domingo, novembro 25, 2012

O lixo moral da república


Adelson Elias Vasconcellos


Chega ser cansativo a gente ter de repetir sempre as mesmas coisas quanto o tema descamba para a política brasileira.  Como, também, não há como não ficarmos constrangidos quanto assiste-se a prisão, demissão e exoneração de servidores públicos por se mancomunarem com políticos desonestos e participarem do banquete de assalto às instituições, à lei, à ordem, à moralidade.

Também se pode incluir o sentimento de repulsa e até de vergonha por assistir, dia após dia, a descoberta de um novo esquema de corrupção se escorrendo por debaixo do tapete da presidência da república. O que há de esquemas de falcatruas é algo que impressiona a qualquer um. Trata-se de uma produção em larga escala, por atacado.

Este de agora vindo a público pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal, é muito mais revelador do que um simples (mais um) caso de corrupção e tráfico de influência. Ele revela, de um lado, a absoluta falta de autoridade dos governantes sobre os servidores públicos. É como se trabalhassem e servissem em outro país tão longe estão da cadeia de comando. E, de outro lado, revela ainda o estado de podridão moral instalado no Estado brasileiro.

Corrupção e tráfico de influência existem em qualquer lugar do mundo e em todos os tempos. Em alguns países, quando descobertos, causam condenação e prisão, casos dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França. Em outros, fuzilamento direto, caso da China. Mas há os casos em que se desafia até a Justiça e se criam toda a espécie de bagunça para evitar que a prisão seja cumprida, que a punição seja decretada,  como estamos assistindo no caso do mensalão. Os petistas, cujo sentimento e apreço pela democracia é zero vezes zero, agora quererem  fazer o julgamento do julgamento.. Falta-lhes, neste caso, até o senso do ridículo além de denotarem total falta de inteligência.  Quanto mais fatos protagonizarem a respeito do caso, mais alimentarão a imprensa com notícias sobre o escândalo, mantendo viva e acesa a memória nacional que, em dado instante saberá responder com um “basta” nas urnas. 

Voltemos à operação da PF. Nada menos do que 7 órgãos estavam empoleirados nas tramoias, resultando em 18 indiciamentos e prisões. E, prá não variar, mais uma vez o escândalo vai bater às portas da presidência da república. Vocês não esqueceram de Erenice  Guerra, não é mesmo? Aliás, há poucas semanas a distinta voltou a ser manchete negativa de jornais no rumoroso caso da Nextel.

Não faz muito afirmamos aqui que o governo petista, seja de Lula ou de Dilma, não resiste a cinco minutos de investigações. E podem escolher o canto que quiserem: sempre respingará lá de dentro algum esquema delinquente e criminoso instalado e atuante. Não, o PT não inventou a corrupção no Brasil, mas teve a desfaçatez de institucionalizá-la  e até dar-lhe sentido missionário.

Interessante é sabermos que, enquanto a PF atuava em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, coração do poder,  o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, portanto, chefe da PF, flanava  por Fortaleza, indiferente ao que estava acontecendo. Foi  chamado às pressas de volta a Brasília, para reunião de emergência com a soberana. 

Também é interessante sabermos que foi para José Dirceu quem a dona Rosemary primeiro telefonou quanto os policiais entraram em sua residência.  Lula estivesse no Brasil, e talvez até sido acionado também, mas somente depois da operação deflagrada. Esperava o quê a dona Rose, que a operação fosse suspensa por ordem de Dirceu? Alguém lhe avisou que o mesmo foi demitido, cassado, julgado e condenado e que apenas falta o ato de ofício decretando-lhe a prisão?  A que ponto de degradação chegamos!!!!

Muito embora muitos fatos ainda virão à tona, não há como negar que diante de situações como esta, e que se repetem com tanta constância, e sempre na ante sala da presidência, vendo-se arrolado nas pilantragens inclusive o número dois da Advocacia Geral da União, o sentimento mais forte que brota é o de desfalecimento. Fica difícil acreditar que um dia este grande país se torne sério e civilizado. Porque, senhores, a promiscuidade é tamanha que fica parecendo que o artigo primeiro da constituição federal decreta a instalação no poder como instrumento e princípio básico a corrupção.

Sinceramente, e diante da reação que virá das hostes  petistas, é de temer o futuro do Brasil. Por mais absurda que a ideia possa parecer, tenho medo do que pode acontecer-nos se, em 2014, a hegemonia petista no Planalto estiver sob ameaça real de ter seu final. O ruído de golpe ainda soa fraco e dentre poucas vozes. Mas em situações como a que o país assiste, de total desintegração dos costumes políticos e éticos da administração federal, sempre haverá o real perigo de um ponto de ruptura. O PT não é um partido político, trata-se de uma gangue de jagunços que não respeita limites  quando o assunto é a manutenção no poder. É o governo do crime organizado que estamos assistindo ser desmascarado. E não acreditem que eles venderão sua derrota tão fácil. E quando se está diante de uma malta inescrupulosa como esta, sempre é possível se esperar o pior. Apenas o pior.

Polícia Federal tem 122 gravações que revelam como Rose discutia negócios com “Tio” Lula e Dirceu


Jorge Serrão 
Alerta Total 


Exclusivo – A Polícia Federal está atrás de um motoboy chamado Roberto. O motociclista profissional, que está desaparecido, tem em seu poder 10 comprometedores envelopes com documentos de alto interesse para a Operação Porto Seguro. O rapaz simplesmente não cumpriu a missão de entregar o material enviado ao consultor José Dirceu de Oliveira e Silva pela agora exonerada chefe de Gabinete da Presidência da República, Rosemary Novoa de Noronha.

Amiga pessoal do ex-Presidente Lula da Silva, ela foi indiciada por coordenar um mega esquema de corrupção ativa e tráfico de influência para beneficiar empresas que faziam negócios com o Governo Federal. A avaliação geral é que Rose não tinha competência para comandar, sozinha, um esquema tão complexo. Logo, Rose tinha um chefão por trás dela. Quem era? A PF e o MPF só não descobrem se não quiserem.

Outra bomba mantida em sigilo da Operação Porto Seguro deixa Lula e Rose na maior saia justa. A Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, já está de posse de 122 gravações de conversas telefônicas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Rosemary Novoa de Noronha. Ele a chamava de “Rose” ou “Rosa”. Ela o tratava pelo amoroso apelido de “Tio”. Nas conversas, Rose passava ao amigo informações sobre quem deveria receber em audiência e para quem deveria mandar documentos.

Todo esse material sigiloso – que pode ser varrido do mapa pelas conveniências do poder – foi recuperado por uma empresa de alta tecnologia paulista que pode tornar públicas as informações, caso sofra ameaças ou retaliações. Os arquivos foram recuperados de um computador cujo Hard Disk (HD) fora formatado, na vã tentativa de esconder e eliminar informações comprometedoras. O azar dos bandidos é que a empresa, com tecnologia israelense, consegue salvar 100% dos dados de um disco rígido que tenha sido formatado até oito vezes seguidas.

Agora, o medo maior do Palácio do Planalto é que vazem documentos ainda mais comprometedores sobre Rose e suas ligações pessoais e de negócios com Lula – e também com José Dirceu. A Presidenta Dilma Rousseff fará neste domingo sua terceira reunião seguida do desesperado Gabinete de Crise. Neste sábado, em mais uma tensa sessão de espinafração, Dilma resolveu exonerar Rosemary Novoa de Noronha. Como ela não pediu exoneração, conforme fora aconselhada a fazer, acabou saída por Dilma. A Presidenta escalou seu Secretario-Geral Gilberto Carvalho para transmitir a terrível notícia a Lula, assim que ele desembarcou da viagem à Índia.

Dilma também canetou José Weber Holanda Alves (Advgado-Geral-Adjunto da União. Só não se sabe se o superior dele Luis Inacio (com S) Adams tenha repetido a costumeira artimanha do Luiz Inácio (com Z), alegando que nada sabia sobre o que seu imediato fazia de errado. Dilma pode também afastá-lo, assim que puder. Adams, que sonhava com o STF, agora vive um pesadelo acordado e tem tudo para ficar desempregado. 

Mais uma bomba! A Agência Brasileira de Inteligência foi alertada em outubro de que haveria uma investigação sobre Rosemary. No informe de classificação A1A, a Abin informou ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de que Rosemary enviava documentos para apartamentos em Interlagos e nos Jardins. O material seria destinado, pessoalmente, a José Dirceu e Luiz Inácio Lula da Silva 

Lula teria falado sobre o delicadíssimo assunto da investigação sobre Rose com a Presidenta Dilma durante o último jantar antre ambos. Dilma cobrou da PF se havia tal investagação. Foi-lhe alegado que nada havia na PF, mas que poderia ter algo sendo engendrado no Ministério Público. Quinze dias atrás, Dilma soube que o caso era gravíssimo e poderia estourar a qualquer momento.

