quarta-feira, agosto 22, 2007

É melhor ter medo da crise

Editorial d’O Estado de São Paulo
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Falando de Brasília para o mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu que o Brasil, armado com US$ 160 bilhões de reservas, não tem medo da crise financeira - "uma crise eminentemente americana". Ora, é exatamente por ser americana que a crise nos ameaça muito mais do que se fosse só nossa. Se os danos forem além do mercado financeiro e prejudicarem o crescimento mundial, o comércio será afetado e haverá prejuízos para os exportadores de produtos agrícolas, de minérios e de bens intermediários. Ontem, os mercados de produtos básicos foram mais uma vez afetados pela insegurança dos investidores. As cotações dos metais subiram em Londres, acompanhando a evolução das ações nos mercados da Ásia e da Europa, mas a maior parte dos produtos agrícolas desvalorizou-se em Chicago, centro mundial de formação de preços do agronegócio.

A maior parte do superávit comercial brasileiro provém da exportação de commodities agrícolas. Neste ano, até julho, o comércio do agronegócio gerou um superávit de US$ 27,4 bilhões, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura. As cotações desses produtos subiram mais de 50% em dólares, a partir de 2003, segundo levantamento do Commodity Research Bureau. O movimento começou a inverter-se, nas últimas semanas, quando se agravou a crise iniciada no mercado americano de hipotecas imobiliárias e fundos liquidaram posições porque precisavam conseguir dinheiro, rapidamente, para cobrir perdas no setor financeiro. Com isso, ampliaram-se os temores de contágio da economia real, isto é, das atividades de produção, consumo e investimento produtivo.

Ainda não se pode saber se a redução de cotações indica uma inversão da tendência, disse a economista-chefe do Banco ABN Amro no Brasil, Zeina Latif. Se a mudança for confirmada, os mais prejudicados, segundo ela, serão os emergentes, que "vinham surfando na alta das cotações nos últimos anos". Outros especialistas já formulam previsões para este ano e para o próximo. Segundo Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, os preços das commodities agrícolas devem voltar ao nível de 2004.

Naturalmente, qualquer projeção é arriscada, neste momento, mas nada é mais perigoso que imaginar o Brasil como ilha de prosperidade no meio de um mundo conturbado. Com US$ 160 bilhões de reservas, dívida externa manejável, muita gordura para queimar no balanço de pagamentos e inflação bem comportada, o País pode enfrentar sem grandes danos uma crise limitada. Mas não será invulnerável aos efeitos de uma grande redução do crescimento mundial.O risco de uma alteração abrupta no cenário global parece limitado. A economia americana ainda exibe dinamismo, apesar da crise no setor imobiliário. Se as importações dos Estados Unidos encolherem ou passarem a crescer muito mais lentamente, o comércio exterior chinês será afetado. Mesmo assim, a economia da China dificilmente será freada de um dia para outro. Estão em curso grandes projetos de investimento e o consumo interno está em expansão. Outros países da Ásia continuam prósperos e as economias européias têm mostrado maior vigor do que nos últimos anos. É provável, portanto, uma acomodação mais ou menos suave da economia global. Mesmo sem a crise iniciada no mercado hipotecário, essa acomodação vinha sendo prevista.

Até no cenário mais otimista parece difícil descartar, em 2008 ou 2009, um período de arrumação nos mercados globais. Essa arrumação terá conseqüências tanto nos fluxos de financiamento e de investimento quanto na evolução do comércio. Em qualquer caso, as condições serão provavelmente menos favoráveis ao Brasil do que vinham sendo nos últimos anos.

Se essa hipótese se confirmar, o poder de competição dos produtores brasileiros será testado com maior severidade. Um governo prudente cuidaria, sem demora, de promover a adaptação da economia nacional a essas novas condições, tratando de reduzir sua voracidade fiscal, apressando a realização de investimentos em infra-estrutura e dando prioridade à redução dos custos suportados pelo sistema produtivo. Para isso devem servir os US$ 160 bilhões de reservas: para dar ao governo mais tempo para promover os ajustes necessários.

Governo tenta abafar oposicionistas

Fernando Exman, Jornal do Brasil

Preocupado com o potencial estrago que o início do julgamento do mensalão pode causar na imagem do PT e do governo, deputados e senadores governistas ensaiam discurso para neutralizar os ataques da oposição no Congresso. Parlamentares petistas já sabem o argumento a usar. Dizem que o Legislativo não pode interferir no trabalho do Judiciário.

Para a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), as recentes ações do Ministério Público Federal de improbidade administrativa contra os supostos 40 envolvidos no esquema evidenciam as tentativas de influenciar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Rumores de que os juízes tiveram seus telefones grampeados também contribuíram para aumentar a tensão.

- Acho que se deve ter respeito para não pressionar o Supremo. Há que se monitorar os movimentos que tenham como objetivo pressionar o Supremo - declara a líder do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado - Eu espero que o Supremo não se deixe pressionar.

A senadora faz questão de ressaltar que o STF começa a decidir hoje se acata ou não a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. E diz que, assim como não obteve sucesso na eleição presidencial do ano passado, a oposição fracassará de novo se voltar a atacar o governo citando o esquema do mensalão.

- Se o Supremo acatar a denúncia, vai ter foguetório (da oposição). Mas, falação, discursos e agressividade não são novidades - complementa Ideli.

A preocupação dos governistas não é à toa. Os partidos de oposição estudam atacar o governo e o PT nos plenários da Câmara e do Senado. Consideram também a hipótese de aproveitar o tempo que têm na televisão e no rádio para veicular propaganda relembrando o escândalo.

Chegou a hora do acerto de contas

Editorial do Jornal do Brasil

O passado não passou. Por mais que o governo Lula e o PT finjam que os fatos foram superados, os 40 supostos integrantes da organização criminosa que levantou dinheiro, distribuiu entre partidos e parlamentares, envolveu operações bancárias fraudulentas e espalhou os tentáculos da corrupção por escaninhos de estatais e órgãos públicos, um conjunto de irregularidades que lesaram os cofres públicos, por baixo, em R$ 55 milhões, sentam hoje nos bancos dos réus do Supremo Tribunal Federal.

A imagem não espelha a realidade. Os acusados pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento com o escândalo do mensalão não estarão fisicamente ali. Serão representados por seus advogados. Os 10 ministros do Supremo não irão julgá-los, mas decidir se aceitam a denúncia do Ministério Público Federal. Em caso positivo, sairão da condição de denunciados para a de processados. E muito tempo se passará, a partir daí, até a decisão definitiva da Justiça sobre a condenação ou absolvição. É possível que nem todos respondam pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas.

Não importa. Todos contribuíram, em maior ou menor grau, para a mais grave crise política do primeiro mandato do presidente Lula. Mergulharam num escândalo que pôs fim ao núcleo político de aconselhamento do chefe da nação e nivelou o PT aos partidos aliados. A legenda deixou de ser um baluarte da ética - marca com a qual escreveu sua história desde a fundação, em 1980 - e se revelou tão atraída pelo poder e pelo dinheiro fácil do caixa 2 de campanhas e de publicitários levianos como suscetível à corrupção. "As pessoas viram que não somos a Brastemp que imaginavam. Tiveram um choque de realidade", reconhece hoje o governador da Bahia, Jaques Wagner.

Os ministros do Supremo vão decidir sobre o tamanho e a profundidade das mal-feitos dos acusados. O governo e o PT, contudo, pouco aprenderam com o escândalo e seus desdobramentos. O Planalto, sob a batuta presidencial, mantém ativa a cooptação partidária e parlamentar, a troca de favores à custa de vagas ministeriais e de escalões intermediários na máquina do Estado. As legendas devolvem a gentileza com subserviência e votos em projetos definidos como essenciais pela administração federal.

O partido afastou de postos-chave alguns dos envolvidos, mas continua a cercá-los de gentilezas e agrados. Uns mantêm a força política interna. Outros encontram abrigo e meios de subsistência entre companheiros da legenda. Para o PT, cometeram apenas erros. Não crimes.

A adesão fisiológica de siglas às custas de instrumentos do Estado permitiu a repetição de licitações fraudulentas e dirigidas nos Correios, abortada durante a Operação Selo, da Polícia Federal. Até há bis dos criminosos de ontem nas irregularidades de hoje.

O escândalo do mensalão entra em pauta a partir de agora contra a vontade do Planalto e dos petistas. Volta, contudo, para lembrar que os atos flagrados e fartamente relatados nas páginas enviadas pelo Ministério Público são criminosos, lesaram os cofres públicos e, por tabela, os contribuintes, atingiram o governo e minaram a imagem do partido ao qual está filiado o presidente da República. Que se denunciem os culpados. E se acelerem os trâmites para o julgamento que pode ajudar o país a se reencontrar com a balança da Justiça.

