terça-feira, junho 19, 2007

Congresso negligente

Editorial no Estado de Minas
O sistema representativo político brasileiro está em crise desde a Constituição de 1988. De verdade, o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) já não repercute os grandes temas da nação. Acabou-se a palavra de um Bernardo Pereira de Vasconcelos, quando, em defesa da liberdade, pronunciou a famosa fala dizendo que foi liberal quando a ditadura esmagava o povo, mas deixava de sê-lo quando a liberdade era tanta que conspirava contra o povo. Hoje, é lícito dizer que o Congresso é uma simples ficção. Recente levantamento prova que 90% das leis aprovadas com relação à governabilidade são de autoria do Executivo, que usa e abusa da medida provisória (MP), cópia fiel do decreto-lei em vigor no regime discricionário, de1964 a 1985. Agora, temos revelação espantosa: a organização não-governamental Transparência Brasil concluiu que o nosso Poder Legislativo tem alto custo para os brasileiros, já tão espoliados, seja pelos baixos salários ou pela péssima assistência prestada pelos poderes constituídos. Cada habitante do país colabora com R$ 118 para a manutenção das casas legislativas do país (federais, estaduais e municipais).

A revelação de que R$ 6,1 bilhões do Orçamento Geral da União foram destinados, este ano, para pagar afilhados de parlamentares em seus gabinetes é, mais do que sacrifício, um assalto à pobreza da população. Tamanho gasto público – o que encarece o custo da burocracia estatal – deve ser lastimado por dois grandes motivos: faz falta aos programas de educação, saúde, habitação, emprego, nutrição e infra-estrutura, e não corresponde aos obrigatórios serviços de que o povo exige e merece, até por ordem constitucional. Claro que essa grande anomalia – gastos de bilhões que poderiam ser usados para gerar empregos e renda a milhões de desempregados e carentes – não pode servir de pasto a notórios oportunistas que defendem o fechamento do Legislativo. Fora com esses antigos servidores de ditaduras, à direita e à esquerda. O pior Parlamento é melhor do que os congressos de mentira ou controlados por aventureiros de todas as cores, pois é essencial, antes de tudo, para a prevalência do regime democrático, que pressupõe pluralismo ideológico, temporariedade de mandatos, rotatividade no poder e eleições pelo voto secreto.

A classe política, há tanto tempo citada como a mais desacreditada das instituições nacionais, pouco se importa com as críticas, preferindo dizer que isso é coisa da imprensa, e nada faz para melhorar a sua própria imagem. Às vantagens e aos benefícios que se acostumou a amealhar no transcurso da existência sucedem-se como ilicitudes que estarrecem e escandalizam brasileiros de todos os quadrantes. É preciso lembrar que o eleitor não escolhe seu representante para que ele se aproveite do cargo nobilitante para patrocinar negociatas e enriquecimento ilícito. A vergonha dos parlamentares gazeteiros, com ausências e folgas exageradas, é motivo de demissão por justa causa em qualquer empresa de respeito. O que a revelação expõe é a oportunidade de reformar o processo de escolha de políticos que possam compor nossas casas parlamentares, a fim de que correspondam aos anseios e necessidades cada vez mais urgentes da população inteira, à beira da desesperança.

Diante de novas denúncias, senador mudou versão

no Estado de S.Paulo

Apesar de ter a seu lado a torcida da maior parte do Senado, a situação do senador Renan Calheiros se agravou consideravelmente com a comprovação de que em sua defesa ele tinha apresentado notas frias. A saída foi mudar de versão. Foi isso que o presidente do Senado fez a partir de anteontem, quando apresentou o nome de Zoraide Beltrão, proprietária do frigorífico Maifral, como a pessoa que fazia a intermediação da venda de gado de suas fazendas.

Até então, Renan sustentava que quem fazia a intermediação era o veterinário Guálter Peixoto, que é secretário de Vigilância Sanitária do município de Murici, cujo prefeito é Renan Calheiros Filho. Guálter saiu de cena como entrou e cedeu lugar no jogo de xadrez a uma senhora de 84 anos que, em Alagoas, tem a fama de negociar gado com um revólver na cintura. Segundo a nova versão de Renan, Zoraide foi a responsável pela emissão de notas fiscais frias de empresas desativadas.

Novo papel
Um pouco insegura, ela apareceu na TV Globo assumindo essa nova versão. Ela admitiu que comprava as reses nas fazendas de Renan e não exigia recibos pelas compras. Zoraide reconheceu que as empresas das quais apresentou as notas não existem mais. Segundo Renan, ela fazia isso “por razões fiscais” - e argumentou que não poderia ser acusado por fraudes fiscais eventualmente cometidas por outras pessoas. Antes, o senador tinha apresentado recibos no valor de R$ 127 mil, referentes a supostas vendas de bois à Carnal Carnes de Alagoas; e recibos de R$ 164 mil por vendas à GF da Silva Costa. As duas empresas foram desativadas há muitos anos.

Novo complicador
Zoraide explicou ao Jornal Nacional que pagava as reses compradas de Renan sempre com cheques, mas não tem recibos correspondentes a essas compras. A nova versão pode configurar um novo complicador para o senador, porque conduzirá naturalmente ao exame dos cheques que Zoraide diz ter assinado e comprovação de que eles teriam sido depositados em contas bancárias do senador. Se o cotejo não comprovar que os depósitos foram feitos, ele terá um novo problema.

No périplo que fez no Senado anteontem, após a reportagem incriminadora do Jornal Nacional, Renan sobraçava uma bateria de documentos, que exibia a seus colegas e, por fim, encaminhou ao relator do seu caso no Conselho de Ética, senador Epitácio Cafeteira. O grosso volume de documentos coletados na madrugada de quinta para sexta-feira mostraria até mesmo as Guias de Transporte Animal que comprovariam o total de reses vendidas.

Esses documentos incluiriam também, segundo reportagem de O Globo, reproduções de notas fiscais, recibos, comprovantes de depósitos em conta corrente, extratos bancários exibindo os depósitos dos cheques e recolhimento de impostos, com registro das transações feitas na declaração do imposto de renda.

A comédia bovina

Editorial da Folha de S.Paulo

Conselho de Ética tenta isentar Renan Calheiros sem investigação; para salvar as aparências, já aceita ouvir depoimentos

A farsa montada no Conselho de Ética do Senado teve ontem um novo capítulo. Sob o impacto de revelações sobre os malabarismos pecuários do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo "Jornal Nacional", deu-se o que todos naquele palco queriam evitar: ficou adiado para terça-feira o ensaiado arquivamento do processo por quebra de decoro pelo presidente da Casa. Sem investigação digna desse nome, por suposto.

O roteiro é obra coletiva dos senadores, mas carrega a assinatura de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ontem ele interpretou até um melodrama familiar para justificar sua viravolta na anunciada decisão de deixar a relatoria, caso sua peça engavetadora não fosse aprovada. No papel de coadjuvante da pantomima erra pela cena Sibá Machado (PT-AC). No coro dos contentes com o enredo, senadores de todos os partidos. Na direção, segue firme Renan Calheiros.

Não bastaram, contudo, as conversas cara a cara que convocou ontem com vários atores do conselho -inclusive o relator. É temerário imaginar o que terão tratado. Diante da rápida deterioração da defesa do presidente do Senado, acelerada pelo acúmulo de indícios de fabricação em documentos de transações com gado para justificar sua renda, o próprio senador considerou prudente aceitar um adiamento.

Machado e Cafeteira vinham até então seguindo com obediência falas e deixas sopradas pelos caciques de coxia, de situação e oposição. Só não se aprovou o acintoso relatório Cafeteira -o epitáfio, como o texto já é apelidado nas piadas brasilienses- porque uma minoria de senadores ainda julga importante dar satisfações à platéia da opinião pública. Pressentiram que ficaria ruim para Renan Calheiros, e pior ainda para a instituição.

Cafeteira alega "absoluta ausência de provas ou indícios". Inversão no mínimo curiosa, pois é de fatos que se trata, confirmados por todas as partes: o presidente do Senado serviu-se de um lobista para fazer pagamentos regulares -em dinheiro- à mãe de sua filha, em recinto de empreiteira de obras públicas.

Se isso não for indício bastante para justificar uma investigação, fica difícil imaginar o que possa vir a sê-lo. No conceito que faz Renan Calheiros da moralidade pública, pelo visto partilhado pelo Conselho de Ética, seria procedimento normal.

