Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Há quanto tempo vocês lêem neste espaço nossa crítica ao presidente Lula sobre a sua mania de mentir ? Fosse ele um cidadão comum, vá lá: cada um com sua consciência, com sua ética, princípios e valores morais. Mas, desde janeiro de 2003, Lula ocupa a Presidência da República. Sendo assim, um mínimo de decoro deveria manter, afinal, a instituição que ocupa não lhe pertence, é do povo brasileiro. Ele lá está por delegação em votação direta do povo, cuja maioria o escolheu para ocupá-la por um determinado período de tempo, findo o qual deverá restituí-la ao seu legítimo dono, o Estado brasileiro. Portanto, não pode e não tem o direito de tratar (ou destratar) aquela instituição. Lembram da famosa frase de que “todo o poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido”? Pois então, mas não parece ser este o entendimento de sua excelência. Insiste em manter um comportamento muito distante daquele que o cargo exige.
Desde que assumiu, e sempre que se vê diante de uma crise, Lula nega conhecer os fatos relacionados ao seu governo. Entende, sua excelência, que a simples negativa o isentará de qualquer culpa. Sempre que o horizonte fica nublado por problemas de gestão administrativa, joga e transfere a responsabilidade para terceiros, e regra geral, este “terceiro” é sempre o governante anterior a ele, FHC. Não se vê uma única atitude de reconhecimento pelo governo que recebeu, arrumado diga-se de passagem, mas ainda carente de reformas que lhe competiam fazer e não as fez.
Seria cansativo enumerar tudo novamente, portanto, nos restringiremos a crise do momento, a da crise aérea. Afora tudo que se disse e se comprovou sobre a responsabilidade do governo Lula para com a crise, Lula insiste em dissociar e manter-se eqüidistante dela. É como se a crise pertencesse a um outro país, em outro tempo, e como se o governo de problemas fosse uma coisa, e ele presidente, fosse outra. Trata-se, logo se vê, de uma estratégia para planar sobre as graves questões que deveria administrar, e não o fazendo, transfere responsabilidades, sem assumir-se como agente de seu próprio governo.
Desde que a crise começou, Lula vem agindo ao sabor dos ventos. Primeiro, claro, tentou negar a própria crise. Depois, com a queda do Boeing da Gol, disse que tomaria providências, uma vez que começaram a aparecer os relatórios da Aeronáutica, o primeiro datado de 2003, e chegou ao ponto de determinar dia e hora para acabar. Sucumbiu diante de nova tragédia, o Airbus da Tam, agora, contabilizando mais 199 mortos.
No dia 20 de julho passado, três dias após o acidente da TAM, em cadeia de rádio e televisão, assumiu a existência da crise e ficou de tomar providências. Contudo, como querendo desvencilhar-se do problema para que ele não afetasse sua popularidade, em solenidade no Planalto, voltou a negar tivesse conhecimento da crise.
Lula em seus discursos, por diversas vezes, tem um problema sério além da mentira: a tendência de dar um chute na história, tentando reescreve-la conforme lhe é conveniente. Claro, isto é demonstrativo do seu pouco estudo. Porém, se ele não sabe ler, há milhões no Brasil que pelo menos cursaram o ensino fundamental e puderam apreender um pouco de como se fez este Brasil ao longo de 507 anos de história. Sendo assim, a demagogia fica ridícula. O papel que sua excelência tenta exercer soa falso e hipócrita.
Vejamos na história recente, e especificamente sobre declarações de Lula sobre a crise aérea, o que ele insiste em dizer não ter conhecimento. Comecemos pela negativa:
Portal G1 – 03/08/07
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, 2, na reunião do Conselho Político, que o governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo. "Nessa questão, é como uma metástase que o paciente não sabia", teria comparado Lula, de acordo com relato de participantes.
O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida. Ao comentar a possível troca dos dirigentes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Lula recomendou cautela. "É preciso discutir essa proposta com calma, porque o presidente nomeia, mas não pode substituir", teria dito ele".
Ainda na qualidade de candidato, em 2002, declaração de Lula:
Jornal do Brasil - 06/09/2002
"O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o governo federal por ter demorado a anunciar o pacote de ajuda ao setor aéreo. "O que lastimo é que tenham esperado quebrar a Transbrasil, afundar a Vasp, a Varig quebrar, a TAM entrar em crise para poder ajudar", afirmou. O socorro governamental, de R$ 1 bilhão, veio através de medida provisória, com o perdão de dívidas antigas e redução de tributos."
Ao longo desta sábado, na segunda edição do COMENTANDO A NOTÍCIA, transcreveremos na íntegra algo ainda mais contundente. Escrito pelo próprio Lula, um artigo publicado na Gazeta Mercantil, sobre a gravidade dos problemas da aviação civil.