Carga tributária bate novo recorde em 2006

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

Segundo Receita Federal, carga tributária somou 34,2% do PIB no ano passado.Volume de tributos pagos subiu em todas as esferas de governo.

A carga tributária brasileira subiu em 2006 e bateu novo recorde histórico, segundo informações divulgadas pela Receita Federal nesta terça-feira (21). No ano passado, o volume de impostos pagos pela população ao governo federal, aos estados e aos municípios, somou a marca inédita de 34,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2005, a carga havia somado 33,3% do PIB.

O crescimento da carga tributária, em 2006, aconteceu em todas as esferas de governo (União, estados e municípios). No caso do governo federal, a carga ficou em 23,75% do PIB, contra 23,25% do PIB em 2005. Ao mesmo tempo, os impostos cobrados pelos estados totalizaram 9,02% do PIB em 2006, contra 8,74% do PIB no ano anterior. No caso dos municípios, o volume de tributos pagos somou 1,46% do PIB em 2006, contra 1,39% em 2005.

A Receita Federal lembra que houve, neste ano, revisão dos números do PIB pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao agregar mais dados sobre o setor de serviços, o PIB acabou subindo mais do que o esperado anteriormente. Deste modo, houve uma redução na carga por conta desse efeito estatístico. Sem contar a revisão do PIB, a carga tributária brasileira teria ficado em 38,2% do PIB em 2007, segundo dados da Receita Federal, contra 37% do PIB em 2005.

Arrecadação também cresce
Dados divulgados mais cedo nesta terça sobre a arrecadação de impostos e contribuições federais, o que inclui a contribuição do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mostram que a arrecadação apresentou crescimento real, isto é, descontada a inflação, de 10,3% de janeiro a julho de 2007 - mesmo com as reduções de impostos feitas pelo governo nos últimos anos.

Em termos nominais, a arrecadação cresceu R$ 40 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, contra o mesmo período de 2006.

Segundo avaliou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o aumento da arrecadação em 2007 está relacionada ao crescimento da economia brasileira.

"Advém de maiores contribuições do INSS, do lucro das empresas", disse ele ao G1.

A pedido do G1, o tributarista Ives Gandra Martins fez uma análise da carga tributária de 2007 no último mês. Ele acredita em novo aumento da carga este ano.

Segundo Gandra, a carga tributária, que atingiu 34,2% do PIB em 2006, deve subir para cerca de 36% do PIB neste ano. Ou seja, 10 pontos percentuais acima do recomendado em junho pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) ao governo federal. A idéia do CDES é fixar uma carga semelhante aos outros países emergentes, que concorrem com produtos brasileiros. "Tudo o que o governo diz é que é preciso reduzir a carga tributária. Até o próprio Mantega admite que ela é alta. O governo vem dizendo isso desde 2002. É como um motorista que sinaliza para a direita e vira para a esqueda. O governo diz que não pode prescindir da CPMF. Pode sim. É só cortar gastos. Ao invés disso, concede aumento de 80% a 140% para 22 mil cargos comissionados. O dinheiro é mal gasto e mal distribuído", disse Ives Gandra.

Nepotismo: Senadores dão cargos a parentes

Folha de S.Paulo
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O Senado contratou, de 2003 a 2007, ao menos 35 parentes de senadores, segundo levantamento feito pela Folha nos boletins de pessoal editados no período. Mulheres, filhos, sobrinhos e primos de 19 senadores foram acomodados em cargos de livre provimento, que não necessitam de concurso.

Houve pelo menos um caso de nepotismo cruzado: o senador José Maranhão (PMDB-PB) contratou um sobrinho do colega Garibaldi Alves (PMDB-RN) que, em troca, admitiu uma sobrinha de Maranhão.

Ouvido pela reportagem, Garibaldi disse estar arrependido do acordo. "Eu lhe confesso que eu acho que o certo mesmo teria sido contratar no meu gabinete, confesso que foi uma besteira tratar essa coisa como nós tratamos", disse o senador, que relatou a CPI dos Bingos.

O senador Almeida Lima (PMDB-SE) contratou dois sobrinhos e uma prima, mas não considera isso nepotismo. Segundo ele, nepotismo seria ter todas as vagas do gabinete preenchidas por parentes. Ele defende a adoção de uma "cota" para os familiares.

"Não voto que proíba marido, mulher, filho, que proíba nada, não tem esse negócio de primeiro grau, segundo e terceiro, nada. Estabelece uma cota. Por exemplo, prefeito de uma cidade. A administração tem 300 cargos em comissão. Se você não puder ter ali três, quatro, cinco, seis pessoas que são da sua relação de parentesco, que mundo cão é esse?"

Almeida Lima criticou os colegas que contratam parentes de outros colegas. "Quando eu tenho parente, é no meu gabinete mesmo. (...) Você não vai encontrar ninguém meu nomeado em gabinete de ninguém e não vai encontrar ninguém, de senador nenhum, nomeado no meu gabinete. Isso é para hipócrita, e eu não sou hipócrita. No dia que eu quiser nomear minha esposa no meu gabinete, vou nomear, porque a Constituição me permite."

O senador Mão Santa (PMDB-PI) contratou primeiro a mulher, Adalgisa, e depois uma filha, que já foi desligada do gabinete. Ele disse estranhar as perguntas sobre as contratações. "Tu é contra a família? Eu não sou. Tu já ouviu falar em Jesus, Maria e José? Deus não pegou o Filho e desgarrou. Botou numa família."

Líder do governo Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) contratou três filhos, em períodos alternados, até o ano de 2004. Segundo sua assessoria, foi uma espécie de "estágio" para os jovens e agora nenhum trabalha mais lá.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), além de ter registrado a passagem, no Senado, de uma irmã e uma sobrinha, também contratou a irmã do executivo Carlos Rodenburg, braço direito do banqueiro Daniel Dantas. Fortes foi membro titular da CPI dos Correios, que investigou o banqueiro.

Sobre sua sobrinha, Fortes declarou: "Ela faz um serviço político de natureza pessoal".

O senador Augusto Botelho (PT-RR) contratou um irmão. "Ele trabalha, não é esse negócio de fantasma, não", disse.

DivisãoOs boletins que nomeiam e exoneram servidores do Senado não são divulgados pela Internet - para consultá-los, é preciso uma senha da rede interna do Senado ou a visita pessoal à biblioteca do Senado.

Cada senador tem direito a cinco cargos de assessores técnicos, seis de secretários parlamentares e um de motorista. Alguns cargos, contudo, podem ser fracionados até seis vezes -o senador Almeida Lima, por exemplo, reconheceu manter 33 servidores em seu gabinete. Os valores oscilariam, com o fracionamento, de R$ 900 a R$ 4,6 mil mensais.

O gasto líquido mensal do Senado com folha de pagamento é de R$ 59,8 milhões mensais. Ao todo, segundo a assessoria do Senado, há 3.461 servidores efetivos e 2.785 comissionados.

O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, reconheceu que essa multidão de comissionados está liberada do controle de freqüência, por conta de um ato da Mesa Diretora de 1997, na época da gestão de Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto neste ano.

A ata da reunião afirma: "A Comissão Diretora [do Senado] decide que, para a ocupação dos cargos de secretários parlamentares e assessor, o senador coloca para trabalhar onde for o melhor para o exercício do seu mandato"."Não sabemos [a freqüência], porque o senador e o pessoal botam onde querem. Não tem controle de freqüência de cargos comissionados no Senado", disse Agaciel Maia.

Os senadores José Nery (PSOL-PA) e Jefferson Peres (PDT-AM), que disseram não contratar parentes, condenaram o nepotismo. "Acho absolutamente incorreto que gestores contratem parentes para exercer cargos de confiança. É uma questão que envolve princípios éticos", disse Nery.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: O nepotismo é uma das práticas mais nefandas praticadas pela arcaica política brasileira. Quando o povo vota, escolhe um, mas acaba sendo brindado com a promoção da ocasião do “vote um, e sustente quatro”.

Dentre todas as justificativas que estes ordinários apresentam, a de Mão Santa, PMDB-PI, é uma das mais cretinas que já vi. Está lá na notícia: “(...)"Tu é contra a família? Eu não sou. Tu já ouviu falar em Jesus, Maria e José? Deus não pegou o Filho e desgarrou. Botou numa família(...)." Primeiro que a mistura de política com religião, já adentra no terreno do vagabundismo explícito. Segundo, que misturar a vida privada familiar com a vida pública já invade o terreno pantanoso da absoluta falta de caráter. Terceiro, nem Deus, nem Jesus, nem Maria, nem joão cristão nenhum, enviou a conta para os cristãos pagarem. Quem aceitou a religião naquele tempo, precisou enfrentar os leões nas arenas de Roma.