E explodiu feio! Na verdade, tudo parece um grande contra-golpe. O que teria desencadeado o ápice da Operação Porto Seguro foi o movimento radical do PT contra a Justiça, o Ministério Público e, especificamente, contra o Procurador-Geral Roberto Gurgel – ameaçado de indiciamento da CPI do Cachoeira. O “troco” ao radicalismo burro da petralhada veio em alta velocidade. 

Agora, a PF e o MPF têm um complicado quebra-cabeças para montar – que mais parece o roteiro de uma novela mexicana. Também não será fácil provar que a Dilma não tinha “domínio dos fatos”. Parece que se repete a novela do Mensalão – com milhões de reais de agravantes, já que não dá para crer que uma super-secretária e amiga de Lula tinha poder para coordenar todo o crime que agora lhe atribuem.

Dilma determina varredura em órgãos investigados por operação da Polícia Federal


Laryssa Borges e Silvio Navarro
Veja online

A presidente cobrou informações sobre a amplitude da investigação, a biografia e quis saber quem eram os "padrinhos" políticos dos acusados

( Fernando Bizerra Jr./EFE) 
A presidente Dilma Rousseff teria se irritado com a forma como Rosemary
 reagiu à chegada dos policiais ao gabinete da Presidência na capital 

Irritada com os desdobramentos da operação Porto Seguro da Polícia Federal, a presidente Dilma Rousseff determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e todos os órgãos atingidos pela investigação façam uma varredura para rastrear irregularidades cometidas pelos servidores envolvidos no caso. A decisão foi tomada neste sábado, após reuniões da presidente com ministros, assessores e troca de telefonemas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos diálogos, segundo fontes do Palácio do Planalto e do PT, Dilma cobrou informações sobre a amplitude da investigação, a biografia e quis saber quem eram os "padrinhos" políticos dos acusados.

A presidente consultou Lula antes de oficializar a demissão de Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, que temforte ligação com o ex-presidente e com o ex-ministro José Dirceu, de quem foi assessora por mais de uma década. A princípio, Lula, que foi informado de que a operação policial chegara até Rosemary na sexta-feira, resistiu à idéia de demiti-la, mas acabou concordando neste sábado quando soube do teor das conversas de sua ex-secretária interceptadas pela Polícia Federal.

Um dos interlocutores de Lula com os envolvidos na operação e com a própria Rosemary é o ex-presidente do Sebrae e seu amigo pessoal Paulo Okamotto. Em um primeiro momento, integrantes do PT articularam para que a funcionária se afastasse do cargo e evitasse o desgaste de ter de ser demitida. O temor no Planalto é que ela possa implicar, direta ou indiretamente, nos diálogos captados pela polícia o ex-presidente por meio de pedidos de favores, propinas ou com recados para nomeações feitas a pedido de Lula. O caso corre em segredo de justiça.

Nos bastidores, o governo trabalha para espalhar o discurso de que o foco da operação são fraudes em pareceres técnicos das agências, e que ilícitos cometidos pela chefe de gabinete da Presidência não têm relação com as atribuições do cargo que ela exercia. A intenção é isolar a atuação e o eventual tráfico de influência praticado por Rosemary das prerrogativas oficiais que seu cargo lhe permitia. E, principalmente, tentar afastar o nome do ex-presidente do caso.

Reação irritou Dilma — 
Segundo fontes do Planalto, a forma como Rosemary reagiu à chegada dos policiais ao gabinete da Presidência na capital paulista irritou Dilma. Os relatos que chegaram à presidente foram que Rose causou tumulto e tentou impedir que seu computador fosse apreendido. Ao final, foram copiados os arquivos salvos na máquina. Dilma nunca foi próxima de Rosemary e, ao contrário de Lula, despachou em São Paulo pouquíssimas vezes. No Planalto, são poucos os que lidam com a funcionária, apontada como de temperamento difícil. No governo Dilma, o escritório paulistano da presidência só é usado quando há necessidade de reuniões pontuais e em escalas de viagens e agendas. Nos últimos meses, serviu para encontros e almoços com o ex-presidente Lula para tratar das eleições municipais.

Apesar da determinação de serem afastados todos os envolvidos na operação Porto Seguro, em deferência ao ex-presidente Lula, a demissão de Rosemary será publicada no Diário Oficial como se tivesse sido a pedido. Os funcionários de carreira apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha serão, em um primeiro momento, alvo de procedimentos administrativos e investigações internas.

Demissões — 
Dilma determinou a demissão da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e a exoneração ou afastamento de todos os indiciados pela Polícia Federal após uma reunião neste sábado no Palácio do Alvorada, em Brasília, com o advogado-geral Luís Inácio Adams. Como os diretores das agências reguladoras tiveram seus nomes aprovados em sabatinas no Senado, eles precisam responder aos processos antes de serem formalmente exonerados. Para Adams, o prejuízo deverá ser imediato já que ele era um dos cotados para assumir a cadeira deixada pelo ministro Carlos Ayres Britto no Supremo Tribunal Federal (STF).

As apurações policiais levaram à desarticulação de uma quadrilha que, infiltrada em órgãos da administração pública federal, negociava a redação de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados e praticava tráfico de influência. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. Desde o estouro da operação, a AGU montou uma espécie de força tarefa para analisar os documentos das investigações policiais e verificar a abrangência dos danos causados à autarquia pela atuação de José Weber de Holanda Alves, homem de confiança de Adams e, segundo a PF, um dos integrantes da quadrilha. 

Por determinação da Presidência, a Agência Nacional de Águas (ANA), Agência de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vão investigar em detalhes, por meio de sindicância, a participação de servidores das autarquias no esquema criminoso. Todos os suspeitos investigados pela Polícia Federal também vão responder a processos disciplinares.

Mais cedo neste sábado, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, já havia anunciado o afastamento de Rubens Carlos Vieira do cargo de Diretor de Infraestrutura Aeroportuária da ANAC. Vieira foi um dos investigados na operação Porto Seguro.

Denise Andrade/AE
Rosemary Nóvoa

As traficâncias de Rose —
Segundo a investigação, o papel de Rosemary era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão dos documentos. Rosemary foi nomeada por Lula para esse cargo em 2005 e, desde então, esteve muito próxima ao petista. O fato de assessorar o ex-presidente fez com que ela própria se tornasse uma pessoa politicamente articulada. Assim, foi capaz de influir na nomeação de homens do alto escalão de agências do governo, como os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ambos presos pela PF.

Rose era presença constante nas comitivas presidenciais ao lado de Lula. Também foi assessora do ex-ministro José Dirceu por 12 anos antes de trabalhar diretamente com Lula. Em 2006, o nome de Rosemary constava de uma lista de 65 servidores que efetuaram saques a título de pagamento de despesas da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Na época, havia registros de saques no valor de 2 100 reais no cartão dela. Deputados de oposição tentaram aprovar sua convocação para prestar esclarecimentos à CPI que investigou a farra dos cartões corporativos, mas aliados do Planalto conseguiram barrar o pedido.

A carreira meteórica de Rubens Vieira na era Lula


Ana Clara Costa
Veja online

Corregedor da Agência Nacional de Aviação Civil desde 2006, Vieira era cotado para assumir o cargo de Diretor-Presidente da Anac a partir de maio de 2013

Quando foi nomeado corregedor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2006, Rubens Carlos Vieira tinha 30 anos, um diploma de bacharel em Direito pela UniFMU, em São Paulo, nenhuma especialização e jamais havia trabalhado com regulação no setor aéreo. Poucos anos antes, o bacharel, inclusive, teve de ir a Rondônia para conseguir tirar seu exame da Ordem dos Advogados do Brasi (OAB) — e não São Paulo, que era a cidade onde morava e havia estudado.

Apesar da tímida formação acadêmica, sua carreira no setor público começou cedo. Um dos primeiros concursos para o qual foi aprovado foi o de Procurador da Fazenda Nacional, em 2003, aos 27 anos — mesmo ano em que Lula assumiu a Presidência da República — e que sua madrinha, Rosemary Noronha, presa na tarde desta sexta-feira na Operação Porto Seguro da Polícia Federal, assumiu cargo de assessora presidencial em viagens internacionais. Até então, Vieira trabalhava como diretor jurídico do Sindicato de Trabalhadores das Empresas de Gás Canalizado (Sindigasista).

