quarta-feira, abril 16, 2008

Fugindo da raia, Dilma atende ordens de Lula. Afinal, medo de quê, hein?

Adelson Elias Vaconcellos

A grande verdade é que o governo Lula irá preparar Dilma para enfrentar perguntas desagradáveis. O primeiro passo, foi contratar o marqueteiro de Lula para o treinamento de Dilma. O segundo, é a continuada palhaçada de divulgação de informações sobre gastos do governo anterior. A terceira mistificação ficará por conta do tal inquérito da Polícia Federal, que apura o suposto dedo-duro que entregou que o governo preparava um dossiê para se defender na CPI. Quarto, Dilma prepara uma espécie de balanço “grandioso” dos pacs. E,quinto, é o que não se sabe, em curso se costurará uma estratégia de sub-mundo para que a presença de Dilma encubra toda a farra de gastos com cartões pelo governo atual. E disso, somente o tempo nos mostrará. Mas acreditem: o governo não está parado. Porque numa coisa a gente pode apostar: a imensa capacidade criativa destes gigolôs para as práticas mais sórdidas quando se trata de se manterem no poder.

A informação do adiamento foi noticiada por Marcelo Moraes do Estadão;

O governo foi bem-sucedido nesta segunda-feira, 14, na estratégia de blindagem da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao conseguir adiar para depois do dia 29 de abril a participação da ministra nos debates da Comissão de Infra-estrutura. Dilma enviou comunicado ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), alegando problemas de agenda mas ratifica interesse em conversar com os parlamentares da comissão sobre assuntos ligados à execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Planalto aposta que o adiamento esfria a pressão sobre Dilma. Ao mesmo tempo, ganha tempo e prepara a argumentação dos líderes para evitar qualquer tipo de pressão ou de pergunta sobre a elaboração e posterior divulgação de um dossiê contendo informações sigilosas sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher Ruth.


No Globo Online, Adriana Vasconcelos, nos mostrava qual o comportamente delinqüente do Governo. Leiam:

Envio de documentos à CPI é "para inglês ver"

A presidente da CPI mista do Cartão Corporativo, Marisa Serrano (PSDB-MS), irritou-se nesta segunda-feira com a chegada de 348 caixas com documentos sobre os gastos de 20 órgãos federais. Ela disse que o envio se trata de uma brincadeira feita para desmoralizar os parlamentares.

- Não temos condições físicas e nem estruturais de analisar e catalogar todo esse material, que é apenas para inglês ver. O governo tinha como enviar isso por meio eletrônico. Eles estão tirando esse material de disquetes e mandando tudo em papel só para dificultar a investigação - acusou a senadora.

Das 348 caixas que chegaram ontem à CPI, dez teriam informações sobre a Advocacia Geral da União (AGU), 28 do Ministério dos Transportes, 23 da Anvisa, 20 do Ministério do Trabalho, 24 da Radiobrás, 14 do Ministério do Desenvolvimento Agrário e 10 do IPEA.

E por que falo de estratégia de submundo em curso no Planalto até a data de Dilma depor? Basta lerem o que noticiou a Folha de São Paulo. Mais explícito impossível.
Lula manda Dilma protelar ida ao Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ordem ontem para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, protelar ao máximo seu depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. A oposição quer ouvi-la nesta semana, mas ela só deverá depor no final do mês.

Segundo a Folha apurou, houve dois motivos para a determinação: evitar que Dilma se exponha a perguntas sobre o dossiê anti-FHC e aguardar os desdobramentos da investigação da PF sobre o caso. Governo e oposição iniciaram negociações para Dilma depor amanhã no Senado, mas Lula não está seguro. Daí ter freado a articulação ontem, em reunião com ministros.

Lula tem preocupação quanto ao desempenho da ministra numa situação desfavorável no Congresso. O pedido é que ela fale das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas a oposição avisou que indagará sobre o dossiê. Ontem, o ministro José Múcio (Relações Institucionais) tentou minimizar o caso. "Ela está absolutamente tranqüila pelo convite que recebeu." Com 30 dias para marcar a data do depoimento, Dilma usará prerrogativas. Alegará agenda cheia.

Casará a filha em Porto Alegre no dia 18. De lá, irá ao Japão, à Coréia do Sul e aos EUA. A volta é prevista para o dia 28. Ela pretende depor depois disso. Como resposta à convocação de ministros do governo Lula, aliados tentarão convocar ex-ministros de FHC: Paulo Renato (Educação), Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) e Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil). O contra-ataque deve começar com a convocação de Jungmann. Ele já disse que usou dinheiro do suprimento de fundo com massagem. Alegou problemas na coluna.

A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), retirou da pauta requerimentos de convocação do governador José Serra (PSDB-SP), do secretário de Fazenda paulista, Mauro Ricardo, e da filha de Lula, Lurian Cordeiro. Marisa ameaçou deixar a CPI se todos os requerimentos forem derrubados: "Ou é para investigar ou não é CPI".

Ou seja, além de melhor preparar o depoimento de Dilma, para que seu depoimento seja muito mais de cantar as “glórias” do pac, e nisto a base governista também deverá receber “treinamento” específico, o negócio é chamar alguns dos ex-ministros de FHC, soltar para imprensa algumas “informações” sigilosas sobre gastos do governo anterior, tudo com o propósito de esfriar o ímpeto das oposições até o dia do depoimento.

A ordem não é apenas blindar a ministra, mas tirar o máximo proveito político da situação.

Agora fica a pergunta intrigante: o que deve haver de tão grave assim nos gastos de Lula & Cia. para o governo desenvolver tamanho esforço para oculta-los?

Sinceramente, quanto esforço o governo desempenha maior a curiosidade, mas também maior o receio de que “os gastos sigilosos” sejam muito piores do a gente possa imaginar ! Será que de sua revelação resultaria algum processo de impeachment?

Seja como for, algo de muito podre leva o governo e sua base de apoio a uma luta descomunal para preservarem ocultas as despesas da família imperial. Se o que aos poucos vai sendo descoberto já são um escândalo, imagine-se no covil o que se esconde!!!

Diretor da ANP diz que tem autoridade para falar. Não tem, não !!!

Adelson Elias Vasconcellos

Ouvi a entrevista que Haroldo Lima concedeu e em que declarou a descoberta do novo campo de petróleo da Petrobrás, abaixo da camada de sal, e que seria o terceiro maior campo do mundo . Como também a entrevista em que negou o que havia dito. Ou seja, se contradisse com a maior cara de pau.

Mas isto seria o de menos, afinal as figurinhas que desfilam cargos em certos órgãos públicos representam bem a tragédia em que se transformou o Estado paquidérmico brasileiro. O inadmissível é diretor de um órgão regulador desconhecer seu verdadeiro papel.

Primeiro, o senhor Haroldo deveria saber que a Petrobrás, sendo uma sociedade anônima de capital aberto, está sujeita à legislação que regula sua existência. Portanto, informações concernentes à ela, somente seus porta-vozes tem competência para divulgar e informar. Isto representa dizer que o diretor da ANP extrapolou os limites de suas funções. Comportou-se de forma leviana, exercendo um papel que não lhe cabe e que não lhe foi delegado. Este cidadão deveria saber que, a divulgação de quaisquer informações privilegiadas sobre sociedades de capital aberto tem enorme repercussão no mercado de capitais, para o bem ou para o mal.

Segundo, o fato dele não estar subordinado à Comissão de Valores Mobiliários, também lhe dá direito de agir contrariamente à lei que este regula e fiscaliza. Portanto, e há dispositivo legal para tanto, pode a CVM sim, abrir sindicância administrativa pela divulgação de fato privilegiado sobre empresas por ela fiscalizada.

