quinta-feira, julho 12, 2007

TRAPOS & FARRAPOS

SE ATÉ A CHINA PODE, POR QUE NÃO O BRASIL ?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A Engevix é uma empresa que elabora projetos, mas ganhou um mega contrato de R$ 1,350 bilhão na Petrobras para executar o importante projeto Cacimba, no Espírito Santo. O caso poderia apenas ser inscrito no listão de contratos sem licitação, mas a Engevix é uma das empresas citadas no âmbito da Operação Navalha, da Polícia Federal: seu lobista, Sérgio Sá, é suspeito de intermediar negócios no Ministério de Minas e Energia.

A Petrobras dispensa licitação de empresas que aceitem cumprir contratos idênticos a outros, em execução. Chama a isso de "clonagem".

Agora imaginem vocês se uma coisa destas acontecesse num governo sei lá, tucano, ou peemedebista, por exemplo, o barulho que os militantes e políticos do petê fariam seria ensurdecedor. “Onde já viu contrato sem licitação?” “Isto é imoralidade ! Cadeia neles!!!”. Isto, claro, seria o mínimo. Este segmento político esmerou-se enquanto oposição na farsa da moralidade da coisa pública. No poder, e nem precisou ser federal, municipal mesmo a gente percebe, estes paladinos da moral demonstram uma metodologia toda própria de assalto aos cofres públicos – e até privados, a partir de doações pra lá de suspeitas, algumas até ilegais.

Primeiro, trataram de aparelhar o Estado. Privatizaram o Estado em favor do petê. Aliás, a bem da verdade, eles iniciaram este processo já bem antes, através do sindicalismo vagabundo, com a prática cretina de desmontar a autoridade no poder. Pouco a pouco, os sindicatos dos funcionários públicos, foram aceitando as regras e a subserviência aos caparichos da CUT, esta entendida como o braço sindical do petê. Voltando no passado, vamos relembrar de muitos “dossiês” saídos dos órgãos públicos pelas mãos dos “sindicalizados” e "partidarizados” funcionários para as mãos laboriosas dos petistas. No comando, cérebro destas maquinações, José Dirceu, exercendo seu papel de xerife. Além das greves (é, um dia o petê foi a favor delas no funcionalismo público, claro no governo dos outros!).

Tendo chegado ao poder federal, José Dirceu deu seguimento ao movimento de aparelhar totalmente o Estado, claro que sob o conhecimento pleno de Lula, que era colocado no pedestal com total proteção para não ser atingido em caso de alguma coisa dar errado. Ao melhor estilo da máfia, da ‘cosa nostra” a tática deu certo sempre. Tanto, que apesar de todos os escândalos nascidos e paridos dentro do mandato de Lula, nenhum teve o dom de mexer com sua popularidade. Claro que houve outro canal de estratégia com o fim de fortalecer sua blindagem.

Mas voltando ao ponto central do comentário. Reparem que no caso do mensalão por exemplo, havia uma enorme corrente de empresas privadas e estatais embaralhadas nos procedimentos de achaque aos cofres do tesouro. E sempre e invariavelmente, o grosso do butim direcionava-se ao caixa do partido. De uma forma ou de outra, para lá convergiam todas as ações. Hoje, não é diferente, os caminhos é que podem ter mudado em razão de maior fiscalização seja da sociedade, da parte não corrompida desta devemos ressaltar, e do trabalho da imprensa investigativa e não aderida ao movimento de conformismo desencadeado pelo governo. Um parênteses: movimento de conformismo na imprensa, é o processo pelo qual o governo, o maior anunciante publicitário do país em volume de verbas, destina nacos cada vez maiores para emissoras de rádio e tevê além da imprensa escrita, para aqueles que assumam o compromisso de não criticar o governo Lula, enaltecer seus feitos e endeusar sua figura.

Mas o que interessa neste imbróglio é o seguinte: quem tem a chave do cofre e a caneta que autoriza liberações, é o governo federal, hoje totalmente aparelhado pelo sindicalismo vagabundo e pelo petê. Quem autoriza os bilhões de reais que são enviados para ONGs, movimentos sociais, entidades afins e sem fins ? E aqui o absurdo da coisa: sem nenhuma fiscalização, sem nenhum controle, sem nenhum acompanhamento ou qualquer exigência de contrapartida. Ora fica fácil comprar o silêncio de tanta gente faminta pela grana alheia e sem esforço. O Petê sabe disso e explora isto com muita eficácia, a tal ponto que você não viu viva alma destes movimentos todos sair às ruas contra o mensalão, contra as cartilhas, contra sanguessugas, vampiros e outros bichos. Eles bradam contra Bush, a favor de Castro, Chavez e outros ditadores.

Estourar um escândalo na Petrobrás é até pouco. Este empresa há muito tempo requer uma auditoria independente para se avaliar melhor os critérios de suas contratações sem licitações, além dos tais critérios “técnicos” com que distribui verbas para produções ditas “artísticas”. A coincidência das coincidências é que todo o bolo sobre o qual recaem suspeitas, é em sua grande maioria, direcionado para amigos petistas, militantes, seguidores, simpatizantes e afins. Projetos culturais são invariavelmente alocados em municípios onde a administração municipal esteja em mãos do partido. Nesta semana, noticiou-se que grande parte das liberações de verbas relativas a emendas parlamentares beneficiou petistas e o grande PMDB(sempre ele). Nas liberações de verbas do PAC adivinhem quais municípios mais tem sido agraciados ? Pois então, imaginem que se fossem outros partidos no poder, a gritaria que esta brava gente hospedeira promoveria ? Daí porque sua oposição barulhenta, sabe-se hoje, derivava não de um sentimento de moralidade, mas sim de inveja e ciúme, e a gana de dizerem-se melhores era no sentido de, na prática do ilícito, ninguém mais tem sido tão altaneiro quanto eles.

Vejam na notícia do Estadão sobre como eles tratam dos bilhões liberados para as milhares de ONGs. Nenhuma surpresa, portanto, o comportamento ora revelado em ações da Petrobrás. O dia em que abrirem aquela imensa caixa preta, vai balançar a república toda. Mas fica claro que a Petrobrás é apenas um canal, existem vários outros. Vocês lerão a seguir a questão dos tais corporativos que, desde o ano passado, estamos denunciando como uma das maiores promiscuidades praticadas em administração pública desonesta já feita no país. E como reage este partido outrora defensor irascível da moral pública ? Com transparência ? Ora, de jeito nenhum: senta em cima da informação alegando tratar-se de segurança nacional (santo Deus!), e não presta contas de jeito nenhum do que faz com o dinheiro que, por sinal, não lhe pertence. E não se vê um movimento de reação do Poder Judiciário para por esta gentalha em seu devido lugar !

Sempre que houver uma obra pública ou um programa no qual se invistam milhões e bilhões de reais, estejam certos: de alguma forma desonesta, se tratará de desviar dinheiro público. E isto se dá não apenas no governo do senhor Luiz Inácio, tem sido prática corriqueira desde que o país é independente. Até quando era colônia de Portugal: o quinto de ouro cobrado nas minas para a Coroa Portuguesa sempre teve desvio e sonegação. Nossa história criminal, portanto, vem de muito longe. Mas não se tente justificar com isso a falta de ações para moralização da administração pública. Muito já se avançou nos últimos quinze anos. Mas ainda é pouco. Precisamos criar um sentimento nacional de “basta” ou de “tolerância zero” com a corrupção a exemplo do que já fez a Itália com sua Operação Mãos Limpas, ou do que se irá fazer agora na China. Se até a China pode, por que não poderíamos nós, também ?