A contragosto, já se aceita ali o óbvio: ouvir ao menos a beneficiária da pensão e seu advogado, além de periciar os documentos ora trazidos à baila (por que não antes?). Mas não basta Cafeteira, Machado ou qualquer senador darem-se por esclarecidos com os negócios agropecuários implausíveis: é o público que exige ser convencido, com provas ligando saques e pagamentos.

Renan Calheiros, mais que nunca e à luz do interesse republicano, deveria ponderar sua decisão de manter-se na presidência do Senado. Seu protagonismo na encenação do conselho se torna mais e mais arriscado para a reputação do Senado Federal, que já não é das melhores.

TOQUEDEPRIMA...

Lei de Improbidade para quem?
De O Globo

Os escândalos de corrupção pipocavam quando uma nova lei surgia como tábua de salvação. A partir de 1992, ano do impeachment de Fernando Collor de Mello, todo agente público flagrado recebendo propina, desviando recursos ou enriquecendo à custa desses crimes estaria sujeito a penas mais duras e responderia por isso na Justiça comum. Sem privilégios. Passados 15 anos, a Lei de Improbidade Administrativa debuta deixando as promessas para trás e se consolidando como a mais nova marca da impunidade no país, tema de uma série especial de reportagens que O GLOBO começa a publicar hoje.

Embora não haja estatísticas oficiais, um cruzamento de dados inédito revela que menos de 7% das autoridades processadas por improbidade administrativa foram condenadas — quase sempre políticos de pouca expressão. Desde 1992, foram movidas cerca de 14 mil ações desse tipo em todo o país, a grande maioria ainda sem decisão final. O resultado foi a condenação de pelo menos 1.035 agentes públicos, hoje com seus direitos políticos suspensos. O número de punições consta da última atualização do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feita sexta-feira.

— A verdade é que a Lei de Improbidade não está sendo eficaz. Num sistema judicial tão complexo, com tantas possibilidades de recursos, a lei só condena os mais frágeis, os pobres, os que não têm condição de constituir defesa — diz o presidente da Associação Nacional de Membros do Ministério Público, José Carlos Cosenzo.

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Os elos entre escândalos do dossiê e Xeque-Mate
De O Globo

Uma montanha de dinheiro é também uma imagem da impunidade no país. Nove meses depois, a Polícia Federal não apontou a origem do R$ 1,7 milhão apreendido com petistas na campanha eleitoral do ano passado, que seria usado para comprar um dossiê contra o então candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra. Os envolvidos — chamados de aloprados pelo presidente Lula — foram denunciados à Justiça, mas não foram punidos. Agora, num outro escândalo mais recente, apurado pela Operação Xeque-Mate da PF, são novamente investigados donos de bingos — suspeitos, no caso do dossiê, de terem fornecido parte do dinheiro — e é citada uma contadora que presta serviços ao PT paulista.

Fontes próximas a Dario Morelli Filho, compadre do presidente Lula preso na Xeque-Mate, afirmam que a maior parte dos R$ 662 mil que circularam na conta bancária dele, no ano passado, é dinheiro de campanha do PT. Sócio do ex-deputado Nilton Cezar Servo, acusado pela PF de comandar a máfia dos caça-níqueis em Mato Grosso do Sul e outros estados, Morelli saiu da prisão de Campo Grande, na quarta-feira passada, prometendo explicar de onde tirou tanto dinheiro, uma quantia muito acima de seus rendimentos.

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Lula tenta manter distância de sua família-problema
De O Globo

Na véspera de assumir a Presidência da República, em 31 de dezembro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva teve um encontro com os parentes que viajaram de Garanhuns e São Paulo em caravana à capital federal para assistir a sua posse. Na conversa, como um balde de água fria, Lula mandou um recado premonitório para irmãos, sobrinhos, primos e tios:

— Sou presidente não para ajudar a família, mas para ajudar o Brasil.

Lula também os alertou sobre os riscos da proximidade com o poder. Mas na avaliação de amigos, ele deveria ter sido muito mais duro e deixar bem claro aos parentes que deveriam ser cuidadosos com tentativas de lobby.

O presidente e a família vivem uma relação de conflito antiga, desde que ele virou um influente líder sindical no fim dos anos 70. Com vidas difíceis, assistindo à trajetória de Lula pelo noticiário, os parentes costumam reclamar que o integrante mais ilustre da família Silva sempre foi distante e quase nunca os ajudou. As críticas cresceram quando Lula virou presidente.

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Lei do Colarinho Branco leva poucos à cadeia
De O Globo

"Vinte e um anos após entrar em vigor, a Lei do Colarinho Branco, de junho de 1986, pouco tem colaborado para diminuir a impunidade de quem pratica crimes contra o sistema financeiro nacional. Numa projeção feita a partir do único levantamento dos crimes desse tipo encaminhados pelo Banco Central ao Ministério Público (MP), juristas, advogados e especialistas no setor ouvidos pelo GLOBO estimam que menos de 5% de cerca de mil casos, só em 2006, chegaram à condenação.

Ainda assim, na maioria das vezes a pena é de até quatro anos de reclusão, e, em vez de prisão, os réus recebem penas alternativas, por não serem considerados perigosos para a sociedade.

Em 1997, de 682 casos encaminhados ao MP, segundo levantamento da subprocuradora da República, Ela Wiecko Castilho, somente 3,9% foram condenados. Também naquela época, ninguém foi preso. Por ironia, a impunidade, nesses casos, tem como aliada a má aplicação da lei do colarinho branco.

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Açougue põe defesa de Renan em xeque
Da Folha de S.Paulo

A Folha visitou ontem, na periferia de Maceió, dois supostos compradores de bois do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). No açougue São Jorge, os funcionários e um sobrinho do dono, Acásio Ricardo da Rocha, disseram que não movimentam tanto dinheiro quanto Renan disse ter vendido de carne a eles (R$ 429 mil, segundo o "Jornal Nacional").

Já as filhas do aposentado João Teixeira dos Santos, 84, afirmaram que seu pai nunca trabalhou com carne.

O açougue São Jorge fica no jardim Benedito Betis 2º, no bairro do Tabuleiro, de classe média baixa. Segundo a responsável pelo caixa do açougue, que se identificou apenas como Virgínia, o estabelecimento vende em média oito bois por semana, chegando a 13 animais em períodos de picos de vendas -como final de ano e outras datas comemorativas.

Vinícius da Rocha, sobrinho de Acásio e que cuida da contabilidade do açougue, disse que não há como eles terem comprado R$ 429 mil em carne das fazendas de Renan. "É muito dinheiro para nossa movimentação", afirmou.

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O tamanho do rebanho de Renan
Da Folha de S.Paulo

"Há um órgão público capaz de esclarecer as vendas de bois do senador Renan Calheiros: a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas, que tem o cadastro do rebanho bovino do Estado, por propriedade rural, desde 2001.

O diretor-geral da agência, Hibernon Cavalcante Albuquerque, disse à Folha que pode informar o tamanho do rebanho, a faixa etária dos animais, as baixas (por venda) e os acréscimos (por nascimentos), se houver determinação judicial ou do Congresso.

O cadastro pode ser confrontado com as informações fornecidas pelo senador. Renan alega que o dinheiro para os pagamentos à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, saiu da venda de gado.

Segundo o diretor da agência de inspeção alagoana, cada propriedade rural possui uma ficha cadastral, em que são anotados o número de animais vacinados contra aftosa e brucelose, as datas de aplicação, os lotes de origem das vacinas e os laboratórios que as fabricaram."
Renan tentou convencer colegas até 3 da manhã
De O Estado de S.Paulo, hoje:

"Assim que o Jornal Nacional da TV Globo de quinta-feira saiu do ar, depois de mostrar uma série de personagens negando que tivessem comprado o gado que alega ter vendido em Maceió e municípios vizinhos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), saiu a campo a fim de preparar os aliados para a reunião do Conselho de Ética que estava agendada para ontem, às 10 horas. Na madrugada de sexta, Renan disparou telefonemas com uma jura: “Não vou desonrar o Senado e lutarei até o fim”, disse a senadores do PT, PMDB e PSB, a quem entregou, logo cedo, nova documentação."

TOQUEDEPRIMA...

Demóstenes Torres chama ministro da Defesa de incompetente

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) criticou duramente ontem o ministério da Defesa e o titular do cargo, Waldir Pires, no seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo", que ocorreu ontem em São Paulo. "Podemos dizer que o ministro, lamentavelmente, é incompetente. Ele deveria ser secretário nacional dos direitos humanos, e não ministro da Defesa, porque ele não dá conta do cargo", declarou o senador, que é relator da CPI do Apagão Aéreo no Senado.

