu serviço inepto de entrega de passaportes, ela estapeia a patuléia. Outro dia, o presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Rio, Natalício Ferreira de Araújo, defendeu uma operação-tartaruga com as seguintes palavras: - A operação é permanente. Vai prejudicar a população, com certeza vai, mas o que a sociedade tem de entender é que a polícia não quer greve, mas o governo não está fazendo a parte dele.

Nessa construção, cabe à sociedade entender e gozar, seja qual for o transtorno que lhe é imposto. Policial que executa cidadãos tem de ir logo para a cadeia e servidor público que paralisa serviços essenciais de forma oportunista deve arrostar o risco de ir para o olho da rua.
As reivindicações dos funcionários dos aeroportos e dos policiais do Rio, são legitimas, assim como é legítimo o direito de pararem de trabalhar. Eles vestem a bata dos chantagistas quando ameaçam detonar o PAN. Suspender o trabalho no Instituto Médico Legal é atitude macabra, de quem despreza os sentimentos alheios e a própria noção de serviço público.

Quando a tropa ocupou os morros do Alemão, temeu-se que, num gesto covarde, a bandidagem resolvesse responder, esculachando o PAN. Por enquanto, o perigo veio de outro pedaço. Quem ameaça esculachar o PAN é a polícia civil do Rio.

Nosso Guia, os governadores e os prefeitos devem fazer saber uma coisa simples aos servidores que chantageiam a população: "Quer ir nessa, vai, mas teu emprego e tua carreira vão para o pano verde."

Audiência sobre o Ibama termina mal para grevistas

O governo acionou o rolo compressor e tomou conta do debate público promovido pelo Senado para tratar da medida provisória (MP) que dividiu em dois o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e criou o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Na missão, até o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), esqueceu um pouco as tormentas vividas pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e presidiu a sessão da Comissão do Meio Ambiente que tratou da MP.

A intenção do Senado é votar a MP ainda nesta semana. Assim como ocorreu na Câmara, deverá também ser aprovada pelo Senado. Se receber alguma mudança, voltará para o exame dos deputados. É provável que haja modificações. Os senadores querem acrescentar ao texto do projeto uma emenda que tira do governo o direito de criar, com exclusividade, as áreas de proteção ambiental. O Ministério do Meio Ambiente é contra a medida, mas a base governista está rachada nesta questão.

No debate de ontem, tudo foi feito para que nada desse errado para a administração federal. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Marina Silva, e o secretário-executivo do ministério, João Paulo Capobianco, chegaram à sala da comissão por uma entrada lateral, forma que encontraram para fugir do assédio de funcionários do Ibama, em greve desde 14 de maio. Só foram permitidos dentro da sala do debate cerca de 20 funcionários, assim mesmo depois de darem a garantia de que, se protestassem, o fizessem em silêncio.

Os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Expedito Júnior (PR-RO) ainda tentaram levar os cerca de 30 que ficaram do lado de fora, mas Quintanilha disse não. Aos servidores, restou o direito de levantar folhas de papel pedindo a rejeição da MP.

Marina foi até mais enfática do que de costume na defesa da divisão do Ibama. Ela disse que a criação do Instituto Chico Mendes servirá para dar maior agilidade à fiscalização e ao exame das licenças ambientais, que ficarão a cargo do Ibama, e assegurar a vigilância nas 289 unidades de conservação, esta a cargo do órgão recém-criado. Marina disse que, ao assumir a pasta, em 2003, havia 45 hidrelétricas contestadas na Justiça. "Hoje, só existe uma." A ministra do Meio Ambiente insistiu que não deixará de criar o Chico Mendes só para se sentir confortável diante dos servidores. "Não busco popularidade imediata", desafiou.

Coube ao líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM), desmontar o argumento dos contrários à criação do Instituto Chico Mendes. Peres perguntou se os funcionários de fato acreditavam no que escreviam, de que o desmembramento do Ibama representará a internacionalização da Amazônia. "Eu sou do Amazonas. Isso é um factóide barato, absurdo", disse. O presidente da Associação dos Servidores do Ibama (Asibama), Jonas Corrêa Moraes, tentou encontrar uma justificativa, mas não convenceu ninguém.

Para piorar as coisas para os funcionários, eles distribuíram entre os senadores pastas com as justificativas para a greve, tentaram uma inovação e marcaram um gol contra. No meio da papelada em que disseram ser a divisão do Ibama responsável pela quebra da unicidade da gestão ambiental federal do aumento da burocracia e do abandono de centenas de projetos em execução no Brasil, puseram uma balinha da marca "xibiu", numa alusão ao apelido que deram ao Instituto Chico Mendes, de "Chibio". A líder do PT na Casa, Ideli Salvatti (SC), atacou: "Esse nome significa um palavrão em diversas regiões do País (vulva, no Nordeste). É um desrespeito aos senadores", disse. Não houve nada que consertasse o estrago feito.

TOQUEDEPRIMA...

***** Sistema de cotas já foi aprovado em 35 universidades públicas

Enquanto o projeto de lei que institui as cotas nas universidades federais está parado na Câmara dos Deputados, as próprias instituições de ensino têm se adiantado e aderido ao sistema de cotas para negros, índios e estudantes egressos de escolas públicas. A questão ainda depende de acordos entre as lideranças na Casa, e não há previsão de data para que seja votada.

Das 57 universidades federais do país, 16 já estabeleceram as cotas para os seus vestibulares. Estima-se que o número de alunos que ingressa na faculdade por esse sistema chegue a 14 a mil até o final do ano. Em 2005, o universo total de alunos era de 579.587, segundo o Ministério da Educação.

Na rede estadual, a adesão é ainda maior – 18 das 34 universidades já adotaram o sistema de cotas. Com isso, são 35 as instituições públicas que destinam vagas para cotistas. E, de acordo com o Ministério da Educação, a maior parte das demais escolas está preparando propostas sobre o assunto.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Anotem aí: logo o país irá perceber o grande erro que está cometendo com a tal política de cotas. Duas conseqüências inevitáveis irão acontecer. Uma a da divisão de classes, que não tínhamos e que agora abre caminho para ser implantado em definitivo. E outra, ao abandonar o sistema da meritocracia, estamos pondo de lado o esforço pessoal como corolário indispensável ao progresso de um cidadão. Estamos premiando ao que parece ser ao invés daquilo que é. E mais não se precisa acrescentar. O tempo acabará provando que não apenas está se cometendo um tremendo erro de danosas conseqüências sociais, irreparáveis, como se está praticando a mais terrível e criminosa ação de cunho público: o cisma da nação brasileira.

***** Justiça condena Requião por não remover Via Campesina

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), deverá pagar multa diária de R$ 2 mil por descumprir decisão judicial. Terminou na segunda-feira um prazo de 15 dias determinado para que fossem retiradas 60 famílias ligadas à Via Campesina da fazenda da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste. A propriedade realiza pesquisas com materiais geneticamente modificados.Apesar de a administração paranaense ter entrado com recurso contra a cobrança, a multa atribuída pelo juiz atinge Requião como pessoa física, e não como governador.

***** Governo Lula promete contratar 30 mil até 2010 e acabar com terceirização

O secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, afirmou que o governo federal vai fazer concurso público para contratar 30 mil funcionários públicos até o final de 2010. O objetivo seria acabar com a terceirização no Estado.

"A política de substituição de terceirizados teve início em 2003 e busca diminuir os contratos de prestação de serviços substituindo (essas) vagas por servidores efetivos. Das vagas autorizadas pela Lei Orçamentária Anual, mais de 45% foram para substituir terceirizados", disse Ferreira, que assumiu o cargo há cerca de dois meses.

O secretário declarou que a substituição de terceirizados é feita em parceria com o TCU (Tribunal de Contas da União) e com o Ministério Público do Trabalho.

***** Coisa de gangue

A CPI do Apagão Aéreo afirmou ontem que vai pedir a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos no contrato de R$ 26,8 milhões entre a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e a FS3 Comunicação. A decisão foi tomada com base em depoimentos de representantes do Ministério Público Federal, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, que confirmaram ontem a existência de fortes indícios de superfaturamento no contrato. Para o relator, Demóstenes Torres (DEM-GO), uma “gangue” se instalou na Infraero e “muitos delinqüentes” continuam a trabalhar na estatal.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ufa, até que enfim, hein ? Mas podem puxar mais coisa. O que não falta na INFRAERO são irregularidades, e de todo o tipo.

***** Cresce o número de passageiros de avião

Mesmo com toda a crise dos aeroportos, o número de passageiros transportados dentro do país continua em expansão, garantindo crescente fluxo de caixa das empresas aéreas. Em junho, o mercado cresceu 11,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com isso, o mercado acumulou alta de 13,2% no primeiro semestre na comparação com mesmo período de 2006, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgados ontem.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Devagar com este andor: grande parte deste “crescimento” se deu por conta da prática de promoções, com preços abaixo do custo, que aliás, deveria merecer de parte da ANAC maior rigor. No afã de se conquistar passageiros, estão praticando uma degeneração do mercado de aviação comercial, com conseqüências muito ruins em futuro próximo. Quem primeiro inaugurou esta política distorcida de preços foi a VASP e deu no que deu. Aliás, acabou arrastando todas as demais companhias para uma crise financeira sem precedentes, da qual emergem as primeiras raízes do atual apagão aéreo. A ANAC, por ser a agência reguladora do mercado de aviação comercial, deveria agir para impedir que políticas predatórias de preços coloquem em risco o equilíbrio sadio do próprio mercado. Mas quem disse que a ANAC se interessa por isto? Para eles, estarem nos cargos em que se encontram já está de bom tamanho. Trabalhar parece não fazer parte de suas atribuições.

