quinta-feira, dezembro 02, 2010

Fifa anuncia Copa do Mundo 2018 na Rússia e em 2022 no Catar

CLICESPORTES

Pela primeira vez, leste europeu e Oriente Médio receberão um Mundial
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou nesta quinta em cerimônia realizada em Zurique as sedes das duas edições da Copa do Mundo posteriores à do Brasil-2014. Em 2018, o Mundial será realizado na Rússia. Quatro anos depois, a casa do principal campeonato entre seleções do planeta será o Catar.

– Vocês confiaram na nossa candidatura. Agora vamos fazer história juntos – disse o vice-primeiro-ministro russo, Igor Shuvalov, com a Taça Fifa nas mãos, logo após o anúncio.

Blatter mostra o nome da Rússia
Foto: Michael Probst, AP

Logo depois, Blatter anunciou a sede da edição de 2022 da Copa. Após anunciar a primeira Copa no Oriente Médio, Blatter chamou ao palanque o Sheik Mohammed bin Hamad Al-Thani, presidente da candidatura catarense, que também segurou o mais cobiçado troféu do futebol mundial.

– Obrigado por acreditarem na mudança e na expansão do jogo. Obrigado por nos dar uma chance. Não vamos decepcionar vocês. Vocês ficarão orgulhosos por nós, prometo isso – declarou o dirigente árabe.

Feitos os dois anúncios, foi a vez do presidente da Fifa, Joseph Blatter, dar parabéns aos mais novos países-sede da Copa do Mundo. O dirigente ainda exaltou o ineditismo da realização dos os eventos em ambas as regiões.

– Obrigado ao Comitê Executivo, porque em 2018 e 2022 a Copa vai para novas terras. Nunca aconteceu um Mundial na Rússia ou no leste europeu, e nem no Oriente Médio. Eles tiveram de esperar por muito tempo para assistirem a uma Copa do Mundo – declarou o dirigente.

O que é melhor, avião de luxo ou comida e saúde?

Adelson Elias Vasconcellos

Lula afirmou que o Brasil passa humilhação com o seu Aerolula, muito embora tenha sido ele quem escolheu o modelo ao assumir, em 2003. Interessante notar que na Noruega, por exemplo, o Primeiro Ministro, em respeito ao bolso do contribuinte, só viaja em avião de carreira. Em outros países mais desenvolvidos do que o Brasil, quando seu presidente ou mandatário conta com uma aeronave exclusiva para suas viagens internacionais, sua equipe de acompanhantes segue em avião de carreira.

Portanto, não se trata de nenhuma humilhação o presidente do Brasil em suas viagens precisar reabastecer a aeronave no meio do caminho, por ela não ter autonomia total de voo para a distância a ser percorrida.

Humilhação, sim, é um país rico como o Brasil, em que seu presidente não acha nenhum desperdício torrar cerca de 500 milhões de reais em aeronaves de luxo, para uso exclusivo da galera da corte, enquanto 11,2 milhões de seus habitantes passam fome, conforme informou o IBGE nesta semana. Ou, ainda, ter ¼ de sua população de sobreviver com o Bolsa Família, por não terem rendimentos acima da linha de pobreza. Ou, também, milhares de pessoas morrerem às portas dos hospitais públicos ou por absoluta falta de atendimento ou por esperarem indefinidamente para a realização de simples exames de laboratório. Ou, poderíamos lembrar ao ilustríssimo que, humilhação mesmo, é assistirmos bilhões e bilhões de reais sendo jogados na educação anualmente, e constatarmos que só 11% dos estudantes terminam o ensino médio com aprendizado adequado em matemática. Ou sabermos, também, que 75% da população é analfabeta funcional.

No rol das humilhações poderíamos lembrar ao senhor presidente o tormento que vivem milhões de trabalhadores, diariamente, para se deslocarem para o trabalho, enfrentando o inferno dos transportes coletivos indignos de serem frequentados por quem quer que seja. Ou o outro inferno tormentoso que sofrem os milhões de passageiros do transporte aéreo, em aeroportos que o governo mente que vai investir e guarda o dinheiro para comprar uma única aeronave de muito luxo e exuberância para esporádicas viagens de um ilustre e único passageiro.

Ou, ainda, não seria também uma suprema humilhação milhões de trabalhadores investirem parte de seu salário ao longo de 30, 35 e até 40 anos de trabalho duro e honesto para serem “agraciados” na velhice com uma aposentadoria de fome e miséria.

Lula desconhece, como vemos, o que é humilhação. Humilhação, senhor presidente, é sermos governados por um moleque irresponsável que, começou como operário a sua vida, e vai terminar abraçado nos privilégios da elite que um dia ele próprio desprezou. Humilhação é sabermos que o país tem um presidente que esqueceu, de uma vez por todas, o significado da pobreza a que está relegada a maior parte do povo, do qual 50% sequer esgoto sanitário pode dispor. Ou ainda, comparando-se os índices de pobreza dos principais países da América Latina, constatarmos que, a par de toda a nossa riqueza, estamos dentre os últimos, a ver:

Índices de pobreza na América Latina:
Uruguai; 10,7%
Argentina: 11,3%
Chile: 11,5%
Brasil: 24,9%

Isto, sim, é que é humilhante, termos tanta pobreza para ser combatida, tantas carências para serem atendidas, e ter que suportar um presidente preocupado unicamente com o luxo e riqueza de sua nobreza imperial. Ou seja, o que é preferível e prioritário, torrar um dinheirão para comprar um avião de luxo para a dama imperial passear pelo mundo às custas do contribuinte e da miséria do povo, ou comida, educação, saúde e segurança para este mesmo povo largado à própria sorte? Ou será que Lula esqueceu que o nosso índice de desenvolvimento humano – IDH - , dentre as nações do mundo todo, é um dos piores?

O povo sou eu

O Estado de São Paulo

O mesmo presidente Lula que aconselhou um repórter deste jornal a fazer psicanálise para se tratar da "doença do preconceito", revelou ter dito de si certa vez algo que deveria levá-lo ao divã do terapeuta mais próximo. Não fosse a inconfidência, a sua grosseria com o jornalista Leonencio Nossa, baseado no Palácio do Planalto, mereceria ser largada no aterro onde se amontoam os incontáveis rompantes, bravatas e despautérios do mais prolixo dos governantes brasileiros. Mas o encadeamento das coisas obriga a revolver as palavras do presidente, em consideração ao interesse público.

As cenas constrangedoras se passaram quando Lula visitava as obras da hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, para o fechamento simbólico da primeira das 14 comportas da usina. Perguntado pelo repórter do Estado se a visita era uma forma de agradecer o apoio da oligarquia Sarney ao seu governo, ele perdeu as estribeiras. Embora o presidente do Senado seja o patriarca do clã que sabidamente controla a vida política maranhense há cerca de meio século e embora seja também notória a sua sintonia com os interesses do lulismo - e vice-versa -, Lula reagiu com indisfarçada hostilidade.

A pergunta "preconceituosa", investiu, demonstraria que o jornalista não teria aprendido que o Senado é uma instituição autônoma e que, ao se eleger e tomar posse, todo político "passa a ser uma instituição". "Sarney não é meu presidente", emendou. "É o presidente do Senado deste país." Lula domina com maestria o tipo de mentira que consiste em omitir uma parte, a mais importante, da verdade. No caso, o pacto de mútua conveniência entre ambos - que se sobrepõe ao caráter institucional das relações entre dois chefes de Poderes.

Que o diga o PT do Maranhão, obrigado este ano a desistir da candidatura própria no Estado em favor da reeleição da governadora Roseana Sarney. Foi ao pai que Lula se dirigiu em dada ocasião para transmitir uma ameaça ao Congresso. Segundo a história que o presidente contou na sua fala de improviso em Estreito, no decorrer da crise do mensalão, em 2005, pediu que Sarney advertisse os parlamentares da oposição de que, "se tentassem dar um passo além da institucionalidade, não sabem o que vai acontecer". Porque "não é o Lula que está na Presidência, mas a classe trabalhadora"

Ou, mais precisamente, porque ele é "a encarnação do povo". Não há o mais remoto motivo para duvidar de que isso é o que ele enxerga quando se olha ao espelho. Luiz XIV teria dito que "o Estado sou eu". Era, de toda sorte, uma constatação política - e a mais concisa definição que se conhece do termo autocracia. Mas nem o Rei Sol, que via a sua onipotência iluminando a França, tinha a pretensão de encarnar os seus súditos. Não ousaria dizer "o povo sou eu". Em psiquiatria há diversas denominações para o que em linguagem leiga se chama mania de grandeza.