Por aí a gente percebe o nível de baixa ou de nenhuma moral desta gente: eles querem que aceitemos sua falta de honra e de caráter pendurada como conta a pagar anexada ao voto. Cambada de canalhas!!!

De licença, para ficar longe de Renan

Blog do Noblat

O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) se licenciará do cargo no meio desta semana. Assumirá a vaga dele seu primo e suplente Euclides Melo.

Collor não quer estar no Senado quando seus 80 pares tiverem que votar em plenário pela cassação ou absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebra de decoro.

Renan e Collor foram aliados no passado. Renan apoiou a eleição de Collor para presidente da República em 1989 - e foi líder do seu governo na Câmara dos Deputados.

Em 1990, candidato ao governo de Alagoas, contava com o apoio de Collor. De fato, Collor o apoiou - mas injetou uma grana maior na campanha do adversário dele, Geraldo Bulhões, eleito governador.

Dali a dois anos, ao ver Collor acuado por denúncias de corrupção que acabariam por derrubá-lo, Renan rompeu com ele. Concedeu à VEJA uma contundente entrevista chamando Collor de corrupto. Repetiu a acusação diante de uma CPI.

Manchete de primeira página do Jornal do Commercio, de Pernambuco, do dia 26 de junho de 1992: "Renan depõe e pede renúncia de Collor".

Título menor embaixo da manchete: "Renan defende detector de mentiras para ele e Collor".

Texto destacado: "Renan pede enquadramento do presidente em crime de responsabilidade por conveniência e omissão com o esquema PC, mas disse não ter provas documentais sobre o escândalo".

Naquela época, Renan desprezava o valor de provas documentais para pedir a cassação do mandato do presidente da República.

TOQUEDEPRIMA...

***** Documentos apresentados por Calheiros não alteram perícia, diz relator

Um dos relatores do primeiro caso Renan Calheiros no Senado, o senador Renato Casagrande (PSB-ES), afirmou nesta terça-feira que os novos documentos apresentados pela defesa do presidente da Casa ao Ministério da Justiça em nada alteram a perícia realizada pela Polícia Federal no primeiro lote de provas entregues pelo senador alagoano. "A perícia já está pronta. Os novos documentos não devem alterar em nada, nem a favor nem contra o que já está escrito", disse Casagrande. A análise da PF será entregue nesta terça a Mesa Diretora do Senado.

Contrariando o que pensa o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), o relator afirmou que prefere ouvir o depoimento de Calheiros antes da conclusão do relatório. Este processo analisa a acusação de que o presidente do Senado teria utilizado dinheiro de um lobista para pagar despesas pessoais. Quintanilha informou que o relator da segunda representação contra Calheiros, senador João Pedro (PT-AM), já encaminhou requerimento ao colegiado pedindo a convocação do presidente do Senado. Neste segundo caso, o alagoano é acusado de favorecimento a cervejaria Schincariol junto a órgãos do governo federal.

***** Briga apartada

O presidente Lula já enquadrou os ministros José Antônio Toffoli (Advocacia Geral da União) e Celso Amorim (Relações Exteriores). Eles começaram a trocar desaforos porque a AGU queria se habilitar a defender demandas do País no exterior. Lula decidiu que tudo fica como está: a cargo do Itamaraty.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Baixaria pura, o que bem representa o baixo nível desta turma, aliás, comparável a quem os comanda. Eta gentinha ordinária e medíocre, santo Deus !!!

***** Alckmin defende "cruzada pela descentralização"

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin pediu uma "cruzada pela descentralização". "Precisamos radicalizar. O Brasil é um país continental e não funciona com governo centralizado", disse o tucano, referindo-se à concentração de tributos nas mãos do governo federal.

Ele ressaltou que há mais eficiência nas administrações locais. "As administrações locais convivem com o problema de modo direto", afirmou Alckmin. O ex-governador ainda criticou a carga tributária. "O Brasil aumenta impostos e mais dinheiro vai para quem está longe do povo", lembrou.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: A observação de Alckmin faz todo o sentido: de fato, Estados e municípios porque convivem diretamente com as dificuldades da população e ainda próxima par tanto ser cobrada quanto melhor alocar os recursos naquilo que exige maior prioridade e mais urgente aplicação. Aliás, não é de hoje que se discute a necessidade urgente do país discutir sua federalização. Precisamos acabar com a política da mendicância de governadores e prefeitos junto ao governo federal. Um, porque se terá menos despesas e menor barganha política, porta aberta para malandragens políticas que conduzem, inevitavelmente, à corrupção. Dois, Cada estado, tendo maior independência na alocação de recursos, poderá desenhar programas e projetos que digam mais de perto às necessidades e características de cada região. E uma democracia sempre será mais justa na medida em que o poder não ficar tão acintosamente concentrado nas mãos de poucos. E isto, obrigatório dizer, exige que a representatividade política seja mais realista, e não este remendo mal feito que temos hoje, herdado ainda em sua estrutura do tempo da ditadura militar.

***** Tarso Genro diz que mensalão não respinga no Planalto

Apesar de ter nomes envolvidos, inclusive de ex-ministros do governo Lula, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o julgamento a respeito do escândalo do mensalão não "respinga" nem um pouco no Palácio do Planalto. "Não só não respinga como também já foi declarado pelo procurador-geral da República que não respinga. Não tem nenhuma alusão ao governo, ao presidente. Portanto não tem nenhum respingo. Nós temos é que ficar exultantes, porque as instituições no país estão funcionando de maneira regular e estável", disse Tarso.

Questionado se o julgamento será um teste de fogo para o governo, o ministro afirmou que a administração de Lula é de coalizão e que o STF vai tomar uma decisão sobre "indivíduos determinados."
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: O Rolando Lero do Planaltonos toma por idiotas ou o quê ? Reparem: foram ministros de Lula que rolaram um a um mergulhados no lamaçal. Foi o publicitário e marqueteiro de Lula que também tombou. Foram os principais líderes da base aliada do governo Lula que também se ensaboaram com a lama toda. Foram ministérios, órgãos públicos e estatais envolvidos e arrolados no escândalo. Em toda esta caca, quem foi único beneficiário direto ? Óbvio, o senhor Luiz Inácio. Que outras evidências desejava o Rolando Lero para ficar evidente que todo o escândalo foi urdido dentro do governo, manobrado de dentro do Palácio do Planalto, beneficiando e favorecendo o seu representante máximo? Uma confissão assinada de próprio punho com firma reconhecida por autenticidade em cartório? Ora, Tarso, vá se danar, sua anta !

***** Uma oposição de mentirinha...

PSDB e DEM anunciaram há duas semanas que não participarão mais de nenhuma votação no Senado sob a presidência de Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter quebrado o decoro.

Aloizio Mercadante (PT-SP) acaba de pedir à oposição que vote o que deve ser votado para não causar prejuízo a ninguém. Citou a Medida Provisória que facilita a renegociação das dívidas de produtores rurais.

Jaime Campos (DEM-MT) apoiou o pedido de Mercadante. Lúcia Vânia (PSDB-GO), também. Vamos ver se a palavra da oposição vale alguma coisa.

Em outras palavras: a oposição continua não fazendo oposição. Mais honesto seria se eles se declarassem pertencer a base aliada do que ficarem enganado a opinião pública. Depois não sabem por que perdem eleição, não sabem por que a popularidade do molusco continua em alta.

Aliás, a continuarem se comportando desta forma, a oposição obrigará seus eleitores a lançarem a campanha do DEVOLVAM MEU VOTO.

*****CPI do Senado quebra sigilos de Denise Abreu

A CPI do Apagão Aéreo do Senado aprovou hoje o pedido de quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de dez pessoas, entre elas a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu. O brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, acusou a diretora da Anac de fazer lobby para a transferência do movimento de cargas dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos para Ribeirão Preto com a intenção de beneficiar um amigo, dono do terminal de cargas desse aeroporto. Os parlamentares da comissão investigam a denúncia. Os ex-diretores da Infraero Eleuza Teresinha e José Wellington de Moura também vão ter os sigilos quebrados.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Não acredito que se chegue a algum lugar pela quebra dos sigilos da dona Denise. Esta senhora deve ser demitida pela irresponsabilidade, pela incompetência e pela absoluta falta de preparo técnico para atuar num cargo que exige formação e experiência técnicas. Além disso, dona Denise deve ser sumariamente demitida através de um processo disciplinar administrativo por haver, gravemente, mentido em duas ocasiões: uma em juízo, conforme noticiamos, o que levou a Justiça a liberar a pista de Congonhas sob a condição de que se respeitasse uma falsa norma que a dona Denise apresentou como tal para a juíza. E, depois, contrariamente ao que disse à Justiça, na CPI disse que aquela norma não tinha validade. Claro que a quebra de sigilos com gente do naipe da dona Denise pode nos apresentar outros indícios sobre outras irregularidades. Mas, mesmo que apareçam tais indícios no futuro, esta senhora não pode permanecer na ANAC sem responder a processo administrativo nem mais um dia.

