domingo, agosto 22, 2010

Leituras de domingo

Comentando a Notícia

Há muita coisa boa para se ler neste domingo. A seleção dos artigos abaixo obedece o critério da relevância dos temas abordados, além, é claro, de que seus articulistas serem, reconhecidamente, independentes. Nosso espaço não “acalenta” tampouco “abraça causas”, a não ser as que colaboram para um país mais justo, livre, democrático não apenas no nome, e mais educado e civilizado.

Chutamos o traseiro dos rendidos, genuflexos ao atraso, os que vendem a alma ao diabo em troca de favores especiais e pessoais. Independente são os que, mesmo diante dos muros de Berlim, gritam  e protestam e sempre dão o primeiro passo para derrubarem nem que seja um isolado tijolo. Independentes são os sempre sabem separar o que pertence ao Estado, propriedade da sociedade, dos partidos que, transitoriamente, circulam pelo poder. Independentes são os que separam o joio do trigo, e não ficam à mercê da privatização deste mesmo Estado por grupos políticos, bandos de sindicalistas ou oligarquias políticas, sempre à espreita para refestelarem-se nas benesses, usurpando de algo que não lhes pertencem.

Direitos humanos, o uso mau caráter da Petrobrás, as mentiras que os números reais não conseguem mascarar sobre as falsas realizações de PAC mistificadores, a deformação da Educação pública, e, claro, uma campanha eleitoral que mascara a ditadura disfarçada já em pleno funcionamento neste país das maravilhas de lulismo no poder, e um povo pobre, faminto, enganado, explorado às ultimas consequências para o alimento febril de poder de um grupo de insanos.

A seleção de textos visa, antes de tudo, esclarecer e fazer refletir. Dá tempo para o país cair na real e evitar que seu futuro seja esmigalhado vestindo o manto cruel da mistificação. Ah, se diante deste patético quadro da nossa atual realidade política você sentir uma certa queimação na boca do estômago, saiba que o melhor antiácido é o 3 de outubro próximo. Lembro que li, certa feita, uma pichação num muro que é exemplar: “Faça um político trabalhar: não o reeleja”.

E se você não quer a continuidade do estado precário com que este governo tratou a saúde pública, a educação (leia o artigo do Sardenberg abaixo), a segurança, é simples, meu caro: vote pela mudança, nunca pela continuidade. Afinal, pagar o que pagamos de imposto para não termos estado algum, já que ele está repartido e privatizado por PT e PMDB, melhor apostar na mudança. O pior que pode acontecer? Ora, é não mudar coisa alguma, mas pelo menos a gente terá dado um recado: a de que o povo brasileiro, ainda é dono da sua vontade, e não um mero produto que passa de um dono para outro de forma imperial.

Queremos ser repudiados

Olavo de Carvalho , Mídia Sem Máscara

A articulação do terrorismo, do narcotráfico e da luta política é a definição mesma do Foro de São Paulo.

Num dos últimos debates eleitorais, o candidato a subdilma, Michel Temer, negou que o sr. Presidente da República tivesse proposto a mutação das Farc em partido politico. Mas, antes de terminar a frase, já se desmascarou ao defender as lindíssimas intenções da proposta. Como poderia ele conhecer as intenções, adoráveis ou abomináveis, de uma proposta que, segundo ele mesmo, jamais foi feita?

O sr. Temer é, com toda a evidência, um mentiroso cínico. Tão cínico quanto o foi o próprio Lula ao apresentar aquela sugestão indecente. Na ocasião, o sr. Presidente perguntou: "Se um índio e um metalúrgico podem chegar à Presidência, por que alguém das Farc, disputando eleições, não pode?"

A resposta a essa pergunta é simples: ser índio ou metalúrgico não é crime. Matar trinta mil pessoas e sequestrar sete mil, mantendo estas últimas em cativeiro por dez anos ou mais, é uma sucessão formidável de crimes hediondos. Até um retardado mental percebe a diferença entre eleger presidente um índio, um metalúrgico, um zé-ninguém, um mendigo que fosse, e um autor de assassinatos em massa. Nenhum dos presentes à obscena declaração presidencial ousou jogar-lhe na cara essa obviedade gritante que ele, com aquela cara de pau integral que só as mentalidades criminosas têm, fingia desconhecer.

Mais cínico ainda revelou-se o supremo mandatário, bem como todos os seus bajuladores de ofício - o sr. Temer primeirão da lista - ao alardear que a sugestão expressava o repúdio presidencial aos métodos de luta ilegais, cruéis e desumanos da narcoguerrilha colombiana. Que repúdio é esse, que em vez de punição oferece aos criminosos uma ficha limpa, o livre acesso ao poder de Estado e a perspectiva de enriquecimento sem limites, mediante o comércio de drogas legalizado? Se isso é repúdio, não há um só brasileiro que a esta altura não implore de joelhos: Repudie-me, sr. Presidente!

Mas por baixo do cinismo ostensivo vem outro mais discreto - e mais perverso ainda. Guerrilhas e terrorismo são, por definição, muito diferentes de uma guerra travada por exércitos convencionais. Estes buscam a vitória militar e o domínio do território. Só depois de atingidos esses objetivos é possível a instalação de um poder político nas zonas ocupadas - e mesmo assim a transferência de autoridade dos militares para os políticos é lenta, gradual e cheia de precauções.

Grupos guerrilheiros e terroristas, ao contrário, visam à conquista de objetivos políticos antes e independentemente da vitória militar, que quase sempre fica além das suas possibilidades.

Em termos estritamente militares, as Farc estão liquidadas. Nos derradeiros espasmos da agonia, sua única esperança de sobreviver militarmente reside na criacão de "zonas desmilitarizadas" onde possam prosseguir clandestinamente suas atividades sob a proteção de seus próprios inimigos, paralisados pela inibição moral de infringir um acordo de paz que, pelo lado das Farc - e segundo os cânones da "guerra assimétrica" -, só existe para ser infringido. (Nota: a denúncia cem por cento falsa espalhada pelo sr. Paulo Henrique Amorim, aqui comentada dias atrás, www.olavodecarvalho.org/semana/100815dc.html, foi uma criativa ajudinha dada pela senadora Piedad Córdoba à campanha das Farc pela criação daquelas zonas).

Em matéria de popularidade, a narcoguerrilha já baixou ao fundo mais obscuro do oceano: é escancaradamente odiada por 97% da população colombiana. Os três por cento restantes são, na quase totalidade, partes interessadas, disputando a tapa um último canudinho por onde respirar.

A transformação das Farc em um partido legal - e, concomitantemente, a legalização do comércio de drogas, que os nossos governantes também defendem, fingindo não ver o reforço mútuo das duas propostas -, seria, com toda a evidência, a salvação do moribundo. Mais do que a salvação, a glória.

Desde logo, a imagem dos criminosos, hoje em frangalhos, será automaticamente recauchutada pela exibição de "intenções pacíficas". Mas, pior ainda: retirados da UTI, os terroristas, com o rótulo de cidadãos respeitáveis, e cheios de dinheiro no bolso, não ocuparão só cargos eletivos, mas lugares estratégicos na burocracia estatal e na magistratura, de onde poderão, com a maior tranquilidade, enviar para a cadeia seus adversários inerme, como seus poucos representantes hoje ali infiltrados já conseguiram fazer com 1.200 soldados colombianos - sim, mil e duzentos - que tiveram o desplante de combatê-los.

Liberem as Farc da sua imagem sangrenta, e em poucos anos não haverá um só inimigo delas à solta.

O sr. Presidente sabe de tudo isso, e é precisamente isso o que ele quer. A prova mais patente disso é que ele fundou o Foro de São Paulo para que as várias correntes de esquerda, legais e ilegais, pudessem discutir e articular suas estratégias.

A articulação do terrorismo, do narcotráfico e da luta política é a definição mesma do Foro de São Paulo, e a transfiguração das Farc em partido é a consumação de suas ambições mais altas, mais avassaladoras, mais criminosas.

Petrobrás em perigo

Sebastião Nery

Lúcio Bittencourt, querido professor da Faculdade de Direito de Minas, fundador do PTB, deputado federal, senador, era um bravo nacionalista. Quando nós, estudantes, faziamos em Minas a campanha “O Petróleo é Nosso”, em 1953, convocamos um comício para a praça da estação e convidamos os parlamentares mineiros.
A polícia proibiu, alegando que era um comício dos comunistas. Nenhum deputado federal apareceu. Apenas alguns estaduais e dirigentes estudantis na praça cheia, cercada pela polícia. Lá na frente, servindo de palanque, vazio, um caminhão sem as laterais e, em cima, o microfone.

De repente, chega o deputado e já candidato a senador Lúcio Bittencourt, alto, magro, terno claro, bigodinho preto, e vai direto para o caminhão. Fomos juntos, A polícia não teve coragem de barrá-lo.

Lucio Bittencourt
Alguns de nós falamos. Ele pegou o microfone e começou:

- Ontem, chegando a Minas, li nos jornais que a polícia havia proibido este comício. Liguei para o governador Juscelino, ele me disse que eram ordens militares, do Rio. Confesso que tive dúvidas de vir. Mas à noite, dormindo, ouvi o povo me dizendo: - Vai, Lúcio! Vai! Vai!

E Lúcio foi. Deu um passo à frente e caiu embaixo do caminhão. Ainda tentei segurá-lo pela ponta do paletó, não adiantou. Desabou. Acabou o comício. No dia seguinte, no Palácio, Juscelino gargalhava:

- Eu bem que disse a ele: - Não vai, Lúcio, não vai! Não vai!

