quarta-feira, abril 16, 2008

O que se esconde no tal Conselho de Defesa da América.

Adelson Elias Vasconcellos

Nosso ministro Cobra Coral, Nelson Jobim, da Defesa, declarou que o Conselho de Defesa que se pretende criar no âmbito da América Latina não prevê ação militar em conflitos. Muito bem, ministro, então pra que serve um Conselho de Defesa, para se reunir e bater papo furado apenas? Vamos ver: quer dizer que se uma nação do continente for invadida por outra, os imperialistas americanos resolvam atacar, por exemplo, a Bolívia, o que o tal Conselho pretende fazer? Porque, esta balela de se criar um órgão para servir de contraponto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), convenhamos, chega ser patético. Porque durante toda a sua existência, a OTAN sequer se preocupou em saber da existência da América Latina, quanto mais a de coloca-la sob ameaça.

Este papo furado é mais um daqueles enredos bem latino-grossura, estilo populista, quando se inventa a existência de um inimigo comum, para que todos se submetam ao chicote do caudilho de plantão, para defenderem a honra da pátria ameaçada, e vai daí, todas as ações autoritárias passam a ser admitidas, porque o caudilho, pai do povo, vai nos proteger dos dragões que nos ameaçam. Isto não presta nem pra para enredo de dramalhão mexicano, quanto mais para se tornar numa realidade possível de acontecer.

Porém, será que os nossos índios não viram o tempo passar, o mundo mudar, só a banda do Chico parou pra tocar a marcha fúnebre dos indecentes? Mas a canalhice dos caudilhos, esta sim, parece não ter fim. Não por outra razão, Hugo Chavez se fez na Venezuela, e acabou fazendo escola. Aqui, no Brasil, como a criação do inimigo imaginário não faria cócegas nem para moleque de rua, Lula criou FHC, o homem que faliu o Brasil, e assim, de herdeiro de suas políticas econômicas e sociais, bem como das reformas do Estado que permitiram o equilíbrio fiscal sustentáculo da atual estabilidade, Lula posou para a foto como protagonista da obra alheia. Ciente das carências inúmeras da imensa maioria de miseráveis, tratou de transformar o Estado brasileiro num imensa favela, onde a pobreza, seja de que nível for, está garantida e perenizada.

Assim, fica claro que o tal Conselho de Defesa funcionará muito mais como elemento de marketing político para efeitos internos, do que propriamente um órgão a ser utilizado para a defesa do continente. O que ali se vai discutir ? As estratégias de ampliação do Foro de São Paulo, que agora passará de um imenso acordo clandestino de esquerdistas e narcotraficantes, em uma instituição continental. Ou seja, o Conselho de Defesa que se está parindo, nada mais é do que o Foro de São Paulo ampliado, um imenso sindicato do crime organizado, cuja principal função será a de traçar estratégias para a extensão plena dos tentáculos comunistas sobre os demais países do continente, além de servir de base de resistência aos que se opuserem ao projeto obscurantista em ação.

Nada mais indecoroso do que a mentira de que o tal Conselho funcionará para “a elaboração conjunta de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal entre as Forças Armadas de cada país, realização de exercícios militares conjuntos, participação em operações de paz das Nações Unidas, troca de análises sobre os cenários mundiais de defesa e integração de bases industriais de material bélico”. Porque, rigorosamente, a única ameaça real que os sul-americanos tiveram em suas vidas foram as agressões nascidas dentro de cada um dos seus países, pelos golpes de estado fossem de militares ou até de civis, como as FARCs na Colômbia, ou, a lembrar apenas mais um, o Sendero Luminoso, organização terrorista e de inspiração maoísta, fundada na década de 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Perú. No Brasil, podemos dizer que uma cópia genérica destes movimentos é possível identificar em muitas ações do MST, muito embora com menor virulência.

Houvesse, de fato, interesse político quanto a “defesa” do continente à alguma ameaça externa, tais funções poderiam perfeitamente ser desempenhadas no âmbito da OEA. Porém, as esquerdas alocam a si mesmas a exclusividade quanto o assunto versa sobre “defesa”, e neste sentido, para este povo, a presença dos Estados Unidos no continente acaba sendo uma ameaça às suas pretensões expansionistas. Ora, em toda a sua história, nunca se soube que os Estados Unidos tenham desembarcado em algum país sul-americano alguma força bélica. E sabe-se que isto será impossível de acontecer no futuro. Portanto, a ameaça não se dá no campo militar, mas no campo ideológico.

Mas, e daí? Agora o continente para ser progressista e desenvolvido precisa se pintar de vermelho? Por que cada nação não pode livremente deliberar seu caminho, por que precisa ser OBRIGATÓRIO que todos respiremos o mesmo ar de atraso, ou sigamos a mesma ideologia política dos canalhas?

Portanto, este “conselho” além de inútil, na sua função tornada pública, é também a ressureição do que de pior o continente a muito custo, e sobre milhares de cadáveres inocentes, conseguiu enterrar em passado recente. Além de que irá legalizar um foro de criminosos, que passará a ter uma existência institucionalizada, convertendo-se, assim, em um imenso sindicato do crime organizado latino-americana, ou se preferirem, a SCOLA do crime. A menos que a história me engane, não era bem nisso que Simon Bolivar imaginava quando sonhava com uma integração continental...

Aliás, o pensamento que Bolívar sempre defendeu para o continente americano se assentava tres postulados básicos: a) nações livres, sem o comando das metrópoles da época; b) independentes, tanto politicamente como economicamente; e c) a União dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordens mundiais. Na questão de independência, Bolívar só não via como necessário uma nação independente, mas sim que ela também fosse democrática: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta" vinculando a idéia de um governo democrático, além do fato também, de ver a necessidade de que se tivesse um projeto econômico. Agora comparem com o que preconizam e fazem gente da laia de Hugo Chavez, Evo Moralez, Rafael Correa, Daniel Ortega, e o que fez por quase cinquenta anos o moribundo ditador cubano Fidel Castro.

Portanto, não há como negar que se está abindo caminho à ação expansionista e hegemônica dos novos caudilhos latinos, usando como véu uma figura respeitada por sua biografia, porém distante do modelo que se está praticando. Seria o mesmo que, retornando no tempo, alguém justificar positivamente a ação da Inquisição medieval com a defesa da doutrina cristã, que nunca pregou a violência, mas que desvirtuou-se no instinto malévolo de alguns de seus pseudo seguidores e defensores.