segunda-feira, fevereiro 22, 2021

STF leva a Aras acusação contra Bolsonaro por difusão de cloroquina para tratar covid-19

Célia Froufe, 

O Estado de S.Paulo

Assinada pela ministra Rosa Weber, notícia-crime feita pelo PDT ressalta uso ilegal de dinheiro público e risco à saúde por falta de comprovação científica da eficácia do medicamento

  Foto: REPRODUCAO /YOUTUBE/JAIR BOLSONARO

Diagnosticado com a covid-19, presidente Jair Bolsonaro mostrou

 o medicamento durante uma live e recomendou o uso da cloroquina 

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, uma acusação do PDT contra o presidente Jair Bolsonaro. A notícia-crime, enviada pela ministra Rosa Weber, tem como mote o enaltecimento da hidroxicloroquina no combate à covid-19 pelo presidente, mesmo sem haver comprovação científica de eficácia contra o coronavírus. 

O uso do remédio poderia colocar em risco a vida de brasileiros que passaram a usar a medicação após os conselhos de Bolsonaro. Além de difundir a eficácia do medicamento em seus discursos e falas a apoiadores, o presidente também costumava ter uma caixa com a droga em sua mesa quando fazia as tradicionais lives de quinta-feira. 

A transmissão de notícias-crimes protocoladas por partidos políticos para a Procuradoria Geral da República (PGR), para que tome conhecimento e providências que considerar adequadas, é considerada um procedimento comum. Apesar disso, foi a partir de encaminhamentos como estes que foram iniciadas investigações sobre a coordenação do governo na pandemia por Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por exemplo. Sob pressão, o Ministério disse que as negociações com dois laboratórios que produzem a vacina (Pfizer e Janssen) estavam emperradas e pediu publicamente hoje uma orientação do Palácio do Planalto para destravar as tratativas.

O procurador é o único com o poder de oferecer denúncia pela prática de crime comum contra um presidente. Aras terá de decidir agora se pede a abertura de um inquérito pela Suprema Corte, se instaura um procedimento preliminar, se anexa a acusação a outras investigações ou se simplesmente arquiva a denúncia-crime.

O PDT é um dos partidos de oposição ao governo e outros também que estão fora da base aliada de Bolsonaro já usaram esse tipo de instrumento no STF, como o PCdoB e o Cidadania. O PDT ingressou com a petição na Suprema Corte no dia 8 deste mês. No documento, acusou Bolsonaro de expor a vida ou a saúde de pessoas a perigo direto e iminente, de conceder verbas públicas para algo que não estava previsto em lei e dispensar a realização de licitações (desconsiderando os casos previstos em lei) ou deixar de cumprir formalidades exigidas neste caso. A petição traz ainda que foram mobilizados vários ministérios (como Saúde, Economia, Relações Exteriores e Defesa, por exemplo) e outros órgãos para difundir o uso da medicação.

“Houve excessiva difusão da cloroquina, com prováveis ilegalidades no gasto do dinheiro público, quando não há sequer estudo científico que comprove a eficácia do medicamento no combate e prevenção ao novo coronavírus”, denunciou o PDT. O partido também argumentou que, em vez de direcionar recursos para medidas efetivas de combate ao vírus, preferiu apostar em uma medicação sem uso comprovado cientificamente. O documento continua dizendo que diversos estudos sobre a cloroquina apontam justamente que a droga não previne e não tem efeito sobre a covid-19. “Ao prescrever medicamento sem indicação científica para a doença, o senhor Jair Messias Bolsonaro pôs em perigo a vida dos brasileiros que ingeriram uma droga contraindicada em diversos casos clínicos.”


INACREDITÁVEL: Spray israelense para a covid-19 que Bolsonaro quer aprovar com urgência ainda não nasceu

 Juan Carlos Sanz

El Pais

Pesquisa do aerossol nasal EXO-CD24 está em fase preliminar. Netanyahu elogiou os resultados prévios a seu aliado brasileiro e outros governantes

  RONEN ZVULUN 

Bolsonaro e Netanyahu em Israel

 em uma imagem de setembro de 2019.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que pediria à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que aprove com urgência um spray israelense para tratar os sintomas respiratórios da covid-19 “com quase 100% de eficácia”. Na verdade, o aerossol EXO-CD24 ainda não nasceu nos laboratórios do hospital Ichilov de Tel Aviv, onde apenas deu passos preliminares, ainda que promissores. Na primeira das três fases do estudo, 29 dos 30 pacientes analisados se recuperaram de sintomas “moderados e graves” em um prazo de três a cinco dias. A imprensa israelense anunciou imediatamente a boa nova, mas nenhuma das grandes revistas científicas, que aplicam uma revisão exaustiva feita por especialistas, publicou o estudo até agora. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não hesitou em chamá-lo de “medicamento milagroso”.

No vibrante ecossistema de inovação científica e tecnológica de Israel as descobertas são precoces e propagandeadas aos quatro ventos, mesmo que depois não sejam concludentes. Assim avança a pesquisa —com grande financiamento público e privado— sem medo ao fracasso por resultados efêmeros. E graças também a previsões otimistas, como as de Netanyahu, que persegue a reeleição no mês que vem pela quarta vez em dois anos. “Se (o EXO-CD24) funcionar, será algo enorme, simplesmente enorme, em escala global. Desejo que tenha sucesso”, prognosticou o médico Nadir Arber, diretor da pesquisa que o desenvolve. “Essa coisinha (o spray) pode mudar o destino da humanidade. É algo impressionante”, frisou no dia 8 de fevereiro.

Poucas horas depois, em um pronunciamento conjunto com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, Netanyahu segurou uma amostra do spray, que chamou de “medicamento milagroso”. “Se você está infectado pelo coronavírus, gravemente doente e com problemas pulmonares, pegue isso, inale e começará a sentir-se melhor”, recomendou o chefe do Governo de Atenas.

Três dias depois, Bolsonaro, tachado de negacionista da pandemia, anunciou nas redes sociais que iria ligar para Netanyahu para eventualmente importar o spray ao Brasil. “Você está em estado grave? Toma, poxa. Ou vai esperar ser intubado? Quem fica somente com as vacinas é um idiota, porque é preciso ter várias opções”, enfatizou o presidente durante uma live na última quinta-feira. Antes já havia promovido o uso de outros medicamentos, como a cloroquina, cuja eficácia contra a covid- não foi comprovada.

A ligação foi feita na sexta-feira. “Falamos do medicamento israelense que, até agora, está obtendo grande sucesso no tratamento de casos graves”, disse o presidente. Na segunda, Bolsonaro adiantou que, após conversar com seu “bom amigo” Netanyahu, “enviará uma solicitação de análise à Anvisa” para avaliar uma possível aprovação de uso emergencial do EXO-CD24. O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia, com mais de 240.000 mortes (o que o coloca atrás somente dos Estados Unidos) e quase 10 milhões de contágios.

O EXO-CD24 serve para moderar a espiral inflamatória produzida pelo próprio sistema imunológico dos doentes e para prevenir a chamada tempestade de citocinas, potencialmente letal. “O medicamento é inalado uma vez por dia durante alguns minutos, por cinco dias, e é dirigido diretamente aos pulmões”, declarou o doutor Nadir Arber ao portal digital Times of Israel. “Os resultados da primeira fase são excelentes”, afirmou por sua vez Roni Gamzu, diretor do hospital Ichilov e ex-coordenador nacional da pandemia em Israel.

A informação disponível sobre o spray “milagroso”, entretanto, continua sendo incompleta. O laboratório do hospital de Tel Aviv ainda não publicou resultados oficiais de sua pesquisa e se ignora, por exemplo, se foi administrado um placebo a um grupo de controle durante o teste.

Há aproximadamente um ano, a imprensa israelense publicou a iminente obtenção de uma vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Biológica. O centro, ligado ao Ministério da Defesa e ao Gabinete do primeiro-ministro, ainda continua trabalhando em sua busca. O primeiro voluntário do teste em andamento foi inoculado neste mês com um placebo.


Brasil completa um mês com média de mortos pela covid-19 acima de mil

 Andreza Galdeano, 

O Estado de S.Paulo

Segundo o consórcio de veículos de imprensa, foram registrados 1.345 novos óbitos nas últimas 24 horas e 53.049 casos da doença

  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Paciente internado com covid-19 

O Brasil completou nesta sexta-feira, 19, um mês com a média móvel de mortes pela covid-19 acima de mil. O balanço que registra as oscilações dos últimos sete dias e elimina distorções entre um número alto de meio de semana e baixo de fim de semana ficou em 1.051. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, foram registrados 1.345 novos óbitos nas últimas 24 horas e 53.049 casos.