***** Funasa: TCU suspende concorrência por irregularidade

SÃO PAULO - O TCU (Tribunal de Contas da União) anunciou ontem a suspensão, por medida cautelar, de concorrência da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) para contratação de empresa especializada para prestação de serviços técnicos de informática. A decisão foi tomada após o TCU identificar indícios de irregularidade no processo de escolha da empresa que poderiam restringir a competitividade do processo.

Entre as supostas irregularidades está a inclusão de atributo de pontuação técnica sem pertinência com o objeto do contrato.

O TCU também verificou o fornecimento de mão-de-obra por empresa interposta, ingerência indevida da Funasa em administração de empresa privada e ausência do plano de trabalho, entre outros problemas. A concorrência da Funasa tem o objetivo de contratar empresa para prestar serviços de administração técnica e operacional do ambiente computacional e de infra-estrutura de rede, de portal web e de banco de dados.

O TCU informou que a Funasa terá cinco dias para apresentar esclarecimentos sobre os indícios de irregularidades apontados.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Santo Deus, não há um só dia que não se noticia alguma corrupção estourando em qualquer canto do governo federal. Nunca em nossa história a administração pública esteve tão infestada quando comparada ao tempo em que Lula se encontra no poder. Estejam certos: de alguma forma, em algum momento, o povo brasileiro saberá ler que o governo corrupto de Lula tem tudo a ver com ele próprio. Ou por conivência ou por omissão e negligência. Não é possível tanta sujeira não lhe grude um dia no lombo já tão enxovalhado.

Adeus, Amazônia

Sérgio Nogueira Lopes, Tribuna da Imprensa

A campanha para internacionalizar a Amazônia ganha cada vez mais força nos países desenvolvidos. Liderado pelo governo da Grã-Bretanha, o movimento para extinguir a soberania do Brasil sobre a região amazônica já tem a participação de importantes lideranças indígenas, cooptadas por ONGs como a Anistia Internacional e a Wayanga, uma organização francesa que se diz defensora dos direitos dos índios brasileiros. Até o cacique caiapó Bepcampo, neto do famoso Raoni, já foi aliciado. Todo cuidado é pouco, porque é nas reservas indígenas que se localizam as maiores riquezas, entre elas grandes jazidas de ouro, diamante e nióbio.

Aquecimento Os especialistas das Nações Unidas advertem que o Brasil continuará a sofrer o impacto de mudanças climáticas em 2007, provocadas pelo El Niño. No ano passado, a seca afetou a produção brasileira de soja em 11% e o Brasil foi alvo também de anomalias climáticas, como o inusitado calor de 44,6 graus em Bom Jesus (PI), um dos índices mais altos na história do País. Segundo a ONU, a situação só tende a piorar, se a humanidade não tomar juízo.

Multas demais
O secretário municipal de Transportes do Rio, Dalny Sucasas, admitiu que 65% do orçamento da secretaria são arrecadados com multas de trânsito. Quando receberam essa informação, os vereadores cariocas ficaram estarrecidos, porque eles acham que os motoristas deveriam merecer maior respeito e serem esclarecidos, em vez de sofrerem multas lavradas por guardas municipais despreparados e arrogantes. No caso da Prefeitura do Rio, porém, o importante é faturar. O resto é apenas detalhe.

Lei antifumo
A Califórnia está adotando uma lei, já em vigor nos estados do Arkansas e da Louisiana, que proíbe o fumo dentro de carros onde viajem crianças. No Arkansas, a multa é de apenas US$ 25, mas na Califórnia pode chegar a US$ 100. Sete outros estados e muitas cidades americanas estão estudando leis similares para proteger as crianças, numa iniciativa que deveria ser adotada imediatamente no Brasil inteiro.

Novos pastores
A Assembléia de Deus está oferecendo cursos por correspondência a preços módicos, digamos assim. Para formação de pastor, R$ 600; mestre da Bíblia, R$ 1,3 mil; e doutor em divindade, R$ 1,5 mil. Em 90 dias, o aplicado aluno recebe em casa o diploma e a carteirinha do curso-relâmpago. Com isso, tem direito de montar seu próprio templo. Calcula-se que as seitas evangélicas movimentem no Brasil mais de R$ 3 bilhões por ano, gerando cerca de 2 milhões de empregos informais, sem vínculo trabalhista. E já são mais de 30 milhões de fiéis pagando dízimo. Você sabia?

Furto de celular
Para saber o número de série de seu telefone celular, digite *#06# e aparecerá no visor um código de 15 algarismos. Escreva e guarde o código. Se roubarem seu celular, telefone para a operadora e informe o código. Seu telefone será completamente bloqueado, mesmo que o ladrão mude o chip. Se todos tomarem esta precaução, acabará o roubo de celulares, porque se tornará inútil.

Olhar biônico
No antigo seriado "O homem de seis milhões de dólares", um astronauta acidentado ganhou um olho biônico. Exatamente 25 anos depois, o equipamento já está disponível. É um minúsculo telescópio a ser implantado em pacientes que sofrem de degeneração provocada pela idade. A lente, do tamanho de uma ervilha, permite que muitos deles se livrem dos grossos óculos que são forçados a usar.

Questão de QI
Crianças com bom desempenho em testes de Quociente de Inteligência (QI) são mais propensas a virarem adultos vegetarianos, diz um estudo da Universidade de Southampton, na Inglaterra. Os cientistas afirmam que essa ligação pode explicar por que pessoas de QI alto são mais saudáveis, tendo em vista a associação de dieta vegetariana com índices baixos de obesidade e doenças cardíacas. Você acredita nesse tipo de pesquisa?

Paixão
Uma triste notícia para os poetas. Cientistas da Universidade de Pavia, na Itália, descobriram que o amor de paixão dura pouco mais de um ano. A pesquisa baseou-se nas proteínas chamadas neurotrofinas, ligadas aos sentimentos de euforia e dependência que surgem na paixão. Depois de algum tempo, os níveis dessa proteína caem. É desanimador, mas é verdade.

ENQUANTO ISSO..

Privatização da Amazônia: entregando a floresta
Jorge Serrão, Alerta Total

Até o dia 23, os cidadãos poderão dar opiniões sobre o primeiro Plano Anual de Outorga Florestal (Paof) 2007/2008, que vai botar na mão da iniciativa privada 1 milhão de hectares de florestas públicas.

Entre os dias 25 e 26, as observações sobre o documento serão analisadas pela Comissão de Gestão de Florestas Pública.

Após esse processo, até o dia 31, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) vai divulgar o Paof definitivo.

Na verdade, uma privatização da Amazônia promovida pelo governo do PT, em parceria com seus aliados políticos da City de Londres.

Estarão disponíveis 193,8 milhões de hectares de florestas públicas federais cadastradas.O espaço a ser privatizado corresponde a 22% do território brasileiro.

A Amazônia Legal concentra 92% dessas florestas que receberão a linda designação de “unidades de manejo destinadas à concessão para exploração de toras de madeira e outros produtos, de forma sustentável”.

No grupo de concessão prioritária estão a Floresta Nacional de Jamari (RO) e um conjunto de unidades de conservação localizadas no Distrito Florestal Sustentável da BR-163.
O Paof é um instrumento da Lei de Gestão de Florestas Públicas (11.284, de 2006) para dar transparência aos processos de gestão florestal.Segundo o SFB, o documento indica, com um ano de antecedência, todas as atividades de gestão de florestas públicas, o que inclui divulgar as áreas passíveis de receber concessões.


ENQUANTO ISSO...

Extrativismo chegou a nível danoso, dizem especialistas
Cristina Amorim, Estadão

O extrativismo pode ser danoso para a floresta e a população amazônicas, disseram ontem, em Belém (PA), cientistas que participam da 59ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Segundo eles, o aumento da demanda por produtos florestais como frutas e extratos, somado a pouca tecnologia empregada em sua obtenção, tem levado a exploração a níveis insustentáveis.

O principal exemplo é o do açaí. Ele atualmente goza de popularidade no mercado nacional e internacional de alimentos e cosmética. No ano passado, rendeu para o Pará cerca de R$ 6 milhões em exportações.

Porém, o preço médio do açaí subiu mesmo fora da época de colheita (que vai de julho a dezembro), pois as empresas que beneficiam e exportam a fruta compraram o excesso da produção para formar estoques e garantir o fornecimento a seus compradores. “O preço ficou congelado no teto. Com isso, a população mais pobre, que consumia a fruta, não teve mais condição de adquiri-la”, diz o pesquisador Alfredo Homma, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Amazônia Oriental.

Para responder à procura, os coletores da fruta desenvolveram equipamentos rústicos, mas que aumentam a capacidade de colheita: se antes um trabalhador enchia de 10 a 12 latas por dia com açaí, hoje sua produtividade saltou para 100 latas.