Ainda nas críticas, o democrata disse que o Ministério da Defesa "não existe de fato, mas apenas no papel" e continuou: "Esse Ministério nunca foi ocupado por alguém do ramo que tivesse disposição e soubesse como coordená-lo."

Torres falou também que a crise do setor aéreo não terá um desfecho satisfatório enquanto o governo não resolver a questão salarial dos controladores militares. Ele avaliou que a questão é complexa, pois dificilmente se conseguirá elevar o salário de um sargento (controlador) sem mexer no de seus superiores hierárquicos, como os coronéis.

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Já está faltando gás
Carlos Sardenberg, Portal G1

Entrevistei na CBN, hoje, o presidente do Conselho de Infra-estrutura da Confederação Nacional da Indústria, José Freitas Mascarenhas, sobre a questão do gás.

Destaco alguns de seus comentários:

- O Brasil importa anualmente 650 mil toneladas de uréia, um fertilizante importante; há tecnologia e fábricas para produção local; mas não se produz porque não há gás, do qual se tira a amônia, da qual se faz a uréia.
- Pelo mesmo motivo, o Brasil importa metanol, insumo que entra na produção do bio-diesel.
- Há um forte aumento do consumo de gás no mundo todo e o Brasil, leia-se, a Petrobrás, se atrasou no desenvolvimento da produção local.
- Há indústrias que somente são viáveis com o gás; essas plantas não estão sendo instaladas no Brasil, porque não há segurança de abastecimento futuro.
- A Petrobrás está fazendo agora um grande esforço – e gastando dinheiro – na exploração e desenvolvimento dos campos nacionais de gás e também se prepara para aumentar a produção de gás liquefeito.

Esse esforço não é suficiente.

Será necessário mudar a legislação nacional, eliminar o monopólio da Petrobrás, de modo a permitir que companhias privadas nacionais e estrangeiras entrem no negócio no Brasil, para pesquisar, desenvolver e explorar campos e transportar gás.

O Congresso Nacional está debatendo um novo projeto de lei do gás.

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Infraero admite possível privatização de terminais

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou ontem que admite a possibilidade de privatizar aeroportos do País, mas que um eventual processo precisa levar em conta o que ocorrerá com terminais pouco rentáveis. "Precisamos pensar primeiro no interesse público, ou o povo brasileiro continuará sofrendo. Quem aceitará investir em um aeroporto como o de Imperatriz [Maranhão], de Tabatinga [Amazonas]?"

Sobre o mesmo problema, a deputada federal Solange Amaral (DEM-RJ) propôs que os contratos prevejam o atrelamento da "meia dúzia" de aeroportos rentáveis do País a outros menores. "Essa é uma questão a ser estudada, mas quem for administrar o Santos Dumont [Rio], por exemplo, pode ficar também com outros cinco ou seis terminais menores."

O brigadeiro e a parlamentar participaram na manhã de ontem do seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo", da Fundação Liberdade e Cidadania, do DEM (Democratas). Da abertura do evento participaram o presidente do DEM, Jorge Bornhausen (SC), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o senador Marco Maciel (PE) e o deputado Rodrigo Maia (RJ).

No seminário, o clima era de incentivo à entrada da iniciativa privada no setor, principalmente no que diz respeito à administração dos aeroportos e à construção de um terceiro terminal de grande porte na região metropolitana de São Paulo. "Se não conseguirmos atrair a iniciativa privada, como é no mundo inteiro, não há de onde tirar esse dinheiro [para investir na estrutura aeroportuária do País]. Se não implantarmos soluções, nós teremos mesmo é que relaxar e gozar", afirmou o comandante Décio Corrêa, piloto comercial e conselheiro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em referência à ministra do Turismo, Marta Suplicy, que recomendou semana passada aos passageiros atingidos pela crise aérea que "relaxem e gozem". (Folhapress)

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Chávez amplia a estratégia de centralização
Veja online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na noite de domingo novas medidas para reforçar a centralização de poder nas mãos do governo. A principal delas é a criação de uma Comissão Central de Planejamento, que deve coordenar e supervisionar os órgãos públicos. Além disso, Chávez divulgou a criação de novas empresas estatais e a centralização de setores estratégicos, como o de fornecimento de energia elétrica.

As novas medidas foram anunciadas por Chávez em seu programa de TV semanal "Alô, Presidente". A própria criação da "comissão central" será feita sem interferência do Parlamento - o órgão será oficializado por decreto. Desde janeiro, Chávez tem plenos poderes para legislar. O vice-presidente Jorge Rodríguez será o encarregado de dirigir a nova comissão. O Banco Central, que até agora tinha relativa autonomia, estará dentro da esfera da influência do novo órgão.

Criticado pelos opositores pela concentração de poder cada vez maior, Chávez anunciou no sábado a criação de uma nova empresa do setor elétrico. A Corporação Elétrica Nacional vai unificar as dez empresas envolvidas atualmente na geração, transmissão e distribuição de energia no país. Sobre as cerca de 200 novas estatais que serão criadas neste ano, Chávez avisou que as empresas terão "caráter fundamentalmente socialista".

Escassez - No programa de TV de domingo, Chávez reconheceu que a população sofre com a falta de produtos nos supermercados. "A Venezuela vive um processo de transição, do modelo capitalista de exploração para um modelo socialista, e por isso ainda não produz produtos em quantidades necessárias para satisfazer a população", justificou. Segundo os empresários, a escassez de produtos é resultado dos mecanismos de controle de preços do governo.

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BC comprará dólares até reservas atingirem US$ 200 bi

O ex-diretor do Banco Central (BC) Luiz Fernando Figueiredo estima que a taxa de câmbio permanecerá pressionada, porque o fluxo de moeda estrangeira para o Brasil é muito grande e deve continuar assim. Segundo ele, não há nada que indique redução da liquidez internacional nos próximos anos.

Figueiredo acredita que o BC continuará a comprar dólares até as reservas atingirem o nível de US$ 200 bilhões, "sem parar para pensar". Somente depois desse patamar, a instituição deveria desacelerar o ritmo das operações, acredita. Ele defendeu também a redução das operações de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro), já que trata-se de uma "ajuda pontual" para o mercado.

O ex-diretor do BC acredita que o grau de investimento virá no primeiro semestre de 2008 e que já não se trata mais de uma questão de "ser, mas de quando" a elevação da nota do Brasil acontecerá. De acordo com ele, o País já percorreu 75% do processo para elevação da melhora de sua nota.

Figueiredo destacou também que, embora a maior parte das projeções indique saldo comercial por volta de US$ 45 bilhões neste ano, os números até agora sugerem que o resultado da balança em 2007 poderá chegar aos US$ 50 bilhões. O ex-diretor do BC acredita também que no segundo trimestre de 2008 a relação dívida pública/PIB será de 40%.

TRAPOS & FARRAPOS

NUNCA ESTIVEMOS TÃO BEM MAL ADMINISTRADOS.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Brasil vive seu melhor momento desde que a República foi proclamada”, diz Lula.

Acredito que Lula mesmo que negue, deva ler muito jornal. E todos os dias, de todos os estados brasileiros. Pelo menos os principais, aos quais deve juntar leituras da Veja, da IstoÉ, da Revista Época. Porque só um sujeito muito bem informado, pode dizer tamanha barbaridade. Ocorre que o “melhor” de Lula, é o pior do Brasil. E muito pior ainda para o povo brasileiro.

Reparem nas nossas instituições. O Legislativo, desde o primeiro mandato de Lula vem capengando e correndo atrás de explicações para mensalões e outras mazelas mais. Você deve lembrar-se das operações vampiro, sanguessugas & Cia. O Judiciário, do jeito que a gente sabe: decisões esdrúxulas em favor da clientela abonada que pode bancar as “custas” processuais, e na carona, algumas operações da Polícia Federal que andaram apanhando gente do Judiciário andando contra aquilo que deveriam defender, a lei. No Executivo, não passa mês sem que apareça algum parente ou amigo ou auxiliar direto de Lula (vale até ministro), que não esteja enrolado com ações pouco ou nada honestas.

