segunda-feira, junho 18, 2012

CALOTE CRUEL: Mulher de 102 anos luta para receber precatório


Marília Scriboni
Consultor Jurídico

Há mais de três décadas, o marido de Alzira de Araújo morreu e deixou para ela uma pensão. No entanto, a cada ida ao banco ela só recebia 75% do valor a que tinha direito. Em 2000, entrou na Justiça paulista para pedir a correção do benefício. Conseguiu o valor integral em 2001, mas a diferença dos atrasados nunca foi paga. Pela lei, a idosa de 102 anos deveria ter recebido o dinheiro em 2008. O revés se deu com a resolução do Conselho Nacional de Justiça, segundo a qual os entes devedores passariam a ter 15 anos para quitar suas dívidas. Com a novidade, Alzira pode ter que viver até os 117 anos para receber o que lhe é devido.

A realidade da centenária é compartilhada por pelo menos outros 400 mil credores, somente no estado de São Paulo. Juntos, eles esperam para receber, um dia, R$ 20 bilhões. A gravidade do quadro, somada à idade avançada de muitos que esperam pela quitação dos débitos, mais o espírito empreendedor de investidores e empresas, têm levado ao desenvolvimento de uma nova modalidade comercial: a compra e a venda de precatórios, tudo nos conformes da lei.

Um desses investidores foi procurar Alzira, oferecendo comprar seu título por cerca de 50% do valor de face. Ele chegou ao nome dela por meio do site do próprio Tribunal de Justiça de São Paulo. Em 2008, com a Emenda Constitucional 62, a responsabilidade pela elaboração de listas únicas recaiu sobre os Tribunais de Justiça do país. Com o pé atrás, sua filha, Edna de Araújo, de 60 anos, foi procurar o Marcatto, escritório voltado para a defesa de servidores públicos.

"Considerando algumas exceções pontuais, não vale a pena vender o precatório, por mais absurda que possa parecer essa afirmação se contraposta à caótica situação dos precatórios", alerta Rafael Jonatan Marcatto, sócio-fundador do escritório, membro da Comissão de Dívida Pública da Ordem dos Advogados de São Paulo e também membro do Movimento dos Advogados Credores da Administração Pública, o Madeca.

A notícia que o advogado traz pode ser animadora para os milhares de credores. Segundo ele, depois de anos de descaso com o credor alimentar, a tendência é que a situação mude em três ou quatro anos, quando a Administração Pública já vai ter dado conta de 95% do que deve. "Por muito tempo, só se pagou o [precatório] não-alimentar. O Judiciário percebeu a falha e está buscando formas de quitar os débitos da Administração Pública. O pagamento dos precatórios alimentares deixa as pessoas mais felizes, e isso interessa a muita gente", explica.

Na carona dessa tendência, por exemplo, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou um decreto determinando que 50% do montante previsto para o pagamento em 2010 seja obrigatoriamente destinado ao pagamento dos créditos por ordem crescente de valor. Ou seja, os R$ 2,4 bilhões serão distribuídos, de forma prioritária, aos que menos têm a receber.

Qualquer credor pode vender seu precatório. Porém, segundo Marcatto, o melhor a fazer, ainda, é esperar pelo desenrolar da história, "a não ser que a pessoa precise muito do dinheiro". E que história. Na maior parte das vezes, o valor que a pessoa consegue no mercado está muito abaixo do valor real do título. "A oferta é grande e a demora na execução do pagamento do precatório faz o valor pago pelas empresas cair", revela.

A partir do momento em que o credor concordou em vender o precatório, ele deve observar todas as questões que merecem atenção em qualquer outro tipo de venda. Além disso, ele lembra que, ao repassar o direito de receber o débito a um terceiro, o credor "ajudará a aliviar cada vez mais a obrigação do estado de resolver definitivamente a questão".

A responsabilidade do estado no assunto também é citada por outra advogada. A especialista em Direito Financeiro Eliane Izilda Fernades Vieira, do Fernandes Vieira Advogados Associados, vê esse tipo de transação com ressalvas. "A compra e a venda de precatórios é um calote institucionalizado. Quando o contribuinte deve, o Estado é feroz. Quando o inverso acontece, ele faz leis para o seu próprio bem. A Emenda Constitucional 62 só veio para favorecer o governo", opina.

A emenda constitucional em questão mudou o regime do pagamento de precatórios, instituindo a fila dupla: de um lado, os credores alimentares e, de outro, os não-alimentares. Para os primeiros ficou decidido que assim que a decisão transitasse em julgado o valor deveria ser pago. Já o segundo grupo pode receber os valores em parcelas, que deverão ser pagas em no máximo dez anos. Em tese.

O que se vê são credores vendendo seus precatórios por, no máximo, 30% do valor de face. Ou, como explica Eliane, "por 10% do que eles valem de verdade, já que as empresas não consideram a correção monetária no momento da compra". Para ela, o mais injustiçado com os as idas e vindas do tema é o credor.

Para aquele credor que decidiu vender seu precatório não sair mais prejudicado ainda, Eliane sugere algumas precauções: lavrar o contrato em cartório e procurar os serviços de um advogado são atitudes que podem prevenir problemas no futuro. "Senão a pessoa para de esperar pelo precatório e começa a esperar pela Justiça", brinca. De qualquer maneira, como em qualquer contrato, o credor é protegido pelo Código Civil.

Um negócio arriscado
A empresa que consegue vencer a dúvida do credor e comprar o precatório para compensar tributos, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pode estar apenas no começo de uma batalha jurídica. Embora autorizada pelo artigo 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), a jurisprudência de alguns tribunais ainda vacila na concessão do direito legal. Como lembra Eliane, "o governo não pode se negar a receber seu próprio título". Mesmo assim, municípios e os estados vêm desafiando a determinação.

Se depender da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, os títulos de precatórios que as empresas têm nas mãos podem se transformar em papel podre. No último 14 de dezembro, o colegiado rejeitou os Embargos de Declaração de uma empresa que tentava saldar seus débitos por meio dos precatórios.

No entendimento da corte, "as Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais estão obrigadas a observar as novas regras constitucionais trazidas pela Emenda Constitucional 62, razão pela qual, diante da revogação do artigo 70, parágrafo 2º, do ADCT, estão impossibilitadas de pagarem os precatórios de forma contrária à previsão constitucional, caso optem pelo regime especial, como no caso".

O professor de Direito da Universidade de São Paulo Fernando Facury Scaff, em artigo publicado no livro Grandes Questões do Direito Tributário vai na contramão (Editora Dialética). "A própria norma constitucional previu esta possibilidade, criando uma espécie de 'mercado de compra e venda de precatórios', muitos dos quais para a quitação de tributos". Mesmo com essa previsão, diversos entes devedores vêm questionando a compensação de débitos com a Administração Pública por essa via. A alegação é quase sempre a mesma, também empregada quando o assunto é a demora no pagamento dos credores: a aceitação da compensação dos tributos resultaria em rombos aos seus cofres.

Na opinião de Scaff, a questão dos precatórios é um problema político. "Algumas unidades federadas", explica, "encontram-se absolutamente em dia com o pagamento de seus precatórios, tal como a União e alguns estados da Federação — curiosamente, dentre eles, alguns dos menos desenvolvidos". E completa: "alguns entes federados desenvolvidos 'financiaram' seu desenvolvimento a custa da inadimplência de seus pagamentos judiciais".

