sexta-feira, abril 15, 2011

Lula não leu FHC, mas não gostou e ainda criticou. E isto tem nome: má fé.

Adelson Elias Vasconcellos

Só imbuído de ignorância extrema casada com má fé explícita é possível conceber que Lula, não tendo lido o que escreveu FHC sobre o papel das oposições, tenha alguma autoridade moral e intelectual para criticar sobre algo que não foi dito nem escrito.

Comentando o artigo, escrevi um artigo em que o título já dizia tudo: a ignorância nacional é não saber ler. Referia-me, especificamente, as críticas feitas por Aécio Neves, dentre outros políticos das oposições, mas especialmente ele, porque se puseram a comentar sobre algo que o ex-presidente Fernando Henrique sequer escreveu. E o que é pior: dando um sentido totalmente delirante a uma expressão que não pode nem deve ser lida e entendida fora do contexto com o artigo foi idealizado.

Sei que o texto é bastante longo, mas, poxa, não se pode fatiar um artigo e querer fazer julgamento apenas sobre estes pedaços. Há toda uma linha de pensamento e análise que segue uma determinada coerência que impede, a qualquer analista, análises e julgamentos parciais.

Porém, sendo arrogante até a extremidade de sua ignorância e má fé, Lula não se avexa de falar até de coisas que não leu, que não viu, que não assistiu, apenas pelo prazer mórbido que sente em desferir ofensas gratuitas à sua maior obsessão. Lula não perdoa FHC por ter sido derrotado por ele duas vezes e ambas no primeiro turno. Não perdoa que o tucano tenha dado uma direção moderna ao país, e estabelecido as bases tanto da estabilidade econômica quanto da inclusão social.

E, é bom que se diga, Lula jamais aceitou um debate público com FHC, mesmo após ter deixado o poder, muito embora muitos tenham tentado colocar os dois frente a frente.

Pois bem: e o que disse Lula? Isto, leiam, depois comento.

“...Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão”, atacou Lula. “O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros.”

O petista se referia a que parte do texto de Fernando Henrique? A este, vejam e comparem:

Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.

Muito bem, para quem acompanha já há algum tempo este blog, perceberá que, talvez com mais elegância, o ex-presidente Fernando Henrique ditou um pensamento que defendemos há muito tempo. E acrescento: colocou no papel uma realidade bem presente do cenário político brasileiero.

Ou então digam lá: o povão, carente e desinformado, não se tornou o grande cliente dos bolsas caça votos de Lula de 2003 para cá? Centrais sindicais não estiveram historicamente sempre ligadas ao PT que os beneficiou doando-lhe parte do imposto sindical para ser gasto sem um mínimo de fiscalização, além de desobrigá-las a prestarem contas? Além disto, durante seus dois mandatos, Lula não usou e abusou das verbas publicitárias para cooptar grandes nacos da imprensa? E quantos foram os bilhões de recursos públicos que Lula doou para as centenas de ong’s picaretas que perambulam o país em busca de uma causa para justificar seu sustento com as tetas do Tesouro?

Digam lá: neste quadro, onde está a mentira? O quadro é bem a cara do Brasil durante oito anos de Lula. O resultado desta farra foi visto nas eleições de 2010: onde foi que Dilma praticamente liquidou a eleição, não foi no Norte/Nordeste, não por acaso as regiões com o maior número de beneficiários do Bolsa Família?

Além disto é preciso considerar que estes mesmos grupos permaneceram sendo cooptados e influenciados pelo governo petista, justamente porque é ele quem assina o cheque e abre o cofre. Tentar atrair com discurso este contingente é sim, gostem ou não, pura perda de tempo.

Mas não é o apenas o realismo que ressalta do texto que deve ser observado: ocorre que FHC não escreveu “desistir do povão” como a versão que, afoitamente, se tentou vender à praça. Em que parágrafo está representado ou escrito esta tal desistência?

O texto, e vocês podem comprovar pela íntegra que aqui reproduzimos (clique aqui), é uma análise muito bem apanhada e serve como fio condutor para as oposições se reposicionarem no jogo político do país, sob pena e risco de se tornarem irrelevantes. O alerta vai ao ponto: não adianta fazer disputa de discursos numa clientela aparelhada pelo governo, por meio dos sindicatos e movimentos sociais, e até diria, de importantes setores da imprensa, aquela que dispensa sua independência em nome de alguns trocados da publicidade oficial.

Neste sentido, o texto de FHC oferece o caminho que as oposições devem se guiar se pretendem, em futuro próximo, retornarem ao poder. E reparem num detalhe: se de um lado, o PSDB não tem como competir com o assistencialismo praticado pelo governo petista junto ao “povão”, também não lhe resta muitas alternativas nas camadas superiores da sociedade, a chamada elite, seja ela econômica, política ou sindical. Vejam o caso da interferência do governo Dilma no comando da Vale: quem poderia dar vazão à intromissão seria o Bradesco. Pois bem, o que aconteceu? Vejam texto mais abaixo: em troca do IRB, o Bradesco deu carta branca para Dilma dispor de forma vexatória, do comando da maior empresa privada nacional. Foi a sua taxa de sucesso. Querem mais? Nunca o BNDES emprestou, a juros subsidiados logicamente, tanto dinheiro para as elites como no governo Lula. É a chamada Bolsa BNDES. Mesmo em 2011, diante da imperiosa necessidade do país aplicar um ajuste fiscal com contenção de gastos, ao mesmo tempo em que se anunciou um corte de 50 bilhões no orçamento, também se autorizou um repasse em igual montante para o BNDES continuar com sua política filantrópica.

Quanto à elite sindical, vejam o quadro abaixo.


Como poderiam as oposições se aproximar das centrais diante desta doação irresponsável feita pelo governo petista?

Mas há um dado que resume melhor ainda esta estreita ligação do governo petista com as chamadas elites econômicas, e o modo como se utilizou programas e medidas de governo para beneficiá-las.

Um dos ramos de atividade que, na oposição, o discurso petista mais demonizava era o bancário. “Os tucanos neoliberais tiravam dos pobres para dar os banqueiros sedentos de lucros fáceis”, esta era a sua chamada de ordem..

Pois bem, fica fácil comparar as gestões de FHC e Lula neste quesito, já que ambos governaram o país por oito anos.

E nesta questão, lucro dos banqueiros, a Era Lula bateu disparado todos os recordes. A soma do lucro líquido dos nove maiores bancos no país, foram os seguintes:

1.- Período FHC : R$ 30, 798 bilhões.

2.- Período Lula: R$ 199, 455 bilhões.

Diferença pró-Lula: 550%.

Pergunto: quem favoreceu mais os ganhos dos “infames” banqueiros, sugadores da poupança nacional, Lula ou FHC?

E aqui vai mais um dado: sabem quanto foi enviado para fora do país a título de remessa de lucros nos últimos doze meses? Pasmem: 33,8 bilhões de DÓLARES!

E para encerrar: o governo petista se ufana do país ter reservas internacionais em torno dos 300 bilhões. Muito bem: vocês sabem quanto custa,  em juros, esta montanha de reservas? Anotem aí: nos dois primeiros meses do ano, o custo foi de 27 bilhões!!!

Assim, FHC está certo em recomendar as oposições centrarem seu discurso na classe média que, a propósito, é a única que não pode contar com bolsas facilidades compra votos para se manter, e sobre a qual recai o maior peso dos impostos que o governo arrecada, além de ter que bancar serviços privados que deveriam ser de obrigação do Estado mas que, dada a falência geral do governo, vão de mal a pior. E é a única que tem capacidade intelectual para entender a trapaça que acontece nos porões do Planalto e com estofo moral suficiente para dar um basta à pilantragem. Mesmo que Lula os odeie, eles são formadores de opinião. E acreditem: a classe média é o canal mais apropriado para uma tomada de consciência suficientemente forte para reverter às tendências do cenário político atual.

Quanto as críticas que recebeu de aliados, o ex-presidente Fernando Henrique foi direto ao ponto:

É de doer que políticos da oposição deixem de lado o conjunto dos argumentos e das propostas que fiz no artigo e, antes de o lerem, façam coro ao petismo, colocando-me como um insensato que despreza o voto das parcelas mais desfavorecidas da população. Fariam melhor se lessem com mais calma o que escrevi”.

Não poderia ter sido mais claro.

Fala sério!

Lucia Hippolito

Mais uma vez a oposição e, sobretudo, o PSDB não entenderam o argumento de Fernando Henrique.

O ex-presidente escreveu um excelente artigo na revista Interesse Nacional, que deve sair amanhã. A Folha de São Paulo publicou. Eu e algumas pessoas que recebemos a revista fomos brindados com a íntegra do artigo por antecipação.

Fernando Henrique continua um estupendo analista. Não perdeu a mão como analista político, como sociólogo.

Ele diz coisas de uma clareza impressionante. Partido é parte. Partido não é todo. Nenhum partido democrático pode ter a pretensão de representar toda a sociedade. Só um partido totalitário.

Claro que a oposição dialoga com todos os setores da sociedade, mas um partido tem que representar uma parte da sociedade.

E o que diz Fernando Henrique? Aqueles setores beneficiados com os programas sociais do governo federal já foram capturados pelo PT.