Terceiro, mais leviana ainda se torna a declaração inoportuna e desclassificada do senhor Haroldo Lima, tendo em vista que ele deu como fato concreto uma mera especulação que ainda exigirá estudos mais aprofundados para serem confirmados. Em sua justificativa esdrúxula, a figura disse ter se baseado em notícia publicada em fevereiro deste ano, no jornal World Oil, de Houston, dos Estados Unidos. O artigo, assinado por Arthur Erman, intitulado "Tree Super-Giants Feelds Discovery off Shore Brazil", afirma que, se as notícias sobre o tamanho e potencial do Campo estiverem corretas, sobre a estimativa de 33 bilhões de barris de óleo, esse campo seria o terceiro maior do mundo, com produção cinco vezes maior do que o Campo de Tupy. O problema é que tudo foi informado no condicional, na base do “se as notícias sobre o tamanho e potencial do Campo estiverem corretas”. Para tanto, há pela frente, segundo informou a própria Petrobrás, ao menos uns tres meses de estudos e pesquisas. O que Haroldo Lima foi ter dado uma informação como fato concreto, o que se vê, era mentira. Se o seu desejo foi obter seus quinze segundos de fama, poderia ter evitado ao menos bancar um papel tão ridículo e cretino.

Quarto, cabe à agência a que o senhor Haroldo se reporta, atuar como órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos bio-combustíveis no Brasil. A autarquia federal está vinculada ao Ministério das Minas e Energia, e é responsável pela execução da política nacional para o setor energético do petróleo, gás natural e bio-combustíveis, de acordo com a Lei do Petróleo. Ele poderia falar sobre o papel da ANP, mas nunca em nome de qualquer empresa fiscalizada no seu âmbito. Este diretor não sequer qualificação para dar a declaração que deu, uma vez que não se trata de funcionário da Petrobrás.

Sendo assim, Haroldo Lima sequer pode desculpar por intrometer-se indevidamente em assuntos que não lhe competem. Mas, tenho para mim que ele foi usado como laranja de um esquema articulado pelo Planalto, leia-se Lula e seus asseclas, para tentarem plantar um fato novo capaz de mudar o foco do noticiário pesado que tem agitado a mídia já há quinze dias. É a questão da CPI dos cartões, é a questão do dossiê anti-FHC, é a discussão mundial sobre os bio-combustíveis serem ou não os vilões pela alta considerável no preço dos alimentos, seja na questão da desocupação de não índios na Reserva Raposa do Sol, seja nos relatórios do TCU sobre as mentiras de Dilma sobre o andamento dos pacs, seja na confusão criada pela epidemia de dengue no Rio onde ficou clara a ação irresponsável do Ministério da Saúde, seja na discussão sobre a necessidade de se elevar os juros internos e conter o consumo, seja, também, na queda brusca do saldo da balança de pagamentos que está na eminência de tornar-se negativa e , de contrapeso, a discussão infame sobre um terceiro mandato consecutivo para Lula. Ufa !!!

Assim, plantou-se uma notícia positiva de repercussão internacional, mas já tendo à mão o antídoto para se usar a depender da reação. Tanto, que já ao final da tarde, tanto a Petrobrás quanto o Planalto trataram de por panos quentes na informação passada pelo diretor da ANP. Mas, o efeito que se desejava foi conseguido: nas manchetes dos jornais, tanto no país quanto no exterior, noticiavam em suas primeiras a fabulosa descoberta. O sensacionalismo inconveniente do diretor da ANP provocou rebuliço na BOVESPA e nas ações da estatal na Bolsa de Nova Iorque. E, por algum tempo ao menos, não se falou de outra coisa, saindo das costas do governo, a pressão das más notícias.

Tudo bem que o senhor Haroldo Lima também não tem um currículo profissional capaz de habitá-lo a estar onde foi colocado. Talvez nem seja sua culpa de ser desqualificado e irresponsável para cargo de tamanho vulto. Quem o nomeou é que deveria ao menos buscar pessoas devidamente habilitadas e que, ao menos, tivesse domínio amplo dos assuntos afeitos à sua de atuação. Lembram-se da ANAC ? Da qualificação de seus diretores? Pois é, deu no que todos nós sabemos, um tremendo rebú. Assim, vai ficando patente que as nomeações feitas por Lula para cargos nos quais se exige competência mínima, ninguém liga a mínima. Depois, o que se vê são estes paspalhos meterem os pés pelas mãos e a gente ter que suportar as canalhices de um Estado dominado pela pilantragem política.

Um país se torna sério pela seriedade de seus governantes, pela qualificação das pessoas que responderão pelas ações de governo, que gerenciarão a execução das políticas que deveriam ser traçadas tem por meta o crescimento e desenvolvimento pleno do país. Porém, quando o governo é poluído por mentecaptos, cujo objetivo único é o poder pelo poder, o resultado é sempre o mesmo: um país à deriva. É disso que se trata. O Brasil perdeu completamente a noção do que seja seriedade, o poder público perdeu totalmente a noção de respeito à sociedade que o sustenta. Ali, trama-se apenas para segurarem o poder nas mãos, assaltarem o Estado e seus cofres em detrimento do interesse do país, e sufocarem toda e qualquer oposição que os possam ameaçar, tanto quanto a perda do poder, quanto à descoberta de seus crimes.

Mas não se surpreendam se, passados alguns dias desta ação irresponsável (e até diria criminosa à luz da legislação das sociedades anônimas), venhamos a descobrir que tudo não passou de uma encenação patética para se mudar o foco dos noticiários negativos que pesavam sobre o governo. Desta gente esperem-se tudo o que for de pior. Para eles não existe fundo do poço, sempre é possível descerem mais ainda !!!

O que se esconde no tal Conselho de Defesa da América.

Adelson Elias Vasconcellos

Nosso ministro Cobra Coral, Nelson Jobim, da Defesa, declarou que o Conselho de Defesa que se pretende criar no âmbito da América Latina não prevê ação militar em conflitos. Muito bem, ministro, então pra que serve um Conselho de Defesa, para se reunir e bater papo furado apenas? Vamos ver: quer dizer que se uma nação do continente for invadida por outra, os imperialistas americanos resolvam atacar, por exemplo, a Bolívia, o que o tal Conselho pretende fazer? Porque, esta balela de se criar um órgão para servir de contraponto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), convenhamos, chega ser patético. Porque durante toda a sua existência, a OTAN sequer se preocupou em saber da existência da América Latina, quanto mais a de coloca-la sob ameaça.

Este papo furado é mais um daqueles enredos bem latino-grossura, estilo populista, quando se inventa a existência de um inimigo comum, para que todos se submetam ao chicote do caudilho de plantão, para defenderem a honra da pátria ameaçada, e vai daí, todas as ações autoritárias passam a ser admitidas, porque o caudilho, pai do povo, vai nos proteger dos dragões que nos ameaçam. Isto não presta nem pra para enredo de dramalhão mexicano, quanto mais para se tornar numa realidade possível de acontecer.

Porém, será que os nossos índios não viram o tempo passar, o mundo mudar, só a banda do Chico parou pra tocar a marcha fúnebre dos indecentes? Mas a canalhice dos caudilhos, esta sim, parece não ter fim. Não por outra razão, Hugo Chavez se fez na Venezuela, e acabou fazendo escola. Aqui, no Brasil, como a criação do inimigo imaginário não faria cócegas nem para moleque de rua, Lula criou FHC, o homem que faliu o Brasil, e assim, de herdeiro de suas políticas econômicas e sociais, bem como das reformas do Estado que permitiram o equilíbrio fiscal sustentáculo da atual estabilidade, Lula posou para a foto como protagonista da obra alheia. Ciente das carências inúmeras da imensa maioria de miseráveis, tratou de transformar o Estado brasileiro num imensa favela, onde a pobreza, seja de que nível for, está garantida e perenizada.

