sábado, agosto 04, 2007

Lembrando Lula em 2002.

Na coluna TRAPOS & FARRAPOS de hoje, escrevemos um artigo enfocando a mentira (tão comuns, não é mesmo?), que Lula passou nesta semana, quando afirmou desconhecer a gravidade da crise aérea. Como também, chegou ao desplante de dizer que nas cinco eleições de que participou, o assunto sequer foi discutido.

Bem, como vimos, não era bem assim, Lula conhecia bem demais até a crise aérea, tanto que se aventurou a publicar um artigo assinado por ele mesmo, na Gazeta Mercantil em janeiro de 2002. Claro que o foco do artigo, como poderão observarão, não era tanto a infra-estrutura aeroportuária. Sua preocupação aparente era a crise das companhias, a esconder que de fato seu artigo defendia os interesses do amigão da TRANSBRASIL, Antonio Celso Cipriani. Aliás, apenas para lembrar: o advogado da TRANSBRASIL na época, para quem tenha esquecido era nada mais nada menos do que o Roberto Teixeira, compadre de Lula, que depois acabou advogado da GOL e teve uma participação importante na aquisição que GOL fez do que sobrou da VARIG.

O que chama a atenção é Lula, aquela época, tinha todas as soluções e respostas para as demandas da aviação comercial. Sim, o presidente era outro. Depois, feito presidente, esqueceu-se do que escrevera, e agiu exatamente na contra-mão do que apregoara quando ainda candidato. Apenas para lembrar: se ele antes defendia financiamentos especiais para as empresas (tal como nos Estados Unidos foi feito para salvar não apenas as empresas mas principalmente os empregos), depois acabou negando um empréstimo ponte para VARIG salvar-se, insistiu-se na cobrança dos débitos que a companhia tinha para com a INFRAERO e Petrobrás, e sequer se dispôs a negociar um encontro de contas, já que, no seu próprio governo, a Justiça decretou que o governo devesse indenizar a VARIG em R$ 4,5 bilhões. Ou seja, Lula negou tudo aquilo que ele próprio “aconselhou” Fernando Henrique a fazer em janeiro de 2002.

Na época, o que o governo FHC fez foi primeiro perdoar parte das dívidas, (que Lula se negou depois a fazer), abriu linha de crédito no BNDES no valor de R$ 1,0 bilhão para as companhias em dificuldades (coisa que Lula sequer quis discutir), e alongou o prazo para pagamento de tributos. Foi pouco ? De certo, mas deu oxigênio para as empresas continuarem atuando. Lula, ao contrário, deu um tiro de misericórdia na VARIG, sem nenhuma oferta de facilidades., e ainda fechou todas as portas, e se manteve distante do sofrimento dos milhares de funcionários desempregados, funcionários de alto padrão, que acabaram alguns indo trabalhar no exterior, dada sua qualificação de primeira ordem.

Quanto a referência que Lula fez à criação da ANAC, em que acusou Fernando Henrique de haver retirado o projeto de sua criação abruptamente da pauta, ele, sutilmente, esqueceu de informar que o relator da comissão especial que analisou o projeto da Anac foi o então deputado Leur Lomanto (PMDB-BA). O trabalho dele foi rejeitado por setores da aviação civil, considerado uma tentativa de "cabide de emprego" e vetado pelo então presidente da República. Lomanto, hoje, é diretor da Anac, com mandato fixo e salário de R$ 10,2 mil.

Em 2003, com Lula já presidente, seu então ministro da Defesa, embaixador José Viegas, entregou-lhe longa e minuciosa radiografia sobre os problemas do setor aeroportuário, principalmente, no tocante a infra-estrutura. No relatório entregue à Lula, Viegas alertava para a falta de pessoal, falta de investimentos, material sucateado, aeroportos obsoletos, pistas fora do prazo de validade, malha aérea saturada.

Estes os fatos. Sem manipulação, sem pegadinhas, sem ironias de nenhuma espécie. Fica claro que Lula sabia, primeiro, das dificuldades das companhias de aviação comercial. Quando teve a oportunidade de socorre-las, no caso da VARIG, não apenas fechou todas as portas, como ainda, não satisfeito deixou de pagar a indenização sentenciada pela Justiça.

Depois, quando tomou conhecimento da gravidade das condições que tocavam a infra-estrutura, deu as costas, e não tomou as medidas que deveria. Assim, não lhe cabe o direito de esquivar-se da responsabilidade pelo caos que ele criou e deixou, por inércia, desídia, incompetência e irresponsabilidade chegar ao total de quase 400 mortos.

Teve tempo, condições e recursos para resolver mas empurrou com a barriga. Desta forma, negar conhecimento da gravidade é uma descomunal mentira, pilantragem e mistificação. Menos mal que desta vez as provas de que sabia de tudo são incontestáveis. Ele assinou o artigo, que data de 2002, quando ainda era candidato a candidato.

No post seguinte, a prova indiscutível do quanto Lula sabia em 2002, e do quanto ele mentiu deslavadamente em 2007. E não foi o único. Leiam o disse José Dirceu em 06 de setembro de 2002, ao Correio Braziliense:

"O presidente nacional do PT, José Dirceu, está preocupado com a crise no setor aéreo, mas afirmou que os cofres públicos estão fechados para companhias que não apresentarem programas de reestruturação. Na sua opinião, fusões entre as empresas podem ajudar a reduzir gastos e melhorar o desempenho financeiro de um segmento que agoniza desde a primeira grande desvalorização do real, em 1999."

Talvez aí esteja o ódio que os petistas cultivam para com a mídia independente: ela informa com extrema isenção, sem genuflexão, sem se comportarem com caudatárias de causas políticas, apenas atendendo ao seu dever de ofício que é informar, independente do governante. Gostem eles ou não.

Aliás, o comportamento de Lula me lembra muito bem um antigo provérbio árabe que diz: “Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio, quem não quer encontra uma desculpa.”

TRAPOS & FARRAPOS ...