 De lá para cá, o 'afilhado' de Lula colecionou aprovações em concursos públicos (Promotor do Ministério Público de Rondônia, Advogado da União, Procurador do Banco Central, Procurador do Município de Santo André, entre outros), mas, em teoria, não assumiu nenhum dos cargos. Saiu do Ministério da Fazenda em 2006, ano da reeleição do ex-presidente, para assumir o cargo de corregedor da Anac. Somente depois que entrou na agência, deciciu iniciar um mestrado em regulação aeroportuária na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Sua gestão como corregedor foi marcada por poucos pareceres. Um dos mais célebres, ainda em 2006, foi a autorização de viagem do então diretor da agência, Josef Barat, a um evento privado da TAM para investidores em Nova York, o TAM Day, com as despesas inteiramente custeadas pela empresa aérea. Vieira considerou a viagem de Barat imprescindível naquele momento. Mas pontuou que, nas próximas vezes, as despesas seriam pagas pela Anac, e não por uma companhia aérea. O assunto criou alvoroço e foi parar no Conselho de Ética justamente no período do caos aéreo brasileiro. A partir de 2007, Barat e todos os demais diretores da Agência foram exonerados — menos o corregedor.

Em 2010, a então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, enviou uma carta ao Senado indicando o nome de Vieira para a diretoria de Infraestrutura da Anac. Com ele, outros dois diretores indicados pelo governo foram nomeados: Carlos Pellegrino e Ricardo Maia Bezerra. Desde então, o único projeto capitaneado por Vieira na agência foi o leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte — cujas obras ainda estão em fase inicial, mesmo que a previsão de entrega seja para antes da Copa do Mundo de 2014.

A prisão de Vieira neste sábado surpreendeu diretores e técnicos da Anac. Alguns acreditam em indícios de que uma nova "faxina" esteja a caminho - começando pelas agências reguladoras. Como apadrinhado de Lula, Vieira era cotado para assumir o cargo de Diretor-Presidente da Anac a partir de maio de 2013, quando terminar o mandato do atual diretor, Marcelo Guaranys (este, apadrinhado de Antonio Palocci). Com a saída de Vieira, Dilma deverá indicar para o cargo um nome técnico de sua confiança que possa assumir a agência após a saída de Guaranys.

Irmãos que integravam quadrilha foram indicados por Lula


Veja online

Rubens e Paulo Vieira tiveram nomes rechaçados por ministro e no Congresso. Mas ex-presidente os colocou na Anac e na Ana. Na sexta, ambos foram presos

(Cristiano Mariz)
Fachada do prédio da Anac, no Lago Sul 

Ao deflagrar nesta sexta-feira a Operação Porto Seguro, a Polícia Federal prendeu os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ambos integravam a quadrilha desarticulada pela ação – e que possuía tentáculos em pelo menos sete órgãos públicos. Em comum, os irmãos guardam ainda outra coisa: foram colocados na cúpula das agências reguladoras pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme publicou a coluna Radar, de Lauro Jardim, ainda em 2010, Rubens foi indicado por Lula a pedido da chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a despeito da opinião do então ministro da Justiça, Nelson Jobim, que não concordou com a indicação. Já Paulo, indicado por Lula para a ANA, foi o primeiro diretor de agência reguladora a ter o nome vetado por maioria de votos no plenário do Congresso. Só depois da pressão do ex-presidente, o nome dele passou, em uma segunda votação.

Rosemary também foi indiciada na sexta-feira. Escutas telefônicas realizadas durante a investigação indicam que a servidora usava o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer tráfico de influência. De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, Rosemary tentou impedir a entrada dos agentes da PF no gabinete da Presidência, no 17º andar do prédio do Banco do Brasil, na Avenida Paulista, centro de São Paulo.

A operação atingiu mais de 40 pessoas, entre elas o número dois da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda Alves. Na sede da AGU, foram recolhidos documentos na sala de um alto assessor do órgão. Procedimento interno de apuração foi aberto por determinação do advogado-geral Luís Inácio Adams para investigar a participação de servidores da autarquia no esquema criminoso.
Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff foi informada a respeito da operação pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e deu aval para o prosseguimento das buscas e apreensões. No mesmo dia, Dilma reuniu-se com Adams, segundo fontes do governo. Na manhã de sexta, a presidente voltou a encontrar Adams e Cardozo. Participou também desta terceira reunião, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Denise Andrade/AE
 Rosemary Nóvoa

As traficâncias de Rose - 
Segundo a investigação, o papel de Rosemary era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão dos documentos. Rosemary foi nomeada por Lula para esse cargo em 2005 e, desde então, esteve muito próxima ao petista. O fato de assessorar o ex-presidente fez com que ela própria se tornasse uma pessoa politicamente articulada. Assim, foi capaz de influir na nomeação de homens do alto escalão de agências do governo.

Rose, como é conhecida, era presença constante nas comitivas presidenciais ao lado de Lula. Também foi assessora do ex-ministro José Dirceu por 12 anos antes de trabalhar diretamente com Lula. Em 2006, o nome de Rosemary constava de uma lista de 65 servidores que efetuaram saques a título de pagamento de despesas da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Na época, havia registros de saques no valor de 2 100 reais no cartão dela. Deputados de oposição tentaram aprovar sua convocação para prestar esclarecimentos à CPI que investigou a farra dos cartões corporativos, mas aliados do Planalto conseguiram barrar o pedido.

Investigação - 
As investigações policiais levaram à desarticulação de uma quadrilha que, infiltrada em órgãos da administração pública federal, negociava a redação de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados e praticava tráfico de influência. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. As penas variam de dois a 12 anos de prisão.

Segundo o superintendente da PF de São Paulo, Roberto Ciciliati Troncon, os mandatos eram de prisão preventiva e temporária. Além dos dois servidores da ANA e da Anac, foram presos três advogados e um empresário – todos de São Paulo. O papel dos irmãos Paulo Rodrigues Vieira e Rubens Carlos Vieira era encontrar funcionários dentro dos órgãos para produzir os laudos fraudulentos, que facilitavam processos das empresas. Já os advogados e o empresário faziam a ponte com o setor privado, oferecendo a facilitação nos procedimentos. “É possível que haja funcionários de outros órgãos e localidades envolvidos, mas até agora se identificou que toda a interação da quadrilha acontecia no estado de São Paulo”, disse Troncon. Segundo o superintendente, foi investigada a atuação da quadrilha na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), no Ministério da Educação e no Tribunal de Contas da União (TCU) – além de Anac, ANA e AGU.

ANA - 
Entre os funcionários da Agência Nacional de Águas (ANA), o diretor de hidrologia Paulo Rodrigues Vieira, preso na sexta-feira pela Polícia Federal, nunca teve boa fama. A partir da indicação presidencial de Vieira para o cargo pelo ex-presidente Lula, no fim de 2009, servidores da Agência se mobilizaram para barrar a nomeação. Foi distribuído aos senadores um “minidossiê” com denúncias contra Vieira. Os relatos dos funcionários chegaram ao conhecimento do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. 

Minc não guardou, tampouco se lembra do conteúdo do documento. Mas foi o bastante para passar a combater a indicação de Vieira. Em 16 de dezembro, quando o Senado aprovou as indicações de João Gilberto Lotufo e de Vicente Andreu Guillo para os cargos de diretores da (ANA), Paulo Rodrigues Vieira foi vetado. Houve duas votações na data a respeito do encaminhamento de Vieira ao cargo: primeiro, um empate; na segunda tentativa de aprovação, prevista no regimento do Senado, ele recebeu 26 votos contrários. Outros 25 votaram a favor e houve uma abstenção. Diante do veto à indicação de Vieira, o senador Magno Malta (PR-ES) recorreu à Comissão de Constituição e Justiça para tentar anular a votação.

Na época, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) avocou o processo e emitiu parecer contrário à anulação da decisão de vetar Vieira. Entraram em cena, então, em abril de 2010, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Jucá pediu uma “revotação” em plenário da indicação de Vieira para a ANA. Sarney consultou o plenário para saber se havia consenso para uma nova votação. Ninguém se manifestou, e fez-se a luz para Vieira. Com a bênção de Sarney, foi anunciado o resultado de uma votação secreta, na qual 28 senadores aprovavam e 15 rejeitavam a indicação do novo diretor – houve uma abstenção. 

Delação – 
Participaram da operação em São Paulo e Brasília 180 policiais. A quadrilha foi descoberta graças a um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) que foi cooptado pelo esquema com a oferta de receber 300 000 reais para produzir um laudo falso. “Ele chegou a receber a primeira parcela de 100 000 reais e fez o laudo, mas se arrependeu, devolveu o dinheiro e denunciou o esquema”, contou Troncon. 

Segundo Troncon, a operação será concluída em 60 dias. A próxima fase será pedir a autorização da Justiça para o compartilhamento das provas da investigação com as corregedorias dos órgãos envolvidos para que possam aplicar suas medidas administrativas. O superintendente informou que os servidores agiam por conta própria e que não houve conivência dos órgãos, que ajudaram nas investigações.