Assim, fica claro que o tal Conselho de Defesa funcionará muito mais como elemento de marketing político para efeitos internos, do que propriamente um órgão a ser utilizado para a defesa do continente. O que ali se vai discutir ? As estratégias de ampliação do Foro de São Paulo, que agora passará de um imenso acordo clandestino de esquerdistas e narcotraficantes, em uma instituição continental. Ou seja, o Conselho de Defesa que se está parindo, nada mais é do que o Foro de São Paulo ampliado, um imenso sindicato do crime organizado, cuja principal função será a de traçar estratégias para a extensão plena dos tentáculos comunistas sobre os demais países do continente, além de servir de base de resistência aos que se opuserem ao projeto obscurantista em ação.

Nada mais indecoroso do que a mentira de que o tal Conselho funcionará para “a elaboração conjunta de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal entre as Forças Armadas de cada país, realização de exercícios militares conjuntos, participação em operações de paz das Nações Unidas, troca de análises sobre os cenários mundiais de defesa e integração de bases industriais de material bélico”. Porque, rigorosamente, a única ameaça real que os sul-americanos tiveram em suas vidas foram as agressões nascidas dentro de cada um dos seus países, pelos golpes de estado fossem de militares ou até de civis, como as FARCs na Colômbia, ou, a lembrar apenas mais um, o Sendero Luminoso, organização terrorista e de inspiração maoísta, fundada na década de 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Perú. No Brasil, podemos dizer que uma cópia genérica destes movimentos é possível identificar em muitas ações do MST, muito embora com menor virulência.

Houvesse, de fato, interesse político quanto a “defesa” do continente à alguma ameaça externa, tais funções poderiam perfeitamente ser desempenhadas no âmbito da OEA. Porém, as esquerdas alocam a si mesmas a exclusividade quanto o assunto versa sobre “defesa”, e neste sentido, para este povo, a presença dos Estados Unidos no continente acaba sendo uma ameaça às suas pretensões expansionistas. Ora, em toda a sua história, nunca se soube que os Estados Unidos tenham desembarcado em algum país sul-americano alguma força bélica. E sabe-se que isto será impossível de acontecer no futuro. Portanto, a ameaça não se dá no campo militar, mas no campo ideológico.

Mas, e daí? Agora o continente para ser progressista e desenvolvido precisa se pintar de vermelho? Por que cada nação não pode livremente deliberar seu caminho, por que precisa ser OBRIGATÓRIO que todos respiremos o mesmo ar de atraso, ou sigamos a mesma ideologia política dos canalhas?

Portanto, este “conselho” além de inútil, na sua função tornada pública, é também a ressureição do que de pior o continente a muito custo, e sobre milhares de cadáveres inocentes, conseguiu enterrar em passado recente. Além de que irá legalizar um foro de criminosos, que passará a ter uma existência institucionalizada, convertendo-se, assim, em um imenso sindicato do crime organizado latino-americana, ou se preferirem, a SCOLA do crime. A menos que a história me engane, não era bem nisso que Simon Bolivar imaginava quando sonhava com uma integração continental...

Aliás, o pensamento que Bolívar sempre defendeu para o continente americano se assentava tres postulados básicos: a) nações livres, sem o comando das metrópoles da época; b) independentes, tanto politicamente como economicamente; e c) a União dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordens mundiais. Na questão de independência, Bolívar só não via como necessário uma nação independente, mas sim que ela também fosse democrática: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta" vinculando a idéia de um governo democrático, além do fato também, de ver a necessidade de que se tivesse um projeto econômico. Agora comparem com o que preconizam e fazem gente da laia de Hugo Chavez, Evo Moralez, Rafael Correa, Daniel Ortega, e o que fez por quase cinquenta anos o moribundo ditador cubano Fidel Castro.

Portanto, não há como negar que se está abindo caminho à ação expansionista e hegemônica dos novos caudilhos latinos, usando como véu uma figura respeitada por sua biografia, porém distante do modelo que se está praticando. Seria o mesmo que, retornando no tempo, alguém justificar positivamente a ação da Inquisição medieval com a defesa da doutrina cristã, que nunca pregou a violência, mas que desvirtuou-se no instinto malévolo de alguns de seus pseudo seguidores e defensores.

A conta ficou negativa

Por José Roberto Caetano, Revista Exame

Um dos pilares do bom momento da economia brasileira é a folga nas contas externas dos últimos anos. A volta do déficit em conta corrente pode reverter esse quadro?

A montanha de dólares acumulados na forma de reservas é um dos pilares do bom momento vivido pela economia brasileira. Já são mais de 200 bilhões de dólares nos cofres do Banco Central, dinheiro que tem servido como um poderoso amortecedor frente às oscilações da economia mundial. Até recentemente, qualquer soluço lá fora virava um problema nacional -- basta lembrar o que aconteceu com o país durante as muitas turbulências na década passada. Hoje se vê quase o oposto: a economia mundial passa por uma das mais rigorosas crises em muito tempo, enquanto o Brasil segue, até agora, firme. Por isso, tem causado crescente apreensão a mudança de sinal no balanço de pagamentos, a conta final das transações do país com o exterior. Com o superávit comercial em queda, o saldo da conta corrente externa entrou no vermelho, algo que não ocorria desde 2002. A mudança foi rápida: de 13 bilhões de dólares positivos em julho do ano passado, o saldo da conta corrente ficou negativo em 5 bilhões em fevereiro. O número chamou ainda mais a atenção após o próprio Banco Central estimar um buraco de 12 bilhões de dólares até o final deste ano.

A questão que importa não é o que vai acontecer em 2008. Afinal, o saldo negativo projetado terá pouco impacto sobre as reservas. "O quadro merece a atenção do governo, mas não achamos que seja um cenário dramático", afirma Arno Augustin, secretário do Tesouro do Ministério da Fazenda. "Alguns elementos positivos, como o ingresso esperado de 32 bilhões de dólares em investimento direto estrangeiro, serão mais do que suficientes para compensar a conta negativa no ano." O ponto central é saber se há algo mais de fundo ocorrendo na fórmula de política econômica que parece ter alçado o país a um novo patamar e que teve como um dos alicerces o superávit nas contas externas. "Se o déficit persistir, o risco é voltarmos ao ciclo de vulnerabilidade do passado recente", diz o economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.

As contas externas vão se manter no vermelho? No curto prazo, as apostas são que sim. O real tem se valorizado frente a um dólar globalmente enfraquecido, e ninguém prevê uma mudança significativa na cotação. Com a moeda mais forte, as importações brasileiras estão em franca aceleração. Em fevereiro, comparadas ao mesmo mês de 2007, as compras no exterior tiveram alta de 65%, enquanto as exportações evoluíram 26%. Até agora, o crescimento das importações vinha sendo visto mais por seu lado bom: suprir deficiências da capacidade de produção nacional para atender ao rápido aumento da demanda e, com isso, evitar pressões inflacionárias. "As nossas compras lá fora serviram para sustentar o crescimento da economia, com a entrada muito mais de máquinas e componentes do que de bens de consumo", diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Real. Mas está ficando claro que as importações vão continuar em alta por um bom tempo -- e as exportações tendem a não acompanhar o mesmo ritmo. Esse desequilíbrio levou o governo a anunciar um minipacote de medidas para fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros no cenário global. A cobrança do imposto sobre operações financeiras foi cancelada no caso das operações de câmbio na exportação -- uma tentativa de compensar a valorização do real. Além disso, os exportadores agora podem manter 100% das receitas em dólares no exterior. Em outra frente, para tentar diminuir a entrada de dólares, o governo determinou a cobrança de 1,5% de IOF nas aplicações de investidores estrangeiros em fundos de renda fixa e títulos públicos brasileiros. Os efeitos práticos do pacote, porém, devem ser modestos.