UM PRESIDENTE PEGO NA MENTIRA...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Há quanto tempo vocês lêem neste espaço nossa crítica ao presidente Lula sobre a sua mania de mentir ? Fosse ele um cidadão comum, vá lá: cada um com sua consciência, com sua ética, princípios e valores morais. Mas, desde janeiro de 2003, Lula ocupa a Presidência da República. Sendo assim, um mínimo de decoro deveria manter, afinal, a instituição que ocupa não lhe pertence, é do povo brasileiro. Ele lá está por delegação em votação direta do povo, cuja maioria o escolheu para ocupá-la por um determinado período de tempo, findo o qual deverá restituí-la ao seu legítimo dono, o Estado brasileiro. Portanto, não pode e não tem o direito de tratar (ou destratar) aquela instituição. Lembram da famosa frase de que “todo o poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido”? Pois então, mas não parece ser este o entendimento de sua excelência. Insiste em manter um comportamento muito distante daquele que o cargo exige.

Desde que assumiu, e sempre que se vê diante de uma crise, Lula nega conhecer os fatos relacionados ao seu governo. Entende, sua excelência, que a simples negativa o isentará de qualquer culpa. Sempre que o horizonte fica nublado por problemas de gestão administrativa, joga e transfere a responsabilidade para terceiros, e regra geral, este “terceiro” é sempre o governante anterior a ele, FHC. Não se vê uma única atitude de reconhecimento pelo governo que recebeu, arrumado diga-se de passagem, mas ainda carente de reformas que lhe competiam fazer e não as fez.

Seria cansativo enumerar tudo novamente, portanto, nos restringiremos a crise do momento, a da crise aérea. Afora tudo que se disse e se comprovou sobre a responsabilidade do governo Lula para com a crise, Lula insiste em dissociar e manter-se eqüidistante dela. É como se a crise pertencesse a um outro país, em outro tempo, e como se o governo de problemas fosse uma coisa, e ele presidente, fosse outra. Trata-se, logo se vê, de uma estratégia para planar sobre as graves questões que deveria administrar, e não o fazendo, transfere responsabilidades, sem assumir-se como agente de seu próprio governo.

Desde que a crise começou, Lula vem agindo ao sabor dos ventos. Primeiro, claro, tentou negar a própria crise. Depois, com a queda do Boeing da Gol, disse que tomaria providências, uma vez que começaram a aparecer os relatórios da Aeronáutica, o primeiro datado de 2003, e chegou ao ponto de determinar dia e hora para acabar. Sucumbiu diante de nova tragédia, o Airbus da Tam, agora, contabilizando mais 199 mortos.

No dia 20 de julho passado, três dias após o acidente da TAM, em cadeia de rádio e televisão, assumiu a existência da crise e ficou de tomar providências. Contudo, como querendo desvencilhar-se do problema para que ele não afetasse sua popularidade, em solenidade no Planalto, voltou a negar tivesse conhecimento da crise.

Lula em seus discursos, por diversas vezes, tem um problema sério além da mentira: a tendência de dar um chute na história, tentando reescreve-la conforme lhe é conveniente. Claro, isto é demonstrativo do seu pouco estudo. Porém, se ele não sabe ler, há milhões no Brasil que pelo menos cursaram o ensino fundamental e puderam apreender um pouco de como se fez este Brasil ao longo de 507 anos de história. Sendo assim, a demagogia fica ridícula. O papel que sua excelência tenta exercer soa falso e hipócrita.

Vejamos na história recente, e especificamente sobre declarações de Lula sobre a crise aérea, o que ele insiste em dizer não ter conhecimento. Comecemos pela negativa:

Portal G1 – 03/08/07
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, 2, na reunião do Conselho Político, que o governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo. "Nessa questão, é como uma metástase que o paciente não sabia", teria comparado Lula, de acordo com relato de participantes.
O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida. Ao comentar a possível troca dos dirigentes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Lula recomendou cautela. "É preciso discutir essa proposta com calma, porque o presidente nomeia, mas não pode substituir", teria dito ele".


Ainda na qualidade de candidato, em 2002, declaração de Lula:

Jornal do Brasil - 06/09/2002
"O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o governo federal por ter demorado a anunciar o pacote de ajuda ao setor aéreo. "O que lastimo é que tenham esperado quebrar a Transbrasil, afundar a Vasp, a Varig quebrar, a TAM entrar em crise para poder ajudar", afirmou. O socorro governamental, de R$ 1 bilhão, veio através de medida provisória, com o perdão de dívidas antigas e redução de tributos."


Ao longo desta sábado, na segunda edição do COMENTANDO A NOTÍCIA, transcreveremos na íntegra algo ainda mais contundente. Escrito pelo próprio Lula, um artigo publicado na Gazeta Mercantil, sobre a gravidade dos problemas da aviação civil.

Claro que o artigo tinha por escopo a defesa da TRANSBRASIL, então em dificuldades. Fica fácil falar e aconselhar outros presidentes sobre “problemas”. Ruim é nega-los depois. Sobre isto trataremos na reprodução do artigo publicado na Gazeta. Por ora queremos apenas registrar o seguinte: Lula caiu em contradição. Tantas foram as mentiras, tão ansiosa foram as fugas da sua responsabilidade sempre atribuindo aos outros, e nunca a si próprio, os problemas graves que atormentam o país, que finalmente, sei lá se por esquecimento ou ato falho, acabou passando um atestado de mentiroso em si mesmo. Negou em 2007, como presidente, ter conhecimento da gravidade da questão aérea, quando em 2002, ainda como candidato, escrevera exatamente sobre a tal gravidade. Além, é claro, da existência do relatório recebido em 2003, agora já como presidente. Nada do que está dito aqui é fantasia: são fatos concretos, devidamente documentados e registrados. Impossível nega-los. Impossível sair-se com o velho chavão de se tratar “golpe das direitas e das zelite” ou “golpe da mídia”. Engraçado: a mesma mídia que ele hoje condena quando o critica como governante, pela má gestão, pela falta de ação, etc, foi o canal usado por ele para combater e criticar os governantes que o antecederam na presidência da república.