Um governo que ultimamente deu para andar de costas à civilização. Primeiro, as tentativas infames de impor censura ao Ministério Público, depois veio a imprensa, e agora acena com censura prévia para os meios de comunicação. Depois, a história de abrir “o debate” sobre a questão do aborto. Depois, em plena parada gay, patrocinada com recursos públicos, deu para querer distribuir material didático sobre como drogar-se com cocaína de forma “menos arriscada”. Agora foi a vez do ectasy. Se é pela degradação de costumes e total e definitivo enterro da moral e da ética de uma nação, o Brasil, sob o comando e patrocínio do governo Lula, nunca esteve tão bem. E se você acha pouco, tivemos uma decisão inédita na semana passada em que um terrorista pró-comunismo, e desertor do Exército, mesmo carregando um brutal assassinato nas costas afora outras ações criminosas, como homenagem póstuma, foi promovido à general e seus descendentes receberão a gratidão plena de uma bolsa-terrorismo. Falo de Lamarca. Esta decisão, conjugada com as demais acima, formam um atoleiro moral do qual o Brasil vai custar a se recuperar. Jamais a degradação esteve tão bela e faceira na vida pública do país como agora sob o governo de Lula.

Claro que isto não é o “tudo” que representa o buraco em que Lula e sua equipe estão empurrando-nos: se você quiser podemos lembrá-lo das estradas, dos aeroportos, da saúde pública, da educação.

Nunca a mentira, a desfaçatez, a corrupção, a vigarice e falta de decência estiveram tão presentes e ativas na vida pública brasileira como agora. Ninguém conseguirá no futuro superar esta marca de Lula: ele está conseguindo desmontar o pouco de civilização que havíamos construído, às duras penas, para algo abaixo da linha de miséria ética e barbárie social. Nas cidades, nem dentro de casa você está livre de uma bala perdida; no campo, você não está livre de ter sua propriedade invadida e tomada, seu patrimônio depredado, tudo devidamente bancados com dinheiro público, isto é, com o dinheiro que lhe tiram do bolso todos os dias, para sustentar um bando de vigaristas e canastrões, e que depois é “gentilmente” repassado para um grupelho de desordeiros e vagabundos lhe tomarem sua propriedade.

Há quem diga que a vida pública brasileira tornou-se um imenso puteiro, um casa de tolerância ao melhor estilo. Pois até para isto o governo Lula encontrou solução educativa: elaborou e por um bom tempo deixou disponibilizado no site do Ministério do Trabalho, a Cartilha da Puta, que ensinava até como abordar clientes potenciais dentre outras porcarias mais.

E se você ainda acha pouco, saiba, portanto, que estamos entrando no segundo semestre do quinto ano de governo de Lula, e ele ainda está compondo sua equipe de segundo escalão. Sem dúvida, sabendo-se que teremos que agüentá-lo por três anos e meio ainda (que eternidade!), você pode escolher das duas, uma: ou, segue o mandamento de Waldir Pires, ajoelha e reza, ou, segue a filosofia de Marta Suplicy, relaxa e goza. E engula sua raiva até 2010, se o Brasil ainda continuar existindo até lá, quando então teremos novamente a chance de evitar colocar como governantes, os jumentos pastando no Planalto...

Provavelmente, foram criados nas fazendas do Renam...

Para o Gil, aquele abraço

por Diogo Mainardi, na Veja
Gilberto Gil me considera o Vavá da imprensa. Ele declarou à Playboy que me assiste todo domingo no Manhattan Connection, porque me acha "bonito (risos), mesmo dizendo essas coisas todas". Para Gilberto Gil, sou inimputável como Vavá. Ninguém pode me responsabilizar pelo que eu digo. Sou apenas, como já cantou o ministro, um "moreno com os olhinhos brilhando", um "bezerrinho", um "homem de Neandertal" de "porte esperto, delgado". – Empresta dois milhão para mim?

Se Vavá é o Mainardi do lobismo lulista, se ele é o "bocadinho de amor" dos bingueiros de Campo Grande, se sua falta de cultura é usada como um salvo-conduto para livrá-lo da cadeia, suspeito que o fino intelectual do bando seja o compadre de Lula, Dario Morelli Filho. Ele deu uma amostra de sua sagacidade argumentativa num telefonema grampeado para o bingueiro Nilton Servo:

– Quando começa a morrer juiz, todo mundo fica preocupado. Mas não tem uns que têm que morrer mesmo?

Sei perfeitamente que, com meu "corpo eterno e nobre de um rei nagô", eu poderia parar de me importunar com assuntos desse tipo, mas sempre me espanto com as estratégias de acobertamento da imprensa lulista. VEJA noticiou que Vavá levou um empresário ao Palácio do Planalto em 19 de outubro de 2005. Três semanas depois, a IstoÉ Dinheiro fez uma reportagem de capa sobre "O drama da família Lula da Silva", em que os parentes do presidente atribuíam a parada cardíaca de Vavá às denúncias contra ele. Na reportagem, Frei Chico defendia o irmão lobista da seguinte maneira:

– O Vavá sempre foi uma espécie de assistente social não remunerado. Ele procurou ajudar as pessoas. Está na cara que ele nunca levou vantagem desses empresários.

Frei Chico usa o codinome Roberto em seus telefonemas para Vavá. Vavá fala sobre máquinas de terraplanagem com o presidente da República. E o "filho do homem" é uma figura recorrente nas conversas dos bingueiros. Trata-se daquele filho? Trata-se daquele homem? Nilton Servo foi grampeado dizendo:

– O Dario está vindo para cá, entendeu? Para Campo Grande. Está vindo ele e está vindo o filho do homem.

E acrescentou:

– Nem o Vavá sabe disso.

Vavá é para ser usado. Vavá é um lambari. Vavá é um ingênuo. Tanto que o filho do homem conseguiu passar-lhe a perna, aliando-se ao compadre de Lula para roubar-lhe o cliente bingueiro. O mesmo cliente bingueiro que, referindo-se a um empréstimo milionário do BNDES para uma fábrica de papel higiênico, serviu-se de uma elegante onomatopéia:

– Pá, pá, pá. Pum!

Eu, "a coisa mais linda que existe", me pergunto quem é o filho do homem e se a PF rastreou os telefonemas de Dario Morelli nos dias que antecederam a tal viagem a Campo Grande. Eu, "motocross das estradas da ilusão", me pergunto também se o homem da mala no caso do dossiê, Hamilton Lacerda, ex-secretário de Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, teve algum contato com esses bingueiros em setembro de 2006.

Só para terminar: o que eu mais aprecio em Gilberto Gil também é seu aspecto.

Sábias palavras

Editorial, na Folha

"Relaxe e goze." Emitido durante uma cerimônia oficial a que não faltaram acidentes de percurso, o intempestivo conselho de Marta Suplicy nesta última quarta-feira dirigia-se a quem teme enfrentar o caos nos aeroportos do país. Com admirável rapidez, a nova ministra do Turismo pediu desculpas pela frase -e o episódio terminou se esgotando na saraivada de tiradas humorísticas e gaiatices que inevitavelmente se prestava a estimular.

Nesse "relaxe e goze" talvez existam, entretanto, significados mais profundos do que supunha a vã sexologia ministerial. O conceito resume, na verdade, o que há de mais autêntico na atitude dos políticos brasileiros diante das dificuldades da população.

O Brasil convive com taxas haitianas de crescimento econômico: "relaxe e goze", poderiam afirmar as autoridades, enquanto as promessas do PAC não saem do papel.

Registra-se uma crise sem precedentes na área da segurança pública: mas os planos oficiais que se seguem rotineiramente a cada convulsão nada mais parecem acrescentar a um cotidiano de barbárie exceto a mesma frase, que aqui se reveste de conotações sinistras: "relaxe e goze".

"Relaxe e goze": não apenas aos que se desesperam nas filas dos aeroportos mas também às multidões que conheceram os efeitos da última greve do metrô em São Paulo poderia ser endereçada a recomendação.

Que goze e relaxe o contribuinte, submetido a uma das cargas tributárias mais iníquas e pesadas do mundo; que goze e relaxe o estudante da escola pública, exposto às frustrações que, para toda a vida, lhe reserva um sistema educacional inepto; que goze e relaxe o doente de algum hospital do SUS; que goze e relaxe, por fim, o eleitor, ao tomar conhecimento das últimas vigarices de seus representantes no Congresso Nacional.

Relaxe e goze, sugerem todos, afinal. No universo de referências do presidente Lula, por exemplo, o cidadão brasileiro está longe de ser aquele indivíduo consciente dos próprios direitos, capaz de mobilização e de protesto, que tempos mais heróicos do sindicalismo em São Bernardo já fizeram supor. Na mesma cerimônia em que a ministra Marta defendeu o encontro da passividade e do prazer, Lula traçou, em veia cômica e versão masculina, um quadro semelhante da mesma atitude.