Chefe de gabinete de Dilma em SP foi elo de esquema com autoridades, diz PF


Fausto Macedo e Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo

Rosemary Noronha intermediou reuniões com Fernando Pimentel e com o governador da Bahia, Jaques Wagner, a pedido de empresários que foram presos em operação

Relatório da Operação Porto Seguro revela que Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, intermediou reuniões de “autoridades públicas” com integrantes da organização criminosa que corrompia servidores para emissão fraudulenta de pareceres técnicos. O documento assinala que Rosemary promoveu encontro “do governador da Bahia para Alípio Gusmão e César Floriano”.

Denise Andrade/Estadão - 27/11/2008
Após operação da PF,
 Dilma exonerou Rosemary Noronha do cargo

Alípio Gusmão é conselheiro da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Carlos César Floriano, empresário, foi preso sexta-feira pela Polícia Federal em São Paulo e indiciado formalmente por corrupção ativa. A PF imputa a ele papel de destaque no grupo que pagava até R$ 300 mil por laudo forjado e se infiltrou em três agências reguladoras, no Tribunal de Contas da União, na Advocacia-Geral da União, na Secretaria do Patrimônio da União e no Ministério da Educação.

A PF coloca Rosemary no mesmo plano do grupo que foi indiciado por formação de quadrilha - dois servidores da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), três advogados e um empresário. Todos estão presos.

Rosemary foi indicada para o cargo pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente Dilma Rousseff, a pedido de Lula, a manteve no escritório da Presidência na capital. Dilma, porém, decidiu demiti-la após a operação da PF, que enquadrou criminalmente a escolhida de Lula em dois crimes: corrupção passiva e tráfico de influência - ela é acusada de “receber diversas vantagens” e fazer gestões para nomear apadrinhados, entre eles Paulo Rodrigues Vieira, apontado como cabeça da organização.

A PF destaca que Rosemary, “valendo-se do cargo de chefe de gabinete da Presidência da República”, atendia interesses de Vieira, nomeado pelo ex-presidente Lula diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA). Vieira foi indiciado por corrupção, tráfico de influência, falsidade ideológica e falsificação de documento.

O relatório assinala que Rosemary também cuidou do “agendamento de reunião do ministro Pimentel no interesse de Alípio Gusmão - Bracelpa”.

Foro privilegiado. 
A PF não atribui nenhum ilícito ao governador, nem ao ministro. Apenas reproduz citações a essas autoridades que constam da agenda de Rosemary. Para não contaminar a investigação e provocar a nulidade da missão - vez que não pode investigar aqueles que detêm foro privilegiado, exceto se autorizada por tribunal competente - a PF abriu expediente à parte.

Esse procedimento será remetido pela Justiça Federal a instâncias superiores - Superior Tribunal de Justiça, no caso do governador, e Supremo Tribunal Federal, em relação ao ministro -, que podem ou não instaurar inquérito.

A Porto Seguro prendeu seis investigados. A Justiça autorizou a força tarefa a vasculhar os escritórios de Rosemary e do ministro adjunto da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda Alves, sob suspeita de ligação com a quadrilha. Ele também será exonerado.

Um capítulo do relatório da PF, à página 37, imputa a Rosemary corrupção passiva e mostra passo a passo a conduta da chefe de gabinete da Presidência durante três anos. “Há indícios de que, pelo menos, no período entre 2009 e 2012, Rosemary Nóvoa Noronha solicitou e recebeu, direta ou indiretamente, diversas vantagens para si, para amigos, familiares, tais como: viagem de navio, emprego para terceiros, serviços para terceiros, ajuda jurídica pessoal, pagamento de boleto.”

A PF produziu uma tabela específica em relatório de análise com os mimos para Rosemary.

Ela empenhou-se em atender solicitações de agendamento de reuniões com autoridades para outros dois nomes sob suspeita: o advogado Marco Antonio Negrão Martorelli, que atua em Santos e está preso, e Esmeraldo Malheiros Santos, da Consultoria Jurídica do Ministério da Educação. A agenda de Rosemary mostra que ela marcou “reunião com deputado Paulo Teixeira com pessoa não identificada”.

Até bolsas de estudo ela providenciava para familiares de integrantes da organização. O relatório informa que Rosemary “ainda que fora da função, mas em razão dela” - corrupção passiva -, arrumou bolsa para Natalie Soares Aguiar Moura, “filha” de Esmeraldo Malheiros.

Outra bolsa teria ido para uma “indicada da Evangelina” - a PF diz que Evangelina de Almeida Pinho, assessora da Secretaria de Patrimônio da União, tem relação com a organização.

Ao atribuir a Rosemary tráfico de influência, a PF narra sua dedicação em fazer nomeações e indicações para cargos da administração pública federal. “Agindo como particular, e valendo-se de sua amizade e acesso com pessoas em diversos órgãos públicos para atuar e influir ao menos: a) na nomeação de José Francisco da Silva Cruz para REFFSA; b) a indicação de Paulo Vieira para o cargo de diretor de Hidrologia da ANA; c) indicação de Rubens Vieira para diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Anac.”

A PF aponta indícios de que Rosemary “solicitou, cobrou e obteve” dos três irmãos da quadrilha - Paulo, Rubens e Marcelo - “diversas vantagens ou promessas de vantagens para si, empregos no setor público e no setor privado, pagamento de boleto no valor de R$ 13.805,33”.

PF indicia chefe de gabinete da Presidência em SP e nº2 da AGU


Marcelle Ribeiro e Germano Oliveira
O Globo

Operação prende servidores acusados de fraudes em agências reguladoras

AGÊNCIA ESTADO
Superintendente da Polícia Federal em São Paulo
 dá detalhes da Operação Porto Seguro

SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira seis pessoas e indiciou mais 12, acusados de participação em um esquema de fraudes de pareceres técnicos em agências reguladoras e órgãos federais, em operação realizada em São Paulo e Brasília. Entre os presos estão os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Marcelo Rodrigues Vieira, também da Anac. Os irmãos Vieira foram indicados por Rosemary Novoa de Noronha, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, que também foi indiciada nesta sexta-feira por corrupção ativa. Ela é acusada de tráfico de influências e de agir junto aos diretores da ANA e da Anac para favorecer empresas. Em troca, Rosemary receberia agrados, como viagens e até camarotes em carnaval. Foram presos ainda três advogados e um empresário. Entre os 18 indiciados, estão José Weber Holanda Alves, o segundo da Advocacia-Geral da União (AGU), e o ex-senador Gilberto Miranda Batista.

Rosemary Noronha era secretária do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escritório da Presidência em São Paulo. Quando Lula fazia viagens internacionais, ela o acompanhava. Além de indicar os irmãos Vieira para os cargos em Brasília, ela mantinha com eles estreita ligação, inclusive no esquema de fraude de pareceres, segundo suspeita a PF de São Paulo.

Rosemary foi indiciada pela PF por corrupção ativa, depois de prestar depoimento nesta sexta-feira cedo. A PF chegou a pensar em levar os computadores de Rosemary do escritório da Presidência em São Paulo, localizado na Avenida Paulista, mas ela protestou. Então, os delegados da PF fizeram cópias dos arquivos pessoais dela.

A secretária assessorou o então presidente nacional do PT José Dirceu na década de 90, quando então conheceu Lula. Rose, como é conhecida, começou a trabalhar no governo Lula em 2003 como assessora especial do gabinete da Presidência em São Paulo. Depois, em 2005, foi nomeada chefe de gabinete do escritório regional da Presidência, cargo que ocupa até hoje. Ela tinha uma relação muito próxima a Lula.

Além dos seis presos e de Rosemary, foram indiciados servidores da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Anac, da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), do Tribunal de Contas da União (TCU), da Advocacia Geral da União (AGU) e do Ministério da Educação (MEC). Esmeraldo Malheiros Santos, consultor jurídico do MEC, e Márcio Alexandre Barbosa Lima, do banco de dados do ministério, foram indiciados, assim como Lucas Henrique Batista (Correios). Da Antaq foram indiciados Enio Dias Soares, chefe de gabinete e Glauco Alves Cardoso Moreira. Evangelina de Almeida Pinho, assessora da Secretaria de Patrimônio da União, também foi indiciada.

Um dos investigados e indiciados é o advogado-geral da União adjunto, José Weber Holanda, o segundo da hierarquia da AGU, depois do advogado-geral Luís Inácio Adams. Holanda prestou depoimento à PF ontem mesmo.

O grupo atuava também agilizando processos em órgãos públicos e fraudando documentos em troca de dinheiro e vantagens. Esses pareceres fraudados eram usados por empresas interessadas em processos de licitação junto ao governo.

Durante a operação “Porto Seguro”, promovida nesta sexta-feira, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos (SP), Dracena (SP) e Cruzeiro (SP), e outros 17 em Brasília. Os policiais levaram papéis e dados de computadores, que serão analisados nos próximos dias. As prisões aconteceram nas cidades de Santos (empresário Marco Antonio Negrão Martorelli), São Paulo (Carlos César Floriano) e Brasília (Patricia Santos Maciel de Oliveira e os irmãos Vieira). Foram apreendidos ainda dois carros, entre eles uma Land Rover.