Talvez todo este episódio sirva de lição ao próprio presidente: o exercício da presidência da república, de um país como o Brasil não aceita amadores. Exige-se um pouco mais além de discurso, improvisos e conchavos políticos. Exige preparo, exige equilíbrio, exige projeto de governo e não de poder, exige trato político no campo em que a política deve prevalecer, mas também requer tratamento técnico em áreas em que o despreparo é fatal e acaba provocando tragédias, como o caso presente da crise aérea. Acredito que os quase 400 mortos já acumulados em único governo, é indicativo bastante forte para o senhor Luiz Inácio rever seus métodos e suas atitudes e comportamento. E por certo, um deles é abandonar a mentira e o cinismo, por de lado a arrogância, guardar no armário a fantasia de “grande estadista” com que tenta vestir-se desde o primeiro dia. Deixe para a história julga-lo como tal se para tanto merecer e trabalhar. E não ser ele seu próprio juiz. Restam-lhe três anos e meio de segundo mandato, tempo suficiente para corrigir-se, para redirecionar a rota de seu governo e, nunca é demais lembrar, tempo suficiente para começar a governar o país fazendo o que deve ser feito pois para tanto foi eleito pela vontade da maioria dos eleitores brasileiros. Não tente sufocar a critica: faça dela o seu maior instrumento de trabalho. Enfim, exerça o cargo com a dignidade que o cargo exige, e com o máximo de respeito aos brasileiros que nada mais é do que uma obrigação.

Lula sabia da gravidade da crise desde 2002

BRASÍLIA - Ao contrário do que disse quinta-feira a aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia, sim, em 2002, da gravidade dos problemas no setor da aviação civil. Em artigo publicado na "Gazeta Mercantil" no dia 7 de janeiro de 2002 - antes, portanto, da eleição presidencial que lhe daria o primeiro mandato -, Lula chegou a usar a expressão "estágio terminal" para descrever a situação das companhias aéreas.

"A crise da aviação brasileira, que vem se arrastando há muitos anos, atinge um estágio terminal, sem que se vislumbre uma solução no horizonte", escreveu Lula. O título do artigo é "Morte anunciada do transporte aéreo".

Na manhã de quinta-feira, na reunião do Conselho Político do governo, Lula disse que não sabia dos problemas no sistema aéreo e, como há cinco anos, usou a metáfora do câncer, para falar do setor. "Todo o sistema está com metástase, mas o paciente não sabia", disse aos aliados.

"Em cinco eleições que disputei para a Presidência, o assunto não foi debatido." Não foi bem assim. O presidente fez referência, no artigo, inclusive à Agência Nacional de Aviação Civil, órgão regulador que estava sendo criado pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

O artigo não trata dos problemas da infra-estrutura e da falta de segurança nos aeroportos - questões que estão em debate neste momento -, mas discute a quebradeira das companhias e a carga tributária no setor. Sempre que falam da atual crise no setor aéreo, o presidente e os ministros mais influentes do governo avaliam que a falência da Varig foi o começo do recente caos nos aeroportos.

Artigo
No artigo, demonstrando conhecimento do setor, Lula cita uma série de números; questiona a criação da Anac, agência cuja atuação é hoje alvo de ataques de setores da opinião pública e da oposição; faz um histórico do processo de estruturação do órgão, criticando o então presidente Fernando Henrique por vetar mudanças no projeto de estrutura do órgão regulador.

"No início de 2001, o Executivo encaminhou ao Congresso um projeto de lei instituindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que somente piorava as condições do setor", diz Lula. Como solução para os problemas das empresas aéreas, o então candidato presidencial do PT prega isonomia tributária e financiamentos para elas.

No artigo, Lula comenta que, após seis meses, a comissão especial da Câmara, responsável pela análise da proposta de criação da Anac, resolveu modificar profundamente o projeto, adequando-os aos padrões internacionais vigentes. "E o que fez o governo FHC?", pergunta o candidato.

E responde: "No dia da votação, de forma autoritária, simplesmente retirou o projeto, encerrando a discussão." Lula só não menciona, no artigo, que o relator da comissão especial que analisou o projeto da Anac foi o então deputado Leur Lomanto (PMDB-BA).

O trabalho dele foi rejeitado por setores da aviação civil, considerado uma tentativa de "cabide de emprego" e vetado pelo então presidente da República. Lomanto, hoje, é diretor da Anac, com mandato fixo e salário de R$ 10,2 mil. Recentemente, o Palácio do Planalto tentou convencê-lo a renunciar ao cargo, mas não conseguiu.

O governo precisa começar a trabalhar

Villas-Bôas Côrrea, Jornal do Brasil

O que o presidente Lula diz nos improvisos de todos os dias não pode ser tratado com a seriedade que a importância do cargo e o peso da responsabilidade inerente ao mandato renovado reclamam.

Quando solta o verbo diante de qualquer auditório perde o controle da língua e fala de acordo com o que lhe vem à cabeça. Mas é pedir além do limite da tolerância que aceitemos os reincidentes escorregões da sua facúndia, especialmente quando invade o pântano das ameaças. Ainda agora, um passo a mais, e entramos no clima do golpismo. Pois, que desculpa alivia a apreensão com a bravata de que "ninguém consegue botar mais povo na rua do que eu"?

Lula deturpa os fatos sem a menor cerimônia. A temporada das vaias começou na inauguração dos Jogos Pan-Americanos, no clima de festa do Maracanã lotado. E quem botou mais de 75 mil pessoas no estádio? A oposição, o prefeito Cesar Maia? Ora, a oposição estilhaçada não consegue encher auditório de clube. Está sendo fatiada com a cooptação oficial que continua saldando com o PMDB as promissórias do acordo celebrado com foguetório e farta distribuição de cargos. Por que o PMDB fez tanta questão de nomear o presidente de Furnas? É desconhecida a paixão do ex-prefeito Luiz Paulo Conde pelo nosso complexo problema energético. Lula antecipou-se à cobrança com uma frase gaiata: "Não quero um eletricista em Furnas". E que tal um técnico?