O crescimento do negócio é muitas vezes feito sem cuidados para garantir a sustentabilidade, alerta Samuel Soares de Almeida, do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Hoje o açaí é retirado de áreas alagadas e a semente não volta para a área e a renovação da paisagem não acontece”, explica Almeida.

Problemas semelhantes são registrados na exploração de outras espécies, como a priprioca, o cupuaçu e o bacuri. “O modelo de extrativismo (aplicado atualmente) é extremamente frágil e só funciona em um mercado pequeno”, afirma Homma. Ele aposta no uso das terras abandonadas da Amazônia para ordenar a produção.

Segundo o pesquisador, a simples ampliação do número de reservas extrativistas na Amazônia - política aplicada pelo governo federal - não garante que o valor da floresta em pé será maior do que o dela no chão. O produtor pode acabar se voltando a modelos de produção tradicionais, como a pecuária, quando o recurso acabar.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, para quem chamou FHC de traidor e entreguista, Lula está se saindo melhor do que a encomenda. A diferença é que um permitiu a expansão econômica com resultados que beneficiaram toda a população como foi o caso do sistema de telefonia. Ao passo que agora temos entreguismo na sua mais perfeita versão. Nada do que se fizer nos pedaços de floresta entregue retornará para o país. Quer dizer, os benefícios até podem retornar, porém teremos que pagar um alto preço por isto, além de nos colocarmos na retaguarda em termos de pesquisa. É doloroso saber que Lula lutou tanto tempo para ser presidente e, ao consegui-lo, sua grande obra é entregar nosso maior patrimônio a troco de nada. Pergunta-se: e a oposição, cadê a oposição que não bloqueia esta traição ?

TRAPOS & FARRAPOS

AINDA SOBRE PLANOS, PROGRAMAS E PESQUISAS...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Desde o início do ano, o governo federal vem anunciando numa seqüência interminável, uma série de planos e programas todos com o devido cerimonial festivo da anunciação, e claro, com o devido marketing de lançamento, e assim temos um pac aqui, um pac acolá, o que não nos faltam são pacs. Falta, é bem verdade, é governo, mas isto seria pedir demais para a insignificância de um governo ridículo tanto quanto é medíocre.

Percebam que, desde até o tempo da ditadura militar, o Brasil tem se esmerado no lançamento monumental de sucessivos planos e programas. Tudo para despertar o gigante adormecido em berço esplêndido. Só que continuamos empacados enquanto o restante do mundo avança. A passos largos e firmes, muitos países, outrora muito mais atrasados do que o Brasil, já nos deixaram para trás, e são hoje paraísos de povos educados e progressistas, enquanto nós continuamos a entoar as mesmas e velhas ideologias do tempo dos nossos pais.

Portanto, a mensagem que devemos ter em mente é a seguinte: não nos faltam programas e planos, não nos faltam recursos. O que nos falta é capacidade de administrar planos, programas e recursos. E administrar com o foco centrado no que realmente interessa, aplicando os recursos em projetos efetivos visando o desenvolvimento ou favorecendo este. E, claro, roubar menos na administração pública. E aqui o nó é colossal. Precisamos que nossos administradores públicos se dêem conta que o dinheiro do contribuinte merece respeito e a ele deve retornar na forma de serviços e infra-estrutura, na forma de educação decente, segurança máxima e saúde digna. Enquanto formos coniventes com a corrupção, enquanto não exigirmos que nossas “doutas” autoridades tratem nosso dinheiro com decência e o administre com a competência necessária, o Brasil continuará um país vendido na alma, enterrando cada dias mais um futuro que poderia ser promissor, de primeiro mundo mas que estamos trocando pela idiotia, pela teimosia em não aceitar o modernismo que faz a festa dos outros e nos enche de inveja.

Nada do que os outros mais avançados conseguiram está fora do nosso alcance. Tratemos de mudar atitudes, pensamento e conseguiremos até mais do que os outros. Riquezas não nos faltam para tanto. Mas, enquanto vigir entre nós esta pederastia dos homens públicos em relação aos cofres públicos, permaneceremos estanques e atrasados. O progresso tem seu preço e devemos pagar por ele, por ser ainda a melhor maneira e o caminho mais curto para oferecermos melhor qualidade de vida aos nossos cidadãos. Ou então, permaneceremos embalando em berço esplêndido o mesmo e preguiçoso gigante adormecido de séculos. Pesado e disforme, o paquidérmico Estado brasileiro precisa urgentemente de uma lipoaspiração para que todos possamos sobreviver. Do contrário, os milhares de jovens que continuam saindo do país continuarão se multiplicando até que não restem mais além de velhos, jovens bandidos. É lamentável que o país não olhe pra frente e veja que não está oferecendo mais do que migalhas e mediocridade para os seus jovens. É triste constatar que apesar do mundo ter encurtado distâncias e permitido assim sabermos do que se passa no restante do mundo, pelo menos do mundo civilizado, nossos gigolôs políticos continuam se arrastando na sarjeta da indecência e degradação. O exemplo mais constrangedor é a forma sórdida como Renam Calheiros se agarra com desespero à cadeira da Presidência do Senado. Soubesse o néscio o mal que faz sua teimosia em relação à instituição que não lhe pertence, talvez tomasse consciência e ao amenos se licenciasse enquanto as investigações sobre seus atos prosseguissem. Teria a grandeza real de um homem público. Comportando-se como reles vagabundo e vigarista da moral da institucional, mais distante torna aquela casa da verdadeira representatividade que deveria manter em relação aos reais detentores do mandado que exibe com tanta audácia e arrogância: o povo, para o senhor Calheiros, pelo visto, tornou-se mero coadjuvante, mera massa de manobra a quem ele entende não dever satisfações. A que ponto é capaz de chegar um cidadão em nome de sua própria figura imoral e delinqüente !

Mas ele não é o único: toda a classe política do país se perfila pelo mesmo figurino. Ontem tivemos José Dirceu, depois Palocci, apenas para citar alguns. A coleção de degradados é imensa, e todos resvalam pelos descaminhos que conduzem e conduziram o país a não ser uma potência de primeiro mundo.

Portanto, fica claro o de sempre: não é de programas e recursos que se faz a razão de nosso atraso. É a maneira como administramos estes mesmos programas e estes mesmos recursos. Tivéssemos um Poder Judiciário por exemplo, sério me responsável, e obrigasse todo o vigarista que desvia dinheiro do Estado a repatriar este montante, acreditem, seria uma fortuna colossal para benefício da nação. Precisamos de apenas um programa para tornar tais práticas condenáveis e exemplarmente rechaçadas pela sociedade: a da tolerância zero com a corrupção. Vestir esta camiseta com a consciência do quanto o programa pode fazer um enorme bem para todos nós, não se precisaria de pac algum. Todo o resto viria por conseqüência.

Apenas para que não fiquemos nas palavras, três notas que circulam no cipoal de notícias editadas na noite de hoje já ilustram bem o pensamento central do comentário. Para ler, pensar, refletir com isenção e tomar consciência.

No PT, uma mão lava a outra
Em 2006, o PT recebeu doações ilegais de concessionárias de serviços públicos para financiar inclusive a campanha do presidente Lula. Entre elas está a Libra Terminais S/A, que controla "porto seco" em Campinas (SP). A Libra doou oficialmente R$ 750 mil ao PT. Além de concessionária, o que torna a doação ilegal, a Libra deve R$ 450 milhões à União. Deve e não paga. O governo petista, subitamente generoso, tampouco cobra a dívida.

Boquinha rica
José Carlos Espinoza foi afastado do gabinete de Lula em São Paulo, junto com Freud Godoy, mas se deu bem: semi-alfabetizado, é agora funcionário do escritório paulista da Petrobras, a R$ 10 mil por mês. É bom ser petista.

Fazendo escola
Primeiro foram as contas de Lula, aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas da União. Agora é o prefeito de Recife, João Paulo (PT), que não aplicou, em 2003, o mínimo de 25% do orçamento no ensino público.

Portanto, não precisamos ir tão longe no tempo para descobrirmos as razões do Brasil, apesar de sua imensa riqueza e de seu povo, viver enxovalhado de notícias ruins. Não precisamos sequer caçarmos bruxas pelas agruras pelas quais passam nossos povo. Precisamos, sim, é deixarmos de lado esta tendência a endeusar figuras torpes e cretinas, porque elas no fundo representam o ranço que emporcalham a vida dos brasileiros. Não se deixem enganar pelas aparências, ou pelo marketing ordinário: por trás de homens públicos, há uma enorme corrente de arranjos escudados nos interesses mais ignóbeis que se possa imaginar. Para eles, não é o interesse na grandeza do país que governam que se assentam suas ações, e sim, nas conveniências mais sórdidas de locupletar-se sobre a servidão do povo que os sustenta.

Seria bom que refletíssemos sobre o artigo do Augusto Nunes reproduzido um pouco antes, sob o título “A Nação dos Bestificados”, para desta forma entendermos um pouco da alma brasileira. Quando se está diante de um governo como o de Lula, eivado de corrupção e roubalheira, esquemas de rapinagem explícita para desvios de recursos públicos, e se olha, de outro lado, os tais índices de popularidade e aprovação do governo, tem quem coloque dúvida sobre os números das pesquisas. Porém, diante de um povo que endeusa os bandidos, como no caso dos bispos da Renascer presos nos Estados Unidos, fica mais fácil perceber e entender a razão dos números que glorificam Lula presidente. Aliás, até em razão desta leitura que se pode fazer da alma brasileira, já seria suficiente para Lula não ufanar-se tanto. Fosse esperto, se acautelaria diante da aprovação. Afinal, nunca se sabe se o povo que o aplaude não é o mesmo que louva e adora os bandidos, tanto os da vida real como os dos folhetins.

