quarta-feira, agosto 22, 2007

De licença, para ficar longe de Renan

Blog do Noblat

O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) se licenciará do cargo no meio desta semana. Assumirá a vaga dele seu primo e suplente Euclides Melo.

Collor não quer estar no Senado quando seus 80 pares tiverem que votar em plenário pela cassação ou absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebra de decoro.

Renan e Collor foram aliados no passado. Renan apoiou a eleição de Collor para presidente da República em 1989 - e foi líder do seu governo na Câmara dos Deputados.

Em 1990, candidato ao governo de Alagoas, contava com o apoio de Collor. De fato, Collor o apoiou - mas injetou uma grana maior na campanha do adversário dele, Geraldo Bulhões, eleito governador.

Dali a dois anos, ao ver Collor acuado por denúncias de corrupção que acabariam por derrubá-lo, Renan rompeu com ele. Concedeu à VEJA uma contundente entrevista chamando Collor de corrupto. Repetiu a acusação diante de uma CPI.

Manchete de primeira página do Jornal do Commercio, de Pernambuco, do dia 26 de junho de 1992: "Renan depõe e pede renúncia de Collor".

Título menor embaixo da manchete: "Renan defende detector de mentiras para ele e Collor".

Texto destacado: "Renan pede enquadramento do presidente em crime de responsabilidade por conveniência e omissão com o esquema PC, mas disse não ter provas documentais sobre o escândalo".

Naquela época, Renan desprezava o valor de provas documentais para pedir a cassação do mandato do presidente da República.