Inversão de sinal

O superávit da balança comercial brasileira tende a cair...
(em bilhões de dólares)

2002 - 13
2004 - 25
2006 - 34
2008 - 45
2003 - 46
2005 - 40
2007 - 28(1)
2009 - 22(1)

...e a conta corrente externa deve voltar a ser negativa neste ano, o que não acontecia desde 2002
2002 - -7,6
2003 - 4,2
2004 - 11,7
2005 - 14
2006 - 13,6
2007 - 1,5
2008 - -12(1)
2009 - -13(1)

(1) Previsão
Fontes: Funcex/SecexMDIC, BC/MF/SPE e relatório Focus


O que acontecerá mais à frente vai depender dos preços internacionais de matérias-primas como minérios e soja, o sustentáculo do superávit comercial. O medo é que a crise americana acabe induzindo um esfriamento da demanda chinesa, o que teria efeito direto nas exportações brasileiras (veja reportagem na pág. 30). Nesse cenário, a conta externa deve ficar vermelha por mais tempo. Por ora, porém, as apostas ainda são que os preços dos produtos básicos exportados pelo Brasil continuem firmes, o que ameniza o tamanho do déficit externo. "Se as cotações continuarem altas, não há necessidade de acender a luz vermelha", diz Schwartsman. Olhando para a frente, de qualquer modo, a inclinação das contas externas para o lado negativo não é uma boa notícia num momento em que a turbulência internacional ainda pode se agravar. Países com superávit externo estão mais fortalecidos para enfrentar tempos eventualmente mais duros, conforme avalia o economista inglês John Williamson, criador do termo Consenso de Washington, que designa as medidas apontadas nos anos 90 para os países latino-americanos estabilizarem sua economia. "O Brasil está numa posição intermediária, menos vulnerável que a Turquia ou os países do Leste Europeu, que têm registrado grandes déficits em conta corrente", disse Williamson, em entrevista exclusiva ao Portal EXAME. "Mas parece mais vulnerável do que os países que, ao contrário, vêm conseguindo obter superávits, como é o caso da China e de outros asiáticos." Ou seja, para o Brasil, o quadro não é de emergência, mas vale pelo menos acender uma luz amarela.

Brasil é exemplo de desvantagem do etanol, diz jornal

BBC Brasil

A experiência do Brasil com o etanol pode servir como um exemplo para o mundo das desvantagens apresentadas pela suposta "revolução energética" criada pelos biocombustíveis, segundo uma análise publicada pelo jornal britânico The Independent nesta terça-feira.

O jornal diz que apesar de os biocombustíveis serem quase irresistíveis aos políticos que querem ser vistos como preocupados com os efeitos da mudança climática, a produção do etanol no Brasil tem, no fim das contas, um efeito negativo no combate ao problema porque tem gerado desmatamento e poluição.

"A indústria do etanol no Brasil está ligada à poluição do ar e da água em uma escala épica, ao desmatamento da floresta amazônica e da mata atlântica e à destruição da savana na América Latina", diz o vice-editor de assuntos internacionais do jornal, Daniel Howden.

Segundo o Independent, as conseqüências da "modesta redução" provocada pelo etanol na emissão de dióxido de carbono nas ruas das cidades brasileiras podem ser vistas nas "gigantescas cicatrizes das plantações de soja na Amazônia" e nas "nuvens negras dos campos de cana-de açúcar em chamas".

O jornal diz que o efeito final do etanol no combate às emissões que provocam as mudanças climáticas é negativo.

"Apesar dos níveis modestos de industrialização na maior nação da América Latina, o Brasil passou a ser o quarto país do mundo em emissão de gases de efeito estufa", afirma o Independent.

Segundo o jornal, isso está sendo causado por um desmatamento desenfreado, um fenômeno que, por sua vez, segue os passos do aumento no preço dos produtos agrícolas.

"Enquanto os preços dos produtos usados na produção de biocombustíveis aumentavam nos últimos 18 meses, as taxas de desmatamento quebraram todos os recordes", afirma o jornal.

O Independent diz que, ao mesmo tempo em que o mundo acorda para as ameaças da mudança climática, "incentivos perversos causam um ataque aos pulmões do planeta".

Howden diz que o ambientalista brasileiro Fábio Feldman, que ajudou a passar a lei estipulando o mínimo de 23% de etanol a ser adicianado a todos os combustíveis, está agora preocupado com o legado da decisão.

"Algumas plantações de cana-de-açúcar são do tamanho de países europeus - essas monoculturas imensas têm substituído ecossistemas importantes", diz Feldman, segundo o jornal.

O jornal conclui dizendo que a razão pela qual o argumento de que o mundo pode "plantar" o combustível que precisa parece muito bom para ser verdade é porque realmente é muito bom para ser verdade.

O Dito pelo não dito na prisão dos prefeitos

Por Pedro Porfírio, Tribuna da Imprensa

"Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias". Alberto Camus, escritor franco-argelino (1913-1960)

Bem que eu queria falar dessas novidades no ambiente viciado da corrupção, matéria obrigatória de nossas pautas. Estava pesquisando sobre uma notícia que nos deixou, leigos de pai e mãe, sem entender bulhufas.

Na quarta-feira, a Polícia Federal prendeu uma penca de prefeitos e outros preclaros graneiros. Na sexta-feira, por conta de um "erro processual" na prisão de um juiz federal acusado de vender sentenças, os 52 detidos foram libertados pelo Tribunal Regional Federal de Brasília.

Entre os detidos pela Polícia Federal estavam 16 prefeitos (14 de MG e dois da BA), quatro procuradores municipais, nove advogados, um gerente da Caixa Econômica Federal e até um juiz federal de Belo Horizonte, além de mais quatro servidores do Judiciário. Os 52 presos estão sendo acusados de desvios ilegais de recursos do Fundo de Participação dos Municípios, repassados pela União, que em três anos teriam causado prejuízo aos cofres públicos de R$ 200 milhões.

A Corte Especial do Tribunal Regional Federal decidiu, na noite dia dia11, com a rapidez de um raio, acolher o agravo regimental impetrado pelo juiz preso, segundo a argüição de que o Corregedor-Geral da Justiça Federal de 1º Grau da 1ª Região não tem competência para decretar, em decisão monocrática, a prisão dos investigados, "uma vez que sua atuação é meramente administrativa, não alcançando medidas judiciais restritivas de direitos".

O mau exemplo
Mas um artigo do caro colega Laerte Braga, enfocando principalmente o caso do prefeito de Juiz de Fora, sua cidade natal, me deixou sem palavras a acrescentar.Como ele é maior do que o espaço de que disponho, vou reproduzi-lo com alguns cortes. Mesmo assim, espero manter o essencial de sua reflexão:

"A decisão do Tribunal Regional Federal em cima de uma firula jurídica e atendendo à defesa de um juiz preso por corrupção, que liberta esse juiz e estende a medida todos os envolvidos, inclusive o prefeito de Juiz de Fora, notório corrupto, sem nenhum compromisso com coisa alguma que não seja a propina, é um escárnio, coloca o Judiciário sob suspeita no mínimo de corporativismo e remete o processo que vai resultar desse inquérito em um a mais para mofar nos almoxarifados e escaninhos, nas pastas de um poder que por vários fatores tem sido cúmplice da corrupção.

Vale a pena ser corrupto no Brasil. Comprar mansões e iates com dinheiro roubado do povo. Fazendas, exercer toda a sem-vergonhice de alguém como Bejani, pois a Justiça garante a impunidade. Nenhum dos processos a que a figura responde chega ao fim tamanho o volume de interesses dos donos do "negócio".Há dias ouvi de um advogado que havia recomendado ao seu cliente contratar um escritório de advogados lobistas em Belo Horizonte, pois a parte contrária fizera isso. O que é advogado lobista? É aquele que percorre os gabinetes dos tribunais distribuindo gentilezas a juízes, desembargadores, ministros, ou levando, como os bancos fizeram, a passeios em resorts de alto luxo, para conseguirem decisões favoráveis não importa a natureza do crime e no caso de Bejani são crimes continuados de corrupção.

O mundo institucional, que dizem ser o da ordem, da lei, da democracia, está falido e o Poder Judiciário é cúmplice direto dessa falência. O clamor de milhões de cidadãos em todo o País por justiça não é ouvido. Os lobistas dos grandes grupos pisam tapetes dos tribunais, repletos de presentes e mimos.

