quinta-feira, dezembro 02, 2010

Falta de infraestrutura espanta os russos

Nicholas Vital, Portal Exame


Na semana passada, durante um jantar em São Paulo promovido pela Fundação Dom Cabral, tive a oportunidade de conhecer um alto executivo da OAO Severstal, maior siderúrgica da Rússia, com 92 000 funcionários espalhados pelo mundo e faturamento de 13 bilhões de dólares em 2009. Nikita Mazein, vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios para a Ásia, estava no Brasil para conhecer melhor o ambiente de negócios no país, estreitar relações com parceiros brasileiros e, quem sabe, identificar oportunidades por aqui. Após algumas taças de vinho, o russo falava com empolgação sobre o bom momento da companhia, o aumento nas exportações e os investimentos bilionários que devem ser feitos nos próximos anos – especialmente em mineração, outra área de atuação da OAO Severstal.

Era a deixa que eu precisava para questioná-lo sobre os planos da empresa para o Brasil. “No momento, infelizmente, não temos nenhum plano”, respondeu o executivo, explicando que a companhia já havia estudado o mercado brasileiro de mineração em algumas oportunidades, mas nenhum negócio fora fechado devido aos elevados custos de logística para o escoamento da produção. “Em qualquer projeto de mineração que se faça no Brasil é preciso acrescentar 1 bilhão de dólares para a construção de uma ferrovia”, diz Mazein. Segundo ele, a falta de infraestrutura tem feito com que muitos investidores estrangeiros desistam do Brasil e busquem oportunidades em outros lugares.

No caso dos russos, o investimento foi direcionado para a África, onde a OAO Severstal já atua em países como Libéria, Congo, Burkina Fasso e Gabão. Por lá também não existe uma infraestrutura adequada, porém as minas estão mais próximas do mar, o que reduz consideravelmente os gastos com o transporte. “No Brasil, a distância média percorrida pelo minério até chegar a um porto é de 500 quilômetros”, diz Mazein. “Na África, a média é de 100 quilômetros.”