O advogado Telmo Schorr, do Schorr Advogados, conta que essa é uma das primeiras decisões na qual o STJ interpreta a Emenda Constitucional 62. De acordo com ele, caso esse seja de fato o entendimento a ser adotado nas decisões futuras, as empresas que hoje possuem precatórios ficam de mãos abanando. Para ele, "a empresa caiu no conto de quem prometeu e não cumpriu. O Estado é o último e grande beneficiário".

Schorr acredita que a venda de precatórios pode ser boa para aqueles que estão na fila, já que o poder barganha das grandes empresas, principais compradoras desse tipo de título, é maior que o poder do cidadão comum.

Em artigo publicado no mesmo Grandes Questões do Direito Tributário, a professora da Universidade Federal do Paraná Betina Treiger Grupenmacher antecipou o entendimento do STJ. O argumento mais recorrente da Administração Pública, aponta Betina, é de que o uso de precatórios na compensação infringiria a ordem cronológica para pagamento, pois, aceitos os precatórios na compensação de tributo, estes estariam preferindo àqueles incluídos na ordem para pagamento.

Ela alerta: "o argumento é insubsistente, posto que a regra constitucional em comento é expressa no sentido de que a observância refere-se ao pagamento, que pressupõe desembolso em moeda por parte da autoridade pública. A compensação não está sujeita a tal disciplina".

Mais otimista, o advogado Nelson Lacerda, do Lacerda e Lacerda Advogados, é categórico: os tribunais superiores vêm convalidando a possibilidade de compensação de tributos, como o ICMS, por meio de precatórios. A explicação para a rejeição dos Embargos de Declaração do STJ? "O STJ não analisa matéria constitucional. O caminho para quem deseja usar os títulos na compensação é o Supremo Tribunal Federal", alerta.

De acordo com ele, com a aposentadoria do ministro do STF Eros Grau, em agosto de 2010, a matéria não foi mais apreciada pela corte. "Criou-se uma fila proposital no STF para não aumentar o volume de compensações", revela.

Recentemente, o escritório de Lacerda venceu uma disputa entre a Administração Tributária de São Paulo e a Prisco Indústria e Comércio Ltda., da qual fazia a defesa. A empresa tinha em mãos um precatório de cerca de R$ 124 mil, mas só conseguiu no Tribunal de Justiça de São Paulo usar o título para compensar seus débitos tributários de R$ 116 mil. A decisão acabou por convalidar a compensação pelo artigo 78 do ADCT.

Na decisão, o juiz de Direito Ronaldo Frigini, da 1ª Vara da Fazenda Pública, anotou que "os créditos de natureza alimentar inserem-se na possibilidade de compensação com débitos fiscais". Ele explica o porquê: há uma previsão, no artigo 100 da Constituição Federal, que o credor pode ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a outra pessoas. Segundo ele, o dispositivo "não faz qualquer distinção sobre a qualidade deles (credor ou créditos), de modo a atingir toda a generalidade de pessoas (jurídicas ou físicas) que possuem ativos a receber do Poder Público".

Em outra decisão do TJ-SP, o relator do desembargador Magalhães Coelho, da 3ª Câmara de Direito Público, disse que "sendo a norma constitucional dotada de autoaplicabilidade, é possível ao credor da parcela do precatório descumprida, ou seja, vencida e não paga, compensar com o tributo devido à entidade política devedora independentemente de autorização legal".

Também da 3ª Câmara de Direito Público do TJ-SP, em decisão semelhante, o desembargador Angelo Malanga declarou que "infelizmente, é notória a postura da Fazenda Pública, que apesar de receber tratamento especial para o pagamento de seus débitos, com a possibilidade de perceber o pagamento em até dez anos, pretende esquivar-se da obrigação de pagamento e, ainda, inviabilizar a pretensão do contribuinte".

Sem comentários, porque não precisa: Maluf ganha do governo Dilma secretaria em ministério e fecha apoio a Haddad em SP


Ricardo Setti
Veja online

(Thiago Queiroz / AE)
Maluf, grande e fiel aliado do lulalato e do governo Dilma, 
apoiará o candidato de Lula em São Paulo 

Publicado na editoria de Política do Estadão

O PP de São Paulo decidiu apoiar o pré-candidato do PT à Prefeitura da capital, Fernando Haddad.

A decisão foi confirmada depois que o presidente estadual pepista, Paulo Maluf, conseguiu emplacar um aliado na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. A pasta é controlada pelo PP, por meio do ministro Aguinaldo Ribeiro, que conduziu as articulações com os petistas.

Maluf, que dará uma entrevista na segunda-feira, 18, para formalizar sua decisão, indicou para a secretaria o engenheiro Osvaldo Garcia – que é ligado, mas não filiado, ao PP paulista. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 15. Garcia assume a vaga de Leodegar da Cunha Ticoski, que passará a ocupar a Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos da pasta.

O partido de Maluf pleiteava a Secretaria das Cidades, mas, por enquanto, ficou com Saneamento Ambiental.

Alckmin resistiu a abrir espaço para Maluf, e ele desistiu de apoiar Serra
O PP estava prestes a apoiar o pré-candidato do PSDB em São Paulo, José Serra, mas se afastou dos tucanos depois que o governador Geraldo Alckmin resistiu a abrir espaço para o partido de Maluf na Secretaria de Habitação do Estado. Alckmin aceitava negociar a vaga depois das eleições, mas Maluf queria ocupar a pasta imediatamente.

Os pepistas alegam que se afastaram do PSDB porque seriam prejudicados em uma eventual coligação com os partidos aliados de Serra na eleição para vereador. Os dirigentes da sigla afirmam que ainda não fecharam o apoio a Haddad e alegam que a nomeação de um secretário não influencia essa decisão. “O cargo está em um ministério que já é do partido. Não altera nada”, afirmou o secretário-geral do PP, Jesse Ribeiro.

O apoio do PP pode garantir a Haddad a maior fatia de tempo na propaganda eleitoral obrigatória. Caso confirme uma aliança com o PC do B, os petistas terão 7min39s em cada programa, contra 6min38s de José Serra.

O dia da infâmia


Leonardo Attuch

O 14 de junho será lembrado como a data da desmoralização do Congresso

O Congresso Nacional pode fechar suas portas. A CPI do caso Cachoeira pode encerrar suas atividades. E a Corregedoria-Geral da União deve cancelar o decreto que considerou a Delta, de Fernando Cavendish, uma empresa inidônea. Para completar agora, o Ministério dos Transportes tem a obrigação de recontratar o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Luiz Antônio Pagot. Ah, temos também que soltar, imediatamente, o bicheiro Carlos Cachoeira. E vamos jogar no lixo as 30 mil horas de gravações da Operação Monte Carlo. Finalmente, vamos ignorar tudo que já foi dito a respeito do senador Cachoeira, aliás, senador Demóstenes Torres. Neste Congresso, ele merece ficar. Aliás, merece presidi-lo.

O que o Brasil assistiu, atônito, na manhã da quinta-feira 14, foi um dos maiores vexames já protagonizados por um parlamento em qualquer parte do mundo. Uma comissão parlamentar de inquérito que decidiu, simplesmente, não investigar. Liderada pelo relator Odair Cunha (PT-MG), a bancada da base aliada não apenas blindou o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, como também evitou a convocação do ex-diretor do Dnit, que, na revista ISTOÉ, denunciou o uso do órgão para arrecadar recursos de campanha para o PT e para o PSDB.