A investigação começou em março de 2011, depois que um servidor do TCU procurou a PF para relatar que integrantes de um esquema lhe ofereceram R$ 300 mil para que elaborasse um parecer técnico em benefício de uma empresa do setor portuário. O servidor contou que recebeu R$ 100 mil, fez o parecer, mas, arrependido, devolveu o dinheiro para o corruptor e procurou a PF em São Paulo para denunciar o esquema.

Segundo o superintendente da PF em São Paulo, Roberto Troncon Filho, no decorrer da investigação, a polícia percebeu que não se tratava de um caso isolado.

— Os dois servidores presos tinham como função identificar e cooptar outros servidores de órgãos públicos federais, de segundo e terceiro escalão. Os demais membros (da quadrilha), três advogados e um empresário, se encarregavam de entrar em contato com grupos empresariais e pessoas físicas interessadas em vantagens ilegais na administração federal — disse o superintendente.

Confira a lista dos presos e indiciados:

  • Rosemary Novoa de Noronha (chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo)
  • José Weber Holanda Alves (adjunto da AGU)
  • Gilberto Miranda Batista, ex-senador
  • Enio Dias Soares (chefe de gabinete da Antaq)
  • Mauro Henrique Costa Souza
  • Glauco Alves Cardoso Moreira (procurador geral da Antaq)
  • Jailson Santos Soares.
  • Esmeraldo Malheiros Santos (Consultoria Jurídica do Ministério da Educação)
  • Márcio Alexandre Barbosa Lima (banco de dados do Ministério da Educação)
  • Lucas Henrique Batista (Correios)
  • Evangelina de Almeida Pinho (assessora da Secretaria de Patrimônio da União)
  • Kleber Ednald Silva
  • José Gonzaga da Silva Neto
  • Paulo Rodrigues Vieira (, diretor de Hidrologia da ANA) (preso)
  • Marcelo Rodrigues Vieira (Anac) (preso)
  • Rubens Carlos Vieira, empresário. (diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Anac) (preso)
  • Carlos Cesar Floriano, empresário (preso)
  • Patricia Santos Maciel de Oliveira, advogada em Brasília (presa e e posta em liberdade)
  • Marco Antonio Negrão Martorelli, advogado em Santos (preso)


Dilma demite chefe do escritório da Presidência em São Paulo


Tânia Monteiro 
O Estado de S.Paulo

Presidente também exonera o advogado geral da União substituto; diretores da ANA e Anac serão afastados

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu exonerar a chefe do escritório da Representação da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, indiciada pela Polícia Federal por corrupção e tráfico de influência. O advogado geral da União substituto, José Weber Holanda, também será exonerado da função que exerce de número 2 do órgão.

Denise Andrade/Estadão - 27/11/2008
Rosemary Nóvoa de Noronha foi exonerada do cargo

Os diretores das agências ANA (Agência Nacional de Águas), Paulo Rodrigues Vieira, e seu irmão, Rubens Rodrigues Vieira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que estão presos, serão afastados e haverá abertura de processos disciplinares contra eles, já que o processo deles é mais complexo pois as suas indicações passaram pelo Congresso. Todos os servidores indiciados serão afastados ou demitidos pelo governo. Os órgãos citados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal passarão por sindicâncias internas para que responsabilidades sejam apuradas, além de verificar se há envolvimento de outros funcionários nas denúncias.

A decisão de afastar, demitir e abrir investigações foi tomada na manhã de sábado,24, no Palácio da Alvorada, pela presidente Dilma, em reunião com o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. A presidente está muito irritada com toda a repercussão do caso e com respingos que este escândalo terá sobre o Planalto daí a pressa em chancelar os afastamentos e abrir as investigações internas, para dar demonstração de que o governo está agindo. Dilma tem insistido também que nada será barrado para impedir ou atrapalhar as investigações da PF.

Ela quer saber a extensão dos casos em vários órgãos. A ideia é de que até que o marido de Rose, que trabalha na Infraero, também seja alvo de investigação. Na Advocacia Geral da União foi montado uma espécie de gabinete de crise, que avalia a extensão dos danos da atuação do número dois da AGU, José Weber Holanda, que também teve todos os HDs e computadores apreendidos pela Polícia Federal.

Dilma não gosta de despachar do escritório de São Paulo e só vai lá quando é absolutamente necessário. Nunca gostou de Rose, mas a manteve no cargo, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Rose é muito próxima. A presidente desde o início do processo está avisando que não vai passar a mão na cabeça de ninguém e o que tiver de ser investigado será.

A presidente não gostou também de como Rose se comportou quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao escritório da Presidência, em São Paulo, na manhã de ontem, para executar o mandado de busca e apreensão. “Ela deu um piti”, contou um interlocutor da presidente, ao relatar que Rose estava presente no escritório quando os policiais chegaram na manhã de sexta-feira, 23. Segundo relatos, ela gritava com os policiais e os desacatava.“Vou ligar para a Presidência. Aqui vocês não entram”, berrava ela, que instruiu os seguranças do escritório a ligarem para a Polícia Federal e até para a Justiça, para checar se a ordem de busca era verdadeira e se o juiz que assinava o mandado de busca e apreensão realmente existia.

Constatado que se tratava de decisões judiciais e com a ordem de Dilma de que mandados judiciais têm de ser cumpridos, Rose passou a negociar o que seria levado de sua sala no escritório. Como não havia muita negociação, foi feito back up de tudo que exista lá e levado o que a PF achou imprescindível.

O afastamento dos servidores será publicado no Diário Oficial.

Santa mãe de Deus: não escapa nem chefe de gabinete da Presidência!


Veja online
Ricardo Setti

Rosemary, chefe de gabinete da Presidência da República
 em São Paulo: onde é que nós vamos parar?

Tráfico de influência, suborno em dinheiro ou em favores, que incluíaram cruzeiro turístico e até cirurgia plástica, cobrança escancarada de propina de 650 mil reais…

De tudo isso é acusada, com base em gravações feitas pela Polícia Federal depois de autorizadas pela Justiça, documentos e outras provas, Rosemary Nóvoa de Noronha, ninguém menos do que a chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo — cuja sede fica no edifício do Banco do Brasil, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta.

Amigona de Lula, fazedora de diretores de agências do Estado, em contato íntimo e quotidiano com questões de alta relevância — e suspeitíssima de grossa bandalheira.

Não se trata de uma ascensorista, nem de uma digitadora, nem da moça do cafezinho: é a CHEFE DE GABINETE DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA na mais importante cidade do país.

Que está no cargo HÁ SETE ANOS!!!!

De tudo isso vocês já sabem. (Se quiserem mais detalhes, inclusive sobre o envolvimento de altíssimo funcionário da Advocacia Geral da União — da Advocacia Geral da União! 

O que eu queria aqui é só fazer um desabafo: minha Santa Maria, onde é que nós vamos parar?

Triste fim de uma obra mal concebida


Editorial
O Globo

A CPI do Cachoeira, gerada no rancor, vai chegando ao fim com um relatório que não consegue nem mesmo o apoio da bancada governista

Encontrando-se com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) definiu o relatório de cinco mil páginas apresentado pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), como sendo “de mentirinha”, e lamentou que, ante o exemplo dado pelo STF no julgamento do mensalão, o Congresso tenha perdido a oportunidade de apanhar um corruptor, “o que seria inédito”. O relatório, cuja leitura foi adiada para quarta-feira próxima, não pede a quebra do sigilo bancário da construtora Delta e de seu proprietário, Fernando Cavendish. Ao invés disso, o texto pede o indiciamento de pessoas como o governador de Goiás, Marconi Perillo, do jornalista Policarpo Junior, da “Veja”, exclui o governador (petista) do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e pede que seja investigado o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Pode-se entender a decepção do senador Simon com essas peripécias do Congresso, mas a verdade é que o triste fim da CPI do Cachoeira estava escrito nos astros desde há bastante tempo. A ideia original transparece sem nenhum disfarce no relatório final (que, de tão ruim, foi desmerecido pelo próprio oficialismo). Era um trabalho de vingança, em que foi figura de proa o ex-presidente Lula. Tratava-se de turvar as águas ante a proximidade do julgamento do mensalão; de criar dificuldades para a oposição, na figura do senador Demóstenes Torres; de mostrar que a imprensa tinha relações com meliantes; de desmoralizar o governador de Goiás, Marconi Perillo, culpado de ter avisado o presidente, antes de todo mundo, que havia uma história de comprar parlamentares.

Nada disso foi obtido. Não se esmiuçou o caso Cachoeira; Demóstenes Torres foi cassado pelo Conselho de Ética do Senado; e nada foi apurado sobre a Delta, lavadora de dinheiro público federal e estadual. A partir da revelação de que o empreiteiro Cavendish mantinha íntimas relações com figuras do esquema governista, desapareceu o interesse do esquema oficialista numa investigação que acabaria sendo um tiro no pé. Perdido o rumo, os governistas recusaram a prorrogação dos trabalhos para que as ligações da Delta com o mundo político fossem investigadas a fundo.