No total são 244.955 mortes registradas e 10.081.693 pessoas contaminadas no Brasil, segundo o balanço mais recente do consórcio formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde. Os dados foram divulgados às 20h. 

O Estado de São Paulo, epicentro da doença no País, chegou a 57.499 mortes e 1.960.564 casos confirmados. Entre o total de casos diagnosticados,  1.722.223 pessoas estão recuperadas. As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 66% na Grande São Paulo e 66,7% no Estado. O número de pacientes internados é de 13.150, sendo 7.003 em enfermaria e 6.147 em unidades de terapia intensiva.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que foram registrados 51.050 novos casos e mais 1.308 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas. No total, segundo a pasta, são 10.081.676 pessoas infectadas e 244.765 óbitos. Os números são diferentes do compilado pelo consórcio de veículos de imprensa principalmente por causa do horário de coleta dos dados.

Consórcio dos veículos de imprensa

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.


Vacinação em massa faz contágio cair 39% em duas semanas nos EUA

 Exame.com

Com informações Estadão Conteúdo

Uma média de 1,7 milhão de pessoas são imunizadas diariamente no país

 (Patrick T. Fallon/Reuters)

Sob ameaça crescente de variantes mais contagiosas e mortais, 

os EUA vêm gradualmente administrando mais doses de vacina a cada dia 

O número de novos casos de covid-19 vem caindo nos EUA – diminuição de 39% nas últimas duas semanas, de acordo com o New York Times. O país registra mil mortos por dia, queda de 18% no mesmo intervalo, e 67 mil pessoas internadas, redução de 28% no período. Vários fatores contribuem para a desaceleração, segundo especialistas, entre eles a imunização em massa defendida pelo novo presidente, Joe Biden.

Na comparação com o pico, registrado em 8 de janeiro, a redução do número de infecções diárias é ainda maior, segundo a Universidade Johns Hopkins: passou de 249,8 mil para 90,2 mil, uma queda de 63%. Ainda assim, à medida que os Estados americanos expandem o programa de vacinação, surge um grave problema no horizonte: a oferta não acompanha a demanda e cresce o risco de faltar vacina.

Sob ameaça crescente de variantes mais contagiosas e mortais, os EUA vêm gradualmente administrando mais doses de vacina a cada dia. Uma média de 1,7 milhão de pessoas são imunizadas diariamente.

Os Estados estão ampliando o acesso para além dos grupos mais vulneráveis e profissionais de saúde, e algumas autoridades estaduais já se dizem prontas para administrar milhares de doses a mais – se houver. Um dado curioso é que o país de 328 milhões de habitantes já garantiu 1,2 bilhão de doses de laboratórios como Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Johnson & Johnson, segundo o Duke Global Health Innovation Center.

Na semana passada, a Califórnia anunciou que expandiria a vacinação para pessoas de qualquer idade com problemas de saúde ou deficiências graves. O Estado, porém, já usou 72% das doses e há escassez em várias regiões. O centro de vacinação do Dodger Stadium, em Los Angeles, foi fechado no fim de semana porque a cidade esgotou seu estoque, segundo o prefeito Eric Garcetti. “Não estamos recebendo (vacinas) em quantidade suficiente”, disse.

De acordo com Brian Kemp, governador da Geórgia, muitos bairros de Atlanta suspenderam os agendamentos porque as entregas não acompanhavam a demanda. Especialistas dizem que expandir a elegibilidade requer um equilíbrio delicado entre priorizar os que estão em maior risco e garantir que nenhuma dose seja desperdiçada.

Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, disse que expandir a vacinação rápido demais pode ser um tiro no pé. “As pessoas ficarão irritadas quando a segunda dose prometida não chegar a tempo.”

Fila de espera

O Estado de Nova York já usou 90% de suas doses, segundo o governador Andrew Cuomo, mas está expandindo a elegibilidade para qualquer pessoa com problemas de saúde. Cuomo acredita que o Estado poderia vacinar mais rápido se tivesse mais doses. Mas, no domingo, no primeiro dia de agendamento para os nova-iorquinos com doenças crônicas, dezenas de milhares recorreram aos sites e muitos foram tiveram de ser colocados na fila de espera.

Apesar de ser uma ferramenta fundamental na contenção da pandemia, a vacina sozinha não é responsável pela queda de contágio nos EUA. A desaceleração, segundo Sarita Shah, professora da Escola de Saúde Pública Rollins, da Universidade Emory, é uma redução natural explicada também pelas festas de fim de ano.

“Já vimos aumentos e quedas algumas vezes. Eles parecem acompanhar os feriados ou os movimentos das pessoas”, disse Shah. A sazonalidade, com o fim do período mais rigoroso de inverno, é outro fator citado. 


Brasil é o país que menos fez quarentena na América Latina. Por isso, teve mais casos e mortes!

 Carolina Riveira

Exame.com

Na comparação com os principais países da região, como Argentina, México, Colômbia e Chile, o Brasil teve os maiores índices de circulação de pessoas para trabalho, varejo e lazer

 (Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

Movimentação na avenida Paulista: a volta à rotina presencial 

foi mais rápida no Brasil, segundo números de deslocamento 

Que os índices de isolamento social têm diminuído nos últimos meses, é sabido. Com o prolongamento da pandemia, mais pessoas encerraram a quarentena e retomaram o trabalho presencial, assim como outras atividades.

O movimento aconteceu em todo o mundo. Mas números de deslocamento do Google ao longo do ano passado mostram que esse processo de retorno à rotina foi mais rápido no Brasil. Mesmo nos piores momentos da pandemia, o Brasil foi o país em que a população mais teve cidadãos se deslocando na comparação com os principais vizinhos da América Latina.

Com exceção de março, primeiro mês de isolamento e quando os índices de mobilidade do Brasil estiveram no nível mais baixo até agora, o Brasil liderou o “ranking da mobilidade” entre os principais países latino-americanos.

Os números são do Google Mobility Trends, compilados pelo banco Morgan Stanley. O Google tem divulgado taxas de mobilidade com base em informações de localização anônimas dos celulares. A empresa usa como parâmetro a visita (e tempo de permanência) em locais de trabalho, lazer ou compras, tendo fevereiro de 2020 — o último mês pré-pandemia — como régua de comparação.

Em todos os países analisados, o percentual de pessoas indo ao trabalho ou a atividades de lazer e varejo (como a lojas e outros centros de compras) foi subindo gradativamente desde março, porém com mais força no Brasil (veja nos gráficos abaixo).

Desde abril o Brasil tem mais de 80% do movimento pré-pandemia no trabalho. Como mostrou reportagem da EXAME, a ida ao trabalho presencial aumenta a circulação de pessoas nos espaços da cidade, como o transporte público, propiciando maiores chances de contágio.

Os números do Google corroboram análise da Pnad-Covid, do IBGE, que mostrou que o Brasil tinha em setembro menos de 10% dos trabalhadores em regime de trabalho remoto, segundo os últimos dados disponíveis.

Em determinado momento, em novembro, o Brasil teve até mesmo maior movimentação de pessoas no trabalho presencial do que em fevereiro, no pré-pandemia. Já em dezembro, os números mostram uma queda brusca nas idas ao trabalho, diante dos recessos de fim de ano.

Foi também em novembro que o Brasil atingiu seu pico de mobilidade para lazer/varejo, mais de 80% da movimentação que foi registrada em fevereiro de 2020.

No fim de janeiro, o Brasil seguia tendo a maior movimentação percentual entre os países analisados: 71% para lazer/varejo (ante 62% do México, segundo colocado) e 93% para trabalho (à frente da Argentina, com 82%).

O Brasil teve menores índices de isolamento mesmo do que países com maior taxa de informalidade e com menor rede de proteção social, como o México, em que 60% da população trabalha no mercado informal, ante 40% no Brasil antes da pandemia — índice parecido ao da Argentina e pouco maior que o do Chile.

Novas quarentenas e a economia em 2021

Os níveis menores de isolamento do Brasil e quarentenas menos restritivas não fizeram necessariamente com que escapassem da crise negócios mais dependes da mobilidade, sobretudo no setor de serviços — como bares, restaurantes, salões de beleza, turismo e outras frentes.

No ano passado, o setor de serviços encerrou em queda de 7,8%, um recorde negativo e muito mais do que indústria (queda de 4,5%) e varejo (alta de 1,2%, beneficiado pelo auxílio emergencial e compras online).