De que têm medo os parlamentares? Por que tanto pânico? “Medo da verdade?”, como indagou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Odair Cunha argumentou que a convocação de Pagot deveria ser sobrestada e que, se ele tem denúncias a fazer, deveria procurar a Polícia Federal. Ora, Pagot foi demitido do Dnit por pressão de Cachoeira. Isso aparece nos grampos da Polícia Federal. 

Se o PT tem medo de suas denúncias, deveria, no mínimo, garantir a Pagot o direito de defender sua honra.

Curiosamente, essa mesma CPI que fecha as portas para um “homem-bomba” aplaudiu dois governadores, nos dias anteriores, que deram a cara para bater. 

“Quem não deve não teme”, disse o governador Agnelo Queiroz, sob aplausos dos petistas, antes de liberar a quebra dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Mas o que ficou explícito, na quinta-feira, é que muitos dos membros da CPI devem e temem. Há, ali, claramente, uma “bancada do cheque”, como disse Miro Teixeira. O 14 de junho de 2012 ficará marcado, para sempre, como o dia da infâmia. 

Faz sucesso na internet um artigo de Alexandre Garcia sobre a bolha da economia brasileira


Alexandre Garcia

Não sei se torço para que seja verdade ou para que seja engano…  O Rei Juan Carlos esteve com a presidente Dilma. Fico imaginando a chefe de estado do Brasil a dizer ao chefe de estado da Espanha: “Eu sou você, amanhã”, tal como na propaganda de vodka.

Não é difícil chegar a essa conclusão. A crise na Espanha começou quando se decidiu que a expansão imobiliária seria uma solução maravilhosa para o crescimento do país: criaria emprego na construção civil ao mesmo tempo em que resolveria do problema da habitação.

Empregou-se muita gente e estrangeiros começaram a chegar aos milhares para atender à demanda de mão-de-obra. Tijolo e concreto se tornaram sinônimos de riqueza. Áreas verdes foram cobertas por construções, assim como o cinturão verde de muitas cidades.

Em poucos anos, o preço do metro quadrado disparou e o boom da construção atraiu especuladores. O metro quadrado da habitação subiu, mas os salários não. Os bancos, para manter a roda circulando, baixaram exigências para financiamentos, não se importando com a renda do financiado nem com as garantias.

Imaginaram que se o imóvel estava se valorizando tanto, se o devedor não pudesse pagar, venderia o imóvel por mais preço e ainda sobraria dinheiro. E ofereceram crédito para comprar casa, carro, móveis, eletrodomésticos, viagens… A dívida se tornou fator de crescimento.

Mas aí, estourou a bolha dos Estados Unidos. Os espanhóis se retraíram, o consumo caiu, vieram as demissões e se descobriu que o país se sustentava tirando do futuro; nunca houve realmente riqueza nem subida na escala social.
Você que me lê, e percebe as semelhanças, bata na madeira para torcer que por aqui não aconteça o mesmo. Os sinais são alarmantes: o PIB brasileiro do primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, aumentou apenas dois décimos por cento(0,2%). A inflação vai crescer o dobro do PIB neste ano.

Na Veja , a excelente Lya Luft chama de “ilusão” o que está acontecendo no Brasil. Ela mostra como também estamos sacando do futuro. “Palavras de ordem nos impelem a comprar, autoridades nos pedem para consumir, somos convocados a adquirir o supérfluo, até danoso, como botar mais carros em nossas ruas atravancadas ou em nossas péssimas estradas…Estamos enforcados em dívidas impagáveis, mas nos convidam a gastar ainda mais, de maneira impiedosa, até cruel.”- escreveu ela. Nossa bolha está inchada.

E é de sabão.

Dilma deve anunciar medidas de incentivo à economia


Marcos Chagas e Yara Aquino e Daniel Lima
Agência Brasil 

A expectativa é que o governo libere mais de R$ 10 bilhões em empréstimos do BNDES

Roberto Stuckert Filho/PR
Presidente Dilma Rousseff durante reunião 
com governadores no Palácio do Planalto

Brasília – A presidente Dilma Rousseff está reunida com governadores e representantes de 27 estados para anunciar medidas de incentivo à economia ante a crise internacional. A expectativa é que o governo libere mais de R$ 10 bilhões em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao chegar ao Palácio do Planalto, o governador da Bahia, Jaques Wagner, disse que o estado não teria problemas em contrair novas dívidas, uma vez que o endividamento é apenas 0,37% da receita corrente líquida. De acordo com a Secretaria da Fazenda do estado, ao final do primeiro quadrimestre de 2012 o estado cumpriu as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Sobre a negociação de uma nova taxa de correção da dívida dos estados com a União, Jaques Wagner reconheceu que a transferência de recursos mensais “é grande”. Ele destacou que as negociações com a área econômica do governo para a troca do indexador da dívida estão sob a condução do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Há uma discussão entre governadores, a área econômica do governo e parlamentares para trocar o índice que corrige a dívida dos estados do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) para a taxa básica de juros (Selic).

No Senado, uma proposta do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), na Comissão de Assuntos Econômicos, estabelece o indexador da dívida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) mais 3%. Essa proposta foi apoiada pelos secretários de Fazenda dos estados em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Em relação a possíveis contrapartidas que os governos estaduais teriam que oferecer para ter acesso ao empréstimo do BNDES, como, por exemplo, reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Jaques Wagner destacou que, antes, os governadores terão que avaliar se a proposta é interessante para os estados. “Na minha opinião, o governo federal tem que privilegiar os governadores que fizeram o dever de casa”, acrescentou, referindo-se àqueles que pagam em dia a dívida e estão com superávit.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Até quando o governo Dilma vai continuar enganando o país com estes pacotinhos de efeito ralo, tiro curto, buscando alcançar resultados pífios, mas sem nunca atingir o alvo principal que, de fato, resolveria os problemas de crescimento do país?

O Brasil já assistiu este filme, e sabemos bem como não chega a lugar algum. Sem cuidar do que realmente é importante, as reformas estruturais, tentando levar com a barriga apenas para atingir estatísticas positivas de efeito imediato, visando apenas obter resultados eleitorais, mas se descuidando de um projeto de país de longo prazo, vamos continuar na mesmice. De repente até se pode atingir um crescimento moderado, mas sabemos que os problemas centrais do crescimento econômico continuarão em banho Maria.

Portanto, estas reuniões em que se divulgam pacotinhos insossos, lamentavelmente, não levarão o Brasil  a nada. 

Além disto, para se produzir resoluções efetivamente de bom alcance, é preciso primeiro traçar um diagnóstico correto da realidade. A presidente, contudo, a exemplo de Lula, continua ignorando esta realidade, transferindo a responsabilidade de nossas mazelas a terceiros, vendo crises apenas lá fora, e não assumindo que a saída depende de nós exclusivamente. Deste modo, o alerta continua: estamos perdendo tempo e oportunidades, que tão cedo não cruzarão nosso caminho. 