A ligeireza com que o maior governo etc trata dos problemas e improvisa soluções para fechar os conchavos políticos é a causa principal do evidente fracasso administrativo que pipoca nas crises da dramaticidade do apagão aéreo. Pela grosseria pornográfica do assessor Marco Aurélio Garcia e de seu valete, além das reações da turma de choque do PT no Congresso, passa a tentativa de jogar a culpa do desastre do avião da TAM às falhas mecânicas, o que aliviaria o governo da responsabilidade pela bagunça crônica do Ministério da Defesa, uma espécie de casa de cômodos com uma dezena de órgãos superpostos paralisados pelo gigantismo burocrático.

Ora, trata-se de uma jogada bisonha. A evidência do malogro do mandato da reeleição está entrando pelos olhos do país com a nitidez que permite apartar os êxitos setoriais inegáveis, como a distribuição de milhões de Bolsas Família e seus filhotes, e o sucesso estatístico das políticas econômicas. E que irriga os ricos, os milionários donos de bancos recordistas de lucros, empresários e empreiteiros.

No meio do sanduíche, a classe média paga pelos seus pecados e pela festa dos outros. Na rotina da vida a roda gira ao contrário. Ainda agora, com o colapso do transporte aéreo e a via-crucis em aeroportos superlotados, a alternativa das rodovias ampliou o flagrante do descalabro da rede rodoviária e da tapeação das operações tapa-buracos. Os índices são de estarrecer. Só no mês de julho, 668 mortos em acidentes nas estradas denunciam que no asfalto descuidado perdem a vida mais que o triplo dos executados na queda do Airbus da TAM.

A cesta dos insucessos é mais sortida do que a dos êxitos. Se a carga tributária não dói na cacunda dos ricos e não incomoda os assistidos pelos programas sociais, cevas de votos, quem necessita do socorro de hospitais públicos, de postos de saúde, de vaga nas escolas e universidades conhece o calvário de dias e noites na fila para esbarrar nos portões fechados das greves do INSS.

A vida é uma festa para quem voa no Aerolula, mora em palácios e não puxa a carteira para as despesas com comida, roupa, condução.
Discursos e bravatas não enchem barriga.

Uma justificativa indecente

Diretor da Anac diz que viagens pagas por empresas são comuns
Do G1, com informações do Jornal da Globo

Da agência fiscalizadora do setor, Barat não vê nada de mais em viagem paga pela TAM.
Para ele, é comum funcionários públicos aceitarem convites da iniciativa privada.


O diretor da Anac, Josef Barat, que esteve em Nova York às custas da TAM, disse nesta quinta-feira, no Rio, que é muito comum executivos do governo viajarem com as despesas pagas por empresas particulares.

Diretor da agência que fiscaliza as companhias aéreas, o economista Josef Barat falou pela primeira vez do episódio.

Primeiro, explicou porque acha importante a participação em eventos como o TAM Day, destinado a apresentar a companhia aérea a investidores estrangeiros. "É normal que os investidores queiram ouvir a palavra do órgão regulador. Por quê? Porque quem vai investir num setor de infra-estrutura no Brasil quer saber se existe uma regulação. Existe estabilidade de regras de jogo? O meu investimento que é de longo prazo não ser estar sujeito a turbulências e a mudanças políticas na direção da regulação?", explicou Barat.

Um dos jornalistas perguntou então por que a Anac não pagou as despesas da viagem já que o evento era considerado importante.

“O governo não paga. Isso é muito comum, inclusive, com executivos do governo, na área financeira, na área do Ministério da Fazenda, que são convidados até por bancos, entidades internacionais para fazerem palestras também. Eles querem saber qual é a direção da política econômica, da política de regulação do país”, disse Barat.

Mas o ministério da Fazenda contestou a informação da ANAC. A assessoria do órgão afirmou na noite desta quinta que não aceita viagens e despesas pagas por empresas privadas. E o Banco Central informou que os funcionários do banco não podem aceitar viagens pagas por instituições ou entidades sujeitas ao seu poder regulatório, porque a prática é vedada pelo código de ética.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Para quem não tem a menor noção do que seja “ética pública”, o senhor Barat na diz novidade alguma. É até normal para gente desta laia não ter ética alguma, afora o fato de que o distinto cidadão foi colocado no cargo em que se encontra apenas por relações promíscuas com os homens do poder. Aliás, sendo o governo Lula como é, a falta de ética de Barat é um atrativo imenso para ocupar qualquer função pública. Este governo o que mais adora é aparelha o Estado com gente com imensa folha corrida... Quanto mais delinqüente for o candidato, mais forte peso terá para ser escolhido...

Os Mortos E A Nação,

por Demétrio Magnoli, no Estadão
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'Top, top.' O gesto obsceno do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia se inscreve na mesma ordem de coisas que o 'relaxa e goza' da ministra Marta Suplicy, com o qual compartilha a obsessão pelo ato sexual e a vulgaridade sem álibi dos bem-nascidos e bem instruídos. Essas manifestações icônicas de um tempo e de um governo revelam, no plano formal, o que eles pensam da Nação. Mas seus conteúdos também são esclarecedores.A ministra escolheu a linguagem do meretrício para dizer que os cidadãos devem renunciar aos seus direitos, inclusive o de protestar, sublimando como fatalidade aquilo que decorre das ações e omissões do governo. O assessor presidencial usou o mesmo registro para celebrar uma notícia que supostamente desviaria os olhares dessas ações e omissões. Esse homem pragmático, um aparatchik da nova elite lulo-petista, não se preocupa com duas centenas de mortos e, como seu chefe, converteu a imagem pública do governo na sua prioridade absoluta.

Mas essa é a moral dele, não a nossa. O interesse público exige uma nítida identificação de responsabilidades, que não se confunde com atribuição de culpa. Os culpados pela tragédia de Congonhas só serão conhecidos por meio da investigação técnica do acidente. Os responsáveis estão à vista de todos.