O Supremo e o processo político

Editorial do Jornal do Brasil

A partir de quarta-feira, o Supremo Tribuna Federal mergulha num calhamaço de acusações, provas e contraprovas recolhidas pela Procuradoria-Geral da República contra 40 empresários, políticos, apadrinhados e funcionários públicos acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão. Denunciada em setembro de 2004 em reportagem do Jornal do Brasil, a existência de um esquema para assegurar votos e apoio ao governo Lula no Congresso foi confirmada pelo ex-deputado Roberto Jefferson, então presidente do PTB, em junho de 2005.

A denúncia levou à cassação do mandato de Jefferson e do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu. Em abril de 2006, depois de investigações dos parlamentares acusados pelo Conselho de Ética da Câmara, e de CPIs nas duas casas do Congresso, o procurador-geral da Republica, Antônio Fernando de Souza, encaminhou o processo ao Supremo. Pede a denúncia dos envolvidos por crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e peculato (desvio de dinheiro público). Afirma que os 40 acusados integravam uma "sofisticada organização criminosa" e um complexo "esquema para negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do partido, custear gastos de campanha e outras despesas do PT e seus aliados".

Cassado por seus colegas no plenário da Câmara, Dirceu é apontado como o líder da "organização criminosa", um dos artífices do esquema como chefe da Casa Civil durante os dois primeiros anos do mandato do presidente Lula. A denúncia alcança também o ex-secretário de Gestão Estratégica Luiz Gushiken, o ex-presidente do PT José Genoíno, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex-secretário-geral da legenda Silvio Pereira. E o publicitário Marcos Valério.

O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso no STF, montou um voto de 400 páginas. Não antecipa o conteúdo, mas revela ter firmado uma convicção sobre a denúncia da Procuradoria- Geral. O Supremo, que terá seus dias de tribunal criminal, mesmo não sendo uma corte para exercer tal função, terá quatro dias de intenso trabalho. Vinte e um advogados, representantes dos acusados, já se credenciaram para a defesa oral. Terão direito a 15 minutos cada. O chefe do Ministério Público Federal falará por uma hora.

O Supremo jamais condenou alguém ao longo de sua existência. Na semana passada, quebrou o jejum com Paulo Maluf, uma acusação que se arrasta desde o início da década de 80. O deputado foi condenado a devolver aos cofres públicos da prefeitura paulistana US$ 250 mil, gastos com a procura de petróleo pela Paulipetro. Apesar disso, os advogados do parlamentar anunciaram que vão recorrer da sentença ao próprio STF.

A maratona de análise da denúncia do mensalão vai apenas começar. Se aceita pelos 10 ministros (Sepúlveda Pertence se aposentou na quinta-feira) o processo entrará numa segunda fase. Pela história do Judiciário, deve levar muitos anos até o julgamento definitivo, graças à quantidade de recursos e eventuais novas investigações a serem requisitados.

A cadeia do tempo, contudo, pode ser abreviada pelos próprios ministros do STF, garantidas a ampla defesa e a análise profunda de cada caso. É o que o Brasil espera, até para provar que a Justiça nem sempre precisa tardar para não falhar.

Não dá para esperar tanto tempo.

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Lula profetizou: "Século 21 é o século do Brasil".

O diabo é que um século tem cem anos, e recém estamos no sétimo ano do século 21. Assim, espero que Lula não esteja contando com tanto tempo para tornar o Brasil um país melhor. Mesmo porque, só uma ínfima parcela da população conseguirá viver tanto tempo. E com os serviços públicos se deteriorando do jeito que estão, talvez ninguém consiga chegar vivo até lá...

"Não vamos jogar fora a oportunidade que tivemos no século XX. [O biodiesel] é o instrumento que temos para ganhar o mundo", declarou.

Há duas questões que, francamente, é duro de engolir: primeiro, qual a oportunidade que tivemos no século XX? Só de ditaduras tivemos quantos anos? Ainda ao final dos anos cinqüenta, meio século portanto, o país era um importador nato. Exportávamos basicamente café, e assim mesmo em grãos. Quantas mudanças a civilização humana sofreu ao longo do século passado ? Passamos um século inteiro construindo o Brasil, e sempre de maneira errada: nunca priorizando a educação. De quem a culpa ? Das elites econômicas ? Da elite política ? Dos coronéis do nordeste, ou dos industriais do sul-sudeste ? A partir de que momento histórico nasceu uma verdadeira consciência nacional devotada à educação, ao trabalho, ao progresso, ao regime de leis democráticas? Um país, do tamanho do Brasil, não se constrói do nada, sem trabalho, e sem uma elite interessada neste bem estar social em solo próprio. Avançamos sim, e muito, e em todas as direções. Claro que muita coisa nos aconteceu em função de acontecimentos mundiais, como as duas grandes guerras.

Pode-se dizer que a modernidade nasce a partir de JK, ou da legislação trabalhista de Getúlio Vargas ? Ou da redemocratização de 1985? Éramos uma grande nação com vários povos. Hoje, quando poderíamos reuni-los em um só, Lula e seu partido provocam o apartheid mais idiota que se pode imaginar. São vários Brasis que se vão construindo: Brasis raciais, Brasis regionais geograficamente, Brasis econômicos, e em cada um, uma divisão infame. Não há uma inteligência a nos deslocar para um mesmo ideal de país, e o que é mais importante, de um só povo.

O petista ainda prometeu "viajar" muito em 2007 para divulgar as qualidades do país. "Ninguém vai ajudar o Brasil por causa da nossa pobreza, mas vão respeitá-lo pelas nossas qualidades", disse Lula. Ele ainda prometeu que os bio-combustíveis não colocarão em risco a produção de alimentos do país, no entanto, ressaltou que é preciso ter cuidado com o zoneamento da agricultura.

Seria interessante saber que droga de zoneamento é este, quando se sabe que o INCRA está assentando gente no meio da floresta amazônica, e onde a mais próxima viva alma fica a dezenas de quilômetros de distância! Sem contar com o desmatamento descarado e sem tréguas. Quanto aos bio-combustíveis, se Lula tivesse estudado, talvez sua matemática fosse um pouco melhor: nossa capacidade de produzir bio-combustíveis em escala industrial, quando muito atenderá a demanda interna. Se for para abastecer o continente americano apenas, vamos beber bio-combustíveis com meia dúzia de grãosde feijão dentro deles mergulhado. Não há terra suficiente para plantar alimento e bio-combustíveis capazes de atender, simultaneamente, nossas necessidades. Que se utilize o bio-combustível para suprir parte do que precisamos para mover a frota de veículos e automotores em geral, vá lá: mas não se pode viver na ilusão de que estamos diante de ouro puro capaz de enriquecer o país. Isto é uma piada sem graça e fora de hora.

Há muitas outras riquezas existentes no país capazes de nos tirar da pobreza histórica. Mas nenhuma destas riquezas poderá cumprir com este papel se o país tiver que carregar nas costas o peso dos impostos atualmente tungados das pessoas e empresas que trabalham e produzem. A ganância fiscal furta compulsivamente qualquer capacidade de poupança interna que nos pudesse permitir alavancar investimentos produtivos. Reparem que, para uma inflação em torno de 4% ao ano, o crescimento real na arrecadação de impostos foi superior a 10%, portanto acima da inflação e do próximo crescimento real do PIB. Um Estado que suga praticamente 35% de toda a riqueza nacional produzida ao longo de um ano, e que nada devolve para esta sociedade, seja em serviços e investimentos de infra-estrutura, não pode sonhar que, neste ritmo, e no espaço de um século, o país sairá da miséria em que se encontra.