Dirceu arma seu bunker


Sérgio Pardellas
Revista IstoÉ

O ex-ministro contrata um batalhão de advogados e assessores, vai municiar as redes sociais e articula manifestações de apoio para enfrentar o julgamento no STF

APELO ÀS RUAS
Dirceu convoca sindicalistas e estudantes
para pressionar por sua absolvição 

No sábado 2, trajando blazer preto e camisa azul clara, o ex-ministro José Dirceu entabulou uma conversa ao pé do ouvido com o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP). O bate-papo aconteceu minutos antes do pré-lançamento de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Dirceu deixava claro para o deputado, que é compadre do ex-presidente Lula, seu estado de ânimo para encarar o julgamento do mensalão no STF, onde ele é acusado por formação de quadrilha e corrupção ativa. “Se eu morrer, será lutando”, disse o ex-ministro. A expressão heróica utilizada por José Dirceu significa que ele está trabalhando duro para enfrentar o julgamento marcado para começar no dia 1º de agosto. Desde maio, ele prepara um arsenal pesado para atravessar o que chama de “um dos momentos mais críticos” de sua trajetória política. Para não ser condenado a até 12 anos de prisão, e acabar alijado definitivamente da vida pública, o homem que um dia presidiu o PT e foi o principal ministro do governo Lula montou um bunker de assessores e advogados, investiu na contratação de uma empresa especializada em redes sociais, passou a articular manifestações de apoio com sindicalistas, intelectuais e artistas e se reaproximou de organizações estudantis. “Você fala ‘oi’ para o Zé e ele fala em julgamento”, contou à ISTOÉ o deputado Devanir. “É um projeto legítimo dele, tentar mobilizar pessoas e angariar apoios”. 

Quem comanda a defesa de Dirceu é José Luiz Oliveira Lima, dono de um escritório com 11 advogados, localizado no 32º andar do prestigiado Edifício 50, na Avenida São Luiz, em São Paulo. Aos 45 anos, Juca, como gosta de ser chamado, especializou-se em Direito Penal, especialmente em delitos tributários. Já defendeu o banqueiro Daniel Dantas, acusado de lavagem de dinheiro e crime financeiro. Também teve entre seus clientes famosos o ex-banqueiro italiano Salvatore Cacciola. Embora esteja ao lado de Dirceu desde 2005, Juca pretende, com a iminência do julgamento, intensificar seu trabalho. “A partir de agosto, terei de ficar mais tempo em Brasília”, contou à ISTOÉ. O advogado diz estar seguro de que não há provas suficientes para condenar seu cliente. “As alegações finais apresentadas pelo Ministério Público nada mais são do que uma peça de ficção, pois em nenhum momento apontam de maneira concreta, baseada em provas, os motivos que justificariam a condenação do ex-ministro”, defende o advogado.


Para espalhar essas ideias da defesa pelo País, José Dirceu age em várias frentes. Uma das batalhas acontecerá nas redes de relacionamento. Ele contratou uma firma de ativistas digitais, a Interagentes, que está encarregada de disseminar pela internet argumentos por sua absolvição, tentando conquistar formadores de opinião. Velha conhecida das correntes de esquerda, a Interagentes já fez trabalhos para o PT e se compromete a travar uma “guerrilha virtual” por intermédio do twitter e do facebook. A frente de comunicação foi reforçada com a contratação do jornalista Luiz Fernando Rila, que se licenciou da empresa FSB para assessorar exclusivamente o ex-ministro durante o julgamento do mensalão. Desde o fim do último mês, Rila tem feito a “ponte” de José Dirceu com a imprensa. Ao seu lado, trabalha Edmilson Machado, afastado da empresa Máquina da Notícia para dedicar-se a Dirceu. Os dois unem-se a Aristeu Moreira, responsável há dois anos pelo blog do ex-ministro. Machado acompanha o noticiário e organiza os discursos do ex-ministro. Caberá a ele também coordenar as redes sociais. “Faremos uma disseminação de conteúdo”, diz Machado. 

Uma das primeiras tarefas da nova equipe contratada pelo petista foi estreitar as relações de Dirceu com sindicalistas, artistas, intelectuais e organizações estudantis. Nos próximos dias, Dirceu participará de um encontro no Rio de Janeiro com intelectuais e gente do meio artístico. O evento é organizado pelo produtor cinematográfico, Luiz Carlos Barreto, amigo de longa data de Dirceu, e por Flora Gil, mulher do cantor e ex-ministro Gilberto Gil. O ex-ministro pretende transformar a reunião num ato público de apoio, insistindo na tese de que é alvo de um processo político e não jurídico. O discurso é antigo, mas passará a ser entoado com mais força com a proximidade do julgamento no STF. Os convidados ainda receberão um CD contendo o resumo das acusações, provas produzidas e argumentos da defesa de José Dirceu no processo. Outra reunião, prevista para ocorrer no próximo mês, está sendo articulada a pedido de Dirceu com a “turma de Ibiúna”, composta por militantes que foram presos juntos com ele durante o 30º Congresso da UNE em 1968, em Ibiúna, cidade da região metropolitana de São Paulo. “Não sou PT, sou amigo do Zé”, justificou o médico homeopata, Luiz Bettarello, um dos integrantes da turma. “Vamos nos solidarizar e buscar ampliar apoio”. Bettarello diz acreditar na inocência do amigo. “Não há provas contra ele”, defende.


"A gente dá oi pro Zé e o Zé já fala em jugamento"
Devanir Ribeiro, deputado federal pelo PT-SP

A estratégia de convocar militantes para pressionar os ministros do STF vem sendo discutida por Dirceu desde o último mês em churrascos com amigos na sua casa em Vinhedo. A primeira incursão pública aconteceu no último dia 9, durante o 16º Congresso Nacional da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para uma inflamada platéia, Dirceu conclamou os estudantes a irem às ruas defendê-lo no que chamou de “batalha final”. “Todos sabem que este julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Preciso do apoio de vocês”, discursou Dirceu, aplaudido pelos 1.100 estudantes que lotaram o auditório da Uerj. Apesar dos aplausos, a entidade, no entanto, não decidiu aderir totalmente, como constatou ISTOÉ. O presidente da UJS disse que a entidade “ainda irá deliberar” sobre o assunto. “A União não decidiu se fará mobilizações, mas uma parcela considerável da juventude apóia José Dirceu e nutre simpatia pela sua trajetória no movimento estudantil”, ponderou André Tokarski. 

De maneira mais discreta, o petista já havia pregado a mobilização em favor de sua absolvição no STF em pelo menos outras três reuniões. Em Porto Alegre, há duas semanas, ao lado de integrantes do diretório nacional do PT, e em Brasília e no Rio de Janeiro, durante congresso da CUT. Como contou um sindicalista ligado aos bancários que participou de uma dessas reuniões, Dirceu prega que o caso do mensalão “não passa de uma luta por espaço político” e que os petistas não podem “baixar a guarda”. Em um seminário realizado pela turma de Direito da USP, do Largo São Francisco, no dia 30 de maio, coordenado pelo jurista Dalmo Dallari, o tema “influência da mídia nos julgamentos” foi abordado e o evento acabou se transformando num ato de apoio a Dirceu, que, por problemas de agenda, não esteve presente. Por intermédio de sua assessoria, porém, Dirceu negou que tivesse organizado o seminário. Ele também nega que os atos de apoio, ainda por vir, sejam parte integrante de sua estratégia para escapar da condenação.


