quinta-feira, dezembro 02, 2010

Lula não desencarna

Villas-Bôas Corrêa

O presidente Lula, neste apagar das luzes do seu segundo mandato, adquiriu o estranho cacoete de dizer e fazer as coisas ao contrário do que faz e diz. Uma conversa recorrente é a potoca de quer desencarnar da presidência. Ora, não tenho lembrança de um presidente nos últimos dias do seu segundo mandato, mais agarrado como carrapato no exercício do cargo.

Tira todo proveito da gratidão e da fidelidade da presidente eleita para desfrutar dos últimos dias de mandato, em ostensiva demonstração que foi a sua liderança que garantiu os milhões de votos da derrota do tucano, ex-governador de São Paulo, José Serra que deu a sua contribuição com uma campanha raivosa e batendo nas teclas desafinadas.

Com tudo isso, a presidente eleita vem engolindo sapos e pererecas de dar indigestão. Na escolha dos futuros ministros, presidentes de autarquia a presidenta Dilma não conseguiu decorar todos os nomes da lista dos escolhidos por Lula. E sequer a cortina transparente do decoro dissimula o que parece tanto encantar o presidente como o presente do terceiro mandato, que não se sabe até quando será prolongado.

Em algum momento a presidente eleita assumirá o exercício do cargo. E, na sequência das surpresas, Lula já esteja em outra, viajando pelo mundo com as passagens e todas as despesas pagas pela caixinha do Partido dos Trabalhadores, um miliardário graças às contribuições compulsórias dos petistas nomeados para as sinecuras da Petrobrás, de outras autarquias e as muitas bocas-ricas da árvore das patacas do governo.

Para este final de governo, a boa estrela do Lula reservou o sucesso da ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, reduto de traficantes e bandidos, pelas tropas do Exército e de sete mil PMs treinados. O prejuízo dos traficantes do Complexo do Alemão é estimado em R$ 50 milhões, entre 42 toneladas de maconha, 300 quilos de cocaína, dinheiro, imóveis, veículos e dinheiro em espécie.

O poder paralelo sofreu o maior golpe de todos os tempos. E a operação não terminou. A sua tarefa inclui a procura dos traficantes que se calcula em mais de 600 que escaparam pela galeria pluvial do PAC.

Não será surpresa se o presidente Lula aparecer de surpresa ou em visita anunciada no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro para cumprimentar os militares que ocuparam as áreas dos traficantes.

O presidente Lula dedica-se a articular a permanência do Ministro da Educação, Fernando Haddad.

E não escondeu a sua cabala: “No momento ainda não estou contente. Não sei se o Fernando ficará na Educação.”

Salvo imprevisto, o ministro Fernando Haddad tem emprego garantido pelos próximos quatro ou oito anos.

Quem duvidar, pergunte ao presidente Lula.