Lula disse ainda que de início tinha medo do que lhe poderia acontecer à luz de um passado que incluía o suicídio de Vargas, a tentativa de impedir a posse de Juscelino, a deposição de Jango, a renúncia de Jânio e o impeachment de Collor. A julgar por sua versão, o migrante que passou fome e privações e refez a vida sem renegar as suas origens seria um candidato natural a engrossar a lista dos governantes brasileiros apeados do poder de uma forma ou de outra, no que seria uma interminável conspiração dos descontentes. Mas "eles", teria dito naquela conversa com Sarney, "vão saber que eu sou diferente".

O que espanta, além da teoria encarnatória, são as circunstâncias que levaram Lula a invocar alguns dos momentos mais turbulentos da história nacional. Em 2005, a oposição não conspirava para "dar um passo além da institucionalidade" nem o País estava convulsionado por um confronto ideológico que se resolveria pela força. Os brasileiros, isso sim, estavam aturdidos com as evidências de que o lulismo usava dinheiro que transitava pelos desvãos da política e do governo para comprar votos na Câmara dos Deputados - o mensalão. Lula não estava nem um pouco preocupado com as instituições. Queria dar dimensão histórica ao que não passava de um caso de polícia. Encarnou uma mistificação.

Encarnado

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Provoca espanto, suscita comentários, dá margem a piadas a insistência do presidente Luiz Inácio da Silva em afirmar que não tem ingerência sobre a formação do governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, em contraposição ao anúncio de um ministério quase idêntico ao de Lula.

O presidente já emplacou o ministro da Fazenda, a ministra do Planejamento, o chefe da Casa Civil, o secretário-geral da Presidência, o assessor para Assuntos Internacionais, o ministro das Relações Institucionais, o ministro da Defesa.

Abriu caminho para a indicação do secretário estadual do Rio na Saúde e está prestes a emplacar o titular da pasta da Educação; o mesmo Fernando Haddad que tão brilhantemente presidiu os trabalhos das últimas duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio.

A cada indicação anunciada e confirmada, Lula menciona um nome aqui e outro ali que gostaria de ver no ministério.

E não há razão para espanto nem para disse-me-disse. No enunciado da questão acertemos de vez: a coerência não é o forte do presidente Lula. Logo, quando ele diz uma coisa e faz outra não é surpresa alguma.

Na realidade parece mesmo é que ele quer acentuar sua ascendência sobre a sucessora fazendo de conta que a verdade é o oposto.

A rigor nem precisaria, já que a campanha eleitoral foi sustentada na simetria de procedimentos. Quando Lula demonstra que influi, nada faz que possa contrariar os eleitores de Dilma Rousseff, pois não por outro motivo votaram nela.

Lula também: não por outra razão, que não a certeza absoluta na fidelidade de Dilma, a escolheu como candidata a sucessora ungida pela vontade de um só e transferida por meios e modos que não cabe aqui discutir à maioria do eleitorado.

Se pretendesse realmente "desencarnar" da Presidência como discursa, Lula não teria tido a necessidade de impor ao PT uma candidata. Teria deixado que o partido escolhesse alguém entre os muitos quadros disponíveis entre parlamentares e governadores.

Uma falácia das boas é a que discorre sobre o deserto de possibilidades de candidaturas. O que não havia no partido era alguém que se encaixasse tão perfeitamente no perfil pretendido por Lula para derrubar a escrita das criaturas que se voltam contra os criadores na política.

Cota é cota.
A direção do PMDB deixa patente: Sergio Côrtes na Saúde é crédito na conta do governador Sérgio Cabral.

Indicações partidárias legítimas só as que contemplarem quadros indicados por consenso.

Cenografia.
Jader Barbalho fez um gesto político ao renunciar ao mandato de deputado que acaba em dois meses.

Não obstante inócuo. O argumento de que vive uma situação "extravagante" por ter mandato de deputado e ao mesmo tempo ser considerado inelegível para senador é um sofisma.

Em 2006, quando foi eleito deputado, não havia a Lei da Ficha Limpa.

Tampouco é verossímil a versão sobre a manobra para devolver processos que transitam no Supremo à primeira instância porque isso ocorrerá de qualquer modo a partir de fevereiro.

Colateral.
O ex-prefeito do Rio Cesar Maia alerta para um problema já ocorrido em morros ocupados pela polícia em outras ocasiões: a população de início apoia, mas com o passar do tempo fica contra porque a ausência do tráfico reduz a circulação de dinheiro, afetando o comércio e o emprego locais.

Tem jeito? Tem: o poder público investir pesado na economia doméstica de cada uma das regiões ocupadas.

A boca pequeníssima corre que em várias favelas onde estão instaladas Unidades de Polícia Pacificadora o tráfico continua funcionando como comércio, embora não mais como meio de dominação do território e da população.

No Twitter. @maryzaidan:

"Não se assustem se Dilma anunciar que vai manter Lula na Presidência da República."

O governo que festeja os soldados da hora humilha com o calote as famílias dos 18 heróis brasileiros mortos no Haiti

Augusto Nunes, Veja online

Pela segunda vez em 2010, o Café com o Presidente deste 29 de novembro foi dedicado a integrantes das Forças Armadas. Com a animação de passista de Carnaval antigo, Lula festejou a bem sucedida operação policial-militar no Morro do Alemão. Depois de avisar que faz questão de cumprimentar os vitoriosos na frente de batalha, que visitará em breve, o chefe de governo garantiu que haverá verba de sobra para as etapas seguintes do esforço de guerra.

Dinheiro para todos e palavrórios patrióticos — esses dois ingredientes também foram usados para tornar menos amargo o Café de 25 de janeiro, que tratou da morte no terremoto no Haiti de três civis e, sobretudo, dos 18 soldados que lutavam para impedir a consumação da agonia da nação caribenha. A apresentadora Anelise Borges quis saber como se sentia o homem que estivera no cenário da tragédia e presidira o sepultamento das vítimas brasileiras. Sem pausas, a voz roufenha que desde 2003 tem algo a dizer todos os dias caprichou no tom de quem conta como é enviuvar na lua-de-mel e foi em frente:

Lula destaca trabalho de militares no Haiti



No programa semanal Café com o Presidente, Lula destacou a liderança das tropas brasileiras no Haiti. Falou também sobre a indenização de 500 mil reais para as famílias dos militares que morreram no terremoto no Haiti.

“Olha, Anelise, realmente é muito difícil a gente deixar de se emocionar ao falar das pessoas que morreram no Haiti. (…) Eu te confesso que poucas vezes eu fiquei emocionado como eu fiquei no velório daqueles soldados, porque eram pessoas que estavam no Haiti para prestar solidariedade, pessoas que estavam dedicando a sua vida para tentar ajudar as pessoas mais pobres, as pessoas que estavam mais deserdadas no Haiti. Por isso é que eu fiquei emocionado, porque muitos daqueles jovens estavam para voltar dentro de dois ou três dias quando aconteceu o terremoto e eles morreram”.

Um drama desse calibre, ressaltou, exigia mais que o coração dilacerado e a mão solidária do presidente da República. As famílias fulminadas pela perda mereciam também reparações materiais e o permanente amparo da União. Lula contou que, no dia 21, havia remetido à Câmara dos Deputados um projeto de lei que definia os benefícios que contemplariam os parentes dos 18 militares. Tudo somado, a conta ficaria pouco acima de R$ 10 milhões. Para quem naquele mesmo dia 21 perdoara R$ 316 milhões devidos por Moçambique, o auxílio aos mortos do Haiti era dinheiro de troco.

“Você sabe que além da solidariedade, nós estamos mandando ao Congresso Nacional um projeto de lei garantindo a cada família R$ 500 mil de indenização e uma bolsa-educação de R$ 510 para cada dependente até 24 anos”, continuou Lula. A indenização seria entregue às viúvas ou, no caso dos solteiros, à mãe. “É o mínimo que a gente pode fazer para ajudar a família dessas pessoas que estavam e estão desesperadas, e pessoas que estavam lá defendendo e honrando a bandeira nacional”.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, entrou em ação para ordenar que tudo se fizesse em ritmo de Fórmula 1. “O dinheiro nunca vai compensar a ausência do pai ou do companheiro, mas supre em parte o papel do provedor, especialmente no apoio à educação dos filhos”, recitou também com cara de luto. Em 3 de fevereiro, o projeto foi aprovado pela Câmara e encaminhado ao Senado. O ano escolar estava prestes a começar, era preciso liberar com urgência a bolsa de estudos. Mas ninguém viu a cor do dinheiro.

