quarta-feira, agosto 18, 2010

É hora de enfrentar a mentira e a empulhação

Comentando a Notícia

Talvez muitos escreverão que o debate de hoje na Folha.UOL entre os candidatos à presidência, marcará o inicio do verdadeiro aquecimento da campanha, com a crítica entre os candidatos elevando seu tom. E talvez se diga que este “calor” se deve ao fato da posição dos candidatos nas pesquisas.

Prefiro ver pelo outro lado: o Brasil foi varrido, ao longo destes sete anos e meio de governo Lula, de muita mentira, corrupção, empulhação, mistificação e propaganda enganosa. As instituições mais representativas de nossa democracia estão sendo esmagados por um autoritarismo travestido de “nova era”. As liberdades individuais estão sendo manipuladas vergonhosamente pelo Estado, assaltado que foi por um partido que insiste em agredir a constituição, o estado de direito, da qual a liberdade de expressão, principalmente, a l,liberdade de exprimir contrariedade está sendo sepultado noite e dia.

Portanto, e como venho defendendo desde sempre, ou a oposição parte para desmascarar o partido no poder, pondo na rua as verdades que estão sonegadas e omitidas da opinião pública, ou ele acabará uma sigla nanica, sem representatividade, sem relevância. E país que não tem oposição, que vive de partido único, pode ser tudo, menos democracia.

Assim, o que se está assistindo pode ter alguma influência das pesquisas, contudo, representam o anseio de boa parte da população em ouvir dos candidatos da oposição as críticas ácidas quanto ao país que o atual governo está nos oferecendo.

Recente pesquisa aponta que 96% da população condena o alto custo dos impostos contra o péssimo retorno dos serviços públicos que em contrapartida são ofertados pela população. Saúde e segurança preocupam muito e atinge a todos, ricos ou pobres, sulistas e nortistas.

Esta parte da população não quer apenas pão e circo, quer vida digna, quer poder mais do que lhe está sendo oferecido. E não suporta ver um governo mentir que está tudo, quando tudo está mal.

No debate que citei acima, dentre tanta mentira, Dilma teve a coragem de “inventar” que o PT aprovou o Plano Real. Santo Deus! Há, ainda, no STF ação esperando para ser julgada movida pelo PT contra uma das muitas medidas adotadas pelo Plano Real. Não, Dilma pode entender que pode tudo por ser ungida por Lula, mas deveria saber que muitas pessoas neste país tem memória, não são imbecis, leem, se informam, se mantém ativas e mobilizadas em relação ao dia a dia de seu país. Pena que a mentira tenha ficado restrita a um público restrito. Compete, portanto, às oposição – e a imprensa, por que não? – esfregar a verdade para esta senhora ter um pouco mais de respeito não apenas para com a verdade, mas para com a inteligência de grande parte da população deste país.

Esta senhora, apesar de ser um clone grotesco, e de saias, de Lula, não pode mentir tão deslavadamente deste jeito. Contudo, suas mentiras e empulhações não restringiram apenas ao Plano Real. Te4ve a mentirinha do PROUNI, também. Foi quando se referiu ao fato do o DEM haver recorrido ao Supremo contra o ProUni tentando impingir uma calúnia contra um partido que defendia não o fim do programa, mas se indispunha de forma absolutamente correta contra uma das formas de seleção de candidatos, que conferia um critério racialista ao processo.

Quem bem resumiu a fala asquerosamente falsa de Dilma foi o jornalista Reinaldo Azevedo, cujo texto transcrevemos a seguir:

A mentira histórica contada por Dilma no debate Folha/UOL

Aprovamos o Plano Real e, mais do que isso, levamos à frente e o utilizamos de forma adequada”.

De quem é a frase? Da petista Dilma Rousseff no debate da Folha/UOL. Caso Serra dissesse uma flagrante mentira, dessas escandalosas, contra todas as evidências dos fatos, contra a história, contra o modo como se organizou a política de 1994 a esta data, o jornalismo online estaria noticiando a mentira em letras garrafais. Amanhã, os colunistas isentos fariam a festa no jornalismo impresso.