Se um trabalhador roubar um pote de margarina numa padaria cumpre pena de três anos. Se Bejani roubar, basta empregar, como fez, o marido de uma juíza e pronto.A Polícia Federal deve sentir-se lograda em todas essas operações contra a corrupção, a sonegação, desmanchadas pelo Poder Judiciário. Mas deve explicações, no caso de Bejani, para que não ofusque a imagem construída nesses últimos anos.

O dinheiro apreendido em casa do criminoso, por acaso prefeito, foi trazido a público, a quantia, como sendo de um milhão e poucos mil reais. Um especialista no assunto conta que seria desnecessária uma máquina de contar dinheiro para essa quantia. Manualmente alguém que não seja especialista contaria um milhão e pouco em no máximo meia hora. Há testemunhas oculares que afirmam que existiam trinta milhões na casa do criminoso, dito prefeito e para isso foi requerida a máquina de contar dinheiro. Esse fato precisa ser esclarecido.

É norma da Polícia Federal filmar contagens de dinheiros em apreensões assim para evitar desencontros e dúvidas. Isso deve ser tornado público sob pena de colocar em descrédito a operação, ainda mais quando o delegado da Regional de Juiz de Fora, no dia da prisão, falou publicamente em arma de uso exclusivo das polícias, com registro adulterado e isso é crime inafiançável e agora diz que não vai pedir a prisão do prefeito.

É outra pergunta a ser respondida, pois o prefeito, através de seus assessores, divulgou essa semana, depois da prisão, que "o problema não é a Federal de Juiz de Fora, está sob controle, o problema são os caras de fora".

"Há corrupção no caso da dragagem do Paraibuna, do lixo com a Queiroz Galvão envolvendo um procurador da FEAM (Fundação Estadual do Meio-ambiente), nas terceirizações, no desvio de verbas de saúde, educação, de tudo, pois tudo e por tudo e todos no governo Bejani é corrupção.Nos gastos de publicidade, há denúncias de envolvimento do presidente da Câmara em obras suspeitas, enfim, a bandidagem solta e desmedida sob as bênçãos agora das firulas jurídicas do Tribunal Regional Federal.

Buscar o impedimento de um bandido que exerce a Prefeitura de uma cidade com tradição, com História de respeito, é o início de uma caminhada da sociedade civil organizada, movimento popular, sindicatos, forma de resgatar a dignidade dessa cidade e o ultraje cometido por um escroque contra seu povo. Bejani é um escroque.E os processos intermináveis no Tribunal de Justiça de Minas? Como é que fica essa lentidão paquidérmica que mantém Bejani solto e prende quem rouba um pote de margarina?

As instituições estão falidas. Não servem ao interesse popular, não fazem cumprir nem a lei deles, foi feita por eles, tamanha a corrupção, tamanha a teia de podridão que permeia os poderes".

Esse sentimento de Laerte Braga é, certamente, o sentimento encoberto pelo silêncio da grande maioria do povo brasileiro.

Lula, o pelego?

Francisco C. Weffort, no Globo

Que coisas tão graves em seus gastos na Presidência estará Lula procurando esconder da opinião pública? Que de tão grave têm as despesas dos palácios do Planalto, da Alvorada e da Granja do Torto que possam explicar a cortina de fumaça que o governo criou para impedir o controle dos cartões corporativos de Lula, Marisa, Lulinha, Lurian etc.? A estas alturas, só o governo pode responder a tais perguntas. E como o governo não responde, a opinião pública, sem os esclarecimentos devidos, torna-se presa de dúvidas sobre tudo e todos.

É conhecida a ojeriza de Lula a qualquer controle sobre gastos. Evidentemente os dele, da companheirada do PT, dos sindicatos e do MST, sem esquecer um sem-número de ONGs sobre as quais pesam suspeitas clamorosas. Ainda recentemente, ele vetou dispositivo de lei que exigia dos sindicatos prestação de contas ao TCU dos recursos derivados do imposto sindical (agora “contribuição”). Há mais tempo, Lula era contra o imposto em nome da autonomia sindical.

Agora que está no governo, deixou ficar o imposto e derrubou o controle do TCU. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. O que o Lula e os pelegos querem é o que já existia na “república populista”, dinheiro dos trabalhadores sem qualquer controle. Lula, a chamada “metamorfose ambulante”, não se tornou ele próprio um pelego? Assim como defendeu a gastança dos sindicatos em nome da autonomia sindical, agora defende sua própria gastança na Presidência em nome da segurança nacional. Isso me lembra uma historinha de 1980, bem no início do PT, quando João Figueiredo estava no governo e Lula estava para ser julgado na Lei de Segurança Nacional. Junto com alguns outros, eu o acompanhei numa viagem à Europa e aos Estados Unidos em busca de apoio.

Como outros na comitiva, eu acreditava piamente que tudo era em prol da liberdade sindical e da democracia, e as coisas caminharam bem, colhemos muita simpatia e apoio nos ambientes democráticos e socialistas que visitamos. Mas, chegando à Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. Claro, ele também era a favor da democracia e estava disposto a defender os sindicalistas.

Sua agressividade tinha outra origem: o sindicato alemão que representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas! A conversa, forte do lado alemão, foi num jantar, e não permitia muitos detalhes, mas era disso que se tratava: alguém em São Bernardo falhou na prestação de contas e o alemão estava furioso. Lula se defendeu como pôde, mas, no essencial, dizia que não era com ele, que não sabia de nada. A viagem era longa. Antes da Alemanha, havíamos passado pela Suécia, e fomos depois a França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO, e ali repetiu-se o mesmo constrangimento. Embora não tão agressivos quanto o alemão, os americanos queriam prestação de contas sobre dinheiro enviado a São Bernardo.Mas Lula, de novo, não sabia responder à indagação referente às contas. Ou não queria responder. Não era com ele.

Nunca dei muita importância a esses fatos. A atmosfera do país nos primeiros anos do PT era outra. Ninguém na oposição estava antenado para assuntos desse tipo. O tema dominante era a retomada da democracia. A corrupção, se havia, estaria do lado da ditadura.

Saí da direção do PT em 1989 e me desfiliei em 1995. Até então era difícil imaginar que um partido tão afinado com o discurso da moral e da ética pudesse aninhar o ovo da serpente. Minha dúvida atual é a seguinte: será que a leniência do governo Lula em face da corrupção não tem raízes anteriores ao próprio governo? A propensão a tais práticas não teria origem mais antiga, no meio sindical onde nasceu o PT e a atual “república sindicalista”? Talvez essa pergunta só encontre resposta cabal no futuro. Mas, enquanto a resposta não vem, algumas observações são possíveis. Parece-me evidente que no momento atual alguns auxiliares da Presidência - a começar pelos ministros Dilma Rousseff, Jorge Hage e general Jorge Felix - foram transformados em escudos de proteção de possíveis irregularidades de Lula e seus familiares.

O outro escudo de proteção é Tarso Genro, que usa uma ginástica retórica para, primeiro, garantir, como Dilma, que o dossiê não existia, só um banco de dados. Depois passou a admitir que existia o dossiê, mas que isso todo mundo faz. Mais ou menos como no episódio do mensalão, lembram-se? Naquele momento, o então ministro Thomas Bastos, acompanhado por Delubio Soares, disse que mensalão não existia, que eram contas não regularizadas, sobras de campanha etc. E lula afirmou de público que isso todos os políticos faziam. O que não impediu que o procurador-geral da República visse no mensalão a prática delituosa de uma quadrilha criminosa.

Adotada a teoria do dossiê - aquele que não existia e que passou a existir - criou-se uma pequena usina de rumores, primeiro contra Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth, depois contra ministros do governo anterior. Minha pergunta é a seguinte: quando virão os dossiês contra Lula e Dona Marisa Letícia? Não é este o futuro que deveríamos almejar.