SENTIMENTO DA VERGONHA
Jobim só retomou o assunto em 16 de agosto para esclarecer num comunicado que o pagamento só poderia ser autorizado depois que o Congresso aprovasse “um pedido de abertura de Crédito Especial de R$ 10.119.340,00 ao Ministério da Defesa”. Não explicou por que não pensara nisso em janeiro. O começo da campanha eleitoral adiou para depois de novembro miudezas encalhadas na pauta do Legislativo. Só em 24 de novembro o pedido para a abertura do crédito entrou na lista de votação do Senado. Faltou quórum. Ninguém sabe dizer quando será votado.

“Foi noticiado até na imprensa internacional, mas até hoje não recebemos nada”, lamenta Cely Zanin, 43 anos, mãe de dois filhos — um de 17, outro de 18. Viúva do coronel João Elizeu Souza Zanin, morto no desabamento do quartel-general da ONU, Cely imaginava que ao menos a ajuda de custo para os dois estudantes chegasse a tempo. “O ano está acabando”, sussurra a professora e bancária que faz o possível para continuar acreditando nas promessas. Nenhuma das famílias recebeu nada. Nenhuma conseguiu ser recebida pelo presidente da República.

A explicação para o calote afrontoso talvez esteja, paradoxalmente, no número de parentes das vítimas. São tão poucos que, caso morassem numa mesma cidade de pequeno porte, seus votos, somados, seriam insuficientes para eleger um candidato a vereador. Lula também sabe que não ouvirá cobranças da oposição, muito menos dos brasileiros comuns. No País do Carnaval, um herói deixa de sê-lo quando a imprensa muda de assunto. Os soldados da vez estão no Morro do Alemão. É lá que deve estar a cabeça de um caçador de assuntos politicamente rentáveis.

Para um governo desprovido do sentimento da vergonha, a hora dos 18 bravos lutadores tombados no Haiti já passou. Os parentes podem esperar. É o Brasil.

O outro lado da moeda

Roberto da Matta - O Estado de São Paulo

Assisto consternado à guerra do Rio. A peste, quando vira crise, pode ser contida, mas ela - como muito bem têm enfatizado as autoridades do Rio de Janeiro - não acaba, pois o primitivismo do desumano acompanha a humanidade em qualquer tempo e lugar. E a peste brasileira tem como traço principal a absoluta ausência de ter a coragem de pensar o futuro com bom senso, sem o aval malandro das utopias fáceis que definem o populismo. Essas utopias que aplacam a preguiça porque é duro construir instituições e honrar as leis. Preferimos o reagir ao prevenir. Estou vendo ao vivo e em cores como somos tocados por "ordem e progresso", mas também pelo realista: "É ilegal, e daí?" Faço votos para que a bandeira prevaleça.

Como revelei faz tempo, o decidir não decidir conduziu a um estabelecimento excepcional do ambíguo como um valor em nossa sociedade. Vivemos o igual no desigual. Fizemos a aliança da hierarquia com o individualismo igualitário movido a competição eleitoral, mas sem partidos políticos responsáveis. Essa sacanagem que inventa os "caras" - essas superpessoas -, que dentro ou fora do governo fazem o que querem. Se eles nada fazem, além de serem condescendentes consigo mesmos, por que deveríamos romper a corrente? Aliás, eis a pergunta que está nos tiros: como distinguir nessa corrente os elos podres (como corajosamente denunciou Luiz Eduardo Soares) e os aros perfeitos?

Há uma programada estupefação. Logo teremos a perplexidade dos automóveis pilotados por loucos, sem ruas para circular, e a dos políticos com alta responsabilidade, mas sem projetos, e tocados exclusivamente pela gana de permanecer no poder. A crise que vejo na televisão obriga a tomar uma atitude. O gigante continua adormecido, mas - vejo isso na fala das autoridades estaduais (as federais sumiram!) - começa a se mexer.

* * *

Quando a cara briga com a coroa, de que lado fica a moeda? Se o corpo recusa a alma, para onde vai a consciência? Seria possível um mundo onde o Bem dominasse absolutamente o Mal? Num mundo sem morte, onde estaria a força claudicante, mas maravilhosa, da vida que sabe do seu implacável parceiro?

* * *

Fomos acordados pelos bandidos que reagem à perda de seus territórios. Vemos um drama de bandidos e mocinhos e não mais os desfiles de carnavais e o ensolarado das praias cuja norma se resume em tudo permitir. A favela (hoje "comunidade", pois nós adoramos os eufemismos que douram os venenos), que ficava pertinho do céu e um dia desceria para ensinar os da praia a ginga perfeita do samba, baixou na forma do tráfico de drogas. Qual era o destino de tanta cocaína e maconha? Essa é uma pergunta que dói, mas não pode calar.

* * *

Quem inventou a malandragem como um estilo de navegação social? Como uma maneira de pertencer que não fere frontalmente a lei, mas - em compensação - não se sente obrigada a segui-la porque, afinal, o malandro está sempre em cima do muro: ficando para ver como é que fica? Quem merece ser herói de uma novela? O babaca que quer ser professor (ensinando porque não sabe como se faz); o artista genial (e por isso mesmo justificadamente descalibrado); ou o homem de negócios movido a ambição e a superconsumismo que não hesita em enganar e mentir para ficar rico. Que modelos a serem seguidos estamos apresentando para nós mesmos a todo o momento? Quem pode dizer que é branco, negro ou índio numa sociedade na qual o casamento com o "outro" (a negra escrava e a índia a ser dizimada ou convertida) foi um método de uma colonização relacional e, depois, de uma desigualdade vivida como o ar que se respira?

* * *

Se você fica assombrado quando um pobre devolve uma mala cheia de dólares, pois esse cara só pode ser um otário; se você considera babacas os que seguem a lei; se você tem dúvida se mentir é humano ou se o humano é uma mentira; se você acha que é preciso tocar fogo no Brasil para reformar a polícia, separando-a definitivamente dos bandidos; se você acredita que a igualdade e a liberdade, bem como a democracia liberal, são ardis burgueses; se você imagina que a tentativa de erradicar a miséria é uma sedução dos esquerdistas comedores de fetos, então você não entende nada.

Porque todos os ideais são causas perdidas. Como a comiseração e o amor, eles têm de ser inventados e descobertos a cada dia. Por isso, eles exigem algo precioso e desconhecido dos governantes brasileiros: a capacidade de dizer não primeiro a si mesmos e depois aos outros. Pois o mais importante no jogo entre liberdade e igualdade é descobrir o limite que concilia o privilégio com o dever. Aí está a chave da democracia liberal que se faz e refaz a cada dia.

Se não fôssemos tão esquecidos, não estaríamos vivendo esta tempestade de confrontos. A vergonha não está só nos bandidos - abomináveis, sem dúvida. A vergonha é deixar que as pessoas virem bandidos e que bandidos não sejam presos. É ter um Estado incestuoso porque "come" indiscriminadamente os nossos recursos. É estar sujeito a um sistema público que precisa de uma crise para repensar o tempo perdido. Tempo que todos queremos ver recuperado.

Medidas de curto prazo podem mitigar o caos aéreo

Ana Clara Costa, Veja online

Mudanças na legislação, colaboração da iniciativa privada e maior firmeza da Anac conseguiriam aliviar o estado caótico do setor aéreo brasileiro

Anac tem papel crucial na melhora dos serviços do setor (AFP)

Os problemas recentes da TAM – que fizeram com que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) proibisse a companhia de vender passagens por alguns dias – vêm se somar à lamentável situação do setor aéreo no país: infraestrutura aeroportuária escassa, aeronaves e tripulações no limite, falta de planos de contingência, etc. Somente neste ano, Gol e Webjet causaram transtornos semelhantes a seus clientes. A solução definitiva dos problemas passa por medidas de médio e longo prazo. Contudo, especialistas ouvidos pelo site de VEJA avaliam que o governo já poderia ter tomado medidas de curto prazo para, ao menos, mitigar o caos.

Mudança de regulação para permitir tripulação estrangeira – A questão regulatória é crucial e afeta todos os espectros da discussão. A legislação aeronáutica brasileira remonta ao período militar. Apesar de a Anac ter sido criada em 2006, os códigos que a regem não são atuais. A agência realizou em 2010 diversas audiências públicas para alterar pontos específicos da legislação, mas é preciso ir além. Na avaliação de Alexandre de Barros, ex-diretor do órgão regulador e professor da Universidade de Calgary, no Canadá, é preciso haver uma flexibilização das leis para, por exemplo, permitir a contratação de profissionais estrangeiros que poderiam ajudar a suprir a demanda existente no país. Atualmente, só é permitido contratar tripulação nacional. “O Brasil precisa competir com outros mercados. Só assim as remunerações irão se ajustar a patamares internacionais”, afirma Barros.