As negativas se explicam. Nos últimos dias, Dirceu foi aconselhado por assessores a evitar, por ora, o tema manifestações públicas, devido à repercussão negativa já provocada pelo discurso incendiário feito para os estudantes. A agenda dos próximos encontros está mantida, mas os eventos serão tratados como discretos e reservados. “A repercussão do evento da Juventude Socialista acabou sendo muito ruim”, admite um petista ligado ao ex-ministro. A história, inclusive, ensina que convocações desse porte podem sair de controle e até se tornarem um tiro no pé. Em 1992, o então presidente da República Fernando Collor de Mello, enfrentando as acusações que levariam a seu impeachment, conclamou a população a sair às ruas vestida de verde e amarelo, em sinal de apoio. O que se viu, no entanto, foi justamente o contrário: a maioria dos brasileiros preferiu o preto, como forma de protesto. A prudência do PT também é motivada pela constatação de que, embora o ex-ministro mantenha grande a influência na cúpula petista, ele não controla mais a máquina partidária como antes. Dirceu, com seu estilo centralizador, deixou ressentimentos dentro do PT e não teria mais condições de arrastar às ruas um contingente expressivo de militantes leais. O assunto é evitado pelos cardeais petistas. “Não penso nada a respeito de qualquer tipo de pressão que o Zé Dirceu possa fazer. Na verdade, prefiro mesmo é ficar longe desse assunto”, esquiva-se o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP). 

A própria linha de defesa de Dirceu também provocou insatisfação, principalmente entre petistas ligados aos demais réus do mensalão. Nas alegações finais de um documento de 160 páginas produzido no final do ano passado, José Dirceu afirma que, depois de ter virado ministro, afastou-se da gestão do PT, o que, portanto, o livra de qualquer responsabilidade pelo que fez o partido. Com os argumentos para negação de autoria, a defesa do ex- ministro repassa a culpa pelo que a Procuradoria da República chamou de “compra sistemática de apoio de deputados federais ao governo Lula”, para o colo do ex-presidente da legenda, José Genoino, e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. “A defesa jogou contra os outros petistas envolvidos no processo e por isso não há disposição de ajudá-lo agora”, reconhece o advogado de um dos mensaleiros acusados. Ao que parece, somente os réus unidos seriam capazes de encher vários ônibus de militantes e colocá-los em frente ao STF, como ameaçou Dirceu no comício para os estudantes.

CHURRASCOS
Dirceu definiu a linha de sua defesa em reuniões
com amigos em sua casa em Vinhedo

Apesar de constrangimentos nas bases, Dirceu ainda tem muitos figurões do partido dispostos a brigar por ele e exercerem pressão nos bastidores. Há duas semanas, por exemplo, os deputados federais petistas Odair Cunha (MG) e Paulo Teixeira (SP), se reuniram com o ministro do STF Dias Toffolli, que foi advogado do PT e namora Roberta Maria Rangel, defensora de três acusados do mensalão. No partido, Paulo Teixeira é o encarregado de fazer a conexão entre os acusados, os advogados e os ministros do tribunal. Toffolli tem sido procurado por representantes do PT pedindo que ele participe do julgamento, embora a maioria dos ministros defenda, reservadamente, que ele se declare impedido de julgar os ex-colegas. Na reunião com os dois deputados, Toffolli pediu para um assessor sair da sala. Teixeira confirmou a conversa à ISTOÉ. O petista nega, porém, que ele tenha marcado a audiência a pedido de mensaleiros ou mesmo de José Dirceu. “Fui tratar de questões minhas. Até porque o Dirceu não precisa de mim para pedir nada ao Toffoli. Seria como colocar um intermediário para falar com um filho”, disse Teixeira. A confirmação do início do julgamento pelo STF desagradou ao PT. O partido teme que, no calor da campanha eleitoral, o mensalão torne-se combustível para a oposição e, conseqüentemente, mais desgaste para os acusados. “Já imaginávamos que ia ter pressão, mas não que segmentos do Supremo seriam tão suscetíveis assim. Aqui tem ministro do Supremo com vocação para pop star”, criticou o deputado André Vargas (PR), Secretário de Comunicação do PT.

"O juiz está acima das manifestações"
Marco Aurélio Mello, ministro do STF

No STF, alguns ministros responsáveis por julgar o processo insistem em minimizar as pressões. “É legitimo fazer pressões sejam elas quais forem, de rua ou de bastidores. Juiz está acima dessas manifestações”, diz o ministro Marco Aurélio Mello. “O STF não marcou a data do mensalão por pressão pública. O STF não precisa de nenhuma pressão para cumprir o dever constitucional de julgar os processos que lhe são entregues”, afirmou o presidente do tribunal, ministro Carlos Ayres Britto. Questionado sobre a convocação de Dirceu às massas, Marco Aurélio alega que movimentos semelhantes foram registrados também quando a Corte julgou a legalidade das pesquisas com células-tronco, atraindo o barulho de manifestantes contrários ou favoráveis à lei na porta do STF. A pretensão dos ministros de suavizar o clima das pressões é compreensível, embora eles certamente saibam que a comparação não é perfeita. As manifestações a que Mello se refere diziam respeito a interesses legais de determinados grupos sociais, envolvendo pesquisa científica e princípios religiosos. Já no caso do mensalão, seriam manifestações de forte cunho político, articuladas por interesses próximos a dois outros poderes da República. E sobre uma acusação de crime.





Com reportagem de Izabelle Torres e Alan Rodrigues

Como vivem os outros réus do mensalão


Izabelle Torres
Revista IstoÉ´

ISTOÉ localizou alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos e descobriu que, dentro ou fora da vida pública, a maioria acumula poder e influência pelo País
FUNCIONÁRIO DA CÂMARA
Acusado de distribuir propina, Jacinto Lamas
é hoje chefe-de-gabinete do PR

Passava das 15 horas de uma quarta-feira de junho quando um servidor entrou apressado na sala da liderança do PR, falando ao telefone e distribuindo instruções aos presentes. Tratava-se de Jacinto Lamas, personagem do escândalo do Mensalão acusado de receber e distribuir a propina destinada ao antigo PL e um dos 38 réus do processo com julgamento marcado para 1º de agosto no Supremo Tribunal Federal. Lamas continua funcionário da Câmara dos Deputados e engorda o contracheque com a função de chefe de gabinete do PR, obtida graças ao prestígio acumulado por anos de dedicação ao partido. Além de se manter como homem de confiança dos caciques da legenda, ele também manteve inabalável a vida confortável que conquistou. Prova disso é a mansão onde mora, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, na qual se encontrava em plena segunda-feira às 17 horas, quando foi procurado por ISTOÉ. “Estou bem e não falo do Mensalão. Você deveria ir atrás dos políticos”, disse pelo interfone. A exemplo de Lamas, ISTOÉ localizou outros réus do processo para mostrar como vivem alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos. 

O ex-líder do governo Lula, professor Luizinho, saiu da vida política pela porta de trás e entrou na elite do mundo empresarial. Em seu nome estão duas empresas. Uma delas é de consultoria e existe desde 2007. Nessa empresa, ele presta serviços a gente interessada em irrigar contas bancárias com dinheiro público por meio de convênios com prefeituras e ministérios. Em outra investida empresarial, ele divide com a mulher a sociedade na Analuz Reflorestamento, sediada na Bahia e especializada em plantações de eucaliptos. Assim como o petista Luizinho, o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz não voltou para cargo eletivo depois do escândalo, mas, para ganhar dinheiro, se vale da influência que teve um dia. Em seu nome há nove empresas. Duas são de aluguel de veículos e estão frequentemente na lista de contratadas de prefeituras mineiras. Quem também se reergueu depois do desgaste público foi Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ela continua sendo uma das principais acionistas da instituição e divide seu tempo entre administrar seus negócios pessoais e os da holding do Grupo Rural. Seu poder na corporação não diminuiu: ela ainda participa das decisões estratégicas do banco e dá expediente diário na instituição.