O próprio governo revela o lado triste desta história de fantasias e sonhos tresloucados: um em cada quatro brasileiros, recebe Bolsa-Família, ou seja, um em cada quatro brasileiros recebe por mês renda inferior a R$ 120,00 o que lhe permite o benefício do programa assistencialista. Diz o governo já serem 25% da população os beneficiados, isto é, cerca de 46 milhões de indivíduos vivendo com menos da metade de um salário mínimo já baixo historicamente. Deste contingente, metade não tem esgoto sanitário, não tem transporte, não tem escolas, não tem serviços de saúde. Mas tem uma bolsa esmola que sequer é capaz de abrir portas para sua melhoria.

Seria possível descortinar um horizonte melhor se o governo federal impusesse a si mesmo como prioridade de sua administração, a educação maciça da população, e um investimento relevante em qualidade de vida. Ao término de seu segundo mandato, já terão decorridos 10% do século, sem que tenhamos saído do lugar, e o que é pior, ao que parece estamos retrocedendo e perdendo velocidade. Reparem como os sonhos não se coadunam com as metas dos planos governamentais megalomaníacos: somente em 2021, o país atingirá níveis de ensino condizentes com a média atual dos países europeus. Como eles não ficarão parados até lá, ou seja, significa que gastaremos cerca de 15 anos para chegarmos onde os europeus se encontram hoje, e mesmo assim, ainda estaremos distante dos países do primeiro mundo, que, claro, avançarão ainda mais. Isto apenas na questão da educação, fora o restante.

Talvez ao final deste século, e quando muito, possamos estar em níveis melhores do que os atuais em qualidade de vida. Mas no ritmo com que o atual governo está imprimindo, e até pelo desenho de Estado que está tentando impor, é mais fácil daqui 93 anos estarmos, em relação ao restante do mundo, no mesmo patamar em que nos encontramos hoje. Não existe país de primeiro mundo com povo maciçamente ignorante e com classe média empobrecida. Até pelo contrário. E que outra coisa temos hoje diferente deste quadro, ou que o governo esteja ao menos empenhado em resolver ?

Não, não há como avançar tendo o fruto do nosso trabalho tolhido em grande parte pelo Estado que não nos devolve nada. O que mais se poderá ter a continuar o país sendo governado como tamanho desleixo, é menos miseráveis, menos classe média e muitos, mas muitos pobres. Um exército deles, vivendo apenas para suprir necessidades básicas à sua sobrevivência. E isto não nos fará melhores do que somos atualmente.

Melhor faria Lula se abandonasse de vez a retórica mentirosa com que tenta se vender na figura de um estadista, e passasse a agir como um governante capaz, sério e responsável. A lembrá-lo: os militares, entre 1964 a 1985, tentaram vender a mesma porcaria e deu no deu. Portanto, mais realidade, e menos fantasia. Até porque, ao final deste século, Lula não mais estará vivo para ser cobrado por suas mentiras. Talvez conste seu nome em algum livro de história com o seguinte lembrete: “o que foi sem nunca ter sido”.

O caso das balas de doce calibre

Augusto Nunes, Coisas da Política, Jornal do Brasil

Um pacote de balas Paulistinha, muito consumidas nas matinês de antigamente, por pouco não melou, em 9 de maio de 1980, o noivado de Luiz Inácio Lula da Silva com o estrelato político. Preso no Dops de São Paulo desde 19 de abril, junto com outros líderes da greve deflagrada no fim de março pelos metalúrgicos do ABC, Lula escondera sob o travesseiro o pacote entregue furtivamente, no meio da tarde, por um visitante amigo. Planejava atacá-lo na madrugada, depois que os parceiros de cela dormissem.

A investida foi neutralizada a tempo pelo companheiro Djalma Bom. Caso se empanturrasse com os pequenos retângulos azedinhos, coloridos e quebradiços, o presidente do sindicato de São Bernardo teria ido muito além do pecado da gula. Com as balas de doce calibre, Lula também teria assassinado a greve de fome decretada horas antes pelos prisioneiros.

"Quando a gente decidiu parar de comer, não resisti à tentação de enganar a fome com alguma coisa ligeira e providenciei o pacote", contou-me Lula, em junho de 1997, durante o depoimento de duas horas para o documentário 50 anos de Brasil - A história de todos nós, gravado num dos salões do Museu do Ipiranga. Estava feliz. E pareceu divertir-se especialmente com as lembranças da temporada na cadeia.

Algumas deixaram bem no retrato o agora senador Romeu Tuma, chefe do Dops em 1980. "Ele foi um excelente carcereiro", sorriu Lula. "Como minha mãe estava muito doente, permitiu que eu visitasse a velha todas as noites. Um policial me acompanhava como se fosse algum amigo. Ela morreu sem saber que o filho estava na cadeia".

Por essas e outras gentilezas, Tuma sentiu-se injuriado ao saber do jejum. "Ele estava muito bravo quando apareceu para conversar sobre a greve de fome", recordou Lula. "Chegou dizendo que até suco de laranja a gente bebia diariamente e avisou que os privilégios iriam acabar".

A supressão das regalias, avisou o xerife, começaria pelo fim da distribuição de jornais e pelo confisco dos aparelhos de rádio. O primeiro castigo não se consumou inteiramente: encerrado o desabafo, Tuma se foi sem levar o rádio que tivera o som reduzido para que a platéia pudesse ouvir direito o que dizia o delegado. Em 20 de maio, os presos saberiam por esse aparelho que seriam libertados no mesmo dia.

A segunda restrição durou 48 horas, ao fim das quais Tuma autorizou Lula a ler jornais. Mas no seu gabinete, condicionou, e sozinho. A exigência foi abrandada na manhã seguinte, quando o chefe dos presos entrou na sala do chefe dos carcereiros escoltado por dois companheiros. Com a própria sala reduzida a salão de leitura, Tuma achou melhor revogar as ameaças. Os grevistas acharam melhor revogar o jejum.

Ainda que dure pouco, ainda que os policiais se portem como lordes, a perda do direito de ir e vir nada tem de agradável. Nenhum estágio na cadeia merece brindes. Tampouco merecem uma pensão vitalícia os 31 dias de Lula no Dops. Mas o apreciador de balas Paulistinha, promovido a perseguido político, juntou-se aos 15 mil beneficiários do que o jornalista Elio Gaspari batizou de Bolsa-Ditadura. Por ter descansado um mês na prisão-hotel de Tuma, o presidente embolsa por mês o equivalente a U$ 2.200.

Mas anda bravo com os U$ 2 mil pagos, por tempo determinado, a mil bolsistas que fazem cursos de doutorado no exterior. Se não perdeu a memória, Lula perdeu a vergonha.

PAC da vigarice

por Adriana Vandoni, site Prosa & Política
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Lula acredita no sucesso do PAC da Segurança, lançado esta semana. Ele diz isso e explica baseado em que: "90% diziam que o Brasil não tinha condições de ganhar da Argentina. E o Brasil ganhou e virou o campeão da Copa América". Para dar certo ele aposta que "se nós criarmos uma corrente positiva, não há por que não dar certo". Ou seja, a menos que comecemos a meditar e fazer aaahhhuuuuummmmmmmmmmmm, a coisa não vai dar certo. Lula não usou embasamento técnico algum.

A idéia em si, que está no papel, é perfeita, aliás, é muito, muito mesmo, semelhante ao Plano de Integração e Acompanhamento dos Programas Sociais de Prevenção à Violência (Piaps). Alguém se lembra? Pois é, foi criado no governo de Fernando Henrique Cardoso e em janeiro de 2003 o governo Lula o abandonou dizendo que seria implementado o Plano Nacional de Segurança Pública, propagandeado durante a campanha. O tal Plano não saiu do papel, aliás, não saiu dos programas de Duda Mendonça, no seu lugar surgiu o SUSP – sistema único de segurança pública.

O SUSP não deu certo, não existiam critérios, o orçamento era constantemente cortado ou desviado, sabe-se lá. O investimento Federal em segurança no período de 2001 e 2002 é 28,3% maior do que o investimento no período de 2003 a maio de 2006, segundo levantamento do site Contas Abertas, com valores atualizados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.

Isto quer dizer que mais que torcida, para atuar de forma efetiva no problema da violência, o Brasil precisa de seriedade, competência e responsabilidade. Não terá com este governo.

O PAC da Segurança prevê investimento de R$ 6,7 bilhões para os próximos cinco anos, que serão aplicados em 11 regiões metropolitanas. É dinheiro pra burro, hein? Não, não é. O orçamento da Secretaria de Segurança Púbica de São Paulo só para este ano é de R$ 8,4 bilhões. Ou seja, Lula está passeando pelo Brasil, pedindo reza e pensamento positivo para dar certo um projeto que prevê um investimento pífio. Vai investir em 11 estados 80% do que é investido só em São Paulo, pelo governo estadual.