Nos três casos de transtornos em companhias aéreas ocorridos em 2010, a principal razão foi justamente a falta de pilotos, co-pilotos e comissários de bordo. A formação de pilotos é muito cara, exigindo elevado investimento pessoal e, posteriormente, da própria empresa. Pilotos brasileiros muitas vezes preferem seguir carreira no exterior – onde os salários são mais atraentes. Quando não possuem requisitos suficientes para pleitear uma carreira internacional, sujeitam-se a uma remuneração que dificilmente cobre seus gastos com formação. Um piloto de avião comercial precisa investir cerca de 400 mil reais em horas de vôo para conseguir ter 200 horas requeridas pela carreira.

Continuidade da abertura de mercado – Tal mudança regulatória estaria alinhada com o viés de abertura que vem sendo adotado pela Anac – ainda que a mudança seja gradativa. A celebração de acordos bilaterais, a expansão das rotas internacionais e a liberdade tarifária são pontos positivos que denotam essa pré-disposição da agência.

No entanto, os especialistas alertam que é preciso tomar medidas mais urgentes; até mesmo porque, se melhoras não forem conduzidas a tempo, os benefícios trazidos pela própria abertura poderão ser anulados. “Em tese, a abertura de mercado deveria representar maior competitividade e opções aos usuários. No entanto, abertura sem infraestrutura pode representar simplesmente o agravamento da situação”, afirma Adolpho de Carvalho, sócio do escritório de advocacia Pinheiro Neto e especialista em setor aéreo.

Criação de infraestrutura temporária – A criação de terminais temporários, segundo Alexandre de Barros, seria outra alternativa de fácil execução. Em março de 2010, a Infraero divulgou que pretendia criar um total de sete estruturas deste tipo, sendo três em Cumbica (Guarulhos) e as demais em Brasília, Rio de Janeiro, Campinas e Macapá. São edificações pré-moldadas e de baixo custo (a um preço aproximado de 2,5 mil reais por metro quadrado), que poderiam ser utilizadas enquanto os terminais definitivos não ficassem prontos. Hoje, oito meses depois, nenhuma das sete obras foi concretizada.

Maior firmeza da Anac – Uma postura mais rígida da Anac em relação às companhias aéreas também poderia acelerar o processo. A cobrança de multas ainda mais altas por atrasos de vôo injustificados e outros transtornos, como os que ocorreram nesta semana, poderia ajudar a coibir situações extremas. No entanto, a própria diretora da agência, Solange Paiva Vieira, reconheceu, no início do ano, que metade das multas aplicadas às aéreas não são pagas devido à falta de documentação na investigação.

As mudanças de critérios de aprovação de vôos também poderiam servir como ferramenta para a melhora dos serviços das companhias – pois poderiam comprometer, de imediato, as receitas provenientes das vendas das passagens. “Em uma canetada a Anac resolveria isso. Quando os resultados das empresas são ameaçados por penalidades, elas solucionam o problema rapidamente”, afirma Mauro Mello, sócio da consultoria de gestão Table Partners.

Contribuição da iniciativa privada – No médio prazo, a alternativa de licitar a construção de aeroportos para a iniciativa privada é avaliada de forma positiva. O primeiro que foi aberto à concessão fica em São Gonçalo do Amarante (RN) e é uma espécie de teste de viabilidade deste modelo por parte da Anac. Outra opção é permitir a exploração comercial de aeródromos (aeroportos pequenos e privados) – atividade que é proibida por lei atualmente. “Dada a necessidade de investimento no setor, em conjunto com a velocidade necessária de tal investimento, trabalhar a possibilidade de exploração privada deve estar na pauta”, afirma Adolpho de Carvalho, do Pinheiro Neto.

Tais medidas poderiam ser aceleradas caso houvesse um esforço político em efetuar mudanças. Desta forma, vale resgatar o exemplo do ex-ministro das Comunicações do governo FHC, Sérgio Mota, que privatizou o sucateado setor de telecomunicações (a extinta Telebrás). Em embate direto com a oposição e a própria opinião pública, Mota conseguiu aprovar o projeto que permitiu a abertura do mercado brasileiro. “O setor aéreo é hoje o que o setor de telecomunicações era antes de FHC”, afirma Mauro Mello, da Table Partners. Mesmo com todas as imperfeições comuns ao setor privado, é inegável sua importância na modernização do país. “Apenas precisamos de alguém que compre essa briga”, argumenta Mello. Diante da intenção de Dilma Rousseff em criar uma pasta para o setor, talvez o “ministro do caos aéreo” venha mesmo a existir.

Após reunião, aeroviários confirmam operação padrão nos aeroportos

Glauber Gonçalves - Agência Estado

Categoria não obteve proposta das companhias aéreas em nova rodada de negociações nesta tarde

Os Sindicato Nacional dos Aeronautas e o Sindicato Nacional dos Aeroviários confirmaram nesta quarta-feira, 1º, que iniciarão uma ''operação de não-colaboração'' a partir da meia-noite. A decisão foi tomada depois que a reunião com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) para negociar o reajuste das duas categorias terminou sem avanços. A perspectiva é de que, com a operação, haja atrasos nos voos.

Na manhã de hoje, os sindicatos dos trabalhadores informaram que, se não houvesse uma nova proposta das companhias aéreas na rodada de negociações, as duas categorias iniciariam a operação. Na prática, os trabalhadores decidiriam seguir estritamente as regras de seus manuais, sem acelerar procedimentos, para minimizar a sobrecarga provocada pelo aumento de demanda nessa época do ano.

Os sindicatos rechaçaram a proposta das companhias aéreas de mudar a data-base das categorias de 1º de dezembro para 1º de abril e de reajuste pela variação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Aeronautas e aeroviários buscam reajuste de 30% sobre o piso e de 15% para os trabalhadores que recebem acima disso.

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Decisão sobre horário de Congonhas é adiada para 2011
Pedro da Rocha - Central de Notícias

A análise da viabilidade de o horário de funcionamento do aeroporto ser das 7h às 23h horas será apresentada no próximo encontro; audiência está marcada para o dia 3 de março

SÃO PAULO - Foi realizada nesta terça-feira, 30, audiência de conciliação para regular o funcionamento do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Dentre os pontos discutidos no auditório do Fórum Pedro Lessa, na região central da cidade, estão o horário de funcionamento do aeroporto e a redução de ruídos emitidos pelos aviões. Por não haver acordo, outra audiência foi marcada para o dia 3 de março do ano que vem.

Presidida pelo juiz federal substituto da 2ª Vara Federal Cível, Paulo Cezar Neves Junior, a sessão - que teve como algumas das partes associações de moradores, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) - determinou que estudos a respeito das propostas sejam realizados para maior embasamento das decisões.

A análise da viabilidade do horário de funcionamento do aeroporto ser das 7h às 23h horas - hoje opera entre 6h e 23h - será apresentada no próximo encontro. As conclusões das companhias aéreas deverão ser apresentadas individualmente para informar os impactos a que cada uma estaria exposta.

Outro estudo para alterar os procedimentos de pouso e decolagem, e com isso tentar reduzir o ruído na região em volta do aeroporto, será apresentado até o dia 31 de maio.

Abrir capital da Infraero não significa fim dos problemas

Veja online

A medida é benéfica, mas sua eficácia dependerá de como será conduzido o processo e como ficará o ambiente regulatório do setor

Benedito Sverberi

Propostas para Infraero visam principalmente a ampliação de sua capacidade de investimento
(Getty Images)

O recente episódio de caos nos aeroportos brasileiros, provocado por atrasos e cancelamentos de voos da Gol, reforça a ideia de que a infraestrutura é um dos graves problemas da economia brasileira. Apesar de não estar diretamente ligada com as condições dos aeroportos, já que a empresa alega a volta das férias e o escalonamento dos funcionários como motivos para os problemas nos voos, a confusão que se formou desde sexta-feira mostra que o sistema aeroviário do Brasil não está preparado para receber a demanda que vem crescendo ano a ano.

Uma das soluções passa pelo aumento da capacidade de investimento da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a Infraero. Para que isso ocorra, uma das possibilidades avaliadas por diversos ministérios e pelo BNDES é a cisão da estatal. Em outras palavras, a Infraero seria dividida em duas: a “antiga” herdaria o passivo, enquanto a “nova” receberia investimentos e teria parte de seu capital ofertado ao mercado na forma de ações, desde que com a continuidade do controle nas mãos da União.