Viajar, disse o presidente, depende de um estado de espírito. "A mulher tem que acordar: "amorzinho, vamos, amorzinho". Porque se ela começar xingando, o marido já não vai. Já bota o cuecão, fica deitado ali mesmo e não sai." A frase é injusta: já houve, entre os correligionários do presidente, quem "botasse o cuecão" -cheio de dólares- para viajar. Mas foi antes do apagão aéreo. Hoje, os escândalos são talvez menos explícitos; nunca foi tão intensa, contudo, a obscenidade da vida política.

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Lula diz que imprensa não deve mostrar o mostrar o país violento

O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira que não quer que a imprensa mostre a violência que acontece no país. Segundo o presidente, isso desestimula os brasileiros a viajarem para outros estados.

“O que a gente vê de bonito na imprensa brasileira? Não tem. Se fala de Pernambuco, é morte. Se fala do Ceará, é morte. Se fala da Bahia, é morte. Daí, ou seja, ele fala (o turista), espera aí eu não vou sair daqui. Vou ficar dentro de casa e ainda olha se tem uma fresta para não vir uma bala perdida. Essa é uma parte histórica do País, mas há outra parte que nos motiva a viajar”, declarou Lula.

Lula disse ainda que os governadores gastam mal com publicidade em turismo. “Os Estados brasileiros têm de colocar propaganda em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Não basta ficar falando do Acre dentro do Acre. Os acreanos já sabem. Agora, se fizer isso vão dizer que estão gastando dinheiro. Aí vem o Ministério Público fazer um protesto, já vai um deputado de oposição criticar, já vão fazer um monte de coisa”, concluiu.

Tomado de euforia, Lula afirmou que "turista não gosta de favela e quando tiver turismo ideológico eu levo a desgraça para outros verem".

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Caso Renan: jeito de novela
Cláudio Humberto

O Conselho de Ética do Senado corre o risco de virar novela mexicana. Senadores já falam em convocar para depor a filha de um parlamentar que é amiga e vizinha da jornalista Mônica Veloso. A idéia surgiu depois que eles tiveram acesso ao processo (que corre em segredo de justiça) sobre o pagamento de pensão do senador Renan Calheiros a sua filha de três anos.

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Renan e o PT
Correio Braziliense

O PT nunca defendeu tanto os seus como faz agora com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Quem acompanha a movimentação vê uma artimanha política nas evoluções petistas: o objetivo é deixar Renan tão agradecido ao partido que, se o PT quiser lançar alguém à Presidência do Senado, ele apóie.

No caso, a idéia de alguns petistas é propor a troca de posições, ou seja, o PT ficaria com a Presidência do Senado e o PMDB com a Presidência da Câmara. Quem acompanha tudo de perto percebe que essas juras de amor do PT a Renan são o primeiro passo. Falta combinar com os “russos”, no caso o PT da Câmara e os outros senadores do PMDB.

Do jeito que esse caso Renan evolui, como nas últimas notícias divulgadas ontem no Jornal Nacional, já tem senador dizendo que o PT terá ainda muito tempo para adular Renan. A impressão geral é a de que a pressa em terminar hoje com o assunto no Conselho de Ética será a inimiga da perfeição. E Renan, mesmo que liquide esse processo, ainda estará no redemoinho, precisando contar ainda mais com a ajuda do PT.

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"A Polícia Federal não está isenta de ter cometido erros"
De O Estado de S.Paulo

"Ele não entende de lambari nem de cardume de pintados, mas já aprendeu a conviver com as metáforas usadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está acostumado ao fogo amigo desde que presidiu o PT, em 2005. Com essas credenciais e há apenas três meses no cargo, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirma que a Polícia Federal não é infalível e enfrenta disputa de concepções. “A PF não está isenta de ter cometido erros”, diz ele sobre as operações de combate ao crime.

Dias depois de Lula condenar “abusos” nas investigações que chegaram a seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, o ministro prega mudanças no sistema de grampos, alegando que é preciso conciliar tecnologia e preservação de direitos. Para ele, a duração das escutas telefônicas - atualmente fixada em 15 dias, prorrogáveis por mais 15 - tem sido interpretada pelo Judiciário “de forma extensiva”, com a prorrogação por tempo indefinido.

Tarso diz não ver necessidade de autorização do Ministério Público para as escutas. Na tentativa de controlar os vazamentos, há uma nova proposta para identificar CDs e disquetes. “A Procuradoria-Geral da República, o Ministério da Justiça e a PF vão verificar o que precisa ser adicionado no sistema legal, administrativo e técnico para que se reduzam os erros e ilegalidades a margem próxima de zero”, garante.

Para ele, Vavá não é lobista. “Mas evidentemente provocou dano político ao presidente”, admite. O ministro é contra a autonomia financeira da PF, idéia que ganhou apoio da corporação. “É absolutamente inaceitável. Seria o primeiro degrau para um Estado não de Direito, mas de Polícia.”

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Cargos em comissão: Salário aumenta em até 137%

Congelado desde o fim do governo Fernando Henrique, o salário dos 15 mil ocupantes de cargos em comissão de Direção e Assessoramento Superior (DAS) dos níveis 1 a 3 (R$ 1.100,00 a R$ 1.600,00) da administração federal será reajustado em até 137%, segundo Medida Provisória assinada por Lula na última quinta-feira.

Para os cinco mil ocupantes de cargos DAS 4, 5 e 6 (R$ 4.900,00 a R$ 6,5 mil), o reajuste será de 28%. Esses foram contemplados com aumento no meio do primeiro governo Lula. A Medida Provisória deverá ser publicada amanhã no Diário Oficial.

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Deputados retiram assinaturas do requerimento da CPI da Navalha

O movimento de retirada de assinaturas para instalação da CPI da Navalha já iniciou. Lindomar Garçom (PV-RO) e Edmar Moreira (DEM-MG) apresentaram requerimento pedindo a retirada de seus respectivos nomes.

Também há problemas com algumas assinaturas. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), assinou como “Paulinho da Força Sindical”. Ele já avisou que vai retificar seu nome no requerimento.

Se não houverem 171 assinaturas de deputados e de 27 senadores, a CPI não sai do papel.

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Wagner-Tur

O deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) está impressionado: em cinco meses, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), fez cinco viagens ao exterior. Inclusive uma ao Japão, misteriosa, que durou uma semana.

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Lula volta a pedir para que não falem mal do Brasil

Pedindo votos para eleição do Cristo Redentor como uma das novas maravilhas do mundo, o presidente Lula criticou os brasileiros que ficam falando mal do país quando vão ao exterior.

“Os brasileiros viajam lá para fora e falam mal do Brasil. Os brasileiros adoram falar mal do Brasil. Temos que cuidar da imagem aqui e lá fora”, afirmou Lula.

Acompanhavam o presidente, Aécio Neves, José Serra, Sérgio Cabral, Tarso Genro, Marta Suplicy, Gilberto Gil e Orlando Silva (ministro dos Esportes).

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Ética à Cafeteira

Carta ao leitor, Revista Veja

Os processos de apuração de desvios de conduta dos próceres de uma nação precisam resultar em algum aprendizado para a classe política, em benefício da sociedade. Sem esse saldo positivo, o que se tem são casos que geram mais calor do que luz. No caso atual envolvendo Renan Calheiros, presidente do Senado, corre-se o risco de que a exposição de suas perigosas ligações com um lobista de empreiteira e de seus negócios agropecuários obscuros termine sem uma apuração cabal dos fatos como quer o complacente relator do Conselho de Ética do Senado, senador Epitácio Cafeteira.

Os senhores senadores precisam estar cientes do fato de que ao varrerem para debaixo do tapete as suspeitas em torno do senador Calheiros estarão escrevendo um permissivo código de conduta ética para a vida pública brasileira.

Ficamos então combinados que pelo código Cafeteira todo senador ou deputado de agora em diante pode:

• Pagar contas de 100.000 reais usando dinheiro vivo sem declarar os gastos ao imposto de renda.
• Valer-se dos serviços de lobistas de empreiteiras para resolver questões pessoais de foro íntimo e que envolvam dinheiro.
• Apresentar emendas orçamentárias que beneficiem justamente a empreiteira do lobista-amigo-secretário-tesoureiro.
• Usar escritórios de empreiteiras como sua tesouraria pessoal.
• Usar apartamentos de lobistas para encontros amorosos.
• Ter lobistas como fiadores de suas despesas.
• Ter suas campanhas políticas financiadas por empreiteiros com interesses diretos em suas decisões de como gastar o dinheiro do povo.
• Apresentar emendas ao Orçamento que beneficiem empresas de lobista-amigo-secretário-tesoureiro.
• Vender bois com uso de recibos frios.