Não adiantou a repressão. O Congresso aprovou e, no dia 3 de outubro de 1953, Getulio promulgava a Lei 2004, criando a Petrobrás.

E em meio século a Petrobrás se fez o mais forte sinônimo de Brasil.

Newton Monteiro
Mas um dos mais experientes técnicos que ajudaram a construí-la, o engenheiro Newton Reis Monteiro, com pós-graduação em engenharia de petróleo pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, competente funcionário da Petrobrás por 38 anos, de 1963 a 2001 e do corpo técnico da ANP (Agencia Nacional de Petróleo)de 2001 a 2008, faz um alerta grave:

1. - “A subordinação da Petrobrás a interesses políticos e eleitorais não é saudável. A carnavalização do pré-sal gera serias preocupações nos grupos técnicos, nos profissionais de carreira da empresa.A campanha para a exploração do pré-sal terá de ser revista. É necessário saber o que vai ocorrer no Brasil. Se o país continuar a crescer e o pré-sal continuar com projeções para dez anos, corremos o risco de perder a autossuficiência”.

Tecnicos
2– “De uns anos para cá, a Petrobrás perdeu grande parte do pessoal especializado. De acordo com a turma do recursos humanos, quase 50% do pessoal da Petrobrás tem cinco anos de experiência. São caras competentes, mas falta vivencia. Em petróleo há muito de empirismo e de experiência.”

3 - Nos anos 60, quando a gente entrava na Petrobrás, precisava fazer curso intensivo de inglês para poder falar com os chefes. Não vamos ter gente para tocar tanto projeto. Caso contrário, vamos voltar ao passado, quando entrávamos em uma plataforma e só tinha gringo”.

Capital
Nos últimos meses, com a desvalorização acionária, a Petrobrás teve o seu valor de mercado encolhido em US$ 52,9 bilhões. As incertezas e indefinições sobre o seu processo de capitalização pela emissão de novas ações no valor de US$ 50 bilhões vem afetando a valorização dos títulos.

O governo, acionista majoritário, não tendo recursos necessários para aportar no novo aumento de capital, optou, via Congresso, pela cessão, onerosa à Petrobrás, de reservas de petróleo e gás ainda a serem exploradas na camada do pré-sal, em volume equivalente a 5 bilhões de barris de óleo.

Até agora, a ANP, encarregada de identificar os reservatórios para a cessão onerosa, não se manifestou. E o que é fundamental: o volume de reservas exige certificação internacional. Vale dizer, na capitalização da empresa a União subscreverá as suas ações com saque no futuro, enquanto os acionistas minoritários subscreverão ações possuídas em dinheiro vivo.

Refinarias
Na área de refino, objetivos políticos expressados pelo próprio Presidente determinam investimentos desaconselháveis, como a construção de quatro novas refinarias no Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio.

Em 9 de junho, em Natal, Lula disse que “as novas refinarias em construção não seriam feitas se a decisão dependesse da Petrobrás.”

Lula investe contra os estudos e orientação técnica da empresa. que sustenta que as refinarias existentes atendem à demanda no Brasil. No jornal “Valor”, o próprio Lula afirmou que determinou a mudança dos planos da Petrobrás. Ao atropelar o parecer da empresa, que garante existir capacidade técnica mais do que suficiente nas atuais refinarias para atender à demanda,deixa uma bomba de efeito retardado que terá de ser desarmada.

Nos próximos anos, a Petrobrás se defrontará com o mais gigantesco programa de investimento petrolífero em todo o mundo. Para isso terá de agenciar recursos humanos, tecnológicos e financeiros crescentes. Competência e capacidade para esses desafios ela tem comprovado possuir.

Daí a necessidade de priorizar investimentos na exploração do pré-sal, expansão da Bacia de Campos, oleodutos, transportes, petroquímica, banindo a nociva subordinação da empresa a objetivos políticos e eleitorais.

Comunismo de resultados

Bruno Pontes, Mídia Sem Máscara

Com a boca cheia e o peito estufado, os endinheirados entusiastas do totalitarismo comunicam ao grande público que lutavam por uma "sociedade mais justa".

O Tribunal de Contas da União (TCU), aquele que Lula quer banir em nome da liberdade para roubar patrioticamente, irá rever as indenizações pagas aos famosos perseguidos políticos pela ditadura militar, os quais, nos últimos nove anos, multiplicam-se em progressão geométrica a cada vinte minutos.

Ao aprovar uma representação do Ministério Público que alegava que os pagamentos, feitos em prestações mensais, devem ser considerados como aposentadorias e pensões do poder público, o TCU poderá reduzir ou cancelar anistias de quase R$ 4 bilhões já aprovadas por aquele aparelho comunista denominado Comissão de Anistia.

"A revisão poderá gerar uma economia de milhões de reais aos cofres públicos. Não contesto a condição de anistiado político, mas os valores das indenizações concedidas a título de reparação econômica", diz o procurador do MP Marinus Marsico, autor da representação, para quem há ilegalidade na concessão de alguns benefícios. Ele cita o pagamento aprovado em 2007 à viúva de Carlos Lamarca, que teve direito a receber R$ 903 mil retroativos e remuneração mensal de R$ 11.444,40.

Carlos Lamarca foi aquele capitão que, no fim dos anos 60, desertou do Exército e matou brasileiros em nome do comunismo. Por este feito heróico, a Comissão de Anistia o homenageou postumamente com milhares de reais e uma promoção a coronel.

Outro barão da revolução, este ainda vivo para curtir a grana, é Diógenes Oliveira. Integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e tem no currículo a participação em um atentado a bomba que mutilou o estudante Orlando Lovecchio Filho, em março de 1968. Este recebeu pouco mais de um salário mínimo do governo por invalidez. Já Diógenes foi premiado pela Comissão de Anistia com rendimento mensal vitalício de R$ 1.627,72.

Com a boca cheia e o peito estufado, os endinheirados entusiastas do totalitarismo comunicam ao grande público que lutavam por uma "sociedade mais justa". Sua noção de justiça vinha e vem de gente como Fidel Castro, Che Guevara e Mao Tse Tung, em cujos regimes o destino dos opositores era e é a cadeia ou o cemitério.

Essa parte da história permanece obscurecida sob um manto de folclore e autobajulação. Não é possível saber a opinião dos que morreram pelas mãos de Lamarca, Diógenes e companhia. Mas os carrascos e cúmplices estão aqui entre nós, colhendo o fruto polpudo de sua revolução enquanto proferem aulas de moral e ética nos palanques da vida. Seguem o ensinamento de Lênin: "Devemos recorrer a todo tipo de estratagemas, manobras, métodos ilegais, disfarces e subterfúgios".

Em busca da saída

Míriam Leitão, O Globo

A maior privatização do governo Fernando Henrique, da Telebrás, foi feita em ano eleitoral e no meio da crise da Ásia. Não é o fato de ser ano eleitoral que dificulta a capitalização da Petrobras. Os problemas são as sucessivas mudanças de regras, os sinais contraditórios dados aos investidores, o modelo confuso. Tudo junto fez a empresa perder só este ano um quarto do seu valor de mercado.

Valor de mercado se recupera. O problema é o acionista pequeno que eventualmente tenha precisado se desfazer da ação num momento de dificuldade. Ele acabou realizando o prejuízo causado pelas trapalhadas do acionista controlador. Quando a ação subia, o presidente José Sérgio Gabrielli costumava atribuir a alta à sua administração, agora que caiu, ele não faz a mesma correlação. Há sempre uma série de fatores, e alguns aleatórios, para altas e quedas de ações, mas quando uma empresa se destaca tanto na queda é uma indicação de como os investidores estão vendo as perspectivas da empresa. Eles não estão vendo com bons olhos.

Houve várias lutas internas no governo em torno do tema. Houve uma entre a empresa, que tem pressa por causa do seu alto grau de endividamento, e a Fazenda, que teme contestações judiciais. Há de fato vários pontos obscuros em todo o projeto que vai da mudança do modelo de exploração do pré-sal à fórmula de capitalização da parte do governo. Foram dados também excessivos sinais de que a Petrobras é dirigida, não pelos seus diretores e seu conselho de administração, mas a partir do Palácio do Planalto, onde os olhos estão mais voltados para fatos a serem usados na campanha presidencial. Tanto que no programa eleitoral até a existência do pré-sal foi apresentada como mérito do governo Lula.

No segundo trimestre, o endividamento da Petrobras saltou de 32% para 34% de seu patrimônio líquido, se aproximando do limite máximo de 35% permitido para uma empresa que tem grau de investimento. A União não quer ver diluída sua participação na companhia caso ela oferte novas ações ao mercado. A solução encontrada foi transferir para a empresa o direito de exploração, que pertence à União, de cinco bilhões de barris do pré-sal. Para ceder, é preciso saber qual o valor desses ativos. Para fazer o cálculo, foram contratadas consultorias que deram preços diferentes. A ANP deu declarações de que o preço tinha que ser calibrado para aumentar a presença do Estado na empresa; autoridades do governo deram seus palpites. O que era para ser uma avaliação técnica virou um jogo político e ideológico. Para completar a confusão, o Tesouro terá que emitir títulos para entregar à Petrobras para ela ser capitalizada num primeiro momento. Quando a exploração do pré-sal começar, a União pegaria seus títulos de volta. Mas essa emissão de títulos não aumentaria o endividamento porque eles serão devolvidos, diz o governo. Uma engenharia financeira contorcionista, confusa, que gerou muitos ruídos e foi derrubando o preço das ações desde que foi anunciada há um ano. De lá para cá, a empresa já perdeu quase R$ 60 bilhões de valor de mercado.

