Adelson Elias Vasconcellos
Diante da desistência das grandes petrolíferas em participar do Leilão do Campo de Libra, o governo se mostrou “surpreso”. Mas não deveria. Não lhe faltaram avisos e alertas diversos para indicar que , tanto o modelo escolhido (partilha), quanto a imposição da Petrobrás em participar como sócia na exploração e operação, eram verdadeiros tiros no pé…
Reparem: o governo impõe uma cota fixa que ele deverá receber. Depois, obriga que a Petrobrás opere os campos licitados. E ainda acha que algum aventureiro se sentirá atraído o suficiente para participar deste engodo? É muita compulsão à ilusão!!!
No fundo, a leitura mais simples que se faz a partir do modelo criado pelo governo petista, é de que o consórcio vencedor entraria apenas com dinheiro. Ou seja, ele financiaria toda a exploração e operação do campo de Libra, e antes de receber seu quinhão, primeiro o governo retira sua cota, depois a Petrobrás morde mais um pedaço, e aí ainda tem os custos da operação para serem bancados, e só depois o vencedor do leilão recebe o que sobrar.
Não é o fato de ser pré-sal, ou de ser o investimento no Brasil, que fará o investidor privado se meter em loucuras. Já disse várias vezes: investidores não fazem benemerência com seu dinheiro. Eles até podem correr certo risco, mas, desde que as regras não sejam claras e as perspectivas não sejam boas, não sentem atraídos em meter a mão no bolso.
Porém, da forma como o governo regulou, definitivamente, ao invés de atrair acabou foi afastando os principais e mais importantes investidores. Das mais de 40 empresas que o governo Dilma contava que participariam, vai ter que se contentar com apenas 11, a grande maioria estatais.
O governo apesar alertado, bateu pé e quis pagar para ver. Nas últimas semanas só se falava em bilhões provenientes da operação do campo de Libra. Um detalhe para o qual o governo Dilma não deu a devida atenção: a exploração do gás de xisto, que está provocando uma verdadeira revolução no campo da energia, nos Estados Unidos. Menor risco, mais barato e mais fácil de se obter. E sem os riscos de intervencionismo e teimosias descabidas.
Sempre vale repetir que o histórico preconceito dos petistas em relação ao capital privado, como se “recursos públicos” não derivassem dele...
Mas foi em razão deste preconceito estúpido que Lula passou dois mandatos sem nunca ter aberto a porta para os investimentos bancados pela iniciativa privada. Na única vez em que fez uma “pequena concessão” quis ensinar ao mundo que é possível ter estradas de primeiro mundo com pedágios baratinhos. Quebrou a cara, como todos sabemos.
Em consequência, nossa infraestrutura, que já não era nenhuma maravilha, degradou-se por mais oito anos. Sua sucessora, em princípio, até que tentou resistir. No entanto precisou curvar-se a realidade de que, sem o capital privado, o governo federal não teria como bancar os investimentos necessários em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos. Daí criou a privatização envergonhada, aquela que chama só o capital, o resto o governo insiste em intervir e mandar.
Há outra diferença substancial entre Lula e Dilma. Com a crise financeira de 2008, os bancos centrais europeus, o americano e japonês despejaram rios de dinheiro no mercado. Na época, o Brasil praticava os juros internos mais altos do planeta. Isto serviu para engordar o capital motel, especulativo, aquele que no primeiro suspiro, cai fora. Ninguém no Brasil se preocupou em criar um ambiente propício de negócios para atrair este borbulhante e fabuloso capital para investimentos em infraestrutura. Na época, muitas foram as nossas advertências de que estávamos perdendo rica oportunidade de impulsionar nosso desenvolvimento.
Com Dilma no poder, observou-se uma queda vertiginosa de juros. Voltem aos indicadores e reparem que o país parou de ser atraente.
Dilma, então, decidiu-se em elaborar um plano nacional de concessões. Contudo, não abriu mão do preconceito. Os marcos regulatórios emitidos pelo governo são verdadeiras pérolas de repulsa ao capital privado. E, muito embora, isto seja visível e muitos advertem o governo sobre os entraves neles existentes, mantém-se a insistência em tratar o investidor como inimigo do Estado. Resultado: os leilões têm frustrado as enormes expectativas de Dilma e seus ministros pelo seu resultado pífio, quando não nulo.
Hoje, após mais um fracasso, agora EME relação ao leilão do Campo de Libra, o governo insiste no discurso vazio de que a dificuldade não é consequência dos marcos regulatórios, e sim porque os leilões estão sendo realizados todos ao mesmo tempo. O corre que, quem for investir em petróleo não irá investir em ferrovias, por exemplo. São agentes diversos, com experiências empresariais totalmente distintas umas das outras. Assim, a desculpa não faz sentido e não disso mesmo: mera desculpa.
Portanto, o precioso filé das concessões converteu-se em verdadeira carne de pescoço. Vamos ver até quando o governo Dilma vai levar adiante a sua teimosia e sua burrice, insistindo em maltratar o capital privado, do qual tanto o Brasil precisa para impulsionar seu desenvolvimento. Como se sabe, dinheiro é coisa que não aceita desaforo, de jeito nenhum.
Passa da hora do governo Dilma acabar com sua ilusão e encarar o capital privado como aliado, não como inimigo. Talvez a mudança de postura faça bem ao governo, mas fará muito pelo país. Como venho repetindo há algum tempo, dinheiro bom não procura negócio ruim, a não ser o dinheiro público que, no Brasil, adora uma corrupção.
Chantagem pode?
Em menos de uma semana, duas operações da Polícia Federal revelaram esquemas de corrupção fantásticos. Um, no Ministério do Trabalho, coisa de uns R$ 400 milhões. O outro golpe estava na esfera do assessor da subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais – já exonerado – e que resultou em coisa na casa de uns R$ 300 milhões. Em volvia desvios de fundos de pensão.
O curioso no caso, é que o assessor foi demitido 24 horas após deflagrada a operação da PF. Já no caso do Ministério do Trabalho, o critério foi diferente. Apesar de muitos envolvidos estarem diretamente ligados ao ministro Manoel Dias, inclusive sua esposa e o número 2 do Ministério, ele permanece intocável. Acontece que o ministro declarou que, se demitido, sairia atirando, chutando o balde de vez.
Em qualquer governo sério, a simples declaração já seria motivo para demissão sumária. Nenhum governante que se preze pode admitir este tipo de chantagem pública.
E, também em um país sério, o ministro, com a declaração, já seria alvo, no mínimo, de prevaricação, por insinuar conhecer “podres” e não os revelar.
Como a cabeça do ministro continua intacta, é de se imaginar a lambança que o Ministério Público e a Polícia Federal ainda terão para desvendar.
Este governo não é apenas medíocre, é podre também. O que já rolou e ainda rola de escândalos de corrupção em pleno coração do poder, desde que o poder assumiu a presidência da República, é uma grandeza.