PATRIMÔNIO
A mansão de Lamas em Brasília:
"Estou bem e não falo do Mensalão"

Para os réus que faziam parte das empresas de Marcos Valério, pouca coisa mudou. Os sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerback ainda dividem com Valério a sociedade em pelo menos duas empresas de publicidade em atividade, além da SMP&B, que teve de sair de cena depois do Mensalão. Simone Vasconcelos, a ex-gerente financeira da empresa por onde circulavam notas frias e dinheiro destinado a recompensar parlamentares, foi quem pagou o preço mais alto e amargou pouco mais de um ano sem emprego. “O problema é que um processo criminal macula a imagem da pessoa”, diz Leonardo Yarochewsky, especialista em Direito Criminal e advogado de Simone. “Isso se agrava em casos de repercussão nacional como esse.”

É o peso de ser um réu que move a rotina de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Com um memorial em mãos, ele tem feito palestras pelo País pregando sua inocência. Para ganhar a vida longe da administração do partido, Delúbio montou uma imobiliária que atua na internet. Ele optou por ficar longe de disputas eleitorais. Escolha oposta à que foi feita pelo ex-deputado Paulo Rocha, que tem dado as cartas nas eleições do Pará como presidente de honra do PT no Estado, e a de Anderson Adauto, que briga para permanecer no comando do PMDB de Uberaba. Com planos mais audaciosos, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) costura apoio e alianças em torno da sua candidatura à prefeitura de Osasco. Apesar de alguns mensaleiros terem levado a vida nos últimos anos como se nada devessem ao País, todos sabem que há 11 ministros do STF no meio de seu caminho.




Em cartaz em um cinema pertinho de você


Cláudio Schamis
Opinião & Notícia

A política transformada em títulos da sétima arte

Advogado do Diabo!
O "injustiçado" José Dirceu capricha na cara de bom moço
e pede ajuda aos jovens. Ah, coitado!

Pois bem, o diabo em pessoa, que atende também pelo nome de José Dirceu, saiu às ruas não pedindo perdão, mas que os estudantes o defendam contra o absurdo do qual ele e outros 38 réus estão sendo acusados: o mensalão.

Confesso que vejo nessa atitude algo de muita valentia. Ele é um cara destemido ao mesmo tempo em que é um injustiçado. Um pobre coitado acusado de um crime que nunca existiu. Um crime quase perfeito – só não foi perfeito porque foi descoberto, ou não foi? – que segundo ele próprio foi forjado pela concorrência, quero dizer, pelos seus opositores de plantão, pelos verdadeiros mentirosos, que para derrubar, defenestrar e manchar o governo Lula, plantaram a semente do mal.

Segundo o réu não confesso, essa gente é a verdadeira culpada. Querem violar a democracia e a verdade, e jogar contra a opinião pública um homem correto, que sempre zelou pelos seus próprios interesses pessoais e políticos.

Zé Dirceu clama por ajuda. Quer ajuda dos caras pintadas, que um dia, lá no passado, saíram às ruas para clamar por justiça e derrubar um presidente. Essa mesma força ele quer para defendê-lo.

Resta saber se a história da carochinha dele vai colar. Resta saber se ele vai conseguir, como a Carminha da novela Avenida Brasil, enganar (pelo menos) metade do seu eleitorado. Só lembrando que Brasília virou, há muito tempo, uma grande Avenida Brasil, com suas Carminhas e Maxes de plantão e carteirinha profissional.

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças!

José Dirceu desafia: 
Quem já não esqueceu alguma coisa que atire o primeiro Fosfosol.

Ainda falando sobre o “ator”, ex-ministro e deputado cassado, José Dirceu esquece que em algum tempo do passado, ele, do alto da bancada, com toda a sua pose e prepotência de sempre, foi categórico quando disse no episódio de cassação do então deputado federal Ricardo Fiúza, acusado no escândalo que ficou conhecido como “Anões do Orçamento”, que para se cassar um mandato eletivo não eram necessárias provas, mas apenas evidências. Só que evidências no mandato dos outros é refresco e devem valer, mas quando o acusado é ele, as pessoas devem, pelo bem da democracia e da justiça, exigir provas cabais. Afinal ele é um homem de caráter.

Titanic!
O navio já virou, falta só avisar aos tripulantes. O iceberg Carlinhos Cachoeira continua a cada dia que passa mostrando o quão grande e poderoso ele era.

Agora a questão gira em torno da venda da casa do amigo não declarado, Marconi Perillo, que disse em depoimento que Carlinhos Cachoeira é só um empresário. Nada mais.

Acontece que quanto mais as coisas avançam, mais nomes, fatos e gravações surgem no roteiro de um filme onde o “The End” não tem fim.

Chamem o James Cameron para finalizar, porque senão…

E.T.!
Lula anuncia que está na área!

Lula, o verdadeiro E.T., vem sorrateiramente comendo pelas beiradas. Tem vezes que eu acho que ele acha que ainda é presidente dessa joça chamada Brasil.

Além de se achar acima do bem e do mal – ele sempre se achou assim – e no direito de tentar interferir no andamento da política de um país que não lhe pertence mais, Lula acha que pode começar a fazer campanha política fora de hora. O TRE deveria abrir os olhos e esquecer que é o Lula. Antes disso é um político que está infringindo leis, que ao que tudo indica deveriam ser respeitadas, mas que em alguns casos pode-se abrir uma exceção. Talvez não tenha ficado tão explícito que o fato de Lula subir num palanque numa inauguração no Rio de Janeiro e declarar seu apoio a Eduardo Paes, atual prefeito, possa ser considerado campanha política, né? Talvez ele esteja sendo somente um cara romântico que declara em público o seu apreço por uma pessoa que vai concorrer à reeleição. Tudo mero acaso.

Não é nada, não é nada, mas parece que Lula, o E.T de Pernambuco e não de Varginha, quer mais do que “phone home”. Se liga aí, freguesia.

Assalto ao Banco Central!
A ex-deputada depois que teve que devolver uma bolada, 
não tem agora nem dinheiro para uma manicure...

Na verdade o rombo é bem maior. Talvez incalculável. Mas fez-se parte da justiça. A ex-deputada do mensalão – ué isso existiu? – do DEM, Eurides Brito, foi condenada a devolver R$ 3,5 milhões, fruto da propina de R$ 20 mil recebida por mês em troca de apoiar o ex-governador José Arruda.

Bem que essa moda poderia pegar. Só que Eurides ainda pode recorrer. Resta saber se a grana será repatriada para onde ela irá. Para construir hospitais, escolas ou alguma outra mansão de outro deputado que gosta de jogar nesse time.

12 Homens e uma sentença!

Nem tão bem na foto! Façam as suas apostas!

Na verdade são 38 homens, que dia 1º de agosto, mês do desgosto, – tomara que para eles – irão enfrentar o STF, num dos julgamentos mais esperados da história do nosso país: o mensalão.

Peço realmente toda a sorte do mundo a nossos ministros. Muita calma e ao mesmo tempo pressa nessa hora. Não dá mais para convivermos com isso dessa maneira. E nem esperar mais. Sem mais manobras e dúvidas. É hora da verdade.

Sei também que mesmo que saia a sentença esperada por grande parte da população, isso não será motivo de freio para outros mensalões e outros Carlinhos Cachoeiras, que irão ainda escrever seus nomes nos livros de história que nossos netos e próximas gerações irão ler e ter que engolir.