A mentira grotesca contada por Dilma ficará por isso mesmo. O Plano Real não se resumiu a uma ou duas medidas. Tratou-se de um conjunto. O PT se opôs a todas, a rigorosamente todas, em especial ao plano de estímulo à reestruturação dos bancos, o Proer, que garantiu a saúde do sistema financeiro brasileiro e foi fundamental para assegurar a estabilidade da moeda. Só para lembrar: a reestruturação custou o fim do Banco Nacional, de que netos de FHC eram herdeiros. É isto: FHC chegou ao poder com netos herdeiros de bancos (sua então nora era da família Magalhães Pinto, que controlava a instituição); quando saiu, aqueles mesmos netos eram, como a maioria de nós, do MSB, o Movimento dos Sem-Banco.

Nota à margem: a família Lula da Silva deu mais sorte. O patriarca chegou ao poder, e um de seus filhos era monitor de jardim zoológico. Hoje, o mesmo filho, Lulinha, é o dono da Gamecorp, aquela empresa que recebeu uma generosa injeção de dinheiro da então Telemar, hoje Oi, de que o BNDES era e é sócio. A história do “movimento operário” nestepaiz é realmente muito linda!!!

Adiante. O PT afirmava que o Proer não passava de mamata para banqueiros — e com o endosso de setores do jornalismo; aqueles mesmos que se calarão, agora, diante da mentira contada por Dilma.

O partido se opôs ao Plano Real, sim, tanto que fez a campanha eleitoral de 1994 tentando demonstrar os malefícios todos que ele causaria ao Brasil. E passou os oito anos seguintes tentando sabotar a estabilidade.

No máximo, a petista poderia dizer que seu partido “aprovou” o Real depois que estava no poder, sem jamais reconhecê-lo. Ao contrário. Teve lugar o discurso no qual ela navega até hoje: “Nunca antes na história destepaiz”.

É impressionante que a mentira seja dita de modo tão explícito, tão escancarado, e que a reação seja praticamente nenhuma. Mas vá Serra lançar no ar um dado impreciso que seja… Vira manchete. De novo: isso nada tem a ver com as minhas afinidades com esse ou com aquele. Contentem-me demonstrando quem é que está dando destaque à mentira histórica.

Ora, se o PT tivesse aprovado o Plano Real, a clivagem que hoje existe na política brasileira não teria como seus principais protagonistas o PT e o PSDB. Sem essa! Depois de ter tentado apagar da memória do país as conquistas dos adversários, os petistas agora tentam roubá-las.”

Portanto, certo está Serra se adotar o confronto da verdade com as mentiras grotescas e estatísticas manipuladas que esta senhora tenta impor à opinião pública. O país precisa livrar-se do político mau caráter. A lei do Ficha Limpa já foi um passo importante nesta direção. Falta agora nos livrarmos desta gente hipócrita através das urnas.

Eleições: o jogo sujo está consagrado apenas por um dos lados.

Comentando a Notícia

O artigo de Mirian Leitão, Globo online, só não foi perfeito por um pequeno detalhe: ao criticar o jogo sujo da campanha eleitoral com dossiês fajutos e quebra ilegal de sigilos fiscais, além do uso descarado da máquina pública, ela meio que coloca num mesmo balaio todos os candidatos. Errado, dona Mirian: este jogo é praticado e consagrado apenas por um dos lados, o do PT. Os meios sujos e ilegais de que se vale para vencer eleições em qualquer nível, tem sido uma constante, e não se percebe, dentre as demais siglas, qualquer coisa sequer parecida.

Portanto, se a crítica que a jornalista faz fosse diretamente endereçada ao PT, o artigo não mereceria nenhum reparo. E ainda poderia acrescentar que a máquina de dossiês está tão bem azeitada que, quando pegos em flagrante delito, nunca as investigações chegam a conclusões definitivas, deixando todos os envolvidos inocentados e impunes.

Os dois artigos que a revista VEJA publicou recentemente relativas a este submundo, mostram que o comportamento desvirtuado é e se trata de um método consagrado e corriqueiro por parte do PT, que conta com o conhecimento, a simpatia, apoio e consentimento por parte de seu mais ilustre representante, o senhor Lula da Silva.