Vou repetir para frisar bem, Lula está dizendo que vai investir em cinco anos em 11 estados, 80% do que é investido só em São Paulo durante um único ano. Gente, isso é ridículo!

Veja bem, com um orçamento anual de cerca de R$ 8 bilhões, o estado de São Paulo recebeu do governo federal em 2005, algo como R$ 151,9 milhões. Parece palhaçada, não?

Com investimento desses, exaltado e lançado com festa, o mais prudente mesmo é rezar e torcer. Nunca se viu na história deste país tamanha vigarice.

É Luis Ináffio, com o know how que está ganhando, é bem capaz de sair da presidência e substituir a bispa Sônia na Igreja Renascer. Com a vantagem de que o produto que ela vende, o paraíso, o cliente não volta pra reclamar.

Assalto ao estado de direito

Reinaldo Azevedo
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Há coisas que parecem corriqueiras, irrelevantes, mas que são muito importantes, Leia o que segue. Volto em seguida:

Por Felipe Bächtold, da Agência Folha:

Assentados da reforma agrária e trabalhadores rurais vão ter um curso de direito exclusivo na Universidade Federal de Goiás a partir desta semana. Sessenta alunos vão iniciar amanhã a graduação, que será instalada em um campus na cidade de Goiás.

Um dos articuladores do projeto, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) considera o curso uma oportunidade para qualificar seus integrantes --39 alunos pertencem ao grupo, segundo a coordenação do movimento.O vestibular para o curso teve mais de 600 inscrições. Os alunos precisaram comprovar que viviam em assentamentos da reforma agrária ou em terras destinadas à agricultura familiar.

A iniciativa, que é inédita na área de direito no país, segundo a universidade, vai ser financiada por meio de um acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. O ministério vai repassar a maior parte dos cerca de R$ 180 mil anuais que vão cobrir os custos da graduação.

O curso superior terá duração de cinco anos e estrutura de uma graduação comum de direito. As disciplinas optativas, porém, terão foco em ambiente e questões voltadas ao direito agrário, segundo a coordenação da faculdade.

De acordo com o MST, um dos objetivos do curso é fortalecer o movimento com novos advogados para "não depender de outras pessoas". "A idéia [de criação do curso] foi justamente para formar nossos próprios advogados", diz José dos Santos, da coordenação estadual do MST.

A aula inaugural será dada amanhã pelo ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Eros Grau. A Universidade Federal de Goiás já conta com um curso de pedagogia também voltado para assentados. A graduação tem 80 alunos e iniciou as atividades em fevereiro.

No ano passado, o Ministério Público Federal em Goiás abriu um inquérito para apurar a regularidade dos cursos dirigidos a trabalhadores rurais. A peça foi arquivada porque a Procuradoria concluiu, após audiências públicas com entidades como OAB e Incra, que o projeto era uma ação afirmativa voltada a um grupo "marginalizado" --e não a criação de um privilégio.

Em julho, um curso superior a distância de administração da Universidade Federal de Santa Catarina foi suspenso pela Justiça por destinar vagas apenas para funcionários públicos.

Voltei
Viram só? Imaginem se uma instituição federal, com recursos públicos, desse um curso exclusivamente para proprietários rurais ligados à UDR. Seria um deus-nos-acuda. A “direita”, como eles gostam de dizer, nunca chegaria tão longe. E nem eu estou defendendo que isso aconteça. É claro que se trata de um absurdo. O que o MST está fazendo é formando quadros com dinheiro público — como se, ademais, o movimento já não fosse isto mesmo: uma organização política financiada com recursos do Orçamento.

Por isso, jamais leve a sério qualquer notícia que dê conta do descontentamento do MST com o PT e o governo Lula. Podem divergir aqui e ali, na tática. Mas são expressões do mesmo assalto ao estado patrocinado pela esquerda cartorial brasileira.

À sombra do velho Estado Novo

Wilson Figueiredo, jornalista, Jornal do Brasil

O mestre em ciência política Luiz Werneck Vianna (Iuperj) chamou a atenção, em entrevista ao Estadão dia 5 de agosto, para aspectos que são mais do que simples coincidência no governo Lula:"ecos do ideário que gerou o trabalhismo brasileiro", presença atuante de "representações corporativas de trabalhadores e empresários", notória dificuldade presidencial de "conciliar interesses conflitantes" e "centralização ostensiva". Não ficam de fora sequer os escândalos que abalam a representação política nacional. E definiu o quadro como o "Estado Novo do PT."

O segundo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva favorece deduções que, embora debaixo dos olhos, pedem mais atenção. Somam-se abstinência crítica da esquerda e sintomática alienação oposicionista. O próprio PT prefere não ver. A sentença de Werneck Vianna poderia ao menos sacudir a inércia petista e lembrar às esquerdas a perda da oportunidade aberta pela ascensão petista ao poder. A vitória eleitoral não ocorreu por acaso. O governo do PT perdeu a perspectiva histórica e não entendeu como chegou até aqui, e muito menos aonde irá parar.

Tancredo Neves definiu a natureza política do regime de 1964 como o "Estado Novo da UDN" e, vinte anos os depois, com a mesma arma _ o voto indireto _ retomou aos governos militares a estrada sinuosa rumo à democracia. Com o petismo no lugar do udenismo, a situação constrangedora se repete. No vazio crítico, as observações de Werneck Vianna têm adrenalina capaz de reativar as esquerdas perplexas. Por medo das conclusões (que não estão no passado, mas à disposição do presente ), o debate se frustrou dentro e fora do PT. O governo Lula marca passo na nostalgia de soluções de curto prazo, embora haja espaço para o debate nos limites do marxismo e da experiência socialista no século 20, sem compromisso com o que não deu certo. A fórmula que caracterizou o trabalhismo à brasileira não é mais aplicável ao país industrializado e inserido na desconfortável e incerta globalização. É estéril o hábito de ignorar, por princípio, a luta de classes como cenário. Nosso trabalhismo equilibrava-se na representação compartilhada por dirigentes sindicais, tanto de empregados quanto de empresários. O denominador comum foi o peleguismo de patrões e empregados. O sindicalismo patrocinou soluções obtidas no avesso da luta de classes. O Brasil, "essencialmente agrícola", queria distância da reforma agrária. O agro-negócio não fará do governo Lula um espetáculo de esquerda.

Diante das eleições (presidencial e representativa) em 1945, a oposição se adiantou em fazer a cabeça da então restrita classe média, que hoje é o lastro histórico da democracia. O PTB foi o beneficiário político e eleitoral de Getúlio Vargas graças à estrutura sindical manipulada e controlada pelo Ministério do Trabalho. Mas a classe média adquiriu consistência, cresceu e se tornou indispensável. Nenhuma tendência governa sem contar com ela.

"É mais do que metáfora", adverte Werneck Vianna sobre o Estado Novo do PT. Multiplicam-se os sinais de esvaziamento da confiança política a partir do Legislativo. Riscos à vista. Lula realimenta a popularidade de baixo custo com o declínio dos partidos e a banalização dos escândalos parlamentares. Fala-se de sucessão com foco oculto na gestação do terceiro mandato. O fato é que a reeleição não resolveu velhos problemas que crescem, perigosamente, por conta própria.

O desafio do controle do tráfego

Fernando Exman, Jornal do Brasil

Insatisfeitos com a falta de pessoal, equipamentos e a ausência de um plano de carreiras, os controladores de vôo querem se reunir com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para apresentar suas demandas e tentar acabar com as punições impostas pelo Comando da Aeronáutica. Desde o dia da posse de Jobim pedem uma audiência. Até agora, reclamam, não foram recebidos pelo chefe.

- Queremos colocar a nossa versão - diz o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, em referência à desgastada relação entre os controladores do tráfego aéreo e os oficiais da Aeronáutica que os chefiam. - Se ouvir só a Aeronáutica, vai ouvir só um lado da história.

Embora satisfeito com a gestão do ministro, o relator da CPI do Apagão Aéreo do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), alertou para a necessidade de o governo solucionar o gargalo existente no controle do tráfego aéreo. Atualmente, há cerca de 2.700 controladores civis e militares em atividade no país.

- Falta resolver o problema dos controladores de vôo, que podem voltar a boicotar o sistema aéreo por que querem um salário maior - declara o senador.

Até agora, Jobim não anunciou se aumentará o contingente da área ou melhorará os equipamentos dos centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo (Cindactas). Tampouco revelou se é a favor ou contra a desmilitarização do controle de vôos. Botelho disse entender tal demora, já que o ministro não é do setor. Considerou positivo o fato de Jobim ter deixado claro que "ele é quem comanda tudo". Botelho se lamenta, entretanto, por achar que o Comando da Aeronáutica ainda não entendeu o recado.