Há um conflito na escolha do preço do barril do petróleo para definir a capitalização. Se for mais baixo, mais perto do que a consultoria contratada pela Petrobras calculou, será melhor para os acionistas minoritários que queiram acompanhar a capitalização. Ficará mais barato para eles. Se o preço for mais alto, mais perto do que a consultoria da ANP calculou, será mais difícil para o acionista, mas a União poderá ficar com uma fatia maior da empresa. Isso sem falar no detalhe técnico de que, dependendo do preço, a capitalização será maior do que a que foi autorizada pela Assembleia de acionistas. Nada é simples nesse processo.

O analista-chefe da Modal Asset, Eduardo Roche, explica que as reservas que serão cedidas são do campo do Franca, onde só houve uma perfuração. Isso complica ainda mais o cálculo. Além disso, afirma que o tempo dado às consultorias foi pequeno e que o nível de interferência política foi muito alto. Ele acha que são essas questões que deixam os investidores inseguros. A advogada Marilda Rosado, especializada no setor de petróleo e que trabalhou 20 anos na Petrobras, diz que os riscos de uma batalha judicial são grandes:

— Quem achar que a Petrobras foi prejudicada na definição do valor do barril pode entrar com uma ação; quem achar que a União foi prejudicada, também.

Nesse meio tempo, ainda ocorreu o vazamento do Golfo do México, que criou nova pressão baixista nas ações de todas as empresas petrolíferas. Mais importante que essa oscilação de mercado é que, a partir da tragédia da BP no poço de Macondo, ficou claro que as empresas produtoras de petróleo em alto-mar pagarão custos maiores em seus seguros e terão que reforçar seus procedimentos de segurança. Quando o sindicato dos petroleiros alertou para descuidos na manutenção de plataformas, a primeira resposta da Petrobras foi negar e buscar na Justiça liminar para manter a unidade em funcionamento. Diante das fotos publicadas neste jornal, que mostravam claros sinais de falta de manutenção, a empresa recuou. A Petrobras extrai a maior parte do seu petróleo no mar, por isso tem que ter cuidados redobrados nas suas atividades de exploração e disso dar ciência à opinião pública. Quanto mais cuidadosa e mais transparente for, melhor para a empresa.

O país não precisa parar porque há uma eleição. Pode-se tomar grandes decisões. Mas o cuidado tem que ser redobrado. Tomara que o governo encontre uma boa saída. Neste momento, parece estar numa armadilha que ele mesmo montou.

Dilma quer falar do passado? Eu topo. Pergunta: com ou sem arma na mão?

Blog Reinaldo Azevedo, Veja online

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje que é preciso olhar para o passado para valorizar as conquistas do presente e planejar o futuro. Em entrevista à imprensa após participar do debate entre os candidatos à Presidência promovido pela Folha e pelo UOL nesta manhã, Dilma respondeu à acusação de Serra de que a candidata “olha apenas pelo retrovisor”.

“Essa história de que não dá para olhar para o retrovisor é um perigo enorme para um País que tem a história que nós temos”, disse Dilma. “Temos uma história de ditadura e temos de olhar para ela para valorizar a democracia. Temos uma história de baixo crescimento e, por isso, valorizamos o alto crescimento. Temos uma história de desigualdade de renda vergonhosa. Por isso, temos de perseguir a erradicação da pobreza. Quem não tem história e passado, não tem presente nem futuro. Temos de aprender com o que fizemos”, acrescentou.

Na entrevista, Dilma ironizou o jingle de campanha de José Serra, exibido no programa do horário eleitoral de TV ontem, que diz “depois de Lula quero o Serra lá (na Presidência)”. “Eu acho interessante o pessoal que fala mal do governo Lula e coloca, na primeira estrofe do seu jingle, o nome do presidente Lula”, disse.

A candidata afirmou ter gostado do debate e afirmou que o ponto alto foi a interatividade com os internautas. Dilma afirmou também que os próximos programas eleitorais dela na TV vão exibir a realização de obras, como rodovias, ferrovias e usinas hidrelétricas e estaleiros em todo o País. “Vamos ter a oportunidade de mostrar tudo aquilo que fizemos e o Brasil ainda não conhece”, disse.

Dilma considerou “deselegante” a pergunta de uma jornalista que participou do debate sobre seu estado de saúde, após o tratamento para combater um câncer linfático. “Vocês podem ficar descansados. Ninguém com alguma doença segura uma campanha eleitoral, como eu seguro”, afirmou.

Dilma não quis comentar as acusações sobre a suposta ligação entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - questão que foi levantada pelo vice de Serra, Indio da Costa (DEM). “Eu lamento, mas não vou responder a esse senhor”, afirmou.

Comento
Vamos por itens?

1 - Se é para considerar o passado, então cumpre lembrar que o PT se opôs a todos os princípios de macroeconomia que agora segue. E só os segue porque seus adversários tucanos os implementaram, contra o voto do partido. De todas as tentativas do PT de sabotar o governo FHC, creio que a mais vigarista foi a campanha contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Chegaram a recorrer ao Supremo. Vamos olhar o passado?

2 - Se é para olhar o passado, é preciso olhar o passado de Dilma Rousseff, não é mesmo?, do qual ela se orgulha. E isso significa orgulhar-se de ter pertencido a grupos terroristas que mataram pessoas. Ou lembrar esse “passado” é “baixaria”, coisa de “mau gosto”? O passado do PSDB foi a estabilização da economia. Dilma nega ter lutado de arma na mão. Os documentos sobre o período revelam que ela foi uma espécie de caixa dos que lutaram de arma na mão, vitimando inocentes. Vamos falar sobre o passado?

3 - Dilma não quer comentar as relações do PT com as Farc? Poderia ao menos ter repudiado o terrorismo daquela organização. Por que não o repudia? Hoje, uma carta de seu chefe será lida no Foro de São Paulo, que reúne ditadores da América Latina. As Farc são fundadoras do Foto, com Lula e Fidel Castro. Vamos falar sobre o passado?

4 - É “mau gosto” lembrar sua doença? Quem foi que fez proselitismo a respeito até em debate na televisão? Dilma Rousseff. Quer dizer que o câncer é virtuoso se é para se colocar como vítima e ganhar votos, mas deve ser assunto vetado caso se lembre que, com efeito, pode-se eleger Dilma e ser governado por Michel Temer? Nem oposição nem jornalismo transformaram o câncer em assunto eleitoral. PT e Dilma o fizeram. Tão logo se ficou sabendo da doença, Marco Aurélio Garcia - ele mesmo! - chegou a tratar a coisa como um ativo eleitoral. Vamos falar sobre o passado?

A análise de Elio Gaspari

Nivaldo Cordeiro, Media Watch - Folha de S. Paulo

Temos os institutos de pesquisa sob suspeita e a mídia, exemplificada pela própria ação de Elio Gaspari, enganando o eleitorado leitor de forma vil. E a covardia habitual das lideranças do PSDB para enfrentar o continuísmo petista, um perigo para as instituições democráticas.

Quero comentar aqui o artigo de Elio Gaspari ("Modelo Serra Palin emborcou") publicado ontem (18) na Folha de São Paulo, pois ele é muito relevante como instrumento para explicitar os desacertos da candidatura de José Serra à Presidência da República e o modo de operação do PT, que está firmemente determinado a se manter no poder a qualquer preço.

O primeiro ponto é que o articulista da Folha de São Paulo aceita como de boa fé o resultado das pesquisas eleitorais de intenção de votos que têm sido divulgadas. Nem mesmo a variação extrema que apresentam entre si leva Elio Gaspari a pensar que pode haver algo de muito estranho acontecendo dentro dos institutos. Eu tomo o que já apontei anteriormente no Datafolha para duvidar que essas pesquisas estejam corretas: aquele instituto registrou crescimento na intenção de votos na candidatura de Geraldo Alckmin para governador do Estado e queda na preferência por José Serra no eleitorado paulista. Não houve qualquer fato novo para que os paulistas viessem a repudiar seu antigo governador, aliás tido como bom governante e que tem amplo amparo partidário no Estado, sem as traições verificadas em outras localidades em que o PSDB governa.

Essa óbvia inconsistência não foi sequer notada. Os demais institutos parecem estar praticando o campeonato para ver quem aumenta mais a vantagem de Dilma Rousseff em relação a José Serra, sem qualquer pé na realidade factual. Tenho a sensação que essas pesquisas estão enviesadas pelo esmagador poder econômico e político do governo federal, controlado pelo PT. Não tem havido qualquer fato novo que justifique esse descolamento da candidata Dilma Rousseff de José Serra. Tais notícias sobre pesquisas mais parecem fato midiático inventado para induzir o eleitorado para os braços do PT. Ao menos para o eleitorado paulista eu ponho em dúvida a veracidade dos resultados divulgados.

Que paralelo há entre Sarah Palin e José Serra? Nenhum. Serra sempre foi de esquerda, sempre apareceu sereno e tranqüilo aos seus eleitores e não tem nenhuma verve mais exaltada. Sarah, ao contrário, abraça abertamente as teses da direita mais radical, é implacável na sua retórica e sempre se opôs de forma inflexível ao adversário, Barack Obama. O jornalista Elio Gaspari foi muito infeliz na sua analogia e mais parece querer passar a mensagem para seus leitores de que José Serra é um "perigoso" direitista. Propaganda subreptícia da Dilma? A mim me parece. Propaganda enganosa, diga-se.