O filósofo grego Aristóteles em sua Ética a Nicômaco alertou para o fato de que as qualidades morais precisam ser praticadas até se tornarem um hábito. O código Cafeteira é a negação dessa verdade.

Uma questão ainda indefinida

Editorial Jornal do Brasil

Há quase cinco anos, o ministro Carlos Velloso foi o único voto vencido (em sete proferidos) quando o Supremo Tribunal Federal começou a julgar a polêmica questão do direito a foro privilegiado de agentes políticos acusados de improbidade administrativa. Hoje aposentado, Velloso falou, em entrevista ao Jornal do Brasil, na edição de ontem, do "prazer" de ver que outros quatro integrantes do tribunal (Joaquim Barbosa, Marco Aurélio, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence), na conclusão do julgamento do leading case do ex-ministro Ronaldo Sardenberg, trilharam o mesmo caminho. Ou seja, o de que ato de improbidade administrativa é ação civil a ser proposta pelo Ministério Público, na primeira instância, e não equivale crime comum ou de responsabilidade.

Embora o STF tenha mantido o entendimento favorável ao foro especial para agentes políticos, tal como fixado pela corrente majoritária, na qual se incluíam três ministros também já aposentados (Nelson Jobim, Maurício Corrêa e Ilmar Galvão), o apertado placar de 6 a 5 indica que - com a nova composição da Corte - é bem provável uma decisão em sentido contrário assim que for levado a plenário um recurso similar.

Na entrevista ao JB, Carlos Velloso ressaltou que o princípio da igualdade é inerente à República, e que "todos estamos sujeitos a um juiz natural, inclusive o presidente da República e os ministros de Estado", quando está em causa ato de improbidade administrativa. Tal ponto de vista é similar ao dos outros ministros que formaram a expressiva minoria de cinco votos, registrada no julgamento de quarta-feira. Para eles, de acordo com a Constituição, o STF só julga o presidente da República, os ministros de Estado, os comandantes das Forças Armadas, os ministros de tribunais superiores e os chefes de missão diplomática "nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade" - estes relacionados na Lei 1.079/50.

A lei de 1950 descreve também os crimes de responsabilidade dos governadores, não incluindo, expressamente, em quaisquer dos casos, atos de improbidade administrativa, a não ser de forma indireta ("Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo").

Quatro ministros da atual composição do Supremo - sucessores dos aposentados - ainda não se pronunciaram sobre a matéria: Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Eros Grau. Terão a oportunidade de fazê-lo, em breve, no julgamento de outro recurso da mesma natureza, num clima de indignação crescente da sociedade, em face dessa sucessão de escândalos a comprovar a tese de que, no Brasil, a corrupção é tão endêmica como a impunidade.

Certamente, apesar do compreensível clamor público em torno do assunto, vão sopesar - numa ótica eminentemente jurídica - os argumentos em alta na Corte e os já expressos pelos ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Ellen Gracie. Em recente audiência pública realizada na Câmara, Mendes deu o seguinte exemplo, ao defender o foro especial para as altas autoridades públicas em supostos atos de improbidade administrativa: "Suponha que um zeloso promotor do Distrito Federal peça a um também zeloso juiz o afastamento do presidente da República, em ação de improbidade. Em tese, isso seria possível. Um juiz de primeiro grau teria poder para afastar do cargo até o presidente da República".

A questão é bem mais complexa do que pensa o respeitável público. E não está ainda resolvida em definitivo. Mas quando o Supremo falar, com base na atual composição, o assunto estará encerrado. "Roma locuta, causa finita".

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Cristovam Buarque diz que Bolsa-Família é “grande escândalo” e culpa Lula

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou, em artigo denominado “o verdadeiro escândalo” publicado no Jornal do Commercio e em seu blog, que o Bolsa-Família é um grande escândalo, por ter perdido o caráter educacional. O trabalhista culpou Lula pelo aumento do trabalho infantil e a evasão escolar.“O presidente da República é obrigado a explicar por que seu irmão não se comportou bem, mas ninguém cobra dele uma explicação pelo aumento do trabalho infantil ocorrido na sua gestão. O presidente é muito mais responsável por cada criança que continua fora da escola e trabalhando do que pelos atos de um irmão seu. Mas ninguém propõe uma CPI para investigar isso”, disse o senador.Cristovam considerou que a simples mudança de nome do programa Bolsa-escola para Bolsa-Família teria sido um grande erro do governo Lula.

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Marta Suplicy diz que ficou “arrasada” com própria declaração

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, declarou nesta sexta-feira que ficou muito “triste e arrasada” por ter mandado os passageiros "relaxar e gozar" ao enfrentar os transtornos dos aeroportos brasileiros.

“Fiquei muito triste com a frase, arrasada, porque a frase não condiz com o pensamento que eu estava no momento, que era exatamente de dizer para as pessoas não desistirem de viajar por causa do que estava acontecendo nos aeroportos. E foi uma frase infeliz, que me deixou tristíssima", afirmou.

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E na Venezuela o Ibope não agradou...

Lauro Jardim, Radar, Revista Veja

Na semana passada, Hugo Chávez fechou temporariamente os dois maiores institutos de pesquisa de opinião da Venezuela. Alegou problemas fiscais. Não por acaso, as duas empresas haviam realizado levantamentos que mostravam a insatisfação dos venezuelanos com o fechamento da RCTV. A atitude de Chávez remete a uma história curiosa: há dois anos, irritado com os institutos de opinião locais, Chávez contratou o Ibope, depois de uma indicação de José Dirceu. Mandou fazer uma pesquisa sobre a popularidade do governo. O resultado colhido pelo Ibope foi pior que o dos institutos locais. Foi a última pesquisa feita pelos brasileiros.

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Lula e Marta: generosidade para a Parada Gay
Cláudio Humberto

O site Contas Abertas constatou a generosidade da ministra do Turismo, Marta Suplicy, e do governo Lula: o ministério doou R$ 250 mil para a Parada Gay de São Paulo, e o governo doou mais R$ 100 mil. De 2006 para 2007 as doações pularam de R$ 35 mil para R$ 350 mil.

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Indústria de alta tecnologia recuou 16% em 10 anos

A indústria brasileira de alta tecnologia recuou 16% nos últimos 10 anos. No mesmo período, a mais básica expandiu-se 9%. A valorização do real agrava ainda mais esta situação, uma vez que estimula a produção e exportação de produtos básicos e favorece a importação dos mais avançados.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), os setores mais atingidos são o de informática e o de material eletrônico. As empresas de transformação também registraram resultados abaixo do esperado e tiveram sua importância no PIB (Produto Interno Bruto) diminuída nos últimos 27 meses.

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Diretorias do BNB são divididas entre aliados

O ministro Guido Mantega (Fazenda) vai anunciar na próxima semana a nova diretoria do Banco do Nordeste. Lula definiu que o governador da Bahia, Jacques Wagner, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o PT de Pernambuco e o PMDB da Paraíba terão direito cada um a indicar um diretor. Falta bater o martelo em apenas duas diretorias. Uma delas está sendo disputada pelos governadores do Rio Grande do Norte, Wilma Faria (PSB), e Marcelo Deda (PT), de Sergipe.

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PF indicia 101 em inquérito da Operação Xeque-Mate

A Polícia Federal entregou ao Ministério Público Federal, em Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira o inquérito da Operação Xeque-Mate indiciando 101 pessoas. Os acusados devem ser denunciados pela MPF na próxima segunda-feira (18.05).

O relatório indica a existência de cinco níveis de organização criminosa: fabricantes de caça-níqueis, pessoas que instalam e fazem manutenção dos equipamentos, responsáveis pelas apostas e prêmios, pessoas que movimentam o dinheiro e aqueles que corrompem policiais.

Entre os indiciados estão o ex-deputado estadual Nilton Servo e Genival Inácio da Silva (o Vavá), irmão do presidente do Lula. O relatório da PF diz que Vavá usa de “suposta” influência política para defender os interesses de Servo junto a órgãos públicos e do Judiciário em troca de dinheiro.

Outro indiciado é Dario Morelli Filho, pai de um afilhado do presidente Lula, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha.