O movimento é especialmente ruim para a economia porque o setor de serviços respondia antes da pandemia por mais de dois terços dos empregos no Brasil.

O Morgan Stanley afirma que uma preocupação é o avanço do número de casos e mortes por coronavírus em toda a América Latina, o que pode levar à imposição de novas quarentenas mais restritas neste começo de ano.

No entanto, o relatório afirma que as restrições de mobilidade nos últimos meses parecem não ter impactado as economias nos mesmos níveis do começo da pandemia, a julgar por índices como o PMI (índice gerente de compras, que serve como um parâmetro da atividade esperada nos meses seguintes para indústria e serviços). O PMI latino-americano enfrenta quedas, mas menores do que em 2020.

Isso se deve, em parte, à adaptação de muitas empresas para continuar os negócios mesmo em meio ao isolamento. Ainda assim, negócios amplamente dependes da atividade presencial devem seguir sofrendo até que se contenha o vírus.

Os analistas do Morgan Stanley apontam que a América Latina como um todo dependerá da velocidade da vacinação para sua recuperação econômica, e que números econômicos melhores devem ser vistos a partir de abril. No ano passado, o produto interno bruto (PIB) da região deve ter caído 6,7%, segundo projeção do banco, e a expectativa é que cresça 4,9% em 2021, ainda sem recuperar totalmente as perdas.

“Embora esperemos quedas sucessivas na atividade na maioria das economias da América Latina no primeiro trimestre, nós visualizamos uma retomada no segundo e terceiro trimestres de 2021, dependendo do resultado das campanhas de vacinação”, diz o relatório. Apesar disso, é possível “que a América Latina fique atrás de outras regiões” na vacinação, especialmente de países mais desenvolvidos.

Por outro lado, a avaliação no relatório é de que os países da região se beneficiam ao ter uma população relativamente mais jovem do que lugares como EUA e Europa, o que tende a sobrecarregar menos o sistema de saúde e levar à imposição de quarentenas menos rígidas por parte dos governos locais.

Apesar disso, o colapso em estados como Amazonas e Pará no Brasil mostra que o coronavírus fora de controle pode levar a hospitais lotados e cenas de tragédia. A segunda onda do coronavírus, em especial com as novas variantes mais contagiosas — já detectadas na América Latina — tem levado países em todo o mundo a novos picos de casos e mortes que devem seguir prejudicando a economia.

Enquanto não se chega a uma vacinação em massa, seguem sendo necessárias medidas de distanciamento a quem puder fazê-lo e conscientização da população para uso correto de máscaras e busca por ambientes ao ar livre. A retomada econômica só acontecerá com combate efetivo ao vírus — e nisso, economistas e médicos estão em total concordância.



Unidos pela vacina

 Notas & Informações, 

O Estado de S.Paulo

Governo federal não trabalhou com diligência para trazer vacinas aos brasileiros a tempo de salvar vidas. Passa da hora de fazer Bolsonaro agir como presidente

A prioridade nacional é a vacinação de todos os brasileiros maiores de 18 anos contra a covid-19, respeitando-se, é claro, a ordem de precedência estabelecida pelas autoridades de saúde. Não é a única prioridade em um país marcado por tantas chagas abertas, mas não é possível dar a atenção necessária a temas como recuperação econômica, reformas estruturais, políticas educacionais e preservação do meio ambiente, enquanto cerca de 1,5 mil brasileiros morrem em decorrência da doença todos os dias. Uma situação como essa paralisa a Nação.

Não se pode vislumbrar um futuro mais promissor para o País se o morticínio causado pelo novo coronavírus não for interrompido o mais rápido possível. A perda de tantas vidas, dia após dia, drena as forças da sociedade, que não pode simplesmente olhar resignada para o ignominioso comportamento do presidente Jair Bolsonaro na condução do País em meio a esta tragédia sem precedentes. São quase 240 mil vidas perdidas por uma única causa em tão pouco tempo, e há de chegar o dia em que o presidente da República terá de responder à Justiça por sua parcela de responsabilidade na produção deste terrível resultado.

É consenso que apenas uma massiva e rápida campanha de vacinação – como só o SUS tem experiência em fazer – pode frear a circulação do vírus e impedir o crescimento desenfreado das internações e mortes por covid-19. Mas, se depender da iniciativa do governo, muita gente morrerá até que o País possa contar com as doses de que tanto precisa.

Em audiência no Senado, na quinta-feira passada, o ministro da Saúde foi incapaz de responder a uma singela pergunta formulada pelas senadoras Rose de Freitas (MDB-ES) e Simone Tebet (MDB-MS): quando haverá vacinas suficientes para imunizar todos os brasileiros elegíveis?

Diante da desidiosa atuação do governo federal, que trata a emergência sanitária na base do improviso e da negação, um grupo de empresários, entidades de classe e veículos de imprensa, entre os quais o Estado, se uniu para ajudar a agilizar a compra de vacinas, o transporte, a distribuição e a aprovação dos imunizantes no País. A sociedade se mexe.

O movimento “Unidos pela Vacina”, é importante frisar, não visa a comprar diretamente os imunizantes. O objetivo é usar a força da sociedade para pressionar todas as esferas de governo, nos limites de suas responsabilidades, a fim de garantir que entre 60% e 70% da população esteja vacinada até setembro.

“Não vamos sair comprando vacinas”, disse a empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza. “O governo federal não precisa de dinheiro para vacinas. Se a necessidade fosse dinheiro, seria mais fácil. Mas podemos agilizar a compra com a influência das nossas empresas.”

De fato, a atribuição de comprar vacinas é do Ministério da Saúde, que as distribui aos Estados e estes, aos municípios. O movimento “Unidos pela Vacina” ajuda muito como mais um instrumento de pressão da sociedade sobre um governo que custa a pegar no tranco.

Os membros do movimento foram divididos em grupos de trabalho. O principal, como não haveria de deixar de ser, é o que trata da disponibilidade de vacinas em quantidade para atender toda a população.

A ciência fez seu trabalho. E com louvor. A partir do primeiro caso registrado de covid-19, no fim de 2019, em poucas semanas o sequenciamento genético do novo coronavírus já havia sido realizado. Daí para o desenvolvimento de não uma, mas de ao menos seis vacinas seguras e eficazes contra o patógeno levou pouco mais de um ano. Um feito científico sem precedentes.

Portanto, há vacinas. O governo federal é que não trabalhou com diligência para trazê-las aos brasileiros a tempo de salvar vidas. E não o fez porque Jair Bolsonaro não quis. É tão simples quanto isso. Passa da hora de fazê-lo agir como presidente da República.


Com vacinação lenta e casos em alta, Brasil pode ter novo pico de covid-19

Gilson Garrett Jr.

Exame.com

Em até duas semanas após o Carnaval o país deve ter um aumento da pandemia. O que preocupa os especialistas é que os números já estão altos

  (Amanda Perobelli/Reuters)


O Brasil está há 25 dias com a média diária de mortes por covid-19 acima de mil, segundo os dados do consórcio de imprensa atualizados no domingo, 14. A média de casos está acima de 40 mil por dia. O país vacinou um total de 5 milhões de pessoas desde o dia 17 de janeiro, 2,4% da população.

Apesar de avançar, a imunização ainda vai demorar para atingir a chamada imunidade de rebanho. Com todo este conjunto de fatores, é possível que o Brasil enfrente um novo pico da pandemia de coronavírus. Isso pode ocorrer em até duas semanas após o Carnaval – o período de 14 dias é o tempo de incubação do vírus.

“Vai depender muito do comportamento das pessoas. A gente não sente uma preocupação. Essa segunda onda está mais difícil de ser mitigada. Eu me preocupo. Provavelmente a gente vai ter um pequeno repique duas semanas depois do Carnaval”, alerta Eliseu Waldman, epidemiologista do Departamento de Epidemiologia e Saúde Coletiva da Universidade de São Paulo.

O que chama atenção – e o mais preocupante agora segundo os especialistas – é que no meio do ano passado, quando atingimos o pico de casos e de mortes, boa parte da população estava em algum tipo de isolamento. Neste momento, praticamente toda a atividade econômica está funcionando, e muitos estados e municípios autorizaram o retorno das aulas presenciais.