Mas no que vai do andar da carruagem dirigida por um Lula cada vez mais ególatra e irresponsável é para lá que vamos, inelutavelmente. Quem viver verá.

Nada gruda nos ladrões "teflon"

Arnaldo Jabor , Jornal A Gazeta-MT

"Roubar é sexy, meu amigo" - me disse o ladrão assumido, deitado numa boia roxa, flutuando na piscina, com um coquetel amarelo e rosa na mão "roubar dá tesão! Tem algo de orgasmo. Quando eu embolso uma bolada, o fluxo de libido é inesquecível. Roubar é uma aventura louca, um filme de ação, roubar é um vício secreto; mesmo o roubo pequeno dá prazer - entrar numa loja e "estarrar" um livro ou uma jóia, com o coração disparado do pavor de ser pego, e depois a alegria de sair na rua, sem ninguém ver, dá um baratão, meu amigo.... No ladrão de galinha e nas grandes roubalheiras há o mesmo prazer doce da adrenalina. Há muitos tipos de ladrões continuou o meu entrevistado, inteligente, articulado, sem uma mácula de culpa no rosto de botox - mas o desejo geral é "dar um tapa numa nota" e resolver a vida para sempre, se bem que a vida não se resolve nunca" , refletiu, filosófico, bicando o coquetel amarelo-rosa.

"A fantasia comum é sair da vida social e de seus contratempos, ir para uma praia infinita e nunca mais parar de beber agua de côco. Mas, isso é coisa de amadores. "Profissas" como eu querem roubar sempre. Depois do primeiro milhão de dólares, o negócio é mais pelo prazer. Já peguei muita mala preta debaixo de banco de praça. A libido que rola na hora de ver as "verdinhas" é melhor que morfina, palpar os dólares arrumadinhos pela concessão pública de um canal de esgoto ou de um golpe no INSS é uma volúpia inesquecível. Uma vez, peguei uma pasta com 100 mil dólares. Fui tomar um cafezinho e tive o capricho de deixar a pasta em cima do balcão, ao lado do açucareiro, onde se acotovelavam operários com copinhos de cachaça, e eu pensava: "Nessa pasta aí está a salvação deles e eles nem imaginam..."

Hoje, trabalho muito na política. Estar em Brasilia é uma proteção. Antigamente, o sujeito roubava e fugia para o mato. Hoje, não. Foge para o Congresso, para dentro da Lei. A minha turma de Ali-Babas tasca cerca de 70 bilhões de reais por ano no país todo; é o cálculo estatístico. A concorrência é grande....E somos intocáveis.... somos os ladrões "teflon", pois nada gruda em nós.

Neste governo então, está um maná! Com as alianças escrotas, onde a estratégia é topar tudo pelo poder do Lula e felicidade geral dos sindicatos, o Tesouro nacional é visto como um butim a ser "legitimamente" saqueado. Você viu outro dia a comemoração dos pelegos no Congresso, felizes, tudo de gravata, com uísque trinta anos, ameaçando jornalistas? A ideologia absolve e justifica os malandros. "Não tem nada demais pegar mais 100 milhões por ano e não prestar contas ao TCU...- afirmam trata-se da vitória dos sindicatos sobre os burgueses que exploram o povo, pois, como dizia Lenin: os fins justificam os meios..." É assim....

Eu sou muito olhado com ódio e uma ponta de admiração nas churrascarias e shoppings. "Olha lá o ladrão!..., o executivo diz, traçando uma picanha. Mas sei que o outro responde: "É ladrão, mas é espada, dá nó em pingo d" água!..." E nem ligo, porque me sei invejado pelas aventuras que me atribuem. As mulheres imaginam os colares que ganhariam se fossem minhas piranhas louras, como as putinhas dos filmes de gangsters dos anos 40. E ainda se viram para o maridão otário e lhe atiram na cara: "Voce não é honesto não; você é burro!!"

Eu confesso um certo orgulho "kitsch" por meu sucesso na "corrupa" e no cafajestismo. Há uma beleza dionisíaca nisso. Depois que eu enriquei, fiz como todos: passei a entender de vinho....- nada como um Chateaux Margaux 2000 - comprei uma lancha de 5 milhões de dólares, gado holandês e, claro, tenho duas amantes "cachorras", de cabelo pintado e correntinha no tornozelo.

No roubo da coisa pública, tenho culpa zero (aliás, em tudo). Todos roubam eu me justifico e, então, eu tiro o meu. Antes eu do que eles...

Eu me vingo da humilhação da pobreza na infância: mãe lavadeira, sapato furado. Eu tenho justa causa, sim. E sou pessimista - não há o que fazer.... sempre foi assim. O ser humano é nocivo por natureza...Por isso, taco a mão no dinheiro público...

Sinto até um toque de patriotismo. Deixar dinheiro lá para eles pagarem o FMI? Nunca.... Sou meio de esquerda... E tenho minhas taras também. Quem não tem suas taras? Eu, por exemplo, confesso, adoro ver os olhos covardes do empresário pagando-me propina pelo empréstimo conseguido no banco estatal ou para o perdão de uma dívida. O empresário tenta fingir naturalidade, mas o ódio acende-lhe os olhos. Adoro ver-lhe a raiva travada na boca, o sapo engolido, fingindo-se simpático, adoro ver-lhe as mãos trêmulas, adoro até o desprêzo impotente que ele têm por mim. Gosto de me sentir conspurcado pelo nojo do outro. Eu me babo de prazer quando vejo a cara do juiz comprado ostentando alguma severidade, enquanto exara uma liminar comprada, e que se exaspera quando vê a piscadela cúmplice que eu lhe atiro na hora da sentença. Sinto-me superior aos otários que me compram; não me ofendo, ao contrário, olho-os do alto!

E vou mais longe. Superei a dor patológica de uma perversão mal assumida. Vou lhe contar o que não conto nem para o espelho. Outro dia, cheguei em casa, depois de ganhar uma grana negra tirada das verbas de remédio para criancinhas com câncer e quando entrei em meu lar doce lar, meus filhos felizes viam desenho animado na TV. Sabe que senti zero de culpa? Tive orgulho. Minha gelada indifença me pareceu prova de macheza, uma novíssima forma contemporana de integridade. É isso aí, meu ingênuo jornalista, pode botar tudo aí... eu sou inatingível... o Código Penal todo foi escrito para me proteger. Por que não passa na Câmara a reforma da Lei de Execuções Penais? Porque não deixamos....ah ah....Este país foi feito assim: na vala, entre o público e o privado. Há uma grandeza na apropriação indébita, florescem ricas plantas na lama das roubalheiras. A bosta não produz flores magníficas? Pois é... o Brasil foi construído com esse fertilizante.

Sempre foi assim e sempre será. Roubo é cultura, meu amigo...Um forte abraço..."

Os neopatrimonialistas

Fábio Grecchi, Jornal de Brasília

Me considero um consumidor normal, às vezes até com tendências pão-durísticas. Há momentos do mês – geralmente no final, quando os dias têm 48 horas e a data do pagamento não chega nunca – que chego a deixar meus cartões, que não são muitos, em casa. E quando preciso fazer uma compra, ainda verifico qual levar. Claro: pagar à vista pode ser melhor do que aumentar a conta do cartão de crédito. Da mesma maneira que tem vezes em que jogar no crédito facilita manter aquele restinho de dinheiro que fica na conta, para pequenas despesas diárias.

Também tem outra coisa que me chama a atenção entre cartões: dificilmente um se parece com o outro. Por vezes, dentro do mesmo banco, têm várias cores diferentes. Naturalmente que há um objetivo para isso: facilitar a identificação por parte do consumidor, no momento de pagar a compra. Às vezes, o cartão errado evita o constrangimento de não passar na maquininha ou a transação ser vetada.