Procurando Nemo!

Cadê o Nemo que tava aqui? Achou!!

O que mais é preciso procurar nesse palheiro do Carlinhos Cachoeira que ainda não foi encontrado? Talvez uma declaração de confissão escrita de próprio punho do Carlinhos, Demóstenes, Perillo, Cavendish, Pagot, Sérgio Cabral e de outros envolvidos?

Até quando vamos ficar só procurando?

Tá na hora de parar de enrolar e agir. E não transformar essa CPI do Carlinhos Cachoeira em outro filme da série “O Céu Pode Esperar”. Pode não. Até lá eles estão com pressa.

A Vida é Bela!
Sim, a vida é bela. Ainda mais para eles que fazem e se acovardam quando são pegos, renunciando hoje para desfrutar a vida com o que conseguiram até aquele momento para voltar um tempo depois como os “Incríveis” e o melhor político que você pode ter te representando. Para com isso.

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.

Mensalão: em agosto, enfim, o encontro marcado com a Justiça


Ricardo Setti,
Veja online

(Fotos: Ag. Brasil :: BG Pree :: Rodrigo Clemente / Folhapress :: Cristiano Mariz :: Celso Júnior / AE)
"QUADRILHA" -- 
O publicitário Duda Mendonça, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-ministro José Dirceu, o empresário Marcos Valério e o ex- deputado José Genoíno são os personagens principais do escândalo, cujos envolvidos foram considerados uma "quadrilha" pelo Ministério Público Federal 

(Texto publicado na edição de VEJA, por Rodrigo Rangel, com reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro)

Mensalão
ENCONTRO MARCADO COM A JUSTIÇA

Os ministros do Supremo Tribunal Federal confirmam para agosto o início do julgamento do maior caso de corrupção da história republicana brasileira

Às 14 horas do próximo dia 1º de agosto, o Supremo Tribunal Federal começa a escrever o capítulo final do escândalo do mensalão, um dos mais emblemáticos acontecimentos políticos da história recente do Brasil. Os ministros da corte vão decidir se os 36 réus acusados de participar do maior caso de corrupção do período republicano são ou não culpados das acusações feitas pelo Ministério Público. Será um julgamento marcado por vários simbolismos.

Dependendo do veredicto, ficará em xeque a reputação de um partido, de seus principais dirigentes, de todo um grupo que planejou se perpetuar no poder comprando alianças políticas através de milionários subornos. Dependendo do veredicto, os brasileiros terão a chance de testemunhar o desejado e incomum encontro de gente poderosa e influente com a Justiça, cena rara no país.


 (Foto: André Dusek / Agência Estado)
"O consenso que se expressou com a definição da data do julgamento representa uma clara resposta do Supremo Tribunal Federal a qualquer ilegítima tentativa de pressão sobre a corte, venha de onde vier."(Ministro Celso de Mello, decano do STF) 

Prova extraordinária da maturidade da democracia
Mais importante, porém, é que, seja qual for o veredicto, a perspectiva de que o escândalo seja julgado de maneira isenta por juízes independentes na mais alta corte do Brasil é uma prova extraordinária da maturidade da democracia brasileira e da força de suas instituições.

A fixação da data do julgamento constitui um passo decisivo nesse sentido – e uma derrota daqueles que acreditaram que pressões indevidas do partido do governo e de seu carismático e popular líder, o ex-presidente Lula, fossem capazes de fazer retroceder as conquistas civilizatórias duramente obtidas pela sociedade.

Lula mandou às favas os bons costumes e o respeito às instituições 
O calendário e o formato do julgamento já vinham sendo discutidos em privado pelos ministros do STF defensores de uma rápida solução para o caso, que tramita na corte há cinco anos. Avançaram na mesma velocidade do lobby de Lula para tentar impedir que ele acontecesse agora.

Desde que deixou o governo, o ex-presidente se lançou numa das mais ambiciosas campanhas de sua vida, destinada a limpar a própria biografia e a imagem do PT: apagar da história o capítulo do mensalão.

Essa ação messiânica começou com gestos aparentemente republicanos, mas, com o passar do tempo, Lula recorreu a movimentos temerários, como a instalação da CPI do Cachoeira, a fim de atingir setores que investigaram o esquema de corrupção.
Como essas manobras não surtiram o efeito desejado, o ex-presidente mandou às favas os bons costumes e o respeito às instituições para pressionar diretamente os ministros do STF a adiar o julgamento do caso para o próximo ano.

(Fotos: Cristiano Mariz :: Victor R. Caivano / AP)
TIRO NO PÉ -- 
Os esforços do ex-presidente Lula para tentar adiar o início do julgamento do mensalão e ajudar os antigos parceiros incluíram ataques e manipulações contra adversários na CPI do Cachoeira e uma ousada ameaça contra o ministro Gilmar Mendes, além de referências desabonadoras a outros juízes do STF: a corte reagiu às pressões 

A ideia era livrar o PT do risco de disputar as eleições municipais de outubro com uma condenação capital nas costas e, de quebra, aumentar a chance de prescrição de crimes imputados a petistas de proa, como o deputado cassado José Dirceu. Conforme revelado por VEJA, Lula chegou a ameaçar o ministro Gilmar Mendes, insinuando a possibilidade de fazê-lo alvo da CPI caso não atendesse ao lobby petista.

Na semana passada, veio o castigo. O ex-presidente recebeu uma prova cabal de que suas estratégias resultaram em um estrondoso tiro no pé.

Em decisão unânime, o que não é comum, os ministros do STF marcaram a data de início do julgamento do mensalão, numa demonstração cristalina de que as instituições não podem se curvar a vontades imperiais de políticos que se julgam acima do bem e do mal. Disse o ministro Celso de Mello, decano [ministro mais antigo no posto] do Supremo: “O consenso que se expressou com a definição da data do julgamento representa uma clara resposta do Supremo Tribunal Federal a qualquer ilegítima tentativa de pressão sobre a corte, venha de onde vier”.

As ausências de dois ministros à reunião que bateu o martelo
A reunião administrativa que sacramentou a data do julgamento teve duas ausências. O revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, foi uma delas. Pressionado por Lula a adiar a análise do caso, Lewandowski avisou em cima da hora que não estaria presente ao encontro, mas informou, por intermédio de assessores, que concluirá seu relatório até o fim de junho. Depende disso a confirmação do início do julgamento em agosto.

Outro que faltou foi José Antonio Dias Toffoli, mais um personagem com papel destacado na história. Ex-defensor de Dirceu, do PT e do governo Lula, além de ser namorado de uma advogada que atuou no processo contratada por mensaleiros, Toffoli tem dito que ainda não decidiu se é mesmo caso de se declarar impedido de participar do julgamento.

O ex-presidente Lula insiste para que Toffoli esteja no plenário. Um interlocutor de Roberto Gurgel, titular da Procuradoria-Geral da República (PGR), disse a VEJA que ele avalia a possibilidade de pleitear o impedimento de Toffoli. Se isso ocorrer, o pedido da PGR poderá ser aceito ou rejeitado pelo plenário do Supremo.

(Foto: Iano Andrade / D.A. Press)
JUSTIÇA 1 -- 
O ex-deputado Júnior Brunelli foi filmado entoando a chamada "oração da propina": ele foi preso recentemente acusado de desviar dinheiro público destinado à igreja de um parente


“O Supremo tem um perfil coletivo”, diz Ayres Britto
A decisão em torno do calendário é um sinal de que a maioria do tribunal se rendeu aos argumentos dos ministros Carlos Ayres Britto, presidente da corte, e Joaquim Barbosa, relator do processo. Ambos se mostravam preocupados com a possibilidade de os crimes prescreverem caso o julgamento continuasse sendo protelado.