“No geral, voltamos à situação gravíssima em que estávamos no primeiro semestre de 2020. Olhando com mais detalhe, há muitas situações diferentes pelos estados do Brasil, como sempre aconteceu com a pandemia.  Mas chama a atenção que muitos estados têm agora seu recorde de casos, óbitos ou internações”, explicam os pesquisadores e membros do Observatório Covid-19 BR, Roberto Kraenkel, Monica De Bolle e Paulo Inácio Prado.

Outro ponto preocupante, na avaliação dos especialistas em saúde ouvidos por EXAME, são as variantes do coronavírus, que potencialmente são mais transmissíveis. No caso de Manaus especificamente, vimos nas últimas semanas o colapso do sistema de atendimento hospitalar e, mesmo com ajuda de outros estados e do governo federal, os casos, mortes e internações não diminuíram.

“Sem o isolamento social adequado, Manaus deve enfrentar uma terceira onda ainda em 2021. É necessária uma fiscalização forte da polícia para garantir o fechamento de Manaus. Além disso, é impensável a volta às aulas presenciais para qualquer local do Brasil neste momento, justamente para impedirmos o espalhamento da variante que surgiu no Amazonas”, destaca Lucas Ferrante, biólogo e doutorando do programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Ferrante faz parte de um grupo de cientistas que deve publicar um novo artigo nas próximas semanas com as projeções da covid-19 para 2021.

O grupo de pesquisadores do Observatório Covid-19 BR pontua também que ainda não há estudos claros sobre a transmissibilidade da variante de Manaus. Mas até termos uma resposta é preciso um esforço de vigilância sanitária de controle do vírus.

“Não se sabe ainda se a variante de Manaus é mais transmissível, ou se ela tem potencial de infectar pessoas que já tiveram a doença antes. O que podemos dizer hoje é que existe a possibilidade desta variante ser o motor de um novo crescimento de casos. Vale porém lembrar que esta não é a única variante que preocupa”, dizem.

Mais vacina só no fim do mês

Além do isolamento, a velocidade da vacinação precisa aumentar para combater a pandemia. “A principal medida é tentar acelerar o processo de vacinação. O Brasil está começando a ter uma porta irregular de insumos. Existe também a possibilidade de outras vacinas com desempenho semelhante. Aparentemente o Ministério da Saúde está sendo pressionado e se mexendo”, afirma o epidemiologista Eliseu Waldman.

Com a chegada de mais dois lotes do chamado IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), o Instituto Butantan vai começar a liberar a partir do dia 23 de fevereiro 600 mil doses do imunizante diariamente ao Ministério da Saúde.

“A partir do dia 23 de fevereiro nós estaremos liberando 600 mil doses da vacina por dia pelos 30 dias seguintes. Obviamente que chegará mais matéria-prima da China, que não haverá mais interrupção. Vamos produzir 46 milhões de doses e outras 54 que estão em contratação pelo Ministério da Saúde”, disse o diretor do Butantan, Dimas Covas, em entrevista coletiva na semana passada.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu na semana passada o primeiro lote do IFA, capaz de produzir até 2,8 milhões de vacinas contra a covid-19. Está programa a chegada de mais lotes na próxima semana e a liberação das vacinas deve começar em março. Paralelamente, a Fiocruz ainda negocia a aquisição de mais 2 milhões de vacinas prontas, para tentar agilizar o processo.

(Com Informações Estadão Conteúdo)


Um Ministério da Saúde encurralado amplia tensão nos bastidores, e técnicos criticam falta de planejamento

 Beatriz Jucá

EL PAIS

Ministro tenta provar que não demorou a agir na crise de Manaus, enquanto investigação avança com anuência do STF e senadores cobram explicações. Funcionários reclamam que estão sendo enviados à cidade sem missão definida

  BRUNO KELLY / REUTERS

O Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante 

uma viagem ao Amazonas, em 26 de janeiro de 2021.

Quase um ano depois da confirmação de seu primeiro caso de covid-19, o Brasil se vê diante de um Ministério da Saúde imerso em uma longa lista de desgastes. O cerco contra as ações do ministro Eduardo Pazuello se fechou ainda mais nesta segunda-feira, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou que a Polícia Federal realize diligências para apurar as ações do mandatário durante o colapso da saúde do Amazonas, quando faltou oxigênio para os doentes graves. Entre as medidas autorizadas estão o acesso à troca de emails institucionais envolvendo o ministério e as secretarias estadual e de Manaus sobre os problemas, novos depoimentos da fornecedora dos cilindros, a White Martins, e o levantamento de gastos de aquisição e distribuição de cloroquina, hidroxicloroquina e de testes para detectar o coronavírus. Lewandowski determinou ainda a identificação e o depoimento dos desenvolvedores do aplicativo TrateCOV, que, conforme relatou reportagem do EL PAÍS, indicava o uso da cloroquina para qualquer tipo de paciente que acessava a planaforma.

O grave colapso do sistema de saúde de Manaus ―onde pacientes com covid-19 morreram asfixiados― e a abertura do inquérito de investigação na Polícia Federal para apurar se houve omissão de Pazuello elevaram a pressão sobre uma pasta já marcada por controvérsias no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Enquanto o ministro da pasta mergulha em um malabarismo retórico para agora negar medidas como, por exemplo o estímulo ao tratamento precoce a partir do uso de medicações sem eficácia contra a doença e tenta convencer que não demorou a negociar vacinas, um novo elemento tem injetado mais pressão ao cenário: a possibilidade de abertura de uma CPI no Senado. O clima de tensão vem repercutindo internamente no trabalho de técnicos da pasta, que criticam “missões atabalhoadas” para Estados do Norte, vistas por eles como uma estratégia de defesa para mostrar ações proativas diante das investigações. Nos bastidores políticos de Brasília, a sensação é a de que, por enquanto, as explicações dadas por Pazuello na semana passada ao Senado não foram convincentes o suficiente. O Planalto ainda trabalha para impedir a CPI.

Na última quinta-feira (12), Pazuello foi participou de uma sessão organizada por senadores governistas para dar a ele a chance de ser ouvido antes da decisão sobre a instalação da possível CPI. O ministro abraçou a missão. Chegou a comparar as derrotas da Alemanha nas duas grandes guerras mundiais para pedir aos senadores que não abrissem uma nova frente de combate à pandemia ―a política― e se ativessem a uma guerra técnica conjunta para enfrentar o vírus. Argumentou que um embate político neste momento poderia desarticular a estratégia do Governo. “Queria fazer o meu alerta: a Alemanha perdeu a guerra duas vezes porque ela abriu a frente russa. Todo mundo avisou ao ditador que não devia abrir a frente russa, e ele abriu. Não há como manter duas frentes”, afirmou o ministro. “Se nós entrarmos em uma nova frente nesta guerra, que é a frente política, nós vamos ficar fixados. Se fixarmos a tropa que está no combate, vai ser mais difícil ganhar a guerra.”

Para se defender de uma suposta demora nas ações para socorrer Manaus, Pazuello disse que após ouvir relatos de “gente se contagiando mais que o normal” feitos por amigos e familiares da cidade, reuniu sua equipe ainda em dezembro. Determinou a transferência de recursos ao Estado e decidiu enviar uma equipe técnica para analisar a situação no local. Mas o grupo, chefiado pela Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, chegou em Manaus apenas dias depois, em 3 de janeiro. A missão produziu um documento da pasta que reconhecia a “possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, em 10 dias”. Mas, segundo Pazuello, não houve nenhum alerta específico sobre um colapso de oxigênio. No dia 14 de janeiro, hospitais da cidade colapsaram e faltou até este insumo básico. Pessoas morreram asfixiadas.

Conforme contou Pazuello aos senadores, o problema de oxigênio começou a ser apresentado apenas em 7 de janeiro, quando recebeu uma ligação da Secretaria da Saúde pedindo ajuda para o transporte de oxigênio de Belém a Manaus. Um relatório de sua equipe dois dias depois apontou, conforme o ministro, que o foco de uma reunião no Estado havia mudado pelo relato de colapso dos hospitais e problemas técnicos na rede de oxigênio. Segundo Pazuello, técnicos afirmaram que o desabastecimento resultava de “problema na rede de gás do município” e de “deficiência na gestão dos hospitais”. “Rede de gases são os tubos de gases e não o oxigênio que vai dentro. Pressurização entre o município e o Estado é regulação entre um e outro.” E argumentou que só teria responsabilidade no colapso de Manaus se houvesse faltado recursos para a compra, mas não pelo desabastecimento.