O discurso destoante de José Serra em relação ao seu passado de esquerda se concentra em três pontos, que nada contêm de radicais: 1- Rever a política econômica, sobretudo a política monetária, que tem sido o instrumento pelo qual os rentistas do Brasil têm se apropriado de forma crescente do orçamento público. Nenhuma racionalidade econômica justifica a manutenção artificial dessa taxa de juros básica elevada, a maior do mundo. Claro que isso colocou a plutocracia contra ele, tanto que sua candidatura tem tido dificuldades de levantar recursos para financiar a campanha. O candidato dos muito ricos é Dilma Rousseff, não José Serra, suposto direitista. 2- Sua proposta de enfrentar com força federal o tráfico de drogas e o crime organizado. A ver o que se passa no México, na Colômbia e em outros países dominados pelo narcotráfico, José Serra está certo. Claro que isso equivale a uma declaração de guerra às FARC, aliadas do PT no âmbito do Foro de São Paulo e acusadas de ter financiado a candidatura de Lula anteriormente; e 3- Mudança na política exterior, acabando com a relação promíscua do governo brasileiro com governos delinqüentes, como o do Irã e da Venezuela.

Assim Gaspari fechou o artigo: "Quatro meses de campanha crispada renderam nada aos tucanos. Em março, ao deixar o governo de São Paulo, Serra lembrou-se de Guimarães Rosa: 'Mestre não é quem ensina, mestre é quem, de repente, aprende'". Campanha crispada? Quem viu isso? Tirando a coragem do candidato a vice do Serra, de fazer a ligação direta entre o PT e as FARC, o que se tem é uma campanha de compadres, com José Serra se recusando a adotar o único campo não controlado pelo PT, a centro-direita, que lhe garantiria as eleições. O telhado de vidro do PT é imenso, basta que o candidato venha a público contar o que aqueles que são bem informados já sabem e que, ao invés de pôr Índio da Costa para bater no ponto das FARC, ele mesmo o faça. Guimarães Rosa entrou aí como Pilatos no Credo. Nada a ver. Serra sempre soube ser esquerdista de carteirinha.

Em resumo, temos os institutos de pesquisa sob suspeita e a mídia, exemplificada pela própria ação de Elio Gaspari, enganando o eleitorado leitor de forma vil. E a covardia habitual das lideranças do PSDB para enfrentar o continuísmo petista, um perigo para as instituições democráticas. Os brasileiros são vítimas da conspiração midiática e da covardia e omissão das únicas lideranças que poderiam servir de obstáculos aos planos hegemônicos e continuistas do PT.

Dilminha paz e amor

Guilherme Fiúza, Revista Época

O Brasil respira aliviado. A candidata que lidera as pesquisas para presidente não é nada daquilo que você estava pensando. Você é um maldoso.

Dilma Rousseff é uma flor de pessoa. Um doce de coco. Depois de assistir à sua aparição no primeiro dia do horário eleitoral, não há o que temer. Se ela for eleita, o Brasil será um lugar aconchegante – quase um útero materno.

Todas as fotos fofinhas de álbum de família, desta vez, pareciam ser dela mesma. A famosa foto de Norma Benguell, sua dublê nas passeatas de 68, ficou fora da edição. Em compensação, o Brasil conheceu o cachorro de Dilma Rousseff.

Essa mulher tenra que, como sabemos agora, vive imersa num mar de sentimentos bons, que tem cada passo guiado pelo amor ao próximo (não ao próximo cargo, como alguns imaginavam) – essa mulher, enfim, tem um cachorro.

E a julgar pelo tempo ocupado pelo animal no horário político, ele é quase tão importante quanto Lula. O ex-governador Olívio Dutra aparecia dizendo que Dilma é ótima para trabalhar em equipe, e lá vinha o cachorro, obediente, trazendo de volta o objeto atirado pela dona. Um argumento e tanto.

Nas imagens de harmonia e felicidade entre Dilma Rousseff e seu cão fiel, não aparece nenhuma patada – daquelas que a dona costumava dar em seus interlocutores, especialmente jornalistas. Pelo visto, foi tudo um mal-entendido. A ex-ministra de Lula que reapareceu no horário eleitoral só tem paz e amor no coração.

A prova disso é o seu sorriso de menina ao contar que viu, aos 17 anos, o Brasil cair nas mãos dos militares. Ela estava na escola, e a agitação do momento político a encantava. Dir-se-ia que Dilma estava narrando uma gincana colegial. Depois foi presa, e também na prisão aprendeu a viver em harmonia.

O Dalai Lama ia morrer de inveja de tanta serenidade.

Na vida da verdadeira Dilma, que finalmente conhecemos graças ao emocionante filme feito por seus marqueteiros, não há nem sombra de autoritarismo. Aquela megera que invadia a Receita Federal para mandar ajudar o Sarney, que organizava dossiês contra adversários políticos, que conspirava com os companheiros chavistas contra a imprensa burguesa, que fraudava seu próprio currículo para virar doutora – essa mulher, felizmente sabemos agora, não existe.

Quem existe é a mãe zelosa, que tem basicamente duas preocupações na vida: o sono de sua filha única e a proteção aos pobres.

Lula disse, no programa, que bastou um único encontro com Dilma em seu gabinete para transformar a desconhecida em ministra. A bondade realmente é um dom irresistível.

E lá vai o Brasil às urnas, embalado por essa cantiga de ninar. Um dia ele acorda.

Prometem cidadãos, entregam maus alunos

Carlos Alberto Sardenberg, Instituto Millenium

Há algum tempo, em visita ao Brasil, um diretor do Ministério da Educação da China alinhava as razões pelas quais seu país logo seria a segunda potência econômica do mundo. Além dos motivos clássicos – rápido crescimento, elevado nível de poupança e investimento, muita pesquisa em novas tecnologias, escola de qualidade – acrescentou um que chamou a atenção: na China, dizia, com orgulho, há 300 milhões de jovens estudando inglês, bom inglês. E isso é igual à população dos Estados Unidos, onde nem todo mundo fala inglês, acrescentava, com satisfeita ironia.

Quantos jovens estudam inglês a sério no Brasil? E quantos nas escolas públicas?

Em compensação, nos últimos três anos, conforme leis aprovadas no Congresso, os alunos do ensino básico brasileiro passaram a ter aulas de filosofia, sociologia, artes, música, cultura afro-brasileira e indígena, direitos das crianças, adolescentes e idosos, educação para o trânsito e meio ambiente.

Como não aumentaram o número de horas/aula nem o número de dias letivos, é óbvio que o novo currículo reduz as horas dedicadas a essas coisas banais como português, matemática e ciências.

Vamos falar francamente: isto não tem o menor sentido. É um sinal eloquente de como estão erradas as agendas brasileiras.

Dirão: mas nossas escolas precisam formar cidadãos conscientes, não apenas bons alunos.

Está bem. Então vai aqui a sugestão: dedicar os sábados e talvez algumas manhãs de domingo para essa formação. Não há melhor maneira de conhecer a cultura indígena do que visitar aldeias, aos sábados, um passeio educativo. Artes plásticas? Nos museus e nas oficinas. Música? Que tal orquestras e bandas que ensaiariam aos sábados ou durante a semana depois das aulas? Meio ambiente? Visitas às florestas e parques. Consciência de trânsito? Um sábado acompanhando os funcionários pelas cidades.

E assim por diante. Como aliás se faz nos países asiáticos, conhecidos pela qualidade de seu ensino. Mas é mais complicado, exige organização, um pouco mais de dinheiro, mais trabalho, especialmente nos fins de semana, e professores e instrutores mais qualificados e entusiasmados com as funções, obviamente com boa remuneração.

Em vez disso, determina-se a inclusão de algumas aulas no currículo e está completa a enganação: ninguém vai aprender a sério nenhuma dessas “disciplinas do cidadão”, assim como a maioria não aprende a contento português, matemática e ciências.

Inglês então, nem se fala, porque aí tem um componente ideológico. É a língua do imperialismo. (Embora seja provável que dentro em pouco seja a língua do imperialismo chinês).

Mas reparem que, quando se trata de estudar mesmo, nem essa ideologia esquerdo-latina ajuda. Diz o pessoal: como estudar inglês se somos todos latino-americanos, bolivarianos e amamos Chávez? Vai daí que vamos ensinar o espanhol a sério? Já seria uma grande ajuda, mas esquece. Até já se disse que o espanhol seria obrigatório, mas não vingou. Talvez porque o espanhol seja a língua dos colonizadores? Não se espantem se alguma emenda mandar que todos aqui estudem as línguas dos índios.

A sério: todos os testes, nacionais e internacionais, mostram que nossos alunos vão mal em português, matemática e ciências. Todos os estudos mostram que isso cria um enorme problema para as pessoas e para o país. Para as pessoas, porque não conseguem emprego numa economia da era do conhecimento. E para o país, porque, com uma mão de obra não qualificada, perde a batalha crucial dos nossos dias, a da produtividade tecnológica.

Reparem: isso é sabido, provado e demonstrado. E fica por isso mesmo. Por isso mesmo, não. Tiram tempo de português para incluir uma rápida enganação de cultura afro.

A agenda equivocada atravessa todo o ensino brasileiro. Nada contra as ciências sociais e as artes, mas, responda sinceramente, caro leitor, cara leitora, é normal, é razoável que a PUC-Rio tenha formado, no ano passado, 27 bacharéis em cinema, três físicos e dois matemáticos?