Mas existe um enorme segmento da sociedade brasileira, inclusive esta classe média que surgiu por causa da estabilidade econômica que começou no seu governo e prosseguiu no governo Lula, também por causa de programas sociais que começaram em seu governo e vieram para o governo Lula, essa classe média que está sem representação.

Ela tem reivindicações, ela tem projetos, mas está sem voz. Segundo o ex-presidente, a oposição deveria ouvir mais esta classe média, conhecer seus desejos.

E mais: deveria ir atrás dos jovens, frequentar mais as redes sociais, aproximar-se dessa turma que está desconfiada da política, desalentada, que não acredita mais na política.

Muito bem. Os governistas reagem como lhes cabe.

O secretário de Comunicação Social do PT afirma que eles não gostam mesmo de pobre. Está no seu papel.

E o que faz a oposição? Sai a reboque do PT, se explicando: “Não, nós adoramos pobre. Fernando Henrique não explicou direito. Não era nada disso.”

Todos constrangidos e cheios de dedos.

Resumo: não entenderam nada do que disse Fernando Henrique. Por isso a oposição virou suco.

Não sabe fazer oposição. Não sabe captar um sentimento que está difuso na sociedade, tem a pretensão de representar todo mundo e acaba não representando ninguém.

E os tucanos mais uma vez deixaram Fernando Henrique falando sozinho.

Deixaram Fernando Henrique falando sozinho nesses oito anos e agora deixaram novamente.

O que o ex-presidente está dizendo? Vamos tentar organizar o pensamento da oposição para que possamos organizar a ação da oposição.

Mas não. Saem todos feito baratas tontas, achando que o que ele disse significa que ele não gosta de pobre. Tenham dó.

Fala sério!

Se continuarem assim, os tucanos vão continuar sendo derrotados até desaparecer.

Bem feito!

Lula critica artigo de FHC que não leu ou, se leu, não entendeu. E confunde crítica com ser “contra o Brasil”

Ricardo Setti, Veja Online


O ex-presidente Lula, que proferiu hoje palestra em Londres para executivos da multinacional espanhola Telefónica, uma vez mais, como em tantas outras, perdeu ótima oportunidade para ficar calado – depois da palestra, pelo menos.

Falando a jornalistas em seguida ao evento, criticou pesadamente o artigo “O Papel da Oposição”, escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a revista Interesse Nacional e que publicamos aqui no blog. “Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão”, atacou Lula. “O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros.”

Amigos do blog, se vocês leram o artigo, verificarão que Lula o criticou sem ler – ou, pior, se leu, não entendeu patavina. Em nenhum momento a estratégia proposta por FHC de a oposição centrar seu discurso em determinadas camadas sociais significaria “esquecer” setores inteiros da sociedade.

Mais adiante, falando linguagem da ditadura militar, sob cujo tacão ele próprio sofreu mas que hoje em dia admira em muitos aspectos, o ex-presidente voltou a atacar “aqueles que torcem contra o Brasil”, referindo-se às críticas de diferentes setores sobre a volta da inflação.

“Quando baixamos da meta e fomos para 3,1% em 2006, ninguém fez um artigo me elogiando. Agora, quando sobe para 4,75% [reclamam]“, resmungou.

Aecio e Kassab duas xerox

Sebastião Nery

BELO HORIZONTE - A historia de Juscelino foi uma guerra, naquela Minas plácida e sonolenta do século passado. Nascido em Diamantina em 12 de setembro de 1902, filho de caixeiro-viajante e professora, órfão de pai tuberculoso ainda criança, seminarista, telegrafista, estudante de medicina, em abril de 1930 ganhou bolsa e foi para Paris.

Voltou no fim de 30, abriu consultório em Belo Horizonte, entrou para a Policia Militar como medico e participou da “revolução de 32” contra os paulistas, ao lado de Benedito Valadares, depois nomeado por Getulio interventor. JK foi ser chefe de gabinete e não saiu mais da política.

Em outubro de 34, deputado federal mais votado de Minas. Golpe em 37, volta à medicina. Em abril de 40, prefeito de Belo Horizonte.

Juscelino
Em dezembro de 45, novamente o mais votado do Estado para a Constituinte de 46. A UDN esperava que Pedro Aleixo, presidente do partido, fosse o deputado mais votado na capital. Ou Milton Campos. Foi Getulio : 12.208 votos. Segundo, Juscelino : 7.024 votos. Terceiro, Milton Campos : 4.134. JK era o segundo depois de Getulio. Luz e maldição.

Herdeiro eleitoral evidente de Vargas (João Goulart ainda estava no Rio Grande), Juscelino atraiu contra ele toda a fúria da UDN, que então comandava a maioria da imprensa nacional. Não era só Carlos Lacerda na “Tribuna da Imprensa”. Era o “Diario de Noticias” dos Dantas, “O Globo” dos Marinho, o “Estado de S. Paulo” dos Mesquita.

Ganhando o governo de Minas com Milton Campos em 47 contra Bias Fortes, do PSD,a UDN mineira começou cedo a guerra de 50, quando sabia que Getulio seria candidato imbatível a presidente e JK a governador. Lançou Gabriel Passos, concunhado de JK, casado com uma irmã de dona Sarah, e tentou ajudar o melancia Carlos Luz, metade PSD metade UDN, a ser o candidato do PSD. Juscelino venceu a convenção e a eleição.

UDN e PSD
A batalha final foi transferida para 55. Juscelino já assumiu o governo do Estado em 50 candidato a presidente em 55. Getulio se matou,

Café Filho assumiu, a UDN tomou conta do governo, Lacerda dava as ordens. Nereu Ramos, presidente da Câmara dos Deputados, propôs a Juscelino uma reunião do PSD no Rio. Lá estava o presidente do partido, Amaral Peixoto, e, entre outros, o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, do PSD, mas corpo e alma de udenista. Etelvino propôs o adiamento das eleições de 3 de outubro para o Senado, a Câmara e as Assembleias.

Alegava que, depois do suicídio de Vargas, o PTB teria uma votação em massa, que irritaria os militares. Com Etelvino, concordaram Nereu, Benedito Valadares, presidente do PSD de Minas, Lucas Nogueira Garcez, governador de São Paulo, outros. Era a tese de Lacerda, da UDN e de Raul Pila, do PL. Juscelino viu o ovo da serpente e vetou :

- “Como governador de Minas, lançarei mão de todo o poder que me confere o cargo para impedir que o calendário eleitoral seja alterado”.

Recuaram. Houve as eleições e nada aconteceu do que diziam : o PSD tinha 112 deputados passou para 114. A UDN com 84 caiu para 74. O PTB com 51 subiu para 56.E Jango perdeu o Senado no Rio Grande do Sul.

Benedito
Mas era preciso saltar primeiro os obstáculos de Minas. Benedito Valadares, chefe do PSD de Minas, morria de medo dos militares e não queria Juscelino de jeito nenhum. E JK dependia de ser aprovado primeiro pela Executiva Estadual. Depois de tensas horas trancados numa reunião dramática até a madrugada, ainda me lembro da cara emburrada, de boi chuchado, de Benedito, cabeça baixa, humilhado, pálido, saindo lá de dentro derrotado, pela primeira vez, no partido. Por um voto.

Afinal, em 10 de fevereiro de 55, dos 1.925 delegados da convenção nacional, 1.646 aprovaram a candidatura de JK. Contra, unânimes, os diretórios de Pernambuco (Etelvino), Santa Catarina (Nereu), Rio Grande do Sul (Perachi Barcellos), 160 da Bahia (Antonio Balbino), e 26 do Rio.

Em 27 de janeiro, a “Voz do Brasil” divulgou documento em que “militares apelavam por um candidato único e civil”. Juscelino respondeu com um discurso duro : - “Deus me poupou do sentimento do medo”.

E saiu pelo pais pregando desenvolvimento e “50 anos em 5”.

Em 3 de outubro, dos 9.066.698 votos, Juscelino teve 3.077.411 (36%), Juarez 2.601.166 (30%), Ademar 2.222.725 (26%) e Plínio 714.379 (8%).

Em 31 de janeiro de 56, JK era o presidente da Republica. O golpe da UDN, de 50, 54 e 55, tinha sido mais uma vez adiado. Para 1964.

Coragem
Desde Juscelino, Minas está escorraçada da presidência da Republica. Aécio Neves quer disputar 2014 com Dilma, falando em JK. O paulista Kassab criou um partido, chamou de PSD, usando JK. Querem ser duas xerox. Falta-lhes o que sobrava em Juscelino: coragem e verdade.

Sobre direitos humanos, o silêncio chinês de Dilma

Adelson Elias Vasconcellos


No artigo com que encerramos a edição de quarta feira, 13, reafirmamos algo que já havíamos dito sobre as tais “mudanças da política externa” brasileira, tão comemorada por certos setores da imprensa, que apontam ser Dilma Rousseff quase que protagonista de uma “verdadeira revolução”. E o que eu dizia no referido artigo? Que esta mudança dos ventos na política externa só poderia ser prá valer, SE e QUANDO o governo Dilma criticasse, sem concessões, os regimes dos irmãos Castro, em Cuba, e de Hugo Chavez, na Venezuela. À distância, tecer uma leve crítica a uma decisão lá no Irã, é fácil e, parece, dá IBOPE. Outra, bem diferente, é aqui no nosso quintal, com a proximidade que a geografia permite, e com as ligações históricas entre os petistas e regime tirânico de Cuba, e não menos da Venezuela, Dilma mudar o tom, mostrando sua preocupação real com direitos humanos, que seria uma mudança séria da nossa diplomacia, se comparada com a que se praticou no governo Lula..