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DNA em hospital americano

Os restos mortais do engenheiro João José Vasconcellos Jr., assassinado no Iraque, foram identificados por exame de DNA feito em hospital militar americano de Bagdá. A solicitação do exame pôs fim a uma saia justa do governo brasileiro, que chegou a montar uma intrincada operação sigilosa para esconder dos EUA que negociava o pagamento de resgate pelo corpo. É que os americanos têm como política não pagar resgate a terroristas.

Os bandidos iraquianos pediram US$ 400 mil dólares para entregar os restos mortais do engenheiro que trabalhava para a construtora Odebrecht.

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Lula interroga ministros cobrando crescimento abaixo do esperado do PIB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou os ministros da área econômica após saber que o PIB (Produto Interno Bruto) havia crescido 4,3% no primeiro trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2006. O presidente tinha recebido a promessa de que a taxa seria de 4,5% ou mais. "Ele fez um interrogatório, queria saber por que não foi como o esperado", contou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Perguntado pelo presidente qual havia sido o impacto do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no PIB, Paulo Bernardo respondeu “nenhum”. Segundo o ministro, o PAC não apresentou resultados porque os investimentos do programa só começaram a ser liberados na segunda quinzena de março.

Bernardo garantiu que o resultado será melhor no segundo trimestre, uma vez que a base de comparação com 2006 é fraca. "Não tem jeito de ser ruim", disse. O IBGE indicou desaceleração na economia no período.

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Faltou sobriedade
Lauro Jardim, Radar, Revista Veja

O governo propalou que uma pesquisa da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, feita em 2006, indicaria que 61% das vítimas de acidentes de trânsito estavam alcoolizadas. O dado foi incluído na Política Nacional do Álcool e divulgado pelo ministro da Saúde, José Temporão. Pois bem. A tal associação não fez a pesquisa. O único trabalho nesse sentido foi feito por outra entidade em 1997, e não em 2006, como divulgado.

As manhas do barão

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Na pequena rua Esteves Junior, perto do Largo do Machado, no Flamengo, no Rio, um velho magro, franzino, frágil, de barbas brancas, arfando e falando coisas incompreensíveis com voz sumida, perseguia um pivete que escapulia com um aparelho de TV.

Um jovem teatrólogo e cineasta paraibano, que morava por ali, na praça São Salvador, e estava indo almoçar no restaurante Lamas, viu, gritou, outras pessoas ajudaram a cercar o pivete, que desapareceu rua afora, mas largou a televisão no chão. Era de uma glória nacional, já a caminho do fim da vida, que se divertia vendo sua TV, posta no parapeito da janela do apartamento.

Ipojuca Pontes ficou amigo do velho, Aparício Torelly, o Barão de Itararé, e passou a pesquisar sua história e sua obra, a coleção completa de seu jornal "A Manha" e de seus clássicos "Almanhaques". Entrevistou irmão, filhos, amigos e contemporâneos de imprensa, como Rubem Braga, Otavio Malta, Magalhães Junior, Joel Silveira, Mario da Silva Brito, Raul Ryff.

Ipojuca
Logo depois, em novembro de 71, o Barão morreu, aos 76 anos. Nasceu em 1895, pai gaúcho, mãe uruguaia. Em dezembro de 81, o diretor Justino Martins sugeriu e Ipojuca escreveu longa matéria para a "Manchete" : - "A Falta Que Faz o Humor do Barão de Itararé". O cartunista Fortuna e o ator Armando Borgus sugeriram que o texto virasse uma peça de teatro.

Ipojuca escreveu "A Manha do Barão", um monólogo teatral. E entregou a Chico Anísio. Ninguém melhor para encarnar o sarcasmo político e a genialidade do Barão. Mas Chico Anísio perdeu o texto. E não havia cópia.

Agora, uma bendita e milagreira funcionária da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) encontrou nos arquivos o original desaparecido da peça.O momento nacional é perfeito para levá-la ao palco. E vai ser levada.

No Sul
Um humor vindo de longe. No colégio dos jesuítas, em São Leopoldo, aos 10 anos, fez seu primeiro jornal, clandestino, "O Capim Seco", todo escrito por ele e à mão. Em Porto Alegre, publicou um livro de poesia,"Pontas de Cigarro, de Versos Diversos", e criou um jornal de humor, "O Chico".

Estudou medicina, parou no quarto ano: - "O que eu queria era estudar direito : ser contra ou a favor, dependendo de quem estivesse a favor ou contra. Mas meu pai me disse para ser médico, basta assinar receitas e atestados de óbitos. Sabe o que significa as duas cobras que estão no anel do médico? Que o médico cobra duas vezes. Se cura, cobra. Se mata, cobra".

Numa prova, o examinador mostrou-lhe um osso : - "Conhece este osso"? - "Não senhor". - "Então eu lhe apresento : é um fêmur". Ele apertou a ponta do osso : - "Muito prazer". O examinador, já com raiva: -"Quantos rins nós temos"? -"Quatro". -"Quatro"? -"Sim, dois meus e dois seus". Reprovado.

No Rio
Em 25, veio para o Rio, trabalhou no "Globo", que nascia, e no "A Manhã", de Mario Rodrigues, pai do Nelson. Em 26, fundou "A Manha" - "órgão de ataques...de riso", "um jornal que não se vende, apenas se troca... por quinhentos reis". Implacável e profético com os governos e os políticos : - "O mistério de hoje pode ser o ministério de amanhã".

Depois de 30, virou o "Barão de Itararé". Chamava Getúlio de "G.Tulio Dor Nelles Vargas". Em 33, começou no "Jornal do Povo" umas matérias sobre João Candido, o marinheiro negro que liderou a "revolta da chibata", em 1910, contra os castigos corporais na Marinha e por melhores soldos. Só sairam duas. Seqüestrado por oficiais da Marinha, levado para a Barra da Tijuca, espancado e deixado nu, a cabeça raspada, as roupas jogadas na redação. Voltou e pôs uma placa na porta do jornal: - "Entre sem bater".

No PCB
Membro da ANL (Aliança Nacional Libertadora), foi preso no levante comunista de 35. "A Manha" fechou e ele foi para a cadeia, companheiro de Graciliano Ramos e tantos outros na Frei Caneca. Anistiado em 45, agradeceu:

- "Anistia é um ato pelo qual os governos resolvem perdoar generosamente as injustiças e os crimes que eles mesmos cometeram".

"A Manha" voltou e em janeiro de 47 ele se elegeu vereador do Rio pelo PCB, a maior bancada, liderada pelo bravo e inesquecível Agildo Barata. Quando, em 48, o PCB foi posto na ilegalidade e seus representantes, senador, deputados e vereadores, perderam os mandatos, o Barão foi à tribuna:

- "Senhor presidente, senhores vereadores, senhoras e senhores das galerias, neste momento deixo a vida pública para me recolher à privada".

Na história
Entrou na história com suas frases, sabedorias, que o País repete :

- "Temos dois grupos de heróis: os que o País chora por terem morrido e os que o País chora por não terem morrido" - "O voto deve ser rigorosamente secreto : para o eleitor não ter vergonha de seu candidato". - "Prenderam-me por ter conversado com Prestes. Impossível. Com Prestes ninguém conversa. Ele fala sozinho" - "João Neves da Fontoura é como disco voador : pequeno, chato e ninguém acredita nele" - "O Estado Novo é o estado a que chegamos"

O espelho trincou

De André Petry, Revista VEJA

O senador Renan Calheiros já tem quase três décadas de vida pública. Em 1978, venceu sua primeira eleição para deputado estadual em Alagoas. É um político hábil. Já foi líder de governo, já foi ministro e hoje preside o Senado. No escândalo de suas relações promíscuas com um lobista de empreiteira, ele tem dado mostras evidentes de seu talento político: o Senado, não todo, mas quase todo, está francamente a seu favor. É bem verdade que boa parte desses senadores age assim por medo. Medo de Renan Calheiros porque ele já foi ministro da Justiça e, como tal, mandava na Polícia Federal. Os senadores, por alguma razão inexplicável, costumam ter medo da Polícia Federal. Não todos, mas quase todos da tropa de choque de Renan.

Também é verdade que esses senadores protegem Renan por um verdadeiro sentimento de solidariedade. Coisa real, autêntica. De irmão para irmão. A melhor definição para essa irmandade foi dada por um senador, nordestino e veterano em política, que infelizmente pede para não ser identificado. Ele diz: "O problema é que quase todos os senadores têm sua Mônica e seu Zuleido". Mas, ignoremos as amantes e os empreiteiros e reconheçamos que o comportamento bovinamente indecente da maioria dos senadores resulta do brilho, do talento, da habilidade política de Renan.