É normal que, em 2008, as faculdades de todo o Brasil tenham formado 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas? Como comentou o cineasta e humanista João Moreira Salles, em evento recente da Rádio CBN, nem Hollywood tem emprego para tantos cineastas quanto os que são formados por aqui. E sobre 128 cursos superiores de moda no Brasil: “Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes.”

Duvido. As escolas de moda precisariam ser eficientes, o que está longe da realidade.

Na verdade, há aqui uma perversidade sem tamanho. As pessoas das classes mais pobres e os pais que não estudaram já estão convencidos que seus filhos não vão longe sem estudo. Tiram isso, com sabedoria, de sua própria experiência. E fazem um sacrifício danado para colocar os filhos nas escolas e levá-los até a faculdade, particular, paga, na maior parte dos casos.

Quando conseguem, topam com a perversidade: os rapazes e as moças pegam o diploma superior, mas não estão prontos para o trabalho qualificado. Com o diploma, caro, guardado em casa, fazem concurso para gari, por exemplo.

Uma injustiça com as famílias pobres, um custo enorme para o país e a desmoralização do estudo.

Se tivessem planejado algo para atrasar o país, não teriam conseguido tanto êxito.

Fracasso do saneamento

Editorial Estadão

Rede de esgotos, fundamental para a saúde e para o desenvolvimento econômico, ainda é um luxo em quase metade das cidades brasileiras. Em menos de meio século, a migração do campo para a cidade mudou radicalmente a distribuição espacial da população. Pelo menos 85% dos brasileiros vivem hoje em cidades. Mais do que nunca precisam de serviços públicos de saneamento. Em 2008, no entanto, só 55,2% dos municípios dispunham de coleta por meio de rede sanitária. A informação é da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico divulgada na sexta-feira pelo IBGE. A melhora foi mínima desde a virada do milênio. Em 2000, a proporção era de 52,2%. O aumento foi de apenas 3 pontos porcentuais, embora o País tenha atravessado uma fase de prosperidade. Nesse período, a receita de impostos e contribuições cresceu rapidamente em todos os níveis de governo.

A média nacional de 55,2%, no entanto, ainda esconde situações dramáticas na maior parte dos Estados e regiões. No Sudeste, em 2008, havia redes coletoras de esgotos em 95,1% dos municípios. Em nenhuma outra região a proporção chegava a 50%. A melhor condição era a do Nordeste, com o serviço em 45,7% dos municípios.

O saneamento continuou precário mesmo nas áreas com redes coletoras. Nessas, 33,5% dos domicílios tinham acesso ao serviço em 2000. Oito anos depois eram 44%. (Mais de metade, só no Sudeste, com a proporção de 69,8%.) Só três unidades da Federação tinham números superiores a 50%: Distrito Federal (86,3%), São Paulo (82,1%) e Minas Gerais (68,9%).

Vários fatores contribuíram para a persistência de condições tão ruins. A Lei do Saneamento Básico só foi aprovada e sancionada em 2007, depois de quase dez anos de discussões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só assinou o decreto de regulamentação dessa lei há cerca de dois meses, no dia 21 de junho. Alguns Estados e municípios dispõem há muito tempo de serviços bem estruturados e com boa base técnica. Esses foram menos prejudicados pela demora na tramitação do projeto de lei.

Houve dificuldades, em muitas partes do Brasil, para a conclusão de contratos entre o setor público e possíveis prestadoras de serviços de saneamento. Além disso, muitos governos municipais foram incapazes, por falta de qualificação técnica, de preparar os projetos necessários para o recebimento de recursos federais. Havia dinheiro, mas faltavam condições técnicas e administrativas para a sua aplicação em programas de saneamento.

Esse detalhe foi aparentemente menosprezado quando se elaborou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007. A participação dos governos estaduais e municipais seria essencial para a realização de investimentos importantes, mas não estavam preparados. O problema só foi percebido muito depois. Resultado: apenas 12% das obras de saneamento previstas no PAC foram concluídas até abril deste ano, segundo levantamento publicado na quinta-feira pela organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças e da gestão públicas. Os dados constam de 27 relatórios estaduais do Comitê Gestor do PAC divulgados em junho.

Das 8.509 ações programadas para o período 2007-2010, só 1.058 foram terminadas até abril. Estavam sendo executadas 2.627. As demais 4.824 continuavam em licitação, contratação ou ação preparatória - no papel, portanto.

A Fundação Getúlio Vargas tem realizado pesquisas sobre os problemas de saneamento e suas implicações econômicas e sociais. Segundo estudos citados num desses trabalhos, cada R$ 1 aplicado em saneamento resulta em economias na faixa de R$ 1,50 a R$ 4 em gastos com saúde. Além disso, há uma significativa redução nas faltas à escola e ao trabalho e, portanto, menor desperdício de recursos e de oportunidades. Um trabalhador com acesso à rede de esgotos tem produtividade cerca de 13% maior que a de pessoas sem esse benefício. Tem maior possibilidade, portanto, de ganhar mais e de elevar as condições de vida e as perspectivas de progresso da família. Nesse caso, como no da educação, os efeitos tendem a multiplicar-se e os benefícios vão muito além do indivíduo.

La otra Cuba

Ipojuca Pontes , Mídia Sem Máscara

No momento em que o Foro de São Paulo, a vertente da criminosa OLAS, de Fidel, trama o nosso futuro em encontros internacionais furtivos, com o objetivo de nos transformar em sub-homens, é mais do que oportuno se tomar conhecimento, pelo milagre da Internet, de filmes do porte de "A Otra Cuba".

Durante cinco dias desta semana, reuniram-se em Buenos Aires, Argentina, representantes do 16º Encontro do Foro de São Paulo, somando delegações de 21 países do continente, com o objetivo de debater e colocar em prática propostas e resoluções para se implantar, na próxima década, o Socialismo do Século XXI no espaço latino-americano (e em particular no Brasil, seu carro-chefe, com a eleição da guerrilheira Dilma Rousseff ao cargo de presidente da República).

Para quem não sabe, o Foro de São Paulo é a recriação, nos tempos atuais, da antiga OLAS (Organização Latino-americana de Solidariedade), entidade (subversiva) internacional fundada por Fidel Castro e Salvador Allende, em Havana, na metade dos anos 1960, inspirada na idéia criminosa de se abrir várias frentes de luta para libertar a América Latina da influência do "imperialismo ianque e seus comparsas opressores", no fundo, trocado em miúdos, a velha tentativa de materializar a fórmula preconizada pelo "Che" Guevara de se instalar "um, dois, três, mil Vietnãs na América Latina".

De fato, os anos 1960 foram decisivos para a propagação do modelo revolucionário cubano no espaço continental. Na prática, no entanto, embora Fidel Castro ainda permaneça à frente do poder na ilha-cárcere, a expansão do seu socialismo por meio da luta armada, conforme previsto, fracassou feio. Ou melhor, fracassou miseravelmente.

É justamente do fracasso da Revolução de Fidel que trata o bem estruturado "A otra Cuba", documentário dirigido por Orlando Jiménez-Leal e Jorge Ulla, tendo como âncoras os jornalistas exilados Valério Riva e Carlos Franqui - este último autor do livro "Retrato de Família com Fidel" e um dos homens-chave dos primeiros anos da revolução, com poderes para convocar e dispensar ministros.

O documentário em pauta, de 2 horas de duração, com formato para exibição em capítulos televisivos, representa a soma de dois anos de trabalhos empreendidos pelas produtoras SPA, SACI, R.A.I. e Guede Films.

O documentário, agora disponível no Youtube, é um painel abrangente, dividido em onze partes, evoluindo numa montagem célere, convergente e divergente, a confrontar fatos e versões que nos dão conta da ruinosa presença da revolução cubana dentro e fora da ilha-cárcere.

O relato cinematográfico começa por citar a frase de Cristóvão Colombo que distingue Cuba como "a terra mais formosa já vista pelos olhos humanos", para depois, por antagonismo, em corte seco, mostrar levas de cubanos (dez mil, de início) invadindo a Embaixada do Peru para pedir asilo.

Neste enrodilhado concêntrico, dividido em temas e subtemas, o documentário evoluí de forma objetiva e envolve plenamente o espectador. Na sua primeira parte, o rico acervo de imagens nos mostra a Cuba do ditador Fulgêncio Batista que, ao contrário do que se imagina, não era apenas a república "bananena" decantada por Fidel, mas, sim, uma nação catalogada entre as cinco potências do continente.

(De fato, em que pesem os tentáculos da violência política e da corrupção praticadas durante o governo do ex-sargento telegrafista, Cuba apresentava um padrão de vida qualificado, nele incluídos elevados índices de educação e saúde, longe de se definir apenas como o "prostíbulo da América" vulgarizado por Castro - ou pelo menos não tanto quanto a imagem projetada hoje pela ilha caribenha, transformada num "paraíso sexual" para o regozijo da ávida burguesia peninsular ibérica.

No histórico, passados os primeiros dias de entusiasmo com a vitória de "la revolución", logo o povo cubano se deu conta das mentiras de Fidel. Fuzilamentos em massa, desapropriações de terras e de empresas nacionais e estrangeiras, perseguições, prisões, falta de liberdade e de democracia são, nesta fase, os ingredientes mais corriqueiros a nutrir o revolucionário cardápio do novo ditador.

O povo, neste caldeirão efervescente, representa muito pouco. Com o passar dos tempos, sucessivas crises se instalam no seio da revolução e o "paraíso" caribenho se transforma num autêntico inferno. Os alimentos são racionados e repassados em cotas à população. Pela total incompetência dos seus dirigentes, fracassam os projetados aumentos de produção nas safras de açúcar e café. E a solução encontrada por Fidel para sair do atoleiro não poderia ser pior: transformar Cuba, localizada no quintal dos Estados Unidos, num satélite de Moscou.