Pois bem, na China, onde direitos humanos serve só para quem só sabe dizer “sim”, Dilma fez um silêncio sepulcral sobre o tema. Nem um leve suspiro se ouviu da soberana sobre o regime chinês e seu feroz estado policial e a forma muito peculiar como eles tratam seus dissidentes políticos.

Anuncia-se que a próxima visita internacional que a presidente fará será à Cuba. Alguém é capaz de imaginar Dilma falando de direitos humanos para os irmãos cubanos que governam a ilha há cinquenta anos com mãos de ferro? Alguém consegue imaginar Dilma cobrando democracia, liberdade de expressão e menos tirania de Fidel e Raul Castro?

Claro que esta gente sempre encontra um meio de justificar sua vigarice, mas isso só quando algum esperto resolve confrontar suas posturas diante de pessoas e fatos semelhantes. Assim, não faltou quem inquirisse ao assessor top da soberana, o excêntrico Marco Aurélio Garcia, sobre o porquê do silêncio.

Vejam a beleza de resposta da figura;

"Não vamos nos transformar num alto-falante permanente", avisou Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais. "O fato de termos uma tensão com esse tema não significa que vamos tratá-lo como questão obsessiva a todo momento."

É isso aí: a depender do país e seu governante, o tema direitos humanos deixará de ser “uma questão obsessiva”. Ou seja, a política externa brasileira vai continuar apoiando ditadores e tiranos, e somente se colocará em posição crítica em questões pontuais, sem que isso seja uma escala de valor a conduzir as nossas relações internacionais.

Se alguém acreditou e comemorou a mudança de ventos que não houve, é bom ficar antenado: a turma petista sempre distorcerá a seu favor qualquer coisa. O discurso sempre de ocasião e a depender do público que estiver assistindo, será conduzido para agradar à torcida, sem que, no fundo, determine um princípio moral a dar direção ao pensamento que os guia. A vigarice, ao que consta, parece ser o único valor que norteia atos e palavras do partido, estejam no poder ou na oposição.

Dizer que “...todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos...” não passa de uma afirmação protocolar apenas. O Brasil, conforme relatório americano recém divulgado, também os têm, por certo. Assim como Estados Unidos, França, Inglaterra, etc. Porém, a diferença é que, alguns destes “países” a que se referiu tanto Dilma quanto seu excêntrico assessor, são democráticos e conseguem conviver com o contraditório, coisa que nas ditaduras, e especialmente a chinesa, sequer admitem a dissidência de pensamento político.

É bom que isto aconteça bem no começo do mandato. Evitará que muitos se deixem iludir pelo canto da sereia desta gente.  Aliás, um pouco menos de hipocrisia na quest;ão de direitos humanos não lhes faria mal algum e o país sairia no lucro, já que seria visto com mais respeito. Por enquanto, somos moleques brincando de gente grande. E eles ainda querem cadeira no Conselho de Segurançaq na ONU! Deus nos livre!!!

Dilma pisa feio na bola ao abordar, na China, a questão dos direitos humanos

Ricardo Setti, Veja Online

Dilma ao lado do presidente chinês, Hu Jintao:
"todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos"

Amigos, eu juro que pretendia escrever um post light sobre a visita da presidente Dilma à China, comentando o positivo que estão sendo os acordos comerciais e outros em montagem e acerto e, principalmente, o fato de que o colosso asiático disse “compreender e apoiar” a aspiração brasileira de “vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”.

Os chineses estiveram a um milímetro de apoiar com todas as letras a velha aspiração brasileira de ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, e isso representa um avanço importante da diplomacia brasileira.

Mas a presidente pisou feio na bola, em sua breve entrevista após o encontro que manteve com o presidente chinês, Hu Jintao, na questão dos direitos humanos. Pois não é que ela afirmou manter em relação à ditadura chinesa sobre direitos humanos postura semelhante à que apresentou em relação aos Estados Unidos durante a visita do presidente Barack Obama, no mês passado?

Digamos que Dilma não é propriamente uma maravilha de clareza quando fala, mas, sem entrar em mais detalhes, ela disse aos jornalistas:

– Temos [com a China] a mesma posição que tivemos com os Estados Unidos.

(Será que, com Obama, ela tocou na questão dos prisioneiros sem condenação na Justiça e sem prazo para serem julgados que estão encarcerados há anos na base americana de Guantánamo, em Cuba, acusados de terrorismo? )

Mais à frente, colocando coisas muito diferentes no mesmo saco, ela acrescentou:

– Todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos.

Dilma, distraída, esqueceu que a China é um Estado policial feroz
Deus do céu, Dilma anda muito distraída. Poi parece que a presidente comparou mesmo a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos, um dos países mais livres do mundo, com o Estado policial feroz que é a a China, ponto negro em destaque em qualquer relatório da Anistia Internacional, com censura total à imprensa e às artes, controle da internet, prisão e desaparecimento de dissidentes, fuzilamentos arbitrários, ausência completa de liberdades públicas e por aí vai.

Caras de pau nesse assunto, como sempre, os chineses emitiram nota conjunta com o governo brasileiro segundo a qual os dois países se comprometem a “fortalecer as consultas bilaterais, promover o intercâmbio de experiências e boas práticas” e lutar pelos direitos humanos, principalmente no que se refere ao combate à pobreza – a velha história, defendida durante a ditadura militar no Brasil, de que propiciar comida, eletricidade e emprego é defender os direitos humanos.

Já a Europa se preocupa com os abusos
Infelizmente para a presidente Dilma, coincidiu de, neste mesmo dia, o pedaço mais civilizado do mundo – a União Europeia – exprimir funda inquietação exatamente com os direitos humanos na China, por intermédio da chefe de sua diplomacia, a britânica Catherine Ashton, que se declarou “profundamente preocupada” pela detenção do famoso artista plástico chinês Ai Wei Wei (que expôs na última Bienal de São Paulo) e de outros ativistas do país asiático.

Em comunicado que divulgou hoje, Ashton afirma que a situação dos direitos humanos na China piorou após as recentes medidas repressivas contra um “amplo número” de dissidentes, entre os quais advogados, escritores, jornalistas, artistas e blogueiros, que “foram objeto de detenções arbitrárias ou outra forma de assédio, ou simplesmente desapareceram”. Lamentou também a condenação de críticos do governo a longas penas de prisão e as “novas restrições ao trabalho de jornalistas estrangeiros” impostas por Pequim.

No documento, Ashton o caso Wei We, dizendo estar “alarmada” por sua prisão.

Seria melhor a presidente não ter dito nada
Dilma, vítima ela própria de violação brutal dos direitos humanos na época da ditadura, conforme todo mundo sabe, não disse um “a” sobre nada disso, nem lançando mão da linguagem metafórica e repleta de curvas da diplomacia.

Não era obrigatório que cutucasse essa enorme ferida exposta da ditadura chinesa, durante uma visita em que, em alguns aspectos, o Brasil estava de pires na mão. Mas então que silenciasse de todo sobre o tema direitos humanos.

Na China, Dilma esqueceu de falar em direitos humanos

Ricardo Noblat -



É tão grande a boa vontade com Dilma que se celebrou, talvez de forma apressada, uma eventual mudança de orientação do governo dela quanto à política externa praticada no governo Lula.

Alguns exemplos, de fato, sugerem uma mudança de tom. Ou de norte.

A própria Dilma se apressou em dizer que o respeito aos direitos humanos será uma das marcas da atuação do seu governo.

Pois bem: na visita à China, onde prevalece uma ditadura que desrespeita os direitos humanos rotineiramente, não se ouviu uma palavra de Dilma a respeito.

O assunto ficou de fora do comunicado oficial assinado por representantes dos dois governos.

Dilma explicou:

- Nós tivemos a mesma manifestação sobre direitos humanos que tivemos com os Estados Unidos. Todos os países têm problemas de direitos humanos. Nós temos problemas nisso.

A justificativa de Dilma é infeliz. Nem aqui nem nos Estados Unidos existe uma ditadura. Nem aqui e nem lá adversários do regime são detidos e muitas vezes desaparecem.

Não temos presos políticos - os Estados Unidos também não. A China tem.

Nas últimas quatro semanas, segundo organizações chinesas de defesa dos direitos humanos, cerca de 50 pessoas foram presas pelo governo ou sumiram.

Dilma não soube? Se soube não deu bola? Se deu bola, preferiu mesmo assim calar?

Ou a política de respeito aos direitos humanos do governo Dilma é seletiva? Aplica-se a alguns países e a outros não?

O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

Um dos artigos de Declaração diz:

"Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras."

Outro artigo:

"A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto."

Dilma visitará Cuba em breve.