Pois não é que, com três décadas de vida pública, Renan está caindo numa armadilha criada por ele mesmo? Desde o início do Renangate, o senador adotou a tática do espelho, que consiste em usar a imagem refletida, que é sempre o inverso do real. Então, tudo o que o senador aparenta, tudo o que diz, tudo o que alega, é na verdade o seu exato oposto. Primeiro, tentou vender a idéia de que a imprensa invadiu sua vida privada, mas era o próprio senador que, ao expor sua vida pessoal para nela escudar-se, invadiu a vida pública. Depois, seguindo na tática do espelho, tentou dizer que as denúncias que o fazem sangrar são um ataque ao Senado, mas era o contrário: o senador é que, sangrando na cadeira de presidente, era, ele mesmo, um ataque à instituição.

Com suas atitudes espelhadas, Renan está tentando escapar da guilhotina. Tem todo o direito de fazê-lo. Se colar, colou. A maioria dos senadores reza para que cole. O único problema é que o espelho começou a trincar. VEJA mostrou que suas contas não fecham. O Jornal Nacional mostrou que suas vendas de boi não batem. Cada explicação do senador precisa de outra explicação, que logo requer uma terceira, formando um incessante conjunto de explicações sobre coisas que só podem ser inexplicáveis.

Para os senadores, para aqueles que têm Mônica, Zuleido e medo, não haveria incômodo em deixar Renan se explicando pela eternidade. O problema é que, ao confundir o público com o privado, ao confundir sua figura pessoal com a imagem do Senado, Renan, com seu naufrágio, está afundando o próprio Senado. É coisa séria. Não é o mandato de um senador que entra em jogo, mas o papel de uma instituição. Diante disso, Renan, com seu brilho, seu talento, sua habilidade política, deveria pedir licença do Senado. Entregaria a presidência ao sucessor, teria todo o tempo do mundo para preparar uma explicação – uma só – e evitaria que o Senado perdesse o que ainda lhe resta de credibilidade e respeito. Vamos lá, Renan, salve o Senado!"

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China: Crianças fabricam produtos da Olimpíada-2008
Veja online

Os produtos oficiais dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, são fabricados com trabalho infantil, horas extras obrigatórias e salários reduzidos. A denúncia foi feita nesta segunda-feira pela Playfair, uma aliança internacional de sindicatos, que condenou as "severas violações dos direitos trabalhistas" nas fábricas da China a pouco mais de um ano do início da Olimpíada.

De acordo com um relatório do grupo, há graves abusos nas fábricas que conquistaram permissão para produzir os bonés, mochilas e canetas oficiais dos Jogos. O texto diz que há crianças de até 12 anos trabalhando nas fábricas, que também pagam apenas metade do salário mínimo aos adultos. Para completar, as fábricas obrigam seus empregados a fazer hora extra e a mentir sobre as péssimas condições de trabalho quando os locais são visitados por inspetores.

As empresas envolvidas negam as violações, assim como o comitê organizador local. O Comitê Olímpico Internacional (COI) diz não ter controle sobre as empresas, mas lembra que as cidades que recebem os Jogos precisam seguir as normas trabalhistas. Correspondentes da rede BBC e da agência de notícias Associated Press visitaram algumas das fábricas acusadas e ouviram dos gerentes que não há crianças empregadas nos locais.

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Segredo de polícia

Tem muita sobra de conversas grampeadas pela Polícia Federal. Por irrelevantes, algumas são desprezadas. Por importantes, outras são mantidas em segredo.

É o caso de um diálogo colhido durante a Operação Hurricane que resultou na prisão em abril último de juízes e bicheiros. O diálogo foi travado por um empreiteiro com o ministro das Cidades Márcio Forte de Almeida.

Apareceu por engano no meio das transcrições de telefonemas da Operação Navalha que foram parar na redação de um jornal em Brasília. A pedido da direção da polícia, permanece inédito.

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Renan foi multado pela Receita
Por Leonardo Souza, na Folha de S.Paulo

"O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi multado em R$ 109 mil pela Receita Federal, em abril de 2003, por problemas em seu Imposto de Renda. O valor corresponde ao imposto devido, multa e correção monetária. Ao invés de recorrer da autuação, Renan parcelou o débito, o que significa, em tese, ter reconhecido que sonegou imposto.

A multa de 2003 não é a única pendência de Renan com o fisco. Ele também não consegue hoje obter certidão negativa conjunta de débitos relativos a tributos federais e à dívida ativa da União ao consultar a página da Receita na internet. Precisa ir a uma delegacia do órgão para resolver a situação."

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“Compadre de Lula está envolvido até o pescoço”, avalia PF
Por Vannildo Mendes, no Estadão

A Polícia Federal vai concentrar as investigações sobre o petista Dario Morelli Filho, preso na Operação Xeque-Mate, e já estuda pedir sua prisão preventiva, por considerar que ele é sócio do empresário Nilton Cezar Servo, suposto chefe da máfia dos caça-níqueis, desmantelada na semana passada. “Ele está envolvido até o pescoço com o chefe da organização”, disse o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, ao Estado. Lacerda quer que Morelli fique mais tempo detido a fim de facilitar a apuração.

As investigações da PF indicam que ele foi o aliciador de Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indiciado por envolvimento com a quadrilha. Morelli teria tido no grupo um papel mais relevante do que se imaginava.Apanhado na operação, Morelli - que é compadre de Lula - teve a prisão temporária de cinco dias renovada por mais cinco dias na sexta-feira. Com a decretação de prisão preventiva, que ainda precisa ser submetida à Justiça, ele ficará preso pelo tempo que for conveniente ao inquérito. O mesmo pedido é estudado para Servo e outros membros centrais da quadrilha. A PF descarta, por enquanto, a hipótese de pedir a prisão de Vavá, porque as investigações feitas até agora o mostram cada vez mais como um “inocente útil”, usado pela quadrilha em pequenas tarefas.

Em diálogos interceptados pela PF, membros da quadrilha tratavam Vavá como um “lobista pé-de-chinelo”, que insinuava uma importância que não tinha para embolsar uns trocados. Num desses diálogos, captado no começo deste ano, Servo orienta Morelli a não dar muita conversa para Vavá, para que ele não atrapalhe o negócio milionário do grupo com ninharias.

Não deixa o Vavá ficar conversando muito. Esse bobão vai pedir 10... 20 mil... e queimar um esquema de milhões”, alerta Servo. Morelli concorda e diz “pode deixar”.

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Com novo navegador, Apple rivaliza Microsoft
Veja online

A empresa de tecnologia Apple anunciou nesta segunda-feira que seu navegador de internet, o Safari, poderá ser usado em computadores com sistemas Windows XP e Windows Vista, ambos da Microsoft. O navegador vai rivalizar com o tradicional Internet Explorer, que detém cerca de 79% do mercado de browsers. O anúncio foi feito pelo diretor-presidente da Apple, Steve Jobs, após apresentação em uma conferência anual de desenvolvedores, em São Francisco.

Além do lançamento do navegador para Windows, Jobs anunciou que o navegador Safari também funcionará no aguardado iPhone. Com a possibilidade de se rodar o navegador da Apple em computadores com Windows, "será criada uma plataforma de usuários bastante significativa para o iPhone", disse Mike McGuire, analista de uma indústria de pesquisa da Califórnia. O aparelho, misto de telefone celular, iPod e navegador de internet sem fio, tem lançamento previsto para o próximo dia 29, nos EUA.

Aceitação - Recentemente, os fabricantes de jogos eletrônicos Id e Electronic Arts anunciaram que irão lançar versões de seus jogos para Macintosh e Windows simultaneamente. O anúncio é mais um indício de que a Apple tem progredido em sua luta para aumentar a aceitação dos consumidores para seus produtos.

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Correa mira no jornal 'La Hora'

A liberdade de imprensa está agora sendo espremida no Equador, espécie de clone do ditador venezuelano Hugo Chávez. O presidente Rafael Correa não gosta do tom crítico do jornal La Hora.

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Operação Lavrador da PF prende seis no Pará

A Operação Lavrador, da Polícia Federal, prendeu nesta sexta-feira seis pessoas suspeitas de desviar recursos Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), do governo federal. As ações ocorreram nas cidades paraenses de Altamira, Brasil Novo, Medicilância e Uruará. De acordo com a PF, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, mas não foi possível prender cinco das 11 pessoas que tiveram contra si mandados expedidos pela Justiça Federal em Altamira. A Polícia investigava os suspeitos há dois meses, após ter recebido denúncias das fraudes.

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