Quando os bombeiros ainda lutavam nos escombros, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, afirmou que o Airbus decolou de Porto Alegre 'em perfeitas condições'. A mentira foi desvendada no dia seguinte, com a apuração, pelo Jornal Nacional, de que um defeito no reversor da aeronave havia sido identificado dias antes. Os passageiros freqüentes da TAM (como os da Gol) sabem que a mentira é a norma na relação das duas empresas do cartel dos ares com o público. O modelo de 'lotação aérea' criado pelos duopolistas se assenta sobre a fraude permanente dos contratos de transporte. TAM e Gol mentem todo o tempo, sobre horários, atrasos, cancelamentos e overbooking. Agora se sabe que o presidente da TAM mente também nos assuntos de vida e morte dos passageiros de sua empresa.

Bologna aprendeu que a mentira é a regra do jogo com o governo que protege o seu negócio fraudulento. Ao longo de quase um ano de caos aéreo, o governo utilizou-se dos métodos reivindicatórios intoleráveis dos controladores de vôo para montar o que lhe pareceu ser o álibi perfeito. À sombra dos sargentos, tentou-se ocultar o aparelhamento político da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero. A primeira tornou-se cúmplice das empresas que deveria fiscalizar, pregando um selo oficial de aprovação sobre um sistema hostil aos direitos dos passageiros e aos interesses da sociedade. A segunda direcionou os investimentos públicos para obras suntuosas e suspeitas, enquanto ignorava as necessidades óbvias de segurança de vôo.

O jogo da mentira começou a ser desvendado na hora da tragédia com o vôo da Gol. Mas as circunstâncias singulares do acidente proporcionaram ao governo uma saída tão imoral quanto eficiente, que foi a atribuição de toda a culpa aos pilotos americanos. O ruído infernal da patriotada cobriu as vozes dos controladores de vôo, que antes de sucumbirem à irresponsabilidade tentaram emitir um sinal de alerta.

O fogo da pira acesa em Congonhas calcinou duas centenas de pessoas, mas iluminou a paisagem inteira que, na sua arrogância monumental, o assessor especial de Lula ainda pretende esconder. Os passageiros do Airbus da TAM não podiam saber que embarcavam num avião em condições imperfeitas de segurança - mas isso não é nada incomum, segundo se depreende das declarações do presidente da TAM. A aeronave sem reversor pousou numa pista molhada e escorregadia, ainda carente de ranhuras - mas isso não é nada incomum, pois a Infraero libera aterrissagens em pistas consideradas inseguras pelos pilotos. Quanto falta para qualificar como assassinato isso que se está denominando acidente?

Enquanto os familiares tentavam encontrar seus mortos, Lula permaneceu mudo. Quando finalmente saiu de sua toca, foi para oferecer um cardápio desconjuntado de promessas oportunistas, alinhavadas exclusivamente pelo propósito de resgatar a sacrossanta imagem pública de seu governo. No seu discurso, o presidente mencionou a necessidade acaciana de investigar as 'causas' do morticínio, mas não pronunciou uma única palavra sobre as responsabilidades do governo, da Anac, da Infraero e das empresas aéreas. Quase ao mesmo tempo, Renan Calheiros, o aliado de todas as horas e de todos os presidentes, fazia uso de seu cargo para sabotar uma iniciativa do deputado Raul Jungmann, que solicitava o acompanhamento das investigações da tragédia por uma comissão parlamentar.

O governo cobre os seus, como sempre fez. A preservação dos burocratas periféricos, contudo, não é um dogma e suas cabeças podem ser entregues em bandejas de prata no curso do processo de administração da crise. No Palácio do Planalto, quando ainda ardiam as labaredas em Congonhas, já se tinha a consciência de que o fogo ameaçava consumir o que resta da credibilidade do próprio Lula. Essa consciência se expressou nas palavras angustiadas do ministro Walfrido dos Mares Guia, que repetia em transe o mantra segundo o qual 'a culpa não é do presidente Lula'.

Flagrado pelas câmeras no seu gesto revelador, o homem do 'top, top' procurou justificar-se alegando 'indignação' com uma suposta 'exploração política de um acontecimento dramático'. O seu sonho dourado, nessa hora difícil, coincide com o do presidente: trata-se de suprimir a política, substituindo-a pela investigação técnica. Em outras palavras, trata-se de cancelar o debate público sobre a sociedade de interesses entre os órgãos do governo e as empresas aéreas que emoldura a pira de sacrifício de Congonhas. É um dever cívico frustrar esse sonho. Em nome da memória dos mortos e dos direitos dos vivos.

Infraero é uma estatal de salários generosos

Valor Econômico
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A possível abertura de capital da Infraero, hoje empresa 100% da União, vai exigir do governo, além de sua transformação em sociedade de economia mista, uma modificação na forma de contabilizar parte dos investimentos. Por afetar direta e negativamente a conta de resultado da empresa, reduzindo a possibilidade de geração de lucro e portanto de distribuição de dividendos, a forma atual pode inviabilizar o interesse de potenciais acionistas minoritários. Em parte por causa desse problema contábil, o balanço fechou com prejuízo nos últimos dois anos. Outro aspecto que pode preocupar potenciais investidores são as despesas de pessoal, que cresceram 76% desde 2001, com elevação de 88% na média salarial.

Normalmente, o que é investido por uma empresa em obras, equipamentos e instalações não entra como despesa na conta de resultados, já que representa constituição ou reforço de ativos, explica o superintendente de finanças da Infraero, Joselino Araújo. O resultado só é afetado a longo prazo, na medida em que se reconhece, por força da legislação, a depreciação de tais ativos.
A Infraero, no entanto, é um caso ímpar. Como os aeroportos são bens públicos da União, a aplicação de recursos próprios da empresa na infra-estrutura aeroportuária é contabilizada como despesa operacional. Só os investimentos em prédios, instalações e equipamentos próprios é que são tratados normalmente. Nos dois últimos anos, por exemplo, o impacto da parcela transferida à União foi tão grande que o balanço da Infraero apontou prejuízo de R$ 458,1 milhões em 2005 e de R$ 135,2 milhões em 2006.