As dúvidas existenciais de Mantega

Comentando a Notícia

Confesso que começa a assustar certos posicionamentos do ministro Guido Mantega. A impressão que se tem, até pelo tempo que ele  está no comando do Ministério da Fazenda, é a de uma pessoa que perdeu o rumo e não sabe o que fazer para enfrentar determinadas situações que, considerando tudo o que o país já enfrentou e superou nos últimos vinte anos, dá prá se dizer que não passam de pequenas banalidades.

Ora, no momento atual, quais deveriam ser as prioridades do ministro da Fazenda? Vejamos o quadro que é conhecido por todos: nos seus dois últimos anos do segundo mandato, Lula, sabendo que não teria um terceiro mandato para se deliciar, resolveu “desistir” do povão, e ele próprio fazer a nossa escolha do presidente que iria sucedê-lo. Com este propósito, mandou às favas o equilíbrio fiscal, as leis, o decoro e mandou ver numa farra de gastança desenfreada, tudo para capturar o máximo de votos para sua eleita e sucessora.

Como dinheiro não aceita desaforo, esta corrida maluca de liberar geral, até para construir uma mastodôntica base de apoio político, incentivou o consumo ao máximo, e muito além da capacidade de produção interna do país. O próprio governo passou a gastar adoidado. Moral da história: para fechar as contas públicas em equilíbrio, o governo precisou aumentar sua dívida, emitindo títulos que, por sua vez, tiveram o “dom” de manter os juros nas alturas. Como no restante do mundo o juro esteve neste tempo quase zerado na maioria dos países, os juros altos serviram de um formidável polo de atração para o capital motel. Com a enxurrada de dólares entrando no país, é claro, que a nossa moeda sofreu uma valorização muito além do normal, do aceitável. A consequência foi o país perder mercados para seus produtos manufaturados e semimanufaturados, além de um processo de desnacionalização e desindustrialização perigoso.

Com o consumo aquecido além da conta e da capacidade de produção instalada,, tivemos a volta da inflação. Ora, seria simples de resolver: pé no freio do crescimento e contenção rigorosa de gastos. Porém, o governo Lula e mesmo estes primeiros meses de Dilma Presidente, o governo andou na contramão do que dele se esperava. Consequência: mesmo com o senhor Mantega adotando medidas “macroprudenciais” e na espantosa velocidade de um cágado, o real permanece se valorizando e a inflação teima em se manter acesa e assanhada.

Hoje, depois de ter aumentado o IOF para empréstimos tomados no exterior e para compras com cartão crédito também no exterior, o senhor Mantega se saiu com esta:

“Não é fácil conseguir conter a inflação, o que significa aumentar os juros, e, ao mesmo tempo, tomar medidas para conter a valorização do real”, disse o ministro. “Mas acho que temos conseguido.”

Pois bem, já sabemos que a inflação vai estourar a meta antes do meio do ano e o real está em 1,57 frente o dólar, e com tendência de queda. Ou seja, apesar do “...acho que temos conseguido...” do Ministro Mantega, o fato é que não temos conseguido é coisa alguma. Pouco a pouco está é se deteriorando.

Onde está pegando, então? Ora, é simples: reduzir o gasto público. É possível? Sim, basta querer e saber eleger as prioridades mais urgentes para o país.

Agora, e apenas para citar um pequeno grande exemplo da semana, como é possível tentar compatibilizar juros e inflação baixas, e um certo ponto de equilíbrio no câmbio, quando o governo cria uma estatal para construir o tal do trem-bala que, originalmente, custaria cerca de 33 bilhões de reais, mas que já se projeta seu custo ir cerca de 45% além do previsto? Como se pode acreditar nas boas intenções do governo que, não satisfeito em ter um superministério de 37 pastas, ainda anuncia a criação de mais dois e com todos os custos que de tal medida decorre? Como acreditar que o governo da Madame vai compatibilizar estas questões econômicas, quando anuncia 20 bilhões via BNDES como garantia de crédito para o consórcio que vencer o leilão do trem-bala?

Não é fácil conseguir conter a inflação, o que significa aumentar os juros, e, ao mesmo tempo, tomar medidas para conter a valorização do real”, afirmou Mantega. Realmente não é, tampouco será fácil resolver esta equação, tentando compatibilizar dois projetos que, no momento, são totalmente incompatíveis: projeto de desenvolvimento sustentável com estabilidade e inclusão social, e projeto de poder. Já disse e reafirmo: ou é um, ou é o outro. Os dois juntos num mesmo balaio, acabará jogando no lixo todo o esforço feito pelo país ao longo dos últimos anos, para chegar a atual estabilidade econômica, do qual derivam todas as demais conquistas, sociais inclusive.

Afirmou Mantega que “Temos tomado medidas severas.” Pois é, senhor ministro, como vemos pelos resultados alcançados, tão severas quanto inúteis.

Sei não, mas se Mantega continuar soltando suas piadas infantis sem alcançar os resultados pretendidos – e necessários -, acho que o ministério da fazenda terá novo comando bem antes do final do mandato de dona Dilma.

A seguir, a reportagem da Agência Estado, com informações da Agência Reuters, sobre as dúvidas “existenciais” do Ministro Mantega.

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É difícil frear a inflação e segurar o dólar, diz Mantega

Para ministro, moeda americana estaria entre R$ 1,35 e R$ 1,40 sem as medidas adotadas pelo governo

WASHINGTON - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quinta-feira o acerto da estratégia do governo para mitigar a valorização do real, mas admitiu que combinar isso com o combate a inflação é difícil.

Mantega negou que esteja tomando medidas em "conta-gotas" e falou que um exagero poderia ser danoso.

"Você não explode uma bomba nuclear porque se não os efeitos colaterais são piores que a medida em si", disse à Reuters antes das reuniões do G-20 e do Fundo Monetário Internacional. "Temos tomado medidas severas."

As declarações vêm num momento em que os índices de inflação se aproximam do teto da meta fixada pelo Banco Central para 2011, de 6,5%, enquanto o dólar segue numa trajetória cadente frente ao real.

Segundo o ministro, sem as medidas tomadas pelo governo no câmbio, o dólar poderia estar agora entre R$ 1,35 e R$ 1,40 - nesta quinta, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,579.

"Não é fácil conseguir conter a inflação, o que significa aumentar os juros, e ao mesmo tempo tomar medidas para conter a valorização do real", disse o ministro. "Mas acho que temos conseguido."

Na semana passada, o governo dobrou para 3% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nas operações de crédito ao consumo, em mais um esforço para tentar desacelerar a economia.

Em dezembro, o BC havia adotado medidas macroprudenciais com o mesmo objetivo. Segundo Mantega, elas estão funcionando. Em outra frente, o BC elevou o juro básico em 1 ponto porcentual. Na semana que vem, os diretores do órgão devem adotar um aumento entre 0,25 ponto e 0,5 ponto, segundo estimativa do mercado.

O receio do governo e de vários economistas é de que juro mais alto intensifique a entrada de dólares no país que tem valorizado o real e prejudicado setores da economia brasileira.

De acordo com Mantega, é preferível aumentar a taxação sobre a entrada de dólares do que impor restrições mais severas, como uma quarentena. Ele disse que o Brasil continua querendo capital de longo prazo.

"Quando você cobra IOF, está simulando a mesma coisa. Preferimos fazer com taxação do que fazer com quarentena. Mas dá mais ou menos na mesma", afirmou.

O ministro disse ainda que o Brasil não aceitará qualquer restrição à capacidade de impor controles de capital que ameacem prejudicar a economia do país.

Metas para 2012
Mantega adiantou que o governo pretende estabelecer o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) como meta de superávit primário em 2012, dentro da expectativa de que a economia se expanda em 5% no período.

Na sexta-feira, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, falará sobre o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2012, encaminhado ao Congresso Nacional.

O ministro ainda voltou a criticar a política de juros baixos praticada por países desenvolvidos que, segundo ele, contribuem para a especulação com as commodities, cuja alta é um dos motores da inflação global.

A taxa de sucesso do Bradesco, para mudar a presidência da Vale, foi...

Comentando a Notícia

Creio que já coloquei de forma bem clara, sem meias palavras, a posição do blog quanto a intromissão indecorosa do governo Dilma em assuntos de administração interna de uma empresa privada, no caso, a Vale.

A gente fazendo um retrospecto deste escandaloso caso, vai ver que o Bradesco se manteve irredutível, durante um bom tempo, em admitir que o governo determinasse a mudança de comando da companhia, até porque os resultados obtidos por Roger Agnelli, à frente da mineradora, são prá lá de excelentes e nada justificava mudar o certo por um duvidoso, ainda mais querendo, como sabemos, o governo Dilma se intrometer a dar palpites no plano estratégico de uma empresa privada.

Logo depois do Bradesco ter, finalmente, capitulado à pressão do governo, estranhando a maneira pouco convincente e sem nenhuma transparência com que o banco divulgou a informação, o que é um absurdo, por se tratar de uma empresa com ações em bolsa de valores no Brasil e no Exterior, escrevi um artigo com certa ironia perguntando qual deverá ter sido a taxa de sucesso que o Bradesco cobrará do governo para se submeter à pressão.