Houvesse uma justiça eleitoral mais atuante e independente, por certo, a sigla partidária e seus dirigentes já teriam sido exemplarmente punidos. E, tomando-se por base apenas esta eleição, já há munição suficiente para uma ação de abuso de poder político. Faltam aos ministros do TSE bem como ao pessoal do Ministério Público Eleitoral, a competente coragem de fazerem cumprir o que determina a lei.

Apesar do reparo, a leitura do artigo da jornalista Mirian Leitão compensa pelo alerta que faz quanto aos métodos ilegais empregados, repito, por um único partido, o PT.


Segunda ameaça

O Brasil perderá esta eleição, independentemente de quem vença, se ficarem consagrados comportamentos desviantes assustadoramente presentes na política brasileira. Uso de um fundo de pensão para construir falsas acusações contra adversários, funcionários da Receita acessando dados protegidos por sigilo, centrais de dossiês montados por pessoas próximas ao presidente.

A cada eleição, fatos estarrecedores têm sido aceitos como normais na paisagem política, e eles não são aceitáveis. Quando a Polícia Federal entrou no Hotel Ibis, em São Paulo, em 2006, e encontrou um grupo com a extravagante quantia de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo tentando comprar um dossiê falso, havia duas notícias. Uma boa: a PF continuava trabalhando de forma independente. A ruim: pessoas da copa, cozinha, churrasqueira e campanha do presidente da República e do candidato a governador pelo PT em São Paulo estavam com dinheiro sem origem comprovada e se preparando para um ato condenável. A pior notícia veio depois: eles ficaram impunes.

Nesta eleição, depoimentos e fatos mostram que estão virando parte da prática política, principalmente do PT, a construção de falsas acusações contra adversários, o trabalho de espionagem a partir da máquina pública, o uso político de locais que não pertencem aos partidos.

As notícias têm se repetido com assustadora frequência. O verdadeiro perigo é que se consagre esse tipo de método da luta política. A democracia não é ameaçada apenas quando militares saem dos quartéis e editam atos institucionais. Ela corre o risco de “avacalhação”, para usar palavra recente do presidente Lula, quando pediu respeito às leis criminosas do Irã.

Sobre o desrespeito às leis democráticas brasileiras, Lula não teme processo de “avacalhação”, pelo visto. A Receita Federal não presta as informações que tem o dever de prestar sobre os motivos que levaram seus funcionários a acessarem, sem qualquer justificativa funcional, os dados da declaração de imposto de renda do secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge. Nem mesmo explica como os dados foram vazados de lá. Se a Receita não divulgar o que foi que aconteceu, com transparência, ela faz dois desserviços: sonega ao país informações que têm o dever de prestar antes das eleições; mina a confiança que o país tem na instituição, porque sua direção está adiando, por cumplicidade eleitoral, a explicação sobre o que houve naquela repartição.

Nas últimas duas semanas, a “Veja” trouxe entrevistas de pessoas diretamente ligadas ao governo e que trabalham em múltiplos porões de campanha. O que eles demonstram é que aquele grupo de aloprados do Ibis não foi um fato isolado. Virou prática, hábito, rotina no Partido dos Trabalhadores. Geraldo Xavier Santiago, ex-diretor da Previ, contou à revista que o fundo de pensão, uma instituição de poupança de direito privado cuja função é garantir a aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, era usada para interesses partidários. Com objetivos e métodos escusos. Virou uma central de espionagem de adversários políticos. Agora, é o sindicalista Wagner Cinchetto que fala de uma central de produção de espionagem e disparos contra adversários; não apenas tucanos, mas qualquer um que subisse nas pesquisas.

Esse submundo é um caso de polícia, mas há outros comportamentos de autoridades que passaram a ser considerados normais nas atuais eleições. E são distorções. Não é normal que todos os órgãos passem a funcionar como ecos do debate eleitoral, usando funcionários pagos com os salários de todos nós, estruturas mantidas pelos contribuintes. Todos os ministérios se mobilizam para consolidar as versões fantasiosas da candidata do governo ou atacar adversários, agindo como extensões do comitê de campanha. Isso é totalmente irregular. Na semana passada, até o Ministério da Fazenda fez isso. Um relatório que é divulgado de forma rotineira, virou palanque e peça de propaganda, com o ministro indo pessoalmente bater bumbo sobre gráficos manipulados para ampliar os feitos do atual governo e deprimir os do anterior. O que deveria ser técnico virou politiqueiro; o que deveria ser prestação de contas e análise de conjuntura virou peça de propaganda.