Sobra a tentativa de intimidar a imprensa, na figura do jornalista da “Veja”. Mas, como diz o deputado Miro Teixeira, “é temerário provocar indiciamentos sem ter tentado ouvir as pessoas”. A esse respeito, começou a ser votado na comissão um requerimento de convocação do jornalista, apresentado pelo senador Fernando Collor. Mas antes mesmo que fosse votada a matéria, o relator tirou o documento de votação. “Ele viu que seria derrotado” — diz Miro Teixeira. “E agora propõe o indiciamento, desprezando a manifestação da maioria dos membros da comissão.”

O sorriso e o esgar


Augusto Nunes
Veja online


A foto de Dida Sampaio é mais que o registro do momento em que Dilma Rousseff, presidente da República há quase dois anos, cumprimentou o ministro Joaquim Barbosa, que acabara de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal.

A imagem documenta a colisão frontal, estridentemente silenciosa, entre sentimentos antagônicos. 

O chefe do Poder Judiciário está feliz. A chefe do Poder Executivo está contrafeita, nas fímbrias da amargura. Joaquim Barbosa é o anfitrião de uma festa. Dilma Rousseff é a conviva involuntária que nada tem a festejar.

Ele se sente em casa e pensa no que fará. Ela pensa no que ele anda fazendo e se sente obrigada a enviar um recado fisionômico aos condenados no julgamento do mensalão: se pudesse, estaria longe dali.

Só ele sorri. O sorriso contido informa que o ministro não é homem de exuberâncias e derramamentos. Mas é um sorriso. Os músculos faciais se distenderam, os dentes estão expostos, o movimento da pálpebra escava rugas nas cercanias do olho esquerdo.

O que se vê no rosto da presidente é um esgar. A musculatura contraída multiplica os vincos na face direita, junta os lábios num bico assimetricamente pronunciado e desvia o olhar do homem à sua frente.

O descompasso das almas é sublinhado pelas mãos que não se apertam. A dele ao menos se abre. A dela, nem isso. Dilma apenas toca Joaquim com a metade dos quatro dedos. Ele cumprimenta como quem chegou. Ela cumprimenta como quem não vê a hora de partir.

Conjugados, tais detalhes sugerem que, se Joaquim Barbosa sabe que chefia um dos três Poderes independentes, Dilma Rousseff imagina chefiar um Poder que dá ordens aos outros.

O julgamento do mensalão já deixou claro que não é assim. A maioria dos ministros é imune a esgares.

Os que temem carrancas nem precisam disso para atender aos interesses do governo. Não são juízes. São companheiros.

Missão cumprida


Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo

O desrespeito do cidadão Luiz Inácio da Silva pelo Congresso ficou conhecido quando qualificou a Casa como reduto de "300 picaretas". Faz quase 20 anos.

Sua indiferença pelo Legislativo já ficara patente na atuação displicente e inexpressiva passagem como deputado constituinte.

Quando Lula ganhou a eleição para presidente, logo ficou claro que além do desdém havia o intento de investir na desqualificação do Parlamento. Fazê-lo servil, enquadrá-lo de vez ao molde da presumida vigarice.

Não é conjectura, é fato: foi a partir de 2003 que o chamado baixo clero passou a assumir posição de destaque, a dominar os postos importantes, a assumir posições estratégicas.

Era uma massa até então quase incógnita, em sua maioria bastante maleável às investidas do Executivo e disposta a fazer do mandato um negócio lucrativo.

Note-se que na época o encarregado de fazer a "ponte" entre o Parlamento e o Planalto era ninguém menos que Waldomiro Diniz, o braço direito de José Dirceu na Casa Civil, cujos métodos ficariam conhecidos quando apareceu um vídeo onde extorquia o bicheiro Carlos Cachoeira.

A maneira como seria tratado o Congresso era perceptível no tom das lideranças petistas recentemente investidas no poder, quando a conversa era a formação da base governista.

Não se falava em compra financeira de apoio tal como se viu depois quando Roberto Jefferson rompeu a lei da Omertà e denunciou o mensalão, mas se dizia abertamente que a cooptação seria fácil agora que estavam na posse do aparelho de Estado.

Uma das consequências dessa inflexão ladeira abaixo foi o isolamento gradativo e por vezes voluntário, de deputados e senadores de boa biografia, com nome a zelar e atuação legislativa relevante.

Ao longo dos dois mandatos de Lula o Parlamento "caiu" na mesma proporção em que a figura do presidente se sobressaiu, em franca evidência de desequilíbrio entre Poderes.

Com o patrocínio da CPI que se encerra em grau inédito de desmoralização, cujo sentido vexativo não será eliminado com um remendo no relatório final, o ex-presidente conseguiu completar sua obra e cumprir o vaticínio sobre os "300 picaretas".

Não que não existam. Existem e pela degeneração do desempenho é possível que seja esse o número aproximado. Mas o Congresso não é só isso e disso dá notícia outra época em que ali a regra era a atividade política. As transações condenáveis se não chegavam a ser exceção, ao menos ficavam relegadas a um segundo plano.

Embora quem não acompanhe de perto o Parlamento seja cético quanto a isso, as coisas por lá já foram muito diferentes. E se foram melhores podem voltar a ser.

Cabe ao Poder Legislativo compreender a gravidade da derrocada nesse poço que parece não ter fundo, reunir as parcas forças ali ainda existentes e de alguma maneira reagir para o bem da saúde democrática.

Supremacia. 
Consistente, firme, autônomo, convicto de seus valores. Assim pareceu o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, em seu discurso sem enfeites.

Defendeu uma Justiça que não tarde, não falhe e preserve a independência do juiz. Assim como ele.

Celebrá-lo pelo quesito cor da pele é olhar só a parte de fora de uma obra sólida.

Desfeita. 
Se com o semblante fechado a presidente Dilma Rousseff quis demonstrar contrariedade em relação ao ministro Joaquim Barbosa, conseguiu destacar-se pela deselegância em momento de homenagem.

Queira o bom senso que a presidente não tenha escolhido a fisionomia zangada pelo mesmo critério que o deputado Odair Cunha escolheu os indiciados no relatório da CPI: para dar uma satisfação a Lula.

Proliferação de ministérios não ajuda o país


Editorial
O Globo

O contrapeso dessa estrutura hipertrofiada, com 38 ministérios, e ameaçando chegar a 40, é a carga tributária excessiva, que fica impossível de ser comprimida

O pescado precisa ser mais importante na alimentação dos brasileiros, e, para tal, a pesca e a aquicultura devem ser amparadas por programas governamentais que as estimulem. Pelos portos passam mais de 90% do comércio exterior brasileiro, daí a necessidade de se eliminar mais rapidamente os gargalos que os obstruem. As pequenas empresas são as grandes empregadoras do país, e devem merecer tratamento especial. Em um país com tantos desequilíbrios regionais e sociais, há que se ter programas específicos para o desenvolvimento da agricultura familiar e dos assentamentos da reforma agrária, assim como de quem cuide exclusivamente da igualdade racial e dos direitos das mulheres.

Argumentos positivos é que não faltam para justificar a enorme estrutura burocrática criada pelo governo federal, principalmente, mas que também é acompanhada por administrações estaduais e municipais. Mas o caminho para se avançar nessas questões é mesmo o de criar uma superestrutura ministerial?

A equipe da presidente Dilma Rousseff é formada por 38 ministros e secretários com esse mesmo status. Está para ser criado o trigésimo nono ministério, voltado para as pequenas empresas. E o quadragésimo seria um ministério exclusivo para tratar da irrigação. Em 2002, o total de ministérios e secretarias especiais da Presidência não passava de 21, e tal número já era motivo de críticas.

Desde então, proliferaram novos cargos no primeiro escalão, e nem por isso se percebe um incremento da eficiência da máquina governamental.

A verdade é que essa proliferação de ministérios e secretarias especiais tem servido mais para acomodar indicações da aliança político-partidária que sustenta o governo do que para resolver problemas.

É virtualmente impossível para a presidente despachar rotineiramente com todos os que formam o primeiro escalão. Na prática, os despachos se concentram no mesmo núcleo ministerial que sempre formou a espinha dorsal da administração pública.

O mais preocupante nessa estrutura ministerial hipertrofiada é que ela parece crescer de maneira autônoma.

A partir de determinado momento, os novos ministérios e secretarias passam a necessitar de representações nas diferentes regiões do país, e não podem prescindir de uma razoável assessoria parlamentar e jurídica, cerimoniais, chefias de gabinetes, etc., que por sua vez reivindicam espaço e meios para trabalhar.