Neste mundo de “mercado” em que o PT tenta ajustar o país, acreditem, as jogadas são por demais milionárias. Envolve tantos e tão diversos interesses e negociatas, que o melhor seria a gente até sequer tomar conhecimento, por mínimo que seja, das trapaças. Mas não pensem que aí há lugar para gente de bem e honesta: à sua maneira delinquente e criminosa, a exemplo do negócio criminoso que foi a venda da Brasil Telecom para a Oi, o governo petista vai costurando negócios e parcerias com a iniciativa privada, escolhida a dedo, misturando de forma indecente negócios de Estado com interesses privados. Claro que o interesse público é tema que se joga no lixo, uma vez que ele pressupõe ética e moralidade, coisa da qual os negócios de submundo do governo petista passa o mais distante possível.

Assim, aquele discurso tosco e falso de Lula quanto às elites é só conversa mole. Papo furado. Serve para iludir os incautos e, deste modo, cooptar seu voto na próxima eleição. Porque, senhores e senhoras, e disso trato em outro artigo mais adiante, nunca um partido esteve tão ligado à elite econômica, política e sindical do país como o governo petista. Nunca elas foram tão beneficiadas por um governo como foi o caso dos dois mandatos de Lula.

Pobre de quem acreditar que tenha sido o contrário.

Abaixo, artigo do Hélio Fernandes, na Tribuna da Imprensa, contando os pormenores de mais esta vigarice perpetrada pelo governo petista.

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O Bradesco vai receber a segunda parte da recompensa pela concordância com a demissão do presidente da Vale. Passará a controlar o IRB, grande potência no setor de seguros.

O Governo (BB) ficará com 49 por cento. Mas tudo ainda é muito incerto, menos o poder de fogo do Bradesco. Há muito tempo falam na privatização desse instituto, mas tudo estava parado, pelo menos há dois anos. O IRB já teve lucro de 170 milhões, agora mal chega a 40 ou 50 milhões. O mercado segurador está agitado, porque existem muitas formas ou fórmulas, sendo encaminhadas.

Duas coisas que não sofrem dúvida. 1 – A posição de grande controlador, do Bradesco. 2 – E a situação do Banco do Brasil, que ficará com 49 por cento do IRB. Mas ninguém sabe quanto é o patrimônio líquido do IRB, quando é o seu ativo, quanto representa em capital.

Consultei várias fontes, especialistas, interessados, gente que não quer sair e gente que pretende entrar nesse IRB. Mas apesar de respeitar o sigilo pedido (nenhum favor, é a regra da informação e o direito do informante), sabiam tão pouco, que chega a ser disparatado ou contraditório falar em sigilo.

De qualquer maneira, vou publicar o que está sendo discutido, e que agita o mercado. E que qualquer solução (?) encontrada facilitará banqueiros e seguradoras, dois grupos que ganham sempre, mesmo sem colocar dinheiro.

(Não esquecer: na grande crise financeira que ainda assusta o mundo, a maior potência política e financeira do mundo, os EUA, colocaram TRILHÕES DE DÓLARES no “mercado” (textual e entre aspas), disseram que se não fizessem isso, o “MUNDO EXPLODIRIA”). Quem era esse “mercado”? Bancos, seguradoras e empresas de “empréstimos” imobiliários, vorazes e desvairados por lucros.

Também é preciso registrar, ressaltar e ressalvar, o seguinte: o melhor prêmio de documentário foi dado a um jornalista-escritor-especialista-financeiro, que contou tudo sobre o que chamaram de “A MAIOR CRISE FINANCEIRA DESDE 1929”. Incluindo a crise dos petrodólares. Ele contou, não omitiu coisa alguma.

E numa entrevista de grande repercussão nos EUA, assustou potências, banqueiros e seguradoras, revelando que está produzindo o segundo documentário, mais completo que o primeiro. (A Academia de Cinema terá a coragem de premiá-lo pela segunda vez? Ou esgotaram a coragem na concessão do prêmio deste ano?).

A guerra do IRB, se trava em torno das AÇÕES PREFERENCIAIS e das AÇÕES ORDINÁRIAS COM DIREITO A VOTO. Aparentemente (e que deve se concretizar) é o seguinte: ninguém INVESTIRÁ coisa alguma, a não ser o Banco do Brasil. Que compraria 100 por cento das PREFERENCIAIS, e transformaria em ORDINÁRIAS.

Essa operação é defendida pelo Bradesco, que tem 100 por cento dessas PREFERENCIAIS (todas). O governo (BB) compraria todas essas PREFERENCIAIS, que transformadas em ORDINÁRIAS COM DIREITO A VOTO, seriam vendidas a seguradoras, grandes, médias e pequenas.

O Bradesco compraria 25,5% das ORDINÁRIAS e o seu sócio americano (essa associação, que acabou de ser feita, pouca gente sabe), uma parte ainda não definida. Quer dizer, o Bradesco receberia o dinheiro das PREFERENCIAIS, compraria as ORDINÁRIAS. E ainda sobraria muito para reforçar o caixa e comprar bônus do Tesouro. Agora, recebendo 11,75%, mas quando tudo estiver feito e acertado, já estará em 12,25%.

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PS- Nesse esquema, o BB ficará com duas diretorias importantes e o Bradesco outras duas. Estão falando em criar outras duas diretorias inexpressivas, em termos de Poder. Mas com salário de 12 mil reais, com as mordomias (carro e motorista, almoço e jantar, cartão corporativo etc.) chegam a 60 ou 70 mil, M-E-N-S-A-I-S.

PS2 – O presidente desse NOVO IRB, será escolhido de acordo entre BB e Bradesco. Indicado pelo BB, sem veto do Bradesco, ou o inverso. Nome do Bradesco referendado pelo BB. Tão íntimos e interligados, Bradesco e BB não brigarão de jeito algum.

PS3 – Apesar da desinformação geral, a análise do repórter estará bastante aproximada da realidade. Pode haver alteração mínima, muito pequena mesmo.

Ps4 – Para terminar, mais um fato do poderio do Bradesco. Está sendo renovado o Banco Postal, exclusivamente para o Bradesco. Isso mais sigiloso ainda. Gente do “mercado” me pergunta: “O que é isso, Helio? Ouvi falar, mas não sei o que é”. São tão sem constrangimento, que em vez de me informarem, querem informação. Ha!Ha!Ha

Prevaleceu a visão chinesa

O Estado de São Paulo

Saiu ao gosto chinês o comunicado conjunto dos presidentes Dilma Rousseff e Hu Jintao. Os termos foram ditados principalmente pelos interesses da China, assim como são ditados os termos do comércio e da cooperação econômica entre os dois países. Pequim aproveitou a visita para algumas gentilezas. Oficializou a abertura de mercado à carne de porco brasileiro, aceitou conversar sobre a diversificação das trocas e confirmou uma compra de aviões da Embraer. Tudo isso é positivo, mas presidentes não viajam para vender costeleta e lombinho e raramente se envolvem na exportação de aviões - a menos, como fizeram o francês Nicolas Sarkozy e o americano Barack Obama, que se trate de concorrência para reequipar as Forças Armadas de um país.

Como de costume, a viagem serviu para o governo brasileiro pedir apoio à sua ambição de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. As autoridades chinesas concordaram apenas com uma declaração vaga. China e Brasil "apoiam uma reforma abrangente da ONU, incluindo o aumento da representação dos países em desenvolvimento no Conselho de Segurança como uma prioridade". Além disso, "a China (...) compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas". Essa frase é tão evasiva quanto a declaração de "apreço" à pretensão brasileira, incluída na declaração final da visita do presidente Obama a Brasília.

Mais que chocha, a referência aos direitos humanos teve um toque humorístico - e até de humor negro: "As duas partes fortalecerão consultas bilaterais em matéria de direitos humanos e promoverão o intercâmbio de experiências e boas práticas". Quais serão os temas dessas consultas e que experiências e "boas práticas" o governo brasileiro poderá aprender?

Os dois lados assumiram, como de costume, compromissos de cooperação técnica e científica. Tudo isso produzirá poucos efeitos a curto e a médio prazos. Alguns programas, como geralmente ocorre, talvez sejam esquecidos por um longo período, para serem lembrados, dentro de algum tempo, quando for marcada a primeira reunião de uma comissão bilateral.

Os entendimentos com maior significado prático correspondem aos interesses chineses de acesso a recursos naturais. "Os dois lados acolhem a crescente cooperação entre os dois países nas áreas de mineração e infraestrutura relacionada e no processamento de produtos de minérios", informa o comunicado. Os dois governos "manifestaram ainda o interesse em abrir novas áreas de cooperação em energia e mineração".

Pode haver pontos importantes de interesse comum nessas áreas. Mas a ênfase nesse tipo de cooperação atende sobretudo à estratégia chinesa de crescimento econômico e reforça o estilo de intercâmbio bilateral até agora observado. "A parte chinesa", segundo o comunicado, "manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado."

Essa "disposição" tem pouco ou nenhum significado prático - e o governo chinês talvez nem pudesse ir além desse ponto.