Vamos exportar pau-brasil

Por Adriana Vandoni, site Prosa & Política

Há algum tempo alguns economistas respeitados têm cobrado uma maior atenção para a “doença holandesa” ou a “maldição dos recursos naturais” e a sua implicação no desenvolvimento industrial brasileiro.

Doença holandesa é o nome dado à decadência da indústria de um país justamente por este ter um abundância de recursos naturais, ou mais claramente, quando a equipe econômica de um país permite que estes mesmos recursos causem a apreciação cambial. Por mais paradoxal que isso possa parecer, de fato, logo após a descoberta de suas jazidas de gás, a Holanda perdeu competitividade em relação aos seus vizinhos, justamente pelo aumento extraordinário da entrada de dólares no país.

Mas como isso ocorreu? Embora a entrada de dólares – e valorização da moeda holandesa - tenha causado em um primeiro momento uma ilusão de riquesa no país, com maior poder de compra para população pelo aumento de moeda circulante - como o dólar não é a moeda do país, ao entrar é trocado por moeda nacional, ocasionando o aumento de volume em circulação da moeda local -, ocasionou também uma perda progressiva de competitividade dos seus produtos manufaturados, aumentando o desemprego e um consequente empobrecimento da população em relação às nações vizinhas.

Em um primeiro momento essa teoria pode parecer sem fudamento. Como desprezar a entrada de moeda estrangeira com a venda de seus produtos? Na verdade isso ocorre quando alicerçado no comércio de produtos do setor primário, de minérios brutos e produtos agrícolas não manufaturados. Uma política econômica desatenta ou que despreze essa valorização da moeda impede a competitividade de setores secundários e terciários (indústrias e de serviços).

Nos últimos anos já deixamos de ser exportadores de automóveis e diversos outros produtos industrializados, e alguns empresários brasileiros até já mudaram ou abriram filiais em países mais competitivos, como a China.

"Estamos perdendo em tudo o que exige valor agregado, tecnologia e conhecimento. Vivemos uma especialização regressiva da indústria", disse recentemente o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.Mesmo argumentações de que nossa balança comercial esteja positiva, inclusive em relação à China, caem por terra quando se vê que exportamos commodities e eles produtos manufaturados, produtos em que foram utilizados mão-de-obra mais especializadas, onde criaram-se tecnologias e formaram-se novos especialistas. Sabemos que quando cessar o atual ciclo de bonança da economia mundial os países que conquistaram “know-how” terão mais facilidades para se manterem no patamar que conquistaram. Não é o caso hoje do Brasil onde em 2006, por exemplo, diminuíram em 18% os investimentos nos setores destinados à fabricação de material eletrônico e aparelhos de comunicação.

Dane-se a indústria, poderão dizer os mais afoitos, o Brasil é um país agrícola!!!

Não é bem assim. Na verdade a sobrevivência do campo só é possível devido a sua enorme competência, pois mesmo os enormes e sucessivos aumentos de competitividade da nossa agricultura não significaram lucros maiores para nossos produtores, apenas os mantiveram vivos. Alguns nem assim aguentaram. Os sucessivos aumentos de produtividades por hectare significaram aumento do lucro? Claro que não.

Meses atrás o presidente da Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior), Primo Roberto Segatto, disse que quando o valor do dólar ficasse abaixo dos R$ 2 a indústria emergente do nosso país estaria inviabilizada. Segundo ele, não havia como “produtos manufaturados competirem no exterior, só commodities”. “Vamos voltar a exportar pau-brasil", disse. Pois é, pergunte aos nossos agricultores se o lucro sobre suas commodities é estimulante.O alerta do presidente da Abracex foi claro, a apreciação da nossa moeda está ocasionando a perda de competitividade da nossa indústria, ou uma regressão no nosso ainda tênue processo de amadurecimento como competidor mundial.

Quanto à nossa agricultura, infelizmente só será novamente lucrativa quando a perda de competitividade das nossas indústrias estiver clara e indiscutível, quando o desemprego ficar tão evidente que será necessário fazer algo. Só aí teremos medidas que estimulem uma desvalorização que restabeleça sua competitividade, e só assim a agricultura será beneficiada.

Hoje a competitividade do nosso agronegócio atrapalha outros setores da nossa economia e a ela própria, inclusive.

Os neocorruptos traem a história de nossa corrupção

Arnaldo Jabor, Jornal A Gazeta (Cuiabá/MT)

"Ah...que saudades da boa e velha corrupção d´antanho... Nem tinha esse nome....Era o quê? "Bons negócios", bons ventos para um reino de prazeres , era uma troca justa entre o privado e o publico. Não víamos mal nisso; havia uma certa beleza nesse casamento, nesta simbiose entre crime e progresso. Quem trabalharia apenas pelo abstrato "interesse publico" que intelectuais cismaram que existe? Não há isso. Só o interesse pessoal , privado, só os egoismos casados constroem um futuro. O "desprendimento" romântico é hipocrisia, narcisismo, talvez até uma forma de masoquismo. Através dos contratos superfaturados, do favores clandestinos, se construiu um país e as instituições se ergueram.

Nós, políticos ladrões da antiga, fomos semeados na Colônia, regados no Império, desabrochados na Primeira Republica. Éramos tradição cultural. Por isso, achamos que a coisa mais grave que aconteceu ultimamente no Brasil foi a desmoralização da politica. Nem falo do desrespeito pela verdade, pois a verdade ninguém sabe o que é, mas a desmoralização da mentira. Essa raça de vagabundos não tem respeito nem pela mentira.

Éramos do tempo em que tudo era a aparência, em que havia a pose. Ahhh..como era importante a pose. Uma de nossas habilidades era justamente "aparentar"; podíamos ter no bolso do paletó um "jabá" recente, ali, quentinho...há há, "jabá", como vocês chamam, mas a pose era imprescindível. O importante não era ser honesto; era parecer honesto. Saudades do Lupion, do Ademar, do buraco do Lume, tantos...Vocês viram o discurso do Roriz, fingindo honradez? Nem mentir sabem mais...Ele parecia um mamulengo bebedo, berrando fora de sincronismo, os gestos descolados das palavras, falando na Virgem Maria, numa patética imitação de nossas hipocrisias clássicas. Sabíamos roubar de fronte alta, com dignidade. Um de nossos presidentes uma vez recebeu uma mala cheia de dólares dentro do Alvorada e passou uma descompostura no corrupto ativo: "Deixe a mala preta ai e ponha-se daqui para fora!" Hoje, não. Essa gentalha lamentavel aí do Senado não tem noção da "poética da corrupção", não têm um mínimo de elegância, de postura parlamentar, não têm oratória, não se cuidam, vestem-se mal, nos chocam com suas carantonhas sórdidas. Falta a estes neocorruptos a capacidade de ocultar suas perversões, se atiram aos roubos com uma fome desabusada, sem dissimulações. São cheques falsos, assinaturas mal-forjadas, desculpas esfarrapadas. Roubar é também uma arte. Antigamente, os ignorantes chegavam a dizer: "Ele rouba, mas faz". E fazíamos mesmo, quase nada, mas fazíamos. Hoje, os viadutos morrem no ar, as placas de obras não -feitas dormem no meio das caatingas. Havia laivos de amor pelo bem que o povo nos fazia, deixando-se roubar. Dávamos algo em troca. Hoje não, veja o Maranhão, por exemplo, desertificado, milhões de famintos vagando, vejam os bilhões, sim, bilhões desviados pelas ONGs do mal no Estado do Rio, vejam Alagoas, com os bebês morrendo sem incubadeiras...Ainda tínhamos um pouco de cuidado, nos davam prazer os aplausos dos desdentados, algo se movia em nossos corações diante dos analfabetos. Ao menos, executávamos as obras. Hoje, nem isso.

Sem contar a novidade que apareceu: a quadrilha dos "revolucionários" que atacaram o Estado para roubar, com o pretexto de um socialismo psicótico, santo Deus! Esse papo de "mensalão" que houve, sim, mas que foi café pequeno, perto do mais de 3 bilhões que estão aí pelas Bahamas, vindo de fundos e de pensão e estatais que os sindicalistas do mal roubaram...Antigamente, o comuna tinha orgulho da miséria. Andava esmolambado pelos cantos, filando ponta de cigarro..Nós, os ladrões clássicos, nunca precisamos de uma ideologia para absolver nossos roubos...Tínhamos a coragem do cinismo altaneiro, com a verdade crua do interesse em nossas caras, sem brados de falsas utopias.

Sim, claro que multiplicávamos nossos patrimônios em poucos anos, sim, tudo bem, conquistávamos propriedades, dignos pés-de-meia, sólidos palacetes. Agora não; só pensam em ilhas, iates, amantes louras, fazendas com falsos papeis, bois imaginários, usam "laranjas" e pobres diabos, enquanto fazem cursos para entender de vinhos e charutos. São uns cafajestes!...Nós, não. Tudo era registrado, tudo dentro das regras das brechas da Lei, tudo para ter a tranquila solidez de bons estadistas...

