Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Há determinadas áreas em que a função dos governos não pode exceder-se à missão do Estado. Quem não souber distinguir uma coisa da outra não está apto a função de governar. Parece-nos que o PT do vossa excelência se insere nesta categoria. Eles não fazem a menor questão de não misturar Estado e Governo. Para estes profetas da ignorância e do caos, tudo é uma única coisa, e por assim entenderem, praticam políticas de governo que tendem a desinstitucionalizar o país. No campo da saúde, por exemplo, a política partidária deve ser jogada na lata do lixo. A saúde humana não pode ficar subordinada à ideologias de esquerda e direita. Medicina é uma ciência, com leis e princípios que vão além das canalhices políticas, dos conchavos partidários, ou dos interesses mesquinhos de ideologias.
Assim, perguntamos: polícia federal e forças armadas são instituições de estado ou de governo? De Estado, lógico, portanto, nelas o comando não pode ficar subordinado à ideologias político-partidárias. Na educação o princípio é o mesmo. A Educação de um povo deve obedecer a princípios pedagógicos que vão além desta mesquinharia, destes ufanismos. Preparar intelectualmente uma geração, não é coagi-la a seguir este ou aquele princípio de ideologia política, uma vez que esta se trata de uma escolha pessoal. Forma-se o homem, o cidadão, dando-lhes instrumentos e ferramentas adequadas para que ele, na idade adulta, com formação sólida no campo da intelectualidade, possa ter condições de assumir uma visão crítica em relação ao seu meio, e deste modo, faça suas opções ideológicas, sem condicionamentos, sem coação, sem lavagens cerebrais.
Desde que vossa excelência, talvez antes mesmo, o PT foi tomando de assalto fundações, fundos de pensão, sindicatos, centrais, e muitas áreas do serviço público. Coincidência ou não, a qualidade dos serviços públicos, e do ensino, foram perdendo solidez, foram se tornando degradadas, e de repente, começamos a observar que as pessoas não mais lutavam por melhorias em suas profissões, mas estavam mais preocupadas em promover agitações de cunho político. Não se brigava mais por melhoria de salários, de condições de trabalho, por oferta de cursos de aperfeiçoamento, e sim por conquistas que eliminava a qualidade, diminuía-se o trabalho. Ninguém demonstrava, por exemplo, a menor preocupação para com aqueles que sustentam tudo isso, e que acabam sendo os usuários finais de todos os serviços públicos.
Reparem no post anterior, nos depoimentos, como a educação n0o Brasil vai sendo reduzida a sua noção mais ordinária, o ministério que deveria de excelência em educação, foi-se se tornando, de uma lado, um antro de ocupação e aparelhamento político, e de outro, um verdadeiro Balcão de negócios onde o melhor lobby ganha a parada. Mas sempre, escondido lá no fundo, é possível descortinar um projeto de se solapar o conhecimento, como se observa neste trecho: “(...)Parece que, depois de contratarem os autores para o projeto e formatado o produto (livro), alguns são enviados ao MEC, que tem equipes para análise(...)”
Assim, não é difícil perceber que a questão dos livros didáticos acaba não tendo critério algum a não ser praticar algum agrado ao governante de plantão. Mas, santo Deus, cadê seriedade ? Cadê o compromisso com a verdade histórica? E onde está o respeito à uma educação isenta, livre de ranços ideológicos e partidários? Que direitos tem o MEC para enorme de coisa alguma, colocar-se acima de seu compromisso, e praticar uma colossal manipulação indecente com o conhecimento ? A arte de governar, dentro deste ou daquele conceito ideológico, não pode cometer o crime de mentir sobre a história da civilização. É inconcebível que livros de história escondam propositadamente, de forma cínica e canalha, os milhões de assassinatos cometidos por facínoras sanguinários e patogênicos. Bem como é maldosa a adoção de propaganda política nos textos destes mesmos livros. Ninguém está dizendo que os autores destes livros não possam escrever o que bem entendem. Se quiserem endeusar Lula como um mago, que o façam às suas custas, e jamais bancadas com dinheiro público, que deve ser empregado com responsabilidade e sobriedade, e se for para gastar em livros didáticos que eles versem pela qualidade, lisura e respeito à verdade.
