BRASÍLIA - Ao contrário do que disse quinta-feira a aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia, sim, em 2002, da gravidade dos problemas no setor da aviação civil. Em artigo publicado na "Gazeta Mercantil" no dia 7 de janeiro de 2002 - antes, portanto, da eleição presidencial que lhe daria o primeiro mandato -, Lula chegou a usar a expressão "estágio terminal" para descrever a situação das companhias aéreas.
"A crise da aviação brasileira, que vem se arrastando há muitos anos, atinge um estágio terminal, sem que se vislumbre uma solução no horizonte", escreveu Lula. O título do artigo é "Morte anunciada do transporte aéreo".
Na manhã de quinta-feira, na reunião do Conselho Político do governo, Lula disse que não sabia dos problemas no sistema aéreo e, como há cinco anos, usou a metáfora do câncer, para falar do setor. "Todo o sistema está com metástase, mas o paciente não sabia", disse aos aliados.
"Em cinco eleições que disputei para a Presidência, o assunto não foi debatido." Não foi bem assim. O presidente fez referência, no artigo, inclusive à Agência Nacional de Aviação Civil, órgão regulador que estava sendo criado pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
O artigo não trata dos problemas da infra-estrutura e da falta de segurança nos aeroportos - questões que estão em debate neste momento -, mas discute a quebradeira das companhias e a carga tributária no setor. Sempre que falam da atual crise no setor aéreo, o presidente e os ministros mais influentes do governo avaliam que a falência da Varig foi o começo do recente caos nos aeroportos.
Artigo
No artigo, demonstrando conhecimento do setor, Lula cita uma série de números; questiona a criação da Anac, agência cuja atuação é hoje alvo de ataques de setores da opinião pública e da oposição; faz um histórico do processo de estruturação do órgão, criticando o então presidente Fernando Henrique por vetar mudanças no projeto de estrutura do órgão regulador.
"No início de 2001, o Executivo encaminhou ao Congresso um projeto de lei instituindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que somente piorava as condições do setor", diz Lula. Como solução para os problemas das empresas aéreas, o então candidato presidencial do PT prega isonomia tributária e financiamentos para elas.
No artigo, Lula comenta que, após seis meses, a comissão especial da Câmara, responsável pela análise da proposta de criação da Anac, resolveu modificar profundamente o projeto, adequando-os aos padrões internacionais vigentes. "E o que fez o governo FHC?", pergunta o candidato.
E responde: "No dia da votação, de forma autoritária, simplesmente retirou o projeto, encerrando a discussão." Lula só não menciona, no artigo, que o relator da comissão especial que analisou o projeto da Anac foi o então deputado Leur Lomanto (PMDB-BA).
O trabalho dele foi rejeitado por setores da aviação civil, considerado uma tentativa de "cabide de emprego" e vetado pelo então presidente da República. Lomanto, hoje, é diretor da Anac, com mandato fixo e salário de R$ 10,2 mil. Recentemente, o Palácio do Planalto tentou convencê-lo a renunciar ao cargo, mas não conseguiu.
"A crise da aviação brasileira, que vem se arrastando há muitos anos, atinge um estágio terminal, sem que se vislumbre uma solução no horizonte", escreveu Lula. O título do artigo é "Morte anunciada do transporte aéreo".
Na manhã de quinta-feira, na reunião do Conselho Político do governo, Lula disse que não sabia dos problemas no sistema aéreo e, como há cinco anos, usou a metáfora do câncer, para falar do setor. "Todo o sistema está com metástase, mas o paciente não sabia", disse aos aliados.
"Em cinco eleições que disputei para a Presidência, o assunto não foi debatido." Não foi bem assim. O presidente fez referência, no artigo, inclusive à Agência Nacional de Aviação Civil, órgão regulador que estava sendo criado pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
O artigo não trata dos problemas da infra-estrutura e da falta de segurança nos aeroportos - questões que estão em debate neste momento -, mas discute a quebradeira das companhias e a carga tributária no setor. Sempre que falam da atual crise no setor aéreo, o presidente e os ministros mais influentes do governo avaliam que a falência da Varig foi o começo do recente caos nos aeroportos.
Artigo
No artigo, demonstrando conhecimento do setor, Lula cita uma série de números; questiona a criação da Anac, agência cuja atuação é hoje alvo de ataques de setores da opinião pública e da oposição; faz um histórico do processo de estruturação do órgão, criticando o então presidente Fernando Henrique por vetar mudanças no projeto de estrutura do órgão regulador.
"No início de 2001, o Executivo encaminhou ao Congresso um projeto de lei instituindo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que somente piorava as condições do setor", diz Lula. Como solução para os problemas das empresas aéreas, o então candidato presidencial do PT prega isonomia tributária e financiamentos para elas.
No artigo, Lula comenta que, após seis meses, a comissão especial da Câmara, responsável pela análise da proposta de criação da Anac, resolveu modificar profundamente o projeto, adequando-os aos padrões internacionais vigentes. "E o que fez o governo FHC?", pergunta o candidato.
E responde: "No dia da votação, de forma autoritária, simplesmente retirou o projeto, encerrando a discussão." Lula só não menciona, no artigo, que o relator da comissão especial que analisou o projeto da Anac foi o então deputado Leur Lomanto (PMDB-BA).
O trabalho dele foi rejeitado por setores da aviação civil, considerado uma tentativa de "cabide de emprego" e vetado pelo então presidente da República. Lomanto, hoje, é diretor da Anac, com mandato fixo e salário de R$ 10,2 mil. Recentemente, o Palácio do Planalto tentou convencê-lo a renunciar ao cargo, mas não conseguiu.