Mas se o povo não tem direito a nada, os integrantes da nova classe dirigente têm todos os direitos. Como informa um dos irados depoentes do filme, "Eles (os dirigentes) navegam em limousines, bebem exaustivamente, se apropriam dos melhores palacetes, viajam, se hospedam nos bons hotéis e freqüentam os melhores restaurantes" - reproduzindo, em tudo, o esquema da famigerada nomenklatura soviética, que curtia a vida na base do vinho e da lagosta.

Vinte anos após a revolução redentora de Fidel, para fugir das filas, fome, prisões e trabalhos forçados, cerca de meio milhão de cubanos procuraram a todo custo sair do paraíso caribenho transformado em inferno. Destino: Miami, Florida, o antigo feudo dos Irmãos Moreno. Objetivo: começar vida nova.

Em menos de uma década já não se fala mais na Miami das praias e dos cassinos, mas, sim, na Miami dos cubanos, a "Little Havana" ocupada por advogados, comerciantes, artistas, operários, políticos e camponeses. No novo mundo livre, eles, os exilados de Fidel, se transformaram em presidentes de empresas, gerentes de companhias aéreas, laureados fotógrafos de Hollywood, prósperos homens de negócios, diligentes industriais. Enriquecidos pelo trabalho com dignidade, carregam nas costas a "velha Cuba", a ilha revolucionária e miserável, onde sobrevivem, às duas penas, sob o tacão dos irmãos Castro, os velhos e inesquecíveis parentes, familiares e amigos.

Em suma: no momento em que o Foro de São Paulo, a vertente da criminosa OLAS, de Fidel, trama o nosso futuro em encontros internacionais furtivos, com o objetivo de nos transformar em sub-homens, é mais do que oportuno se tomar conhecimento, pelo milagre da Internet, de filmes do porte de "A Otra Cuba". Ele funciona, no mínimo, como um necessário e vigoroso grito de alerta.

Direitos humanos às escuras

Sergio Fausto, Estadão

Em artigo na Folha de S.Paulo no domingo passado, o chanceler Celso Amorim criticou a diplomacia do "dedo em riste" na área dos direitos humanos. Afirmou que esta agrada à plateia, mas não protege de fato as vítimas de violações daqueles direitos. Mais eficazes seriam as negociações de bastidores com os Estados violadores, conforme proposta apresentada pelo Brasil ao grupo de 19 países incumbido de refletir sobre o fortalecimento do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A manifestação de Amorim - que parece ter-se esquecido da importância das pressões internacionais para o fim do apartheid na África do Sul e das ditaduras militares na América do Sul - indica que continuamos a distanciar-nos da política externa seguida pelo País nessa área, desde o retorno à democracia até o governo Lula.

Nesse período não praticamos a diplomacia do "dedo em riste" nem deixamos de reconhecer com realismo os limites da ação externa para proteção dos direitos humanos, muito menos de ponderar pragmaticamente os nossos interesses econômicos e políticos. No entanto, marcamos com clareza o compromisso com o valor universal dos direitos humanos. Subscrevemos um conjunto de convenções internacionais (a começar pela Convenção Contra a Tortura) que nos havíamos recusado a assinar sob a ditadura militar. E inscrevemos na Constituição a determinação legal que dá prevalência aos direitos humanos na condução da política externa.

No atual governo acumulam-se sinais de mudança. Discretos, mas significativos, na atuação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Visíveis nas ações e nas palavras dos principais formuladores da política externa, a começar pelo presidente da República.

A nova orientação da política externa obedece a um diagnóstico segundo o qual o tema dos direitos humanos é manipulado pelas grandes potências ocidentais. Ninguém o exprime melhor do que Samuel Pinheiro Guimarães. Para o ex-segundo homem do Itamaraty e hoje ministro de Assuntos Estratégicos, a defesa dos direitos humanos "dissimula, com sua linguagem humanitária e altruísta, as ações táticas das grandes potências em defesa de seus interesses estratégicos". O alvo da crítica são, principalmente, os Estados Unidos, cuja hegemonia no sistema internacional representaria um dos principais obstáculos, se não ameaça, à projeção do Brasil na cena global, como se lê em seu livro Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes. Ou seja, a defesa dos direitos humanos, assim como a defesa da não-proliferação nuclear, presta-se, na prática, ao congelamento do poder mundial tal como hoje se distribui. O resto seria retórica, mal ou bem-intencionada.

Se queremos e podemos tornar-nos um dos gigantes do mundo, e se a defesa dos direitos humanos não é senão a forma como os interesses das "potências ocidentais" se travestem em preocupações humanitárias, o objetivo do Brasil deve ser o de remover a maquiagem ideológica que recobre o tema nos fóruns multilaterais. Não para afirmar o valor em si, e nossas credenciais diferenciadas em relação a ele, mas para relegá-lo a um plano secundário. Quem sabe, com o propósito de livrar-nos dos constrangimentos que a deliberação à luz do dia sobre eventuais casos de violação dos direitos humanos pode impor à nossa movimentação internacional, agora que, acredita-se, nos estamos tornando um dos gigantes do planeta.

Fazer alianças pontuais para questionar a distribuição de poder atual no mundo é objetivo legítimo e oportuno. Ele vem sendo, porém, perseguido ao preço da leniência com violadores contumazes dos direitos humanos. Fica a impressão, certa ou errada, de que a proposta defendida por Amorim tem entre suas motivações a de reduzir o dano moral que a política externa do atual governo na área dos direitos humanos provoca na imagem internacional do Brasil. Figurativamente, em vez de repensar nossa atuação em cena, preferimos apagar a luz do palco.

Para ser efetiva, a proteção internacional dos direitos humanos precisa do olhar vigilante, da ação ruidosa, às vezes equivocada, mas sempre indispensável, de ONGs ligadas ao tema. Não é preciso idealizar o que seja esse embrião de uma sociedade civil internacional para reconhecer sua importância, tanto mais agora que países com regimes autoritários e repressivos ganham peso na balança de poder global. Estaríamos querendo nos proteger desse olhar para mais livremente manejar nossos interesses econômicos e nossa projeção de poder na nova ordem multipolar?

A visão de mundo expressa por Samuel Pinheiro Guimarães é compartilhada por grande parte das forças políticas de sustentação do atual governo. Comunga o PT o diagnóstico de que a defesa dos direitos humanos é parte da hegemonia norte-americana. O antiamericanismo é um elemento de coesão no campo das esquerdas menos ou não-democráticas, sobretudo na América Latina, onde o partido construiu uma ampla rede de alianças. Serve para defender as violações dos direitos humanos em Cuba e para justificar Chávez e o chavismo. Explica também certa simpatia por grupos como o Hezbollah e o Hamas e a complacência com Ahmadinejad.

Tem razão quem diz que os Estados Unidos não nos devem servir de modelo. Em muitas ocasiões, desde que se tornou uma potência econômica e militar, a atuação externa desse país conflitou com os valores democráticos que professa. A questão, porém, não se resume a questionar as credenciais dos Estados Unidos. O fato de tais credenciais serem questionáveis não nos libera de responder à pergunta e prestar contas sobre o lugar que valores fundamentais como a defesa dos direitos humanos terão em nossa política externa, agora que projetamos nossos interesses e nossas aspirações de poder em escala global.

Será que para sermos gigantes precisamos apequenar-nos na sustentação de valores que devem marcar a nossa identidade internacional?

E o gigolô do poder mostra as garras

Comentando a Notícia

Até que demorou para o PMDB, finalmente, mostrar suas garras. Este verdadeiro gigolô do Poder, parecer ser insaciável no fisiologismo que marca sua atuação em todos os governos democráticos (?) de 1985 para cá.

Para este covil de larápios, o interesse do país deve ser irrelevante quando se trata de garantir ao partido os privilégios de repartir o Estado em capitanias, em feudos. Primeiro, e sempre, os interesses escusos que se ocultam nas alianças cretinas.

E nem sequer o pleito foi realizado e lá estão os fisiológicos insatisfeitos em apenas participar do governo, querem a carteira de sócio-proprietário do Estado para dele extrair o máximo de vantagens pessoais mesmo que a custa da completa falência da moral. Não se peça a esta gente escrúpulos e honestidade de propósitos. Nunca. Para os gigolôs não importa se a prostituta está doente ou não: eles querem saber da féria diária que lhes cai no bolso. O resto que se dane.

Assim, excelente e esclarecedor (para os incautos, é claro), o artigo de João Domingos e Christiane Samarco publicado no Estado.

A 42 dias da eleição, PMDB reivindica dividir poder ''meio a meio'' com PT

Em caso de vitória de Dilma, partido de Temer deixaria de agir como 'convidado', passando a atuar como um dos 'donos da casa'

Poder dividido "meio a meio". Assento no Planalto, entre os "ministros da casa", e no Conselho Político que assessora o presidente da República. Henrique Meirelles na equipe econômica. Ministérios de "porteira fechada", os cargos de sempre nas estatais e postos de comando nas vedetes do petróleo, a Petrobrás e a Petro-Sal. Senado e Câmara sob seu comando.

Com a campanha eleitoral em curso e ainda a 42 dias da abertura das urnas, é com essa precisão cirúrgica, alimentada pela liderança nas pesquisas da candidata aliada, Dilma Rousseff (PT), que o PMDB já define as regras de ocupação do poder. Como presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), no posto de vice da chapa presidencial, o PMDB estima o tamanho da cota futura de poder baseado no argumento de que agora, se Dilma ganhar, o partido não é mais "um convidado", mas na verdade um dos "donos da casa", o Palácio do Planalto.