“Os fatos relatados puros e secos indicam deficiência na gestão dos hospitais por colapso e dificuldades técnicas em redes de gases. Em momento algum fala sobre falta de oxigênio, colapso de oxigênio ou previsão de falta de oxigênio”, afirmou o ministro. Ele defendeu que, a partir do momento em que ficou clara a dificuldade de abastecimento do insumo hospitalar, agiu com apoio logístico para o envio de cilindros, requisitou usinas de produção e organizou a transferência de pacientes para hospitais federais de outros Estados, bem como abriu mais leitos. Segundo ele, a estratégia agora é fabricar oxigênio no Amazonas e em outros Estados do Norte que enfrentam problemas de abastecimento do insumo. A tentativa de explicar o colapso, no entanto, não parece ter arrefecido o clima no Senado, embora o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, esteja “protelando” a abertura da CPI, segundo um senador ouvido pelo EL PAÍS. Em entrevista à imprensa, ele disse que agora conversará com lideranças sobre a pertinência de instalá-la neste momento.

Pressão interna na atuação do Ministério

As críticas que já vinham sendo feitas às ações do Ministério da Saúde no combate à pandemia ganharam mais força a partir do colapso de Manaus e impactaram internamente nos trabalhos da pasta. Contribuiu para esta pressão a publicação de um documento assinado por Mayra Pinheiro, secretária que liderou a primeira missão de visita ao Estado, que contradiz o próprio ministro quando ele diz que não recomenda medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19. Em ofício enviado à Secretaria da Saúde de Manaus, ela dizia ser “inadmissível” a não-utilização de medicações como o antimalárico cloroquina e o antiparasitário ivermectina para controlar a pandemia em Manaus. A exposição do documento pela imprensa e a investigação sobre a atuação da pasta elevaram a pressão sobre outros secretários e diretores, responsáveis por assinar os documentos que oficializam ações e orientações da pasta.

Segundo funcionários do ministério ouvidos pelo EL PAÍS na condição de anonimato por medo de represálias, o nível de cobrança às equipes técnicas aumentou desde a investigação pedida pela PGR, especialmente aos que trabalham com o Centro de Operações de Emergência (COE). “Relatórios que tragam informações comprometedoras do dia a dia geram polêmica. Há um óbvio tensionamento no ar para que o ministro consiga justificar no inquérito que ele tomou as decisões que deveria. Está usando a estrutura do ministério de forma atabalhoada para dar conta de construir alguma justificativa plausível”, diz um funcionário que atua há mais de 10 anos na pasta.

Pazuello intensificou as viagens a Manaus desde a crise sanitária e a abertura das investigações. Um dia após a sabatina no Congresso ―onde alguns senadores avaliam que ele não conseguiu sanar dúvidas e convencê-los de sua atuação proativa―, ele anunciou que embarcaria outra vez para a capital do Amazonas para tratar da crise. Nas últimas semanas, o ministério também tem ampliado o envio de técnicos do Ministério da Saúde para apoiar gestores locais. Mas funcionários da pasta contam que estas viagens têm sido determinadas sem missões claras e coordenadas, como normalmente ocorria.

Um deles contou que técnicos estão sendo convocados para viajarem e só então verem com os gestores locais como poderiam ajudar no enfrentamento à crise. “Não tem um planejamento prévio do que se vai fazer lá. Uma colega enfermeira que trabalha com gestão contou que foi perguntada no Amazonas se ela poderia ajudar no hospital”, diz. Outro funcionário, que foi convocado para viajar, disse que o clima internamente já era tenso, mas piorou a partir da investigação. “A polêmica em relação a estas viagens é que foram decorrentes do inquérito. As viagens não têm plano. Servidores e até bolsistas são escalados de um dia pro outro. Há uma exigência equivocada de uma participação de pessoas de cada secretaria independentemente se têm relação com o problema a ser resolvido”, critica. Ele argumenta ainda que técnicos não estão preparados para resolver o problema de uma hora para outra e que as decisões estratégicas partem dos dirigentes. “É desproporcional para a responsabilidade de um técnico”, acrescenta.

Em meio à crise, as coletivas técnicas da pasta, que já vinham sendo espaçadas no ano passado, passaram a ser marcadas por um amplo hiato. A última aconteceu em 13 de janeiro, mesmo com uma nova variante do vírus potencialmente mais transmissível se espalhando pelo país. É neste momento que a pasta apresenta suas análises epidemiológicas de como a pandemia avança pelo Brasil. Geralmente, os encontros eram conduzidos pelos secretários, já que a frequência de Pazuello sempre foi pequena.


“O povo não precisa de arma. Precisa de vacina”, afirma o vice-presidente da Câmara

 Tribuna da Internet

Andréia Sadi, Portal G1


 Deputado Marcelo Ramos acredita 

que polêmica vai parar no STF


O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), acredita que a decisão do presidente Bolsonaro que ampliou – e facilitou – o acesso da população a armas será barrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao blog, ele disse que há “um uso da questão do CACs [sigla para colecionadores, atiradores e caçadores] para dissimular o desejo de armar a população”. “O povo não precisa de arma. Precisa de vacina”, afirmou.

QUATRO DECRETOS – 

Na última sexta-feira, dia 12, o presidente da República assinou quatro decretos que modificam atos anteriores editados por ele mesmo. A flexibilização no uso e na compra de armas foi uma das principais promessas de campanha do presidente e uma das principais causas defendidas por ele ao longo do mandato.

Decretos são atos do presidente da República que devem regulamentar leis. Por isso, não passam pela aprovação do Congresso. No caso, Bolsonaro afirma que está regulamentando o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003. As novas regras passam a valer em 60 dias. “Acho que esta história vai acabar sendo resolvida pelo STF, cada vez mais estamos transferindo as questões legislativas para a Corte”, critica Marcelo Ramos.

Entre outros pontos, os decretos aumentam o número de armas que um cidadão comum pode adquirir; ampliam o número de categorias profissionais que têm direito a comprar armas e munições controladas pelo Exército; flexibilizam a comprovação de aptidão psicológica para colecionadores, atiradores e caçadores (CACs); e mudam as regras de munição e armas para os CACs.

ALVOS DE CRÍTICAS – 

Os novos decretos de Bolsonaro sobre armas também foram alvos de críticas de entidades da área de segurança pública. Ramos, que é vice-presidente da Câmara e foi eleito na chapa do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) – e, portanto, aliado do Palácio do Planalto –, afirmou ao blog que não está falando pela instituição. Mas que “tem juízo” e é contra “conteúdo e forma” da decisão de “armar a população”.

No domingo, dia 14, nas redes sociais, Ramos disse que Bolsonaro exacerbou sua competência e que o presidente pode discutir sua pretensão, mas encaminhando projeto de lei à Câmara.


'Vacina de vento': saiba como ter certeza de que foi imunizado

 Lívia Neder, Cíntia Cruz e Vera Araújo

O Globo

Estado do Rio já registrou pelo menos três casos com suspeitas de irregularidades na aplicação das doses

  Foto: Reprodução


Vídeo feito pela família mostra rapaz aplicando vacina

 no posto drive-thru da Barra, mas líquido não foi injetado 

A polícia investiga três denúncias de aplicação de vacina em que a seringa estava vazia ou o produto não foi injetado. Os casos só vieram à tona porque foram filmados por parentes. Após uma idosa de 94 anos receber uma dose de ar em Petrópolis, na Região Serrana, na última sexta-feira, a prefeitura mudou o protocolo de imunização na cidade. Os técnicos de enfermagem estão sendo orientados, agora, a mostrar as seringas cheias e, depois da aplicação, elas vazias. Houve casos parecidos no Rio e em Niterói. Os acusados poderão responder por peculato — crime em que funcionário público age em proveito próprio ou alheio.

— A partir da divulgação do vídeo pelas redes sociais, instauramos o procedimento para apurar as circunstâncias da vacinação da idosa. A prefeitura está colaborando bastante com as investigações e, inclusive, já mudou os protocolos de imunização — afirmou o delegado João Valentim, titular da 105ª DP (Petrópolis).

 Foto: Reprodução 

Nesta aplicação em Petrópolis, 

a seringa não tinha líquido 

Na imagem, é possível ver que a seringa está vazia. Após a família denunciar o que havia acontecido, a idosa foi vacinado em casa no sábado. A técnica de enfermagem foi convocada a depor na delegacia. Procurada pelo EXTRA, ela não quis falar.

A Prefeitura de Niterói também afastou uma técnica de enfermagem que inseriu a agulha no braço de um idoso no posto do Gragoatá na última sexta-feira e não empurrou o êmbolo. Com a queixa da família, o idoso foi vacinado em casa no mesmo dia.