Analistas ouvidos por VEJA.com apontam que esta ‘saída’ traz, em tese, benefícios. Contudo, destacam que é muito cedo para avaliar se haverá interesse dos investidores pelos papéis e, num segundo momento, se a operação, caso bem-sucedida, implicará em uma real melhoria da companhia. O fato é que tudo dependerá de como será conduzido o processo e como ficará o ambiente regulatório do setor.

A diretora da Kodja & Company, Claudia Kodja, explica que o primeiro ponto a ser analisado pelos investidores serão os preparativos da oferta. "Terá de ficar bem claro que parcela é essa que se pretende capitalizar e como serão investidos os recursos captados, além de aspectos relacionados à governança corporativa. O investidor vai querer saber, por exemplo, qual será a extensão da influência do governo na nova companhia", afirma.

O pesquisador Alexandre Assaf Neto, do Instituto Assaf, vai além. Será fundamental, na avaliação dele, que o mercado detenha, ao final da transação, no mínimo 20% das ações com direito voto (as ordinárias, ou ONs) da Nova Infraero. "A experiência mostra que o risco de ingerência política tende a cair sensivelmente a partir deste porcentual”, defende.

Regras claras -
Mesmo que a Infraero consiga convencer o mercado a comprar suas ações, uma nova, e nada fácil, fase começará após sua abertura. O analista de aviação da Ágora Corretora, Alan Cardoso, explica que a companhia terá que convencer os investidores. Precisará informar constantemente o mercado sobre os detalhes do andamento de seus planos de investimentos e de elevação da eficiência administrativa; afastando do horizonte desconfianças quanto ao comprometimento de sua rentabilidade de longo prazo.

"Este é um segmento difícil, que tem elevadas barreiras à entrada e onde ganhos de escala são essenciais. Não é possível, por exemplo, construir um aeroporto novo, que implicaria gastos gigantescos, em área próxima a de outro em funcionamento sem que fique provado que o mercado pode comportar”, explica. Completa o pesquisador Assaf Neto: "Trata-se de um setor que cresce em ciclos e que, portanto, possui um risco um pouco maior que a média do mercado".

Diante dessas especificidades, os especialistas são unânimes em afirmar que não adiantaria apenas resolver a questão da capitalização da Infraero. Seria necessário, adicionalmente, alguma reforma regulatória. A questão é que, embora seja positiva a perspectiva para o aumento da demanda por viagens aéreas – com o aquecimento da economia e a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas –, outros problemas tenderiam a afetar a rentabilidade dos papéis da Infraero e afastar os investidores. Aspectos regulatórios precisam, portanto, ser aperfeiçoados, como uma melhoria de coordenação entre os diversos órgãos que administram o setor.

Compromisso com governança corporativa - Um último aspecto diz respeito ao compromisso com medidas de governança corporativa, isto é, com normas de transparência e respeito aos direitos dos minoritários. “Hoje em dia, a empresa tem de vir a mercado desejosa de abraçar as melhores práticas. Isso é especialmente importante em setores como esse em que o investidor enxerga risco no longo prazo”, destaca o presidente da seção paulista da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Reginaldo Alexandre. Esta postura, inclusive, tem se tornado praxe, na avaliação do especialista.

Sanados todos esses ‘poréns’, os economistas aplaudem a decisão de cindir a Infraero e abrir o capital da parcela que irá gerir os aeroportos. O processo, afirmam, costuma levar para a empresa pública características do setor privado, como a busca por eficiência e agilidade, a adoção de políticas de redução de custos, de planejamento e de preservação da rentabilidade no decorrer dos anos. Ganha também a transparência, pois a companhia passa a divulgar informações regulares ao mercado, tem de manter uma boa área de relações com os investidores, etc. Por fim, a empresa passa a ser mais fiscalizada, ficando sob a vigilância da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Bolsa de Valores de São Paulo, além dos próprios analistas.

"A abertura de capital da Infraero, se bem feita, poderá criar um novo paradigma para atuação do estado. Nada impediria que o modelo fosse reproduzido em outros setores", declara Claudia Kodja.

Só 11% dos estudantes terminam o ensino médio com aprendizado adequado em matemática

Nathalia Goulart, Veja online

Relatório do movimento independente Todos pela Educação mostra avanços no ensino do país, mas também grandes decepções

"O futuro destas crianças está definitivamente comprometido" -
Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação

O fato de a educação brasileira, em geral, deixar muito a desejar já é amplamente conhecido. Resta saber o quanto e em que velocidade ela vem sendo aprimorada. Relatório do movimento independente Todos pela Educação divulgado nesta quarta-feira mostra aceleração nos avanços obtidos pelo setor. Contudo, alguns resultados desapontam, ficando abaixo de metas estabelecidas e revelando falhas graves no ensino do país. O mais gritante exemplo: só 11% dos estudantes que concluem o ensino médio de fato dominam os conhecimentos que deveriam possuir em uma disciplina fundamental como matemática.

O relatório analisa o desempenho dos estudantes do quinto e nono ano do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio a partir dos resultados deles no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2009, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Esses dados são cruzados com metas estabelecidas pelo Todos pela Educação, que prevê que em 2022, ano do bicentenário da Independência, ao menos 70% dos estudantes brasileiros dominarão conteúdos adequados ao seu estágio escolar.

Entre os alunos do quinto ano, constatou-se uma aceleração no aprendizado em relação às medições anteriores. Em 2009, 34,2% deles aprenderam o que deveriam em língua portuguesa e 32,6%, em matemática. Assim mesmo, o resultado na primeira disciplina ficou abaixo da meta para o ano, que era de 36,6%.

Ao fim do nono ano, o cenário foi inverso: em língua portuguesa, 26,3% dos alunos aprenderam o que deveriam e, em matemática, só 14,8%. Aqui, o desempenho em português superou a meta, de 24,7%, ao contrário do ocorrido com matemática, 17,9%. Finalmente, no ensino médio, 28,9% dos estudantes dominam os conhecimentos devidos - superando a meta de 26,3%. Em matemática, o pior resultado: 11%, ante a meta de 14,3%.

As informações corroboram a tese de que a educação encontra um grande obstáculo no ensino médio. Entre os níveis da educação básica (fundamental I e II e médio), este último foi o que menos evolui nos últimos anos, aponta o Todos Pela Educação.

"Constatamos avanços significativos, mas é preciso acelerar. Se continuarmos no ritmo em que nos encontramos, nossa meta só será atingida em 2050, e não em 2022 como estabelecemos", diz Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento. O sociólogo Simon Schwartzman complementa: "Vemos que os resultados de metemática são os mais perversos e são justamente eles que nos mostram a qualidade da escola que temos. Matemática é uma disciplina que a escola ensina ou não ensina, ao contrário do português, que o aluno assimila não só na escola, mas também no convívio social".

"É preciso olhar para o presente e enxergar que o futuro destas crianças está definitivamente comprometido", afirma Priscila. Para Schwartzman, a reversão deste quadro passa pela transformação da escola: "Os jovens abandonam os estudos porque se sentem desmotivados. Temos que pensar se é esta escola que queremos, um lugar que não ensina, que não faz o aluno pensar e raciocinar".

O relatório do movimento Todos Pela Educação foi elaborado com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Educação (MEC).

Lula não desencarna

Villas-Bôas Corrêa

O presidente Lula, neste apagar das luzes do seu segundo mandato, adquiriu o estranho cacoete de dizer e fazer as coisas ao contrário do que faz e diz. Uma conversa recorrente é a potoca de quer desencarnar da presidência. Ora, não tenho lembrança de um presidente nos últimos dias do seu segundo mandato, mais agarrado como carrapato no exercício do cargo.

Tira todo proveito da gratidão e da fidelidade da presidente eleita para desfrutar dos últimos dias de mandato, em ostensiva demonstração que foi a sua liderança que garantiu os milhões de votos da derrota do tucano, ex-governador de São Paulo, José Serra que deu a sua contribuição com uma campanha raivosa e batendo nas teclas desafinadas.

Com tudo isso, a presidente eleita vem engolindo sapos e pererecas de dar indigestão. Na escolha dos futuros ministros, presidentes de autarquia a presidenta Dilma não conseguiu decorar todos os nomes da lista dos escolhidos por Lula. E sequer a cortina transparente do decoro dissimula o que parece tanto encantar o presidente como o presente do terceiro mandato, que não se sabe até quando será prolongado.