Daí que considero, no mínimo, cínica a afirmação do ministro Orlando Silva (Esportes) quando diz que pagou pouco mais de R$ 8 por uma tapioca por engano com o cartão corporativo. Pensou que estava puxando um quando – oh!, santo engano, Batman – puxou outro. A ex-ministra Matilde Ribeiro deu a mesma desclassificante explicação ao depor na CPI, no dia seguinte.

A dupla simplesmente tripudia sobre a inteligência média do cidadão. A mim pouco importa se ressarciram os cofres públicos. Me interessa é que, se não fossem flagrados, teriam colocado contas e mais contas desnecessárias – do meu ponto de vista, o de contribuinte –, para as quais poderiam ter coçado o bolso, nas costas do erário. Deixam claro que utilizam o cargo em toda sua plenitude, inclusive utilizando tal benefício como salário indireto. Por que se descapitalizar se a viúva pode ficar com o prejuízo?

Defendi aqui, artigos atrás, que os cartões corporativos tinham de ser extintos no serviço público. Servem a esse tipo de distorção, prática tão odiosa quanto a carteirada. O agente público que não tem caráter é mais nocivo que o bandido comum, o marginal de sarjeta. Afinal, um facilita a existência do outro, quando não lhe serve de exemplo.

Não sou defensor da ditadura, mas lembro que o coronel Mário Andreazza, ex-ministro dos Transportes e homem que tocou a construção da Ponte Rio-Niterói, foi durante anos acusado de ter enriquecido durante a obra. Ora, quem virou nababo não precisaria ser sepultado de favor e assim mesmo depois que os amigos se cotizaram para pagar o serviço funerário. Alguns jornalistas que o acusaram, estes sim estão com o boi na sombra há anos.

São várias as denúncias de que os generais e seus asseclas assaltaram o Estado brasileiro ao longo dos 21 anos da ditadura. Boa parte delas é verdade, mas há muitos generais vivendo com R$ 5 mil de aposentadoria. Gente que teve carro, casa, comida e roupa lavada bancada pelo Estado e que, hoje, poderia estar milionária. Afinal, tiveram acesso aos esquemas numa época em que nada, ou quase nada, vazava para a opinião pública.

E no governo de um ex-sindicalista, justamente alguns de seus auxiliares – muitos deles devem ter verberado contra a tortura e a devassidão no trato com a coisa pública – se apossam do Estado de maneira indigna. Impressionante como na democracia, que tinham o dever de respeitar até agindo com transparência e correção, tais personagens se assumem patrimonialistas, mácula da formação deste país desde os tempos do Brasil Colônia.

Quem governa o Brasil?

Por Maria Lucia Barbosa, Alerta Total

Quem governa o Brasil? A pergunta pode parecer descabida, sinal de total desconhecimento da atualidade. Feita a um brasileiro dos grotões, analfabeto, agraciado com bolsa esmola seria respondida com facilidade: “quem governa o Brasil é nosso ‘padim’ Lula”.

Intelectuais, empresários, artistas, jornalistas tirariam o “padim”, mas acrescentariam: “o presidente Lula que é um gênio, um líder carismático, um estadista”. Dizer menos é ser preconceituoso.

Ouso contestar a opinião da maioria e afirmar: Lula é como a rainha da Inglaterra, reina, mas não governa. E seu linguajar cuidadosamente errado, suas ensaiadas metáforas futebolísticas, seus gritos, seus esgares nada tem a ver com o cargo presidencial, mas com o inconfundível estilo populista dos demagogos.Cuidadosamente construiu-se a imagem mais favorável possível do pobre ex-metalúrgico. Mostrou, quando foi preciso, um “Lulinha de paz e amor”, agora apresenta o Lulão bravão tendo ataques furiosos e revivendo os tempos de oposição virulenta. Imagens falsas, postiças, ocas de conteúdo.

O fato é que Lula presidente na verdade não existe, ele é tão somente o melhor produto de marketing já produzido pelo PT através da mágica de Duda Mendonça. Quanto a seu desmoralizado partido é associado às forças externas que estão envolvendo a América Latina. Forças cujo expoente é Hugo Chávez. Entre os seguidores deste destaco o boliviano Evo Morales, que expropriou a Petrobrás com a anuência do governo petista e sem um pio dos nossos nacionalistas que, se antes bradavam, “o petróleo é nosso”, agora dizem com satisfação: “o petróleo é deles”. Lula apenas ressoa as forças nefastas de uma chamada esquerda, que infestam a América Latina e são apoiadas pelo PT.

Esta esquerda que emerge com o nebuloso socialismo do século XXI de Chávez é deslocada no tempo, incapaz de aprender com os erros dos totalitarismos do século passado, perpetuadora da mentalidade do atraso que sempre assolou o continente, sequiosa de poder pelo poder, continuadora das mazelas tão nossas, tão latino-americanas, tais como: incompetência estatal, corrupção, clientelismo, patrimonialismo, populismo, autoritarismo, nacionalismo xenófobo. É muito “ismo” para um só lugar desse mundo do absurdo.
Lula da Silva vai, como se diz, na onda dos companheiros nacionais e internacionais. É um fiel aliado de Chávez, um cultor do moribundo Fidel Castro e apenas funciona como caixa de ressonância destas vozes. Prova disso foi não ter aceitado declarar as sanguinárias e abjetas Farc como terroristas, conforme o pedido que certa vez lhe foi feito pelo presidente Uribe, da Venezuela.Tão pouco LILIS é carismático ou genial. Se fosse dotado de tanto carisma que, não nego, já usufruiu enquanto líder sindical teria sido vitorioso na primeira eleição. Foram necessárias quatro eleições para chegar lá. Foi preciso mudar de roupa e de discurso e depois de eleito copiar o que chamou de “herança maldita” para não deixar fora dos trilhos o trem da economia. Mas mesmo lá ele continua sindicalista sem nunca ter atingido o nível de estadista, uma estatura cívica que muitos áulicos lhe atribuem burilando uma forçada e falsa imagem.

Sobre a “genialidade”, já afirmei em outro artigo que, se o presidente-sindicalista tem alguma esta pertence à categoria dos repentistas (sem nenhum demérito para a criatividade dos artistas nordestinos). Com a tarimba de palanque adquirida no chamamento para greves, Lula da Silva recebe o mote dos seus assessores e dispara o cordel político onde não faltam certas graçolas inconvenientes e pavoneamentos de idiólatra.

Vazio de substância e apelando para a emoção, ele agrada. Mas seria errôneo dizer que agrada pela linguagem popularesca. Com experiência adquirida por trabalho executado entre paupérrimos e analfabetos favelados pude observar que, se eles comentem erros de português por lhes faltar escolaridade, por outro lado não falam seguidas besteiras (que o politicamente correto alcunhou generosamente de gafes), mas graduados na dura escola da vida possuem o que se convencionou chamar de sabedoria popular.

Enfim, LILS reina, mas não governa. Suas atividades são variadas e prazerosas: viagens, muitas, por todo o Brasil e para o exterior. Palanques onde permanece em eterna campanha. Festanças. Recepções a atletas, algo tão ao gosto nacional. Recepções a autoridades internacionais. Reuniões inúteis com Conselhos igualmente inúteis. Visitas de cortesia a companheiros latino-americanos em seus respectivos países. Que doce vida!

Mas se Lula da Silva não sabe de nada, não vê nada, não ouve nada, não administra nada, quem governa o País? Seria um gabinete das sombras composto por aqueles que, tendo cometido toda a sorte de negociatas e torpezas caíram de podres, mas continuam lá? Nossa política externa é conduzida pelo Itamaraty ou por Marco Aurélio, o obsceno e José Dirceu, o lobista internacional? O marketing tão bem elaborado por acaso prescinde do mago da propaganda, Duda Mendonça?

Resumindo, são os marajás do petismo sindical que dirigem nossos destinos. Muitos pensam que Lula da Silva governa o Brasil. Que estúpido engano, que monumental blefe virou esse País.