Se os investimentos fossem considerados para a própria Infraero, esses dois balanços teriam exibido lucro, permitindo a distribuição de dividendos, o que faria toda a diferença na hipótese de existência de acionistas minoritários. Hoje, embora detenha diretamente 92,9% das ações, na prática a União é acionista única, pois o resto do capital pertence ao Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND).Araújo reconhece, por outro lado, que, mesmo descontando a receita própria investida em bens da União, o resultado líquido anual da empresa piorou desde 2002. No último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, houve, nesse outro conceito, lucro líquido de R$ 454,17 milhões. Desde então, embora não tenha ficado negativo, o resultado caiu todos os anos até 2005 , quando foi de R$ 24,45 milhões. Em 2006, recuperou-se, para R$ 170,12 milhões, ainda assim, patamar bem inferior ao que se viu até 2004.

O desempenho do biênio 2005/2006 foi fortemente afetado pela quebra primeiro da Vasp e depois da Varig. As duas respondem pela maior parte dos R$ 896 milhões de dívidas vencidas e não pagas de companhias aéreas perante a Infraero. O risco de não ver esse dinheiro obrigou a empresa a fazer pesadas provisões para potenciais perdas. O impacto da constituição de provisões no balanço anual, que oscilou entre R$ 72,9 milhões e R$ 107,3 milhões no período de 2001 a 2004, subiu muito no último biênio, alcançando R$ 278,6 milhões em 2005 e R$ 299,7 milhões em 2006. Se o fluxo líquido anual de novas provisões tivesse ficado em patamar semelhante ao verificado até 2004, os resultados teriam sido bem diferentes.

Os potenciais futuros acionistas minoritários da Infraero certamente vão olhar com preocupação também a evolução das despesas de pessoal. Elas não estão explícitas nos quadros de demonstração de resultado publicados no relatório anual de gestão dos últimos exercícios. Mas podem ser vistas nos quadros de distribuição do Valor Adicionado (VA) da empresa. Eles mostram que o gasto anual com empregados na forma de salários, encargos, benefícios, participação em lucros e programa de demissão incentivada subiu cerca de 76%, quando comparados montantes de 2001 e 2006. Frente a 2002, ano em que houve redução, a folha da Infraero, que chegou a R$ 793,31 milhões no ano passado, cresceu 97%.

O ritmo de expansão do gasto com pessoal superou até mesmo o da receita operacional bruta, cujo valor alcançou R$ 2,03 bilhões em 2006, crescendo 52% na comparação com 2001 e 39,5% frente a 2002. Entre as fontes de arrecadação está a Tarifa de Embarque, cobrada dos passageiros. Mas há outras fontes, como tarifas de pouso, de permanência, de uso de comunicações, pagas pelas companhias aéreas. A Infraero também fatura pelo uso que outras empresas fazem de áreas de armazenagem de carga e de exploração de serviços. Araújo explica que o aumento de gastos com pagamento de empregados nos últimos anos deve-se principalmente a dois fatores. Um deles foi a necessidade de contratação de gente por causa da expansão das atividades . No final de 2006, a Infraero administrava 68 aeroportos, 32 Terminais de Logística de Carga e 80 Estações de Apoio à Navegação Aérea. Para cuidar de tudo isso, tinha 26,5 mil profissionais, dos quais 9,6 mil próprios e o restante terceirizado.

O processo de substituição de terceirizados, por exigência do Ministério Público, é outro motivo de expansão dos gastos com pessoal nos últimos anos, diz o superintendente. Ele reconhece, por outro lado, que há vantagens salariais incomuns na empresa. Enquanto os trabalhadores em geral têm direito a adicional de férias de 33%, a Infraero paga 50%. Os aumentos também têm sido generosos. A remuneração média mensal, já excluída a dos dirigentes, subiu 88% desde 2001, atingindo R$ 2.962 em dezembro passado. A remuneração dos dirigentes também apresentou variação expressiva, perto de 50%, atingindo R$ 18.661 mil.

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, quer mudar o padrão de gestão da Infraero. Por isso, já disse à cúpula do governo que quer um nome técnico para o seu comando, o que pode significar a saída do atual presidente, José Carlos Pereira.

Erro da Receita 'encarece' Supersimples. Erro, é?

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Governo já pensa em compensação por meio de projeto de lei.
Salões de cabeleireiro, academias e escritórios estão entre os prejudicados.


Um erro na redação do Supersimples fez com que prestadores de serviço que aderiram ao programa de simplificação de pagamento de tributos - reunindo impostos federais, estaduais e municipais -tivessem aumento em vez de redução de impostos.

Os salões de cabeleireiro estão entre os mais prejudicados. O cabeleireiro Thony Rodrigues diz que o reajuste nos tributos de seu negócio ficará em torno de 40%, prejudicando sua capacidade de investimento.

Projeto de lei
Para contornar o problema, o governo diz que um projeto de lei - já aprovado pela Câmara - pode servir de compensação aos segmentos prejudicados. Entretanto, isso só valerá se o projeto for aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outras áreas do setor de serviços, como academias de ginástica e escritórios de contabilidade, também são afetadas pelo erro de redação, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Nesses casos, o aumento de tributos chega a 38%.
Após a divulgação do estudo do IBPT, na quarta-feira (1º), a Receita Federal admitiu que o erro prejudicou 90 atividades do setor de serviços.

Migração
As empresas que já participam do Simples Federal migrarão automaticamente para o Supersimples, sem necessidade de novo cadastro. Esses empresários já podem consultar, no site do Simples Nacional, se possuem débitos que poderão impedir sua migração automática.

A Receita Federal prorrogou o prazo de adesão até 15 de agosto. As empresas que não quiserem mais aderir ao Supersimples podem pedir a exclusão até o fim do prazo. Estão autorizadas a participar do Supersimples empresas com faturamento anual de até R$ 2,4 milhões.

