Na coluna TRAPOS & FARRAPOS de hoje, escrevemos um artigo enfocando a mentira (tão comuns, não é mesmo?), que Lula passou nesta semana, quando afirmou desconhecer a gravidade da crise aérea. Como também, chegou ao desplante de dizer que nas cinco eleições de que participou, o assunto sequer foi discutido.
Bem, como vimos, não era bem assim, Lula conhecia bem demais até a crise aérea, tanto que se aventurou a publicar um artigo assinado por ele mesmo, na Gazeta Mercantil em janeiro de 2002. Claro que o foco do artigo, como poderão observarão, não era tanto a infra-estrutura aeroportuária. Sua preocupação aparente era a crise das companhias, a esconder que de fato seu artigo defendia os interesses do amigão da TRANSBRASIL, Antonio Celso Cipriani. Aliás, apenas para lembrar: o advogado da TRANSBRASIL na época, para quem tenha esquecido era nada mais nada menos do que o Roberto Teixeira, compadre de Lula, que depois acabou advogado da GOL e teve uma participação importante na aquisição que GOL fez do que sobrou da VARIG.
O que chama a atenção é Lula, aquela época, tinha todas as soluções e respostas para as demandas da aviação comercial. Sim, o presidente era outro. Depois, feito presidente, esqueceu-se do que escrevera, e agiu exatamente na contra-mão do que apregoara quando ainda candidato. Apenas para lembrar: se ele antes defendia financiamentos especiais para as empresas (tal como nos Estados Unidos foi feito para salvar não apenas as empresas mas principalmente os empregos), depois acabou negando um empréstimo ponte para VARIG salvar-se, insistiu-se na cobrança dos débitos que a companhia tinha para com a INFRAERO e Petrobrás, e sequer se dispôs a negociar um encontro de contas, já que, no seu próprio governo, a Justiça decretou que o governo devesse indenizar a VARIG em R$ 4,5 bilhões. Ou seja, Lula negou tudo aquilo que ele próprio “aconselhou” Fernando Henrique a fazer em janeiro de 2002.
Na época, o que o governo FHC fez foi primeiro perdoar parte das dívidas, (que Lula se negou depois a fazer), abriu linha de crédito no BNDES no valor de R$ 1,0 bilhão para as companhias em dificuldades (coisa que Lula sequer quis discutir), e alongou o prazo para pagamento de tributos. Foi pouco ? De certo, mas deu oxigênio para as empresas continuarem atuando. Lula, ao contrário, deu um tiro de misericórdia na VARIG, sem nenhuma oferta de facilidades., e ainda fechou todas as portas, e se manteve distante do sofrimento dos milhares de funcionários desempregados, funcionários de alto padrão, que acabaram alguns indo trabalhar no exterior, dada sua qualificação de primeira ordem.
Quanto a referência que Lula fez à criação da ANAC, em que acusou Fernando Henrique de haver retirado o projeto de sua criação abruptamente da pauta, ele, sutilmente, esqueceu de informar que o relator da comissão especial que analisou o projeto da Anac foi o então deputado Leur Lomanto (PMDB-BA). O trabalho dele foi rejeitado por setores da aviação civil, considerado uma tentativa de "cabide de emprego" e vetado pelo então presidente da República. Lomanto, hoje, é diretor da Anac, com mandato fixo e salário de R$ 10,2 mil.
Em 2003, com Lula já presidente, seu então ministro da Defesa, embaixador José Viegas, entregou-lhe longa e minuciosa radiografia sobre os problemas do setor aeroportuário, principalmente, no tocante a infra-estrutura. No relatório entregue à Lula, Viegas alertava para a falta de pessoal, falta de investimentos, material sucateado, aeroportos obsoletos, pistas fora do prazo de validade, malha aérea saturada.
Estes os fatos. Sem manipulação, sem pegadinhas, sem ironias de nenhuma espécie. Fica claro que Lula sabia, primeiro, das dificuldades das companhias de aviação comercial. Quando teve a oportunidade de socorre-las, no caso da VARIG, não apenas fechou todas as portas, como ainda, não satisfeito deixou de pagar a indenização sentenciada pela Justiça.
Depois, quando tomou conhecimento da gravidade das condições que tocavam a infra-estrutura, deu as costas, e não tomou as medidas que deveria. Assim, não lhe cabe o direito de esquivar-se da responsabilidade pelo caos que ele criou e deixou, por inércia, desídia, incompetência e irresponsabilidade chegar ao total de quase 400 mortos.
Teve tempo, condições e recursos para resolver mas empurrou com a barriga. Desta forma, negar conhecimento da gravidade é uma descomunal mentira, pilantragem e mistificação. Menos mal que desta vez as provas de que sabia de tudo são incontestáveis. Ele assinou o artigo, que data de 2002, quando ainda era candidato a candidato.
No post seguinte, a prova indiscutível do quanto Lula sabia em 2002, e do quanto ele mentiu deslavadamente em 2007. E não foi o único. Leiam o disse José Dirceu em 06 de setembro de 2002, ao Correio Braziliense:
"O presidente nacional do PT, José Dirceu, está preocupado com a crise no setor aéreo, mas afirmou que os cofres públicos estão fechados para companhias que não apresentarem programas de reestruturação. Na sua opinião, fusões entre as empresas podem ajudar a reduzir gastos e melhorar o desempenho financeiro de um segmento que agoniza desde a primeira grande desvalorização do real, em 1999."
Talvez aí esteja o ódio que os petistas cultivam para com a mídia independente: ela informa com extrema isenção, sem genuflexão, sem se comportarem com caudatárias de causas políticas, apenas atendendo ao seu dever de ofício que é informar, independente do governante. Gostem eles ou não.
Aliás, o comportamento de Lula me lembra muito bem um antigo provérbio árabe que diz: “Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio, quem não quer encontra uma desculpa.”