- O governo precisa enquadrar a Aeronáutica, fazê-la entender que está subordinada à Defesa. Se não fizer isso, acabará desgastado como os outros (ministros que precederam Jobim) - ataca o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo. - A Aeronáutica descumpriu uma determinação do governo, que foi a de contratar mais civis para a área.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Jobim chegou atropelando, dizendo que iria mudar a diretoria da INFRAERO e da ANAC. Na ANAC acabou recuando, apesar do cheque em branco que lula lhe deu. Gaudenzi agora promete mexer na ANAC também, bem, isto é o que vamos ver. Mas convém notar um detalhe: o sistema CINDACTA precisa ser revisto com URGÊNCIA urgentíssima. Todo o imbróglio do apagão aéreo começou no vencimento do prazo de validade do sistema de controle.
Não bastarão reformas em pistas, ampliando suas capacidades de embarque e desembarque, não adiantarão a contratação de mais controladores, não adiantarão as medidas de redesenho da malha aérea: tudo isto é indispensável, mas de nada servirão se o sistema de controle do tráfego aéreo permanecer intocado.

Para amenizar toda essa discussão, uma piadinha que já circula na incensurável Internet. Os personagens são o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o presidente Lula da Silva.

Ministro Jobim - "Presidente, precisamos retirar assentos dos aviões!"

Presidente - "Ô Jobim, até você? Avião não tem acento, tem "til"...

Petista bate boca com presidente da Fiesp sobre CPMF

Durante o programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga, o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG) e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, protagonizaram um bate boca sobre a prorrogação da CPMF. O presidente da Fiesp afirmou que o governo não precisa do imposto porque a arrecadação vai aumentar. "E os R$ 60 bilhões a mais?", perguntou Skaf, lembrando que quem paga mais o tributo é o pobre.Em defesa do imposto, Guimarães rebateu de maneira exaltada o presidente da Fiesp. Ele disse que o tributo é rigorosamente repassado aos destinos previstos: saúde, previdência e fundo de combate à pobreza. "Ruim com ela, pior sem ela", afirmou o petista.

Guimarães ainda usou a crise internacional para justificar a necessidade de prorrogação da CPMF. A apresentadora Ana Maria Braga decidiu perguntar o que tem a ver a crise que começou há duas semanas com o imposto ser cobrado até 2011.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Apesar de deputado, apesar de petista, Virgílio Guimarães bem que poderia se informar melhor sobre os usos da arrecadação da CPMF. Se surpreenderia ! Ademais, como todo o bom petista, fugiu de responder ao presidente da FIESP. O excedente em arrecadação de impostos cobre sim e com sobras o total que o governo arrecada com a CPMF.

Agora, interessante notar a posição atual dos petistas e de Lula inclusive, com respeito à CPMF; acaso eles lembram qual foi a posição que adotaram quando a CPMF foi criada ? Por que somente agora ele se tornou importante ? e porque eles não fazem uma prestação de contas de tudo que arrecadaram com a CPMF e, principalmente, TUDO O QUE FOI PAGO com a CPMF !!!

Papo furado do senhor Virgílio dizer que é RIGOROSAMENTE repassada aos destinos previstos. Mentira. Usou-se até para bancar festinhas, seu moço ! Até porque se a CPMF estivesse sendo como diz “RIGOROSAMENTE” repassada para a saúde por exemplo, os hospitais públicos não estariam caindo aos pedaços !

E parabéns a Ana Maria Braga em não cair no conto do vigarista: de fato, uma crise de duas semanas atrás, nada tem a ver com a prorrogação do imposto, até porque Lula e Mantega garantem que a crise é nos Estados Unidos e não nos atingirá, e eles dizem que não precisamos nos preocupar porque estamos “blindados ‘ com reservas de 160 bilhões de dólares. Ora, convenhamos, estes dois não seriam capazes de mentir para o país, seriam ?

A pressa ainda que tardia

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Como o dorminhoco que perde a hora, acorda tarde e, estremunhado, tenta acelerar o passo para descontar o tempo que não engrena a marcha-à-ré, nos três poderes - entre bocejos e caretas - o fim de agosto sacode os napeiros para a urgência de salvar o fim do ano que escorrega entre os dedos indolentes como água na correnteza.

Nem tudo está perdido. Há tempo para os que souberem aproveitá-lo. Puxa a fila dos retardatários o presidente Lula, um aplicado convertido à máxima de discutível sabedoria do "deixa como está para ver como é que fica".

Mas não lhe falta a agudeza de antecipar a advertência às cobranças da oposição, sem muita folga para cuidar do governo com tantos embaraços a retardar os seus passos.

Cutucado pelas vaias, sacudido pela crise do apagão aéreo, com mais de duas centenas de vítimas, Lula alterna os pedidos de calma aos correligionários e adversários com o lançamento em série de projetos que dormiram o sono da irresponsabilidade. Em recado maroto pediu serenidade aos ansiosos e aconselhou que esperassem um pouco mais, até fevereiro ou março do cada vez mais próximo ano, quando os canteiros das obras do PAC estarão coloridos pelo verde da brotação dos mutirões na rede rodoviária, nos portos entupidos pela fila quilométrica dos caminhões, nas ferrovias que cortarão o país em todas as direções.

Não será fácil atender ao apelo presidencial. Em ano de eleição municipal, a madraçaria dos parlamentares viciados na semana de dois a três dias útil infla para o recesso branco das sessões do faz- de-conta de curtíssima duração, com meia dúzia de gatos pingados no plenário revezando-se no microfone para os recados ao voto. Entende-se: é a hora de paparicar os prefeitos e vereadores candidatos à reeleição e aos candidatos da sua base de sustentação nos municípios.

E, para mal dos pecadores, a ressaca que engrossa em ondas gigantescas que arrebentam na praia e arrastam a sujeira de escândalos veneráveis, sumidos por anos e meses e que se renovam para a nova temporada de depoimentos, acareações, denúncias ampliadas e a maciça cobertura da mídia.

Não tem fôlego para durar muito. Afinal, são coisas sabidas que retornam na nova etapa de longo caminho que parece não ter fim.

Não só o Congresso, com a eleição municipal à vista lutará por um espaço para mostrar serviço. A toga entrou no palco empurrada pelas críticas à sua lentidão e à evidência de que a demora nos julgamentos pavimenta a larga avenida da impunidade: rico não vai para a cadeia, escapa pelas frestas dos recursos e a lábia de bons advogados. Amanhã o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a decidir se abre ou não o processo contra os que se emporcalharam no megaescândalo do mensalão, com o desvio do dinheiro público para a corrupção de parlamentares.

O cerco aperta em arrancos e interrupções. Em sacudidela brusca, o Ministério Público, com destacada atuação no combate à roubalheira, ingressou com cinco ações na Justiça Federal em que acusam 37 dos investigados por enriquecimento ilícito e espera reaver R$ 55 milhões que vazaram pelo valerioduto. No miolo da rapinagem brilham astros famosos, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-senador e atual deputado José Genoino e os operadores do esquema Sílvio Pereira, Marcos Valério e Delúbio Soares.

Por enquanto ninguém está preso nem devolveu um níquel.

Como antídoto, o governo lançou o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), forrado com as melhores intenções de combater a violência atacando as causas sociais que a alimentam. Em ágil drible de corpo, o ministro da Justiça, Tarso Genro, advertiu que não se deve esperar por resultados a curto ou médio prazo.

É como se para o afogado nos últimos arrancos, o salva-vidas prometesse uma bóia que está sendo inflada e deve demorar algumas horas.

ONU alerta: Brasil é um dos países mais vulneráveis

Jamil Chade, do Estadão

As conseqüências, porém, não serão tão profundas como as contaminações sofridas pelo País nos anos 90

GENEBRA - A ONU alerta que o Brasil está entre os países vulneráveis à turbulência dos últimos dias no mercado financeiro e pode de fato sentir os impactos se o cenário for mantido. As conseqüências, porém, não serão tão profundas como as contaminações sofridas pelo País nos anos 90.

Os economistas da entidade irão publicar no início de setembro seu levantamento sobre a situação internacional e apostarão em um crescimento da economia mundial para 2007 de 3,4%. Por enquanto, a previsão da ONU para o crescimento da economia latino-americana em 2007 é de 4,7%. Nos Estados Unidos, a previsão é de 2%.

Apesar dos alertas em relação ao Brasil, as Nações Unidas admitem que a situação do País é mais sólida que nos anos 90. "Hoje, vários países emergentes estão em condições mais adequadas para enfrentar situações de desequilíbrio. Isso não significa, porém, que estejam isentos de qualquer impacto", disse o economia da ONU.