A disposição unânime, ou quase, dos ministros do STF pode ser interpretada também como um sinal de que eles tenderão a ser implacáveis com certas manjadas manobras processuais protelatórias que costumam ser usadas pela defesa. “A decisão unânime demonstra que o Supremo tem um perfil coletivo”, disse a VEJA Ayres Britto.

O julgamento dos mensaleiros provocará mudanças na rotina do STF. Nas duas primeiras semanas, o tribunal fará sessões diárias de cinco horas, exclusivas para o caso. No dia 3 de setembro, o ministro Cezar Peluso completa 70 anos, idade em que, pela lei, ele tem de se aposentar. Peluso tem o direito, porém, de antecipar seu voto, que continuará valendo mesmo que, na data da conclusão do julgamento, ele já esteja aposentado.

(Foto: Valério Ayres / D A Press)
JUSTIÇA 2 -- 
A ex-deputada Eurídes Brito foi flagrada enchendo a bolsa de propina: na semana passada, ela foi condenada a devolver o dinheiro e ainda a indenizar a população por "danos morais" 

Punições no “mensalão do DEM”
Se as punições recentes de envolvidos no “mensalão do DEM”, esquema que levou à prisão o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, valerem como prenúncio do veredicto do STF no caso do mensalão do PT, os réus têm com o que se preocupar.

Dois anos depois de serem flagrados em vídeo recebendo propina em troca de apoio político, os ex-deputados distritais Júnior Brunelli e Eurides Brito foram punidos.

Brunelli foi para a cadeia por haver desviado pelo menos 1,7 milhão de reais de emendas parlamentares que beneficiaram sua própria família. Eurides, filmada escondendo maços de dinheiro na bolsa, foi condenada a ressarcir aos cofres públicos 3,5 milhões de reais. Em decisão incomum, Eurides terá de pagar multa por danos morais à população de Brasília.

É isso que se espera da Justiça.

QUEM SÃO OS MENSALEIROS
A organização criminosa desviava dinheiro público, que abastecia contas pessoais de deputados e financiava campanhas de aliados políticos. Ao todo, 36 pessoas são acusadas de integrar a quadrilha

José Dirceu

ACUSAÇÃO – Corrupção ativa e formação de quadrilha
DEFESA – Alega que não participava mais das atividades do PT quando assumiu a Casa Civil
PENA MÁXIMA – 15 anos
PENA MÍNIMA – 1 ano


José Genoíno

ACUSAÇÃO – Corrupção ativa e formação de quadrilha
DEFESA – Não se dedicava a assuntos financeiros do PT e assinou os falsos contratos de empréstimo por obrigação estatutária
PENA MÁXIMA – 15 anos
PENA MÍNIMA – 1 ano


João Paulo Cunha
  
ACUSAÇÃO – Corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
DEFESA – Afirma que não teria como saber que a origem do dinheiro era ilícita. (Veja mais detalhes abaixo, no quadro sob o título “Com a palavra, a defesa”)
PENA MÁXIMA – 34 anos
PENA MÍNIMA – 2 anos


Roberto Jefferson
  
ACUSAÇÃO – Corrupção passiva e lavagem de dinheiro
DEFESA – Os 4 milhões de reais que recebeu do PT eram parte de um acordo e tinham origem lícita
PENA MÁXIMA – 22 anos
PENA MÍNIMA – 2 anos


Duda Mendonça

ACUSAÇÃO – Lavagem de dinheiro e evasão de divisas
DEFESA – Estaria dispensado legalmente de declarar recursos no exterior e não sabia de desvios de dinheiro
PENA MÁXIMA – 16 anos
PENA MÍNIMA – 2 anos


Marcos Valério

ACUSAÇÃO – Formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas
DEFESA – Não há provas de vínculo criminoso dele com os demais acusados e não sabia o destino do dinheiro emprestado ao PT
PENA MÁXIMA – 43 anos
PENA MÍNIMA – 1 ano

Valdemar Costa Neto

ACUSAÇÃO – Corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
DEFESA – O dinheiro recebido era parte do acordo com o PT para as eleições de 2002, e não haveria prova de lavagem de dinheiro
PENA MÁXIMA – 25 anos
PENA MÍNIMA – 1 ano


Delúbio Soares

ACUSAÇÃO – Corrupção ativa e formação de quadrilha
DEFESA – O dinheiro repassado a partidos aliados era para quitar gastos de campanha
PENA MÁXIMA – 15 anos
PENA MÍNIMA – 1 ano


Paulo Rocha

ACUSAÇÃO – Lavagem de dinheiro
DEFESA – O dinheiro recebido teria sido gasto em campanhas e não houve benefício pessoal com os repasses
PENA MÁXIMA – 10 anos
PENA MÍNIMA – 3 anos


Professor Luizinho

ACUSAÇÃO – Lavagem de dinheiro
DEFESA – Não teria recebido o dinheiro sacado por seu assessor
PENA MÁXIMA – 10 anos
PENA MÍNIMA – 3 anos



COM A PALAVRA, A DEFESA
(Foto: Ag. Brasil) 
JOÃO PAULO CUNHA 
A defesa vai alegar falta de provas e aprovação das 
contas do então presidente da Câmara pelo TCU 

Memorial do denunciado. Esse é um dos inúmeros jargões jurídicos que serão repetidos à exaustão durante o julgamento do mensalão pelo STF. Nele, a defesa faz um resumo escrito de suas alegações em favor do réu.

VEJA teve acesso ao memorial do denunciado João Paulo Cunha, contra quem foram oferecidas denúncias de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato, crimes que ele teria cometido quando era deputado federal pelo PT de São Paulo e presidente da Câmara dos Deputados.

As alegações dos advogados de Cunha, do escritório Toron, Torihara & Szafir, são mostras da linguagem e da esgrima lógica ao se descreverem fatos à luz de textos legais:

LAVAGEM DE DINHEIRO
A esposa de Cunha sacou 50 000 reais de uma conta da agência de publicidade SMPB do Banco Rural em Brasília, onde todos os mensaleiros se abasteciam. Ela mostrou sua identidade e assinou o recibo. Caso encerrado? Os advogados sustentam que não, porque, primeiro, ela não sabia da eventual origem suja do dinheiro, do contrário não teria dado recibo e se identificado. Segundo, a SMPB tinha também receitas legais e existe “a possibilidade de os 50 000 serem provenientes de dinheiro lícito”. Terceiro, o dinheiro foi sacado no banco, e, portanto, já estava inserido no sistema financeiro. Se houve lavagem de dinheiro, ela antecede ao saque, e não se pune alguém por “crime antecedente” cometido por terceiros.

Trecho do memorial do denunciado, 
de João Paulo Cunha

CORRUPÇÃO PASSIVA
Pedem a absolvição por “insuficiência de provas” de que o réu tenha decidido a contratação da SMPB pela Câmara dos Deputados. Quem autorizou a contratação foi o deputado Geddel Vieira Lima.

PECULATO
Crime de subtração ou desvio de dinheiro público para proveito próprio. Cunha é acusado de contratar a SMPB sem exigir a prestação de serviços. Os advogados alegam que um “laudo pericial atesta a realização dos serviços”.