Sempre amamos um outro Poder mais profundo que o partido A ou B. Amávamos um poder que se entrevê nos gestos seculares da elite, na fronte alta, no perfil de medalha, nos ternos bem cortados, nos sorrisos conciliatórios, no autoritarismo egoísta disfarçado de tolerância democrática. Era uma delicia secreta não ceder ao sentimento de culpa diante das traições e injustiças que cometíamos. Era bela a coragem da boca fechada, com a consciência muda, fria, como diante de um mal necessário. Havia um grande prazer em prometer e não cumprir, em trair de cara limpa. Havia uma doce volúpia em nos vingarmos de ex-inimigos arrependidos com um humilhante perdão..

Era tão poético o amor servil dos puxa-sacos nos lambendo a alma, o ronco dos helicópteros, a preciosa presteza dos ajudantes-de-ordens, dos seguranças, dos negrões fieis ás nossas costas.

Pensávamos nos netos, em consolidar uma imagem para a posteridade contrária a tudo que realmente éramos. E não só para os outros, agora e no futuro, mas para nós mesmos. Hoje esses moleques nem sabem o que são esses rituais...

Nós acreditávamos que éramos bons para o Brasil. Na mentira, o essencial é o auto-engano.

E tínhamos, na época, um obliquo amor pelo país , sim. Tínhamos um carinho misturado com gratidão por tantos privilégios, nos sentíamos misturados com as florestas, com as cachoeiras, havia uma simbiose consentida entre nós e o povo.

Hoje não há mais nada disso. Aumentou muito o numero dos desonestos. Veja o Senado. Quase todos... nosso prazer também advinha de nos sabermos a minoria esperta, o clã perverso, nossa volúpia era alimentada pela "superioridade" que sentíamos pelos ridículos homens de bem, que nem as esposas respeitavam.

Nós, sim, éramos o Brasil. Esta gentalha aí não presta. Traiu a grande beleza secular da roubalheira nacional".

TOQUEDEPRIMA...

***** Lula bate próprio recorde em uso de dinheiro público fora do orçamento

De acordo com levantamento do Democratas, o governo Lula já bateu o próprio recorde em pedidos de créditos extraordinários por medida provisória. Em apenas metade do ano de 2007 já chegou a R$ 31,1 bilhões. Estas autorizações de gastos não previstos na lei orçamentária dispararam com o PT no poder: foram R$ 8 bilhões em 2004; R$ 12 bilhões em 2005; e R$ 29,7 bilhões em 2006.

O próprio uso de medida provisória para pedir dinheiro extra é uma ‘contribuição original’ do governo Lula, diz o presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ). "Cada vez mais o Executivo reduz os poderes do Parlamento e toma decisões unilaterais sobre a destinação dos recursos orçamentários", protesta.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Quando se diz que a democracia brasileira é imperfeita, alguns até falam em “arremedo de democracia”, uma das razões está nesta bengala autoritária chamada “Medida Provisória”. Grande parte da perda de representatividade do Congresso Nacional está alicerçada justamente neste ponto. Cada vez mais o Legislativo cumpre cada vez menos o seu papel de ... legislar. E o Executivo, armado com a chave do cofre, a caneta que autoriza liberações, cada vez mais faz uso do instrumento da MP para intervir no trabalho que é prerrogativa do poder ao lado. Uma reforma política decente que não por um freio nesta ação ditatorial do Executivo, não mudará em nada o quadro político de descrédito junto a população que deveria representar.

A única justificativa para gastos extra-orçamento que poderia justificar o uso da MP, seria casos de guerra ou calamidade. E nenhum dos dois estão presentes nestes R$ 31,7 bilhões extraordinários feitos pelo Executivo. Isto é um sintoma de quanto de desprezo e ódio este governo nutre por democracia. Provas para tanto é que não faltam, mas esta do uso excessivo de MP’s para uso de recursos extra-orçamento, convenhamos, já contundente por si só.


***** "Facilidade em licença de usinas, só com trambicagem", diz Lula

O presidente Lula falou sobre a demora na licença prévia para construção das usinas hidrelétricas no Rio Madeira, em Rondônia. "Em licença não tem facilidade. Facilidade é se houver trambicagem. Se quiser respeitar o meio ambiente e estar de acordo com a lei sempre será demorado", declarou Lula.

O presidente afirmou que o Ibama não dará com facilidade outras licenças necessárias para a conclusão das obras da Madeira. "A Marina (Marina Silva, ministra do Meio Ambiente) definiu bem: demorou mas saiu uma coisa consistente", concluiu o presidente. A ministra do Meio Ambiente declarou que está feliz com as avaliações do Ibama.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Este Lula, tem cada uma, né ? Parece que ganhou na loteria com a licença concedida pelo IBAMA. Só que de “esqueceu de dizer três coisas básicas:

a.- Precisou dividir o IBAMA em duas partes para facilitar os caminhos políticos para os licenciamentos, e isto, em qualquer lugar do mundo, chama-se trambicagem, goste ele ou não;
b.- A licença ora concedida é apenas em caráter “provisório”, já que a definitiva só será concedida se atendidas as 33 condições impostas pelo IBAMA;
c.- Falta negociar com a Bolívia alguns “acertos” já que ele aceitou a pressão do boliviano Morales de que as usinas fossem em parceria com o país vizinho.

Em resumo: Lula está novamente vendendo uma manchete que não condiz com o texto de inteiro teor da notícia. Puro marketing, portanto. O raio é que este jogo de cena serve para enganar a torcida.


***** 86% não confiam em políticos

De acordo com pesquisa realizada pela UnB (Universidade de Brasília), 86% das pessoas do Distrito Federal não confiam nos políticos, 76% na Câmara, 68% no Senado e 77% não crêem nos partidos.

A intenção do estudo foi avaliar a opinião pública sobre democracia, corrupção e algumas instituições públicas do país. Apesar da descrença das pessoas no Legislativo, 83% acreditam que os desvios de dinheiro podem ser combatidos. Segundo a pesquisa, 56% dos brasilienses não conhecem o trabalho do TCU (Tribunal de Contas da União). No entanto, 63% confiam no mesmo. A pesquisa ouviu 1.015 pessoas no Distrito Federal.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Claro que o resultado revelado pela pesquisa não causa estranheza a ninguém. Porém o curioso é que, se 56% não conhecem o trabalho do Tribunal de Contas da União, como 63% podem confiar no trabalho de um órgão que sequer conhecem ? E ainda tem quem estranhe a popularidade do Lula e a aprovação do seu governo nos níveis que as pesquisas apresentam ! Não conhecem, mas aprovam. Não acreditam nos políticos, mas sempre reconduzem para a política os cretinos envolvidos em falcatruas e que até renunciam ao mandato para não serem cassados ! Interessante o estudo e curioso o seu resultado...

***** Lula garante R$ 1 bilhão para construção de submarinos nucleares

O presidente Lula garantiu a liberação de R$ 1 bilhão nos próximos anos para a Marinha concluir projeto de fabricação de motores de propulsão nuclear para submarinos. Serão liberados R$ 130 milhões por ano.

"É verdade que este projeto esteve parado durante um determinado tempo, é verdade que no nosso primeiro mandato nós tivemos que dedicar os primeiros quatro anos para consertar o país. Se pudermos colocar um pouco mais de dinheiro, poderemos antecipar. Agora temos condições de concluir esse projeto e o Brasil pode se dar ao luxo de ser um dos poucos países do mundo a dominar toda a tecnologia do ciclo de enriquecimento de urânio", afirmou Lula.

O presidente ainda ressaltou que o país tem tecnologia e bons profissionais para o setor nuclear.
"Temos profissionais competentes e conhecimento. Agora, se estava faltando o dinheiro, não vai faltar mais. Por que não sonhar grande e dizer que nós queremos chegar até a possibilidade de ter um submarino nuclear?", disse Lula.

COMENTANDO A NOTÍCIA: O detalhe é que este montante é para ser liberado em 8 anos. Este governo adora fazer publicidade a partir da manchete, mas tem enorme obsessão em esconder a verdade.

Da mesma forma, e ontem falamos disto aqui, os tais pisos salariais para professores e policiais que ele anunciou nos lançamentos dos PAC da Educação e da Segurança; Promete um piso acima de 1 mil reais para policiais a ser atingido em 2010 (ano eleitoral), assim como já fizera o mesmo com os professores. A realidade é que estes pisos seriam decentes (apesar de pequenos ainda) se fossem pagos hoje. Mas atingi-los daqui a dois ou três anos é chamar todo mundo de otário !

Além disto, tem o seguinte: uma coisa é prometer a verba, outra, e bem diferente em se tratando de governo Lula, é sua efetiva liberação. A crise da segurança e do tráfego aí estão como exemplos de que as intenções do presidente ficam, invariavelmente, apenas nas intenções. Porém, para ele, o que interessa não é o dinheiro, ou o investimento, ou ainda a satisfação de uma categoria atendida em seus anseios: o importante são os frutos políticos que recolhe para o seu discurso hipócrita. E isto só é possível porque sempre tem um otário para acreditar em coelhinho da páscoa.