Um governo não pode usar dessa forma a máquina pública para se perpetuar; órgãos públicos não são subsedes de comitês de campanha; fundos de pensão não são central de fabricação de acusações falsas; o governo não pode usar os acessos que tem a dados dos cidadãos para espionar. Isso mina, desqualifica e põe em perigo a democracia. Ela pressupõe a neutralidade da máquina mesmo em momentos de paixão política. Nenhuma democracia consolidada aceitaria o que acontece aqui.

A Inglaterra acabou de passar por uma eleição cheia de paixões em que o governo trabalhista perdeu por pouco, mas não se viu lá nada do que aqui está sendo apresentado aos brasileiros com naturalidade, como parte da disputa política. Crime é crime. Luta política é um embate de propostas, estilos e visões. O perigoso é essa mistura. Como a História já cansou de demonstrar, democracia não significa apenas eleições periódicas. A manipulação da vontade do eleitor, o uso de meios ilícitos, o abuso do governante ameaçam a liberdade, tanto quanto um ato institucional.

Baixaria explícita e vergonhosa.

Na sua página, Cláudio Humberto publica uma nota que demonstra o nível de baixaria política em que o Brasil se encontra mergulhado. Leiam, retorno depois para comentar.

Lula imita Marina Silva e arranca gargalhadas

Na reunião com ministros e assessores sobre o “PAC de Energia”, Lula mostrou como as pesquisas o deixam bem-humorado. Ao reclamar do atraso da hidrelétrica de Paiquerê, no Sul, ele arrancou gargalhadas ao tirar o paletó para vesti-lo ao contrário, simulando a manta muito usada por Marina Silva, e imitar a voz da sua ex-ministra do Meio Ambiente batendo boca com Dilma Rousseff, na época chefe da Casa Civil

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Uma das formas mais civilizadas que existe de se medir o caráter de alguém é a educação e, principalmente, o respeito que a pessoa conserva em relação às outras. E, quanto mais alto o posto ou cargo que ocupa dentro da sociedade, seja instituição pública ou privada, maior deve ser o grau de educação e respeito.

É inadmissível, por exemplo, que um presidente da república comporte-se como animador de auditório, ou, peque na descortesia e desconsideração, mesmo que se trate de pessoa de ideologia diversa da sua. Afinal, por ocupar tão alto galardão, imagina-se que seu ocupante possa servir de exemplo e modelo de honradez, caráter, moral, educação dentre outros atributos. Respeito é algo que se imagina como obrigação para qualquer pessoa, quanto mais sendo por parte de um presidente da república. Lula, investindo contra Marina Silva como fez, não apenas pratica uma agressão gratuita contra alguém que, afinal, jamais se assistiu agir com a mesma torpeza. Mas agride de forma imbecil uma instituição que não lhe pertence, que é propriedade da Nação, e que, portanto, não pode ser alvejada por seus ocupantes temporários com tamanha vulgaridade.

A nota acima demonstra, sem sombra de dúvida, com tipo de vigarista o país está sendo governado desde 2003 e, a se observar sua obra ao longo deste tempo, mistificadora ao extremo, impossível não nos indignarmos com atitude tão baixa e vulgar. Lula, tivesse um pingo de vergonha na cara e consciência moral, pediria publicamente desculpas à Marina Silva que, por outro lado, sempre o tratou com extrema educação e respeito.

E, se este país vier a ser governado por sua “eleita”, acreditem, o nível das relações políticas no país descerá ainda mais. Dilma consegue ser ainda pior neste quesito, e testemunhas há, às pencas para  corroborar neste sentido. 

Infelizmente, contando com tantas oportunidades, talvez o país esteja optando pelo pior caminho: o da barbárie. Sabemos onde isto acaba chegando. Assim, é de se esperar que despertemos para evitar dias muito nebulosos e tristes.

Oposição que não faz oposição, não ganha eleição!