Até as 6h de terça-feira (31), o Comitê Gestor do Supersimples contabilizou 1,46 milhão de pedidos de adesão ao novo programa; outras 1,33 milhão de empresas já haviam migrado automaticamente. Deste modo, o Supersimples tem atualmente 2,79 milhões de empresas cadastradas.

COMENTANDO A NOTÍCIA: “Erro de redação”, é ? Contem outra. É a história do se colar, colou. É a prova provada de que o governo Lula não pratica redução de impostos em tempo algum: se reduz de um lado, a compensação sairá de outro lado. Isto não cara de “erro de redação”, e sim de uma tentativa de espertezas e pilantragens. Como os contribuintes assaltados descobriram o golpe e reclamaram, agora se diz que “houve erro”. Por que será que estes “erros” são sempre contra os contribuintes, e nunca contra o governo ? Por que será, hein ?

Agora não venham querer enrolar mais ainda dizendo que precisam de um novo projeto de lei, que ele precisa votado num Congresso que odeia trabalhar, e depois ir à sanção presidencial ! Por que aqui não se adota uma medida provisória, que se justificaria plenamente por ser uma ação visando a não imputar prejuízos aos contribuintes por erros na redação final da lei ? Gente cínica !!!

Uma divisão artificial

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA – Segunda-feira, primeiro dia de reabertura dos trabalhos do Congresso, só não era de espanto e de perplexidade a reação de deputados e senadores porque, faz muito, já se acostumaram. Acostumaram-se com quê? Com mais outro dos singulares improvisos do presidente Lula, feito na véspera, em Mato Grosso do Sul. Ninguém entendeu a história das duas orelhas que Deus nos deu, uma para escutar aplausos, a outra, vaias.

Pior ficou, porém, para os intérpretes das falas presidenciais, a referência aos banqueiros e empresários que jamais ganharam tanto dinheiro como no seu governo e agora movem campanha contra ele. A primeira parte da afirmação está certa, até confirmando a mudança profunda nas concepções políticas de Lula, porque os ricos estão cada vez mais ricos. A conclusão, porém, carece de verdade. Não são as elites, fora histriônicas exceções, que lançaram a expressão "cansei", para criticar o governo.

É a classe média que se insurge. Aquela que não enriqueceu, como os empresários e os banqueiros, nem beneficiou-se dos programas assistencialistas dedicados às massas. É a que paga as contas e sempre deu sustentação ao poder público. Quando deixou de dar, os resultados foram trágicos.

Se o presidente Lula confunde os dados da equação, será menos por falta de compreensão dos fenômenos sociais, mais por malícia. Pretende excluir a classe média de suas considerações por já tê-la perdido, por isso apresentando à opinião pública um País rachado de alto a baixo por seus extremos, arvorando-se em porta-voz das massas e criticando apenas de boca aqueles a quem presta os maiores serviços. Não é por aí que Lula recupera seu prestígio. Nem através desses esdrúxulos improvisos.

Os números não mentem
Como a demonstrar que as elites continuam muito satisfeitas, vale referir números divulgados ontem: no primeiro semestre deste ano, o governo "economizou" R$ 71,6 bilhões para o pagamento de juros das dívidas externa e pública. Um dinheiro fantástico para quem necessita construir mais um aeroporto em São Paulo, desviar as águas do São Francisco, recuperar a malha ferroviária, ampliar os portos e investir em saneamento básico, habitação popular, criação de hospitais e escolas. Quem se beneficia com essas "economias", senão os banqueiros e demais empresários do setor financeiro? Jamais seus lucros foram tão grandes, como demonstram os balanços semestrais das respectivas atividades.

Um certo Paulo manipulando a verdade a favor

Sabem aquele filminho em que o aspone Marco Aurélio Garcia faz top, top, top, sobre a provável falha mecânica do avião da TAM, e que, se confirmada, isentaria de todo o inferno que próprio governo instalou em quartel de mulas na aviação comercial brasileira ? Pois bem, a cena além de deprimente, revela por de trás do gesto toda a falta de decoro, de decência e de total falta de moral de um homem dito público, mas que só se encontra na vida publica pelo compadrio do eleito. Aliás, este é o mesmo aspone que louva o excesso de democracia e de liberdade de imprensa na vizinha Venezuela, de seu “companheiro” fraternal, Hugo Chavez. O filme varreu o mundo todo, e não se ouviu no mundo dito civilizado, uma única voz em solidariedade com a distinta figura e seu gesto indecente, quando mais se consideramdo em que condições o tal gesto aconteceu.

Por aqui, é natural, as pessoas decentes e com escrúpulos e moral razoável, reagiram com indignação, como seria de se esperar. Na reação, os asseclas do petismo gritaram alto que tanto a indignação pelo gesto, quanto pelas mazelas da crise aérea, crise reconhecida (até que enfim!) por Lula em duas ocasiões, recentemente é bem verdade, depois de 400 mortes, mas reconheceu ao menos, seria um levante golpista da grande mídia e da direita contra o Petê e o governo Lula.

O que a imprensa tem com isso ? É que eles gostariam que a imprensa não noticiasse nem as mortes nem o gesto ? É isto que eles entendem por liberdade de imprensa, que agora se esconda a verdade nua e crua, dos governantes e autoridades festejando e rindo da desgraça que eles por seus desmandos provocam na população brasileira ? E lá isso é liberdade ?

Quando se disse que o gesto do aspone Garcia representava não apenas um sentimento pessoal patético, mas toda uma “cultura” que norteia o pensamento das esquerdas brasileiras, teve quem entendesse um exagero de análise. Será?

O Jornal O Globo publicou um artigo de um tal de Paulo Ferreira, secretário de Finanças e Planejamento do PT, onde, e está lá para quem quiser ler, ele não apenas defende e se solidariza ao gesto do aspone, mas textualmente escreveu “(...)foi um lamentável capítulo de sensacionalismo promovido por parte da mídia, com o objetivo de macular a imagem de Marco Aurélio e atingir o PT e o governo(...)". Ou seja, para este senhor, vai ver que os culpados pela tragédia com o Airbus são as vítimas !!!