***** Estudantes venezuelanos denunciam falta de liberdade

Líderes estudantis venezuelanos pediram nesta quarta a jogadores e jornalistas, presentes no país em função da Copa América, que "não sejam cúmplices" e não silenciem sobre a falta de liberdade no país de Hugo Chávez. "Digam ao mundo o que se passa na Venezuela, que o país não respeita o adversário e não joga limpo", advertiram dois líderes do movimento, numa entrevista transmitida na Internet pela Globovisión.

"A Copa América acontece num país onde não se respeitam os direitos humanos nem a liberdade de expressão", continuaram. Eles ainda convidaram a população a participar da colocação de um monumento pela liberdade em uma avenida central de Caracas, no sábado.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, e ainda tem estudante aqui fazendo baderna em favor de Hugo Chavez. Já os estudantes de lá, com mais coragem, denunciam o autoritarismo de Chavez. Curioso, não é mesmo ?, que os nossos estudantes saibam mais sobre democracia na Venezuela que os próprios estudantes venezuelanos...

A nação dos bestificados

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Há pouco mais de um mês, um mar de gente manteve submersos, horas a fio, os calçadões, degraus das lojas, as duas pistas e o canteiro central da Avenida Paulista. É improvável que a multidão reunida em 8 de junho tenha chegado a 3,5 milhões de cabeças, como festejaram os organizadores. Mas passaram de 2 milhões os participantes da maior manifestação popular da História do Brasil.

Os moradores da avenida ficaram intrigados com a barulheira. Não existe carnaval em junho, e o Sambódromo fica longe dali. Aquilo não era coisa de folião, concluíram. Nem coisa de torcedor: a Copa do Mundo só é disputada em anos pares, e a maior nação católica do mundo não se atreveria a profanar o feriadão do Corpus Christi com alguma decisão de campeonato. Portanto, tampouco era coisa de torcedor. No país que inventou o carnaval e reinventou o futebol, o que mais poderia mobilizar a multidão que contemplavam das janelas?

Teria o povo saído às ruas para decretar o fim das sucessivas bofetadas na face decente do Brasil? Teria perdido de vez a paciência com a roubalheira de proporções amazônicas, a redução do Congresso a sucursal do crime organizado, o apagão aéreo interminável, a institucionalização do cinismo?, imaginaram os otimistas incuráveis.

Nada disso, esclareceram palavras de ordem berradas pela multidão e inscrições nas faixas desfraldadas pela comissão de frente. Os manifestantes de 8 de junho eram todos devotos da Igreja Renascer, ramificação da tribo dos evangélicos. Estavam no coração da metrópole para reivindicar o retorno ao Brasil do apóstolo Estevam Hernandez e da bispa Sônia Hernandez, líderes da seita.

Retidos há meses na Flórida, ambos são acusados de envolvimento em grossas bandalheiras. Por decisão unânime, os fiéis absolveram os bandidos e condenaram os mocinhos. O apóstolo e a bispa não passam de vítimas de hereges infiltrados na polícia e na Justiça dos EUA.

Se os pastores bandidos reassumirem a condução do rebanho, estará resolvido o único problema que aflige a turma da Renascer. Seria bom se o governo brasileiro ajudasse, murmuram os pregadores em liberdade. Mas Lula não tem nada a ver com o caso, ressalvam. A seita não tem queixas nem pedidos a formular ao Planalto. Tudo vai bem no Brasil.

Se melhorar, estraga, preveniram os convivas das festas de 1º de Maio. Em São Paulo, pela primeira vez num Dia do Trabalho, a platéia não pediu aumento de salário. Só pediu que se aumentasse o som, para ouvir melhor as cantorias das duplas sertanejas. As multidões agora só se manifestam a favor, informou este outono espantoso. A favor do governo, como no Dia do Trabalho. Ou a favor da canonização de pecadores.

Os filhos da terra nunca morreram de amores por protestos coletivos. Abstraído um punhado de episódios especialmente dramáticos - a rebelião dos paulistas em 1932, as turbulências que precederam o golpe de 1964, a campanha das Diretas-Já em 1984 - o povo sempre recusou o papel de protagonista da História. Mesmo quando confrontado com crises agudas, preferiu refugiar-se no elenco dos figurantes - ou diluir-se na platéia dos espectadores desinteressados.

"O povo assistiu bestificado à Proclamação da República", registrou Aristides Lobo em suas memórias. E bestificado assistiria, mais de 100 anos depois, ao advento da Era da Mediocridade. "A gente tem que aprender a gritar de novo", diz a cientista política Lygia Pereira. A boa frase ficaria ainda melhor sem as duas últimas palavras.

Não se pode fazer de novo o que nunca foi feito. O povo jamais soube gritar. Está mais que na hora de aprender.

A UNE em estado de alienação

Editorial do Estadão

No comando da União Nacional dos Estudantes (UNE) há uma geração, o PC do B tornou a liderar a chapa vitoriosa na nova eleição da entidade, domingo, em Brasília. Conduzida pela militante gaúcha Lúcia Stumpf, 25 anos, aluna de uma faculdade particular de jornalismo em São Paulo, a fronda oficial recebeu 72% dos votos de 2.700 delegados. A sua composição espelha o núcleo da base parlamentar governista, embora com pesos diferentes e, naturalmente, sem a participação de representantes dos partidos de direita que engrossam o lulismo. A chapa inclui, além dos chamados comunistas, representantes do PT (devidamente fragmentados em tendências), PMDB e PSB. A eleição foi o ponto culminante do 50º Congresso da UNE em 70 anos de uma existência que já conheceu dias melhores, na legalidade ou na clandestinidade.

Afinal, a primeira bandeira da organização nascida sob o signo do pluralismo, sob o Estado Novo de Vargas, foi a do envio de tropas brasileiras para lutar contra o nazi-fascismo na Europa, com o qual o ditador flertara antes que ficasse clara a direção dos ventos da conflagração mundial. Dizimada pelo regime militar de 1964 e reconstruída em 1979, de novo se alinhou na vanguarda do combate democrático, encarnado, dessa vez, no movimento das Diretas-Já.Hoje, o seu principal estandarte é a demanda pela decapitação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. (Antes o vendilhão da Pátria era Palocci, quando o então ministro da Fazenda personificava a continuidade da política econômica "neoliberal" de Fernando Henrique.) O supra-sumo da falta de caráter político dos congressistas da UNE foi poupar o presidente Lula enquanto demoliam o modelo que ele não se cansa de louvar.

Dificilmente se encontrará, hoje em dia, nos países livres, uma associação que se pretenda representativa da população universitária e seja tão submissa a um chefe de governo, tão pelega como esta peculiar organização de jovens destituídos de espinha dorsal. Deles se pode dizer que, se são loucos, não rasgam nota de mil. No mais, o furor de suas divergências, quando existem, lembra a arguta observação de que, em qualquer instituição, as disputas tendem a se radicalizar tanto mais quanto menor for a relevância do que, a rigor, está em jogo. O que a UNE apóia ou condena não faz a menor diferença para a imensa maioria dos seus supostos representados, que dirá da sociedade em geral. O congresso da entidade, aliás, ignorou o fato mais importante do ano até aqui no setor - a ocupação, durante 50 dias, do prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), iniciada e mantida à revelia do PC do B.

A falta de representatividade da UNE foi indiretamente admitida pelo antecessor da recém-eleita presidente Lúcia Stumpf, o seu correligionário Gustavo Petta. Ele atribuiu a retórica radical que predominava no congresso ao fato de ser muito jovem a grande maioria dos participantes, alunos do 1º e do 2º ano das faculdades. "O pessoal mais adiantado", comparou, "é absorvido pela lógica do mercado." Ou seja, não está nem aí para as proclamações ou conclamações da militância.

Ainda assim, elas merecem registro, como sintomas de uma mentalidade debilitada pelo uso abusivo de teorias conspiratórias - nenhuma delas mais entusiasticamente acolhida do que a dos intentos antinacionais e antipopulares da "mídia burguesa". Nesse palco, em que a indigência se estendia até onde a vista alcançasse, ouviu-se que a imprensa fabrica escândalos para solapar o governo Lula e "combater o avanço do socialismo".

Já não se trata só do fartamente demonstrado esquema do mensalão. Do complô da mídia faz parte a invenção de outras falsidades como seriam o escândalo dos sanguessugas - que envolveu políticos das mais diversas legendas -, a investigação das nebulosas movimentações financeiras que assombram o presidente do Senado, Renan Calheiros, e as incontestáveis revelações que levaram o seu colega de PMDB Joaquim Roriz à renúncia para impedir o processo contra ele no Conselho de Ética da Casa, por quebra de decoro parlamentar. Quando acusações dessa espécie à imprensa reverberam no plenário da UNE é porque se está ali em pleno território da patologia que em outros tempos era conhecida como alienação - só que no sentido clínico do termo.

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Oito mil estudantes fazem protesto em frente ao BC

Cerca de 8 mil estudantes de todo o Brasil participaram ontem, em Brasília, de uma manifestação em frente à sede do Banco Central. No protesto, eles pediram redução dos juros, a saída do presidente do BC, Henrique Meirelles e mais verba para educação, entre outras coisas.

Os estudantes, que estão em Brasília para o 5º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), querem que o Ministério da Educação libere R$ 200 milhões para melhorar a assistência estudantil em áreas como transporte, moradia e alimentação.