 Foto: Reprodução 

Em Niterói, 'vacinas de vento' 

No Rio de Janeiro, um caso semelhante ocorreu no posto drive-thru no Parque Olímpico, na Barra. Um rapaz, que seria estudante de Medicina, aplicou a agulha da seringa e não empurrou o êmbolo. A família percebeu na hora, e uma outra dose foi aplicada.

A pediatra, alergista e imunologista Fernanda Fagundes, professora de Alergia e Imunologia da Unigranrio, explicou que uma dose de ar pode causar inchaço e dores:

— A vacinação é intramuscular. Então, o que pode ocorrer é dor local e inchaço. Se, por acaso, pegar algum vaso e for injetada uma quantidade em torno de 50 ml de ar rapidamente, aí tem risco de fazer embolia.

Direitos do paciente

Professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, Mario Roberto Dal Poz lembrou que o paciente tem direito a pedir para olhar o frasco da vacina e a seringa antes e depois da aplicação:

— Idosos têm direito a estarem acompanhados. O procedimento correto é o próprio profissional de enfermagem mostrar a seringa antes, durante e depois. Mostrando que a seringa vai ser aberta etc. Tem toda uma norma técnica, um protocolo que deve ser seguido.

É importante saber que os idosos têm direito a um acompanhante na hora da imunização. A presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, Tânia Vergara, aconselha que o idoso e seu acompanhante prestem atenção no ato da vacinação.

— O recomendado é ficar de olho em todo o processo: desde a retirada da dose do frasco até a aplicação — orienta a especialista.

Atenção ao processo: Sempre que possível e evitando aglomerações, ficar atento a todo o processo de vacinação.

Conteúdo da seringa: Pedir para ver a seringa antes e após a aplicação; Verificar se o frasco com a dose aplicada está vazio.

Número do lote: Conferir se o número do lote que consta no comprovante de vacinação é o mesmo que é informado no frasco.

Registrar com celular: Filmar e fotografar o ato da vacinação, se necessário.


"Sem comando federal, é cada estado por si na pandemia"

 Edison Veiga

Deutsche Welle

Em entrevista, jornalista conta como o Maranhão, estado com menor número proporcional de mortes por covid-19 no país, driblou o Ministério da Saúde para obter respiradores da China. A operação secreta virou livro. 

 Com investimento de R$ 6 milhões, o governo maranhense

 conseguiu trazer 107 respiradores da China

O Maranhão é o estado com, proporcionalmente, o menor número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil. Até esta terça-feira (16/02) eram 685 mortos por milhão de habitantes – pouco mais do que a metade do índice nacional, de 1.138 mortos por milhão. Amazonas (com 2.400 mortos por milhão), Rio de Janeiro (1.821) e Roraima (1.576) são as unidades da federação que lideram essa triste estatística. 

Desde abril do ano passado, o jornalista e escritor Wagner William passou a observar e apurar cada movimento do governo maranhense na gestão da crise sanitária. No recém-lançado livro A Operação Secreta Etiópia-Maranhão - A Guerra dos Respiradores no Ano da Pandemia (Editora Vestígio), ele esmiúça os atos que explicam o relativo sucesso do estado no combate à covid-19.

Isso vai desde o fato de o Maranhão ter sido o primeiro estado brasileiro a decretar lockdown – em 5 de maio – até a cinematográfica operação que empresta título à obra. Em meio a uma disputa mundial por respiradores, depois de ter negociações atravessadas pelo governo federal, o estado montou uma operação logística especial para conseguir os esquipamentos.

Com investimento de R$ 6 milhões e a participação de 30 pessoas, o governo maranhense conseguiu trazer 107 respiradores e 200 mil máscaras da China em abril. Uma escala na Etiópia foi planejada para que não houvesse risco de confisco do material no meio do caminho.

"Era uma história muito inacreditável e, ao mesmo tempo, muito surpreendente", diz o jornalista em entrevista à DW Brasil. "Mas [acredito que] os números refletem não somente a operação, mas a filosofia do governo estadual de defender a vida e a ciência."

DW Brasil: O que o levou a mergulhar nessa história?

Wagner William: No dia 16 de abril, a Folha [de S. Paulo] publicou uma matéria com essa coisa meio inacreditável de como o governo do Maranhão teve de driblar o governo federal para comprar respiradores numa pandemia. Achei revoltante. Quatro dias depois foi publicada outra notícia, dando conta de um bloqueio, do Ministério da Saúde, de uma compra que o Maranhão havia realizado em janeiro. [A operação] foi inacreditável, mas demonstra um desespero de um estado que percebeu que não teria apoio do governo federal, teria de se virar sozinho.

O Maranhão só é o melhor estado no combate, nos números da pandemia, por decisões de seu governador [Flávio Dino, do PC do B]. Assim como o Brasil está sendo imunizado por decisão de outro governador, o de São Paulo [João Doria, do PSDB]. Ambos, tanto o que trouxe a [primeira] vacina, quanto o que trouxe os respiradores, ideologicamente, não têm ligação nenhuma, mas reforçam que foi necessário que os estados tomassem providências. Porque se dependesse do governo federal, o número de mortes seria bem maior.

O seu livro parte da operação para detalhar a maneira como o governo maranhense conduziu a pandemia ao longo de 2020. Qual a síntese, então?

Era uma história muito inacreditável e, ao mesmo tempo, muito surpreendente. Chequei várias vezes os detalhes, parecia negócio de espionagem. A atuação do governo maranhense foi perfeita. Hoje, é o estado com menos mortes por milhão. Mesmo tendo um dos piores PIBs do país [17º, em dados de 2018], um dos últimos IDHs [penúltimo, conforme dados de 2017]. Diante dessa proeza, não há o que questionar quanto à atuação do governo do estado maranhense.

Mas [acredito que] os números refletem não somente a operação, mas a filosofia do governo estadual de defender a vida e a ciência. Não posso falar somente da operação. Porque [os números melhores] se explicam pelo fato de que o Maranhão não se autossabotou depois, manteve uma linha de ação a favor da vida, da ciência, sempre buscando resultados. Neste contexto, o livro evoluiu naturalmente.

O que foi a operação Etiópia-Maranhão?

O governo do Maranhão resolveu acompanhar com atenção a pandemia desde o início, por isso ainda em janeiro [de 2020], eles determinaram a compra de respiradores, de uma empresa de Santa Catarina. Em 19 de março, eles receberam um ofício do Ministério da Saúde confiscando os respiradores que iam ser entregues [com base da na lei 13.970/2020, que dispõe sobre medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus, o governo federal havia requisitado todos os equipamentos]. Ao mesmo tempo, o voo que traria os respiradores para o Consórcio Nordeste [criado em 2019 para integrar os nove Estados da região] ficou em Miami, porque, ao que tudo indica, empresas norte-americanas haviam comprado o material, produzido da China, em pleno voo.

Então, o governo maranhense passou a tentar comprar diretamente da China. A primeira reserva foi bloqueada em seguida, porque empresas da Alemanha compraram. A segunda, foi bloqueada por norte-americanos. Temendo um colapso, o governo procura um grupo de empresários. Essa foi uma grande sacada [a parceria com a iniciativa privada]. Eles começaram a administrar essa compra. O grupo empresarial encontrou uma empresa [chinesa], colocou seus funcionários lá. Esses funcionários acompanharam e foram retirando os respiradores conforme eles eram produzidos. E guardando em um depósito, um galpão, para evitar que qualquer outro interessado visse e tentasse atravessar.

Com os respiradores prontos, havia o receio de confisco no voo ou na escala.. Então [por meio de uma importadora brasileira] aconteceu um lance de sorte, que foi a Ethiopian Airlines. Eles tiraram os bancos da aeronave, transformando seu avião em cargueiro e se comprometeram a entregar, o que era raríssimo naquele momento. O voo saiu da China, fez escala na África e chegou a São Paulo. Com os 107 respiradores e as 200 mil máscaras.

O governo federal atrapalhou o Maranhão?

O governo Bolsonaro atrapalhou e foi um dos principais motivadores dessa operação. O Ministério da Saúde confiscou uma compra que o Maranhão tinha feito em janeiro de empresas brasileiras, de 68 respiradores. Aí foi preciso realizar uma operação realmente secreta, detalhada, e, é bom que se diga isso, com apoio do empresariado maranhense -- eles ajudaram e participaram decisivamente.