Volto a insistir em dois pontos: esta questão de “proibir” que os alunos comprem outros livros afora aqueles “recomendados” pela listagem do MEC me parece algo meio fascista. E o segundo ponto é que o MEC precisa esclarecer definitivamente esta questão e vir a público informar quais critérios adota para a seleção de livros.
E acredito que o assunto deve sim merecer maior atenção da sociedade, como também deve pela sociedade ser acompanhado por neste país já existe muita pilantragem sendo cometidas com dinheiro público. Ridículo seria criar uma flange de esquerdopatas a quererem privatizarem para a sua ideologia os processos de ensino que, quanto mais amplos e universais, melhor. Nosso problema na educação é de falta de qualidade, de falta de meios, de má qualificação de grande número de professores, muitas vezes em razão até do péssimo salário com que são pagos. A prova é que, 12 anos depois da primeira avaliação realizada, nossos estudantes se encontram em níveis inferiores, ou seja, sequer conseguimos manter mesmo que em nível baixo um mesmo padrão de qualidade. Andamos para trás.
Para encerrar resta anotar que, um dos editores dos livros analisados pelo Ali Kammel, o senhor Sérgio Quadros, diretor editorial da Moderna, em entrevista concedida ao jornalista Reinaldo Azevedo concedeu uma entrevista na qual reconheceu os erros apontados na crítica feita ao livro Projeto Araribá – História 8ª Série, e que sua editora já havia providenciado nas correções. Deste modo, vale encerrar o artigo com o comentário feito pelo Reinaldo, como forma até de evitar os comentários maldosos em relação às críticas do Kammel de que estariam disfarçando um segundo e maldoso interesse d organizações Globo. Ou seja, e deste mal o petê sempre padeceu, quando apanhados no cometimento de crimes, eles não os negam, tentam sim desqualificar seus críticos e acusadores. Malandragem pura, cretina, mas aianda assim, um método para safar-se.
No comentário do Reinaldo fica claro que a crítica tem o propósito de apontar erros, que corrigidos, farão bem a todos, principalmente os estudantes que estarão tendo às mãos, uma leitura séria, qualificada e verdadeira.
O que resta de importante dessa história toda é o seguinte: jamais se inferiu — Kamel, eu ou qualquer outro — que as editoras distorcem a história só para agradar ao petismo e, assim, integrar o programa do livro didático. Isso é besteira. A distorção (e as palavras são minhas, não de Kamel) esquerdopata, esquerdiota e esquerdocínica do livro didático é uma questão mais ampla. Professores estão redigindo panfletos, verdadeiros libelos, de proselitismo esquerdista, esbarrando às vezes, como se vê, na propaganda partidária.
Vou dar crédito a Quadros e acreditar que as mudanças já estavam mesmo em curso. E sugerir que a editora busque uma maneira de retirar do mercado o que está errado. Afinal, trata-se de um grave problema que uma edição, como ele diz, de 2003, contendo erros e distorções, continue à venda, com novas reimpressões, em 2007, não é? O estudo da história, creio, supõe um pouco mais de estabilidade nos fatos. No terreno estritamente teórico, parece-me que seria prudente mais de cuidado e critério antes de transformar fatos contemporâneos em “fatos históricos”.
De todo modo, melhor que a editora busque corrigir seus próprios erros. Estaremos sempre vigilantes, apontando outros. Para desespero dos ladrõezinhos também da reputação alheia, que saíram em defesa do que nem a editora se dispõe a defender. Quem tem um patrimônio ético a zelar não tem compromisso com o erro. Isso é coisa de quem já vendeu também a ética.