"O Brasil precisa de outra postura econômica, que traga crescimento maior, geração de emprego, distribuição de renda e recursos mais consistentes para todas as áreas sociais, inclusive a educação", disse o presidente da UNE, Gustavo Petta.

A proposta de reforma política, que está em votação na Câmara dos Deputados, foi um dos temas abordados no primeiro dia dos debates, que se realizam na Universidade de Brasília até amanhã.

Parlamentares, representantes de entidades de classe e estudantes discutiram questões incluídas na proposta, como a fidelidade partidária, o financiamento público das campanhas e o voto em lista, entre outras. A diretora Nacional de Mulheres da UNE, Tatiana Oliveira, disse considerar "bastante limitadas" as atuais propostas e defendeu mecanismos que garantam maior presença feminina nas decisões políticas.

"Qualquer sistema eleitoral tem que trabalhar essa participação feminina. Infelizmente, o número de parlamentares que se preocupam com essa pauta ainda é muito pequeno", afirmou. Ela acrescentou que a UNE tem "uma proposta concreta, que é a alternância de um nome feminino e um masculino na formulação das listas partidárias".

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Velhos bordões no congresso da UNE
Carlos Marchi , Estadão

Entidade completa 70 anos com menos pluralidade ideológica.

Setenta anos depois, a União Nacional dos Estudantes (UNE), fundada em 1937, ainda batalha pelas mesmas bandeiras e usa os mesmos bordões, mas já não tem a pluralidade ideológica dos seus melhores momentos, quando estudantes de esquerda e direita disputavam sua direção. A direita quase sumiu; restou na UNE uma guerra santa protagonizada por uma miríade de tendências de esquerda que desde o começo já sabe quem vai ganhar. A feroz disputa verbal das assembléias vale muito pouco; no fim, as tendências dominantes se acertam e dividem nacos da direção.

No 50º Congresso da UNE, transcorrido ao longo da semana, na Universidade de Brasília (UnB), o velho protocolo se repetiu. Os dirigentes da entidade dizem que ela tem saudável pluralidade ideológica, mas, fora do espectro da esquerda, apenas uns poucos militantes do Democratas se aventuram por lá, sempre olhados com preconceito e alvejados por ironias; nas plenárias, recebem tomatadas, ovadas e até pedradas.

A esquerda se fustiga: o PSOL lançou o bordão 'Fora Renan e Roriz', enquanto o MR-8, acobertado sob a sigla do PMDB, bradava que o PT não podia cair no complô armado 'pela mídia burguesa' contra Renan e Roriz.
De Mensalão A Roriz
Sob o cenário maniqueísta que a esquerda sempre constrói, a 'mídia burguesa', eleita inimigo nº 1, surge como a explicação mágica e conveniente para justificar variados desconfortos. No congresso, se disse a torto e a direito que ela, a 'mídia burguesa', vive a inventar falsos escândalos para corroer o governo Lula e combater o avanço do socialismo - invenções que vão do mensalão aos sanguessugas, de Renan a Roriz.

Quando as conspirações da 'mídia burguesa' não explicam tudo, entra em cena o inimigo nº 2, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele é apontado como o lobo mau que os banqueiros internacionais impuseram ao País e que perverte o ingênuo Lula ao mau caminho; por isso, é urgentemente preciso cortar-lhe a cabeça, como bradava na sexta-feira na passeata contra o Banco Central, o presidente que deixa a UNE, Gustavo Petta.

'Lula neutralizou os movimentos sociais, é um símbolo extremamente forte e isso embota as críticas', diagnostica Jean Marc van der Weid, presidente da UNE no biênio 1969/71, e que teve sua reparação aprovada na sexta-feira pela Comissão de Anistia do governo, em pleno congresso. Outro ex-presidente reparado na mesma sessão, Aldo Arantes (1961/62), concorda com o senso geral: o movimento estudantil tem de criticar a política econômica 'que é contraditória com os objetivos do desenvolvimento'. 'Esse modelo não é o nosso', completa Petta. Aí, Meirelles volta à berlinda para explicar o resto.

Jogo de eufemismos
As muitas explicações demandam um tortuoso jogo de eufemismos. A política econômica do governo FHC é, sem meias palavras, 'neoliberal', dizem eles; mas a política econômica do governo Lula merece outro rótulo, mais suavizado: 'derivou da política do governo anterior'.

Mas - atenção - é preciso saber distinguir o governo Lula do 'governo anterior': Lula, alegam, melhorou o diálogo com os movimentos sociais e tem as políticas compensatórias, que até aqui, segundo eles, fizeram a diferença, embora ainda estejam sob algum crivo.

Nas entrelinhas, deixam transparecer uma certa decepção com Lula, em quem gostariam de enxergar a audácia do herói nº 1, o coronel Hugo Chávez, presidente da Venezuela - hoje mais idolatrado do que Fidel Castro, de Cuba, que amarga galopante esquecimento.

Se o modelo de Lula fosse o de Chávez, afirmam, o Brasil já teria reestatizado as estatais privatizadas, Vale do Rio Doce à frente. Como não é, carece criticar o governo para ajudar Lula a chegar lá. O bordão 'Fora FMI', sucesso absoluto do passado recente, caiu em desuso porque leva a extrema-esquerda a lembrar que Lula pagou em dinheiro a dívida brasileira, em lugar de repetir a fórmula heróica do presidente da Argentina, Nestor Kirchner.

Velhos bordões
Nos embates verbais, os bordões reforçam as retóricas sempre empolgadas; quando é preciso invocar emoções, as opções são desenterrar o velho refrão - 'A UNE somos nós, nossa força e nossa voz' - ou repetir à exaustão Coração de Estudante (Milton Nascimento e Wagner Tiso) ou O Bêbado e a Equilibrista (de João Bosco e Aldir Blanc).

Entre si, as tendências de esquerda não se vaiam: no máximo, cada grupo aplaude freneticamente as intervenções de seus parceiros, muitas vezes completadas com o embalo dos refrões de rima pobre, enquanto o resto da platéia mantém intrigante silêncio.

Mas nem tudo é vermelho. A juventude dos Democratas ganhou as indicações de delegados da Fundação Universitária Regional de Blumenau (FURB) e tingia de azul o mar vermelho da UnB, ostentando camisetas com o nome destacado do partido. Evandro Stein, Maicon Soares e Diogo Santos contaram que são olhados com ironias, ouvem piadinhas. Mas atestam com surpreendente descortino: 'Somos de direita.'

A baiana Juci Santana, filiada ao PT (em trânsito para o PC do B), da organização do congresso, acabou aceitando posar ao lado deles a pedido do fotógrafo, depois de relutar um pouco. 'Meu pai do céu, o que vão pensar de mim?' Em nome da paz e da pluralidade que ela mesma diz garantir e que os dirigentes repetem a toda hora, ela ficou entre os três, mas, antes, virou a credencial de organizadora do congresso do lado contrário.

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Gaúcha de 25 anos é a nova presidente da UNE

Lúcia Stumpf pede R$ 200 milhões para Plano Nacional de Assistência Estudantil

A nova presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, eleita ontem, faz muitas ressalvas à política do governo federal para a educação e, em entrevista, reivindicou uma rubrica específica do Ministério da Educação "para um Plano Nacional de Assistência Estudantil, com verba orçamentária superior a R$ 200 milhões". O ministro da Educação, Fernando Haddad, prometeu há duas semanas uma verba de R$ 150 milhões, mas só para 2008, sem vinculação orçamentária.

Lúcia Stumpf, 25 anos, gaúcha de Porto Alegre, e estudante de jornalismo pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), de São Paulo, apresentou-se como candidata única à presidência da UNE, durante o biênio 2007-2009. Eleitora de Lula, ela é a quarta mulher a presidir a entidade e sua eleição quebrou uma hegemonia masculina de 15 anos.

A eleição coincide com a realização do 50º Congresso da entidade, que aconteceu de quarta-feira até ontem, quando os estudantes comemoraram os 70 anos de fundação da agremiação estudantil universitária, em 11 de agosto de 1937. Lúcia Stumpf substitui Gustavo Petta, que foi presidente da UNE por dois mandatos seguidos (2003-2007).

Para Lúcia Stumpf, o governo deveria "investir mais na educação, com uma maior interiorização de universidades públicas, com um plano de assistência aos estudantes, como bandejão, vale-transporte e moradia universitária".

Segundo ela, o governo deveria regulamentar as universidades privadas, "que ditam suas próprias regras, sem dar satisfações ao governo, e agem muitas vezes contra o aluno, como a criminalização dos estudantes inadimplentes, proibidos de entrar nas faculdades quando estão devendo".

Ela afirmou que a UNE apóia as políticas de cotas do atual governo, como previstas no projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, segundo o qual em cinco anos 50% de todas as vagas nas universidades públicas serão destinadas a estudantes de baixa renda oriundos do ensino público fundamental e de primeiro grau e, dentro desse percentual, haverá uma destinação racial (negros e índios), conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A nova presidente da UNE disse que a entidade também apóia a inciativa do governo de criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) - que distribui bolsas em universidades privadas para estudantes carentes -, mas também com ressalvas. Segundo ela, "é preciso dobrar o número atual de cerca de 300 mil bolsistas e que o programa seja acompanhando de uma ampla fiscalização do governo e uma política de assistência estudantil, para que os estudantes possam permanecer nas universidades".