Para ele, um eventual aspecto positivo dessa menor exposição dos investidores ao real pode ser a maior competitividade para as exportações brasileiras diante de uma moeda menos valorizada. O problema é que essa tendência seria seguida por uma queda do consumo nos principais mercados, como nos Estados Unidos, o que acabaria anulando os ganhos obtidos com o real.

Na semana passada, a Organização Mundial do Comércio (OMC) já havia alertado que os países com maior grau de dependência em relação ao mercado americano como destino de suas exportações podem sofrer uma queda no crescimento de suas vendas em 2008.

Para as Nações Unidas, a turbulência nas bolsas é, acima de tudo, uma clara demonstração de que os mercados financeiros internacionais precisam sofrer algum tipo de regulamentação para que não acabem afetando economias inteiras e contaminando países. A ONU defende a regulamentação há pelo menos sete anos, como forma de garantir maior transparência.

TOQUEDEPRIMA...

***** STF: Ellen Gracie descarta adiamento do mensalão
Portal Terra

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, afirmou no início da noite desta terça-feira, após se reunir com os demais ministros da Corte, que seria "um tratamento desigual" adiar o julgamento sobre a denúncia do esquema do mensalão, marcado para esta quarta-feira, a pedido do advogado de um dos acusados.

- Todos foram intimados ao mesmo tempo. São 40 acusados. Realmente, um tratamento desigual para um não faria sentido - disse.

Mais cedo, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, informou que o advogado de Carlos Kuaglia, um dos supostos envolvidos, havia pedido o adiamento do julgamento.

Ellen e os demais ministros do STF estiveram reunidos, na tarde de hoje, para definir os procedimentos de votação e encaminhamento durante o julgamento do caso do mensalão.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Parabéns a ministra Ellen: nenhuma razão justificaria o processo ter ficado na mão do relator aguardando que acatasse ou não a denúncia do Procurador da República, para na hora de se pronunciar, ainda conceder prazos puramente protelatórios para alguns. Afinal de contas, bom senso não mata ninguém.

***** Pizza servida ao filho de Lula

Já assumiu formato e odor de pizza a "investigação" do Ministério Público Federal sobre a viagem do filho mais novo do presidente Lula a Brasília em um avião da FAB com quinze colegas, em 2004. Luis Cláudio colocou na internet as fotos da farra no avião. Todos ficaram no Palácio da Alvorada e passearam na lancha da Presidência. A procuradora Eliane Pires da Rocha, que substituiu o colega Bruno Acioli, jura que "as investigações continuam".

*** COMENTANDO A NOTICIA: Depois o cara aquele quer criticar os filhos das “outras” elites do país!!! O que é esta bandalheira de filho do presidente ser protegido de investigações sobre ações, vá lá, não muito republicanas, nem tampouco recomendáveis? Por que o privilégio ? Por que a hipocrisia de vossa excelência só anda para um lado ? Esta avenida, meu camarada, tem duas mãos e andam juntas. A mesma lei que vale prá um, vale pra todos. É a putaria federal elevada ao seu mais alto grau de cretinice...

***** Indicado pelo PSB, presidente da Infraero diz querer acabar com apadrinhamento

O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, afirmou nesta terça-feira que deseja acabar com a política de indicações para as superintendências regionais da estatal. O objetivo seria priorizar os quadros da casa. Segundo ele, atualmente cinco ou seis superintendentes são indicados politicamente. Gaudenzi, no entanto, negou que vá "mexer em um vespeiro".

"Espero que não. Espero que compreendam que essa medida é o melhor para a empresa", disse o presidente da Infraero, em depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado. Gaudenzi, que admitiu ele próprio ser uma indicação política do PSB, disse que as nomeações são um problema maior nos postos inferiores, "onde se toca a empresa no dia-a-dia", disse.

Gaudenzi ainda afirmou que o atendimento aos passageiros é precário e que eles deveriam ser avisados dos atrasos com antecedência.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Como perguntar não ofende nem paga imposto (por enquanto), lá vai: Guadenzi, a gente deve rezar ou chorar ?

***** Tempero bolivariano

Tem tempero da culinária venezuelana o prato do Banco del Sur, banco de fomento dos países da América do Sul, a ser formalizado sexta-feira no Rio de Janeiro. Pelo jeito, vem cru e carregado na pimenta: su idealizador Hugo Chávez já decidiu, com apoio da Argentina, Bolívia e Equador, que a sede do banco ficará em Caracas, onde está o dinheiro da PDVSA.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Esta política “externa” do Lula, e não é a primeira vez que damos este aviso, ainda nos causará sérios aborrecimentos. Estão dando em excesso para Chavez posar de líder continental, inclusive se atravessando no caminho dos interesses brasileiros. No caso do tal banco de fomento, uma pergunta simples: qual a maior economia do continente sul-americano ? Ou seja, Chavez vai usar dinheiro para espalhar o terrorismo nos demais países, principalmente aqueles cujas políticas não se alinharem às suas sandices. Abram os olhos, Amorin e Lula !!!

***** Farra no MEC

A OAB nacional atualizou ontem os números estarrecedores: já chegam a 1.079 os cursos de Direito no País, que oferecem 223.278 vagas anuais.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Já dissemos aqui no ano passado: os Estados Unidos tem território e população maiores do que nós. Vocês sabem quantas faculdades de direito existem por lá ? 200, isto mesmo, DUZENTAS FACULDADES DE DIREITO. Seus advogados em grande maioria possuem nível superior aos nossos e não se vê ninguém reclamando de falta de vagas. Do modo como se abre faculdades no país, sem nenhuma condição de ministrar cursinhos pré-vestibulares, quanto mais ensino de nível superior, não pode de fato a OAB dispensar o tal Exame da Ordem. Para quem freqüenta os tribunais neste país sabe que o nível dos formandos em direito, em sua grande maioria, é de quinta categoria. Os alunos são culpados ? De modo algum, eles apenas expressam aquilo que receberam nos bancos acadêmicos. Ou seja, coisa nenhuma.

Numa época em que o conhecimento tornou-se o passaporte para o sucesso de qualquer profissional, dentre outras virtudes é claro, é impressionante a falta de seriedade como se trata o ensino superior. E se superior é tratado desta forma irresponsável, imaginem como é no ensino fundamental. Não é por outra razão que o país cada vez mais fica para trás na pesquisa e produção científica. Um país não se torna atrasado de um dia para outro, nem tampouco sua inteligência se empobrece à toa. O doloroso é que a perspectiva de melhorarem é zero.

***** Arrecadação em julho é recorde histórico para o mês


A arrecadação da Receita Federal com impostos atingiu a sua maior marca em um mês de julho na história. No sétimo mês de 2007, a União recolheu R$ 50, 402 bilhões com tributos. O crescimento real, já descontada a inflação, foi de 12,16% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Os tributos com arrecadações mais representativas em volume são o Imposto de Renda e a Coffins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que recolheram, R$ 12,758 bilhões e R$ 8,360 bilhões, respectivamente, com crescimento de 15,57% e 12,47%. Já as contribuições previdenciárias somaram R$ 12,356 bilhões, valor 14,37% superior ao mesmo mês de 2006.

No acumulado do ano, o resultado já soma R$ 332,834 bilhões – também recorde. O valor sobe para R$ 335,606 bilhões se for levada em conta a inflação. Esta soma é 10,34% superior a arrecadada nos primeiros sete meses de 2006 – quando todos os meses registraram recordes em comparação com anos anteriores.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Ei você aí, leitor, apesar dos recordes sucessivos na arrecadação de impostos, apesar dos excedentes de receitas que o governo vem obtendo ano após ano, você tem notado melhoras na educação, nas estradas, na saúde? E na segurança ? Não, né ? Pois então, apesar do volume imenso de recursos que entulha as arcas do governo, ele não reduz nem um pouco a carga tributária, não investe coisa alguma no necessário, e os serviços públicos se deterioram flagrantemente, a olhos vistos.
E o senhor Luiz Inácio ainda quer comparar-se a Juscelino, Fernando Henrique, Getúlio, o escambau. Um imbecil e relés ordinário que se mantém a custa de publicidade falsa e mentirosa, e da esmola indigna que distribui a mais de 40,0 milhões de miseráveis, seu curral eleitoral. Ah, e quer nos fazer crer que os R$ 36,0 bilhões são indispensáveis. Deixe este dinheiro em poder do povo brasileiro. Garanto que ele dará melhor destino do que aquele nenhum destino que o governo tem dado.