quinta-feira, dezembro 02, 2010

A nova carteira eletrônica

Thiago Cid e Daniella Cornachione, Revista Época

Já é possível fazer compras sem usar dinheiro, cheque ou cartão. O celular resolve (quase) tudo



O executivo Alexandre Jonas usa seu celular para pagar o cafezinho depois do almoço. Ele aproxima o aparelho de um leitor e a transação está feita. O valor é transferido de sua conta para o lojista. Jonas é voluntário de um projeto-piloto realizado pelo Bradesco para testar a tecnologia Near Field Communication (NFC) para pagamentos por celular. E essa não é a única experiência no mercado. Há pelo menos dez sistemas de pagamento por celular sendo testados no país, e muitos mais no resto do mundo. Especialistas calculam que, neste ano, os pagamentos móveis serão usados por cerca de 108 milhões de pessoas no planeta. Por isso, vá se preparando: você ainda vai pagar com o celular.

Quem já faz parte de um desses sistemas de pagamento pioneiros pode usar o celular para pagar contas em restaurantes, lavanderias, táxis, cabeleireiros, supermercados, postos de gasolina e cinemas. Também dá para fazer investimentos e transferir dinheiro sem ter um terminal bancário ou um computador por perto. As transações ocorrem por mensagem de texto (SMS) e por internet. No primeiro caso, trocam-se mensagens criptografadas a partir de qualquer celular GSM. No sistema que usa internet, é preciso um smartphone que permita ao usuário acessar a página de seu banco na rede e realizar as operações.

Os três sites de pagamentos móveis mais consolidados são os da operadora Oi, do Bradesco e do Banco do Brasil (leia o quadro abaixo). Os usuários da operadora Oi usam um modelo que funciona por SMS. Ao receber a conta, eles informam o número do celular. O dono da loja ou restaurante faz contato com a operadora, que manda um SMS ao cliente: autoriza o pagamento de X reais? Ele aperta uma tecla – SIM –, digita sua senha e a transação está concluída. Os gastos vêm em uma fatura no fim do mês. A Oi tem mais de 150 mil estabelecimentos cadastrados nesse serviço. Os correntistas do Bradesco podem comprar com o celular usando a internet móvel do aparelho. Para isso, precisam habilitar um software especial, informar os dados bancários na tela do aparelho e o modo de pagamento: crédito ou débito. O cliente do Banco do Brasil só consegue pagar por SMS a lojistas também clientes do BB. Alguns bancos já oferecem mobile banking, o equivalente do celular ao serviço bancário prestado pela internet. Neles é possível pagar contas e tributos, como IPTU, mas ainda não é possível comprar produtos nas lojas.



MOBILIDADE
O executivo Alexandre Jonas paga seu café com o celular.
Há pelo menos dez sistemas de pagamento por celular sendo usados no país

Os pagamentos móveis envolvem uma aliança entre dois grandes setores: as operadoras de telecomunicação e o sistema financeiro. Ainda não há definições de qual será o melhor sistema nem a fatia que caberá a cada um dos setores. “A ideia é chegar a uma carteira eletrônica que realize todas as operações no celular”, diz Claúdio Prado, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). “Com essa carteira, o cliente terá a possibilidade de pagar crédito, débito e transferir dinheiro a outras pessoas”, diz Prado, que estuda a padronização dos pagamentos móveis no Brasil. Também está sendo testado o sistema de aproximação. Nele, pagamentos são feitos colocando o celular próximo de um sensor.

Além de criar a rede de conexão entre bancos, lojistas e operadoras, os pagamentos móveis têm de superar outros desafios antes de se popularizar no Brasil. O primeiro deles é o medo dos consumidores de sofrer fraudes. Uma pesquisa do Procon-SP mostra que 75% das pessoas temem a violação de seus dados em transferências virtuais pelo celular. Especialistas, porém, garantem que as operações são criptografadas e mais seguras do que aquelas feitas pela internet. Outro problema: os celulares usados no Brasil ainda não têm a antena que permite fazer NFC, o pagamento por aproximação.

Apesar das opções ainda limitadas, já é possível sentir o gostinho de pagar usando as teclas do celular. ÉPOCA selecionou algumas iniciativas em funcionamento, mas recomenda que os leitores confiram com seus bancos se a opção está disponível em sua cidade.

O celular paga a conta
O que já dá para comprar com o celular – e a tecnologia usada em cada transação