Para a PF, Casa Civil montou dossiê sobre gastos de FHC

Na reportagem de Andréa Michael, da Folha de São Paulo, apenas a confirmação do que estamos dizendo desde que a Revista VEJA, informou da existência do dossiê: ele foi idealizado pelo Planalto e montado a partir de uma parceria Casa Civil e Ministérios. Esperamos apenas que no final não se venha endossar a cretinice do Tarso Genro, a de que o dossiê não é crime.

Claro que há dossiês e dossiês. Você pode montar um sobre, por exemplo, o comportamento do consumidor de determinada faixa de renda combinando fases de economia favorável e de escassez ou carestia. Ou, a exemplo de Lula e seus pelegos e asseclas, com o fito propósito de intimidar e chantagear.

E mais: fica claro que, pelo comportamento da equipe escalada para a coleta de informações, não foram tomados os cuidados necessários para impedir o vazamento, uma vez que se estava manipulando com informações sigilosas.

Agora, o que fica difícil de entender é do porquê o governo insiste em negar que o dossiê não era “um dossiê”, se o ministro da justiça afirmou não se tratar de crime ? Esta turma precisa entender, de uma vez por todas que, a par de grande parte da população ser constituída como massa de manobra, há pessoas que racionam e não se deixam enganar por versões conversa-mole. Podemos até parecer imbecis algumas vezes, contudo não somos os imbecis que o governo Lula adoraria que fôssemos.

Abaixo, a reportagem da Folha de São Paulo.

Delegado que apura caso diz a interlocutores que equipe de Dilma não respeitou normas

Decreto presidencial, de 2002, recomenda cuidado na manipulação de dados sigilosos, deixando claro possibilidade de punições

A base de dados montada dentro do Palácio do Planalto com gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso é um dossiê. Essa é a avaliação do delegado da Polícia Federal encarregado dessa investigação. Segundo a Folha apurou, a equipe de Sérgio Menezes concluiu que a Casa Civil não adotou um padrão técnico para o levantamento das despesas tucanas e não respeitou previsões legais relacionadas aos trâmites de documentos.

O material foi vazado a conta-gotas à imprensa em fevereiro, quando o governo Lula tentava impedir a instalação da CPI dos Cartões Corporativos.

Há quase um mês, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) nega a denominação de dossiê para o trabalho feito por sua equipe. As negativas ocorrem apesar do formato de organização das informações (extraídas sem justificativa do arquivo morto da Presidência), das observações com viés político contidas no documento e de os gastos do ex-presidente terem sido lançados numa base paralela ao sistema oficial de controle de suprimento de fundos.

O delegado Sérgio Menezes, que há uma semana investiga o caso, disse a interlocutores que o levantamento feito pela equipe de Dilma constitui um dossiê porque não seguiu o trilho normativo previsto no decreto 4.553, de dezembro de 2002, que dispõe sobre a "salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado, no âmbito da administração pública".

Em primeiro lugar, a PF buscará saber se, como prevê o decreto, a Casa Civil criou uma Comissão Permanente de Avaliação de Documentos Sigilosos, que deve, entre suas atribuições, analisar periodicamente a documentação secreta produzida na repartição, determinar o destino de tais papéis e autorizar o acesso aos documentos reservados.

O decreto também sugere o uso de chaves de segurança (senhas) e de criptografia nos sistemas informatizados nos quais estão arquivados dados considerados sigilosos -o que a PF acredita não ter sido observado no acontecido.

Com base no artigo 37 do decreto, a PF vai buscar os responsáveis e definir eventuais punições. Diz o seu parágrafo 1º: "Todo aquele que tiver conhecimento, nos termos deste decreto, de assuntos sigilosos, fica sujeito às sanções administrativas, civis e penais decorrentes da eventual divulgação dos mesmos".

Até a conclusão desta edição, a assessoria de imprensa da Casa Civil não respondeu aos recados deixados pela Folha.

O dossiê contém informações sobre gastos com bebidas alcoólicas, entradas de cinema para seguranças que serviam à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, além de pagamentos feitos a Roberta Sudbrack, chefe de cozinha do governo FHC.

Antes de definir em qual prática irregular ou ilegal poderá enquadrar os responsáveis por fazer o dossiê e por seu vazamento, a PF buscará desvendar a motivação dos atos.

Na semana passada, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que não é crime montar dossiês. Crime, disse, é funcionário público vazar dado sigiloso.Reportagem da Folha informou que o Planalto cogita admitir publicamente que fez um dossiê para comparar gastos do casal FHC com os gastos de Lula e Marisa Letícia para se prevenir contra eventuais revelações incômodas da PF.

Hoje deve ficar pronta a perícia nos sete computadores que a PF apreendeu na Casa Civil (cinco laptops e dois de mesa). Ela deve mostrar quem acessou os dados do dossiê, quem o elaborou, trocas de e-mails e até eventual alteração de informações. É com base nisso que a PF definirá a lista de quem será ouvido. A PF tem, no total, 30 dias para concluir o inquérito.

Desmate na Amazônia permanece em alta

Folha de São Paulo

Foram devastados em fevereiro 724 quilômetros quadrados de floresta, 12% a mais que área desmatada em janeiro

Para Inpe não é possível afirmar que houve aumento porque áreas observadas são distintas; Marina crê em redução até o fim de 2008

O desmatamento na Amazônia continua em alta, mesmo em mês de chuva. Dados do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que detecta a devastação em tempo real, mostram que no mês de fevereiro foram derrubados 724 quilômetros quadrados de floresta na região, um número 12% maior que os 639 quilômetros quadrados derrubados em janeiro.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, disse que os dados confirmam "a continuidade de um processo consistente de degradação", mas que não é possível falar em aumento de um mês para o outro, porque a área observada não foi a mesma.

"Mato Grosso foi observado em fevereiro, Pará e Rondônia não foram", devido à intensa cobertura de nuvens, disse Câmara. As nuvens impedem que o satélite "enxergue" o solo.

De qualquer forma, os dados preocupam o governo porque, tradicionalmente, fevereiro é um mês no qual não se desmata justamente porque é "inverno" (ou seja, estação chuvosa) na Amazônia. O Deter nem sequer tem os dados de fevereiro de 2007 (com os quais seria possível fazer uma comparação ano a ano), porque o Inpe acreditava nessa baixa atividade.

O desmatamento observado pelo Deter em fevereiro é mais alto do que o visto em janeiro, agosto (243 quilômetros quadrados), setembro (611) e outubro (457), mas menor que novembro (974) e dezembro (943), quando a devastação explodiu e fez o governo deflagrar uma série de ações de controle.

Os Estados onde foi observada a maior devastação foram Mato Grosso (639 quilômetros quadrados) e Roraima (51 quilômetros quadrados). Isso não quer dizer, no entanto, que Pará e Rondônia, que compõem com Mato Grosso a tríade da devastação, tenham derrubado menos: só não foram vistos.

O governo de Mato Grosso contesta as informações do Deter. Para a Sema (órgão ambiental estadual), áreas classificadas como pontos de desmate pelo Deter são na verdade locais onde a floresta foi degradada há oito anos ou mais.

O Inpe diz que a polêmica se deve a uma divergência de metodologia. Para o Deter, áreas nas quais o sinal espectral (a luz que o satélite capta) de solo é maior que o de vegetação são florestas degradadas que não funcionam mais como uma floresta -e, portanto, entram na conta da devastação.

O Inpe vai agora cruzar os dados do desmatamento com os de queimadas e flagrar, assim, a degradação progressiva em Mato Grosso.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu o aumento do desmatamento nos dois primeiros meses deste ano. Ela disse que as medidas anunciadas pelo governo, que ainda estão sendo implementadas para tentar barrar o desmatamento, não têm a mesma "velocidade que a dinâmica" da devastação ambiental.

"Elas [as medidas] com certeza irão surtir efeito, mas não em apenas um ou dois meses. Queremos que todas venham a acontecer e que, se possível, tenhamos em 2008 uma redução do desmatamento", declarou.

(Claudio Angelo E Lucas Ferraz)