Se o governo brasileiro deseja de fato mais exportações de manufaturados para a China, o primeiro passo deve ser um exame das condições do comércio e dos obstáculos encontrados pelas empresas. Até agora, a iniciativa mais notável de Brasília, nesse campo, foi a pressão para a Vale exportar menos minérios e investir mais em siderurgia - uma ideia tão estapafúrdia em termos econômicos quanto perigosa politicamente.

Pequim cobrou, como se esperava, o cumprimento de uma promessa tola formulada há anos pelo governo brasileiro. "A parte brasileira reafirmou o compromisso de tratar de forma expedita a questão do reconhecimento da China como economia de mercado nos termos estabelecidos no Plano de Ação Conjunta 2010-2014." A palavra "expedita" vale um ponto para os negociadores chineses.

Empresas da China provavelmente aumentarão seus investimentos no Brasil. Fala-se em grandes projetos para a área eletrônica. Mas nada disso depende de entendimentos de cúpula. A Zona Franca de Manaus e o Polo de Jaguariúna são provas disso. O governo brasileiro deveria designar algum técnico talentoso para estudar esse e outros fatos da vida.

Negócio da China

José Serra - O Estado de São Paulo

Ao analisar a economia mundial no imediato pós-guerra, o grande economista Raúl Prebisch cunhou a expressão centro-periferia. Apontava para uma divisão internacional do trabalho entre países produtores de matérias-primas e alimentos - a periferia - e países produtores e exportadores de manufaturas - o centro.

Tal divisão desfavorecia os países da periferia, pois a concorrência entre as exportações de produtos primários era maior, refletindo-se em preços mais desfavoráveis. Previa-se, também, que sua demanda cresceria abaixo da renda mundial. Por último, carentes de indústrias, esses países permaneceriam também carentes de bons empregos e dos frutos do progresso técnico.

Essa teoria simplificava muito a realidade, mas valeu como reparo ao teorema de que os ganhos do livre-comércio internacional seriam repartidos de forma equânime entre todas as nações. E deu certo substrato ideológico às políticas de desenvolvimento industrial.

Na "periferia", o Brasil foi o país que levou a industrialização mais longe, embaralhando a dicotomia prebischiana. A partir dos anos 1980, porém, em razão de fatalidades da política macroeconômica e da transição mal feita para uma economia mais aberta, ingressamos numa fase de lento crescimento que já dura 30 anos.

Na última década, ganharam corpo mudanças impressionantes na economia internacional, com a ascensão da Índia e principalmente da China, países com 37% da população mundial, baixa renda por habitante, com projetos nacionais de desenvolvimento e pouco afeitos a bravatas. Um quarto do crescimento da economia mundial nesse período se deveu à China. A demanda por commodities saltou de patamar, empinando quantidades e preços, num movimento que parece contínuo: mais indústrias e mais infraestrutura exigindo matérias-primas, mais empregos e mais gente consumindo alimentos.

O centro chinês é muito peculiar. A economia é monitorada pelo Estado. O grau de discricionariedade da política econômica é altíssimo. O regime autoritário é eficiente para seus propósitos, e fortemente repressivo quando necessário. Para os de fora fica difícil explorar suas contradições internas. É um regime encarado com complacência por seus parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

A caminhada chinesa em direção ao centro da economia mundial chegou a ser saudada como janela de independência da economia brasileira, que passaria a ser menos atrelada às economias desenvolvidas clássicas. A troco de nada, o deslumbramento do governo Lula com a China levou-o a reconhecê-la como "economia de mercado", dando mais proteção às suas práticas desleais de comércio.

Mais independência? Ledo engano. Como disse Sérgio Amaral, a China é uma oportunidade e uma ameaça. Infelizmente, o Brasil escolheu a ameaça. A incapacidade de aproveitarmos boas condições de comércio para fortalecer a economia nacional está conduzindo o País, rapidamente, à condição de neoperiferia no concerto econômico mundial. "Neo" porque a nação está se desindustrializando, na volta à sua condição de economia primário-exportadora. A China, rumo ao centro, o Brasil, rumo à periferia. Num país continental como o nosso, isso envolve a renúncia a um futuro de suficientes e bons empregos.

As diferenças econômicas Brasil-China são marcantes. O yuan é das moedas mais desvalorizadas do mundo, o que aumenta muito a competitividade de sua economia. Nossa moeda vai exatamente no sentido contrário. Temos ainda a maior taxa real de juros do planeta e a maior carga tributária entre os países emergentes, o dobro da chinesa! A taxa de investimento da China é 2,5 vezes maior do que a brasileira: faltam poupança pública e capacidade para investir os recursos disponíveis e fazer parcerias público-privadas. Sobram tributos e falta uma taxa de câmbio decente para atrair mais investimentos privados.

As exportações chinesas estão varrendo boa parte da nossa indústria. Apenas 7% do que vendemos à China são produtos manufaturados, que representam 97% do que importamos de lá. Importações que vêm em boa medida substituir produção existente, menos competitiva por causa das políticas macroeconômicas, da fragilidade da defesa comercial e da situação calamitosa da nossa infraestrutura. Produzir no Brasil é tão caro que exportamos celulose para a China e começamos a importar o papel que ela produz. Exportamos minério de ferro, compramos aço. Cadê o famoso valor agregado?

A China também nos está deslocando de outros mercados. Dois terços das empresas exportadoras brasileiras perderam clientes para as chinesas no mercado externo, quase metade da indústria brasileira que concorre com a chinesa perdeu participação no mercado interno!

Além das vantagens apontadas, a China protege sua produção doméstica, faz escaladas tarifárias (soja), administra os investimentos estrangeiros no seu território, costuma subfaturar suas vendas ou utilizar países barriga de aluguel para reexportar seus produtos e escapar das esporádicas medidas de defesa comercial que o Brasil adota.

Outra dimensão da dependência brasileira é a rápida expansão dos investimentos diretos chineses voltados para as commodities de que a China precisa. São investimentos que obedecem à orientação do Estado chinês, que, por espantoso que possa parecer no Brasil, tem visão de longo prazo. Incorporaram até mesmo terras e riquezas naturais inexploradas, sob os olhares complacentes do extasiado governo Lula. Como os chineses são espertos, não lhes custará fazer uma concessão aqui ou ali em matéria de investimentos que envolvam maior valor agregado e alguma tecnologia nova. Mas só um pouquinho.

"Negócio da China", antigamente expressava a possibilidade de alguma pechincha, um ganho extraordinário em cima dos chineses. Hoje, ao contrário, é negócio bom para eles. Nada contra, pois pensam no futuro e sabem defender seus interesses no presente. Nessa peleja, perdemos feio.

Três Josés no funeral de Laryssa

DemetrioMagnoli- O Estado de São Paulo

"De onde saiu esse cara? Ele conseguiu destruir minha família". O sociólogo José de Souza Martins e o psicanalista Renato Mezan sugeriram respostas à indagação do motorista de ônibus Gérson da Silva, padrinho de Laryssa, uma das meninas assassinadas na chacina do Realengo. Martins escreveu que "o rito sacrificial medonho" derivou da irrupção das crenças arcaicas sobre a pureza e a impureza na esfera de uma modernidade pelicular. O assassino "lavou com sangue propiciatório o caminho da sua eternidade". Mezan escreveu que "era a sexualidade" que Wellington temia. O assassino matou seus próprios demônios interiores para aplacar a ira imaginada dos pais mortos e se reunir novamente com eles.

Martins e Mezan procuram reconstituir uma história singular, que oferece vislumbres sobre a sociedade moderna e a condição humana em geral. Nossas autoridades políticas, percorrendo uma trajetória inversa, fornecem uma resposta ideológica à pergunta do padrinho devastado de Laryssa. Elas estão dizendo que a chacina revela a insuficiência das leis sobre o comércio de armas. José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio, defendeu a revisão do Estatuto do Desarmamento. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, anunciou medidas suplementares para dificultar o acesso às armas. José Sarney, presidente do Senado, pediu a proibição total da venda de armas. A loucura dos três Josés é de ordem diferente da de Wellington. Ela não matará ninguém, mas nos afasta um pouco mais da racionalidade política.

Uma notícia plantada assegura que Dilma Rousseff chorou duas vezes ao tomar conhecimento do evento do Realengo. Muitos de nós choramos. A presidente provavelmente chorou mesmo, pensando "na nossa própria violência, que por se exercer por meios mais sutis não deixa de ter semelhança" com a de Wellington, como escreveu Mezan. Não é preciso criticá-la quando, ao divulgar suas lágrimas privadas ou derramá-las em público, cumpre a quase compulsória obrigação da democracia de massas de se revelar tão humana quanto os cidadãos comuns. Algo completamente diverso é o sequestro da tragédia para promover uma agenda política com fundas raízes ideológicas.

O que fazer? No plano utilitário, não há nada a fazer para evitar uma chacina futura, que acontecerá. Contudo, nestes tempos de demagogia sem freios, em que autoridades e políticos obedecem aos comandos automáticos dos marqueteiros, multiplicam-se as mais nefastas propostas de ação. O senador Cristovam Buarque quer cercar as escolas com barreiras policiais inexpugnáveis, implantando uma pedagogia do medo. Sarney, sempre ele, pretende poluir ainda mais o currículo escolar com aulas de "segurança pública". A obsessão pela segurança é o sinal distintivo do declínio da crença nas liberdades públicas e individuais. A proposta de proibição total do acesso legal às armas sintetiza, hoje, uma doutrina política hostil às liberdades e aos direitos dos cidadãos.