Em algum momento a presidente eleita assumirá o exercício do cargo. E, na sequência das surpresas, Lula já esteja em outra, viajando pelo mundo com as passagens e todas as despesas pagas pela caixinha do Partido dos Trabalhadores, um miliardário graças às contribuições compulsórias dos petistas nomeados para as sinecuras da Petrobrás, de outras autarquias e as muitas bocas-ricas da árvore das patacas do governo.

Para este final de governo, a boa estrela do Lula reservou o sucesso da ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, reduto de traficantes e bandidos, pelas tropas do Exército e de sete mil PMs treinados. O prejuízo dos traficantes do Complexo do Alemão é estimado em R$ 50 milhões, entre 42 toneladas de maconha, 300 quilos de cocaína, dinheiro, imóveis, veículos e dinheiro em espécie.

O poder paralelo sofreu o maior golpe de todos os tempos. E a operação não terminou. A sua tarefa inclui a procura dos traficantes que se calcula em mais de 600 que escaparam pela galeria pluvial do PAC.

Não será surpresa se o presidente Lula aparecer de surpresa ou em visita anunciada no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro para cumprimentar os militares que ocuparam as áreas dos traficantes.

O presidente Lula dedica-se a articular a permanência do Ministro da Educação, Fernando Haddad.

E não escondeu a sua cabala: “No momento ainda não estou contente. Não sei se o Fernando ficará na Educação.”

Salvo imprevisto, o ministro Fernando Haddad tem emprego garantido pelos próximos quatro ou oito anos.

Quem duvidar, pergunte ao presidente Lula.

Recibo do fracasso

Maria Lucia Victor Barbosa, Instituto Millenium

O Rio de Janeiro é o cartão postal do Brasil, sonho de turistas estrangeiros. E não faltam belezas naturais em todo Estado do Rio. No entanto, o que se vê nestes tristes dias é a explosão descomunal de um processo de violência vinculada ao narcotráfico, se bem que tiroteios, assaltos, assassinatos faz tempo atemorizam a população carioca.

Segundo consta, começou com Leonel Brizola o que hoje é o Estado paralelo do crime. Para se eleger, Brizola fez acordo com bicheiros e a polícia não podia subir os morros para não incomodá-los. Dos bicheiros aos narcotraficantes, foi tramado o enredo tenebroso que se alastrou pelo tempo sustentado pela corrupção das autoridades, pela impunidade, pela indiferença social.

Se esse câncer social não é de agora, é preciso lembrar que Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato prometendo que tudo iria mudar. Foram prometidos doze presídios de segurança máxima, mas só um foi construído em Cantanduvas – PR. Uma ideia megalomaníaca acenava com a regularização de todas as favelas do Brasil e, claro, nada foi feito nesse sentido. Alçado ao posto de redentor dos pobres, pela propaganda e pelo culto da personalidade, Lula da Silva vive se gabando que praticamente acabou com miséria no País. Mas, se o Brasil é um paraíso sem pobreza e desemprego, o que leva jovens favelados a se unirem aos narcotraficantes como única opção para uma breve e bestial vida?

Na verdade, a explosão do terrorismo nunca antes vista no Rio de Janeiro e nesse país é o recibo do fracasso dos governos Federal e Estadual na área da Segurança Pública. E quando os criminosos continuam a por fogo em ônibus e outros veículos, mesmo diante de todo aparato policial e do apoio das FFAA, o recado está dado para as autoridades: vocês não valem nada, somos nós que mandamos.

Dirá o governador Sérgio Cabral, eleito com espetacular votação, que as Unidades de Polícia Preventiva asseguraram a paz em algumas favelas cariocas e, que por isso, bandidos de lá fugiram para por fogo nas ruas. De fato, não deixa de ser interessante a presença da policia junto à população, mas as UPPs, que valeram votos para a candidata do presidente, não são suficientes. Há que ter no governo um sistema de inteligência capaz de rastrear com antecedência as manobras dos traficantes e das milícias, prisões sem trégua para retirar os marginais do meio social, juízes que não soltem os bandidos facilmente, ação constante de confisco de armas e drogas, uma polícia bem paga e bem armada que não dê trégua aos criminosos.

No tocante à remuneração dos policiais, o estabelecimento de um piso salarial nacional, projeto que tramita no Congresso, já foi detonado por Lula da Silva. Ele quer mesmo o trem-bala, desperdício não menos faraônico do que seria a construção de uma ONG em forma de pirâmide, que serviria unicamente para cultuar o presidente da República e facilitar seus negócios.

Sobre a ação da Polícia Militar e Civil, especialmente do Bope, é justo louvar a coragem e o heroísmo dos policiais que arriscam suas vidas numa guerra sem fim. E se a magnitude da violência ultrapassou a violência cotidiana e demandou o apoio das FFAA, esse apoio devia ser habitual para que não se chegasse ao que se presencia agora. Portanto, apesar dos discursos e poses de autoridades federais e estaduais para TVs é lógico afirmar que governos fracassaram redondamente quanto à Segurança da população. Relembre-se que, se o problema é mais acentuado no Rio, existe em todo país.

Não basta, então, dizer que os acontecimentos derivam da fuga de bandidos das favelas por causa das UPPs. O problema é muito mais profundo e estrutural. Seria também necessário maior controle das fronteiras por onde entram drogas e armas, especialmente na Tríplice Fronteira e nas fronteiras com a Colômbia e a Bolívia.

No tocante às sanguinárias Farc, é conhecido seu intercâmbio com traficantes brasileiros, mas, lamentavelmente, o presidente Lula da Silva recusou o pedido do então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, para classificar as Farc como terroristas. Além disso, existe liderança das Farc morando no Brasil com o privilégio de ter sua mulher nomeada para cargo governamental. Sem falar que altas autoridades do governo Lula, que continuarão no governo Rousseff, frequentam o Foro de São Paulo onde se reúnem as esquerdas latino-americanas, incluindo, as Farc, das quais são muito amigas.

Resumindo, o espetáculo da guerra do tráfico no Rio de Janeiro é o retrato do final de oito anos do governo Lula que passa recibo do fracasso na Segurança Pública. É também um dos aspectos da herança maldita que Dilma Rousseff vai receber. Outras maldições continuarão na Saúde, na Educação, na infraestrutura, na gastança, na dívida pública, no descontrole da inflação que o reconduzido ministro Mantega quer camuflar. O povo quis. O povo terá.

O Ministério “com a cara da Dilma” quase só tem gente de Lula

Ricardo Setti, Veja online

Dilma e a sombra de Lula

O presidente Lula prometia que “o Ministério da Dilma é ela quem vai escolher porque vai ter a cara da Dilma”, mas não se conteve. Assim, como afirmou brilhantemente o Estadão de hoje em editorial, o ministério da presidente eleita só teria a sua cara “se a sucessora tivesse barba e bigode”.

Guloso, insaciável, Lula já indicou, direta ou indiretamente — fazendo vazar suas preferências junto a pessoas certas –, sugeriu, influiu na escolha ou fez ver que gostaria de ter nos postos ministros Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Nelson Jobim (Defesa), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Fernando Haddad (Educação), Paulo Bernardo (Comunicações), Alexandre Padilha (provavelmente continuará em Relações Institucionais) e Izabella Teixeira (mesma coisa, Meio Ambiente), além dos presidentes da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e do BNDES, Luciano Coutinho.

Ufff… Onze nomes!

“Nunca antes na história deste país…”

Em compensação, a presidente eleita, que permanece à sombra de Lula, conseguiu, até agora, escapar da política espantosa que Lula adotou ao assumir o primeiro mandato, quando um dos requisitos essenciais para ser ministro ou ocupar cargo equivalente parecia ser a derrota nas urnas: ele abrigou 23 derrotados nas eleições de 2002 sob as asas generosas do governo.

Até agora, Dilma só estendeu esse manto protetor a um vencido pelo voto: o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que não conseguiu se eleger governador de São Paulo e vai ser ministro da Ciência e Tecnologia.

Jorge Gerdau: “O Brasil precisa de decisões próprias”

Instituto Millenium


Presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, defendeu, em entrevista ao jornal “Diário Catarinense”, que o Brasil crie seus próprios mecanismos de controle em relação à guerra cambial. O empresário cobra processos de eficiência de gestão para todos os setores, inclusive o público.

Leia a entrevista na íntegra:

Por Alesandra Ogeda

Diário Catarinense – Quanto o Brasil deverá crescer este ano?