Claro que o artigo tinha por escopo a defesa da TRANSBRASIL, então em dificuldades. Fica fácil falar e aconselhar outros presidentes sobre “problemas”. Ruim é nega-los depois. Sobre isto trataremos na reprodução do artigo publicado na Gazeta. Por ora queremos apenas registrar o seguinte: Lula caiu em contradição. Tantas foram as mentiras, tão ansiosa foram as fugas da sua responsabilidade sempre atribuindo aos outros, e nunca a si próprio, os problemas graves que atormentam o país, que finalmente, sei lá se por esquecimento ou ato falho, acabou passando um atestado de mentiroso em si mesmo. Negou em 2007, como presidente, ter conhecimento da gravidade da questão aérea, quando em 2002, ainda como candidato, escrevera exatamente sobre a tal gravidade. Além, é claro, da existência do relatório recebido em 2003, agora já como presidente. Nada do que está dito aqui é fantasia: são fatos concretos, devidamente documentados e registrados. Impossível nega-los. Impossível sair-se com o velho chavão de se tratar “golpe das direitas e das zelite” ou “golpe da mídia”. Engraçado: a mesma mídia que ele hoje condena quando o critica como governante, pela má gestão, pela falta de ação, etc, foi o canal usado por ele para combater e criticar os governantes que o antecederam na presidência da república.
Talvez todo este episódio sirva de lição ao próprio presidente: o exercício da presidência da república, de um país como o Brasil não aceita amadores. Exige-se um pouco mais além de discurso, improvisos e conchavos políticos. Exige preparo, exige equilíbrio, exige projeto de governo e não de poder, exige trato político no campo em que a política deve prevalecer, mas também requer tratamento técnico em áreas em que o despreparo é fatal e acaba provocando tragédias, como o caso presente da crise aérea. Acredito que os quase 400 mortos já acumulados em único governo, é indicativo bastante forte para o senhor Luiz Inácio rever seus métodos e suas atitudes e comportamento. E por certo, um deles é abandonar a mentira e o cinismo, por de lado a arrogância, guardar no armário a fantasia de “grande estadista” com que tenta vestir-se desde o primeiro dia. Deixe para a história julga-lo como tal se para tanto merecer e trabalhar. E não ser ele seu próprio juiz. Restam-lhe três anos e meio de segundo mandato, tempo suficiente para corrigir-se, para redirecionar a rota de seu governo e, nunca é demais lembrar, tempo suficiente para começar a governar o país fazendo o que deve ser feito pois para tanto foi eleito pela vontade da maioria dos eleitores brasileiros. Não tente sufocar a critica: faça dela o seu maior instrumento de trabalho. Enfim, exerça o cargo com a dignidade que o cargo exige, e com o máximo de respeito aos brasileiros que nada mais é do que uma obrigação.
Há quanto tempo vocês lêem neste espaço nossa crítica ao presidente Lula sobre a sua mania de mentir ? Fosse ele um cidadão comum, vá lá: cada um com sua consciência, com sua ética, princípios e valores morais. Mas, desde janeiro de 2003, Lula ocupa a Presidência da República. Sendo assim, um mínimo de decoro deveria manter, afinal, a instituição que ocupa não lhe pertence, é do povo brasileiro. Ele lá está por delegação em votação direta do povo, cuja maioria o escolheu para ocupá-la por um determinado período de tempo, findo o qual deverá restituí-la ao seu legítimo dono, o Estado brasileiro. Portanto, não pode e não tem o direito de tratar (ou destratar) aquela instituição. Lembram da famosa frase de que “todo o poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido”? Pois então, mas não parece ser este o entendimento de sua excelência. Insiste em manter um comportamento muito distante daquele que o cargo exige.
Desde que assumiu, e sempre que se vê diante de uma crise, Lula nega conhecer os fatos relacionados ao seu governo. Entende, sua excelência, que a simples negativa o isentará de qualquer culpa. Sempre que o horizonte fica nublado por problemas de gestão administrativa, joga e transfere a responsabilidade para terceiros, e regra geral, este “terceiro” é sempre o governante anterior a ele, FHC. Não se vê uma única atitude de reconhecimento pelo governo que recebeu, arrumado diga-se de passagem, mas ainda carente de reformas que lhe competiam fazer e não as fez.
Seria cansativo enumerar tudo novamente, portanto, nos restringiremos a crise do momento, a da crise aérea. Afora tudo que se disse e se comprovou sobre a responsabilidade do governo Lula para com a crise, Lula insiste em dissociar e manter-se eqüidistante dela. É como se a crise pertencesse a um outro país, em outro tempo, e como se o governo de problemas fosse uma coisa, e ele presidente, fosse outra. Trata-se, logo se vê, de uma estratégia para planar sobre as graves questões que deveria administrar, e não o fazendo, transfere responsabilidades, sem assumir-se como agente de seu próprio governo.
Desde que a crise começou, Lula vem agindo ao sabor dos ventos. Primeiro, claro, tentou negar a própria crise. Depois, com a queda do Boeing da Gol, disse que tomaria providências, uma vez que começaram a aparecer os relatórios da Aeronáutica, o primeiro datado de 2003, e chegou ao ponto de determinar dia e hora para acabar. Sucumbiu diante de nova tragédia, o Airbus da Tam, agora, contabilizando mais 199 mortos.