Não são as armas que matam, mas aqueles que as utilizam: facas e bombas de fabricação caseira servem perfeitamente para promover chacinas. Wellington não comprou sua arma legalmente, mas a adquiriu num mercado subterrâneo movido pelo contrabando e pelos intercâmbios entre a "polícia bandida" e o crime. Inexiste um nexo lógico entre nossas leis sobre armas e o "ritual medonho" do Realengo. Entretanto, os arautos da proibição total, derrotados no referendo de 2005, transitam no território da comoção coletiva, o espaço mais propício para as doutrinas liberticidas. Oportunistas, pretendem anular a decisão popular por meio de um voto no Congresso ou, apenas, da manipulação administrativa das regras legais.

Psicólogos de botequim atribuem a sociopatia de Wellington ao bullying. "A culpa é do meio social", asseveram eles, reforçando a moda que rejeita o conceito de responsabilidade dos indivíduos sobre seus próprios atos. Na sua dança demagógica ao redor da sepultura de Laryssa, os três Josés conferem forma política a tal ideia. As suas propostas trazem implícitas duas mensagens. A primeira: o horror do Realengo seria fruto de uma "sociedade armada". A segunda: para minimizar o risco de novas chacinas o Estado deve civilizar a sociedade, tutelando-a e extinguindo direitos individuais.

Como tantos outros, o direito de acesso às armas não é absoluto. O Estatuto do Desarmamento, adequadamente, estabelece limites estritos ao seu exercício. A proposta de proibição total não constitui a regulamentação de um direito, mas a sua abolição. Como a proibição não atingiria os criminosos nem as empresas de segurança, o seu nome legítimo não é "desarmamento geral", mas desarmamento unilateral de cidadãos comuns que não podem pagar serviços armados privados. Contra isso, exatamente, votaram dois terços dos eleitores, evidenciando um apreço pelas liberdades que não encontra correspondência em nossa elite política.

A indagação de Gérson da Silva não tem uma resposta, mas muitas, que são conjecturas. Martins e Mezan indicam as entradas ocultas para o labirinto que Wellington percorreu até voltar armado à escola de sua infância. Contudo nunca saberemos ao certo "de onde saiu esse cara", o suicida assassino que, numa explosão de violência aleatória, sacrificou a seus demônios imaginários meninas e meninos iguais a nossos filhos ou netos. Por outro lado, conhecemos a anatomia da violência sistemática, cotidiana, em nossa sociedade. Sabemos muito sobre a fonte real das armas dos criminosos "racionais" - não é mesmo, José, o Cardozo? Sabemos quase tudo sobre a pavorosa criminalidade policial - não é mesmo, José, o Beltrame? Sabemos bastante sobre a persistente desigualdade dos cidadãos diante do sistema judiciário - não é mesmo, José, o Sarney?

Só podemos chorar, como choramos, junto com os familiares e colegas das vítimas de Wellington. Quanto ao mais, há muito a fazer.

Mortes no trânsito crescem 24% em uma década, puxadas por acidentes com motos

Paula Adamo Idoeta - BBC Brasil

O aumento nos acidentes com motociclistas fez com que as mortes no trânsito brasileiro crescessem 23,9% entre 1998 e 2008, segundo o Mapa da Violência 2011: Acidentes de Trânsito, compilação divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Sangari.

Na década estudada, as mortes ocorridas em acidentes de motos cresceram 754%. As mortes de ciclistas também assustam: registraram um aumento de 308%.

Ao mesmo tempo, o número de óbitos envolvendo automóveis foi proporcionalmente menor que o aumento da frota.

“Se nada mudar, até 2015 teremos um massacre de motociclistas”, disse à BBC Brasil Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto Sangari e autor do estudo.

Ele cita uma “reconfiguração” dos padrões de acidente desde a adoção do Código de Trânsito, em 2007.

Desde então, caíram em 15,6% as mortes de pedestres, e morrem menos pessoas por automóveis em circulação. Mas, no caso das motos, ocorreu o oposto: o risco de morte cresceu mais do que a própria frota, afetando principalmente a população entre 18 e 24 anos do sexo masculino.

“Se nada for feito, a tendência é que essas mortes continuem aumentando, em ritmo de 4% ao ano”, trazendo elevados custos sociais, financeiros e emocionais, diz Jacobo Waiselfisz.

Educação no trânsito
Para o estudioso, a redução nas taxas de mortes de pedestres se deveu a campanhas educativas e à maior fiscalização, por exemplo, da obediência à faixa de pedestres.

Ele sugere medidas parecidas para lidar com o aumento na frota e nos acidentes envolvendo motos. “Faltam legislação adequada, educação no trânsito e fiscalização”, diz, citando também a tensão constante entre motociclistas e os demais agentes do trânsito.

“O elevado risco-motocicleta deveria ser compensado com uma legislação que pudesse tornar mais segura a vida, não apenas dos motociclistas como também dos pedestres, vítimas dessa nova ameaça no trânsito”, conclui o estudo.

“Mas isso não vem ocorrendo, e o meteórico crescimento no número de vítimas indica a magnitude dessa inadequação. Propomos políticas específicas para a formação e o treinamento dos motociclistas, a definição de requisitos específicos para serviços de entrega e o reforço das campanhas educativas.”

A questão dos aeroportos é de incompetência mesmo!

Adelson Elias Vasconcellos

Vocês leram nos dois posts abaixo, um da Agência Estado e outro do Fernando Rodrigues, que a questão dos aeroportos vai atravessar a década sem uma solução definitiva.

Sabem por que chegamos a tal ponto? Exatamente pela interferência do governo Lula num ramo de atividade totalmente privado e que houve tempo que foi expressão de excelência em serviços até quando comparado à de outros países.

Acho que já bati muito nesta tecla. O apagão aéreo tem um único culpado: o governo Lula. E acreditem, as constantes intervenções e interferências do governo petista em atividades exclusivamente privadas, que representam o top de linha no campo da eficiência e competência empresarial, sempre resultará na degradação da própria atividade.

Esta gente se considera o máximo do pensamento empresarial, mas não passam de analfabetos e ignorantes. Naquilo que deveriam realmente se ocupar, os serviços públicos básicos, o resultado é que o todos já estamos cansados de saber: falência múltipla.

A ocupação e preocupação maiores desta turma se destaca em duas vertentes, e ambas ligadas a um mesmo propósito.

Vertente A: é preciso cooptar o povão, mantê-lo satisfeito e acomodado pela política do pão-e-circo, e permanentemente asfixiados de que tudo o que o governo faz é pelo próprio bem. Em troca o voto.

Vertente B: é preciso “facilitar” a vida da elite econômica concedendo-lhes dinheiro barato e abundante e abrindo caminho para algumas negociatas milionárias, claro, por debaixo do pano e longe do alcance da lei.

O propósito: A conjugação destas duas vertentes tem como propósito a manutenção do poder, a qualquer preço, até, se necessário, rasgar o código de leis do país.

A questão dos aeroportos, até pelo tempo que o apagão nos atormenta, já era para ter sido resolvida, senão em seu todo, pelo menos, poderíamos ter um bom plano de ação onde os problemas estivessem devidamente equacionados.

Agora, estando decorrido metade do tempo que o país teve para se preparar adequadamente para sediar a Copa do Mundo, ler que um órgão do governo, o IPEA, reconhece a incompetência do governo em resolver pelo menos metade das questões aeroportuárias que nos afligem, é constatar a total incapacidade gerencial do governo petista.

Claro que este alerta tem sido feito já há algum tempo neste blog, mesmo contra todas as mentiras e desmentidos que o governo fez circular nestes anos.

Fica aí comprovada uma das razões pelas quais sempre fomos contrários ao Brasil sediar estes eventos internacionais no curto prazo, com os três sendo realizados no país em intervalos tão escassos. Para bancar tais eventos, deveria o Brasil um mínimo de infraestrutura perfeitamente otimizada, e não se começar do zero como foi o nosso caso. Assim, não apenas o esforço será absurdo: o custo que os três cobrarão do país está muito acima da nossa condição atual. Temos outros problemas bem mais graves para serem atendidos em favor da população brasileira.

Assim, quando vejo o governo Dilma se intrometendo em atividades absolutamente privadas, como a Vale e o ramo da telefonia, só para ficar nestes dois exemplos, confesso sentir calafrio sobre o preço que ainda pagaremos pela inapetência do governo petista em dar um enfoque de modernidade a um projeto de desenvolvimento voltado para o país. Mas não tem jeito: o único projeto que esta turma parece apostar e se dedicar em tempo integral é o seu projeto de poder (se possível, vitalício).

Além disto, a presidente Dilma sequer pode se dar ao luxo de reclamar de herança maldita: afinal, parte desta herança foi construída por ela mesma quando chefiava a Casa Civil no reinado de Lula.