Adelson Elias Vasconcellos

Não tenho bola de cristal para adivinhar quem vencerá a eleição presidencial deste ano, se Dilma ou Serra. Creio que faltando cerca de 45 dias para o primeiro turno e com todo o período da propaganda eleitoral no rádio e televisão pela frente, nem o mais renomado comentarista político pode se atrever a vaticinar qual será o resultado final. Muito embora, existam por aí alguns “comentaristas” que mais parecem torcer do que analisar friamente a situação.

Contudo, o quadro atual, com Dilma ligeiramente à frente de Serra é indicativo de uma certa tendência de momento, e representa muito mais o intenso – ilegal e depravado – uso da máquina do Estado em favor de um partido político, do que propriamente fruto de uma campanha bem desenvolvida pela candidata de Lula.

De minha parte, por enquanto, posso afirmar ter os nomes daqueles em quem certamente não votarei. Dilma figura entre estes nomes. A meu ver, ela está muito longe de ser a presidente que o Brasil precisa. Não apenas por seu perfil pessoal, mas, sobretudo, por seu perfil ideológico.

É duro, para mim, ao menos, antever um Brasil sobre o comando desta senhora. Mesmo dentre os atuais candidatos, dá para escolher coisa um pouco melhor.

Mas não é apenas o uso ilegal da máquina e dos recursos do Estado, cuja ilegalidade apenas o TSE insiste em vendar os olhos para não ver, que explicam a dianteira da candidata do governo. Também a antecipação da campanha fora do prazo legal. Tudo conta em seu favor.

Porém, é a falta de oposição que explica este crescimento. Ora, oposição que não faz oposição, que se omite de fiscalizar e criticar as ações do governo Lula, poderia desejar melhor sorte? E, mesmo neste preâmbulo da campanha, a oposição continua e insiste numa estratégia vazia.

Não apenas na gestão dos serviços do Estado dá para bater duro no governo Lula. No plano institucional, o que não faltaram foram inúmeros escândalos de corrupção e sempre envolvendo gente graúda do PT, muitas das quais bastante próximas e íntimas de Lula. E você não percebe ninguém da oposição martelando em cima disto. Serra tenta não criticar Lula por temer que sua popularidade acabe produzindo efeito adverso.

Mas, venham cá: é possível fechar os olhos para o mensalão, os aloprados, as cartilhas, os gastos secretos cada dia mais crescentes da presidência, a fábrica de dossiês, o aparelhamento vergonhoso do estado, as alianças espúrias com o que existe de pior no cenário político do país, a política externa em alianças com os mais detestáveis e sanguinários ditadores do planeta, a clonagem vergonhosa de programas do governo anterior com a mudança apenas de apelido, afora as reformas que não se fizeram, o crescimento menor do que os países do mesmo porte, a deterioração das contas públicas, os pacs empacados, a agressão à fiscalização do TCU, a Gamecorp, afora os cadáveres insepultos dos quais Celso Daniel é o mais representativo, afora o crescente gigantismo do Estado sufocando com seu peso opressivo a sociedade que o sustenta com uma carga extorsiva de impostos, o crescente endividamento interno, dentre tantas outras safadezas cometidas nos porões e submundo do poder, onde a quebra ilegal de sigilo fiscal e telefônico dos adversários tem sido constantes? Sem falar na infra-estrurtura estrangulada do país, as repetidas tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, a insegurança pública e jurídica, também, quase fugindo ao controle, o cada dia mais deficiente sistema público de saúde, isto tudo não é munição suficiente para colocar a candidata do governo no corner, inundando a opinião pública de informações preciosas da inconveniência de se ter Dilma na presidência? Contudo, nada disso é apresentado no discurso da oposição.

Ora, oposição que se nega a fazer oposição, não ganha eleição. Há uma avalanche de bons motivos para endereçar-se pesadas críticas ao governo Lula. Desde que assumiu, Lula vem encontrando uma oposição cada dia mais vazia, inconsistente, razão porque, sem tal contestação, a tendência é sua aprovação aumentar sem parar. O que a oposição parecer não se ter dado conta é que 90% da população não lê, não se informa, não acompanha o dia a dia dos dirigentes políticos do país. É evidente que a fabulosa e milionária fábrica de propaganda do governo federal acaba vendendo à sociedade uma visão distorcida de seus atos. Como todo o auto-retrato tende a ser colorido, e como a oposição tem se omitido de servir como canal de fiscalização e informação, fica fácil Lula mentir sem ser contestado. Tanto ele quanto sua candidata-criatura, Dilma Rousseff.