Para atender a essas necessidades, deve-se requisitar funcionários e contratar temporariamente assessores de fora do serviço público. O contrapeso desse processo é uma carga tributária excessiva, que mesmo os governantes de boa-fé não conseguem comprimir.

Notas do cárcere


Percival Puggina

Raramente leio páginas policiais. Evito fazê-lo para não acrescentar doses extras de horror a meus próprios calafrios. Vivemos com medo, aferrolhados. Em nossas conversas habituais não faltam relatos de pavor e sangue. São apontamentos nos diários do cárcere, do cárcere em que nos recolhemos, inseguros e acossados. Há um pânico instalado no país e ele não distingue classe social nem cor da pele, campo e cidade. Como consequência, quem de nós, quando um bandido é morto no exercício de suas atividades, não exclama intimamente: “Um a menos!?”

É sobre essa síndrome que escrevo. Ela tem agentes causadores bem determinados. Não encontro pessoas com medo de serem vítimas de grandes crimes novelescos, por vingança, ciúme, herança ou dívida. O que encontro são pessoas com medo da criminalidade hoje considerada trivial, corriqueira, cotidiana. As pessoas temem ser espancadas ou mortas nas calçadas por motivo fútil. Percebêmo-nos sujeitos a isso.

Volta e meia alguém, ao nosso redor, foi parar na mala do carro ou experimentou o metal frio do revólver encostado na cabeça. Quem sai vivo de tais enrascadas ajoelha-se gratificado e lava o passeio com lágrimas de ira e júbilo. Um ano depois, os mais extremados rememoram a data, reúnem a família e sopram velinha. Festejam aniversário. São sobreviventes da criminalidade cotidiana.

O que descrevo tem tudo a ver com luta de classes, com pobres e ricos, com oprimidos e opressores. Mas não pelo motivo que lhe indicam certos analistas. É a bolorenta leitura marxista, conflituosa, da realidade social, sem a qual não conseguem pensar, que produz essa inoperância do Estado e suas consequências. É ela que responde pelo abandono do sistema carcerário e pelo desapreço às instituições policiais. É ela que redige a generosa benignidade dos códigos e os favores concedidos por leis penais que desarmam os juízes bons e compõem o arsenal dos maus. É uma leitura da realidade que minimiza aquilo que apavora o cidadão e aterroriza a sociedade. É uma leitura da realidade que legisla e atua na contramão do que todos temos o direito de exigir. Criminaliza a vítima e absolve o réu.

INDULGÊNCIA
O bandido que nos sobressalta certamente já foi preso. O desmanche para onde vai nosso automóvel roubado durante o assalto já foi fechado várias vezes. Mas alguém no aparelho estatal não fez e não faz o que lhe corresponde. O legislador brasileiro dispõe sobre matéria penal como se vivesse numa realidade suíça. Inúmeros magistrados desvelam-se em zelos para com os bandidos. Elevam desnecessariamente os riscos a que está exposta a sociedade sob sua jurisdição.

E não faltam formadores de opinião para pedir penas brandas exatamente para esse tipo de crime cotidiano, covarde e violento, de consequências sempre imprevisíveis. Em tal contexto, conceder indultos generalizados e soltar presos a rodo é uma bofetada oficial nas vítimas.

Progressão automática de regime, na realidade brasileira? Quanta irresponsabilidade! Existe coisa mais escancarada do que o tal semiaberto? Prisão domiciliar? Estão brincando. “Mas faltam presídios!”, alegam os protetores dos apenados.

A situação dos presídios brasileiros extrai hipérboles do ministro da Justiça. Mas há dez anos o grupo do ministro governa, dá as cartas e joga de mão no país. Quem sabe Sua Excelência espera que os contribuintes, à conta própria, saiam por aí a construir presídios? Lidam irresponsavelmente com coisa seriíssima, senhores! Da rendição do Estado ante a criminalidade sobrevirão a anomia e o caos.

Série de TV dos EUA liga PT a esquema de corrupção


Cristina Tardáguila
O Globo

Personagem é candidato do partido, acusado de fraude

REPRODUÇÃO
Indomável. A atriz mexicana Paloma Gúzman é Sofia, filha do 
diplomata candidato a presidente, que prejudica a imagem do 
pai ao se envolver com traficantes

RIO - Nem o boom econômico nem o julgamento do mensalão conseguiram evitar que a política brasileira deixasse de ser tachada como corrupta em produções de origem americana. No capítulo do seriado “Person of interest” exibido no Brasil na última quarta-feira pela Warner Channel, a protagonista era Sofia Campos, filha de um diplomata brasileiro que sempre se atrasa para eventos oficiais e que pretende concorrer à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo o episódio, que usa reportagens fictícias escritas em português como imagens de apoio para dar corpo à trama, o grupo político que está no poder no país desde 2002 está envolvido em fraudes eleitorais e tem membros suscetíveis a subornos.

A série “Person of interest” faz sucesso desde o ano passado ao narrar a história de um bilionário misterioso que desenvolveu um programa de computador capaz de vigiar indivíduos e antecipar sua participação em crimes — seja como vítima, agressor ou testemunha. Em cada capítulo, o espectador acompanha a solução de um único caso.

No terceiro capítulo da segunda temporada, exibido na americana CBS no dia 18 do mês passado, os políticos brasileiros estão na mira. A morena Sofia Campos, interpretada pela mexicana Paloma Guzmán, é a filha indomável de Hector Campos — diplomata destacado para atuar no fictício consulado de Nova York e que é candidato à presidência do Brasil pelo PT.

“Sofia foi aceita em Oxford” — explica a voz do misterioso milionário em off já no segundo minuto da trama. “E o partido político do pai dela foi acusado de fraude na última eleição. Sequestros políticos não são incomuns no país dela”.

E, enquanto apresenta a protagonista, o seriado usa como imagens de apoio matérias fictícias publicadas por sites brasileiros sobre o PT. Numa delas, o título é claro: “DEM acusa de fraude o comitê eleitoral do PT”. No corpo da matéria, informa-se que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investiga o partido.

Quando Hector Campos entra em cena, a voz do milionário volta ao off e destaca que o diplomata não aprova o namoro de Sofia com um “mauricinho” de Nova York chamado Jack. “A campanha política de Hector salienta igualdade socioeconômica para todos. Enquanto isso, sua filha passeia pela cidade com um cara rico”.

Enquanto Sofia se envolve com narcotraficantes, o seriado levanta a hipótese de uma conexão entre a máfia e a política brasileira. E Sofia não colabora. “Ela já teve mais de seis seguranças este ano, ninguém consegue acompanhá-la” — explica o pai, ao contratar mais um brutamontes. “Nem os seguranças do consulado?” — questiona ele. “Não. Eles são brasileiros. Suscetíveis ao suborno político, à espionagem, a vazar fofocas para a imprensa.”

Polícia Federal responde para que servem as agências reguladoras


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Há uma semana, perguntávamos aqui: “Afinal, para que servem as agências reguladoras”? Na sexta-feira a Polícia Federal se encarregou de responder, mostrando as ligações perigosas entre as agências, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a própria Presidência da República em São Paulo, ao detonar a Operação Porto Seguro, com o fim de desarticular a organização criminosa que se infiltrou em diversos órgãos federais para a obtenção de pareceres técnicos fraudulentos e beneficiar interesses privados.

As informações são estarrecedoras: o Ministério da Agricultura concedeu registro a um agrotóxico antes que sua marca comercial fosse oficialmente criada, contrariando a legislação para liberação de defensivos agrícolas no país. E o mesmo produto também já havia recebido liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sem ter passado por avaliação do órgão.

A investigação no gabinete da Presidência da República em São Paulo envolve Rosemary Novoa de Noronha, chefe de gabinete na capital paulista, indicada para o cargo pelo então presidente Lula. Era Rosemary quem o assessorava em viagens internacionais e foi responsável pela nomeação dos diretores Paulo Vieira (Agência Nacional de Águas) e Rubens Vieira (Agência Nacional de Aviação Civil).

Os dois e o empresário Marcelo Rodrigues Vieira, todos irmãos, estão entre os presos. Também foram presos temporariamente os advogados Marcos Antônio Negrão Martorelli e Lucas Henrique Batista, ambos em Santos, e Patricia Santos Maciel de Oliveira, em Brasília, que já já foi posta em liberdade.

PRIMEIRA VÍTIMA
A Folha e S. Paulo informa que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse ontem que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) agiu corretamente ao exonerar o ex-gerente-geral de toxicologia do órgão, Luiz Cláudio Meirelles, demitido após denunciar irregularidades na liberação de agrotóxicos.

Padilha apoiou a demissão dos dois dirigentes envolvidos no caso: Meirelles, que publicou carta em uma rede social relatando suspeitas de propinas e irregularidades na Gerência de Avaliação de Riscos da Anvisa, subordinada ao seu departamento, e Ricardo Augusto Velloso, responsável pela divisão.