No dia 20 de julho passado, três dias após o acidente da TAM, em cadeia de rádio e televisão, assumiu a existência da crise e ficou de tomar providências. Contudo, como querendo desvencilhar-se do problema para que ele não afetasse sua popularidade, em solenidade no Planalto, voltou a negar tivesse conhecimento da crise.
Lula em seus discursos, por diversas vezes, tem um problema sério além da mentira: a tendência de dar um chute na história, tentando reescreve-la conforme lhe é conveniente. Claro, isto é demonstrativo do seu pouco estudo. Porém, se ele não sabe ler, há milhões no Brasil que pelo menos cursaram o ensino fundamental e puderam apreender um pouco de como se fez este Brasil ao longo de 507 anos de história. Sendo assim, a demagogia fica ridícula. O papel que sua excelência tenta exercer soa falso e hipócrita.
Vejamos na história recente, e especificamente sobre declarações de Lula sobre a crise aérea, o que ele insiste em dizer não ter conhecimento. Comecemos pela negativa:
Portal G1 – 03/08/07
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, 2, na reunião do Conselho Político, que o governo não sabia da gravidade dos problemas no setor aéreo. "Nessa questão, é como uma metástase que o paciente não sabia", teria comparado Lula, de acordo com relato de participantes.
O presidente observou que em cinco eleições para a Presidência da República de que participou, a questão aérea nunca foi debatida. Ao comentar a possível troca dos dirigentes da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Lula recomendou cautela. "É preciso discutir essa proposta com calma, porque o presidente nomeia, mas não pode substituir", teria dito ele".
Ainda na qualidade de candidato, em 2002, declaração de Lula:
Jornal do Brasil - 06/09/2002
"O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o governo federal por ter demorado a anunciar o pacote de ajuda ao setor aéreo. "O que lastimo é que tenham esperado quebrar a Transbrasil, afundar a Vasp, a Varig quebrar, a TAM entrar em crise para poder ajudar", afirmou. O socorro governamental, de R$ 1 bilhão, veio através de medida provisória, com o perdão de dívidas antigas e redução de tributos."
Ao longo desta sábado, na segunda edição do COMENTANDO A NOTÍCIA, transcreveremos na íntegra algo ainda mais contundente. Escrito pelo próprio Lula, um artigo publicado na Gazeta Mercantil, sobre a gravidade dos problemas da aviação civil.
Claro que o artigo tinha por escopo a defesa da TRANSBRASIL, então em dificuldades. Fica fácil falar e aconselhar outros presidentes sobre “problemas”. Ruim é nega-los depois. Sobre isto trataremos na reprodução do artigo publicado na Gazeta. Por ora queremos apenas registrar o seguinte: Lula caiu em contradição. Tantas foram as mentiras, tão ansiosa foram as fugas da sua responsabilidade sempre atribuindo aos outros, e nunca a si próprio, os problemas graves que atormentam o país, que finalmente, sei lá se por esquecimento ou ato falho, acabou passando um atestado de mentiroso em si mesmo. Negou em 2007, como presidente, ter conhecimento da gravidade da questão aérea, quando em 2002, ainda como candidato, escrevera exatamente sobre a tal gravidade. Além, é claro, da existência do relatório recebido em 2003, agora já como presidente. Nada do que está dito aqui é fantasia: são fatos concretos, devidamente documentados e registrados. Impossível nega-los. Impossível sair-se com o velho chavão de se tratar “golpe das direitas e das zelite” ou “golpe da mídia”. Engraçado: a mesma mídia que ele hoje condena quando o critica como governante, pela má gestão, pela falta de ação, etc, foi o canal usado por ele para combater e criticar os governantes que o antecederam na presidência da república.
Talvez todo este episódio sirva de lição ao próprio presidente: o exercício da presidência da república, de um país como o Brasil não aceita amadores. Exige-se um pouco mais além de discurso, improvisos e conchavos políticos. Exige preparo, exige equilíbrio, exige projeto de governo e não de poder, exige trato político no campo em que a política deve prevalecer, mas também requer tratamento técnico em áreas em que o despreparo é fatal e acaba provocando tragédias, como o caso presente da crise aérea. Acredito que os quase 400 mortos já acumulados em único governo, é indicativo bastante forte para o senhor Luiz Inácio rever seus métodos e suas atitudes e comportamento. E por certo, um deles é abandonar a mentira e o cinismo, por de lado a arrogância, guardar no armário a fantasia de “grande estadista” com que tenta vestir-se desde o primeiro dia. Deixe para a história julga-lo como tal se para tanto merecer e trabalhar. E não ser ele seu próprio juiz. Restam-lhe três anos e meio de segundo mandato, tempo suficiente para corrigir-se, para redirecionar a rota de seu governo e, nunca é demais lembrar, tempo suficiente para começar a governar o país fazendo o que deve ser feito pois para tanto foi eleito pela vontade da maioria dos eleitores brasileiros. Não tente sufocar a critica: faça dela o seu maior instrumento de trabalho. Enfim, exerça o cargo com a dignidade que o cargo exige, e com o máximo de respeito aos brasileiros que nada mais é do que uma obrigação.