Querem um exemplo bem acabado do comportamento do eleitorado brasileiro? Ontem no blog do Noblat, constava uma declaração infeliz de uma eleitora de Alagoas. Dizia ela sobre sua preferência de votar em Fernando Collor: "Mesmo roubando, eu voto nele." O nome da eleitora informado pelo Noblat era Edineide Silva, uma simples dona de casa. Tal manifestação não é apenas um caso isolado. Iguais à dona Edineide existem milhões de eleitores que seguem o mesmo caminho. O “Apesar de...” pode até ser lamentável, e é sem dúvida, mas num país com grande e imensa massa de analfabetos e desinformados, as escolhas se fazem nunca pela competência mas sim por razões despropositadas como as da dona Edineide. Quantos milhões não estarão votando movidos pelo Bolsa Voto, ou melhor, Bolsa Família? Quem dentre seus beneficiados há de se lembrar do Bolsa Escola, ou o PETI (erradicação do trabalho infantil), dentre outros programas sociais os quais Lula junto tudo num único balaio, afrouxando as regras para ingresso com o propósito de expandir ao máximo o número de beneficiados?

Desde 2003, contudo, as oposições têm sido alertadas para sua candura e leniência em relação ao governo Lula. Jamais tiveram a coragem de defenderem as muitas conquistas do governo FHC, sobre quem Lula depositou todo o seu fel e repertório de maldades na tentativa de desconstruí-lo.

Lula e Dilma mentem, desbragadamente, todo o dia, a toda hora. E a oposição o que faz? Resmunga daqui, resmunga dali, nada muito exaltado, sem muita firmeza e só. Em terreno tão fértil, Lula vem deitando e rolando e, caso a oposição continue insistindo neste “devagar quase parando”, vai permitir a Lula empurrar, de forma imperial, goela abaixo do país, uma verdadeira impostura chamada Dilma Rousseff. E reclamar depois, já será tarde.

Passa da hora, portanto, a mudança de atitude, de discurso e de ação em favor do país por parte da oposição. Porque, se não o fizer, terá que engolir muito mais sapos gordos nos próximos quatro anos. Repito o título: oposição que não faz oposição, não ganha eleição.

Salta aos olhos de qualquer observador o quanto o povo repudia, por exemplo, a política externa do atual governo, ou mais propriamente, as alianças espúrias com ditadores e sanguinários mundo afora. Qual a reação da oposição?

E para fechar este artigo: há pouco, Lula afirmou que “...Quando tinha de fazer campanha contra o Plano Real, o povo votava no Real e eu me lasquei,,,”. Fosse Lula uma pessoa de caráter um pouquinho melhor e poderia ter acrescentado que ele e seu partido lutaram não apenas contra o Plano Real, mas tentaram sabotar todos os governos que desde 1985 o antecederam no Poder. E que, apesar de sua luta – e de seu partido – contra o Plano Real, acabou, por ironia, sendo beneficiado por todas as mudanças que então se produziram no País, porque, no fundo, são elas as garantidoras da nossa estabilidade econômica. Contudo, fizesse isto e, certamente, Lula não seria o cretino que se tornou,

Mas reparem que, ao mesmo tempo em que Lula faz este mea culpa, não se vê na campanha do Serra ninguém apontando justamente as inúmeras sabotagens praticadas por Lula e os petistas contra os governos anteriores. O que neste campo não faltam são verdadeiras montanhas de bons motivos para pressionar o governo atual e condená-lo.

Portanto, se o comando da campanha de Serra quer encontrar razões que justifiquem a ascensão da petista e queda do tucano nas pesquisas deve reconhecer que, grande parte da população, espera ouvir do candidato de oposição, opiniões e críticas contra as mazelas do governo petista, que são muitas. Enquanto Serra se mantiver esquivando-se desta briga, perderá terreno e não conseguirá evitar o naufrágio.