Nova gestão defende invasão de universidades
A nova gestão da União Nacional dos Estudantes (UNE) promete trabalhar nos próximos dois anos para retomar a trajetória de luta que caracterizou a entidade no passado. Para isso, quer intensificar as passeatas e manifestações, o que inclui a invasão de universidades públicas como forma de reivindicar melhorias no ensino.

"A UNE nos próximos dois anos vai ser a UNE da ocupação das universidades públicas", afirmou Lúcia Stumpf, a nova presidente da instituição para 8.000 estudantes em Brasília.
Em junho, estudantes conseguiram ocupar as instalações de algumas universidades públicas. Na USP (Universidade de São Paulo), a invasão da reitoria durou 50 dias.

De acordo com Lúcia, a agenda da Jornada Nacional de Lutas, marcada para agosto, ainda não está definida, mas ela afirmou que novas ocupações são uma alternativa da entidade. "Não descartamos as ocupações. A ocupação é um formato legítimo de reivindicação. É um formato legítimo de manifestação dos estudantes. Vamos amadurecer essa idéia ao longo dos próximos meses durante a organização da jornada.''

A jornada de lutas foi aprovada no 50º Congresso da UNE, encerrado ontem. Ela será feita em conjunto com movimentos sociais e servirá para comemorar os 70 anos da instituição.

ENQUANTO ISSO...

Para ex-presidente, UNE padece de certo oficialismo

A União Nacional dos Estudantes (UNE) padece hoje de "certo oficialismo", afirma o ex-presidente da entidade (1966/68) e ex-deputado federal José Luiz Guedes, filiado ao PC do B. Ele diz que isso já prejudicou a UNE à época de sua fundação, em 1937 (quando a entidade aderiu à ditadura getulista), e no pré-1964, quando ela se confundiu com o governo João Goulart. Esses ciclos, segundo Guedes, sufocam a rebeldia. "E sem rebeldia não há movimento estudantil", arremata.

A UNE completa 70 anos no dia 13 de agosto e encerrou ontem seu 50º congresso, que acabou sendo um desfile de posições radicais entre partidos de esquerda que compõem o seu espectro, como o PC do B, o PT, o PSOL, o MR-8 e muitas pequenas tendências trotskistas. Ontem, a gaúcha Lúcia Stumpf foi eleita presidenta para o biênio 2007/09. Ela é a 10ª dirigente do PC do B que ocupa o cargo seguidamente.

Outro ex-presidente, Cláudio Langone (1989/91), ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, vinculado ao PT, afirma que a UNE tem grande dificuldade de modernizar sua agenda. Para ele, há dois pontos essenciais que hoje seriam do interesse da grande massa de estudantes - qualidade do ensino e inserção no mercado profissional. "Mas a UNE tem insistido na luta político-ideológica e na questão da reforma universitária", observa.

O ex-presidente Aldo Arantes (1961/62), ainda vinculado ao PC do B, discorda e afirma que a UNE persiste na agenda da reforma universitária - que é sua principal reivindicação desde 1937 - com o conteúdo sempre renovado. "A reforma que a UNE cobra hoje tem outra cara", salienta. Para ele, a eleição de Lula permitiu uma nova articulação do movimento social; a UNE tem de apoiar esses "avanços" mas guardar distanciamento crítico do governo.

Jean Marc van der Weid (1969/71) - que seria eleito no congresso de Ibiúna e só tomou posse meses depois - diz que a UNE hoje tem peso político bem menor. "E isso é bom", sublinha. Mas ele sente falta de ver a entidade discutindo objetivamente um projeto para o País. Ele, hoje consultor de agronomia, aponta um envolvimento excessivo da UNE com o governo Lula: "Quem critica o governo é logo tachado de direita. Não pode ser assim."

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente no biênio 1980/81, acha que a UNE criou a tradição de defender, ao longo do tempo, bandeiras históricas, embora reconheça que o perfil dos universitários brasileiros mudou. Ele discorda das eleições diretas - embora tenha sido eleito numa - porque não haveria fiscalização eficaz.

Guedes condena excessos do movimento estudantil atual. "Não existe esse negócio de mídia golpista. Insistir nisso é ridículo", comenta ele, um dos presos de Ibiúna. Langone critica a hegemonia dos partidos na UNE. "Os líderes acabam representando as tendências de seus partidos, de uma maneira pouco qualificada, porque são inexperientes", diz. Ele pede eleições diretas para a direção.

ENQUANTO ISSO...

Hoje vamos tratar na coluna ENQUANTO ISSO..., duplamente, da entidade chamada UNE – União Nacional de Estudantes.

Conforme vocês verão, a UNE nasceu no berço da ditadura getulista, em 1937, e a ela se associou. Os anos se passaram e novamente a UNE fez sua escolha pelo lado errado, no período pré-64, ao aliar-se à João Goulart. Quebrou a cara junto com ele.

Com 70 anos de existência, já era para a UNE ter tomado sua própria identidade, e ter aprendido que seu papel sempre que coincidir com ideologias político-partidárias, tende a cair no vazio. Atualmente, a entidade se confunde ao abraçar-se com o governo Lula. Novamente, vai quebrar a cara, porque questões importantes que interessam aos estudantes serão deixadas de lado justamente porque, fruto desta aliança ideológica, irá distanciar-se das alternativas que deveria buscar e que, por o governo Lula as desprezar, tende a seguir na mesma trilha.

Vocês lerão, por exemplo, que a nova direção da UNE, sob a presidência de Lúcia Stumpf, gaúcha, 25 anos, já mostra a cara: primeiro que se trata de uma estudante profissional, está há 7 semestres empacada degrau do curso de jornalismo. E daí faz escala direto para a delinqüência. Já saiu chutando o balde aprovando invasões de universidades, e claro, como não poderia deixar, já estendendo a mão para cobrar um pedágio pelo apoio político ao governo Lula, e pedindo a bagatela de 200 milhões para um tal Plano Nacional de Assistência Estudantil... É, começou bem seu reinado. Bem ao estilo bandoleiro do MST.

Mas sempre é bom ouvirmos aqueles que estiveram ocupando a mesma cadeira da Lúcia Stumpf. E nas declarações que dão, observem a forma universalista como eles entendem qual deva ser o papel a ser desempenhado pela UNE. Talvez por isto, ao seu tempo, e pela visão universal de abraçar todas as ideologias como se representassem o amplo espectro de correntes que uma entidade democrática deve abrigar, a UNE em outros tempos tenha exercido de fato uma influência bastante positiva na formação de muitos de seus militantes e dirigentes.

Na medida em que a entidade vai se fechando em aplaudir e abrigar apenas uma corrente de ideologia política, vai perdendo sua identidade, seu sentido, sua finalidade principal, e claro, em conseqüência, vai perdendo importância, uma vez que nem todos os estudantes professam as mesmas ideologias de seus dirigentes. Uma entidade nos moldes como a UNE foi fundada não pode ser um braço jovem de uma corrente político partidária. Melhor faria, neste caso, se ao invés de ser uma corrente de representatividade de estudantes, se se fundasse como um partido político. Nem todos os estudantes brasileiros, e até diria a sua grande maioria, não aceita de jeito nenhum as baboseiras socialistas como as que a gaúcha Lúcia Stumpf tenta impor na entidade. Se é para ser representativa de toda uma classe, deve por obrigação saber conviver com pensamentos antagônicos, do contrário, perde sua essência representativa. Sendo assim, é importante recordar a própria história da UNE, suas bandeiras de luta, seus princípios, sua universalidade. Mas é importante que a entidade se dê conta da mudança dos tempos, e em função disto, se renove e se modernize. Há questões inquietantes no seio da juventude brasileira, e talvez os dois maiores sejam a qualidade de ensino, e sem dúvida, o maior de todos, a questão do emprego. Sabe-se que 50% dos jovens na idade de 18 a 29 anos simplesmente se forma e não encontra trabalho. Tanto esforço, tanto sacrifício até a obtenção de um diploma para depois cair na frustração de não poder exercer seu ofício. Ficar acenando com cartazes e palavras de ordem para agitar velhas, surradas e ultrapassadas bandeiras não tornarão a UNE melhor do já foi. Até pelo contrário, a fará cair no descrédito junto aqueles a quem deveriam representar, e cujos interesses deveria defender com denodo e paixão.

Portanto, se a presidente da UNE enveredar pelo caminho com que acenou ao ser empossada, acabará por tornar a entidade que preside inexpressiva e desacreditada. A história da UNE está repleta de lições que Lucia poderia tranquilamente recolher para evitar que cometa os mesmos erros do passado. Se quiser marcar presença em sua gestão, que recolha as lições do passado sem, contudo, perder o foco de olhar para frente, para a modernização da UNE, para a universalização de suas correntes e pluralidade de propostas e alternativas. Fechar-se como corrente partidária de um lado só, convenhamos, é retroceder num tempo gasto e mal acabado. Além, é lógico, de ultrapassado e enterrado. Hoje, para a UNE o que deve contar é abrir caminhos para que a juventude brasileira não tenha no aeroporto mais próximo, sua única alternativa para uma vida pessoal e profissional melhor e com maior qualidade.