“A Anvisa tomou a atitude correta, porque afastou a pessoa que teve algum tipo de denúncia em relação ao procedimento [Velloso] e também um gerente [Meirelles] que comunicou que já suspeitava há mais tempo de irregularidades e não tinha iniciado apuração”, disse o ministro.

A Anvisa estava sob suspeita desde a atuação de Agnelo Queiroz (hoje, governador do DF) em sua diretoria. Mas a “auditoria” interna feita pelo órgão inocentou Agnelo… Perto da administração do PT o famoso “mar de lama” de Getúlio Vargas não passava de uma pequena poça d’água.

O caixa da Petrobrás


Celso Ming 
O Estado de S.Paulo

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez duas declarações surpreendentes. A primeira, que "não há demanda da Petrobrás para aumento de preços da gasolina". A outra, que "a Petrobrás não tem dificuldade de caixa; é o maior caixa das empresas brasileiras".

São também dois equívocos. Se deixou de haver demanda da Petrobrás por reajustes dos combustíveis, estamos diante de uma novidade. Ficam, assim, todos informados de que, durante anos, fizeram um enorme teatro: o ex-presidente José Sergio Gabrielli; a atual, Graça Foster; e o diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Almir Barbassa.

Todos eles fizeram inúmeras declarações públicas de que a Petrobrás precisa do reajuste dos preços para tocar seus investimentos. Ao longo deste ano, a diretoria da Petrobrás reconheceu uma diferença de pelo menos 15% nos preços dos combustíveis. Ou seja, advertiu para "o desalinhamento entre preços internos e externos e para seu impacto sobre seu plano de negócios".

Em nenhuma economia saudável o critério para a formação de preços é a situação de caixa da empresa. Numa economia aberta, como a do Brasil, quando não obedecem estritamente à lei da oferta e da procura, os preços de bens ou serviços geram distorções.

Uma das distorções provocadas pelo atraso nos reajustes dos combustíveis é o salto do consumo de gasolina no Brasil, de cerca de 22% em dois anos. Outra distorção é o aparecimento de um subsídio. A Petrobrás está revendendo volumes cada vez mais altos de gasolina importada no mercado interno pagando por ela mais do que recebe do consumidor. Quanto mais alta a cotação do dólar, maior a conta do consumidor paga pela Petrobrás.

Mas as distorções não se restringem aos negócios da Petrobrás. A própria presidente Graça Foster, em inúmeras ocasiões, alertou para o esvaziamento do setor do etanol causado pela ausência de reajustes nos preços de alguns derivados de petróleo, na medida em que o consumidor passou a optar mais por gasolina. O resultado mais notório é a queda da produção do etanol, importado para suprir o consumo interno.

Caso, de uma hora para outra, os diretores da Petrobrás tenham decidido negar o que tantas vezes sustentaram e passem a afinar seu discurso com o do ministro Mantega é porque foram devidamente enquadrados, o que também diz muita coisa.

Se os preços deveriam sempre seguir o princípio sugerido pelo ministro, qualquer empresa com premência de caixa teria obrigação de elevar seus preços para se safar da bancarrota. Ou, então, toda empresa bem-sucedida teria de derrubá-los ou de mantê-los estáveis, porque não precisaria dos reajustes. De todo modo, falta saber qual é o critério dos preços dos combustíveis da Petrobrás.

O que o ministro Mantega não quer admitir é que está usando o caixa da Petrobrás para fazer política de preços. Em vez de se valer da política fiscal (manejo de receitas e despesas do setor público) ou da política monetária (política de juros), utiliza o caixa da empresa para conter a inflação - o que gera outras distorções. Ou seja, o governo Dilma envereda pelo mesmo desvio populista escolhido pela administração da presidente Cristina Kirchner, que está afundando a economia da Argentina.

Pelo fim dos salários extras dos senadores


Ruth De Aquino
Revista Época

Você e eu ajudaremos a pagar os impostos devidos pelos parlamentares – além dos nossos, é claro 

Excelentíssimos senadores. Tomem vergonha e paguem o imposto devido à Receita Federal sobre o 14º e o 15º salários que os senhores vêm recebendo à custa de um tratamento imoral desta nossa República, onde uns são mais iguais do que outros. Não passem sua dívida para os contribuintes. Nós só temos direito, quando muito, ao 13º salário.

Não acreditem nos aduladores que os chamam de “homens incomuns”. Os senhores deveriam se orgulhar de ser comuns, no cumprimento às leis. Deveriam recusar mordomias incompatíveis com o serviço público. Os senhores nos representam na Câmara Alta? Deem então o exemplo – a seus filhos e à nação. Não se finjam de tolos, porque tolos não são. E não se esqueçam das multas e dos juros. Comemorem o fato de que a Receita só pode cobrar atrasados dos últimos cinco anos. Cuidado com o nome sujo na praça.

Em agosto, o Leão deu um prazo de 20 dias para Suas Excelências enviarem cópias de contracheques e comprovantes de rendimentos anuais. Foi um deus nos acuda. A cada ano, em valores atuais, um senador ganha R$ 53.400 extras, de 14º e 15º salários. Essa benesse foi criada em 1946. Os senadores nunca recolheram imposto sobre isso. Agora, pressionados pela Receita e sob ameaça de uma investigação do Tribunal de Contas da União, cada senador terá de devolver aos cofres aproximadamente R$ 65 mil, fora juros e multas, relativos aos últimos cinco anos. Convenhamos: é muito pouco. Pouco para eles, bem entendido. Se imaginarmos que o mandato de cada senador custa R$ 33,1 milhões por ano ao país, segundo o site Transparência Brasil.

Eles ficaram revoltados. Embora sejam cultos e informados, os senadores pensavam que o 14º e o 15º salários eram só uma ajuda de custo, isenta de impostos. Incrível. Esses extras apenas se somariam a verbas que ajudam os senadores a sobreviver com estilo. Por fora do subsídio mensal, eles têm moradia paga, refeição paga, passagem aérea paga, telefone pago, combustível pago, assessor pago. Alguns têm até amante paga.

Na terça-feira passada, o Senado decidiu custear a dívida dos senadores. Com dinheiro público. Isso quer dizer que você e eu daremos uma mão aos parlamentares. Pagaremos os impostos devidos por eles. Além dos nossos, claro. Natural, num país em que a carga tributária é baixinha... Os senadores dispostos a pagar a dívida do próprio bolso deveriam comunicar à Casa sua intenção até o fim da sexta-feira, quando esta coluna era escrita. Seria útil divulgar a lista.

Sabemos da importância de um Legislativo forte numa democracia. Saudamos a independência entre os Poderes. Mas, por favor, senadores, mirem-se no Judiciário de Joaquim Barbosa. Ao tomar posse, Joaquim disse que o juiz deve guardar distância das “múltiplas e nocivas influências” – entre elas as políticas – para se manter independente. Pediu que o juiz escute o “anseio” da sociedade e não se isole “numa torre de marfim”. Reconheceu o “deficit de Justiça” no Brasil, lamentou que nem todos os brasileiros sejam tratados “com igual consideração”. Defendeu um Judiciário “sem firulas, sem floreios, sem rapapés”.

Traduzindo a fala de Joaquim para nossos 81 senadores. Mantenham sua independência sem relações espúrias com lobistas, laranjas, bicheiros e empresários. Ouçam a sociedade e não se isolem. Os eleitores estão cansados de maracutaias, de espírito corporativista e da ressurreição de fantasmas como Renan Calheiros. Votem com a consciência, e não com a conveniência. Abram mão de privilégios de casta. Sem firulas, sem floreios, sem rapapés, ataquem o nepotismo e a corrupção na Casa. E paguem seus impostos, porque isso é o mínimo que se exige dos contribuintes.

Aproveito o imbróglio para lançar uma campanha mais radical – pelo fim dos 15 salários dos senadores. Não há justificativa, excelentíssimos. É por isso que, às vésperas do recesso de fim de ano, fica todo mundo rindo e fofocando. Já pensou tirar férias assim? Existe um projeto que restringe os salários extras ao primeiro e ao último ano de mandato. Mas ninguém quer saber de votar – o texto deve estar nas gavetas empoeiradas dos porões do Congresso. Mesmo se fosse aprovado, continuaria sendo uma prática imoral.

Por que quem é pago por nós ganha dois salários a mais ao ano?

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Presidente Dilma, com todo o respeito, não pegou bem seu rosto emburrado de tédio na posse de Joaquim Barbosa como presidente do STF. A senhora fez um gesto carinhoso e gentil, ao ajeitar a capa do ministro. Mas trancou a boca e o olhar, mostrou-se alheia ao clima nacional de alegria e comemoração. Poderia ter ignorado as orientações e mostrado personalidade. Poderia ter-se colocado acima dos erros e das paixões. A senhora fica mais bonita quando sorri.