quinta-feira, outubro 04, 2007

Lula e uma nova categoria psicanalítico-epistemológica

Por Reinaldo Azevedo

Sigmund Apedeuta participou hoje da reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Foi um ato para o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) apresentar o Plano de Ação até 2010. No fundo, só um convite para os conselheiros apresentarem sugestões. O governo Lula é assim. Essa gente inaugura até discurso. E, claro, seguindo firme o seu propósito de não passar um só dia sem uma batatada, Mano Lula mandou bala:

"Havia uma coisinha aqui no Brasil ou, quem sabe, na cabeça das pessoas [...] de cada ministro fazer o seu programa em função do pensamento da sua equipe. No fundo, no fundo, era uma coisa do ego intelectual: 'Eu vou produzir o conhecimento que acumulei ao longo da minha vida, sem me importar com o que os outros vão estar pensando'".

Ego intelectual” é uma categoria nova da psicologia e da epistemologia.

O intelecto, segundo esse ponto de vista, é tripartido:

- Ego intelectual
- Id intelectual
- Superego intelectual

Vamos entender cada uma dessas categorias:

Ego intelectual – consiste em ser “produtor“ (sic) do conhecimento que se “acumulou” (sic também...). Não entendi patavina. Vou mandar um e-mail a Lula indagando o que isso quer dizer. Parece-me uma variante da “masturbação sociológica”, categoria definida por Sérgio Motta.

Id Intelectual – São as inclinações intelectuais do inconsciente, quero crer. Sei lá. Você descobre que a sua mãe (o Brasil ou Jocasta) transou com o seu pai, traindo-o antes mesmo de você nascer. Só que você julga ter o direito exclusivo da violação de seu objeto do desejo (sua mãe, o Brasil ou Jocasta). Isso dá em quê? Em luta de classes. Você passará a vida tentando matar a burguesia para se livrar do receio de que ela o castre, entende? Trata-se de uma disputa fálica. É o que se chama Complexo de Édipo Intelectual.

Superego intelectual – É a fase madura do petismo, quando só é possível pensar depois de saber a opinião da Marilena Chaui, do Wanderley Guilherme dos Santos e de Mano Brawn. Você introjeta (ops!) todas as censuras do petismo e dá uma direção revolucionária àquele ímpeto antiburguês ditado pelo Id Intelectual.

Entendi por que Maria Rita Kehl gosta tanto do PT. É por causa dessa revolução político-psicanalítica. Falta agora ao partido só um pouco mais de swing (psicanalítico, digo), um pouco mais de seriedade na “lacanagem”...