A diferença entre "convidado" e "dono da casa" deriva do fato, como explicam os peemedebistas, de que, um governo Dilma seria fruto da coalizão do PT com o PMDB, e não de simples aliança construída depois da vitória - o que aconteceu, por exemplo, nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Núcleo.
Por isso é que o partido, na condição de sócio-proprietário, já dá como certa a presença de um representante no núcleo político do Palácio do Planalto. "Fomos o primeiro partido a assinar com o presidente Lula um compromisso de união política pela democracia, liberdade de imprensa e de opinião, respeito aos direitos humanos e aos movimentos sociais. Com Lula e com Dilma voltamos a ser o velho MDB, que combateu a ditadura", diz Moreira Franco, escalado para coordenar o programa de governo da candidata petista pelo lado do PMDB.

Depois de passar por uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal e assumir um lugar na coordenação da campanha presidencial, Moreira Franco sonha com um ministério: o das Cidades, que tentou criar na gestão Fernando Henrique Cardoso e só viu a proposta se concretizar no governo de Lula.

Como o partido conseguiu seis ministérios após aderir formalmente ao segundo governo Lula (2007-2010), passando a comandar orçamento superior a R$ 100 bilhões, o cenário pretendido na hipótese de vitoriosa a chapa PT-PMDB supera, em muito, as cifras e o atual espaço de poder.

A legenda, agora, quer assento no Palácio do Planalto, com participação garantida no núcleo da tradicional reunião das 9 horas com o presidente da República, e quer também ministérios em que os postos-chave não sejam divididos com outros aliados - a tal "porteira fechada". Além das estatais e da Petrobrás e da futura Petro-Sal, o partido lembra que é candidato a também ratear poder nas agências reguladoras.

Pré-acerto.
Em matéria de cargos, o PMDB já tem até pré-acerto para fincar um pé na área econômica do futuro governo. O passaporte para o Ministério da Fazenda ou do Planejamento é o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se filiou ao partido em setembro passado, a pedido do presidente Lula. Também foi Lula quem deu a Meirelles a carta de garantia de que, se vitoriosa a chapa de Dilma, seu lugar na equipe ministerial está garantido.

No fim de março, quando Meirelles já não tinha expectativas de se tornar o vice de Dilma, Lula o chamou ao Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. "O PMDB não abre mão de Michel Temer. Então, peço que fique no Banco Central", disse Lula ao presidente do BC. Meirelles concordou em ficar, mas, em troca, o PMDB goiano arrancou de Lula e Dilma a promessa de que o atual responsável pela política de juros terá lugar no primeiro escalão do eventual governo da petista.

Além de Meirelles, outro nome que o PMDB dá como certo numa pasta específica é o do senador Edison Lobão (MA) à frente de Minas e Energia. Lobão conseguiu a proeza de conquistar Dilma, depois de chegar desacreditado a uma área com a qual tinha pouca intimidade, na condição de afilhado do presidente do Senado, José Sarney (AP).

A dupla Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), deve manter na administração Dilma a influência que teve na gestão Lula. O atual presidente não se esquece de que no Maranhão tem 97% de aprovação dos eleitores, maior até do que no Amazonas - onde, em 2006, saiu das urnas com 1 milhão de votos de vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, com voto de apenas 176 mil eleitores.

Bancada.
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), quer resolver seu futuro dentro do próprio Congresso. A cúpula do partido já negocia com o PT do líder Cândido Vaccarezza (SP) sua indicação para substituir Temer na presidência da Casa.

"Se formos vitoriosos na eleição, vamos pleitear a presidência da Câmara no primeiro biênio do próximo governo, tendo ou não a maior bancada", antecipa o deputado Eduardo Cunha (RJ).

O partido considera "justo e razoável" que o PMDB mantenha a cadeira de Temer em sistema de rodízio com o PT, pelo qual caberá a Vaccarezza o comando da Câmara no segundo biênio da futura administração. Como em fim de governo é sempre mais difícil manter a coesão da base, ter a presidência da Câmara nas mãos de um petista nos últimos dois anos daria mais segurança ao eventual governo Dilma. No Senado, a regra que vale é a da maior bancada indicar o presidente.

O PMDB conta com o sucesso nas urnas como condição única para fazer o sucessor de Sarney, independentemente da presidência da Câmara. O argumento é que o senador peemedebista teria direito a uma reeleição.

Dirigentes do partido também lembram que, tal como diria Lula, "nunca antes neste país" o PMDB foi aliado de primeira hora em uma campanha. No novo cenário, a legenda se recusa a apadrinhar indicações como a de José Gomes Temporão, que Lula nomeou ministro da Saúde na cota do PMDB. Um peemedebista da cúpula diz que, nesse caso, seu partido nem padrinho foi: "Servimos de barriga de aluguel para o PT, e isso não admitiremos mais."

Governo, antropófago tributário, para de morder!

Marco Tulio Kalil Ferreyro

Comento a matéria “Arrecadação federal sobe 11% e atinge recorde para meses de julho“. A voracidade fiscal, a sanha arrecadatória é absolutamente nefasta: invariavelmente, nos últimos anos, o crescimento da arrecadação tributária ocorre num ritmo maior do que a capacidade das famílias e empresas produzirem riquezas. Por exemplo, conforme dados das Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo IBGE, enquanto que os impostos líquidos sobre produtos cresceram 14,9% no primeiro trimestre de 2010 ante igual período do ano anterior, o valor adicionado a preços básicos (quem vem a ser o PIB livre de impostos) cresceu apenas 8% na mesma base de comparação. Ou seja, em outras palavras, a arrecadação de impostos cresceu num ritmo 86,3% superior à capacidade do país de gerar riquezas.

COMO MUDAR ESTA REALIDADE?
Creio que não há outro caminho senão através da racionalização/redução do gasto público e diminuição do tamanho do estado na economia. Juros elevados e elevada carga de impostos desestimulam novos investimentos, retraem a economia, impedindo a geração de emprego e renda. Se ao menos os governos retornassem parte do esforço fiscal é imposto à sociedade contribuinte em investimentos na educação, saúde e segurança, poderíamos oferecer uma boa perspectiva às futuras gerações.

Sabidamente, os governos tendem a cobrir o rombo de suas contas com o simples aumento de tributos. Ora, por que pensaria a administração pública em nível federal, por exemplo, em atacar os verdadeiros problemas estruturais que impedem um ajuste fiscal permanente, já que tal atitude implicaria em mudanças, principalmente no que se refere ao funcionalismo, à baixíssima eficiência dos serviços prestados, na quebra de corporativismos públicos (?) evidentes e malévolos? Vale lembrar um célebre ensinamento de Maquiavel, em “O Príncipe”, sobre as dificuldades e perigos da instituição de uma nova ordem de coisas e que ainda vigora com plena força. Isso porque os beneficiários da ordem antiga lutarão bravamente para mantê-la e os que se beneficiarão da nova ordem irão defendê-la tibiamente porque não têm certeza dos seus benefícios. Tal situação explica, em parte, as dificuldades quase que intransponíveis de se implementar uma profunda, completa e indelevelmente necessária reforma fiscal.

Diante, pois, deste doloroso escárnio tributário que tem sido preconizado pelos governos nas suas diferentes esferas, talvez seja realmente a hora de a sociedade contribuinte promover uma verdadeira “insurreição anti-tributária”. Os consumidores não estão mais propensos a aceitarem candidamente esta retórica governamental de fazer ajuste pelo lado da receita e somente prometer – mas nunca cumprir – ajuste pelo lado da despesa pública, situação nefasta que apenas pereniza a inércia do estado naquilo que ele deveria efetivamente atacar: seu gigantismo, seu corporativismo e sua ineficiência que demarcam uma máquina governamental pesadíssima, autofágica, ineficiente e perdulária. Cada vez mais, os governos nas suas diversas esferas abocanham o bolso do cidadão, das famílias contribuintes e o caixa das empresas.

Decididamente, o governo não cabe dentro do PIB. O mais perverso, no entanto, é que além de gastar muito, o governo gasta muito mal, não há qualidade no gasto público. Basta ver os péssimos serviços que são prestados pelo Estado em contrapartida aos impostos, nas áreas da saúde, segurança, educação e justiça. Se considerarmos o que gastamos com planos de saúde, educação em escolas privadas para nossos filhos e segurança privada, a carga de impostos que recai sobre os ombros da sociedade contribuinte salta para algo próximo a 70%! Um verdadeiro assalto.

Governo, antropófago tributário, para de morder!

Ditadura disfarçada

Osmar José de Barros Ribeiro, Mídia Sem Máscara

Dentro da linha dos ensinamentos de Antonio Gramsci explanados nos "Cadernos do Cárcere", assistimos à lenta derrocada do regime democrático e sua substituição por outro que vai, a pouco e pouco, implantando no País a doutrina comunista segundo os ditames do Foro de São Paulo.

Imperaria no Brasil, nos dias que correm e a crer na letra fria da lei, a plenitude democrática do Estado de Direito. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário funcionariam harmonicamente, embora independentes. Isso é o que reza a Constituição promulgada em 1988, ainda que com um grande número de alterações feitas ao longo dos anos.

No entanto, é válido perguntar se não estamos vivendo num regime no qual o Legislativo faz às leis que lhe interessam, o Judiciário as fiscaliza quando lhe convém e, o Executivo, zomba delas sempre que colidam com os seus objetivos.