Nove aeroportos não ficarão prontos para Copa 2014, diz Ipea

Álvaro Campos, da Agência Estado

Instituto concluiu que os aeroportos de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos (SP), Salvador, Campinas (SP), Cuiabá, Confins (MG) e Porto Alegre não estariam prontos para a Copa

SÃO PAULO - Dos 13 aeroportos brasileiros que receberão investimentos para modernização e aumento de capacidade, com vistas à Copa do Mundo de 2014, nove não ficarão prontos a tempo e um será finalizado no mês em que se inicia o campeonato - "se tudo der certo". A conclusão é do estudo "Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações", divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Com base no tempo médio de uma obra de infraestrutura de transporte de grande porte no Brasil, e no estágio atual dos trabalhos em cada aeroporto, o Ipea concluiu que os aeroportos de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos (SP), Salvador, Campinas (SP), Cuiabá, Confins (MG) e Porto Alegre não estariam prontos para a Copa de 2014. As obras do aeroporto de Curitiba podem ficar prontas até junho de 2014, "se tudo der certo", diz o estudo. Essa previsão é otimista, porque não leva em conta problemas como um questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo.

Para o Ipea, o aeroporto do Galeão (RJ) já está em obras e tem uma situação operacional adequada. As obras do novo aeroporto de Natal não têm previsão de conclusão, conforme dados da Infraero, e o atual aeroporto receberá investimentos para ampliar o terminal de passageiros, mas a capacidade não foi divulgada. De qualquer forma, segundo o Ipea, um novo aeroporto em Natal não ficaria pronto antes da Copa de 2014. E as obras no aeroporto de Recife se referem apenas à construção de uma torre de controle.

Mesmo se todas as obras forem concluídas até 2014, isso não quer dizer que a aviação civil brasileira voará em céu de brigadeiro. Levando em conta o crescimento da economia brasileira, o Ipea estima que o movimento de passageiros vai crescer em média 10% ao ano, chegando a 151,8 milhões de pessoas nos 13 aeroportos da Copa, durante o ano de 2014. Com as reformas, a capacidade dessas unidades será de 148,7 milhões. Dez aeroportos estariam em situação crítica, com taxa de ocupação acima de 100%.

"A análise do plano de investimentos para os 13 aeroportos da Copa sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura (...) O setor continua sendo planejado com o olho no espelho retrovisor, em vez de se preparar para 40 anos à frente", diz o documento elaborado pelo Ipea. O instituto lembra que o governo federal assegurou à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) R$ 5,6 bilhões para investir nesses 13 aeroportos, para um aumento de 57,4% na capacidade.

Como solução para o possível atraso, o Ipea sugere que o poder público poderia estabelecer procedimentos diferenciados em relação às obras de infraestrutura nos aeroportos, a fim de diminuir a demora na execução das diferentes etapas desse tipo de investimento. O instituto também menciona a participação da iniciativa privada. "A iniciativa privada investe recursos nos demais modais de transporte (rodoviário, ferroviário e aquaviário). Apenas para o setor aeroportuário não há investimentos privados".

Consultada, a Infraero disse que desconhece as bases técnicas utilizadas no estudo do Ipea e não participou de qualquer discussão, "de modo que não pode fazer qualquer tipo de avaliação a respeito".

Superlotação
O estudo do Ipea também traça um panorama dos 20 principais aeroportos brasileiros (não somente aqueles que serão usados na Copa). A pesquisa ressalta que, com o forte crescimento da demanda nos últimos anos, sem o respectivo aumento da capacidade operacional dos aeroportos, 14 desses aeroportos já funcionaram acima do limite em 2010.

Dos 20 maiores aeroportos do País, apenas três estavam em situação adequada no ano passado, ou seja, com taxa de ocupação inferior a 80%: Galeão (RJ), Salvador e Recife. Outros três estavam em situação preocupante, com taxa de ocupação entre 80% e 100%: Curitiba, Belém e Santos Dumont (RJ). A taxa é obtida a partir da divisão do número de passageiros movimentados pela capacidade do aeroporto.

Em 14 aeroportos a situação é crítica, com taxa de ocupação média de 187,15% no ano passado. A pior situação é do aeroporto de Vitória (taxa de ocupação de 472%), seguido por Goiânia (391%) e Florianópolis (243%). A lista dos aeroportos em situação crítica continua com Fortaleza (169%). Porto Alegre (166%), Confins-MG (145%), Viracopos-Campinas (143%), Brasília (141%), Cuiabá (133%), Guarulhos (130%), Congonhas (129%), Natal (127%), Maceió (119%) e Manaus (108%).

Em 2003, o número de passageiros nos 67 aeroportos brasileiros foi de 71,2 milhões. Em 2010, esse movimento saltou para 154,3 milhões de passageiros, um crescimento de 116,7%. Nesse período, o governo investiu R$ 8,79 bilhões em aeroportos e no controle do tráfego aéreo. Porém, o Ipea ressalta que a média de execução do programa de investimentos da Infraero foi de apenas 44% (ao se comparar os recursos autorizados com os realizados). "Isso aponta para a necessidade de inadiável aprimoramento na gestão empresarial da Infraero", diz o estudo do instituto.

Preocupação
Nas últimas semanas, diversas autoridades brasileiras e internacionais têm mostrado preocupação em relação à situação dos aeroportos do País. Um deles foi o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Segundo ele, as demais obras necessárias para a Copa de 2014 estão seguindo o calendário previsto. "O único desafio para o qual não consigo enxergar a solução é a concessão dos aeroportos", afirmou.

No final do mês passado, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, advertiu os brasileiros que o torneio será "amanhã", e não "depois de amanhã". Esta semana, o ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai anunciar "inovações" no sistema aeroportuário brasileiro logo após a sua viagem à China. Segundo ele, a modernização do sistema já começou, com a mudança de comando na Infraero e a escolha de Wagner Bittencourt de Oliveira para comandar a recém criada Secretaria de Aviação Civil.

Brasil vai mesmo atrasar aeroportos da Copa, diz Ipea

Fernando Rodrigues

obras em 9 dos 13 aeroportos não ficarão prontas para o evento...

...e 10 dos 13 vão operar acima da capacidade em 2014

O governo não concluirá a tempo obras em 9 dos 13 aeroportos que estão sendo readequados para a Copa de 2014, afirma artigo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O Ipea é do governo. Ou seja, é o governo admitindo que não será capaz de fazer as obras.

A administração federal alocou R$ 5,6 bilhões para a Infraero gastar, de 2011 a 2014, nesses 13 aeroportos. Mas a história recente do Brasil, explica o Ipea, mostra que são necessários, ao menos, 92 meses (pouco mais de 7 anos e meio) para cumprir as etapas de uma obra do porte das necessárias aos aeroportos.


“As conclusões são alarmantes”, diz o artigo, citando o exemplo de Manaus. Nesse aeroporto, as obras têm prazo de conclusão em dezembro de 2013, mas estavam na fase inicial em 2010. “Se tudo ocorrer dentro dos prazos médios observados no Brasil”, diz o texto, “as obras só ficarão prontas daqui a sete anos, em 2017, depois da Copa”.

Outros 8 aeroportos acompanham o de Manaus e não devem ficar prontos até a Copa, afirma o Ipea. São eles: Fortaleza (CE), Brasília (DF), Guarulhos (SP), Salvador (BA), Campinas (SP), Cuiabá (MT), Confins (MG) e Porto Alegre (RS). Fora isso, o aeroporto de Curitiba, em fase de licitação, deve demorar 3 anos e meio e só ficará pronto se nenhum atraso ocorrer.

Os aeroportos de Curitiba (PR), Galeão (RJ) e Recife (PE) devem ficar prontos a tempo. As obras no aeroporto de Natal (RN) não têm pevisão de conclusão.

Os 92 meses incluem a elaboração de projeto, obtenção de licença ambiental do Ibama, aprovação dos gastos pelo TCU (Tribunal de Contas da União), licitação e execução da obra. Não incluem atrasos provocados por irregularidades –comuns no Brasil. Em Goiânia, cita o Ipea, obras foram suspensas em 2007, após o TCU encontrar “projeto básico deficiente, sobrepreço de mais de R$ 73,5 milhões e inexistência de projetos de engenharia atualizados”. Em 2010, o contrato foi suspenso.

Superlotação
O Ipea ainda diz que “mesmo que fosse possível concluir os investimentos nos terminais de passageiros nos prazos previstos pela Infraero, a situação dos 13 aeroportos das cidades-sede da Copa de 2014 continuaria de sobrecarga”. Segundo o texto, 10 dos 13 aeroportos em obras por causa da Copa estarão operando acima de sua capacidade no ano do evento.

O quadro abaixo, elaborado pelo Ipea, mostra quais aeroportos estarão superlotados (são aqueles com índice maior que 100% na última coluna):


“Os resultados são preocupantes”, diz o texto, enfatizando que o aeroporto de Guarulhos (SP) estará entre os superlotados. “A análise do plano de investimentos para os 13 aeroportos da Copa sugere que as obras foram planejadas com subdimensionamento da demanda futura”, diz o artigo.
Entre os motivos do gargalo aéreo, diz o Ipea, está a ausência dos investimentos necessários no setor. No momento de crescimento econômico, em que há mais geração de emprego e renda, a ausência de investimento em infraestrutura se torna mais evidente, afirma o Ipea.