Jorge Gerdau Johannpeter – Os números que estamos atingindo este ano são muito elevados porque são constituídos sobre patamares baixos. No ano passado, tivemos um crescimento um pouco negativo ou zero. O final de 2008 e o ano de 2009 foram difíceis. Então, os índices deste ano ficarão ao redor de 7% ou 7,5%. Mas são baseados em patamares baixos. A perspectiva para 2011, se tomarmos, agora, os números do terceiro trimestre e as perspectivas do quarto trimestre, são números que tendem para um patamar de 4,5% e 5%. Isso mantém, indiscutivelmente, o processo de economia dinâmica.

Diário Catarinense – O que poderia mudar isso?

Jorge Gerdau Johannpeter – Com o cenário de guerra cambial, temos aí fatores internacionais que não estão nas nossas mãos. Deve-se estar muito atento. O próprio fluxo de capitais internacionais que veio ao Brasil, por exemplo, nos ajuda na deficiência da balança comercial. São números globais, mas que influem e pressionam na valorização excessiva do real.

Diário Catarinense – Na questão cambial, qual seria uma margem adequada de juros para a indústria?

Jorge Gerdau Johannpeter – Eu gosto de olhar para um número absolutamente pragmático que eu acompanho há muitos anos que é o índice Big Mac. Ele (Big Mac) está, no Brasil, 42% mais caro do que nos EUA. O Brasil sempre teve um Big Mac mais barato. Tínhamos ele 20% a 30% mais barato do que o do dos EUA. Então, quando o Big Mac está 40% mais caro, querendo ou não, nós estamos com uma distorção.

Diário Catarinense – O senhor acredita em medidas em comum entre as principais economias mundiais?

Jorge Gerdau Johannpeter – Eu diria que o mundo não tem uma capacidade pronta no sentido de fazer entendimentos globais. Provavelmente, o Brasil vai ter que desenvolver decisões próprias para cuidar dos seus interesses.

Diário Catarinense – O senhor vê um risco de desindustrialização?

Jorge Gerdau Johannpeter – A queda do crescimento do produto industrial, com números estagnados ou tendo um pequeno crescimento, enquanto o resto do país está crescendo de forma significativa, são indicadores de que alguma coisa está acontecendo neste campo. Então, é preciso ter muita atenção e fazer os ajustes para enfrentar estes conflitos. O Brasil é nosso e nós que temos que definir o quanto dinheiro queremos que entre, e não Wall Street.

Diário Catarinense – O senhor defende uma ação mais efetiva no controle dos recursos estrangeiros no país?

Jorge Gerdau Johannpeter – Eu acho que tem que ajustar a taxa de juros. São macrodecisões que o governo já começou a tomar, mas provavelmente terão decisões mais enérgicas, sim.

Diário Catarinense – O senhor tem falado muito das reformas tributária e política. Agora há mais chance delas efetivamente acontecerem?

Jorge Gerdau Johannpeter -Uma reforma global, de uma vez só, acho difícil que aconteça. Eu diria que quando a equação global começa a apertar, o problema toma uma evidência maior, porque quando tudo está andando bem, o pessoal vai aguentando. Mas quando o cenário começa a ter complicações e os limites de competitividade começam a acontecer, os fatores de distorção tributária começam a crescer, a pressão empresarial e da coletividade, os próprios sindicatos de operários começam ver a necessidade e cria-se um consenso social.

Diário Catarinense – Qual deveria ser a base desta reforma tributária?

Jorge Gerdau Johannpeter -Tem que se olhar o que tem no mundo. No mundo não tem cumulatividade. Nenhum dos países que estão ao nosso redor tem um sistema obsoleto como nós temos. Estamos 10 ou 15 anos atrasados.

Falta de infraestrutura espanta os russos

Nicholas Vital, Portal Exame


Na semana passada, durante um jantar em São Paulo promovido pela Fundação Dom Cabral, tive a oportunidade de conhecer um alto executivo da OAO Severstal, maior siderúrgica da Rússia, com 92 000 funcionários espalhados pelo mundo e faturamento de 13 bilhões de dólares em 2009. Nikita Mazein, vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios para a Ásia, estava no Brasil para conhecer melhor o ambiente de negócios no país, estreitar relações com parceiros brasileiros e, quem sabe, identificar oportunidades por aqui. Após algumas taças de vinho, o russo falava com empolgação sobre o bom momento da companhia, o aumento nas exportações e os investimentos bilionários que devem ser feitos nos próximos anos – especialmente em mineração, outra área de atuação da OAO Severstal.

Era a deixa que eu precisava para questioná-lo sobre os planos da empresa para o Brasil. “No momento, infelizmente, não temos nenhum plano”, respondeu o executivo, explicando que a companhia já havia estudado o mercado brasileiro de mineração em algumas oportunidades, mas nenhum negócio fora fechado devido aos elevados custos de logística para o escoamento da produção. “Em qualquer projeto de mineração que se faça no Brasil é preciso acrescentar 1 bilhão de dólares para a construção de uma ferrovia”, diz Mazein. Segundo ele, a falta de infraestrutura tem feito com que muitos investidores estrangeiros desistam do Brasil e busquem oportunidades em outros lugares.

No caso dos russos, o investimento foi direcionado para a África, onde a OAO Severstal já atua em países como Libéria, Congo, Burkina Fasso e Gabão. Por lá também não existe uma infraestrutura adequada, porém as minas estão mais próximas do mar, o que reduz consideravelmente os gastos com o transporte. “No Brasil, a distância média percorrida pelo minério até chegar a um porto é de 500 quilômetros”, diz Mazein. “Na África, a média é de 100 quilômetros.”

Ônibus é o principal meio de transporte em todas as faixas de renda, diz Ipea

Portal Exame, Com informações da Agência Brasil

O estudo mostra que, entre os 25% mais pobres e os 5% mais ricos, houve uma frequência de 23,1% e de 28,4%, respectivamente

VEJA
Os 25% mais pobres tiveram frequência maior no uso do transporte pirata

Rio de Janeiro - Estudo divulgado hoje (1º) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que os ônibus urbanos continuam com principal modal de mobilidade urbana do país em todas as faixas de renda.

O estudo mostra que, entre os 25% mais pobres e os 5% mais ricos, houve uma frequência de 23,1% e de 28,4%, respectivamente.

Os dados indicam ainda que é alta a participação dos gastos com transporte público na despesa das famílias mais pobres. Usado por 38,5% do universo de 25% da população mais pobre, o transporte público, segundo o Ipea consumia 8,7% da renda dessas famílias; enquanto que dos 5% mais ricos, 40,7% utilizavam transporte público, mas as despesas representavam apenas 0,8% de suas rendas.

“O levantamento aponta um aumento de demanda pelo transporte público, entre 2002 e 2009, com a população mais pobre usando mais o ônibus por causa do emprego e da necessidade de deslocamento diário”, disse o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Pedro Humberto Carvalho. Segundo ele, a pesquisa revela que a população mais rica tem utilizado mais o transporte individual.

O estudo do Ipea mostra também que os 25% mais pobres tiveram frequência maior no uso do transporte pirata (vans, lotadas, moto-táxis, e kombis). A análise do Ipea comparou os dados de 2002/2003 com os de 2008/2009.

Ministério das Micro e Pequenas deve articular melhor o setor

Daniela Moreira, de EXAME.com

Desafio do ministério será integrar as várias ações voltadas ao setor, dizem executivos que comandam órgãos dedicados às pequenas



Dilma Rousseff deve criar Ministério da Micro e Pequena Empresa, diz presidente do PT

São Paulo - O Ministério da Micro e Pequena Empresa, que deverá ser criado na gestão de Dilma Rousseff, deverá ter como missão principal articular melhor as várias ações destinadas ao setor em curso hoje, segundo executivos que comandam órgãos que representam empresários de pequeno e médio porte.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, confirmou há duas semanas que o novo ministério deverá ser criado pela presidente eleita. O nome mais cotado para assumir a pasta é o de Alessandro Teixeira, atual presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Para Paulo Okamotto, presidente do Sebrae, o principal desafio do ministério será integrar as varias iniciativas voltadas ao setor. “Há uma série de órgãos agindo em favor das pequenas empresas, mas é preciso que eles trabalhem de maneira mais articulada”, afirma.

“É preciso ter mais foco. Hoje você tem várias frentes de ação e os projetos muitas vezes ficam patinando”, concorda Milton Antonio Bogus, diretor titular do departamento da micro, pequena e média indústria da FIESP. De acordo com o executivo, o ministério poderá estabelecer um diálogo com vários setores do governo e com o Congresso Nacional para avançar nas questões importantes para o setor. “É preciso tratar os assuntos de maneira mais dinâmica”, diz.