Qual sua avaliação sobre a gestão federal da crise sanitária?

O governo Bolsonaro é isso: três ministros da saúde, sendo que o último ficou interino por meses; faltou respirador; faltou kit intubação, que são os sedativos e anestésicos utilizados no procedimento; milhares de testes perderam a validade; faltaram cilindros de oxigênio; e tem a negação da vacina. Nem preciso dar minha opinião. Os fatos estão aí. Não tem como reescrever a história, basta observar os fatos para que esse governo seja analisado quanto à sua culpa inquestionável em relação à pandemia.

Há movimentos para se fazer a CPI da Pandemia. Acho que os crimes que foram cometidos durante o enfrentamento da pandemia não podem ficar impunes, esses não. Escândalo de corrupção já está no nosso DNA, mas esse [tipo de crime] não pode [ser esquecido], porque a conduta do presidente acabou provocando muitas mortes. Não pode sair impune.

Não deveria ter havido essa operação [feita pelo governo maranhense para conseguir os respiradores]. O que deveria ter havido era um comando [federal] da crise. Mas a natureza preenche um vácuo. Se não há comando, não há liderança, é cada um por si. Como se viu no caso da vacina, um desespero total.


Capitais começam a suspender vacinação por falta de doses; veja lista

 Portal G1

Salvador e Cuiabá foram as primeiras capitais a interromper a vacinação contra o novo coronavírus, nesta terça-feira (16). Nos dois casos, a suspensão foi na primeira dose. A segunda dose está assegurada para quem já recebeu a primeira dose.

Prefeituras suspendem vacinação 

com fim de estoques de imunizantes

A falta de doses de vacina contra o Covid-19 tem levado capitais brasileiras a suspender a imunização da população --ou a anunciar a paralisação para os próximos dias.

Salvador e Cuiabá foram as primeiras capitais a interromper a vacinação contra o novo coronavírus, nesta terça-feira (16). Nos dois casos, a suspensão foi na primeira dose. A segunda dose está assegurada para quem já recebeu a primeira dose, seguindo recomendação do Ministério da Saúde.

 

Foto: Reprodução/TV Bahia

Filas são encerradas em posto para vacinação

 de idosos na Arena Fonte Nova, em Salvador 

A cidade do Rio informou que deixou de vacinar a partir  quarta-feira (17). A prefeitura de Curitiba anunciou que a campanha de vacinação segue até sexta-feira (19) na cidade. Em Florianópolis e em Fortaleza, as doses também estão acabando (veja lista abaixo).

Nesta quarta (17), governadores cobrarão o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a necessidade de um calendário que assegure a entrega de vacinas aos estados.

Entidades representativas também protestaram. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) pediu a demissão de Pazuello em razão da suspensão de vacinação em cidades brasileiras. A Frente Nacional de Prefeitos questionou o Ministério da Saúde sobre a necessidade de um cronograma de imunização.

Questionado sobre as declarações das entidades, o Ministério da Saúde disse que tem trabalhado, junto com seus "dirigentes e corpo técnico", "diuturnamente para dar a melhor resposta à sociedade".

Capitais que suspenderam a vacinação ou que têm data para suspender:

Cuiabá: suspendeu a primeira dose nesta terça (16). Segunda dose está assegurada para quem já recebeu a primeira dose.

Salvador: suspendeu a primeira dose nesta terça (16). Segunda dose está assegurada para quem já recebeu a primeira dose.

Rio de Janeiro: suspenderá a primeira dose na quarta (17). Segunda dose está assegurada para quem já recebeu a primeira dose.

Capitais que informaram ter poucas doses de vacina:

Curitiba: informou que suspenderá vacinação após a sexta-feira (19) caso não receba novas doses

Florianópolis: informou que vacina pode acabar nos "próximos dias"

Fortaleza: pelo ritmo de vacinação, estoques para a primeira dose acabarão em 4 dias


Bolsonaro diz que Anvisa receberá pedido para uso emergencial de spray nasal israelense contra covid

 Eduardo Rodrigues, 

O Estado de S.Paulo

Mais testes em humanos são necessários para mostrar se o medicamento funciona; presidente defende que o Brasil participe de pesquisas

  Foto: Abir Sultan / EFE

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o premiê de Israel, 

Binyamin Netanyahu, durante evento em 2019 

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 15, em duas redes sociais que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) receberá em breve um pedido de análise para uso emergencial de um medicamento israelense no combate à covid-19. O presidente já havia citado a possibilidade de importar a droga, chamada EXO-CD24, na última quinta-feira, 11, após conversa por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.


“EXO-CD24 é um spray nasal desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Israel, com eficácia próxima de 100% (29/30), em casos graves, contra a covid. Brevemente será enviado à Anvisa o pedido de análise para uso”, afirmou Bolsonaro nesta segunda-feira, sem deixar claro quando e quem enviará o pedido à agência.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, acadêmicos israelenses afirmaram que 29 dos 30 pacientes com casos moderados a graves de covid-19 tratados com EXO-CD24 tiveram uma recuperação completa em cinco dias. Mais testes em humanos são necessários para provar que a droga inalada - desenvolvida como um medicamento para combater o câncer de ovário - realmente funciona.

O estudo não comparou a droga a um placebo, o que significa que os cientistas não podem afirmar com certeza se o medicamento está por trás da rápida recuperação dos pacientes. Bolsonaro defende que o Brasil participe da terceira fase de testes do medicamento.


Pressionado, Pazuello pede ajuda do Planalto para comprar vacinas da Janssen e Pfizer

 Marlla Sabino e Célia Froufe, 

O Estado de S.Paulo

Governo atribui impasse nas negociações à falta de flexibilidade das farmacêuticas

  Foto: Dida Sampaio/ Estadão

Eduardo Pazuello, ministro da Saúde 

BRASÍLIA - Numa ação rara, o Ministério da Saúde resolveu solicitar de forma pública ao Palácio do Planalto um auxílio para a compra de novas vacinas contra a covid-19. A pasta, comandando pelo general Eduardo Pazuello, declarou por meio de nota divulgada na noite deste domingo, 21, que deseja comprar imunizantes da Janssen e da Pfizer, mas que as propostas apresentadas pelas empresas vão além de sua capacidade de prosseguir as negociações para contratação. Por isso, recorreu à Casa Civil.

Além de pedir orientação de forma aberta, o Ministério disse esperar uma resposta do Planalto entre segunda-feira, 22, e sexta-feira, 26),para saber como deve proceder para solucionar impasses nas negociações iniciadas em abril do ano passado com os dois laboratórios. De acordo com a Saúde, as transações estão "emperradas" por falta de flexibilidade das empresas.

"Queremos salvar vidas e comprar todas as vacinas comprovadamente efetivas contra o coronavírus aprovadas pela Anvisa. Desde abril de 2020, começamos a conversar com a Janssen e, um mês depois, com a Pfizer, mas as duas empresas fazem exigências que prejudicam interesses do Brasil e cederam pouquíssimo nisso, ao contrário de outros fornecedores", trouxe o texto assinado pelo secretário executivo do Ministério, Elcio Franco.

O comunicado relatou também que a pasta enviou um ofício na quarta-feira passada, 17, à Casa Civil descrevendo o desgaste e atribuindo o impasse às companhias. "Diante dessas dificuldades e da Janssen e Pfizer não terem nos permitido avançar na compra das vacinas, remetemos um ofício que certamente buscará orientação junto a outros órgãos federativos e nos ajudará a encontrar soluções que extrapolam os limites legais do Ministério da Saúde", reforçou Franco.

O Ministério transcreveu uma parte do ofício que encaminhou à Casa Civil indicando que as tratativas comerciais se encontravam sem avanço: "(...) em virtude das limitações jurídicas vislumbradas para a contratação em conformidade com a legislação brasileira, entende-se que a presente análise extrapola a capacidade do Ministério da Saúde em prosseguir com a negociação para contratação".

Impasse

No documento, a Saúde detalhou ao Planalto que minutas de contrato preparadas pela Janssen e pela Pfizer estão sob análise da Consultoria Jurídica do Ministério. Os profissionais da área vão enviar um parecer à Casa Civil "na expectativa de que esta possa indicar soluções". Entre os impasses com os laboratórios citados por Franco está a solicitação de garantias de pagamento ao Brasil ao mesmo tempo em que se resguardam de eventuais efeitos graves que as vacinas possam causar. O secretário também afirmou que existem dificuldades "que nenhum outro fornecedor pediu", mas não detalhou quais são.