Hoje, o que se vê é a absoluta predominância desse último sobre os demais. O Legislativo, a reboque das decisões tomadas no Palácio do Planalto e, o Judiciário, sob um vendaval de críticas à sua morosidade e suspeições quanto à sua imparcialidade.

A sociedade, de forma lenta e progressiva, torna-se vítima inerme da propaganda massificante (e custeada com recursos públicos) mostrando o atual presidente da República como sendo um predestinado pelos fados a levar o Brasil a um destino de grandeza. E Lula, no melhor estilo da ditadura castrista, indica seu sucessor (no nosso caso, a sua) somente ouvindo seus áulicos (se é que o fez).

Assim, não é demais salientar que, dentro da linha dos ensinamentos de Antonio Gramsci explanados nos "Cadernos do Cárcere", assistimos à lenta derrocada do regime democrático e sua substituição por outro que vai, a pouco e pouco, implantando no País a doutrina comunista segundo os ditames do Foro de São Paulo.

E a caminhada para o abismo é feita através medidas legais e ações políticas que, uma vez aceitas e incorporadas pela massa popular, entorpecem a consciência da maioria. A elite econômica é cooptada com favores fiscais e creditícios e, os servidores da máquina estatal, com aumentos dirigidos para aqueles setores melhor organizados.

Os chamados "movimentos sociais" e os sindicatos são favorecidos com verbas crescentes e, assim, ficam atrelados ao governo, enquanto os cargos de confiança, excrescência alimentada pelos políticos, são ocupados por militantes do partido no poder. Paralelamente, a coesão social é enfraquecida pela criação de cotas raciais e pelo incentivo à luta de classes.

Os valores morais, que num passado nem tão distante assim eram cultuados e valorizados, vão sendo sepultados enquanto a própria sociedade não se dá conta de estar sendo destruída para a construção de uma nova estrutura social, esta moldada segundo os cânones do partido único. Onde a indignação popular com os desmandos do governo, com a corrupção deslavada que se faz presente em todos os níveis, do federal ao municipal? Talvez esteja morta e sepultada sob uma avalanche de favores prodigalizados pelo Estado com o dinheiro dos contribuintes.

A presente campanha política para a eleição do presidente da República, governadores, senadores, deputados estaduais e federais, corre morna e burocrática. Afinal, há poucas diferenças entre as idéias e os ideais dos candidatos, com raras e honrosas exceções. No caso dos principais postulantes à Presidência da República, os nomes indicados pelo PT e pelo PSDB foram gestados politicamente por organizações de esquerda, quando ainda estudantes. E, cumpre dizê-lo, os dogmas esquerdistas não foram publicamente renegados por eles.

Seja qual for o resultado das urnas nestes "tristes trópicos", continuaremos a assistir ao desenrolar de um drama iniciado no governo FHC, qual seja a lenta e progressiva transformação do Brasil em um País dominado pelo pensamento de Gramsci e sob a vergonhosa tutela do Foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro.

Quem viver verá e haverá de chorar lágrimas de sangue.

No país das bolsas

Percival Puggina

Em Cuba há eleições. Na Venezuela há eleições. No Irã há eleições. E só os totalitários têm coragem de dizer que esses países são democráticos. As eleições que se avizinham são mero acessório de algo que se exaure.

Não nos restam mais do que vagos e deficientes indícios de democracia. Para identificá-los já se requer, inclusive, uma certa capacitação técnica. É necessário saber onde procurar. E é preciso usar, como fazem os peritos, os elementos de contraste que permitem discernir traços do que praticamente desapareceu.

Ninguém recusará que: a) quanto maior a concentração de poder político, tanto menor a democracia; b) quanto maior a influência do poder econômico, tanto mais frágil a democracia; c) quanto menor a credibilidade do parlamento, tanto menor o crédito na democracia; d) quanto maior a influência do poder político sobre os meios de comunicação, tanto pior a qualidade da informação e menor a capacidade de análise sobre os fatos que influenciam a vida das pessoas. E, consequentemente, suas decisões eleitorais. Tudo isso e muito mais já ocorre no Brasil. Em proporções avassaladoras. Claro, claro, temos eleições. Mas democracia não se confunde com a realização de eleições nem é algo totalmente assimilado por elas. Em Cuba há eleições. Na Venezuela há eleições. No Irã há eleições. E só os totalitários têm coragem de dizer que esses países são democráticos. No Brasil, a concentração de poderes nas mãos do presidente da República só é menor do que a generosidade com que o Congresso Nacional os concede a ele. Como escrevi há poucos dias, o presidente chefia o Estado, o governo, a administração pública federal e as estatais. Executa um orçamento que corresponde a 22% do PIB nacional. Legisla sobre o que quer, a seu bel prazer, através de medidas provisórias de aplicabilidade imediata. Libera ou não, ao seu gosto, recursos para os estados e municípios. O que são as obras do PAC senão uma espécie de Bolsa Estado, ou Bolsa Município, distribuídas assim, como donativo, para as mãos súplices dos gestores locais?

Essas práticas, cada vez mais frequentes, somam-se ao poder que o partido do governo exerce nos fundos de pensão, nos sindicatos, no FAT, nas principais corporações funcionais do país. E ainda tem o Bolsa Família. Ah, o Bolsa Família, que Lula oposicionista chamava de comprar voto do eleitor que "pensa com o estômago"! Lula presidente potencializou o programa e é brandindo a ameaça de que a oposição, se vencedora, vai acabar com ele, que sua candidata se prepara para colocar a faixa presidencial no peito. E não podemos esquecer o mais robusto e sedutor achado da cartola presidencial: o Bolsa Empresa. É, leitor, você leu certo: o Bolsa Empresa. Foi o Bolsa Empresa que trouxe o empresariado nacional como gatinho mimado para o colo do governo, lamber mão e pedir cafuné. Afinal, os R$ 15 bilhões destinados ao Bolsa Família ficam constrangidos de sua indigência diante dos fabulosos financiamentos concedidos pelo BNDES às empresas brasileiras. Nos últimos dois anos, foram R$ 180 bilhões emprestados pelo governo ao Banco. O governo tomou esse dinheiro no mercado a mais de 10% ao ano (elevando significativamente a dívida pública, ou seja, a nossa dívida) e emprestou às empresas por um juro que não paga a metade do custo de aquisição. Bolsa Família para os pobres e Louis Vuitton para os ricos.

Poucos, muito poucos empresários brasileiros, hoje, não ficam deslumbrados, embasbacados, cada vez que Lula e Dilma abrem a boca. Ouvem-nos dizer - "Nós criamos 14 milhões de empregos!" - e batem palmas, mesmo sabendo que quem criou esses empregos foram eles mesmos, os empresários. Não percebem, interesseiros, cooptados como estão, que se a economia der alguns passos para trás e for necessário desempregar, o governo imediatamente vai lhes jogar nas costas a responsabilidade pelo desemprego.E a coisa fica assim: o governo cria o emprego e o empresariado cria o desemprego. É a lógica impostora que os tolos endossam.

Sim, leitor amigo, as eleições que se avizinham são mero acessório de algo que se exaure. Nenhuma democracia resiste a tamanha concentração de poder e a tanta cooptação.

A Bolsa Petrobras

Guilherme Fiúza, Revista Época

Enquanto a campanha eleitoral discute se Dilma é a mãe (ainda não se sabe quem é o pai), a vida real passa sorrateira ao fundo do cenário, como quem não quer nada.

A Petrobras, orgulho nacional, suposto símbolo e locomotiva do lulismo, baixou na UTI. Está respirando por aparelhos, e precisará de uma transfusão: 100 bilhões de reais na veia, metade diretamente do Tesouro (seu bolso).

Vamos recapitular, para o caso de você não estar ligando o nome à pessoa. A Petrobras é aquela que, dos 500 bilhões de reais do PAC, respondia por cerca de 100 bilhões.

A Petrobras é aquela que, depois da descoberta do Eldorado do pré-sal, ia levar o Brasil nas costas. Compre ações da Petrobras hoje e acabe com a pobreza nacional amanhã, anunciava a equação petista.

O que houve com esse futuro dourado? O que houve com essa locomotiva?

Ninguém parece saber explicar direito. De repente, o dinheiro deu marcha à ré, e a mega-estatal precisa que o Brasil lhe dê meio PAC de presente. E o Brasil vai dar, porque o petróleo é nosso.

Em qualquer país normal, o anúncio de uma operação de capitalização de 100 bilhões de reais em dinheiro público para a maior empresa nacional cairia como uma bomba atômica. Mas o Brasil está ocupado discutindo amor de mãe nas urnas.

E quando se fala na Petrobras, é para dizer que Fernando Henrique, o malvado, ia entregá-la para o primeiro gavião neoliberal que passasse pela Avenida Chile.

Os súditos de Lula vivem arrepiados com esse pesadelo. Mas encaram numa boa o trem-fantasma da vida real. Que gestão é essa a que os companheiros submeteram a estatal? Por que esse colosso nacional anda passando o pires na Caixa Econômica e no BNDES?

Ninguém estranha nada. Desde que a farra seja nacionalista, está liberada.

O governo popular que conseguiu a façanha de afundar os Correios tem aprovação automática para tudo. Podem sangrar a Petrobras à vontade com a festa dos convênios para Sarney e os amigos do PT. O Brasil paga feliz. São só 100 bilhões.

Por medida de segurança, vem aí a estatal do pré-sal. E depois da eleição vem o carnaval, com a marchinha mais atual do que nunca: mamãe eu quero mamar.