E não estranhem não: o pensamento petista é exatamente este. Para esses áulicos da liberdade sem liberdades, do direito de não ter direitos, a tragédia é um mal menor. A indecência é apenas um ato de bravura, uma espécie de "(...) reação compreensível de um brasileiro indignado com a manipulação da informação(...)”. Viram ? Para este cretino, que se danem os 400 mortos. Que se dane a opinião pública. Que dane a verdade. Que se dane o respeito e a decência. Publicar fatos que ocorrem, que causa vítimas, fruto de uma falência múltipla dos órgãos comandados pelos petistas na administração da aviação civil, isto é manipulação, é golpismo. Acredito que esta gente padece de um sério desarranjo mental e moral. São os mesmos que na oposição se serviam da “grande imprensa golpista” para plantar notinhas de calúnia contra adversários, são os mesmos caudilhos que iam para as ruas protestar e promover vaias e baderna, tumultuar e infernizar a ordem e sossego dos brasileiros. No poder, promovem a baderna para dentro sem nenhum pejo, mas não admitem mais que se dê contas à população que sustenta sua vagabundagem e picaretagem no comando do país, que exploram em nome de sua causa indecente e imoral de poder. Que se dane a verdade, desde que consigam impor sua ditadura de ignomínia, de degradação, de corrupção, de desvario. Escória podre corroída na alma pelas sombras do mau caratismo. Agora, a imprensa que não se ajoelha para prestar-lhes reverências, é golpista.

Mais adiante, o cretino ainda afirma que “(...) Sonham em voltar ao poder, retomar privilégios, e não medem esforços para atacar o PT e seus dirigentes(..)". Pergunto: voltar ao poder é golpe ? É proibido para as atuais oposições se oferecerem à população para reconquistar sua confiança e retomarem o poder ? Em que isso se tem alguma nesga de ilegalidade ? Ilegal é quererem usar o Estado e os recursos que ele dispõem para evitar que a alternância no poder possa ser consumada. Isto aliás, nem golpismo é, é tirania pura e simples.

E a dizer que "(...)O episódio do gesto em si é apenas ilustrativo. Todo mundo sabe que o professor Marco Aurélio Garcia é figura respeitadíssima nacional e internacionalmente, além de ser um dos principais expoentes da esquerda brasileira(...)."

Ilustrativo ? Não, significativo da filosofia instalada no poder pelos fidalgos do petismo. Representa mesmo a obscenidade praticada e rigorosamente seguida e obedecida pelos áulicos que agora gritam “é golpe” sobre os 400 cadáveres que a inércia do seu desgoverno e irresponsabilidade conseguiu promover. Nem a ditadura militar com todo o seu aparato repressor, em mais de 20 anos de poder, conseguiu amontoar tantos mortos. O governo Lula, em um quinto deste tempo, superou a marca da ditadura.

Quanto a dizer que "(...) o professor Marco Aurélio Garcia é figura respeitadíssima nacional e internacionalmente, além de ser um dos principais expoentes da esquerda brasileira(...)", parece que o secretariozinho não é muito viajado. Precisava visitar alguns lugares do mundo desenvolvido para saber o “quanto” o aspone é “respeitado” mundo afora !!! Que alguém lhe dê ouvidos na África sub-humana e na América subdesenvolvida, vá lá: todo o ignorante e imbecil idiotizado acaba sendo consagrado nas sombras do atraso. Mas vá adiante, senhor Ferreira, ponha os pés no mundo que não padece desta idolatrada ignorância, deste analfabetismo moral, e pergunte se alguém ao menos ouviu falar deste bagulho que você ama tanto !

Ninguém precisa mover um dedo para tentar desmoralizar o petismo: ele sozinho consegue, pelos atos, palavras e ideologia se desmoralizar sozinho. Ninguém precisa exibir ao mundo a baixa estatura de caráter de seus membros. Aliás, seu próprio artigo subscreve integralmente tudo o que se diz sobre o petê e seus asseclas.

Por fim, resta comentar, mesmo com o estômago revoltado pela leitura do libelo da insensatez, do descaramento, da insanidade e da apologia à obscenidade e imoralidade, o recado que o valente tenta nos passar: "(...)Talvez fosse o caso da mídia brasileira repensar o seu papel, aprender a conviver numa democracia com liberdades individuais, direito à informação com imparcialidade, pluralismo e isenção. Inversamente, quanto mais atacam o PT, mais o partido se consolida no cenário político nacional(...)."

Primeiro, que a mídia brasileira, a que é independente ao menos, a que pensa e não se ajoelha ao banditismo praticado pelas verbas públicas, a que não se vende e não admite negociatas de nenhum gênero, sabe exercer perfeitamente bem o seu papel. Tanto, que quando outros foram os governantes, ela jamais deixou de noticiar desmandos e incompetências que fossem por eles realizadas. Informe-se melhor a respeito para não dizer asneiras e trovar mentiras. A imprensa brasileira tem seu compromisso com a verdade, com os fatos, e não com partidos políticos ou governantes multifacetados na mentira e na luxúria. Tanto, que nem a força das armas militares a fez calar-se. Resistiu e superou todas as repressões contra ela usadas. Não será um partideco de quinta categoria, freqüentado e habitado por anões do conhecimento e da moral que a fará vergar-se. Ela, muito melhor do que certos secretários politiqueiros, sabe defender o direito à informação. Ela, melhor do que determinados assessores indecentes, sabe reconhecer o direito do povo brasileiro de ser informado sobre a verdadeira ação predadora dos governantes que um dia confiou, e que se valem agora dos métodos da força tirânica dos imbecis, para covardemente esconder seus desmandos e incompetências, no indigesto banquete dos imorais. Melhor faria o tal secretário se aprendesse o verdadeiro significado não apenas do que seja viver num regime democrático: oportuno se pudesse aprender que um grande país não é construído com cinismo e mentiras diárias vomitadas na ala da imprensa servil e alugada, pelos governantes arrogantes e mistificadores. O Brasil não é propriedade exclusiva de um partido. Somos um país livre e não aceitamos a mordaça nem o servilismo de quem quer seja.