"Queremos proteger todos os brasileiros contra a covid-19 o mais rápido possível. Por isso esperamos pacientemente dias e dias pelas propostas da Janssen e da Pfizer, que imaginávamos, nos remeteriam ofertas em condições plausíveis, o que não aconteceu", reforçou Franco. Ele lembrou que a minuta de contrato da Janssen chegou ao Ministério no início da noite do dia 12 de fevereiro e a da Pfizer, três dias depois também à noite. Em outra manifestação pública, de janeiro, o ministério chegou a chamar as cláusulas da Pfizer de "leoninas" e "absurdas". 

O secretário e outros técnicos da Saúde se reuniram com representantes das duas farmacêuticas na quinta-feira, 18, e, segundo a pasta, informaram na ocasião que as propostas de venda feitas pelas companhias chegaram com relativa demora e impossibilitaram o prosseguimento das negociações por pelo menos nove meses. Segundo o comunicado, mesmo assim, o Ministério agradeceu as ofertas e destacou que permanece o interesse em adquirir e disponibilizar o quanto antes o máximo de vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Governadores dizem que tentarão compra por conta própria

Em vários países, as negociações dos imunizantes têm sido feitas diretamente pelos governos federais. No Brasil, diante da demora da União em disponibilizar vacinas, no entanto, um grupo de governadores anunciou na sexta-feira (19) que tentará realizar a compra dos imunizantes diretamente com os laboratórios. A decisão é liderada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que disse contar com apoio de outros 22 governadores. Segundo ele, o empenho de buscar alternativas foi comunicado ao Ministério da Saúde, que teria aberto a possibilidade de reembolsar os Estados pela aquisição.

Diante da lentidão do governo federal, o Congresso também quer colaborar para encontrar uma solução. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sinalizou que pretende ajudar a mediar a negociação entre o governo brasileiro e as fabricantes. Nesta segunda, 22, o parlamentar deve se reunir de forma virtual com representantes da Pfizer e da Johnson & Johnson. Ele afirmou que o Senado tem uma proposta para que a União assuma a responsabilidade por eventuais efeitos negativos dos imunizantes, sem que haja repercussão jurídica - que é um pontos de divergência entre a Saúde e os laboratórios.

A pressão não vem apenas dos governadores ou do Congresso. Vários prefeitos, profissionais e saúde e críticos já falam em escassez de vacinas contra a covid-19, o que deixa o ministro Eduardo Pazuello novamente na berlinda em relação à imunização doméstica. Na quinta-feira, 17, ele repetiu que toda a população será imunizada este ano, mas o que deixou os governadores preocupados foi o fato de, no cronograma apresentado por Pazuello, constarem entregas até de vacinas que ainda não foram contratadas ou aprovadas para uso no Brasil, como Sputnik e Covaxin. O calendário federal também ignora atrasos, como a demora na chegada dos insumos para a produzir a Coronavac.

Na corrida para apresentar respostas, o Ministério autorizou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) da sexta, 19, a compra da Sputnik V e da Covaxin, vacinas que nem sequer estão sob análise de uso emergencial na Anvisa. A agência ainda aguarda dados de segurança e eficácia para começar esta avaliação. A Anvisa chegou a devolver um pedido de uso emergencial da Sputnik pela falta de informações básicas. Os extratos informam que a compra de vacinas será no valor de R$ 693,6 milhões para o imunizante da Rússia e de R$ 1,614 bilhão para a vacina indiana. As publicações não especificam o volume de doses contratadas. Pelo cronograma do ministério, serão entregues a partir de março 20 milhões de doses da Covaxin e 10 milhões da Sputnik V.

Vacinação

De acordo com o balanço mais recente da vacinação no País, feito pelo consórcio de imprensa, até ontem 5.811.528 de pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a covid-19. O número representa apenas 2,74% da população brasileira. Por enquanto, o Brasil só conta com doses das vacinas Coronavac, do Instituto Butantan, e da Oxford/Astrazeneca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).


Covid-19: Pandemia desacelera no mundo. Já no Brasil...

 Giulia Vidale 

Veja online

Na quinta semana consecutiva de retração, novos casos caem 16%, segundo OMS

  Cesar Manso/AFP

 Moradores da cidade espanhola de León 

participaram de mutirão de testes para Covid-19. 


A pandemia de coronavírus parece estar perdendo a força no mundo. O número de novos casos de Covid-19 caiu 16% em todo o mundo na última semana, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na semana de 8 a 14 de fevereiro, mais de 2,7 milhões de novos casos foram registrados, contra cerca de 3,1 milhões na semana anterior (1 a 7 de fevereiro). É a quinta semana consecutiva com redução de novos diagnósticos.

As regiões com maior taxa de queda foram África e Pacífico Ocidental, com cerca de 20%. Em seguida, estão Europa (18%), Américas (16%) e Sudeste Asiático (13%). A única região da OMS a apresentar um aumento no número de novos casos de Covid-19  – 7% – nesse período foi o Mediterrâneo Oriental, que compreende o Oriente Médio, além de partes da Ásia Central e Nordeste da África. Em números absolutos, Europa e as Américas continuam a ver o maiores quedas no número de casos.

O número de novas mortes registradas também caiu, com 81.000 novas mortes registradas na semana passada, um declínio de 10% em relação à semana anterior. Desde o início da pandemia, foram confirmados globalmente 110,7 milhões de casos da Covid-19 e 2,4 milhões de mortes.

O lento ritmo de distribuição e aplicação de vacinas no mundo ainda não é suficiente para gerar um impacto assim na doença então, especialistas acreditam que a retração da pandemia esteja associada a outras questões, como sazonalidade, medidas de prevenção e ações governamentais, como amplos lockdowns adotados na Europa, por exemplo.  O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o fato de os casos e mortes estarem caindo globalmente mostra “que medidas simples de saúde pública funcionam, mesmo na presença de variantes”.

O surgimento de variantes do novo coronavírus, mais infecciosas e menos suscetíveis às vacinas atuais que a versão original, é algo que preocupa autoridades de saúde do mundo mundo. Por isso, a OMS ressalta a necessidade de as empresas estarem prontas para adaptar e atualizar as vacinas contras as novas cepas, como já acontece com a vacina da gripe, por exemplo.

Segundo dados disponibilizados neste domingo, 21, foram registrados 29.026 novos casos e 527 novas mortes. No total, são 10.168.174 casos e 246.504 óbitos confirmados em todo o território nacional.

Confira os números da vacinação nos estados e no país atualizados até as 18h deste domingo, 21:


Os números da vacinação contra a Covid-19 no Brasil

Confira o cenário da imunização em cada estado


Estado

Doses disponibilizadas

1ª dose

2ª dose

Total

% de pessoas vacinadas

Acre

52.660

16.452

1.967

17.069

1,8

Alagoas

150.060

89.141

4.456

90.259

2,6

Amapá

52.000

23.398

1.351

23.701

2,6

Amazonas

511.020

215.521

22.951

230.578

5,1

Bahia

682.300

414.344

47.636

443.409

2,7

Ceará

416.700

259.525

44.477

304.002

2,8

Distrito Federal

185.060

115.369

19.525

129.543

3,8

Espírito Santo

191.220

105.780

4.329

110.109

2,6

Goiás

326.380

187.456

18.970

201.991

2,7

Maranhão

284.140

134.123

22.164

149.165

1,8

Mato Grosso

180.760

78.974

23.603

98.134

2,2

Mato Grosso do Sul

212.760

106.549

34.262

137.750

3,8

Minas Gerais

1.083.780

454.030

177.817

600.962

2,1

Pará

286.640

113.738

15.693

111.463

1,2

Paraíba

207.080

96.029

11.945

107.974

2,4

Paraná

499.300

277.707

53.553

331.260

2,4

Pernambuco

473.160

258.440

69.870

309.220

2,6

Piauí

121.800

64.790

4.762

68.632

2,0

Rio de Janeiro

955.520

427.482

80.876

467.826

2,4

Rio Grande do Norte

160.740

80.992

19.459

99.553

2,3

Rio Grande do Sul

651.000

416.379

39.814

420.449

3,5

Rondônia

99.000

42.768

2.906

44.051

2,4

Roraima

95.320

24.900

4.622

29.139

4,1

Santa Catarina

276.540

150.791

41.949

176.481

2,0

São Paulo

2.552.400

1.623.739

374.520

1.963.743

3,5

Sergipe

91.680

42.702

18.378

70.232

1,8

Tocantins

101.100

29.217

1.038

30.255

1,9