Entre as principais demandas dos órgãos que representam as pequenas e médias empresas está a necessidade de linhas de créditos específicas com melhores condições de juros, além da questão dos impostos. “É importante tratar com carinho a questão da substituição tributária”, destaca Okamotto.

A necessidade de se criar um ministério para as pequenas empresas foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início deste ano. A bandeira foi retomada por Dilma durante a campanha. De acordo com a então pré-candidata, o presidente Lula tinha a intenção de criar a pasta no ano de 2009, mas a crise teria barrado a iniciativa.

Segundo dados do Sebrae, as micro e pequenas empresas correspondem a mais de 99% dos 5,8 milhões de negócios formais existentes no Brasil e empregam mais da metade dos trabalhadores com carteira assinada do País.

Perigo nos preços da comida

O Estado de São Paulo



Os preços da comida sobem no mercado internacional e continuarão pressionando o custo de vida por muitos meses, provavelmente durante a maior parte do próximo ano. A perspectiva é animadora para os agricultores, pecuaristas e exportadores de produtos agropecuários. Mas o governo deveria preocupar-se com o risco de mais inflação em 2011 e estudar, desde já, uma estratégia para atenuar os efeitos da valorização dos alimentos. Os sinais de alerta foram reforçados nessa quarta-feira pela FAO, o órgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.

O índice mensal de preços da FAO subiu 3,7% em novembro e atingiu o nível mais alto em 28 meses. Esse número é a média ponderada dos indicadores de cinco grupos de produtos - carnes, laticínios, cereais, óleos e gorduras e açúcar. No mês passado, ficou pouco abaixo dos valores observados em junho e julho de 2008, quando a última grande crise no mercado global de alimentos atingiu o pico.

Quando a crise financeira se espalhou, deixando em recessão boa parte do globo, os países mais pobres e dependentes da importação de alimentos já estavam em dificuldades, com muitos milhões de famílias sem condições de pagar pela alimentação. Desde 2007 o FMI já estava empenhado em programas de ajuda financeira aos países mais afetados pelo encarecimento da comida.

Houve uma breve trégua nos mercados, durante a pior fase da crise financeira, mas os preços voltaram a aumentar nos meses finais de 2009. Houve alguma oscilação neste ano e nos últimos cinco meses o índice médio da FAO subiu de forma ininterrupta. Entre junho e novembro o indicador variou 26,4%. As maiores altas foram do açúcar (66,6%), cereais (48,7%) e óleos (44,5%). Carnes (1,4%) e laticínios (2,3%) encareceram muito menos.

A produção foi afetada em alguns países pela seca prolongada. Foi o caso da Rússia, por exemplo. Em outros, inundações devastaram os campos. Limites impostos à exportação por alguns governos também pressionaram os preços.

Nunca chegou a haver escassez física no mercado global, mas a diminuição de algumas colheitas e a perspectiva de estoques menores provocaram a alta das cotações. Além disso, os mercados têm sido pressionados pela especulação financeira. Há dinheiro de sobra no mundo, por causa das políticas monetárias frouxas nos países mais desenvolvidos. Na Europa e nos Estados Unidos os juros continuam muito baixos. Além disso, o banco central americano continua emitindo um enorme volume de dólares. Na rodada atual, iniciada no mês passado, está prevista a emissão de US$ 600 bilhões até o meio de 2011.

Com dinheiro farto e barato circulando nos mercados financeiros, muita incerteza quanto ao crescimento nas maiores economias e muita insegurança em relação à dívida pública de vários governos, quem tem dinheiro corre atrás de aplicações consideradas seguras e promissoras. Parte desse capital vai para as economias emergentes, como o Brasil, e uma fatia considerável é aplicada nos mercados de produtos básicos.

A combinação de todos esses fatores pode manter pressionadas por vários meses as cotações dos produtos agrícolas. Os preços dos grãos permanecerão elevados e até poderão subir pelo menos até setembro de 2011, segundo o secretário do Grupo Intergovernamental para Grãos da FAO, Abdolreza Abbassian. Ele mostrou preocupação especialmente com a redução da área plantada com trigo de inverno na Rússia. Até meados de 2011 haverá incerteza sobre o volume da safra russa, observou.

No Brasil, como na maior parte dos países produtores, não há risco de escassez nem de choques importantes de oferta. Escassez de fato não ocorre há muitos anos no mercado brasileiro. Mas os preços tenderão a continuar elevados ou em alta, principalmente por causa do quadro internacional. Além de afetar o orçamento das famílias, o custo da alimentação poderá contaminar outros preços. Se isso ocorrer, a inflação ficará bem mais perigosa. Um dos desafios das autoridades monetárias será evitar ou limitar esse contágio.

Justiça breca repasse de R$ 3,7 bi da União para GO

Josias de Souza, Folha.com

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A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal suspendeu um empréstimo que Lula havia negociado com o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP).

A transação alça à casa de R$ 3,7 bilhões. Dinheiro do BNDES, que seria repassado por meio da Caixa Econômica, agente financeiro da transação.

O dinheiro iria às arcas da CELG, estatal energética de Goiás. Uma empresa mergulhada em dívidas. O buraco é estimado em R$ 7 bilhões.

Deve-se ao procurador da República Cláudio Drewes a ação contra o empréstimo. E à juíza Luciana Gheller, a liminar que suspendeu o negócio.

Titular da 4ª Vara Federal de Goiás, a magistrada impôs o freio por meio de uma liminar. Decisão temporária, portanto.

Requisitou documentos à União. Depois de receber e analisar a papelada, vai julgar o processo em termos definitivos.

Por ora, a juíza deu razão ao Ministério Público. Na sua ação, o procurador Drewes anotou que “são veementes” os indícios de que o empréstimo é ilegal.

A União tornou-se sócia da encrenca goiana sem levar em conta a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Tesouro Nacional, sustenta o procurador, absteve-se de realizar uma análise crível sobre a real capacidade de endividamento do Estado de Goiás.

A primeira parte do empréstimo –cerca de R$ 1 bilhão— seria creditada ainda neste mês de novembro.

Em seu despacho, a juíza Luciana Gheller determinou que o dinheiro seja depositado em juízo, numa conta à qual o Estado não terá acesso.

O governador Alcides Rodrigues arruma as gavetas. Em 1º de janeiro, transfere o poder ao senador tucano Marconi Perillo.

Junto com o cargo, Perillo receberá o passivo da CELG. Poderia tachá-lo de herança maldita. Talvez lhe faltem, porém, argumentos.

Ex-governador de Goiás, Perillo é mentor de Alcides, eleito com o seu apoio. Hoje, são inimigos figadais.

Protagonizam em Goiás um desses inúmeros casos da política em que a criatura se volta contra o criador.

Leilão da hidrelétrica Teles Pires pode ser adiado

Agência Estado


Aneel reiterou hoje que pode esperar pela licença até o dia 13

Se o aval não sair, o Ministério de Minas e Energia
terá de decidir entre o adiamento ou exclusão do leilão

O governo poderá adiar o leilão da hidrelétrica de Teles Pires, planejada para gerar 1.820 MW (megawatts) de energia na Amazônia. O motivo é a falta de licença prévia para o empreendimento, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A licença era esperada pelo governo para novembro e segue sem previsão para ser liberada.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reiterou hoje que pode esperar pela licença até o dia 13, quatro dias antes da data prevista para o leilão. Se o aval do órgão ambiental do governo não sair até lá, o Ministério de Minas e Energia terá de decidir entre o adiamento de todo o leilão ou a exclusão da usina do leilão marcado para o dia 17.

Teles Pires, localizada entre os municípios de Paranaíta e Jacareacanga, na divisa de Mato Grosso com o Pará, é a maior das hidrelétricas de um pacote de cinco usinas que irão a leilão. Hoje, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Abelardo Bayma, disse que ainda trabalha para liberar a licença prévia ao empreendimento a tempo de manter a data do leilão. "Não acredito que haja extrapolação da data", disse.

O problema, segundo Bayma, são questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal no Pará. Segundo os procuradores, os impactos ambientais da usina de Teles Pires não poderiam ser avaliados de forma isolada, porque está prevista a construção de outras cinco outras usinas no mesmo rio, com o mesmo nome da hidrelétrica.

Desse conjunto, só Teles Pires teve o licenciamento submetido ao órgão ambiental federal. Os procuradores alegam que o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) exige a avaliação de impactos sobre toda a bacia do Teles Pires.